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O governo federal atualizou neste sábado a posição oficial do Brasil após o ataque dos Estados Unidos à Venezuela. Em nota, o Palácio do Itamaraty voltou a defender o respeito ao direito internacional e à soberania dos países, diante da ofensiva em Caracas e da captura de Nicolás Maduro.

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00:00Informação ao vivo, vamos imediatamente a Brasília, temos inclusive a fala dos representantes do governo, vamos acompanhar ao vivo.
00:08O ministro das Relações Exteriores informou ainda, está em permanente contato com a Embaixada do Brasil na Venezuela para o acompanhamento da situação interna.
00:17Nova reunião está prevista para o final da tarde de hoje para atualização da situação.
00:23A reunião aqui no Itamaraty por videoconferência como foi esta agora de manhã.
00:30Ele teve conversa com o ministro Rio e com outros ministros também.
00:40E todos estão atentos para o que vai acontecer para os próximos acontecimentos, esperando e monitorando a situação.
00:46As informações são variadas e nós precisamos colher bem essas informações corretas para evitar a desinformação.
00:54Neste momento é a coisa mais importante.
01:00Não, ainda não.
01:01Haverá?
01:03Assim, sempre, os contatos acontecem sempre, quando a ocasião permitir.
01:09Tem um contato com a fronteira?
01:11Tem um de cada vez.
01:16Não, nós já temos um contingente suficiente para dar tranquilidade.
01:20A fronteira está absolutamente tranquila.
01:22Nós temos um contingente já há algum tempo lá de homens e equipamentos e estamos aguardando que as coisas aconteçam.
01:30Vamos aguardar a entrevista do presidente da República dos Estados Unidos, algumas coisas que vão acontecer durante o dia.
01:38Estamos aguardando.
01:38Há uma expectativa, há muita notícia desencontrada que a Colômbia fechou a fronteira, que abriu a fronteira,
01:44que a Venezuela fechou a fronteira com o Brasil, que depois abriu só para brasileiros.
01:50Há muito boato e a gente está tentando, até a reunião das 5 horas, ter uma coisa com mais segurança.
01:56Jornalistas fazendo as perguntas para José Múcio Monteiro, ministro da Defesa do Brasil.
02:04Eu tranquilizei ele, que nós estávamos atentos ao problema.
02:08O prefeito lá de Paracá me ligou para ele, dizendo que também estava verificando.
02:12E o nosso comandante lá está em contato com ele para qualquer normalidade.
02:18A fronteira está como sempre esteve, tranquila, sem problema.
02:22Não, no momento está aberto.
02:27O governo brasileiro recebeu alguma informação do paradeiro do Nicolás Maduro e da Primeira-Dama?
02:32Existe alguma informação com relação ao paradeiro e o estado de saúde dele?
02:37Não, ainda não. Não temos essa informação.
02:39Em relação aos brasileiros?
02:41Ah, isso é uma boa pergunta.
02:42A comunidade brasileira está tranquila e nenhuma ocorrência até o momento.
02:47Os turistas que lá estão, estão conseguindo sair normalmente.
02:51Normalidade total com relação à comunidade brasileira.
02:59Mais uma pergunta sendo feita ao ministro José Múcio.
03:03Roraima, nós temos em torno de 2.300 homens em Roraima, um pedaço disso na fronteira, o resto na capital.
03:11Mas ali na Amazônia nós temos, entre o Exército Maria e Aeronáutica, 10 mil homens.
03:1710 mil homens.
03:1910 mil homens naquela região.
03:21Em Roraima mesmo, hoje a gente tem 2 mil homens, mas na fronteira 200 homens.
03:28O senhor acha que não será necessário um reforço ou ações?
03:32Olha, nós já fizemos esse reforço lá atrás, sempre tivemos essa preocupação.
03:37E com a presença dos americanos ali, mais ainda nós ficamos com esse trabalho.
03:43De maneira que estamos atentos, nos comunicamos permanentemente, está tudo sob controle.
03:47Ok, gente.
03:48Muito obrigada.
03:48Muito obrigada.
03:49Muito obrigada.
03:50Teremos outra reunião no final do dia.
03:52Mais informação.
03:53Sem aqui.
03:54A gente vai seguir monitorando.
03:57Qualquer novidade em relação ao posicionamento das autoridades brasileiras, nós traremos
04:03aqui ao vivo na programação da Jovem Pan.
04:06Temos um convidado especial, Manuel Furriella, professor de Relações Internacionais, analista,
04:11sempre colaborando com a gente aqui na Jovem Pan.
04:13Professor, seja bem-vindo mais uma vez, mais uma cobertura especial na Jovem Pan.
04:18É importante contar com a sua presença aqui.
04:20Professor, nos últimos meses nós falávamos muito sobre a possibilidade de um ataque, de uma
04:25invasão norte-americana.
04:26Isso não aconteceu nos últimos meses, mas agora, no início de 2026, temos a confirmação
04:32desse ataque pontual e a captura de Nicolás Maduro e de sua esposa.
04:37Estão sendo conduzidos aos Estados Unidos e a informação da Procuradoria Norte-Americana
04:42indica que ele será julgado em Nova Iorque.
04:46Professor, como avalia esse ataque norte-americano?
04:49Quais recados são dados?
04:51Qual a reflexão que a gente precisa fazer nesse momento?
04:53Depois a gente trata da sucessão e da transição.
04:56Boa tarde.
04:59Bom, realmente era a última das alternativas que tinha Donald Trump em relação às medidas
05:04que estava utilizando para remover do poder, para conseguir a renúncia de Nicolás Maduro.
05:11Nicolás Maduro, como a gente esconder, é um ditador.
05:15O seu governo foi considerado ilegítimo na última eleição, principalmente durante a apuração,
05:22já que o processo eleitoral, mesmo com a ausência de candidatos que foram impedidos pela decisão
05:28de Nicolás Maduro de participar, acabou sendo um processo eleitoral considerado correto.
05:34Mas na apuração houve ali muita suspeita de fraudes, até porque não houve comprovação da efetiva eleição dele
05:42como presidente daquele país.
05:44Violações aos direitos humanos a todo momento, perseguição à imprensa, decisão de prisão de pessoas de oponentes tomadas pelo próprio ditador.
05:56Também era uma constante nos últimos meses e aí nós tivemos, durante o último ano de 2025, com a chegada de Donald Trump ao poder,
06:06um maior acirramento no conflito dos Estados Unidos com aquele país, onde o presidente americano primeiramente acusou o Nicolás Maduro
06:15de fazer vistas grossas, ou seja, de permitir com que o narcotráfico permeasse e fosse realizado dentro da Venezuela,
06:24prejudicando os interesses americanos, já que se sabe que os Estados Unidos vivem problemas muito sérios
06:30em relação à utilização de drogas pesadas por parte de alguns dos seus cidadãos.
06:35Então, o combate internacional ao tráfico de drogas também era uma bandeira do governo americano,
06:41também é um problema que aquela sociedade vive.
06:45E depois, esses mesmos grupos criminosos de narcotraficantes foram elevados à condição de grupos terroristas.
06:53E aí os Estados Unidos deslocaram para a região, num movimento cada vez mais amplo, embarcações de guerra.
07:01Só para dar um exemplo, o seu maior porta-aviões está, neste momento, no Mar do Caribe, em região próxima à Venezuela.
07:08E começaram as pressões, a partir daquele momento, para a renúncia, com o ápice na afirmação de Donald Trump,
07:16e pediram que Nicolás Maduro seria, na verdade, um dos líderes desses grupos narcotraficantes barra grupos terroristas.
07:24Houve conversa entre os dois chefes de Estado, onde Nicolás Maduro chegou a negociar a sua renúncia
07:31em condições não aceitas por Donald Trump, e aí o governo americano foi perdendo as alternativas
07:39para conseguir retirar do poder Nicolás Maduro, ficando a grande carta, a única carta na mão,
07:48que seria propriamente uma intervenção.
07:50Então, infelizmente, esse tipo de medida acabou sendo adotado,
07:54mas era uma que também nós imaginávamos que seria a mais extrema.
07:59Ela acabou acontecendo.
08:01E foi uma medida, mesmo com alguns bombardeios à capital,
08:05uma medida cirúrgica, porque não houve a dimensão de um grande ataque ao país,
08:11e sim a utilização dos serviços especiais do exército norte-americano
08:16nos moldes de outras operações já realizadas no passado, em outros países,
08:21e onde houve a captura do Nicolás Maduro e também da sua esposa.
08:27Então, este é o cenário que nós temos.
08:30Os interesses norte-americanos na região não estão relacionados somente ao combate ao narcotráfico,
08:37também existem interesses econômicos óbvios em relação ao acesso ao petróleo daquele país,
08:45e em afastar a forte influência chinesa, russa e cubana sobre a Venezuela,
08:53porque os Estados Unidos têm questões geopolíticas envolvendo esses três estados que eu mencionei.
09:01Então, este também é um dos panos de fundo de interesse norte-americano
09:05sob uma operação desse gênero para retirar um governo ilegítimo, repito aqui,
09:13mas também um governo que é a favor de interesses hostis aos norte-americanos.
09:19Pois é, daqui a pouco é importante lembrar, a uma hora da tarde, pronunciamento de Donald Trump.
09:24Então, vou pedir que vocês fiquem aqui na sintonia da Jovem Pan.
09:27Deixa só fazer um questionamento importante sobre os próximos passos, professor, em relação à Venezuela.
09:33Li e acompanhei algumas reflexões sobre os caminhos possíveis para a Venezuela.
09:39Falou-se uma possível resistência, especialmente amparado num posicionamento das Forças Armadas de Nicolás Maduro,
09:46é algo que deve ser considerado.
09:48Mas é possível pensar em uma interferência externa, em uma transição de meses,
09:54para depois pensar em uma saída democrática, a convocação de eleições,
09:58ou o cenário permitiria de imediato, ou quase de imediato, semana que vem, ou daqui a algumas semanas,
10:04a convocação de eleições, hein, professor?
10:08Bom, nós temos dois cenários.
10:10Teremos três cenários, um eu acho provável.
10:13Um cenário seria uma organização por parte das forças públicas, do poder público venezuelano,
10:22que inclui as Forças Armadas e a vice-presidente, no sentido de tentar resgatar o governo venezuelano
10:30a ser restabelecido ao redor de Nicolás Maduro.
10:33Não, isso aí já é carta descartada.
10:36Não faz mais parte do jogo político que está sendo travado dentro da Venezuela.
10:42Um eventual, a gente já sabe que é improvável, impossível, retorno de Nicolás Maduro.
10:47Então, é pura retórica, qualquer tipo de discurso a favor dele, a respeito de uma união nacional.
10:54Vai ser utilizado aí para alguma conveniência, já que mesmo a Venezuela,
10:58tendo a maior parte da sua população contra Nicolás Maduro,
11:02a gente sabe que uma parte da sociedade, ela acabou sendo arregimentada a favor do seu governo.
11:08Mas acho que não vai nessa linha.
11:09Então, restam duas alternativas.
11:11Uma é a da continuidade da vice-presidente no poder,
11:18tentando acomodar-se aí aos interesses norte-americanos.
11:22Então, acho que não há possibilidade da Venezuela ter um futuro político
11:28onde não haja algum tipo de acomodação, de acerto com o governo norte-americano,
11:34mesmo que seja ao redor do grupo que lá está.
11:38Até mesmo porque removê-los do poder é algo praticamente impossível,
11:44mesmo com a realização de eleições,
11:46já que eles permeiam toda a administração pública.
11:50Aqui lembrando que Nicolás Maduro promoveu cerca de 2 mil generais.
11:55É um número enorme.
11:56Nem países muito mais populosos e maiores, como o Brasil ou os Estados Unidos,
12:01têm uma quantidade tão grande de autos oficiais.
12:04Isso foi proposital para que Nicolás Maduro tivesse altas lideranças militares
12:11sendo utilizadas em várias funções públicas.
12:14Então, você já tem constituído na Venezuela um cenário político
12:19que não se desmonta da noite para o dia.
12:22Então, talvez construir-se ao redor do cenário que se tem
12:27algo favorável aos interesses americanos
12:30seja um cenário provável.
12:33Essa questão de buscar resgatar Nicolás Maduro,
12:35conforme eu disse, ela, além de impossível, também é improvável.
12:39As suas políticas vão caminhar em outro sentido.
12:43E outro cenário que seria o mais adequado
12:45em qualquer aspecto que a gente possa imaginar
12:48seria a convocação de eleições,
12:50mas desde que realizadas de forma lícita,
12:55desde que fossem eleições limpas.
12:58Então, com liberdade de candidaturas,
13:01com a soltura de opositores políticos,
13:04de presos políticos.
13:06Então, um cenário onde efetivamente um presidente
13:09ou uma presidente legítima fosse eleita
13:12e, a partir daí, viriam também outros desafios
13:16que são aqueles relacionados quando você tem uma transição
13:19de uma ditadura para uma democracia.
13:21Mas o primeiro ato seria a realização de eleições limpas.
13:25Mas vai haver ali ou uma acomodação no cenário
13:29das forças políticas atuais quererem se realinhar aos Estados Unidos
13:34para sobreviverem a um cenário pós-Nicolás Maduro
13:38ou realização de eleições limpas com acompanhamento internacional.
13:43Este último, esse de eleições, com certeza,
13:47é o mais correto em termos do direito internacional
13:50e aquele que a maior parte da comunidade internacional apoiará.
13:54Mas se esse será ou não aquilo que a acomodação interna vai permitir,
14:00é algo que a gente ainda tem que aguardar.
14:02A gente já volta a falar com o professor.
14:04Vamos imediatamente à Brasília.
14:05O nosso repórter Igor Damasceno trará as atualizações ao vivo,
14:09diretamente da capital federal.
14:11Seja bem-vindo, Igor.
14:12Muito obrigado, Caniato.
14:15Boa tarde a você.
14:16Boa tarde também a todos que nos acompanham nessa cobertura especial
14:20a respeito dessa tensão, esse conflito entre Estados Unidos e Venezuela.
14:25Eu falo ao vivo do Palácio do Itamaraty.
14:27Vocês acompanharam há pouco uma coletiva de imprensa
14:30do ministro da Defesa, José Múcio Monteiro,
14:33e também da secretária executiva do Ministério das Relações Exteriores.
14:37Eles repassaram a seguinte informação.
14:39O ministro José Múcio Monteiro está em constante contato
14:43com o governador de Roraima para saber como que está a situação
14:47da segurança da fronteira que nós temos com a Venezuela.
14:51A informação que nós temos é que até o momento
14:53não há nenhuma anormalidade na fronteira com a Venezuela nesse momento.
14:59Eu acabo de receber uma nota do Ministério das Relações Exteriores
15:03resumindo uma reunião que houve há pouco aqui no Palácio do Itamaraty,
15:08uma reunião convocada pelo presidente Lula e considerada de extrema urgência.
15:13Nessa reunião, o presidente Lula participou por videoconferência
15:17e ele reforçou que repudia os ataques dos Estados Unidos
15:22na capital Caracas na madrugada deste sábado.
15:26O ministro das Relações Exteriores também relatou constante ataque
15:30ou constante contato que manteve com os homólogos nas últimas horas
15:34e indicou não haver momento de notícia de brasileiro entre as possíveis vítimas.
15:40Não há brasileiros entre as possíveis vítimas dessa ofensiva norte-americana
15:45que aconteceu nesta madrugada.
15:48Ele também informou que está em permanente contato com a Embaixada do Brasil na Venezuela
15:52para o acompanhamento da situação interna.
15:55E hoje à tarde deve haver uma outra coletiva de imprensa marcada para as 5 horas.
16:01Então, a todo momento, novas reuniões estão sendo feitas para discutir essa situação,
16:06a tensão que se formou aqui na América do Sul depois desse ataque na madrugada
16:11e uma nova coletiva de imprensa foi convocada para as 5 horas da tarde.
16:15Mas a informação que nós temos é que não tem brasileiros entre as vítimas,
16:18não há nenhuma normalidade na fronteira do Brasil com a Venezuela
16:22e José Múcio Monteiro continua mantendo contato com o governador de Roraima,
16:27é o estado mais próximo do Brasil na Venezuela.
16:30Agora, o presidente Lula, como eu disse, participou dessa reunião por videoconferência,
16:34mas pelas redes sociais ele já se posicionou em torno desse assunto.
16:38Nós até separamos um destaque de texto dessa publicação do presidente Lula.
16:42Vamos colocar no ar, então, esse destaque de texto.
16:45Eu peço licença a vocês para ler o posicionamento do presidente.
16:48Ele diz o seguinte, abre aspas.
16:54Só um minutinho.
16:55Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente
16:59ultrapassam uma linha inaceitável.
17:02Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela
17:06e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional.
17:11O presidente Lula continua o texto.
17:12Atacar países em flagrante violação do direito internacional
17:16é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade,
17:21onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo.
17:24Lula continua.
17:25A condenação ao uso da força é consistente com a posição que o Brasil sempre tem adotado
17:31em situações recentes em outros países e regiões.
17:34A ação lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe
17:40e ameaça a preservação da região como zona da paz.
17:44E o presidente Lula finaliza o texto dizendo que a comunidade internacional, por meio da ONU,
17:50precisa responder de forma vigorosa a esse episódio.
17:53O Brasil condena essas ações e segue à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação.
18:01Então, essa é a nota divulgada pelo presidente Lula na manhã de hoje.
18:07De acordo com a nota do Palácio do Itamaraty, todas essas palavras no posicionamento que vocês viram,
18:13que eu acabei de ler, foram reforçadas pelo presidente na reunião que aconteceu aqui no Palácio do Itamaraty.
18:19Então, o governo brasileiro condena esses ataques porque, segundo o Lula,
18:23é um desrespeito à soberania da Venezuela.
18:26A gente vai seguir acompanhando todos os desdobramentos porque uma nova reunião e uma nova coletiva
18:32estão marcadas para a tarde de hoje.
18:34E, claro, a gente segue por aqui acompanhando os desdobramentos.
18:37Posso acionar vocês a qualquer novidade.
18:40Com certeza, prioridade para a nossa equipe de reportagem.
18:42Igor Damasceno ao vivo de Brasília.
18:44Até já, Igor.
18:45Já que o Igor trouxe os destaques dessa nota, esse comunicado, o posicionamento do governo brasileiro,
18:51deixa eu passar rapidamente para o Manuel Furriello, nosso convidado.
18:54Professor, o que achou dessa posição do presidente brasileiro?
18:58Presidente que não faz tanto tempo tinha se colocado como alguém que poderia mediar a negociação
19:03entre Estados Unidos e a Venezuela, diante daquele posicionamento,
19:07há quem tenha feito a seguinte leitura.
19:09Talvez tenha sido um posicionamento exagerado.
19:12O que o senhor achou?
19:13Bom, a gente tem aí o governo brasileiro seguindo a linha do direito internacional clássico
19:20sobre a intervenção de um Estado, de um país no outro, passando por cima da soberania.
19:26A gente só tem duas medidas autorizadoras nesse sentido.
19:30Uma é por autorização do Conselho de Segurança da ONU.
19:34Não foi o que aconteceu na Venezuela.
19:35Os Estados Unidos, aliás, nem buscaram essa autorização.
19:39E, em outro caso, a Venezuela se atacar os Estados Unidos e eles pudessem responder.
19:44Então, o governo brasileiro passa para a posição, ou passa a posição,
19:49de que considera inaceitável uma intervenção militar,
19:52já que não haveriam essas justificativas internacionais.
19:55E o governo norte-americano vai justificar a medida sob a prisma de ter que ter invadido a Venezuela
20:03para remover um governo que patrocina o terrorismo internacional via narcotráfico.
20:09Então, essa construção o governo Donald Trump já tinha feito para justificar a invasão.
20:15A invasão dos Estados Unidos não é justificada, ao contrário do que muitos acreditam,
20:20para remover uma ditadura.
20:22O governo venezuelano não é uma ditadura.
20:23Vou repetir aqui várias vezes, o governo ilegítimo persegue direitos humanos
20:27e todas essas características nefastas que qualquer ditadura tem.
20:32Mas não é essa a justificativa norte-americana.
20:34E sim a de preservação dos seus direitos ou interesses
20:38contra um governo que patrocina narcotráfico e terrorismo internacional.
20:43Então, essa é a contraposição.
20:44Então, o governo brasileiro segue a linha de que seria inaceitável essa intervenção.
20:49Então, esse é o posicionamento.
20:51Mas o que eu acredito que faltou ao governo brasileiro especificamente
20:56foram medidas pós-eleição na Venezuela.
21:00O governo brasileiro acertou ao criticar o processo de apuração da eleição venezuelana,
21:08afirmando e cobrando o governo da Venezuela na apresentação das atas
21:12que seriam as comprobatórias da eleição de Nicolás Maduro.
21:16Isso nunca aconteceu, o governo brasileiro nunca reconheceu.
21:20Mas após essa decisão acertada do nosso governo,
21:23faltou ao governo brasileiro pressionar o governo venezuelano,
21:28cobrá-lo no sentido de medidas democráticas.
21:31Cobrá-lo no sentido de que seria inaceitável a sua permanência no poder
21:35sob a prisma de não ter apresentado as justificativas eleitorais
21:40que qualquer eleição cobra ou permite com que sejam apresentadas.
21:46Então, acho que nesse aspecto faltou ao governo brasileiro
21:50uma presença como potência regional que é na América Latina
21:54em ter algum nível de assertividade sobre o governo venezuelano.
21:58E agora somente nos resta ter uma posição de análise do que fizeram os Estados Unidos.
22:07Então, a gente acabou ficando, acho que um pouco à mercê de decisão de terceiros
22:11quando o Brasil deveria, sim, ter se posicionado.
22:15É nosso papel como potência regional.
22:18Então, acho que a análise tem que ser um pouquinho mais sobre a nota apresentada.
22:21Mas, de qualquer forma, a letra do que foi dito,
22:24o governo brasileiro considera inaceitável,
22:27por não haver, aos seus olhos, justificativa internacional
22:32para uma intervenção desse gênero.
22:35Rápida parada para você que nos acompanha pela rede.
22:39E dou boas-vindas a você que nos acompanha
22:41a programação da Jovem Pan em Cuiabá, no estado de Mato Grosso.
22:45Muito obrigado pela audiência.
22:47Cobertura especial aqui da Jovem Pan News.
22:49Todos os detalhes em relação à ação norte-americana na Venezuela,
22:53a retirada de Nicolás Maduro, captura do ditador,
22:57que está sendo conduzido aos Estados Unidos, será julgado por lá.
23:01Chamar o meu amigo Bruno Pinheiro, jornalista, apresentador, repórter,
23:04fazendo parte dessa jornada especial.
23:07Bruno, seus questionamentos, sua reflexão para o professor Manuel Furriella, por favor.
23:12A gente estava acompanhando aqui essa entrevista coletiva
23:18e eu conversava com alguns militares, tentando entender, por parte do Exército,
23:22inclusive, como essa operação acolhida segue acontecendo na fronteira lá em Roraima.
23:29E aqui, professor, a gente vê uma divergência entre essa coletiva,
23:33a gente vê um esforço à vinda do presidente Lula,
23:37mesmo que remota nesta reunião, para tentar achar uma saída,
23:40para reforçar a segurança.
23:42Mas os militares nos dão uma resposta e um tom que está tudo sobre controle,
23:47que nós temos suporte para garantir uma segurança nesta região
23:50e até mesmo num possível confronto um pouco maior na Venezuela.
23:56Qual é a situação nossa, justamente, de contenção, de reforço, de segurança
24:01numa situação como essa que estamos vivendo neste final de semana?
24:05Porque até aqui não era esperado que fosse tão rápido ou com tanta força assim.
24:09Qual é a situação, de fato, das nossas Forças Armadas
24:13em uma situação de um conflito numa região tão vizinha,
24:18cerca de dois mil quilômetros de fronteira?
24:21Bruno, prazer em falar contigo também.
24:24O que nós temos é que a Venezuela tem conosco uma fronteira complicada,
24:29uma fronteira grande, numa região onde o Brasil é menos povoado,
24:34região norte do país,
24:35e com estados que têm sofrido, por conta da sua infraestrutura,
24:40ter dificuldade em lidar com tantos refugiados ou imigrantes como queiram.
24:45Independentemente da classificação,
24:47a população venezuelana, sofrendo as consequências dessa terrível ditadura,
24:51acabou buscando o Brasil, muitos deles, o Brasil como destino.
24:55Então, nós já temos aí há bastante tempo,
24:57principalmente o estado de Roraima, obviamente,
25:00de fronteira direta, sofrendo aí com ter que atender essas pessoas
25:05que necessitam, obviamente, de apoio humanitário.
25:08O questionamento não é sobre elas,
25:10mas sobre um governo que gera essa situação aos seus próprios cidadãos,
25:14como essa ditadura da Venezuela.
25:16De qualquer forma, em questão ou em termos de estratégia militar,
25:21o governo brasileiro, foi dito isso pelo ministro,
25:23e é verdade, já houve um deslocamento de forças em duas etapas para a região.
25:30Numa primeira, vindo já uma tensão dos Estados Unidos com a Venezuela,
25:35ainda no primeiro semestre do ano passado,
25:37e uma segunda, quando efetivamente os Estados Unidos fizeram
25:41um deslocamento expressivo das suas forças marítimas,
25:46militares marítimas, como eu já até mencionei,
25:49o deslocamento do seu maior porta-aviões para a região.
25:51Então, nós tivemos ali um alerta e um deslocamento de forças.
25:56Então, eu acho que o Brasil atende essa questão do conflito
26:00entre Venezuela e Estados Unidos com esse deslocamento.
26:04Mas o meu receio é o subproduto de um conflito que possa ter no país.
26:09A Venezuela está sujeita agora a ter uma guerra civil.
26:12Você tem uma parte da população que ainda mantém apreço,
26:16não a Nicolás Maduro, até a gente percebeu que o ponto não é ele,
26:20mas é o seu regime pela forma como ele se enraizou na sociedade venezuelana.
26:26Então, não é fácil desmontar uma estrutura como foi feita por décadas
26:33dentro da sociedade venezuelana e a maior parte da população,
26:37que é evidente que está insatisfeita com esse governo.
26:39Mas a gente pode ter um conflito na sociedade,
26:42a gente pode ter uma guerra civil,
26:44a gente pode ter repercussões, aí acho improváveis,
26:48de conflito armado Venezuela e Estados Unidos,
26:51acho que vai haver algum nível de acomodação.
26:54Mas o meu ponto aqui é que pode ser que surja um fluxo muito grande
27:00de pessoas tentando buscar refúgio no Brasil,
27:05cidadão comum, ou até mesmo forças políticas pedindo asilo.
27:09Então, a gente pode ter na fronteira alguma tensão relacionada
27:15propriamente a uma instabilidade que a Venezuela possa sofrer
27:19aí nos próximos dias.
27:22Então, acho que esse tipo de atenção, o principal que possa se ter.
27:26Ou esses grupos de narcotraficantes querendo cruzar a fronteira,
27:30vir ao Brasil, porque podem se sentir, a partir de agora,
27:34alvo de maior pressão pelos Estados Unidos,
27:38até mesmo pelo governo venezuelano que está se instalando,
27:41mas indesejáveis efeitos adversos da própria sociedade venezuelana
27:48que vai ter que se acomodar nesses novos cenários.
27:51Em relação aos Estados Unidos, ao conflito entre países,
27:55eu acho que a gente não tem que ter nenhum tipo de atenção,
27:58porque a decisão de Donald Trump foi pontual em relação a Nicolás Maduro.
28:03Ela não envolve outros países da região.
28:06Acho que esse não tem que ser algum tipo de medo, de receio,
28:10ou de tomada de decisão militar, além do que já foi feito.
28:13O que foi feito atende cautelas que a gente possa ter.
28:18Questões improváveis, mas cautelas.
28:20Mas a instabilidade do país pode trazer muitos problemas ao Brasil.
28:25Acho que esse, sim, tem que ser um ponto de atenção das autoridades nacionais.
28:30Agora, professor, esse é um ponto importante, né?
28:32Se a gente pudesse aprofundar, o que a história nos revela
28:35quando a gente olha para ações de retirada de ditadores do poder?
28:40Algo semelhante ao que aconteceu.
28:43O que é preciso considerar em relação a esse processo de transição?
28:47O senhor menciona a possibilidade de uma guerra civil,
28:50mas não poderia ter um processo no sentido contrário?
28:53Uma organização da oposição com a sociedade,
28:56na intenção de promover uma transição pacífica,
29:01talvez com o auxílio dos Estados Unidos?
29:03Não dá para considerar isso?
29:04Vimos, inclusive, a Maria Corina Machado sendo agraciada com prêmios internacionais.
29:09Enfim, uma figura que poderá ganhar algum tipo de protagonismo nesse momento.
29:13Enfim, são possibilidades, não?
29:14Sim, a oposição venezuelana, ela vai tentar aproveitar essa oportunidade
29:22para buscar um diálogo para a realização de futuras eleições,
29:26para que ela tenha aí chance de uma retomada,
29:29de uma conquista, melhor dizendo, do poder.
29:32Então, isso pode sim acontecer.
29:34Mas você tem esse cenário como provável.
29:36Mas a ditadura de Nicolás Maduro, ela deixa raízes na sociedade, infelizmente.
29:42Ela se perpetuou por muitos anos e ela construiu situações institucionais.
29:48Não é à toa que promoveu dois mil generais.
29:50Era justamente para ter um controle militar sobre isso.
29:54E ela independe de Nicolás Maduro.
29:56Esse é o ponto.
29:57Então, você tem grupos de interesse construídos durante essa ditadura venezuelana
30:02que eles não vão querer sair do governo.
30:04Então, isso vai ser um grande desafio.
30:06Isso vai ser um grande desafio.

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