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O programa Jornal da Manhã desta quarta-feira (31) conversou com o professor de direito internacional Manuel Furriela sobre as expectativas do cenário global em 2026, em meio ao conflito entre os EUA e Irã, além da escalada de tensão entre Donald Trump e Nicolás Maduro.


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Transcrição
00:00Vamos conversar com o professor de Direito Internacional, Manuel Furriella, que vai conversar conosco.
00:06Professor, a gente não pode dizer que 25 foi um ano de monotonia no cenário internacional,
00:12conflitos, guerras e fica. A gente termina o ano com a expectativa de mais eventos bélicos aí no mundo.
00:19Queria que o senhor fizesse um balanço de toda essa situação.
00:22Tivemos também questões tributárias envolvendo Donald Trump, o tarifácio que foi imposto aqui.
00:27O Brasil foi fortemente atingido. Como é que o senhor avalia esse ano e fica a expectativa de um prosseguimento
00:34desse protagonismo no cenário internacional? Muito bom dia, senhor.
00:39Bom dia. Bom, realmente este ano teve bastantes questões internacionais aí no cenário
00:45para que a gente possa analisar, para que a gente possa debater.
00:49O grande fato de mudança neste ano de 2025 no cenário internacional,
00:55que causou impacto não somente na maior economia no país, mas é importante em termos bélicos,
01:02em termos econômicos do mundo que é os Estados Unidos, mas também para o mundo todo,
01:08já que o fato que eu quero mencionar é a eleição de Donald Trump e a assunção dele no poder.
01:14Ele assumiu a presidência dos Estados Unidos e começou uma série de ações,
01:20não somente domésticas, conforme eu mencionei, de grande impacto internacional,
01:25mas decisões que fizeram com que a gente mudasse o cenário e os debates,
01:30as questões a serem discutidas mundo afora.
01:34Outros fatores importantes que a gente pode trazer aqui são o prolongamento da guerra da Ucrânia,
01:40com o aumento de pedidos, de solicitações feitas pela Rússia para que houvesse uma composição
01:47e também outros que têm aí se tornado grandes players no debate acerca de questões mundiais,
01:56como é o caso de Israel, que fez, acabou fazendo uma composição inesperada com o Irã
02:01e também o seu acordo de paz ainda incipiente, ainda não totalmente concretizado com o Hamas.
02:09Então eu acho que esses são os fatos principais internacionais.
02:13Mas pegando aí Donald Trump, que realmente de longe trouxe as principais mudanças no cenário mundial.
02:21O tarifaço, esse aumento de tarifas, essa decisão na mudança no comércio,
02:28não somente norte-americano, no comércio mundial,
02:31realmente é uma mudança muito diferente do que tínhamos anteriormente.
02:37A gente já esperava que com Donald Trump as alterações em relação à China seriam substanciais,
02:44já que a ascensão da economia chinesa traz muitos desafios para os Estados Unidos.
02:50Desafios geopolíticos, a presença chinesa pode trazer para os Estados Unidos
02:56uma diminuição no seu protagonismo mundial e diretamente de competidor.
03:01A China hoje em dia disputa mercados com os norte-americanos que não estavam somente relacionados
03:08a produtos mais básicos ou produtos semi-industriais e industriais.
03:15Mas hoje em dia a China compete contra os Estados Unidos em produtos de alta tecnologia.
03:22Isso não se esperava alguns anos atrás.
03:24Esperava-se uma China com grande parque industrial, abastecendo o mundo de produtos manufaturados,
03:31mas a China hoje em dia não é somente isso.
03:34Ela surpreende em termos tecnológicos e é uma competidora contra os Estados Unidos nesta esfera.
03:42Então Donald Trump tomou decisões em relação à China,
03:46mas o mais importante em relação às surpresas que nós tivemos
03:51é que ele mudou a tabela, ele mudou a régua do comércio mundial.
03:57Houve uma sobretaxa mundo afora, em alguns casos em termos mais substanciais,
04:02como no caso do Brasil, onde chegou a ser 50% para uma gama muito grande de produtos.
04:08Isso acabou sendo reduzido no transcorrer do tempo.
04:11A mesma coisa em relação à China e muitos outros.
04:14Então essa grande mudança na tabela internacional do comércio.
04:18E isso traz para nós uma reflexão interessante,
04:22porque um mundo que viveu o processo da globalização,
04:25que mudou os eixos de produção,
04:27fez com que os Estados tivessem mais inter-relação comercial,
04:32mudando os parques industriais para a Ásia e para os Estados Unidos,
04:37os produtos mais tecnológicos, os empregos mais sofisticados.
04:42Agora com essa mudança toda que Trump fez,
04:45pode ser que os Estados Unidos voltem pelo menos parcialmente a se reindustrializar.
04:51É uma grande mudança na matriz econômica do mundo todo,
04:55é a chamada desglobalização.
04:58Professor Bundy, em relação aos conflitos,
05:01a gente percebe um mundo muito fragmentado nesse sentido.
05:05Os Estados, como enfraquecimento da ONU para trazer a paz e o diálogo nessa situação,
05:13o presidente norte-americano tentou ganhar um protagonismo
05:17que ainda não teve sucesso na maior parte dele.
05:20Eu gostaria de saber do senhor quem que pode assumir esse papel
05:23para tentar reestabelecer essa paz mundial
05:25e se o Brasil tem chances também de mediar de alguma forma
05:29ou também ficará numa posição mais periférica.
05:34Ótimas colocações.
05:35Em relação à ONU, ela vem perdendo prestígio nas últimas décadas.
05:40Então a gente pode até fazer rapidamente aqui
05:42os fatos que fizeram com que ela perdesse protagonismo.
05:46O primeiro foi em 1991 a 1994,
05:50com o final da União Soviética e do mundo comunista,
05:54mundo socialista, mundo sobre influência soviética,
05:56a ONU perdeu o seu principal papel,
06:00que foi o de mediar os conflitos pós-segunda guerra mundial.
06:03Ela fez, realmente, ou teve uma atuação muito relevante naquele momento.
06:09Haja vista que nós tínhamos ali uma chance,
06:12inclusive de uma terceira guerra mundial,
06:14uma guerra de dimensões nucleares,
06:16com uma devastação do planeta, isso não aconteceu.
06:20O trabalho da ONU foi determinante naquele momento.
06:23Havia, aliás, um interesse por parte das potências
06:26em darem protagonismo à ONU.
06:28Então ela perdeu o prestígio no seu principal papel.
06:32Ela não conseguiu se reinventar.
06:34Depois nós tivemos, quando os Estados Unidos decidiram invadir o Iraque,
06:39e foi uma invasão sem autorização da ONU.
06:42Qual é o meu ponto aqui?
06:43Os Estados Unidos se sentiram onipresentes,
06:46a única potência mundial,
06:48e que poderiam tomar qualquer medida internacional
06:50sem autorização das Nações Unidas.
06:53Então, nova perda realmente substancial de protagonismo, de poder.
06:59Ela não foi consultada e ela não autorizou aquela invasão
07:05e os Estados Unidos tomaram a decisão independentemente dela.
07:09E agora, com o Donald Trump,
07:11onde ele não utiliza os organismos internacionais
07:15para nenhum tipo de resolução
07:17ou de encaminhamento dos conflitos mundo afora.
07:21Então ela vive o seu pior momento.
07:23Infelizmente, porque é óbvio que o mais interessante para o mundo todo
07:27era ter uma organização internacional
07:29onde os Estados, todos os países, tivessem palco,
07:32tivessem ali condições de fazer as negociações
07:36e construir grandes políticas mundiais.
07:38Infelizmente, a ONU não está nesse papel.
07:41Bom, quem tem atualmente esse protagonismo?
07:43Os Estados Unidos tentam avocar para si,
07:46mas eles vivem em uma situação
07:48onde a Rússia tenta se reposicionar em termos geopolíticos.
07:52A invasão da Ucrânia é o maior demonstrador desse fator.
07:57Então, há sim uma disputa.
07:59A União Europeia, que poderia também ser um grande ator,
08:02também não vive os seus melhores momentos,
08:05apesar da sua importância econômica em conteste,
08:08o fato é que a União Europeia também perde grande parte do seu poder
08:14e não busca reconquistar um novo cenário internacional.
08:18Se buscasse isso, teria já feito acordo com o Mercosul,
08:22só para a gente dar um exemplo do que ela poderia fazer.
08:25E aí nós temos a China,
08:27que apesar de não interferir nas grandes questões internacionais,
08:30ela aumenta o seu poder econômico,
08:34o seu poder geopolítico,
08:36com acordos feitos, elaborados entre a China e países em específico.
08:42Então, se a gente quiser pegar aqui um maior exemplo disso,
08:45é a África, onde a China já fez acordos com a maior parte dos países
08:49para ser abastecida de matérias-primas.
08:53Então, na África, ela já é a principal potência.
08:57Mas em termos geopolíticos, ela ainda não busca,
08:59mas eu tenho certeza que em algum momento ela fará,
09:03esse poder geopolítico.
09:05Então, ela não é um player nesse aspecto,
09:07em termos de grandes políticas mundiais,
09:09mas um dia ela vai chegar lá.
09:11Então, nós temos os Estados Unidos ainda,
09:14apesar dessas disputas com outras potências,
09:16como eu mencionei,
09:17como sendo esse grande ator.
09:19E o Brasil, ele poderia ser a potência regional,
09:23e isso não diminui o que nós somos.
09:25A gente não pode buscar ser uma potência global,
09:28porque a gente não tem os requisitos para isso,
09:30mas ser uma potência na América Latina não é pouca coisa.
09:35É muito importante.
09:36Então, a gente tem que ter consciência disso.
09:37Mas acho que, infelizmente,
09:39não é o que a gente tem construído.
09:41Vamos dar um exemplo aqui,
09:42que é o caso da Venezuela,
09:44onde o Brasil acertou,
09:46o governo atual acertou em criticar
09:48a apuração eleitoral naquele país,
09:50que realmente foi fraudulenta.
09:52O Brasil não reconheceu o governo de Nicolás Maduro
09:56e exigiu o tempo todo a apresentação das atas.
09:59Então, naquele momento em específico,
10:02acredito que o Brasil teve um papel relevante.
10:05Mas no segundo momento,
10:06que foi o de não aceitar a continuidade
10:09do governo de Nicolás Maduro,
10:11esse governo ilegítimo,
10:12inclusive autocrático,
10:14e para muitos ditatorial,
10:15isso faz com que a gente perca esse protagonismo.
10:19Então, você veja que nas discussões
10:21que estão acontecendo
10:22sobre o futuro do governo da Venezuela,
10:25onde os Estados Unidos estão pressionando
10:27de sobremaneira aquele país,
10:30o Brasil não tem papel.
10:31Então, acho que a gente tem que refletir, sim,
10:34sobre como a gente pode participar mais
10:36do cenário internacional.
10:38Então, acho que para o Brasil
10:39é um grande momento de reflexão.
10:41Professor Manuel Furreala,
10:43muito obrigado pela participação do senhor.
10:45Nesse 31 de dezembro,
10:47foram tantas participações,
10:48muita saúde para o senhor,
10:50sucesso em 2026.
10:52Feliz Ano Novo para o senhor.
10:54Um ótimo ano para vocês
10:55e parabenizo pela programação internacional
10:59da Jovem Pan,
11:00aliás, com muitos furos.
11:02A gente percebe que em vários aspectos
11:04foi a Jovem Pan a primeira a noticiar
11:06no Brasil grandes fatos.
11:08Só vou dar um exemplo aqui,
11:10o atentado contra Donald Trump,
11:13onde ele tomou aquele tiro
11:14que pegou de rascão na orelha,
11:16a primeira a noticiar no Brasil
11:18foi a Jovem Pan.
11:19Obrigado, professor.
11:20Um ótimo ano para o senhor.
11:21Até mais.
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