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A queda de braço entre Donald Trump e Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (FED), o Banco Central americano, ganhou novos capítulos nesta terça-feira, 13.
Mais cedo, bancos centrais de todo o mundo divulgaram uma mensagem de solidariedade a Powell, que tem sido pressionado por Trump a reduzir os juros.
Madeleine Lacsko, Duda Teixeira, Ricardo Kertzman e Felipe Nascimento, analista de economia e apresentador da BM&C News, comentam:
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NotíciasTranscrição
00:00E aproveitando que você trouxe esse assunto, vamos aqui aprofundar.
00:04Tem uma queda de braço entre Donald Trump e Jerome Powell, que é o presidente do FED,
00:11o Banco Central Americano, Federal Reserve.
00:16Bancos centrais de todo o mundo divulgaram nessa terça-feira uma mensagem de solidariedade a Powell,
00:23que tem sido pressionado por Trump a reduzir os juros.
00:30Ele copiou alguém que a gente conhece, hein, Felipe? Ele não copiou?
00:35Uma pessoa que a gente... Não sei, eu não lembro direito quem, eu não tenho a memória assim tão boa.
00:41Mas quem é que ficava indo na imprensa xingar o presidente do Banco Central porque não baixava os juros?
00:48É, tem histórico, né? E até alguns analistas falam, é a latino-americanização de Donald Trump dos Estados Unidos.
00:58porque a gente tem falado, Banco Central independente, autônomo, forte, blindado, é isso que um país precisa
01:08para manter-se ali sólido.
01:13Inclusive as instituições, a instituição financeira, enfim, quando um presidente faz ataques diretos ao presidente do Banco Central,
01:25isso é muito prejudicial.
01:27E a gente lembra, né? Madeleine, você muito bem falou aí, não se lembra quem, mas o próprio presidente Lula,
01:34enquanto o Roberto Campos Neto ainda era presidente do Banco Central, vivia reclamando, né?
01:39Falando daquele cidadão e que tinha que cair o juro, tinha que derrubar juros.
01:44O Brasil não crescia o quanto poderia justamente por conta de um juro elevado.
01:49E só um parêntese antes de voltar para o Paulo, o Gabriel Galípolo entrou, cumpriu as duas altas de juros contratadas
01:56pelo Roberto Campos Neto, ainda deu mais e está segurando o juro elevado até agora, né?
02:01Se havia algum questionamento sobre juros altos durante Campos Neto, agora, durante Gabriel Galípolo,
02:09poderia o ataque ser muito maior, mas, claro, foi indicado pelo presidente Lula, talvez o ímpeto crítico
02:16tenha se perdido um pouco nesse tempo e sabendo também que vai derrubar os juros, talvez, a partir agora de março.
02:23Mas voltando a Jerome Powell, né? A briga, o embate, o embrólio, se a gente pode dizer assim,
02:30entre Donald Trump e Jerome Powell, não é de hoje, né?
02:33E lembrando, o próprio Donald Trump que indicou Jerome Powell para o cargo, conduziu a presidência do Federal Reserve
02:41e desde que entrou nesse mandato, o Donald Trump tem falado, você é o too late, né?
02:50Você é o sonolento, é o Paulo sonolento, o Paulo atrasado, é o Paulo que não corta juros.
02:57Só que tem uma questão envolvendo o Banco Central americano que ele tem duplo mandato,
03:02ele tem que cumprir com a meta de inflação, ele tem que cumprir com a meta de emprego
03:07e se os dados não convergem para o que ele precisa, ele não pode cortar juros.
03:15Assim como se os dados estiverem muito diferentes, ele precisa subir o juro.
03:19Então, essa é uma questão, né? E é até interessante, porque tem Jerome Powell,
03:24tem diversos dirigentes do Federal Reserve que têm modelos matemáticos,
03:29têm as suas formas de interpretar os dados e os dados, eles determinam o patamar de juros.
03:37Se precisa que a economia acelere, corta juros, estimula a economia, faz o QI, o quantitative easing,
03:44injeta recursos na economia para conseguir fazer essa movimentação.
03:48Se a economia, se a inflação está muito alta, se precisa desacelerar a economia de alguma forma,
03:55se precisa controlar um pouco o emprego, o juro tem que ficar mais elevado,
04:00tem que fazer o quantitative tightening, que é um instrumento que o Banco Central Americano
04:05estava fazendo até pouco tempo atrás, justamente para cumprir como seu mandato.
04:10Agora, inflação está controlada, pelo menos não está tão desancorada assim,
04:16não está no centro da meta, que seria o ideal, mas está controlada.
04:21O emprego, a gente está vendo um emprego resiliente ainda, mas desacelerando.
04:27E o Banco Central Americano corta juros.
04:29Agora, o Donald Trump, ele faz investidas bastante duras contra o Banco Central.
04:37Jerome Powell, Lisa Cook, que ele tentou inclusive demitir por justa causa,
04:42a Suprema Corte não permitiu.
04:44Também colocando Stephen Miran, que foi um dos únicos votos dissidentes
04:50nas vezes que o Banco Central primeiro manteve o juro, ele queria cortar,
04:54depois o Banco Central Americano cortou o juro, ele quis cortar mais.
04:58E no gráfico de pontos, ele é um dos dirigentes que tem a intenção de cortar cada vez mais juros,
05:04indicado agora por Donald Trump.
05:06Então, a grande questão que fica é o quanto que a política está influenciando no Banco Central,
05:16o quanto que a política econômica, a política beligerante, a política enfática de Donald Trump
05:23vai continuar ou está influenciando o Banco Central.
05:29O Jerome Powell vai sair daqui a pouco, maio termina o mandato dele,
05:33e provavelmente o Donald Trump, nas próximas semanas, já vai indicar um novo presidente do Federal Reserve.
05:40E aí fica aquela questão, quem que vai ser o novo presidente do Fed?
05:46E se esse novo presidente do Fed vai tomar as atitudes que Trump quer?
05:50E aí, quais vão ser as consequências dessas atitudes?
05:55Com o juro mais baixo, o que pode acontecer em relação à inflação?
05:58O que pode acontecer em relação à economia americana?
06:02Essa é uma questão que o mercado está monitorando e monitorando de perto.
06:13Espera só um minutinho, Kertzman, que está sem áudio.
06:16Agora a gente está voltando.
06:18Deu certo, deu certo.
06:23Gente, infelizmente a gente está com um probleminha técnico aqui.
06:27A gente já está resolvendo.
06:29O Kertzman já volta para fazer a pergunta dele para o Felipe.
06:32Felipe, eu queria que você avaliasse a reação dos bancos centrais ao redor do mundo.
06:40Eu não sei se eu já vi esse tipo de movimentação antes.
06:46Não me lembro.
06:47Também não sei se alguém ia sair em defesa do Banco Central do Brasil.
06:51Eu cubro política aqui no Brasil.
06:52Tem uma diferença, né?
06:55Mas como é que você vê essa movimentação?
06:57Você que é da área.
06:59É algo típico?
07:00É algo esperado?
07:02É algo atípico?
07:03O que quer dizer isso?
07:04É algo esperado, né?
07:08Muito esperado e lógico até mesmo, Madeleine.
07:12Por quê?
07:13Porque trata-se nada mais, nada menos do que o Banco Central da maior economia do mundo.
07:19Lembra que eu falei que qualquer arranhão, que qualquer questionamento, qualquer questão
07:25envolvendo a credibilidade do Banco Central brasileiro, a gente poderia ter consequências
07:29graves na nossa economia, no nosso sistema financeiro?
07:34Pois é, isso no Brasil, né?
07:36Que é um país grande sim, líquido sim, mas não chega nem aos pés do tamanho, da magnitude
07:43dos Estados Unidos.
07:45Então, esse movimento de banqueiros centrais do mundo todo, não só de banqueiros centrais,
07:52de ex-secretários do Tesouro americano, secretário do Tesouro é tipo o ministro da Fazenda, né?
07:58Então, essas figuras, essas autoridades, ao defender publicamente, em carta, dizendo
08:05que não se pode fazer ataque à instituição, e aí não é nem a questão da figura do
08:11pau, é a instituição Banco Central americano, Federal Reserve, né?
08:16Isso poderia sim trazer consequências graves.
08:19Se no Brasil a gente poderia ter uma corrida bancária, desinvestimentos, né?
08:24O Brasil ser ininvestível, imagina só um mercado onde apenas uma empresa, né?
08:31Se a gente for falar a Apple ou a Nvidia, movimenta mais do que todo o nosso mercado brasileiro,
08:37né?
08:37Uma empresa na Bolsa de Valores.
08:39Imagina o tamanho do estrago que poderia levar a Bolsa aos títulos públicos, a confiabilidade,
08:46porque assim, os Estados Unidos se financiam por meio de venda de títulos públicos, né?
08:51Então, um país onde existe um risco, onde existe questionamentos, onde existe dúvidas,
08:58inclusive, sobre a autoridade monetária ou sobre a interferência política na autoridade
09:04monetária, os investidores vão falar, opa, esse país não é um país muito seguro, muito
09:09confiável, muito tranquilo para a gente deixar o nosso dinheiro.
09:13E, poxa, se o maior país, economicamente falando, do mundo, né?
09:18E não só economicamente, em diversas outras frentes também, tem esse questionamento,
09:23imagina o que pode acontecer com o sistema financeiro global, com questão de dólar,
09:29com questão de treas, com questão de mercado, com questão das próprias instituições financeiras,
09:35do sistema bancário americano e, claro, né? Com toda a liquidez do mercado podendo migrar
09:44para outros lugares. É muito difícil, né? Que saia ileso ou saia incólume qualquer tipo
09:50de movimentação mais enfática por parte do governo Trump e ao Banco Central americano.
09:55Felipe, e nesse sentido, a minha pergunta seria justamente isso, você citou, a meu ver,
10:03de forma acertada, o risco do mercado financeiro internacional olhar para o Brasil e não dar
10:09credibilidade, não enxergar a credibilidade no Banco Central, na autoridade monetária
10:14e enxergar algum tipo de interferência política na regulação do sistema.
10:18Isso que você acabou de falar, o mundo, o mercado financeiro internacional, hoje olha
10:23para os Estados Unidos e enxerga, né? Pelo menos o embate entre o executivo, entre o presidente
10:29e o presidente do Banco Central. Isso, de alguma forma, é um sinal muito ruim.
10:35A minha pergunta é, hoje, né? Dadas todas essas condições, assim como a gente já teve
10:41um movimento no ano passado, ao longo de todo o ano, de desvalorização do dólar perante
10:46outras moedas mais fortes, por causa das tarifas, por causa de toda a instabilidade
10:50econômica. A continuar esse cenário de instabilidade institucional, vamos chamar assim,
10:56da interferência do presidente americano no Banco Central, você vê espaço para uma
11:01queda mais acentuada ou uma queda contínua durante o ano do dólar perante outras moedas?
11:06A questão do dólar é muito interessante, né? Porque são tantas variáveis que acabam
11:15influenciando o preço do dólar, né? Que acaba ficando até difícil da gente estimar.
11:21Mas a tendência é de baixa, né? Se a gente olhar estruturalmente, o dólar vem perdendo
11:27o seu valor ao longo de 2025. DXY, né? Que é a cesta de moedas contra o dólar, chegou
11:36a bater 100, 101, 102 pontos ali, recuou para 97, agora está na casa dos 98, 99 pontos.
11:45Agora, o que isso quer dizer? Quer dizer que o dólar vem, sim, perdendo valor. Só que,
11:50veja, a questão do dólar perdendo valor também é algo que o próprio Donald Trump vê, né?
11:57Como uma forma interessante de conduzir a política econômica, né? Seja por conta
12:03da inflação, seja por conta da própria dívida americana, crescente, gigantesca,
12:10trilionária, né? E cada vez maior em relação ao PIB, a questão do dólar parece que também
12:17existe esse movimento coordenado para que o dólar não ganhe tanto valor assim ao longo
12:23do tempo. Isso acaba beneficiando, claro, o Brasil, acaba beneficiando a inflação
12:27num cenário global, mas estruturalmente é isso que pode acontecer.
12:33Em relação ao Banco Central americano, né? Em relação ao Banco Central americano,
12:37a questão de Donald Trump, muito do mercado, monitora, claro, coloca no modelo como um possível
12:46risco, um asterisco ali como um possível risco, só que já é esperado, né? O Trump vem criticando
12:54o Jerome Powell, vem fazendo xingamentos, inclusive, públicos contra o Jerome Powell desde o início
13:01da sua gestão, né? E isso não despencou o mercado, isso não trouxe nada mais que não fosse um ruído.
13:09E até é interessante, conversando com um gestor esses dias aí, ele falou, olha, não se esqueça que o Trump
13:16sempre volta atrás, né? O famoso taco. Trump always taken out. Então, para ele voltar atrás e ele fazer
13:24essas críticas para colocar o seu nome lá no Banco Central americano, para ele tentar, de alguma forma,
13:33conduzir a política humanitária da forma que ele quer e só, né? Fazer bravatas contra o chairman do Banco
13:42Central, isso pode ser tranquilo também, sem a possibilidade de levar adiante. Muito embora, né? O
13:50Departamento de Justiça americano abriu esse processo contra o Jerome Powell por conta de uma reforma no QG lá do
13:59Banco Central, mas a questão é justamente essa, né? Mas se é 1,9 bilhão, se são 2 bilhões e meio, é justamente
14:06a influência e tentar minimizar a imagem ou descredibilizar, na reta final da sua condução,
14:17o Jerome Powell, e aí sim, né? Anunciar o nome do seu interesse, o seu indicado ao Banco Central americano,
14:25mais do que indicar, fazer uma mídia muito grande em relação a isso e, nas próximas decisões, falar, viu?
14:35A pessoa que eu indiquei baixou o juro, a economia está andando, a gente está com uma inflação controlada,
14:43a gente está com um emprego ok, a gente está conduzindo tarifas e colocando dinheiro no bolso da população americana
14:51e, no fim das contas, tentar, de alguma forma, influenciar a eleição de meio de mandato,
14:59a qual o Donald Trump tem muito interesse, justamente porque isso pode determinar uma boa ou má condução do seu governo
15:09até o fim do mandato.
15:10Bom, nós conversamos aqui com Felipe Nascimento, analista de economia, apresentador aqui da TV BMC News.
15:19Felipe, muito obrigada pela sua participação, uma boa noite e volte sempre, viu? Gostamos muito.
15:27Obrigado, Madeleine, obrigado, Ricardo, obrigado, Duda, obrigado, telespectadores, foi um prazer estar aqui com vocês.
15:32Me chama que eu volto, sempre um prazer poder contribuir com vocês e aqui na BMC News também.
15:38Abraço para todos e ótima noite.
15:40Abraço para todos e ótima noite.
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