Pular para o playerIr para o conteúdo principal
O programa Jornal da Manhã desta quinta-feira (01) contou com a participação do professor de relações internacionais Marcus Vinicius de Freitas para debater as expectativas para os conflitos ao redor do mundo em 2026.


Assista ao programa completo:
https://youtube.com/live/9t7IBnLc780

Canal no WhatsApp:
https://whatsapp.com/channel/0029VaAxUvrGJP8Fz9QZH93S

Baixe o app Panflix: https://www.panflix.com.br/

Inscreva-se no nosso canal:
https://www.youtube.com/c/jovempannews

Entre no nosso site:
http://jovempan.com.br/

Facebook:
https://www.facebook.com/jovempannews

Siga no Twitter:
https://twitter.com/JovemPanNews

Instagram:
https://www.instagram.com/jovempannews/

TikTok:
https://www.tiktok.com/@jovempannews

Threads:
https://www.threads.net/@jovempannews

Kwai:
https://kwai.com/@jovempannews

#JovemPan
#JornalDaManhã

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:00Conhece o mundo, aguarda por um possível acordo de paz entre a Rússia e a Ucrânia.
00:05Vamos conversar agora com o professor de Relações Internacionais, Marcos Vinícius de Freitas.
00:11Professor, muito bom dia ao senhor, prazer tê-lo conosco aqui.
00:15Feliz Ano Novo para o senhor, um ótimo ano também, com muita saúde, realizações.
00:21Professor, essa questão aí já estamos chegando quase no quarto ano praticamente, né?
00:26O senhor vislumbra agora uma solução, claro que vai ser muito negativa para a Ucrânia, mas poderá haver uma solução.
00:33Seja bem-vindo.
00:35Bom dia, é um prazer conversar com vocês, um feliz 2026, não é?
00:38É um conflito que já se arrasta há bastante tempo.
00:43Nós vemos aí uma diminuição cada vez maior do interesse dos Estados Unidos na manutenção deste conflito.
00:50Afinal, Washington conseguiu algumas coisas em razão deste conflito.
00:55Em primeiro lugar, manteve ali uma luta por procuração, uma guerra por procuração contra um inimigo de Washington, que é a Rússia.
01:05E também, por tabela, a própria China nesse processo todo.
01:09Em segundo lugar, eles conseguiram fazer com que os países membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte, da OTAN,
01:19passassem a gastar mais dinheiro na aquisição de equipamentos militares,
01:25em razão do aumento do seu compromisso com defesa,
01:28e com isso subir aí o incremento no número de aquisições de armas fabricadas pelos Estados Unidos.
01:37Em terceiro lugar, reduziu aí a questão da dependência dos europeus com relação à Rússia,
01:46uma redução que foi prejudicial aos europeus,
01:49mas que com certeza aumentou a relação comercial entre Estados Unidos e Europa no aspecto de energia.
01:58Então, quando o Zelensky olha para essas três consequências,
02:02que já conseguiu aí fazer com que os Estados Unidos alcançassem o sucesso que pretendiam nessa operação,
02:09ele se encontra numa sinuca difícil, num momento difícil,
02:15justamente porque passa a perder apoio dos Estados Unidos,
02:19que é o seu principal fornecedor de equipamento,
02:23e nota que a Europa, apesar de todo o discurso de querer aí manter a guerra,
02:30se vê basicamente incapacitada na sua possibilidade de manter um conflito armado contra a Rússia.
02:38E aí se utiliza de toda uma retórica nesse processo.
02:42Então, Putin sai desta situação como um grande vencedor,
02:46e Zelensky perde aí, não somente o território,
02:50mas a Europa também perde, junto com essa situação,
02:54o seu reconhecimento com uma potência global.
02:59Professor, para além aí desse conflito entre Rússia e Ucrânia,
03:03a gente acabou de exibir uma reportagem falando também
03:07de uma tensão que existe ali entre a China e Taiwan.
03:10No mundo como um todo, 2025 foi marcado por mais conflitos?
03:16E qual é a preocupação que isso traz para a gente para 2026?
03:21Contrariamente ao que todo mundo fala,
03:23eu acho que a gente vive num mundo que,
03:26apesar de nós termos potências nuclearmente armadas,
03:30nós temos uma situação muito mais pacífica do que era o mundo
03:33no período entre guerras há um século.
03:37Então, nós vemos que nesse sentido a situação global
03:40tem aí estes elementos de discórdia que podem,
03:45e aqui é a grande preocupação, eventualmente tornar-se nucleares,
03:49mas o que nós observamos é que as potências nuclearmente armadas
03:52têm aí tentado impedir que o conflito escalasse.
03:57Então, você vê, nesses quatro anos,
04:00nós vimos várias vezes o presidente Putin
04:02falando a respeito de uma escalada nuclear
04:05e jamais acontecendo, inclusive por imposição ali
04:08do apoio de Pequim à sua ação dentro da guerra da Ucrânia.
04:14E nós notamos também que existe uma contenção,
04:17por exemplo, na parte da Rússia,
04:19no sentido de não querer expandir a guerra
04:22para atingir os países membros da OTAN,
04:24o que já poderia ter acontecido,
04:26até mesmo por eventuais erros militares,
04:30que podem acontecer numa situação dessa.
04:32Então, eu acho que existe, por parte das potências globais,
04:37uma compreensão de que uma guerra mundial seria extremamente danosa,
04:41e por essa razão, eles têm sido mais contidos neste processo.
04:45Agora, isso não impede que haja aí estes conflitos de procuração,
04:51e particularmente levando em consideração
04:52que nós observamos um declínio geopolítico dos Estados Unidos,
04:57e que neste governo Trump tenta reverter isso,
05:01mas que com as medidas adotadas,
05:04simplesmente faz com que este declínio ainda se acelere mais,
05:08porque passa a ver os Estados Unidos como uma potência
05:12não de paz, como sempre os americanos quiseram reafirmar-se
05:16dentro de um contexto global depois de 1945,
05:20mas um dos grandes responsáveis por manter conflitos em áreas
05:24onde não deveria acontecer.
05:26Vida a situação da Venezuela,
05:27vida os outros conflitos que vão acontecendo pelo mundo,
05:30e particularmente a grande deterioração dos Estados Unidos,
05:34de sua imagem global,
05:35em razão do apoio à ação do primeiro-ministro Netanyahu em Israel,
05:40que prejudicou muito a imagem global dos Estados Unidos.
05:44E isso foi reconhecido, inclusive, pelo próprio presidente Trump,
05:47quando esteve no parlamento em Israel,
05:50dizendo que você não pode brigar com o mundo
05:54e chega uma hora que você precisa buscar a paz
05:57justamente para criar uma percepção global mais positiva.
06:02Professor Marcos Vinícius,
06:04agora a pergunta do nosso comentarista Fábio Piperno.
06:08Inicialmente um grande 2026,
06:10o meu grande amigo Marcos Vinícius,
06:12que já está no ano de 2026 há muito mais tempo que nós,
06:1612 horas à frente.
06:18Mas, Marcos, eu concordo com as tuas análises,
06:21mas eu queria te perguntar uma coisa.
06:24Do ponto de vista dos perdedores,
06:27me parece que até aqui,
06:29principalmente em função,
06:32como consequência,
06:33da guerra lá na Ucrânia,
06:36a Europa até aqui teria sido a grande derrotada,
06:40até, não tanto do ponto de vista militar,
06:42mas principalmente porque
06:44Trump obrigou, por exemplo,
06:47a Europa a ampliar os seus gastos com defesa
06:52para até 5% do PIB
06:54no momento em que a economia europeia
06:56está extremamente fragilizada.
06:58E eu gostaria de saber de você
07:00se a gente não vive um momento em que,
07:03por enquanto, pelo menos,
07:06a escalada retórica,
07:08ela é muito mais grave do que as ações de fato.
07:13Porque quando o Xi Jinping fala claramente
07:16em anexar Taiwan,
07:18a pátria-mãe,
07:20quando o Trump estaciona
07:22boa parte da sua frota marítima
07:24nas costas da Venezuela,
07:26e quando o Putin ameaça expandir o conflito,
07:30eles estão acenando para fatos extremamente graves,
07:35mas que, por enquanto,
07:36não ultrapassaram o campo retórico,
07:38felizmente.
07:40Bom dia, Fábio.
07:41Um prazer conversar com você sempre.
07:43Um feliz 2026.
07:45A sua análise é correta,
07:47mas a gente tem que levar em consideração,
07:50em primeiro lugar,
07:50que a nenhum desses três,
07:53Estados Unidos,
07:54Rússia e China,
07:56interessa um conflito global.
07:59Para os chineses,
08:00e você usou o termo anexar,
08:03o termo não é este,
08:06porque desde que a China voltou
08:10ao contexto global
08:12e às Nações Unidas,
08:14existe um reconhecimento
08:16de todas as nações.
08:17nas Nações Unidas
08:18aos 193 países
08:20e que existe uma só China.
08:22E que Taiwan é uma província da China.
08:25Então, você tem aí
08:26uma meia dúzia de países
08:27que ainda mantém relacionamento diplomático
08:30com Taiwan,
08:31mas nós sabemos
08:32que isso não é sustentável
08:34no longo prazo
08:34e que a China
08:35clama isso
08:37porque faz parte
08:38do contexto histórico
08:39de reconstrução
08:40de uma só China,
08:42não é?
08:43Embora pode reconhecer
08:45que eventualmente
08:46na reincorporação
08:47de Taiwan
08:48a China
08:49você terá ali
08:50aquilo que eles aplicam
08:52em Hong Kong
08:52de um país
08:53com dois sistemas.
08:54Então,
08:55é um assunto doméstico
08:57para a China
08:58e por essa razão
08:59que a relação
09:00com os Estados Unidos
09:01se torna conflitiva
09:02porque a China
09:03entende isso
09:04como uma intervenção
09:05nos seus assuntos domésticos.
09:08Agora,
09:08por outro lado,
09:09na questão da Rússia
09:10você tem
09:11um aspecto
09:12de direito internacional
09:14e de ruptura
09:15do direito internacional
09:16uma vez que
09:18desde 1945
09:19se estabeleceu
09:20que não poderia haver
09:21mais guerras
09:23para ampliação
09:24territorial
09:24mas somente
09:25em questão
09:26de legítima defesa
09:27ou quando autorizado
09:28pelo Conselho de Segurança
09:29das Nações Unidas
09:30que não é o caso.
09:33Mas,
09:33depois da guerra
09:34do Iraque,
09:35viu, Fábio,
09:36aquela história
09:37do presidente Bush
09:38de querer fazer
09:39uma ação preemptiva
09:41sob a alegação
09:42de que eventualmente
09:43poderia ser atacado
09:44Putin utiliza
09:46a mesma lógica
09:47e também foi repetida
09:48por Netanyahu
09:49na questão
09:49da agressão
09:50ao Irã
09:52justamente dizendo
09:54que diante
09:55da possibilidade
09:56eventual
09:56de um ataque
09:57que não se sabe
09:58quando vai acontecer
09:59você toma
10:00o território
10:01e você faz
10:02uma ação militar
10:02nesse processo.
10:03Então,
10:04a ação ali
10:05da Rússia
10:06é de acordo
10:07com o direito internacional
10:08totalmente legal
10:10mas reconhecida
10:12também
10:12por muitas
10:14analistas
10:16que de alguma forma
10:17Putin teria
10:19legitimidade
10:20para fazer isso
10:21porque
10:21a Ucrânia
10:23se encontra
10:24dentro da sua
10:25esfera de influência
10:26e obviamente
10:27que se nós
10:27observássemos
10:28uma situação
10:29semelhante
10:30do México
10:32querendo tornar-se
10:33parte de uma
10:34aliança militar
10:34com a China
10:36ou com a Rússia
10:37os Estados Unidos
10:38provavelmente
10:39teriam uma ação
10:40muito semelhante
10:42nesse processo
10:42e na questão
10:43venezuelanda
10:44você tem aí
10:45um outro absurdo
10:47porque não existe
10:48um conflito
10:49entre Estados Unidos
10:50e Venezuela
10:51Trump tentou vender
10:53inicialmente
10:54como uma questão
10:57de drogas
10:58e ficou apurado
11:00e todo mundo
11:00reconhece isso
11:01e muita gente
11:02que disser
11:02o contrário
11:03é porque não viu
11:04a análise
11:05que existe
11:06nesse sentido
11:06a Venezuela
11:07não é um país
11:08que é o principal
11:09exportador de drogas
11:10mas é um ponto
11:11ali de troca
11:13de embarcação
11:15esse tipo de coisa
11:16mas não chega
11:17a ter um impacto
11:18enorme
11:19dentro dos Estados Unidos
11:20e a gente sabe
11:21que a questão
11:22de drogas
11:23tem muito a ver
11:23com os erros
11:24da política doméstica
11:26uma vez
11:27que precisa se combater
11:28também
11:29o consumo
11:30da droga
11:31no
11:32que recebe
11:34no consumidor
11:36porque se você olhar
11:37China e Rússia
11:38não tem os mesmos
11:39problemas
11:39da mesma maneira
11:40que os Estados Unidos
11:41com relação
11:42a entrada
11:44de drogas
11:45nos países
11:45e por essa razão
11:47ele não conseguiu
11:48justamente convencer
11:50de que a questão
11:51da Venezuela
11:52era a de drogas
11:53aí ele partiu
11:54para um discurso
11:55da tomada
11:56do petróleo
11:57que inicialmente
11:58ele chamou de lixo
11:59mas depois
12:00entendeu que talvez
12:00fosse interessante
12:01para os Estados Unidos
12:02terem o controle
12:04da maior reserva
12:05de petróleo
12:06do mundo
12:06só que novamente
12:07enfrentou aí
12:08o problema
12:09de que as empresas
12:09de petróleo
12:10não gostariam
12:11de entrar
12:12numa Venezuela
12:13porque mesmo
12:14após a troca
12:16de regime
12:16você sabe
12:17que terá aí
12:18um período
12:18longo
12:18de instabilidade
12:19então
12:20a flexão
12:22de músculo
12:23que Trump faz
12:24aqui na questão
12:25da Venezuela
12:26é justamente
12:27dentro daquele
12:28contexto
12:28da doutrina
12:30de segurança
12:31dos Estados Unidos
12:32em que ele quer
12:32garantir aí
12:33que China
12:34que é eventualmente
12:36o maior
12:36a maior presença
12:38econômica
12:38na América
12:39do Sul
12:40se sinta aí
12:42de alguma forma
12:43ameaçada
12:44nesse processo
12:45todo
12:45então
12:45são interesses
12:47e objetivos
12:47diferentes
12:48e claro
12:49que nesta
12:49situação toda
12:50nós vimos
12:51que a Europa
12:52se enfraqueceu
12:53cada vez mais
12:54mas também
12:55os europeus
12:55não tem muitas
12:57possibilidades contrárias
12:58porque existe ali
12:59infelizmente
13:01uma relação
13:02de vassalagem
13:03entre Estados Unidos
13:04e os países europeus
13:05particularmente
13:06pela presença militar
13:07dos Estados Unidos
13:08em vários países europeus
13:10conversamos com
13:11o professor
13:12de relações
13:12internacionais
13:14Marcos Vinícius
13:15de Freitas
13:15professor
13:16mais uma vez
13:17muito obrigado
13:17pela sua participação
13:18que ao longo
13:19deste ano
13:20a gente volte a conversar
13:21muitas vezes
13:22feliz ano novo
13:23para o senhor
13:23até a próxima
13:24eu que agradeço
13:26um feliz ano novo
13:26para todos nós
13:27até a próxima
Seja a primeira pessoa a comentar
Adicionar seu comentário

Recomendado