- há 8 meses
- #papoantagonista
O ministro Jhonatan de Jesus, do Tribunal de Contas da União (TCU), ordenou, nesta semana, uma inspeção in loco – com “a máxima urgência” – no Banco Central. Segundo ele, o objetivo é examinar as etapas que levaram à liquidação extrajudicial do Banco Master.
Na terça-feira, 6, o BC apresentou um recurso contra a decisão do ministro do TCU. O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) também reagiu e acionou a Procuradoria Geral da República (PGR) para pedir apuração da conduta do ministro do TCU.
Madeleine Lacsko, Duda Teixeira e Aod Cunha comentam:
Papo Antagonista é o programa que explica e debate os principais acontecimentos do dia com análises críticas e aprofundadas sobre a política brasileira e seus bastidores.
Apresentado por Madeleine Lacsko, o programa traz contexto e opinião sobre os temas mais quentes da atualidade. Com foco em jornalismo, eleições e debate, é um espaço essencial para quem busca informação de qualidade.
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NotíciasTranscrição
00:00O ministro Jonathan de Jesus, do Tribunal de Contas da União,
00:05ordenou nesta semana uma inspeção em loco com a máxima urgência no Banco Central.
00:11Segundo ele, o objetivo é examinar as etapas que levaram à liquidação extrajudicial do Banco Master.
00:21Na última terça-feira, ontem, dia 6, o Banco Central apresentou um recurso
00:27contra a decisão do ministro do Tribunal de Contas da União.
00:32Quem também reagiu a isso foi o senador Alessandro Vieira, do MDB do Ceará.
00:38Vamos dar uma olhada no que ele escreveu no X.
00:43Protocolei representação ao PGR pedindo apuração da conduta do ministro do TCU, Jonathan de Jesus,
00:51no caso Master, por se tratar de atuação absolutamente inconstitucional do referido ministro,
00:59colocando em risco a credibilidade do Banco Central e do sistema financeiro nacional.
01:07A gente trouxe aqui uma pessoa que é especialista na área,
01:11porque nem todo mundo entende como é que funciona isso de banco, Banco Central,
01:14e é por isso que vai participar aqui do Papo Antagonista a Ode Cunha Lima,
01:20doutor em Economia, conselheiro de Administração de Empresas
01:24e ex-secretário da Fazenda do Rio Grande do Sul.
01:27Muito boa noite, tudo bem?
01:30Boa noite, Madelene. Prazer estar aqui com vocês no Papo Antagonista.
01:33Duda também, sempre um prazer.
01:36A Ode, quando a gente que é da área política vê o TCU na liquidação de banco,
01:44o TCU, o Tribunal de Contas da União, ele é um braço, na verdade,
01:48do poder legislativo pra fiscalizar o executivo.
01:52Pra mim soa esquisito ele se meter em liquidação de banco.
01:58Eu nunca vi. Eu nunca vi.
02:03Mas eu sou da área política, eu não entendo disso de economia.
02:07Você já viu isso antes? Eu nunca vi.
02:10Tô te falando assim com toda franqueza.
02:11Nunca vi se meter em nenhuma decisão do Banco Central,
02:14de CAD, sobre fusão, de nada disso.
02:17Se mete no poder público.
02:21Isso é realmente atípico ou sou eu que não sou da área?
02:25Não, Madelene, você tá certa.
02:27É completamente inusitado nesse padrão e nesse formato.
02:31Aliás, o caso do Master tem um conjunto de eventos muito estranhos
02:37nas instituições brasileiras já há bastante tempo.
02:41A gente já viu questões envolvendo o Judiciário, o STF, Congresso, políticos,
02:48e agora a gente vê o Tribunal de Contas, na minha avaliação,
02:53com um papel, ou tentando ter um papel, pelo menos um dos ministros,
02:56completamente fora do esquadro, do escopo de atuação do Tribunal de Contas,
03:02e questionando um papel que é do Banco Central.
03:05O Banco Central tem como uma função fiscalizar bancos
03:08e, em caso de identificação de condições de insolvência, inadimplência,
03:16o risco elevado dessas situações intervir, inclusive em liquidação.
03:22Vamos lembrar que, no caso específico que nós estamos falando,
03:27além de ter um volume muito grande de CDBs, garantidos pelo FGC,
03:32mas com comprometimento muito grande, acima de 40 bilhões,
03:35passivos acima de 50 bilhões,
03:37mais do que isso recentemente, que foi identificado pelo Banco Central,
03:40foram fraudes.
03:42Foi a identificação de fraudes em operações financeiras de 12 bilhões de reais
03:48e isso põe em risco, evidentemente, a capacidade de solvência do banco.
03:53Por isso, o Banco Central liquidou.
03:54O que, aliás, já houve liquidações feitas pelo Banco Central
03:57nas últimas décadas, as dezenas.
03:59E nunca houve esse tipo de manifestação e de ação do Tribunal de Contas.
04:05Agora, das notícias que circularam desde o final do ano passado,
04:11a gente vê ali, claramente, o Dias Toffoli,
04:14então, ministro do STF, muito empenhado em tentar reverter a liquidação do Banco Master.
04:21E aí, agora, a gente vê também o Jonathan de Jesus, do TCU também,
04:25eles querendo tentar reverter a liquidação.
04:29E aí, parece que a liquidação é uma coisa, quase que um crime ali,
04:33que alguém cometeu e precisa ser solucionado.
04:38Existe algum grande problema que a liquidação do Banco Master venha trazer?
04:43Era melhor trazer o Banco Master de volta?
04:47Não, na minha opinião, de forma alguma.
04:49Aliás, é o papel do Banco Central zelar para que nenhuma instituição financeira
04:55com risco elevado de insolvência, de inadimplência,
05:01contamine o conjunto do sistema financeiro.
05:03Porque esse é um ponto importante.
05:04A gente não está tratando aqui só do caso do Master.
05:07Nós estamos tratando da forma como o sistema financeiro,
05:10através das suas instituições, de quem fiscaliza ela,
05:13que é o Banco Central, trata este caso.
05:16E a forma como trata este caso é uma mensagem muito relevante
05:19para a confiança de credores, de depositantes,
05:23que têm contas em várias outras instituições financeiras.
05:27Então, assim, na verdade, esse caso do Master, por isso que eu falei,
05:31ele é um caso que vem com eventos estranhos há muito tempo.
05:35O próprio volume e o crescimento de CDBs com rentabilidade muito alta,
05:40e se argumentava, não, mas isso tem a cobertura do FGC,
05:43que é o Fundo Garantidor de Crédito, que é para o sistema financeiro como um todo,
05:47mas num volume muito grande.
05:49E em determinados momentos no passado, ainda no ano passado,
05:55movimentos, muitas vezes, dentro do Congresso,
05:57de políticos tentando aumentar o limite do FGC
05:59para aumentar esse limite de exposição de risco que tinha.
06:02Depois, essa discussão envolvendo o próprio STF,
06:06contratos de parentes de ministro,
06:09depois você citou agora do ministro Toffoli.
06:11O que a gente está falando agora é um desenquadramento de função
06:16numa decisão que cabe exclusivamente ao Banco Central,
06:19que é a decisão sobre liquidação ou não,
06:21sobre solvência de instituições financeiras.
06:23Encerrado essa conduta e fechado isso lá na frente,
06:27eventualmente qualquer instituição pública pode passar por escrutínio.
06:32Tem uma discussão também sobre se o Banco Central,
06:34lá atrás, ainda na administração do Roberto Campos,
06:37não demorou demais para olhar esse tema do Master, que crescia.
06:42Tudo isso é uma discussão válida.
06:44Agora, especificamente nesse momento agora,
06:46onde é identificado fraudes praticadas pelo banco,
06:50que tiram recursos que estariam, teoricamente, na contabilidade,
06:54para validar e para bancar a solvência de credores do banco,
06:59o Banco Central não tem o que fazer.
07:00A liquidação tem que ser decretada.
07:02E não cabe, neste momento, ao Tribunal de Contas,
07:05intervir nesta fase.
07:09Aude, agora, eu estava aqui lembrando que quando começa o governo Lula,
07:13o Lula brigando o tempo inteiro com o Roberto Campos Neto,
07:17e aí tinha essa preocupação de quanto que o Banco Central,
07:21de fato, vai conseguir resistir ao Palácio do Planalto.
07:26E aí, quando entra o Gabriel Galípolo,
07:28muita gente fala assim, e agora a gente já não tem mais certeza,
07:31o Banco Central vai ceder, vai baixar juros na marra,
07:35a Dilma já fez isso.
07:36E não, o Gabriel Galípolo conseguiu resistir,
07:41até que muito bem, ainda que existam algumas críticas aqui e ali.
07:45Mas aí vem o TCU e manda uma inspeção em loco com urgência.
07:51Quer dizer, é o TCU que consegue invadir de uma maneira impensável até então.
07:59Bom, acho que isso reforça a ideia de que realmente,
08:02como a Amadá falou, tem que ser realmente independente.
08:05E tinha até algumas propostas, se não me engano,
08:07no Legislativo, para até aumentar ainda mais a independência do Banco Central,
08:14até para ele ter total controle sobre as suas finanças.
08:17Você acha que é o caso de avançar ainda mais nessa autonomia?
08:21Eu acho que o Banco Central hoje,
08:24nas regras atuais, já tem um grau considerável de autonomia.
08:30Tem uma discussão que a parte técnica do Banco Central,
08:34que a gente precisa lembrar também é o seguinte,
08:36mais do que um presidente,
08:39o que garante essa independência,
08:41essa institucionalidade preservada do Banco Central,
08:44é uma história e regras estáveis,
08:49um corpo técnico bastante qualificado,
08:52que o banco tem há bastante tempo,
08:54vindo por concurso,
08:55nomeações de diretores que têm que passar por um escrutínio técnico também,
09:00não é só o presidente do Banco Central,
09:01as decisões do Banco Central,
09:03boa parte delas são colegiadas,
09:04como da própria questão da taxa de juros,
09:07e houve esse avanço de independência formal em lei,
09:10que eu acho que foi um avanço que ocorreu recentemente com o Banco Central,
09:13eu acho que a gente já tem um bom arcabouço,
09:15está se passando por um teste agora,
09:17não tem independência legal de órgão que seja,
09:21que resista em algum momento um ataque simultâneo,
09:25e algumas vezes ataque de outras instituições públicas,
09:28então o que nós estamos passando é por um teste,
09:31e passar bem por esse teste é mais uma prova
09:33de que esta independência veio para ficar,
09:37e eu espero que assim continue.
09:39Na realidade, tem uma ausência que eu sinto muito nesse debate,
09:44que é do ministro Fernando Haddad,
09:47que foi ele quem indicou o Galípulo,
09:50ao se calar, além de parecer desleal ao Galípulo,
09:57ou desconfiado do Galípulo,
10:00ele se mostra mais fraco do que se espera de um ministro da Fazenda.
10:07A gente está vendo o Galípulo crescer,
10:10e o Fernando Haddad cair aí.
10:13Eu acho que em um momento como esse,
10:19você precisa que autoridades públicas,
10:24autoridades que representam instituições importantes,
10:28se manifestem,
10:29porque não é uma questão de opção de política econômica,
10:35de opção ideológica,
10:37a gente está falando sobre o trato com a coisa pública,
10:41com o recurso público.
10:42É disso que nós estamos falando,
10:44porque quando,
10:44se você, mas é um banco que está quebrando,
10:47está liquidando,
10:48ou são os credores desse banco?
10:50Não é.
10:50A gente está falando sobre a estabilidade no sistema financeiro,
10:53que é vital,
10:54que tratam com dezenas e dezenas de milhões de correntistas,
10:58de credores,
10:59e de pagadores de impostos.
11:01Então, eu acho que nesse momento,
11:04a gente está falando um momento muito relevante,
11:07porque tem muita,
11:10pode não ter confirmação,
11:12mas tem muito buato,
11:13muita investigação,
11:14muita coisa estranha que aconteceu,
11:17com diferentes atores ao longo desse processo.
11:22Tem, de outro lado,
11:23algo muito claro,
11:25muito cristalino,
11:26que é essa necessidade de o Banco Central
11:28tomar essa atitude,
11:29para evitar que isso passe a ser um rombo maior,
11:32e a gente começa a olhar uma série de movimentações,
11:35no mínimo, estranhas,
11:37em defesa de algo que é indefensável.
11:41E nessa hora, eu acho que é importante, sim,
11:44manifestações públicas,
11:45do próprio presidente da República,
11:47do ministro da Fazenda.
11:49O Galímpio foi escolhido,
11:50foi escolha pessoal dele,
11:51trabalhou no Ministério,
11:52foi uma indicação dele também,
11:55certamente ajudaria muito
11:56uma manifestação,
11:58uma defesa mais enfática do ministro da Adade.
12:00Aúdio, uma perguntinha aqui,
12:03eu imagino que quem comprou o CDB do Master
12:06está assistindo a essa novela e perguntando,
12:09puxa, mas será que eu vou receber
12:11meu dinheiro de volta mesmo, pelo FGC?
12:14Você acha que se o Dias Toffoli
12:18e o Jonathan de Jesus
12:19conseguirem reverter a liquidação do Master,
12:23fica mais difícil para essa turma receber
12:25esses CDBs?
12:27Eu acho que as pessoas vão receber,
12:32até porque isso é vital.
12:34O FGC foi criado para isso,
12:37justamente numa sequência anterior,
12:39no passado, de quebras de bancos.
12:42E para se evitar que a quebra de um banco,
12:44que eventualmente seja mal gerido,
12:46esteja insolvente,
12:47afeta de outros bancos
12:48que tenham boa gestão,
12:51mas que numa situação dessa,
12:53onde não tem garantia dos credores daquele banco,
12:55outros credores de outros bancos
12:58começam a fazer uma corrida bancária.
12:59Isso é um caso clássico de corrida bancária
13:02que tem que ser evitada pela regulação do sistema.
13:04Então, o FGC é um fundo garantidor de crédito
13:06que foi criado com aportes
13:08dos próprios sistemas financeiros
13:10e se criou esse limite de exposição,
13:13até 250 mil por CPF,
13:16para cada uma aplicação de investidor,
13:19mas com esse critério prudencial.
13:22Isso não foi nenhum momento pensado e gerado
13:25para deixar que algum banco
13:27explorasse,
13:29através de aplicações mais arriscadas,
13:32essa garantia até num limite infinito.
13:34O que foi que aconteceu.
13:35Cresceu demais essa exposição.
13:37Então, acho que isso vai ser cumprido.
13:39Agora, é claro,
13:39quem fez esse investimento,
13:41aqui tem uma lição também,
13:42essa ideia de que,
13:43bom, eu vou fazer um investimento,
13:45o FGC vai me pagar em qualquer circunstância.
13:46Não é em qualquer circunstância.
13:48A medida que foi anunciada lá
13:50a interrupção na liquidação,
13:54a partir de novembro do ano passado,
13:57as pessoas que investiram
13:58com uma taxa mais alta,
13:59120, 125, 130%,
14:02elas pararam de ter essa remuneração.
14:05Elas ficaram com a remuneração recebida
14:06naquele momento
14:07e esses meses estão correndo,
14:08elas não recebem mais.
14:09Então, está tendo já uma certa perda nisso
14:12que vai demorar quanto mais as pessoas receberem.
14:14Elas vão receber,
14:15mas não é um recebimento automático.
14:18A gente está falando
14:20de uma possibilidade real
14:24de um ministro do STF
14:27ou do Tribunal de Contas da União
14:30anularem a liquidação de um banco.
14:37Qual é o impacto disso
14:38sobre segurança jurídica no Brasil,
14:41se eles fizerem?
14:42Eu vou falar do que eu conheço
14:46do ponto de vista econômico.
14:47Eu acho que do ponto de vista econômico,
14:49do ponto de vista como o sistema financeiro
14:52vai olhar para isso,
14:53seria um evento muito ruim.
14:55É um evento muito ruim.
14:57Porque hoje o sistema,
14:59funciona bem o sistema financeiro no Brasil,
15:01ele foi construído ao longo de décadas
15:03de aprendizados,
15:05de eventos amargos no passado,
15:07inclusive com quebras de alguns bancos.
15:09E se aprendeu que tem um banco central independente,
15:13com capacidade de fiscalização,
15:14que atua de forma rigorosa na hora certa,
15:17seja para colocar reservas apropriadas para os bancos,
15:21seja para fiscalizar a ação desses bancos,
15:23para ver se os ativos desses bancos
15:24são compatíveis com seus passivos.
15:27Isso funciona.
15:28Se aperfeiçoou também criando
15:30esse fundo garantidor de crédito,
15:32que dá uma segurança para o aplicador
15:34até determinados limites,
15:35isso informa também até que ponto
15:38pode correr risco
15:39cada um dos credores desse sistema.
15:42Então é um aparato que funciona
15:44desde que os papéis
15:47de cada uma dessas instituições
15:48sejam respeitados.
15:49Se você tem uma eventualidade,
15:51um banco,
15:52e um banco que já tem um tamanho significativo,
15:54em condições de insolvência,
15:56ou com recursos que não são comprovados,
15:58fraudes em evidência,
16:00e o banco central vai lá
16:01e cumpre seu papel e liquida,
16:03e aí, a partir dessa liquidação,
16:05vão ser colocados interventores,
16:07os ativos vão ser vendidos
16:10para poder se pagar
16:11todos os credores desse banco,
16:13além do fundo garantidor de crédito,
16:15mas tem outras dívidas também,
16:17essas coisas funcionam dessa forma.
16:20Agora, se você interrompe esse ciclo,
16:21você começa a dar novas atribuições
16:24não previstas na legislação,
16:26feitas por outras instituições,
16:27com força,
16:28como o próprio STF,
16:29como o TCU e outros,
16:31você desarranja essa organização,
16:33essa previsibilidade do sistema financeiro,
16:35e aí não é um problema só do Master,
16:37passa a ser um problema do sistema financeiro como um todo.
16:40E a gente está falando aqui de um processo
16:43que eu sei que ele teve sigilo decretado,
16:47depois a CPI pediu alguns dados dali,
16:53o STF foi lá e decretou sigilo para a CPI,
16:58que isso nunca tinha ocorrido antes,
17:02isso nunca ocorreu no Brasil.
17:04Uma CPI pediu uma documentação,
17:06vai lá um ministro do STF e fala,
17:08não, a CPI não pode ter acesso,
17:10e só quem pode ter acesso
17:12é o presidente do Senado.
17:14Isso também é algo que nunca ocorreu.
17:17Diante do que a gente tem de público,
17:21a ODI, é possível,
17:22você que é da área econômica,
17:24saber qual é o rombo real
17:26e o que realmente foi afetado,
17:29ou faltam informações públicas do que aconteceu?
17:32Eu acho que falta ainda.
17:36O que a gente já sabe é que é uma dimensão muito grande,
17:38eu dei alguns números,
17:39nós estamos falando de mais de 40 bilhões de CDBs emitidos,
17:44com taxas bem acima do mercado,
17:46um passivo estimado inicialmente acima de 50 bilhões,
17:52e um volume de fraude,
17:54só nas duas fraudes que o Banco Central anunciou,
17:57identificadas de 12 bilhões.
17:59mas eu tenho notícias que parte desses recursos
18:04que eram anunciados que se tinham no banco,
18:06como nas Ilhas Caimã, não tem, não existe.
18:08Então, assim, é um processo de que está em investigação,
18:11não só do Banco Central,
18:12tem Polícia Federal envolvida.
18:15Então, assim, para saber a extensão e a dimensão,
18:18nós temos fundos de previdência
18:19que investiram nesses fundos de estados,
18:23de municípios.
18:24Então, assim, tem uma extensão aparente do que se sabe,
18:28o que já se conhece, que é grande,
18:31mas que pode ser bem maior.
18:32Agora, como é que nós vamos saber isso
18:34sem uma investigação mais profunda?
18:36Fica muito difícil.
18:38Aude, acho que tem um problema aí também,
18:40nessas intromissões,
18:41tanto do Jess Toffoli quanto do Jonathan Jesus,
18:44é que eles não entendem
18:46do mercado financeiro, né?
18:48Existe aquela coisa da divisão de funções no mundo, né?
18:53Cada um entende daquilo que você faz.
18:56O açougueiro entende de cortar carne,
18:59o motorista de ônibus entende de dirigir o ônibus.
19:02O STF entende de, e olha lá, né?
19:05De defender a Constituição,
19:07julgar ali quem tem fórum privilegiado.
19:09O TCU é para cuidar dos gastos públicos,
19:14das contas.
19:15E o Banco Central é para cuidar dos bancos,
19:19dos juros.
19:21Eles não entendem,
19:23não têm conhecimento, direito,
19:25do que faz o Banco Central.
19:27E aí vão metendo os pés pelas mãos.
19:31Acho que tem, nessa intromissão também,
19:34tem um descaso aí com as questões
19:36do Estado Democrático de Direito,
19:39da República, né?
19:40Que tem essas divisões de tarefas
19:44que estão, aliás,
19:46colocadas na Constituição
19:47e que têm que ser respeitadas, né?
19:50Mas eles não dão a mínima para isso,
19:52não têm dado a mínima para isso
19:53e acho que acaba sendo um problema
19:55cada vez maior, né?
19:59É, Duda,
20:00essa é a...
20:01Eu acho que é até a versão benigna
20:03dessa história,
20:04que é um erro de...
20:06intromissões por conta de erro
20:09de interpretação de papéis
20:12das instituições.
20:14Não deveria ser assim, né?
20:15Porque as leis são claras,
20:19os papéis são claros.
20:21A lei e o escopo de atuação
20:23do Banco Central é claro,
20:24a lei e o escopo de atuação
20:25do STF é claro,
20:27a lei e o escopo de atuação
20:28do Congresso é claro,
20:29do TCU é claro.
20:30Agora, a gente já está
20:33num país que há algum tempo
20:35a gente assiste
20:37a este sombreamento, né?
20:42Em definições e avanços
20:45de atribuições
20:46de uma instituição,
20:48de poder sobre o outro poder.
20:51E aí tem, então,
20:52uma discussão que é uma discussão
20:54de clareza institucional
20:56sobre cada instituição
20:57cumprindo com o seu papel
20:58e fazendo aquilo que está escrito.
20:59Mas tem também aquilo
21:01que eu acho que preocupa mais
21:03num caso como esse,
21:05é quando você começa a ver
21:06um conjunto de outros interesses
21:08que não são especificamente
21:11aqueles que deveriam
21:12estar sendo tratados.
21:13Você tem um banco,
21:14que é um banco solvente
21:15que tem capacidade
21:16de honrar com seus compromissos
21:17ou não?
21:17É sim ou não?
21:18Essa resposta é matemática.
21:20O Banco Central diz que não,
21:21ele tem que ser liquidado
21:22e tem que se pagar
21:22aos credores e fazer isso,
21:23vender os seus ativos,
21:25honrar isso aí.
21:26Agora, quando você começa a ver
21:27um conjunto grande
21:29de outros interesses em volta,
21:32que vão da área política,
21:35de escritórios de advocacia,
21:37influência,
21:38a gente começa a perguntar
21:39o que mais.
21:40E aí, não tem outro jeito
21:41se você não saber
21:42se a investigação não puder avançar
21:44até onde tem que avançar.
21:45Aqui, olha, Od,
21:47no nosso chat no YouTube,
21:49tem um monte de gente perguntando
21:51se o STF e o TCU
21:54também não se manifestaram
21:56quando houve aquele mundo
21:57de liquidação de banco
21:58nos anos 90.
22:00Eu acho que o cidadão comum
22:01não se ligou que, assim,
22:03nós estamos,
22:04o Brasil é o país dos absurdos,
22:07mas nós estamos diante de algo
22:09que nunca aconteceu.
22:13Em nenhum momento
22:14nós tivemos
22:15este tipo de movimentação
22:17institucional,
22:20isso nem em ditadura,
22:21nem nos anos 90,
22:23para proteger um banco.
22:25E olha que aqui
22:26se faz muito contorcionismo
22:28para proteger banco,
22:28mas isso que nós estamos vendo agora
22:31é algo que não tem, né?
22:33Não, não tem.
22:35Assim, isso é muito claro,
22:37você pode pegar a história de língua,
22:38são dezenas de bancos,
22:39eu não tenho o número exato aqui,
22:41uma vez que eu contei aí,
22:42já eram mais de 23 bancos
22:43nas últimas três décadas,
22:45nunca se teve movimentações desse,
22:48claro,
22:49se teve uma série de outras discussões,
22:51congresso,
22:51mas, assim,
22:52esta interferência no trabalho
22:54do Banco Central,
22:56para tentar evitar
22:58ou postergar
22:59ou discutir o critério
23:00de porquê de uma liquidação,
23:02porque o tema da liquidação,
23:04se a gente estivesse discutindo
23:05outros temas,
23:06aqui tem dados
23:07que envolvem corrupção,
23:10são dados,
23:10e talvez,
23:11provavelmente tenha também,
23:13mas a gente está falando
23:14sobre o tema da liquidação,
23:16né?
23:17Então, assim,
23:18é uma interferência
23:18que claramente
23:20não está no escopo
23:21dessa discussão,
23:22por exemplo,
23:22do Tribunal de Contas
23:23com o Banco Central.
23:27A Od Cunha,
23:29muito obrigada aqui
23:30pela sua participação,
23:32esclarecendo
23:33essa questão,
23:34porque, assim,
23:35é um...
23:37o seu trabalho
23:38que é na área
23:39de finanças,
23:40é na área de economia,
23:41ele é um universo
23:42muito particular
23:43ao qual a maioria
23:44das pessoas
23:45não tem acesso,
23:46e é fundamental
23:47a gente poder compreender
23:49para que as pessoas
23:49saibam o que é
23:50esse escândalo,
23:51qual é o processo
23:52político também.
23:53Muito obrigada,
23:54inclusive,
23:54por ter explicado
23:55de uma forma tão didática
23:56para a gente
23:57que não é da sua área.
23:58Valeu.
23:59agradeço também,
24:01Madeleine,
24:01Duda,
24:02sempre um prazer
24:02estar aqui no Papo Antagonista
24:03com vocês.
24:04E aí
24:06O problema
24:07O problema
24:07é
24:08o problema
24:08do
24:08E aí
24:14o Cuz
24:16O problema
24:17O problema
24:17é
24:18oacho
24:18o
24:19o
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