O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manteve diálogo com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, para tratar da crise política após a captura de Nicolás Maduro. Segundo o Palácio do Planalto, o contato teve como objetivo colher informações diretas sobre a situação institucional do país vizinho e a segurança na fronteira. O governo brasileiro, via Itamaraty, já formalizou o reconhecimento de Delcy como autoridade máxima temporária, baseando-se na linha sucessória da Constituição venezuelana. A movimentação busca manter um canal aberto com o regime chavista enquanto o Brasil condena a intervenção militar dos EUA na ONU. Reportagem: Igor Damasceno.
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00:00Com as tensões do país vizinho, Lula conversou com a presente em Poçada da Venezuela, Delci Rodrigues.
00:05Direto para Brasília, então, repórter Igor Damasceno chegando com as últimas informações.
00:10Como é que está o diálogo, ou como foi o diálogo entre os dois?
00:15Tudo bem, Igor? Bem-vindo. Feliz Ano Novo para você.
00:21Feliz Ano Novo, Tiago. Boa noite a você, também a todos que nos acompanham.
00:25Pois é, essa informação foi confirmada pela Presidência da República.
00:29O presidente Lula teve uma conversa por telefone com a recém-poçada presidente interina da Venezuela, Delci Rodrigues.
00:37Só que essa conversa não aconteceu hoje.
00:40Na verdade, ela aconteceu no sábado de manhã, horas depois desses bombardeios em Caracas e da captura de Nicolás Maduro.
00:48Na hora, o presidente Lula ligou, então, para Delci Rodrigues.
00:52E a informação que nós temos é que ele confirmou que repudia toda essa ofensiva norte-americana porque respeita a soberania da Venezuela e respeita o direito internacional, algo que faltou em Donald Trump.
01:08Ele também confirmou que reconhece Delci Rodrigues como a chefe interina da Venezuela.
01:14Desde o fim de semana, Donald Trump tem dito que vai assumir a administração da Venezuela até que a situação se normalize, até que esse caos político seja amenizado naquele país.
01:26Mas o presidente Lula não reconhece Trump como o administrador da Venezuela, digamos assim.
01:32Ele reconhece que a presidente interina é, de fato, a Delci Rodrigues.
01:38E esse é o posicionamento do governo brasileiro.
01:41Inclusive, a embaixadora do Brasil, em Caracas, participou da cerimônia de posse de Delci Rodrigues na tarde de hoje, em Caracas.
01:50A gente sabe que a então vice-presidente venezuelana, ela foi intimada pelas Forças Armadas do país para assumir o poder executivo da Venezuela.
02:01Nela houve uma cerimônia de posse, ela está ameaçada por Donald Trump, mas ainda assim tomou posse.
02:08E o consulado brasileiro, a diplomata brasileira em Caracas, participou dessa cerimônia,
02:14reafirmando então que o governo brasileiro a reconhece como a chefe, pelo menos interina, da Venezuela daqui até os próximos 90 dias.
02:23Olha, um outro bastidor que nós temos, Tiago, é que o presidente Lula, ele tem sido orientado pelos auxiliares do governo
02:31a não se posicionar com veemência em torno dessa tensão entre os Estados Unidos e a Venezuela.
02:38A informação que nós temos, e que foi repassada por uma fonte lá no Palácio do Planalto, é que há duas estratégias.
02:45A primeira delas é política. Essa fonte me disse que alguns pré-candidatos à presidência da direita, opositores de Lula,
02:54já estão associando o nome dele ao de Nicolás Maduro.
02:58O nome de Maduro não é aceito aqui no nosso país, ele é reconhecido no Brasil como um ditador,
03:04alguém que fere os direitos humanos, alguém que faltou com a transparência nas últimas eleições.
03:09Então, a avaliação do governo é que ter o nome de Lula associado ao de Maduro não é nada positivo,
03:15pode gerar um desgaste na imagem do presidente e pode interferir nas eleições deste ano.
03:22Então, é uma estratégia política não ter o presidente Lula falando sobre esse assunto o tempo inteiro.
03:29E também é uma estratégia diplomática. O presidente Lula acaba de restabelecer o diálogo com Donald Trump
03:35depois de toda aquela situação envolvendo o tarifácio. Então, a avaliação é que fazer novas críticas
03:41e repudiar com veemência a todo momento esse assunto, essa ofensiva norte-americana,
03:47pode gerar um novo atrito com Trump e, consequentemente, novas sanções ao Brasil.
03:53Então, se manter em silêncio nesse momento é a melhor opção, tanto política quanto diplomaticamente.
03:59Essa fonte me disse também que a nota divulgada pelo governo federal no fim de semana
04:04já é o suficiente para afirmar a posição do Brasil.
04:08O grande desafio agora é para esta quinta-feira, dia 8 de janeiro.
04:14Vai ter uma cerimônia no Palácio do Planalto em alusão aos três anos dos ataques antidemocráticos
04:19de 8 de janeiro de 2023.
04:22O presidente Lula deve fazer um discurso a favor da democracia brasileira.
04:26Então, o gabinete de crise dele está montando todo um script, todo um roteiro
04:31para que Lula leia aquilo que está escrito e não tenha falas de improviso
04:37justamente para não entrar de vez nesse embate entre Venezuela e Estados Unidos.
04:42Então, nesse momento, a fonte me diz que o governo está avaliando quais são as possíveis consequências
04:48e também avaliando a postura do presidente Lula em torno desse assunto.
04:53A gente vai seguir acompanhando para saber se o presidente, no dia 8, vai seguir o que está escrito
04:58ou vai ter alguma fala de improviso falando a respeito dessa tensão entre os dois países.
05:05Voltamos ao estúdio.
05:06Pois é, então a diplomacia já se pronunciou.
05:08O presidente Lula fez, já no sábado, uma postagem nas redes sociais,
05:12mas, claro, com informações todas muito polidas em relação à própria diplomacia brasileira.
05:17Igor Damasceno, direto de Brasília, até daqui a pouquinho.
05:19Vou dar as boas-vindas para Denise Campos de Toledo, além da nossa Dora Kramer também.
05:24Tudo bem, Denise? Boa noite para você.
05:25Bem-vinda, feliz ano novo, né? Primeira vez que a gente se vê desde o dia 1º.
05:29E eu queria perguntar, já tinha perguntado para a Dora, o posicionamento da diplomacia brasileira.
05:34Porque é o que o Igor fala.
05:35Se o Brasil, ou especificamente o presidente Lula, elevar o tom,
05:39aí as sanções que foram impostas ao Brasil, algumas já retiradas, podem voltar com mais força.
05:45Bem-vinda.
05:46Boa noite, Tiago. Boa noite, Dora.
05:48Boa noite a você que nos acompanha.
05:50Feliz ano novo, apesar de toda essa turbulência inicial que já tivemos em 2026.
05:54E é isso. O governo vai ter de tomar muito cuidado como vai lidar com essa situação.
05:58A postura do presidente Lula tem sido de defender a independência do país,
06:05a independência das posições aqui das instituições.
06:08Ele fez isso em relação ao tarifácio.
06:10Ele não cedeu em nenhum momento.
06:12Ele falou que não tinha como interferir no judiciário.
06:14E defendeu esse nacionalismo brasileiro.
06:18Inclusive, isso garante alguns pontos para ele.
06:20Agora, a questão da Venezuela é um ponto que vem sendo utilizado,
06:24ou que se tenta utilizar pela oposição, desde muito tempo.
06:28Essa proximidade que houve no passado, porque mais recentemente houve divergências também,
06:33entre o presidente Lula e Maduro.
06:36Eles eram aliados.
06:37Inclusive, ele participou de vários eventos, com uma certa regalia por parte do Brasil.
06:42Agora, hoje, a situação é diferente.
06:45É indiscutível que ele era um ditador, todo o mal que ele fez para a Venezuela.
06:49Mas, antes mesmo de toda essa situação com relação aos Estados Unidos,
06:53a oposição já falava que o Brasil iria virar uma Venezuela com a eleição do presidente Lula.
06:59A gente vê que o comportamento da economia brasileira, a evolução,
07:02esteve muito longe do que poderia acontecer com a Venezuela.
07:06Se comparar com a Venezuela, na verdade, a economia brasileira cresceu muito mais do que se previa
07:11neste ano, com queda do desemprego, com recuperação da renda.
07:15Mas, é um argumento muito utilizado e agora, certamente, vai ser usado também
07:19como Maduro preso pelos Estados Unidos.
07:21Pois é.
07:22Odora, eu queria te perguntar justamente sobre essa questão política envolvendo o Brasil com a Venezuela,
07:29a forma como isso está sendo explorado aqui pela oposição ao presidente Lula.
07:34E se ele vai conseguir se segurar, no caso desse evento dessa quinta-feira, como o Igor destacou,
07:41se ele vai conseguir não falar de improviso.
07:44E se falar, ele consegue se segurar?
07:45Não consegue, Odora?
07:48Olha, vamos começar pelo fim.
07:50Eu acho que no dia 8 de janeiro, o presidente Lula deverá, deveria, não,
07:56vamos ficar dando lição para o presidente da República que não fica nem bem, né?
08:00Mas vamos, pelo que seria lógico, pelo que mandaria o bom senso,
08:06ele sim se ater à questão do 8 de janeiro, que já é suficientemente complicada,
08:12que já tem suficientes repercussões internas, que não precisa se misturar com essa questão da Venezuela,
08:22que é, sobretudo, bastante delicada e complicada por causa das nossas relações com os Estados Unidos,
08:28porque a gente não sabe, da Venezuela a situação é completamente obscura.
08:34Então, eu acho que o presidente, até porque envolve Estados Unidos,
08:39país com o qual estamos retomando as relações, a boa convivência,
08:45não deve, não deve entrar nesse assunto Venezuela no dia 8.
08:51Na outra parte, Tiago, a questão da repercussão interna, né?
08:55Eu acho que o que eu vi até agora foi a direita brasileira morrendo de vontade de cometer mais um erro, né?
09:03E já cometendo, porque esse pessoal já se deu mal lá na história do tarifácio,
09:08quando saiu festejando o tarifácio.
09:11E agora a oposição, e principalmente os governadores que serão candidatos,
09:16se precipitaram, reagiram com maior entusiasmo, imaginando, eu acho que sim,
09:24tendo aquela visão de que o movimento, a prisão do Maduro significaria o fim do regime, do chavismo.
09:33Não aconteceu isso, pelo menos por enquanto não aconteceu nada disso.
09:37E esses governadores, quando eles prestam mais atenção na derrubada do ditador,
09:46do que nas violações do Trump, que eu chamaria aí a um candidato a imperador,
09:52eles se colocam, eles se aliam a uma ação muito radical,
09:57muito contestada do ponto de vista da legalidade e do direito internacional,
10:02e isso prejudica o próprio discurso desses governadores candidatos
10:08de que são, de que representam uma direita moderada e civilizada.
10:13E isso pode ser usado contra eles na campanha, dependendo do desenrolar.
10:19Vai que essa história traz prejuízos para o Brasil e para a América Latina
10:24do ponto de vista econômico, social e geopolítico.
10:29Como é que ficarão essas pessoas que no primeiro momento já saíram festejando?
10:34Então acho que faltou prudência para esse pessoal.
10:38No afã de restaurar suas relações com o governo Trump,
10:42eu acho que a oposição brasileira se precipitou.
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