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No programa "Só Vale a Verdade" desta semana, o historiador Marco Antonio Villa recebe o economista Felipe Salto, ex-Secretário da Fazenda de SP.
Neste corte, Salto explica como as decisões macroeconômicas impactam diretamente a vida do cidadão e questiona o rigor das metas atuais: "Quem foi que disse que tem que ser 3% de inflação?". O especialista defende uma visão equilibrada para o país, afirmando que o desafio real é "ter controle da inflação com crescimento econômico", sem sufocar o desenvolvimento.

Confira o programa na íntegra em: https://youtube.com/live/s7KT_s3lwJU

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Transcrição
00:00Mas, marcada pela política, por decisões políticas, Felipe Salto, que eu queria saber da sua opinião, ou seja, nós temos essa questão que veio desde o plano real, júri câmbio e tal, isso não é, e é claro, e há uma enorme transferência de capitais para o setor, ou os rentistas, grosso modo, como se fala.
00:21Bem, e não investido em questões como capital produtivo, mas vamos pensar o seguinte, tudo isso para, claro, ninguém quer voltar, em 1993 a nossa inflação, acho que foi 2.450% anual, você imagina quem nos acompanha, você mais jovem, o que significa isso? Uma loucura, ninguém quer, não pensa nisso, mas por outro lado, então vamos começando pela inflação, por que determinar que tem que ser 3% a inflação?
00:47Se ela for 4%, vai acabar o mundo, 4,5%, e com isso é necessário conter atividade econômica, e o terceiro trimestre mostra isso, dá a impressão para mim.
00:58E aí você, consequentemente, segura a economia, trava a economia e por tabela prejudica indicadores muito favoráveis macroeconômicos, a questão do emprego, nós tivemos a menor taxa desde a série histórica, que é de 2012, a massa salarial e por aí vai.
01:13E em uma forma mais concreta, não no economês, melhorar a vida das pessoas, elas poderem comer mais, porque a primeira questão que os mais pobres, que a maior parte da população brasileira quer é comer,
01:25tanto que vai no supermercado e fica feliz para poder comprar o iogurte que deixou de comprar devido à perda do seu poder aquisitivo.
01:32Então, o que me irrita, e essa semana eu fiquei mais irritado com isso, é que as pessoas falam com a tranquilidade que precisa segurar a atividade econômica, aumentar, portanto, o desemprego,
01:45diminuir a massa salarial para controlar a inflação.
01:47E por isso que a taxa de juros cada vez mais alta é um instrumento para isso.
01:50E essa pessoa, quando falou, eu fiquei olhando para ela, eu falei assim, acho que ele vai num restaurante, pede um bife Wellington com pistache, custa 600 reais, que dá 40% do salário mínimo, mais ou menos.
02:03Quer dizer, com que autoridade moral, ética ele pode falar isso?
02:09Então, isso me deixou profundamente irritado, mas deixa eu passar para você.
02:12Por que estabelecer o Q3 e aí se passou, tendem chegar a 3 para travar a economia, aumenta a taxa de juros, piora a vida das pessoas?
02:21Por que isso, economicamente falando?
02:23São várias questões interessantes aí.
02:25Primeiro que eu acho que há um distanciamento dos chamados economistas de mercado,
02:30que basicamente são os economistas ouvidos pela grande imprensa.
02:34Então, você pega a Folha de São Paulo, o Estadão, o Valor Econômico e o Globo,
02:39somos sempre nós, os mesmos, para falar que o fiscal vai acabar o mundo e que a dívida vai explodir.
02:45Outro dia até eu estava concedendo uma entrevista para um jornalista e, ao terminar a entrevista, eu falei,
02:50vocês vão entrevistar também o professor Beluso, o Bresser, pessoas que inclusive já vieram aqui no seu programa,
02:57para ouvir coisas diferentes de gente que tem história e que tem, muitas vezes, até muito mais conhecimento
03:04do que muitos que estão sendo consultados.
03:06E que tem uma coisa que é a sensibilidade social, que falta para nós economistas.
03:12Então, como é que você chega e diz na imprensa que nós temos que derrubar o PIB
03:16e aumentar o desemprego para que a inflação seja controlada?
03:21Espera um pouquinho.
03:23Qual é o objetivo da política econômica?
03:24Quem foi que disse que tem que ser 3% de inflação?
03:28Quer dizer, de onde saiu esse número mágico?
03:29Da cachola de nós sabemos quem na época que a meta foi definida.
03:33É claro, então, quanto menos inflação, melhor.
03:37Então, por que não põe zero, então, de inflação e joga o juro de 50%?
03:41É claro que não é isso.
03:42O que nós temos que ter é o controle da inflação com o crescimento econômico.
03:46A gente adora copiar os Estados Unidos, mas nisso a gente não copia.
03:50O Federal Reserve, que é o Banco Central americano, eles também têm o Comitê de Política Monetária,
03:56que é o FONC, na sigla em inglês.
03:58O que eles fazem?
03:59Eles têm dois objetivos.
04:02O emprego não pode ficar prejudicado e a inflação também não pode descontrolar, se descontrolar.
04:09Então, eles olham para as duas coisas.
04:12Tanto que a gente observa o discurso dos membros do FONC, do Comitê de Política Monetária
04:19lá do Federal Reserve, e o discurso deles tem sempre esses dois elementos.
04:23Não é essa sangria desatada de que, ah, meu Deus, a projeção de inflação está em 3,2%.
04:29Esse número é verdadeiro.
04:31É o número da projeção oficial do Banco Central para o que se chama de horizonte relevante.
04:37Então, lá em 2027, que é onde o Banco Central está olhando para controlar a inflação,
04:44já está em 3,2%.
04:46O que mais que a gente quer?
04:47Se a meta é 3%, então está na hora de começar a reduzir o juro.
04:52Agora, a meta tinha que ser discutida de uma maneira mais ampla.
04:56Tem gente muito séria, na academia, inclusive, no mercado, na opinião pública em geral,
05:03entre os economistas, que defende uma meta mais alta.
05:06Eu, por exemplo, defendo, porque o custo de você ficar buscando esses 3% é derrubar
05:13um processo de crescimento econômico que vinha muito forte e vinha muito bom nos dois primeiros anos.
05:18Não está bom uma inflação de 4, 4,5%.
05:20Está ótimo.
05:21Ninguém vai morrer por causa disso.
05:23Ainda mais porque a composição é boa.
05:25A inflação de alimentos está caindo.
05:27Aliás, você teve deflação por vários meses já.
05:30Teve uma expansão forte do lado da oferta, do agronegócio.
05:34Então, o que falta, a meu ver, no nosso modelo aqui é introduzir esse elemento do crescimento econômico
05:42como um objetivo explícito da política econômica.
05:46Não dá para ser só essa coisa de que o Banco Central, como dizia o Serra, com quem eu trabalhei,
05:50é a Santa Sé, e eles são os iluminados que dizem que a inflação tem que ser 3%
05:55e com os modelos estatísticos e tal, dizem que calcularam que a Selic ótima é a de 15%.
06:03Isso é uma balela.
06:04Não existe essa exatidão.
06:06Ciência econômica é uma ciência social, no máximo, uma ciência social aplicada.
06:11Não é engenharia, não é física, não é cálculo de resistência de materiais.
06:15Nós estamos lidando com variáveis que a gente tem que ter essa humildade.
06:20Elas são muito insondáveis, muitas vezes.
06:24Então, você dizer que, olha, a inflação vai ser 3,2% lá no segundo trimestre de 2027
06:29e a Selic ótima para atingir isso é 15%.
06:33Olha, isso é um disparate, né?
06:35Então, como é que muda isso?
06:37Eu entendo que, primeiro, o Conselho Monetário Nacional,
06:41que é uma instituição importante, que define a meta de inflação.
06:44Hoje, tem três pessoas lá.
06:46O presidente do Banco Central, a ministra do Planejamento, a Simone Tebet,
06:51e o ministro da Fazenda, o Fernando Haddad,
06:53e o presidente Gabriel Galípolo, do Banco Central.
06:56Eles três definem a meta de inflação.
06:58Será que faz sentido?
06:59Será que não deveria ter uma composição um pouco maior?
07:02No passado, nós já tivemos, e tivemos outros problemas por causa disso.
07:05Mas aí também era um assembleísmo, tinha sindicato, tinha isso e aquilo.
07:09Mas, primeiro, que eu acho que essa composição precisa ser um pouco mais representativa.
07:15Segundo, que o Conselho Monetário, o professor, talvez pudesse fazer discussões técnicas,
07:20acadêmicas mesmo, chamar o pessoal da academia brasileira, de fora,
07:26para ver o que está se estudando, qual é o estado da arte dos estudos sobre o modelo mais adequado,
07:31inclusive para a realidade brasileira.
07:34Eu não tenho dúvida de que 3% é um objetivo extremamente rígido
07:39e que acaba prejudicando, você acaba jogando a água do banho suja com o bebê junto.
07:46Então, vale a pena ficar com uma Selic tão alta?
07:50E não é só a Selic, é a curva de juros inteira.
07:53Porque, o senhor veja que, se pegar os títulos emitidos pelo Tesouro,
07:56os títulos públicos para financiar a dívida, eles estão saindo com juros reais de 7,5% ou 8%.
08:05Então, é o paraíso do rentismo, como o senhor citou essa palavra,
08:09que eu acho que tem uma conotação, às vezes até ruim, mas é isso.
08:16Quer dizer, você que tem poupança pode adquirir esses títulos e ficar tranquilo.
08:22Não tem como não ganhar dinheiro com isso.
08:25Agora, e o país, com esses juros exorbitantes?
08:28É claro que vai muito mal.
08:30Então, como é que muda?
08:31Eu acho que o presidente Lula errou lá em 2023 ao centrar fogo no Campos Neto,
08:37em vez de centrar fogo nesse debate da meta de inflação.
08:39Porque ali, no começo do governo, ele tinha a credibilidade necessária e tudo
08:45para poder dizer, olha, vamos chamar um debate sobre a meta de inflação.
08:49Vamos ouvir todo mundo, os liberais, os ortodoxos, os desenvolvimentistas,
08:53e vamos definir qual é o objetivo razoável para a nossa realidade.
08:59Você é a favor da autonomia do Banco Central?
09:02Eu sou a favor da autonomia operacional, como nós tínhamos desde 1999.
09:07Então, o Banco Central tem lá o seu corpo técnico, tem os diretores.
09:11Os diretores são indicados pelo presidente da República,
09:14inclusive o presidente do Banco Central também.
09:16Mas eu questiono muito essa coisa da independência total.
09:21Porque aquilo que a professora Maria da Conceição Tavares já falava,
09:24o próprio José Serra também falava, e outros economistas importantes,
09:29o Beluso, o professor Bresser Pereira, o Yoshaque Nakano,
09:32e outros que para mim são referências maiores,
09:35independente de quem e do que.
09:38E.
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