A ação dos Estados Unidos na Venezuela reacendeu a volatilidade no mercado de petróleo.Em entrevista ao Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC, Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, analisou os efeitos sobre preços, oferta global, China, Petrobras e o futuro da energia.
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NotíciasTranscrição
00:00A gente vai continuar falando de petróleo, Loureiro, você fica aqui com a gente,
00:03porque sobre os impactos da ação dos Estados Unidos no mercado internacional de petróleo e energia,
00:09nós vamos conversar agora com o Gustavo Cruz, ele que é estrategista-chefe da RB Investimentos.
00:15Oi, Gustavo, muito bom dia para você, obrigado pela sua participação,
00:20seja bem-vindo aqui a esse plantão especial do Times Brasil, licenciado exclusivo CNBC.
00:26Tudo bem contigo?
00:26Tudo bem, bom falar com vocês dois novamente, bom dia para todos.
00:31Sempre bom tê-lo aqui e conversar contigo também.
00:34Gustavo, como eu e Loureiro, o Loureiro vai participar aqui dessa nossa conversa,
00:38a gente estava falando, hoje o impacto do petróleo venezuelano em relação ao comércio global dessa commodity,
00:45ele é pequeno até por causa do número produzido, do número de barris.
00:51Porém, você tem aí uma perspectiva, uma projeção mais para frente,
00:56de que isso possa aumentar, essa produção possa aumentar.
01:00Eu queria saber de você dois pontos.
01:02Neste momento, vai haver ainda volatilidade de preço do petróleo,
01:06que a gente viu durante 2025 inteiro, o Brent aí fechando até na casa dos 60 dólares.
01:13Então, vai continuar tendo uma volatilidade por causa dessa ação na Venezuela ou não?
01:17E se a projeção é para que daqui para frente, talvez, o óleo caia,
01:22porque vai aumentar ainda mais a produção, então você vai ter uma oferta maior?
01:26Perfeito.
01:27Acho que são dois efeitos.
01:28De fato, de curtíssimo prazo pode aumentar a volatilidade, a sensação de risco,
01:32a dúvida muito grande de até onde os Estados Unidos vão.
01:36Marco Rubio tem falado que a guerra deles não é contra a Venezuela,
01:40é contra o narcotráfico, ou seja, levanta dúvidas se existe alguma possibilidade
01:44de eles intervirem em mais países, se é só na América do Sul,
01:47se vão fazer alguma coisa no Irã.
01:49Essa ação, ela gera muitas perguntas que podem impactar o preço do petróleo
01:53no curtíssimo prazo.
01:55Mas, como vocês estavam brilhantemente mostrando,
01:58realmente, a sensação é de que as empresas americanas vão ter acesso
02:02às reservas de petróleo da Venezuela e, a médio prazo,
02:06a maior oferta em um mundo no qual a gente já vê o preço de equilíbrio
02:10muito pressionado para baixo, por uma demanda global cada vez menor
02:13e uma oferta global cada vez maior, tende a puxar os preços
02:17realmente de médio prazo para baixo.
02:19Gustavo, bom falar com você, bom dia.
02:22Como que fica a questão da China?
02:24Porque a China é importante comprador de petróleo venezuelano
02:27e com essas sanções, aliás, com a captura de Nicolás Maduro
02:32e com o governo interino dos Estados Unidos comandando a Venezuela,
02:38vai ficar mais complicado para a China nesse mercado de petróleo.
02:41Como que fica a situação chinesa?
02:44Vai ter que procurar um outro fornecedor de petróleo
02:46ou vai ter que negociar com os americanos?
02:49Esse foi um ponto bem interessante, né, Rodrigo?
02:51Que uma das primeiras falas dos Estados Unidos foi falar que nada ia atrapalhar
02:55a oferta, o fornecimento de petróleo venezuelano para a China.
02:59Ou seja, realmente, eles já queriam garantir que o fluxo continua normalmente.
03:03Agora, é bom lembrar que a Venezuela, como vocês estavam até colocando no quadro,
03:07ela sofre sanções internacionais de algum tempo.
03:10Ou seja, ela vende mais barato para os seus compradores
03:13por não estar possível de entrar no mercado normal.
03:19Então, realmente, se ela volta ao mercado de forma mais sustentável,
03:23todo mundo podendo comprar dela,
03:25a tendência é que o preço do petróleo venezuelano,
03:27ele volte a patamares mais altos,
03:29inclusive, beneficiando a Venezuela a médio prazo.
03:34Isso pode fazer com que a China realmente tenha que comprar o petróleo um pouco mais caro.
03:37Mas, de novo, como a gente tem um momento em que a oferta está muito elevada
03:41no comércio internacional, não falta a gente querendo vender para a China,
03:45isso pode sustentar ainda patamares mais baixos.
03:48Também é bom lembrar que a gente tem visto negociações entre Rússia e Ucrânia
03:52para chegar a alguma trégua, a algum acordo de paz em breve,
03:56que poderia também fazer com que as sanções sobre a Rússia diminuíssem ao longo de 2026.
04:00E a China tem comprado o petróleo da Rússia mais barato do que os preços de mercado.
04:05Gustavo, eu vou trazer um pouquinho aqui para o Brasil,
04:07porque 2025 foi o pior ano para a Petrobras.
04:12Muito disso que a gente está falando sobre a volatilidade do petróleo
04:15e a queda, principalmente, do barril do Brent.
04:19O que essa incursão dos Estados Unidos,
04:21essa mudança, talvez, na economia do óleo global,
04:25pode influenciar ou de forma positiva ou negativa na Petrobras aqui no Brasil,
04:30nos papéis, nos investimentos da estatal?
04:34Essa é uma provocação interessantíssima.
04:35Talvez no primeiro trimestre a gente veja os resultados operacionais da Petrobras
04:40até subindo um pouco, dependendo de como for a reação do petróleo.
04:43Mas, a médio prazo, a tendência continua bem parecida,
04:46porque a gente vê ainda um preço de petróleo que,
04:49seja OPEP, seja especialistas internacionais,
04:53projetam que 2026 tem uma tendência baixista.
04:56Até porque, quando a gente pensa nessa reação,
04:59e com as empresas americanas sendo citadas nominalmente pelo presidente americano,
05:02Donald Trump,
05:03uma primeira provocação, em termos de investimento,
05:06seria correr para comprar as ações das empresas americanas.
05:09Mas, pode ser que o efeito seja só nesse curtíssimo prazo.
05:12Tudo bem, elas vão ter essa situação operacional bem mais favorável,
05:15vão ter essa disponibilidade de entrar na Venezuela,
05:20mas, se a gente pegar 2025,
05:21mesmo com o operacional rodando super bem,
05:25as empresas tiveram lucros menores,
05:27trimestre após trimestre,
05:28remunerando menos seus acionistas em termos de dividendos e ganho de capital.
05:32Porque, por mais que elas tenham uma melhora operacional,
05:35se o preço do seu principal produto está em patamares cada vez mais baixos,
05:40não tem jeito.
05:40O seu lucro fica menor com o tempo.
05:43Gustavo, aproveitando esse gancho de Petrobras,
05:45a gente sabe que a Petrobras depende muito do preço do petróleo.
05:50Afinal, produz petróleo, vende petróleo.
05:52Então, se o preço do petróleo sobe,
05:53a Petrobras tende a ter resultados um pouco melhores,
05:55se cai, um pouco piores e por aí vai.
05:58A Magda Chambriar, CEO da Petrobras,
06:00já falou que tem uma intenção de diversificar as fontes de receita da Petrobras.
06:05E o que eu escuto de alguns analistas são opiniões opostas.
06:09Alguns dizem que sim, faz sentido você não ter todos os seus ovos numa mesma cesta.
06:14Se você tem uma volatilidade muito grande do preço do petróleo,
06:17você fica muito refém dessa volatilidade.
06:19Outros analistas dizem o oposto.
06:23Dizem que a Petrobras tem que se concentrar no que ela ganha dinheiro,
06:26tem que parar de investir onde a receita é muito baixa,
06:29ainda onde ela não tem uma grande representatividade financeira.
06:34Qual é a sua opinião?
06:35Existe um caminho a ser tomado pela Petrobras,
06:37ainda mais em um momento de reorganização do comércio global de petróleo?
06:41Eu acredito que a Petrobras pode diversificar,
06:46desde que a situação do que ela vai buscar não fuja muito do seu core business,
06:50que é o óleo e gás.
06:51Ou seja, não fuja de muito do seu foco,
06:54do que ela é especialista em operar, em extrair, em explorar.
06:58Porque se ela vai para um campo totalmente diferente,
07:00isso não é garantia de que ela vai saber ser competitiva no mercado
07:04e pode ser prejudicial até para o negócio original.
07:08Então, aí, quando você tiver um momento de petróleo mais alto,
07:10ela pode ter resultados abaixo do que muitos esperam,
07:13porque ela está gastando muito em investimentos, pesquisa,
07:15em setores onde ela não entende tanto.
07:17Por isso que quando a Magda fala de explorar a margem equatorial,
07:20explorar a costa da Namíbia, explorar a costa da África do Sul,
07:23esses planos fazem muito sentido.
07:25Realmente, a gente sabe que a Petrobras, ela executa muito bem.
07:29Ela é referência mundial em exploração no pré-sal.
07:33Se ela vai fazer isso na África do Sul e na Namíbia, ótimo.
07:36A gente torce para que dê super certo.
07:38Se ela vai para uma energia solar, se ela vai para uma energia eólica offshore,
07:44aí a gente já tem que ver se ela realmente tem algo a oferecer
07:47ou se ela vai acabar beneficiando fornecedores de produtos
07:51para realmente montar a instalação interna,
07:55simplesmente por um desejo de governo.
07:57Até aí é o risco.
07:58Gustavo, muito se falou, e foi o lema da COP30 aqui no final do ano,
08:02em novembro aqui no Brasil,
08:03sobre energia limpa, energia verde, energia renovável.
08:07Mas a gente observa que ainda há uma corrida muito grande pelo petróleo.
08:12Então, eu queria te perguntar o seguinte,
08:13até que ponto realmente existe essa tendência de começar a renovação energética,
08:21a utilização mais de energia limpa,
08:24a substituição dos combustíveis fósseis por energia limpa,
08:28porque a gente percebe um movimento total ainda para o petróleo,
08:31a gente vê os países do Oriente Médio resistindo a essa energia limpa,
08:36a essa transição energética.
08:39O petróleo ainda deve durar durante muitas décadas no mundo inteiro?
08:45Com certeza.
08:47A idade da pedra não acabou porque a pedra acabou.
08:50Acho que essa é uma frase clássica que a gente convive no mercado financeiro.
08:54Então, o petróleo ainda vai ter muita utilidade.
08:57Isso não quer dizer que as energias renováveis não vão conviver e cada vez crescer mais.
09:01Se a gente pegar há 10 anos atrás,
09:03era raro você andar pelo Brasil e pegar uma casa que tinha energia solar,
09:09painel solar instalado no seu topo.
09:11Hoje em dia, você pega qualquer estrada nas principais regiões do Brasil
09:14e você vê, pare de pagar a conta de luz,
09:16essas placas, o brasileiro agora que deve ter viajado bastante nas festas de ano novo,
09:20deve ter visto algum tipo de provocação como essa.
09:22diante do barateamento dos painéis solares oferecidos para a população.
09:28Então, realmente, conforme vai ficando mais baixo a instalação da energia limpa,
09:32ela vai ficando mais competitiva.
09:34Mas o petróleo tem muito uso industrial,
09:36ele tem muito uso que não é plenamente substituído pela energia limpa,
09:41pelo menos a curtíssimo prazo.
09:43Gustavo, a gente mostrou aqui uma tela com o tamanho da reserva venezuelana
09:48e o tamanho da reserva americana.
09:50São contrastes, assim, impressionantes.
09:53Quando a gente olha a produção, mesma coisa, é um contraste também gigantesco.
09:58Com os Estados Unidos agora tomando conta da Venezuela,
10:01pelo menos de forma interina,
10:03com Donald Trump falando sobre as empresas americanas
10:07que vão passar a produzir petróleo,
10:09a exportar petróleo da Venezuela para os Estados Unidos.
10:12Como que fica essa nova corrida global do petróleo?
10:17Podemos ver uma grande mudança naquelas barras que a gente estava mostrando?
10:20Podemos ver os Estados Unidos tendo uma reserva muito grande?
10:24Ou essa questão da apropriação da reserva venezuelana não é bem por esse lado?
10:29É mais uma questão interina?
10:31Bom, Rodrigo, como você e o Eric já explicaram muito bem,
10:36de fato, a tendência é que a gente veja uma infraestrutura
10:39da exploração de petróleo na Venezuela voltando a ficar normalizada.
10:44Porque o que aconteceu nos últimos anos foi essa deterioração.
10:47Realmente, você desviou muito recurso
10:49na necessidade de simplesmente manter a empresa rodando bem
10:54para outras pastas ou, eventualmente, para a corrupção
10:58que acabaram fazendo com que a empresa piorasse tanto
11:01a ponto de não conseguir explorar bem o petróleo.
11:04Isso vai normalizar.
11:05Acho que agora, com a mudança que a gente viu,
11:07que a gente vai ver no regime geopolítico mais alinhado aos Estados Unidos,
11:11as empresas americanas vão ser muito beneficiadas,
11:14as refinarias do Texas, como foi bem,
11:16poucos também vão ser muito beneficiadas.
11:18Isso vai acontecer.
11:20E lembrando, esse não é um episódio exatamente novo.
11:23Se a gente pegar a história próxima aqui,
11:25a gente vê intervenção talvez mais indireta dos Estados Unidos,
11:30no Equador, Panamá, isso realmente existiu.
11:33A diferença, acho muito clara em relação aos outros episódios,
11:37é que nunca teve uma intervenção tão direta.
11:40Um presidente que realmente não deixasse essas informações mais obscuras
11:45serem feitas por outros agentes do governo.
11:49Gustavo, com essa entrada dos Estados Unidos,
11:52você tira a PDVSA, que é a estatal venezuelana,
11:57comandada pelos militares, você tira do centro do negócio.
12:00A PDVSA não deve atuar agora na exploração,
12:05deve ter uma participação muito menor,
12:07porque era quase um monopólio da PDVSA lá na Venezuela.
12:11Isso pode criar um case de negócio também,
12:14não só para empresas norte-americanas,
12:15mas, por exemplo, para empresas brasileiras que têm expertise,
12:19também energia e que têm interesse,
12:21poderia-se fazer, por exemplo, Joy Ventures,
12:24ou uma entrada também com acordos de empresas brasileiras
12:28para tentar a exploração ou, de alguma forma,
12:31participar deste novo momento da exploração do petróleo na Venezuela?
12:36Poderia.
12:37A gente não sabe exatamente como vai ser essa liberação,
12:40mas a gente vê, como a própria Magda Chambriá,
12:42presidente da Petrobras, fala,
12:44ela pensa nos próximos anos, no futuro da Petrobras,
12:47não só na costa brasileira,
12:48pensa na costa africana também,
12:51pensa no resto da costa da América do Sul também,
12:54ela já atua, a Petrobras não é exclusiva do Brasil,
12:57a gente poderia ter esse tipo de benefício,
12:59a gente também tem a PRI e o resto das empresas privadas do petróleo
13:03que nos últimos anos até se viram mais restritas
13:06em termos de movimento, de expansão,
13:08pode ser que elas vejam isso como uma oportunidade,
13:12mas primeiro a gente tem que ficar muito mais claro
13:14como que vai ser o comando,
13:16como que vai ser essa operação na Venezuela.
13:19Parece que, no primeiro momento,
13:21os Estados Unidos vão deixar muito mais restritos
13:23para as suas próprias companhias
13:25até que isso vire novamente um ambiente competitivo.
13:30E aí, Gustavo, para a gente falar aqui sobre Rússia também,
13:33que é um importante player desse mercado de energia,
13:36como que fica essa situação da Rússia?
13:39Existe alguma influência nessa questão da Venezuela para a Rússia
13:44ou a questão da Rússia realmente está mais voltada para a Ucrânia
13:47e deve permanecer voltada para a Ucrânia,
13:50já que é o país com quem a Rússia está em guerra?
13:54Acredito que para 2026, em termos de geopolíticos,
13:57para mercado financeiro,
13:58a grande dúvida na cabeça dos investidores é
14:00a guerra entre Rússia e Ucrânia vai parar, paralisar,
14:04ou temporariamente ficar parada?
14:06A Rússia vai ter as suas sanções econômicas reduzidas?
14:10A influência dela na Venezuela talvez diminua muito.
14:13De fato, esse é um tema para se monitorar,
14:15porque os Estados Unidos já falaram que não querem ninguém
14:18tão perto do seu território com esse tipo de influência.
14:22É uma mensagem direta para eles, para a China,
14:24mas ao mesmo tempo a gente pode ter outros países da América do Sul,
14:29da América Central,
14:30que viram esse tamanho de intervenção direta dos Estados Unidos
14:33se alinhando mais à Rússia, à China,
14:36aceitando mais oferta de empréstimos da China,
14:40de entrada de empresas chinesas em sessões de concessões,
14:44privatizações, portos.
14:46A gente viu na campanha eleitoral o Trump falando que se fosse eleito
14:50ia interromper a compra da China de um porto peruano.
14:54Então, veja que existe uma preocupação da China e da entrada da Rússia
14:58aqui em outros países também.
15:00Então, talvez nesse tipo de decisão, de intervir na Venezuela,
15:05você até provoque um alinhamento maior.
15:07Gustavo, diante desse cenário geopolítico,
15:12do acontecimento agora do final de semana,
15:14está na hora do Brasil investir um pouquinho mais em refinaria,
15:17em tratamento de petróleo um pouquinho mais denso,
15:21em outros tipos de petróleo?
15:22Porque a gente sabe que o nosso próprio petróleo,
15:24a gente não refina aqui no país,
15:26a gente não tem refinaria para isso.
15:29Está na hora também da gente investir não só em exploração,
15:31mas também no refino?
15:32Bom, isso claro que eu deixo muito mais para os especialistas
15:36que fazem uma discussão mais profunda sobre custo-benefício.
15:40O Brasil já tentou e falhou um pouco, infelizmente, nessa virtude,
15:46mas seria bem interessante, estrategicamente,
15:48a gente depender menos dos outros e conseguir ter o refino aqui internamente.
15:52Todas as vezes que a gente vê alguma crise nos preços de combustíveis mais altos,
15:56a gente vê o quanto isso faz falta,
15:58mas tem que fazer a conta se isso vale a pena para a Petrobras investir
16:03a médio e longo prazo, se dessa vez seria algo benéfico.
16:06É bom lembrar que quando a gente vê a situação no Brasil,
16:10a gente vê muitas empresas com pretensões muito grandes,
16:13muito interessantes de crescimento, de ter uma tecnologia mais de ponta,
16:17mas esbarrando na própria configuração da sociedade brasileira,
16:20que ainda é uma sociedade muito pouco escolarizada,
16:23com muita dificuldade, com uma produtividade mais baixa.
16:25Então, muitas vezes, os planos de investimento, de crescimento,
16:28eles esbarram nisso.
16:30É um ciclo, infelizmente, que tem que ser interrompido lá embaixo
16:33e que demora muito, que é na própria educação,
16:35para elevar a qualidade do trabalhador brasileiro.
16:38Aí, sim, a gente vai conseguir ter não só a discussão da refinaria,
16:42mas discussão de fronteira de tecnologia com inteligência artificial
16:46e outros temas que estão bem quentes no momento.
16:49Gustavo, com essa mudança no mercado global de petróleo,
16:53vamos pensar que a oferta de petróleo venezuelano vai aumentar,
16:57porque mais companhias americanas vão explorar petróleo na Venezuela,
17:02a reserva petrolífera da Venezuela é uma reserva gigantesca,
17:06como a gente já mostrou, 300 bilhões de barris.
17:09Com essa mudança no cenário global de petróleo,
17:13tem outros países que podem ser afetados e ser obrigados até a diminuir os seus preços
17:19para poder competir contra uma Venezuela que vai se tornar muito mais forte
17:24nesse comércio internacional?
17:26Sim, eu imagino que em 2026 fica uma situação que a tendência é que esses países
17:31que são muito dependentes da exportação de petróleo convivam com uma oferta maior
17:36a médio e longo prazo e tenham que rever um pouco seus planos,
17:39prever um crescimento talvez menor, principalmente países do Oriente Médio,
17:42que são muito dependentes dos países da OPEP.
17:44Em geral, eles até anunciaram que suspenderam o aumento de oferta para esse primeiro trimestre,
17:49mas o problema é que mesmo no ano passado, quando ainda tinha um pouco de restrição na oferta,
17:54eles mesmos não estavam conversando bem entre si.
17:57A gente tinha os grandes produtores, a Arábia Saudita cumprindo a restrição da oferta,
18:02mas outros países membros descumprindo e vendendo escondido, digamos assim,
18:06vendendo a mais do que eles falaram que iam vender.
18:10Então, esse é um risco para esses países, eles vão tentar até explorar esse momento de crise
18:17para tentar garantir um preço de petróleo um pouco mais alto.
18:19Não foi à toa que eles anunciaram hoje que eles suspenderam o aumento da oferta para esse primeiro trimestre.
18:25Gustavo Cruz, queria muito agradecer a sua participação aqui conosco neste domingo.
18:31Sempre bom falar contigo, trazer o seu olhar, a sua análise para esse mercado tão importante,
18:36que é o mercado do petróleo, uma das principais commodities do mundo.
18:40Um grande abraço, meu amigo, um bom domingo e uma boa semana para você.
18:44Para todos nós, muito obrigado mais uma vez pela conversa com vocês dois.
18:47Obrigado.
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