00:00Em meio à escalada da crise entre o governo e o Congresso, o presidente Lula tentou amenizar qualquer clima bélico entre os poderes.
00:09Repórter André Anelli, mais uma vez Brasília, aqui na Jovem Pan. Qual foi a declaração dele sobre a relação com o Congresso Nacional? André.
00:17É isso mesmo, Tiago. O presidente Lula disse ser grato aos senadores e deputados pela aprovação de projetos da pauta econômica enviados aqui pelo Executivo ao Parlamento.
00:32Segundo o presidente, não houve nenhum projeto importante do governo nesses três anos que não tenha sido aprovado e votado pelo Congresso Nacional.
00:40A colaboração, segundo Lula, veio de partidos que o apoiaram e fizeram oposição a ele nas últimas eleições, ou seja, ele teve apoio de todos os lados, segundo ele.
00:52Essas declarações foram dadas durante evento de inauguração da sede da Agência Brasileira de Promoção de Exportação, a Tex Brasil.
01:02Eu queria dar para vocês que eu sou muito grato a tudo que o Congresso fez por nós nesses três anos de governo.
01:08Tanto o Senado como a Câmara.
01:11Aquilo que eles não aprovaram, possivelmente porque a gente não teve capacidade de convencê-los a aprovar.
01:17Outras coisas que eram uma questão mais ideológica, aí é uma questão mais ideológica, é uma questão partidária.
01:22Mas na questão econômica, na questão do benefício desse país, o Congresso foi muito correto nesse tempo todo com o meu governo.
01:32Esses elogios foram feitos justamente depois daqueles protestos contra o Congresso no dia de ontem, motivados pela votação do projeto de lei da dosimetria,
01:46o projeto que reduz as penas de condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023 e pela tentativa de golpe de Estado.
01:53A Câmara aprovou essa proposta na semana passada, enviou o texto já ao Senado e o presidente Lula deu sinais de que vai vetar esse texto quando ele chegar, então, se ele chegar para sanção.
02:07Além disso, no Senado o clima é de insatisfação, continua esse clima de insatisfação contra o governo devido à indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal.
02:21O presidente da Casa, Davi Alcolumbre, tinha preferência por Rodrigo Pacheco e, por conta disso, os senadores aprovaram aquela regulamentação da aposentadoria especial de agentes comunitários de saúde e de combates a endemias.
02:37De acordo com a Fazenda, esse texto tem um custo superior a 20 bilhões de reais, essa medida, em 10 anos.
02:45Nenhum desses casos foi mencionado pelo presidente Lula, ele que aposta agora nesse distensionamento provocado pelo recesso parlamentar, para então aprovar Messias no STF e enfraquecer o projeto de lei da dosimetria.
03:01Tiago.
03:02É isso, André Anelli, falando desse afago do presidente Lula ao Congresso Nacional, mas será que é isso mesmo?
03:08Você voltar daqui a pouquinho, vou chamar a Dora Kramer, traduzindo politicamente.
03:13Você está até dando risada, né, Dora?
03:16Porque é morte e assopra, né?
03:18A gente ouve sempre essa expressão, morte e assopra.
03:21É exatamente o que está fazendo o presidente Lula.
03:25Lula, porque eu vou lembrar que dia 4 de dezembro, guardei a data, portanto, há pouco mais de 10 dias, ele fazia um discurso, dizendo que o Congresso, que o Congresso sequestrava o orçamento, que era um erro histórico.
03:41A questão das emendas representava um erro histórico, a despeito dele não ter feito um gesto, não ter aplicado um grão da habilidade política dele para mudar essa situação, para alterar essa relação com o Congresso.
03:56E aí, hoje, agora, o Congresso é muito grato.
04:00Gente, as manifestações de domingo, agora, de ontem, tiveram um mote.
04:06Um dos motes era Congresso inimigo do povo.
04:11Esse mote saiu do Departamento de Comunicação, digamos assim, a Secretaria de Comunicação, Ministério, coisa que vale, do Palácio do Planalto.
04:22Então, ora bolas, como assim?
04:24Uma hora o Congresso é inimigo do povo, outra hora ele faz, é muito, é muito correto, como diz o presidente Lula.
04:35Ela aprova tudo o que o governo quer no campo econômico, o que não é verdade também.
04:43Então, são gestos assim, que é claro, ele faz esse tipo de gesto, mas no Congresso, as pessoas, elas só acreditam naquilo que interessa a elas acreditar.
04:55E, no momento, não acreditam nem na franqueza, nem na sinceridade desse tipo de declaração, nem há interesse em simular uma credulidade nisso.
05:10Então, fica esse vai e vem que a gente deve sempre potejar com a realidade.
05:19E aí, a franqueza sai perdendo.
05:21Perdendo.
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