00:00Muito bem, deixa eu chamar aqui o nosso correspondente internacional, Luca Bassani,
00:04que ele vai trazer, chegando agora no nosso Fast News,
00:07a repercussão dos líderes mundiais a respeito disso,
00:10porque o negócio está sacudindo a comunidade internacional, Luca Bassani.
00:14Posicionamentos duros contra o presidente norte-americano, Nicolás Maduro,
00:19outros posicionamentos apoiando, celebrando, enfim,
00:22como é que está, meu amigo, o saldo aí, o balanço dessas manifestações,
00:27mundo afora, entre os inimigos e os apoiadores de Washington, hein?
00:31Luca Bassani, chegando no Fast News.
00:34Boa tarde também a você, Kouba, a todos que nos acompanham neste domingo histórico.
00:38De fato, as opiniões são bastante divisivas, afinal, nós vemos que aqueles políticos
00:43ideologicamente mais próximos de Trump elogiaram a ação,
00:47enquanto aqueles mais distantes criticaram a ação por uma quebra do direito internacional.
00:52A União Europeia, enquanto instituição, através da sua principal diplomata,
00:57Katia Callas, pediu respeito ao direito internacional.
01:02Ela publicou nas suas redes que é necessário que todo o respeito a essas várias regras
01:08seja mantido neste momento em que há grande incerteza
01:12e que a União Europeia acompanha de perto todos os detalhes,
01:16conjuntamente à Secretaria de Estado norte-americana.
01:19Na mesma linha, Ursula von der Leyen, a presidente da Comissão Europeia,
01:24também fez uma declaração bastante morna, dizendo que Nicolás Maduro não tinha essa legitimidade,
01:31que a situação na Venezuela era monitorada há muito tempo,
01:35mas que é necessário que qualquer solução deva respeitar o direito internacional
01:40e a Carta das Nações Unidas.
01:42Seguindo essa mesma linha institucional da União Europeia,
01:44o chanceler Friedrich Merz da Alemanha também disse que o governo Maduro
01:50cometeu uma série de irregularidades, mas o direito internacional precisa ser respeitado,
01:54assim como Emmanuel Macron, que jogou a bola agora para a oposição,
01:59dizendo que o futuro da Venezuela pertence aos venezuelanos
02:02e a ordem democrática deva ser reestabelecida.
02:05Do outro lado, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sanches,
02:09que comanda o país, tem uma das maiores diásporas venezuelanas internamente,
02:14mais de 700 mil, ele disse que não apoia essas ações dos Estados Unidos na Venezuela
02:20e se colocou à disposição para ser uma espécie de interlocutor
02:23entre o governo transitório agora, que restou na Venezuela,
02:27e os norte-americanos, pedindo que também esse momento seja de tranquilidade e de desescalada.
02:36Óbvio que as vertentes variam até mesmo na América do Sul,
02:39vimos que Cláudia Scheinbaum, Gustavo Petro, presidente Lula,
02:43lideranças de esquerda foram mais críticos,
02:45enquanto Javier Mele, da Argentina, Daniel Noboa, do Equador à direita,
02:49elogiaram e se disseram aliviados, celebraram a queda do ditador Nicolás Maduro.
02:54Ô Luca, saindo rapidinho agora do assunto Venezuela,
02:58nós temos uma outra notícia muito relevante,
03:01que é sobre o Ministério da Defesa britânico,
03:04que afirmou que lançou um ataque conjunto com a França
03:08contra uma instalação subterrânea na Síria,
03:10isso também está repercutindo por aí, né? Explica pra gente.
03:14Tá mesmo, uma ação na Síria, que é um país que, para todos os efeitos,
03:17não é mais comandado por Bachar Al-Assad,
03:20o ditador da dinastia que ficou por 50 anos,
03:23mas que não foi completamente pacificado
03:25e tem células ainda relevantes do Estado Islâmico.
03:28O Reino Unido e a França anunciaram que as suas forças aéreas,
03:31principalmente a Força Aérea Real Britânica,
03:34conduziram uma operação no deserto sírio,
03:36perto do sítio arqueológico de Palmyra,
03:39para atacar uma instalação que supostamente produzia armas
03:44e pertencia ao Estado Islâmico.
03:46Eles disseram que essa é uma ação preventiva
03:48para evitar o ressurgimento do grupo,
03:50que causou não só milhares de mortes por atentados terroristas,
03:54mas grande instabilidade em todo o Oriente Médio.
03:57Por enquanto, não sabemos se houve o consenso do governo interino
04:00de Ahmed Al-Sharah dentro da Síria para que isso acontecesse.
04:04Pato é que essas medidas acabam novamente elevando as tensões
04:08dentro do Oriente Médio.
04:09Nós, como sempre, ficaremos de olho,
04:11tanto aí na América do Sul como no resto do mundo.
04:13Muito obrigado, Luca Bassani, nosso correspondente na Europa.
04:16Parabéns pela belíssima cobertura que você,
04:19todo o nosso time aqui de Internacional da Jovem Pan,
04:21vem fazendo desde a madrugada de ontem.
04:23Luca Bassani, olha só essa informação.
04:26A Rússia é mais um país a condenar a ação dos Estados Unidos na Venezuela.
04:32O ministro das Relações Exteriores da Rússia, o Sergei Lavrov,
04:36e o ministro das Relações Exteriores da República Bielorrússia, Maxin.
04:40Maxin Re...
04:42Vou ler devagar esse nome aqui.
04:45Maxin Ryzenkov.
04:47Esses nomes russos aqui, eu só sei Kaiser,
04:49o meu time aqui, dessas palavras russas.
04:53Mas eles conversaram por telefone sobre a situação em Caracas.
04:56Segundo uma nota divulgada pelo Kremlin,
04:58Moscou e Minsk estão unidos na condenação veemente da agressão
05:02perpetrada pelos Estados Unidos contra o Estado soberano
05:05em violação do direito internacional.
05:08A Coreia do Norte também se manifestou por meio de uma nota publicada
05:13por uma agência de notícias estatal.
05:16Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores
05:19afirmou que o governo norte-coreano denuncia veementemente
05:24o ato de busca de hegemonia dos Estados Unidos cometido na Venezuela.
05:28Olha só, a gente vai repercutir agora todas essas manifestações,
05:33inclusive essas curiosas vindas da Rússia e da Coreia do Norte
05:35criticando a ação americana, com um convidado especial,
05:39o professor Velasco, sempre conosco aqui na Jovem Pan,
05:42o professor Paulo Velasco, que é professor de Relações Internacionais
05:45da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
05:48Professor, bem-vindo, boa tarde.
05:51Qual é a ironia nessa crítica norte-coreana e russa
05:56à ação dos Estados Unidos? Bem-vindo.
05:59Muito boa tarde, um prazer sempre falar com a Jovem Pan.
06:02Bom, a ironia é que justamente são dois atores,
06:04dois Estados que muito pouco se importam com as leis internacionais,
06:09com o direito internacional público.
06:11A Rússia, vamos completar quatro anos daqui a pouco,
06:13de um conflito na Ucrânia, um ator que se coloca
06:16numa violação flagrante do princípio da soberania,
06:19da não intervenção e da integridade territorial da Ucrânia.
06:23E a Coreia do Norte, acho que dispensa melhores apresentações,
06:26é um Estado hostil a toda e qualquer forma de estabilidade,
06:30é um Estado hostil à ideia de paz internacional,
06:33se tornou um ator nuclearmente armado de maneira ilegal em 2006,
06:37vem desde então praticando uma série de exercícios militares
06:39militares para lá de temerários, testando mísseis balísticos,
06:44sobrevoando, por exemplo, o território da Coreia do Sul, do Japão,
06:47caindo no mar do Japão, colocando toda aquela área ali,
06:50na idade do leste, em permanente tensão.
06:52Então, são dois atores que evidentemente não têm
06:54qualquer tipo de postura em termos de legalidade,
06:58e evidentemente não poderiam criticar o ato dos Estados Unidos,
07:03praticado na madrugada de sexta-feira para sábado.
07:06Mas são as ironias que caracterizam, em grande medida,
07:09o cenário internacional contemporâneo,
07:11um contexto internacional marcado cada vez mais pela lei do mais forte,
07:16as leis internacionais constituídas, sobretudo ali ao longo do século XX,
07:20especialmente após o fim da Segunda Guerra Mundial,
07:22têm sido largamente desprezadas,
07:24mas é importante a gente frisar,
07:25desprezadas não só pelos Estados Unidos,
07:28que de vez em quando, claro, praticam também intervenções
07:30que são questionáveis,
07:32mas por várias outras potências,
07:33a China, a Rússia, a Coreia do Norte,
07:36são atores que acabam criando um cenário internacional,
07:39de lei do mais forte,
07:40que, claro, traz instabilidade, incerteza,
07:42e prejuízos para Estados, por exemplo, como o Brasil,
07:45desprovidos de maior capacidade bélica,
07:47de maior capacidade militar,
07:48que ficamos muito à mercê, por conta disso,
07:51dessa dança das grandes potências,
07:53que acaba trazendo instabilidades
07:57que muito podem prejudicar os nossos interesses.
08:00Professor Paulo, a gente tem tempo para mais uma pergunta,
08:02vai ser do Acasso Miranda, nosso analista do programa de hoje.
08:06Professor, boa tarde a você,
08:09prazer tê-lo conosco mais uma vez.
08:12Há algum tipo de influência nesta situação,
08:16no que diz respeito à guerra Rússia-Ucrânia?
08:19A ação norte-americana na Venezuela,
08:22indiretamente, pode influenciar
08:24numa eventual solução
08:26no que acontece do outro lado do mundo?
08:29É difícil a gente saber o que está rolando nos bastidores,
08:34mas não seria de se estranhar
08:37que houvesse alguma espécie de acerto
08:39a entendimento tácito
08:40entre Trump e Vladimir Putin,
08:43um acerto em termos de áreas de influência.
08:46Podemos dizer que, do ponto de vista geopolítico,
08:48estamos diante da volta,
08:50da lógica das áreas de influência.
08:51A Rússia tentando consolidar a sua influência ali
08:55no seu entorno regional mais imediato,
08:57tentando consolidar o domínio territorial
09:00que tem ali em cerca de 20,
09:0220 e poucos por cento do território da Ucrânia,
09:04e para tanto precisa, claro,
09:06da chancela que venha dos Estados Unidos.
09:09E, por sua vez, os Estados Unidos tentando consolidar
09:11uma posição também de força
09:13no espaço da América Latina,
09:15buscando especialmente reduzir
09:17a influência crescente da China
09:19ali nas últimas duas décadas
09:21sobre a região latino-americana.
09:24Então, talvez Moscou e Washington tenham,
09:25de fato, pactuado de maneira tácita
09:28algum tipo de entendimento.
09:30A Rússia nada fará
09:31de maneira mais contundente
09:33para reagir a essa ação militar norte-americana
09:37que resultou na captura de Nicolás Maduro.
09:40E, por sua vez, os Estados Unidos
09:41chancelariam a perspectiva da Rússia
09:43manter o controle ali
09:44sobre uma parte importante do território ucraniano.
09:47Não seria te estranhar
09:48que eu visse algo assim.
09:50Estamos de volta
09:50à lógica das eras de influência
09:52que tanto caracterizou
09:53uma parte relevante ali do século XX.
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