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Mais de 250 presos que deixaram os presídios do Rio de Janeiro durante a saidinha de Natal não retornaram após o fim do prazo. Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária, a maioria dos foragidos tem ligação com facções criminosas, incluindo o Comando Vermelho.
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NotíciasTranscrição
00:00Agora a gente volta a falar de segurança pública, mais de 250 presos que deixaram presídios na saídinha de Natal
00:08não retornaram após o fim do prazo no Rio de Janeiro.
00:12Misael Maenete está aqui em São Paulo, chega ao vivo, mas vai trazer esses destaques do estado fluminense.
00:18Misael, seja bem-vindo, ótima noite a você.
00:21Misael, acho que salvo engano está no Parque do Ibirapuera, ele faz mil coisas ao mesmo tempo,
00:26acompanha também as questões que envolvem segurança pública.
00:29Misael, conta pra gente, a maioria desses foragidos pertence àquela facção, Comando Vermelho?
00:36Já tem essa confirmação?
00:40Já, já tem essa confirmação sim.
00:42Muito boa noite a você, Caniato, pra todo mundo que acompanha os pingos no ZIS.
00:47258 detentos não voltaram para os presídios no Rio de Janeiro, a maior parte deles é do Comando Vermelho.
00:55Do total, mil oitocentos e sessenta e oito presos liberados, 258 não voltaram.
01:04Agora, eles são foragidos da justiça.
01:07A maioria dos que não se reapresentaram, como eu mencionei, são integrantes do Comando Vermelho,
01:13a maior facção criminosa que atua no estado do Rio de Janeiro.
01:16Do total de fugitivos, cento e cinquenta são do Comando Vermelho,
01:21trinta e nove do terceiro Comando Puro, vinte e três da facção Amigos dos Amigos
01:26e quarenta e seis que se declaram neutros, sem vínculo com grupos criminosos.
01:33Estes dados são da Secretaria de Administração Penitenciária.
01:37Entre os que não retornaram, estão presos, considerados muito perigosos.
01:42É o caso de Tiago Vinícius Vieira, ele que é mais conhecido como Dourado.
01:47Ele é acusado de comandar grandes assaltos, realizar tráfico de drogas e de armas,
01:53além de outros líderes ligados à facção criminosa.
01:56O benefício da visita periódica do lar é garantido pela legislação brasileira
02:02para detentos em regime semiaberto, que cumpriram parte da pena e apresentaram um bom comportamento.
02:08Quem não volta dentro do prazo estipulado é automaticamente classificado como foragido.
02:14E os nomes dos duzentos e cinquenta e oito que descumpriram a data
02:18foram incluídos em base de dados das forças de segurança que já iniciaram as operações para a captura.
02:26A gente sabe que esse ano o tema de segurança pública é prioridade, unanimidade.
02:31A gente já tem um projeto de lei aprovado pelo deputado federal Guilherme Derritte, do Progressistas,
02:38que só passa a valer para presos que foram, que estão presos na data da aprovação do projeto.
02:47Então, não vale para esses reincidentes.
02:50Quem foi preso antes da aprovação do projeto ainda tem direito à saidinha.
02:54Isso significa que a gente vai ver muitos, mas muitos presos saindo ainda por muitos anos,
03:02pelo menos a atual conjuntura aí do campeonato.
03:05Caniato?
03:06Pois é, com certeza. Só para ficar claro para as pessoas,
03:09imagine que dias antes da aprovação, da derrubada do veto do presidente Lula pelo Congresso Nacional,
03:17determinada pessoa foi condenada e começa a cumprir pena.
03:21E aí ele vai cumprir uma pena de 30 anos, ou seja, esse continuará gozando do benefício da saidinha.
03:28É isso, e esse é o desafio que nós estamos tratando nessa notícia.
03:32Obrigado, viu, Misael?
03:34Sempre trazendo muitas informações relacionadas à segurança pública,
03:37ele que monitora os assuntos e sempre nos atualiza aqui na programação da Jovem Pan.
03:42Deixa eu passar para o Mota, porque esse é um recorte do Rio de Janeiro, né?
03:47E muita gente talvez diga, né?
03:48Aqueles que defendem a saidinha, né, Mota?
03:51Que acham que a saidinha é um excelente mecanismo para promover a reinserção do preso na sociedade,
03:59eles falam, ah, mas esse é um número pequeno,
04:01se a gente for comparar com o volume de presos que receberam o benefício.
04:06Para essas pessoas que acabam dizendo que esse percentual é pequeno,
04:11você diria o quê, hein, Mota?
04:13Conversa com a Iara, nossa espectadora do Rio Grande do Norte,
04:18que perdeu a mãe, assassinada por um bandido que estava em saidinha.
04:23A estatística pequena não tem nenhum significado quando a vítima da estatística é você.
04:31Eu nunca vi um argumento razoável que fizesse sentido para justificar um absurdo como a saidinha.
04:40A saidinha é fruto de uma aplicação do marxismo à justiça criminal.
04:47Isso gerou loucuras como a chamada criminologia crítica,
04:52que diz que você não deve punir esses crimes violentos
04:56porque eles são uma reação dos pobres à injustiça do capitalismo.
05:00A outra filosofia que também domina o sistema de justiça criminal
05:06é o chamado garantismo penal.
05:08Também é uma variedade do marxismo.
05:11Ele diz que o bandido é um pobre coitado, uma vítima da sociedade.
05:16Agora, prestem atenção nisso.
05:17Um dos grandes expoentes do garantismo penal
05:20é um jurista italiano chamado Luigi Ferragioli.
05:23Esse Luigi Ferragioli foi presidente de um tribunal dos povos
05:33que foi realizado simultaneamente no Brasil e na Itália
05:38de maio a setembro de 2022.
05:42Esse tribunal se juntou com vários representantes de ONGs brasileiras
05:47para fazer um julgamento simulado de Jair Bolsonaro
05:52por causa da atuação dele durante a pandemia.
05:56Então, meus amigos, não há nenhum acidente
06:00nas coisas que estão acontecendo no Brasil.
06:03Está tudo interligado.
06:05Zé, mas eu fiquei curioso e peguei o universo de condenados
06:11que receberam o benefício.
06:13Foram 1.868, viu, Gani?
06:16E aí, a informação que eu tinha da Secretaria de Administração Penitenciária
06:20indicava que 269 presos não retornaram às penitenciárias
06:27após acabado, fim dado o prazo.
06:31O que representa uma evasão de 14% do total de presos
06:34que foram liberados para passar esses dias com a família.
06:38Um índice muito maior do que a média nacional.
06:41Comenta-se em 6% quando a gente pega edições passadas.
06:45É muito, né?
06:47E é o que o Mota falou.
06:48Bastaria um cometer um crime e tirar a vida de alguém.
06:53Não dá para você trabalhar com percentuais
06:55quando a gente faz essa avaliação, né, Gani?
06:57Não, exatamente.
06:58O percentual aí tinha que ser 0%.
07:00Não tinha que ter saidinha.
07:02O Brasil é o país campeão
07:05em discutir as coisas ao contrário.
07:10Então, a gente começa pela cereja do bolo e não pela base,
07:14não pelo alicerce.
07:16Onde que eu quero chegar?
07:18A função da prisão, a principal função da prisão
07:21é afastar o perigo da sociedade, o criminoso da sociedade,
07:25para que ele não cometa mais crimes.
07:27A segunda função primordial também do sistema carcerário
07:32é dar o exemplo para que demais não cometam crime.
07:36Olha, esse foi preso.
07:37Se você cometer crime, você vai pegar também 20 anos.
07:40Então, isso vai reduzir a criminalidade.
07:43Pelo exemplo, pela punição.
07:46E o terceiro elemento aí do sistema carcerário,
07:50se der, né, mas ele não é o principal,
07:53é a tal da ressocialização.
07:55Acontece que, no Brasil, a gente inverte essa lógica,
07:58a gente inverte a ordem.
08:00A gente passa a tratar a ressocialização
08:02com uma questão prioritária,
08:05quando, na verdade, o prioritário é afastar o perigo da sociedade
08:09e dar o exemplo para que demais não cometam crimes.
08:13Portanto, está tudo errado.
08:15E a saidinha é um sintoma disso.
08:17Por quê?
08:17Porque, quando você dá a saidinha,
08:19você está sinalizando, primeiro,
08:22que o perigo está aí,
08:24porque, enquanto ele tem a saidinha,
08:26ele pode cometer crimes.
08:28Segundo, você sinaliza que o crime compensa,
08:30em certo sentido.
08:31Por quê?
08:31Porque tem audiência de custódia,
08:33porque tem progressão de pena,
08:35porque tem saidinha.
08:36Então, significa que há uma grande impunidade.
08:40Você vai ficar pouco tempo preso.
08:42E o terceiro, aí sim,
08:44a tal da ressocialização com a saidinha.
08:46Enfim, está tudo de ponta cabeça, Caniato.
08:49Pois é.
08:50Inclusive, uma reportagem do jornal O Globo
08:52destacou quatro bandidos de alta periculosidade,
08:57chefes de facções criminosas.
08:59Um é chefão, um tal de Dourado,
09:03do Terceiro Comando Puro.
09:05Um outro, Nestor do Tuiuti, do Comando Vermelho.
09:08Um outro, chamado Obolado, do Comando Vermelho.
09:11Tudo chefão de divisões do Comando Vermelho
09:15e desse TCP.
09:16E um outro, Sérgio Luiz Rodrigues,
09:19ou o Salgueiro, também,
09:21que foi condenado por tráfico de drogas,
09:24gerente da favela da Lagoa, em Magé.
09:26Todos esses quatro, bandidões, hein?
09:29Não retornaram às penitenciárias.
09:32Você, delegado Paulo Lombo,
09:33parece notícia velha, mas não é, delegado.
09:37Infelizmente, não é.
09:38Infelizmente, daqui a pouco tem a saidinha
09:40dia das mães, dia dos pais,
09:41e a história vai se repetir.
09:43Alguém vai perder a mãe,
09:45alguém vai perder o pai,
09:46uma mãe pode perder um filho,
09:48alguém vai ser assaltado,
09:49porque tem gente que acha
09:50que tem que resocializar
09:52dando uma saidinha
09:54para o preso que roubou,
09:56que matou, que estuprou,
09:57que cometeu crime de latrocínio.
09:59Ou então, um faccionado.
10:00O faccionado, ele não volta.
10:03Indevitavelmente, ele vai ficar.
10:04Ele tem que cumprir a ordem da facção.
10:06Ele nem pode voltar.
10:07Ele sai com missão de lá.
10:09Ainda mais um chefe de facção.
10:11E essas pessoas que são favoráveis,
10:12devem levar esses presos para a casa deles,
10:14deixar uma semana dentro da casa deles.
10:16Dá um emprego para eles.
10:17Pergunta para eles
10:18se eles querem cortar o jardim
10:19da sua casa?
10:20Você que gosta de comer um caviar
10:23nesses restaurantes famosos
10:25que acham que o preso
10:26tem que ter uma segunda,
10:27terceira chance,
10:28chama ele para limpar a piscina
10:29da sua casa?
10:31Chama ele para cortar o jardim
10:33ou então lavar a sua Ferrari?
10:35Chama ele para fazer isso aí.
10:36Você vai ver o que é bom para tosse.
10:38Põe um traste desse
10:40dentro da tua casa.
10:41Ah, mas você é contra a saidinha.
10:42Sou contra a saidinha.
10:44Sou contra a preso ter direito.
10:46O preso tem que ter um direito só,
10:47de trabalhar e pagar o seu sustento da cadeia
10:51e pagar o sustento da vítima,
10:53do mal que ele causou.
10:55Não tem que ter direito à saidinha,
10:57não tem que ter direito à visita íntima,
11:00não tem que ter direito ao auxílio ou reclusão.
11:02E tudo isso que eu estou falando
11:03tem projeto de lei para acabar,
11:05cujo presidente da...
11:08o presidente do Congresso Nacional,
11:11o presidente da Câmara dos Deputados,
11:12poderia pautar.
11:13Tem de minha autoria,
11:14tem de outros deputados,
11:16mas não pauta.
11:17Para eles é mais importante
11:18pautar o nome da ponte.
11:20Aí é importante, né?
11:21Ou então ficar fazendo aí,
11:23esperando um projeto executivo
11:25para depois aí saber
11:26quanto que vai vir de emenda.
11:27É um absurdo isso daí.
11:28Como o Mota falou,
11:30vamos perguntar para a mãe dessa menina
11:31que perdeu,
11:33vamos perguntar para essa menina
11:34que perdeu a mãe,
11:34como ela está se sentindo
11:35sabendo que um indivíduo condenado
11:38saiu nessa maldita,
11:41me desculpe esse termo,
11:42não gosto de usar esse termo,
11:42mas é maldita saídinha.
11:44Para fazer o quê?
11:45Para roubar.
11:46E muitos deles,
11:47muitos deles,
11:48posso dizer que a maioria
11:50sai, rouba,
11:52comete crime,
11:53furta,
11:53mas não é pego em flagrante.
11:55Não é pego.
11:56Aí depois volta para a cadeia.
11:57Esse final de semana mesmo aqui,
12:00a equipe aqui de Ribeirão Preto
12:01estava para trás de um desses
12:02que iam fazer um roubo.
12:03Então é o tempo todo eles roubando.
12:05É o tempo todo.
12:06E as pessoas ficam romantizando.
12:08A regra teria que ser assim,
12:09quer que passar Natal,
12:10o Ribeirão,
12:11o Dia dos Pais da Mãe?
12:12Não, cometa crime.
12:13Pronto, acabou.
12:14O problema é seu.
12:15Você vai se ressocializar
12:16dentro da cadeia.
12:17Ou porque você quer,
12:18porque você teve livre-arbítrio,
12:20ou porque você encontrou
12:21Jesus Cristo de alguma forma,
12:22que é o único preso
12:23que eu conheço
12:23que se ressocializou
12:25por livre-espontânea vontade,
12:27foi aquele que encontrou
12:28Jesus de verdade.
12:29Esse eu posso dizer.
12:30Não, esse se recuperou.
12:31O resto,
12:32o resto,
12:33que me desculpa,
12:34eu uso anti-horário
12:35que vão ficar bravo comigo.
12:36É um bando de tranqueira
12:37que não tinha que ter direito
12:38a nada, Caniato.
12:40Olha só,
12:41pessoas enviaram aqui
12:42quais são as regras
12:44da saída temporária.
12:45Pode haver algum tipo
12:46de alteração,
12:46mas em linhas gerais,
12:48o preso precisa fornecer
12:49à justiça
12:50um endereço
12:51onde pode ser encontrado
12:52durante o período
12:53em que estiver fora
12:54do sistema prisional.
12:55Esse local acaba
12:57sendo cadastrado
12:58e a pessoa responsável
12:59consultada a respeito
13:00da recepção do preso.
13:02Durante todos os dias
13:03da saída,
13:03o preso precisa permanecer
13:05com base
13:06nesse endereço
13:07informado à justiça.
13:09Além disso,
13:10não é permitido
13:11frequentar bares,
13:12boates,
13:13ser flagrado alcoolizado
13:15ou se envolver
13:16em qualquer delito.
13:17O flagrante em crimes
13:18resulta na suspensão
13:20do benefício
13:20e do retorno imediato
13:22ao presídio.
13:23E aí algumas pessoas
13:24aqui, Mota,
13:26nos escreveram
13:27surpresos com
13:28chefes do Comando Vermelho,
13:32traficantes,
13:33pessoas que foram
13:33condenadas
13:34por crimes ligados
13:35ao tráfico de drogas
13:36receberem
13:37esse benefício.
13:40Porque há no imaginário
13:40popular
13:41a ideia de que
13:43somente,
13:43vou usar uma expressão
13:45antiga,
13:45somente ladrão de galinha
13:46recebe o benefício
13:48da saídinha.
13:48Aí não.
13:49a gente está vendo aí
13:50chefão do Comando Vermelho
13:52recebendo o benefício
13:54da saídinha, Mota.
13:56Caniato,
13:57uma das maiores
13:58surpresas
13:59que eu tive
13:59na minha vida
14:00foi quando eu fui
14:02visitar um presídio
14:03em Minas Gerais.
14:06Nessa altura,
14:06Caniato,
14:07eu já tinha
14:07uns seis,
14:08sete anos
14:09de acompanhamento
14:11da segurança pública.
14:13Eu conversava
14:14com as pessoas,
14:15eu me informava
14:16e eu fui visitar
14:18esse presídio
14:20lá em Belo Horizonte.
14:22Em determinado momento
14:23da visita,
14:24o diretor do presídio
14:25me levou
14:25para a ala
14:26da visita íntima.
14:29E era
14:29um corredor
14:31com celas
14:32e as celas
14:34eram diferentes,
14:35eram,
14:36parecia quarto
14:36de motel.
14:38Eram decoradas
14:39com motivos
14:40românticos,
14:41um lençol diferente,
14:42a roupa de cama
14:43diferente,
14:44ele mostrou,
14:45tinha lá
14:45preservativo,
14:48lubrificante,
14:49e ele explicando,
14:51presta atenção
14:52à importância
14:53da ideia,
14:53Caniato,
14:54das ideias.
14:55Ele me apresentando
14:57aquilo com orgulho
14:58de alguém
14:59que está fazendo
15:00aquilo que
15:02mandaram ele fazer.
15:03Ele convicto
15:04de que aquilo ali
15:05era a coisa certa
15:06e o preso,
15:08o criminoso,
15:09tem direito
15:09a visita íntima,
15:10então ele fornecia
15:11o melhor ambiente possível.
15:13E aí eu perguntei
15:14para ele,
15:14Caniato,
15:15quais tipos
15:17de criminosos
15:18têm direito
15:19à visita íntima?
15:20Porque na minha cabeça,
15:22alguns criminosos,
15:25depois de cometer
15:26alguns crimes,
15:28por exemplo,
15:28estupro,
15:29não teriam direito
15:30à visita íntima,
15:31e parece uma coisa
15:32óbvia, né?
15:33E ele olhou para mim
15:34como se ele não
15:35entendesse a minha
15:36pergunta,
15:37e ele não entendeu mesmo,
15:38me perguntou,
15:38como assim,
15:39Roberto?
15:39e eu falei isso,
15:41olha,
15:41quais tipos de crimes
15:43o sujeito comete
15:45impedem ele
15:46de ter direito
15:48a visita íntima?
15:48Ele falou,
15:49não,
15:49não existe isso.
15:51Qualquer criminoso
15:52é passado
15:54certo um tempo,
15:55porque a gente
15:56precisa aqui
15:56de resolver
15:58questões administrativas,
16:00mas resolvido isso,
16:02cumpridos os procedimentos,
16:04não existe
16:05nenhum impedimento.
16:06então o sujeito
16:08pode ser um maníaco,
16:11ele pode ter matado
16:12dez mulheres,
16:14ele pode ter cometido
16:15cinquenta estupros,
16:17mas o Estado
16:18brasileiro
16:19decidiu
16:19o que foi o Estado
16:22para quem
16:22no Estado brasileiro
16:23decidiu isso?
16:25É uma combinação
16:26de legisladores
16:27e de operadores
16:30do direito
16:30do sistema
16:31de justiça criminal.
16:32O Estado brasileiro
16:33decidiu,
16:34não importa
16:35o crime
16:35que você cometa,
16:37você vai ter direito
16:38a visita íntima,
16:40não importa
16:41o crime
16:41que você cometa,
16:42você um dia
16:43vai ter direito
16:44a progressão
16:44de regime,
16:45não importa
16:46o crime
16:47que você cometa,
16:48um dia
16:49você vai sair
16:50da cadeia
16:51no Brasil
16:51e em geral
16:53você não vai ficar
16:54muito mais
16:55do que uma década.
16:57O que foi
16:57o que aconteceu
16:58com os assassinos
16:59de Tim Lopes,
17:01um ficou preso
17:01cinco anos,
17:03teve direito
17:03a progressão
17:04de regime,
17:04saiu,
17:05fugiu,
17:05o outro
17:06dois anos
17:07depois,
17:08sete anos
17:09de prisão
17:10só,
17:10teve direito
17:11a progressão
17:12de regime,
17:13fez exatamente
17:14a coisa
17:15que o outro
17:15fez,
17:16ele saiu
17:17da prisão
17:18e nunca mais
17:19voltou.
17:20Então,
17:21é piada
17:22com a nossa cara,
17:23Caniato,
17:23essa é a conclusão
17:25que eu tiro
17:26depois de toda
17:28e todo esse tempo
17:29que eu investi
17:29tentando entender,
17:31conversando com policiais,
17:32conversando com promotores,
17:33com magistrados,
17:34com parlamentares,
17:36o que existe no país
17:37é deboche
17:39com a cara
17:40do cidadão de bem.
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