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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou nesta sexta-feira (9) por telefone com o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, tratando da crise na Venezuela enquanto segue uma ofensiva diplomática do Planalto voltada à busca de uma saída política negociada para o país vizinho. Henrique Krigner e Jesualdo Almeida comentaram.

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Transcrição
00:00E o presidente Lula telefonou para o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sanches, para tratar da crise na Venezuela.
00:06Os dois buscam uma saída política negociada para a região.
00:09O André Anelli está de volta aqui com a gente na programação do Jornal da Manhã e tem mais detalhes desse telefonema.
00:15Pois não, Anelli?
00:19Pois é, Nonato, Márcia, esse telefonema entre Lula e Pedro Sanches aconteceu no dia de ontem
00:25e teve como contexto o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia aprovado pelos dois blocos econômicos.
00:33Os dois presidentes saudaram a parceria que ainda vai ser assinada no dia 17 em Assunção, no Paraguai,
00:39mas o assunto principal realmente dessa conversa entre Lula e Sanches foi a ofensiva americana à Venezuela
00:46que resultou na captura do ditador Nicolás Maduro.
00:50Os presidentes destacaram a importância da declaração conjunta divulgada por Brasil, Espanha, Chile, Colômbia, México e Uruguai
00:58que rejeita a divisão do mundo em zonas de influência e condena o uso da força nas relações internacionais
01:06sem respaldo da carta da Organização das Nações Unidas, a ONU.
01:12Eles também têm articulado uma saída política negociada para a Venezuela.
01:18A gente relembra que um dia antes de falar com Sanches, Lula já havia conversado com líderes da Colômbia,
01:25Gustavo Petro, do México, Cláudia Sheinbaum e do Canadá com o primeiro-ministro, Mark Carney.
01:30Em todas as ocasiões, o assunto principal foi a questão da Venezuela com a concordância de que as ações americanas
01:38constituem um precedente extremamente perigoso para a paz e a segurança da América Latina.
01:45Nonato, Márcia...
01:47Perfeito. André Anelli, direto de Brasília, atualizando para a gente essas informações.
01:53Obrigado, viu, Anelli. A gente vai repercutir isso com o Henrique Krigner e também o Gesualdo Almeida
01:57que estão analisando os principais assuntos nesta manhã.
02:00O Krigner é a Espanha na qual o Edmundo Gonçalves acabou sendo exilado após a eleição na qual ele saiu derrotado,
02:12contestando, mas o Maduro acabou ficando no poder mesmo com sinais de que teria sido uma eleição alterada.
02:20E aí ele foi se exilar na Espanha. Então a Espanha tem muita ligação também com a Venezuela.
02:26O que é que significa esse encontro do Lula com o Pedro Sanches e até essa articulação toda que o Anelli citou
02:32com outros países também integrando esse momento venezuelano, o Krigner.
02:37No Nato, a Espanha tem se posicionado de uma maneira procurando parceiros e ter um protagonismo nessa história.
02:46Isso é bem verdade. Foi feita uma aproximação junto ao Vaticano, foi feita uma aproximação junto à Rússia
02:52e diferentes outros atores do cenário internacional.
02:56Agora, no ponto de vista do Brasil, o presidente Lula busca essa oportunidade de diálogo ou uma construção de um caminho,
03:06só que essa não deve ser uma jornada que vai ser muito próspera não, viu, Nato?
03:11Porque justamente esse diálogo tem sido buscado pelos Estados Unidos com outros players,
03:18que não são os players latino-americanos.
03:20Quais players são esses? Nós estamos falando de Rússia e estamos falando também de China.
03:26Nesse momento, o que o presidente americano mais quer, e isso foi declarado pelo secretário Marco Rubio,
03:32é garantir que no hemisfério das Américas, e isso envolvendo também a Europa Ocidental,
03:37o governo russo e o governo chinês não tenham tamanha influência.
03:42A Venezuela e a ilha de Cuba também são dois polos aí de altíssima influência russa e chinesa.
03:49No entanto, agora, com a Venezuela num novo potencial, novo regime,
03:55que o regime ainda não foi 100% transicionado, isso passa a mudar um pouco mais
04:00e Cuba perde ainda mais esse grande aliado territorial.
04:05Então, isso tudo para dizer que, por mais que Lula possa tentar ser um grande expoente
04:09da construção de um acordo, isso não deve interessar os Estados Unidos,
04:14porque os Estados Unidos querem alguém que consiga dialogar também com Rússia e com China,
04:19que são os seus maiores rivais no cenário internacional.
04:23Gesualdo Almeida, a gente lembra que Lula vem sendo muito criticado pela oposição
04:28porque tinha uma relação com o Nicolás Maduro, né?
04:31Chegou a receber, inclusive, o presidente venezuelano aqui com honrarias de Estado,
04:36com tapete vermelho.
04:38Isso acaba, de alguma forma, prejudicando a imagem do presidente também no cenário internacional?
04:44É bem verdade também, a despeito disso que você nos traz, Márcia,
04:49que o governo brasileiro não reconheceu a eleição do Maduro,
04:52assim como também o governo Pedro Sánchez, o governo espanhol.
04:56Tanto a Espanha com o Brasil, eles têm um discurso razoavelmente alinhado.
05:00É verdade que a Espanha hoje não tem mais a proeminência histórica que teve no passado,
05:04ela não é um grande ator sequer na Europa, ela não tem uma projeção mundial,
05:09e aqui na América Latina ela é vista com o seu ranço colonialista do passado.
05:14Portanto, ela não tem grande expressão, mas não deixa de ser um apoio,
05:18uma declaração internacional de importância.
05:22Quando o Brasil e a Espanha fazem um discurso uníssono, um discurso razoavelmente identificado,
05:27de não apoiarem a eleição do Maduro, ambos não reconheceram a eleição do Maduro,
05:31mas também de não aceitar a intervenção militar norte-americana em território venezuelano,
05:36parece um joguinho até de cartas marcadas no seguinte sentido.
05:39É fácil eu abraçar e declarar em alto e bom tom com aqueles que são alinhados comigo.
05:45Porém, são apenas narrativas, apenas declarações.
05:48Isso em nada interferirá no propósito americano para a Venezuela,
05:52que a gente não sabe muito claramente o que é,
05:55mas que imaginamos provavelmente se tratar de questão meramente econômica e, sobretudo, do petróleo.
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