- há 7 semanas
Clóvis Prates, de 85 anos, participou da inauguração da TV Itacolomi, em 1955. Foi ator de teleteatro e, posteriormente, atuou como cinegrafista até se tornar diretor de programação.
Como parte do especial "TV Itacolomi: 70 anos", o Estado de Minas apresenta depoimentos de ex-funcionários da primeira emissora de Minas Gerais que permanece na memória de muitos mineiros que, entre 1950 e 1980, puderam acompanhar uma programação de excelência na dramaturgia, no esporte, no jornalismo e no entretenimento.
Como parte do especial "TV Itacolomi: 70 anos", o Estado de Minas apresenta depoimentos de ex-funcionários da primeira emissora de Minas Gerais que permanece na memória de muitos mineiros que, entre 1950 e 1980, puderam acompanhar uma programação de excelência na dramaturgia, no esporte, no jornalismo e no entretenimento.
Categoria
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NotíciasTranscrição
00:00Música
00:01Pelo 4 vamos ser um bang bang
00:13De mocinho e de bandido
00:17Vamos ser mais um filme de cowboy
00:20Valente e muito destemido
00:24Colvis, quais foram os caminhos que te levaram para a televisão, que te levaram para estar lá na inauguração da Eita Colomia?
00:36Bom, eu brinco sempre que eu nasci no meio do caminho entre um palco de teatro, uma redação de jornal e uma emissora de rádio.
00:47Meu pai era jornalista, foi jornalista da Folha de Minas durante muito tempo.
00:51Depois ele começou a escrever novelas para Inconfidência e mudou de vez para Inconfidência.
00:59E a minha mãe foi atriz de teatro, cantora lírica, etc.
01:03Então era muito difícil que eu fosse um engenheiro químico.
01:08E eu, desde criança, eu levado para os meus pais, eu comecei a fazer papéis de criança nas novelas,
01:17que era tudo ao vivo, tudo estúdio, etc. A tecnologia era completamente diferente.
01:22Nessa geração de hoje, não faz ideia de como era fazer rádio e muito menos televisão naquela época.
01:28E eu sei que isso, até minha mãe lembrava sempre, que eu subia num banquinho para chegar na altura do microfone,
01:34que o microfone não baixava o suficiente para mim.
01:39E aí eu convivia muito em estúdio, adorava o trabalho de contrarregra,
01:44que é aquele que fica fazendo os ruídos todos, desde cavalo até locomotiva, etc.
01:51E fui fazendo papel de ator, de criança, depois já de jovem, de adolescente.
01:57E aos 15 anos eu estava apresentando um programa infantil.
02:00E Palmeira Barbosa, que era uma radioatriz, ela um dia chegou para mim e, Clóvis,
02:09por que você não vai fazer um teste lá na televisão?
02:13Eu falei, não, o que é esse troço de televisão?
02:14Não, televisão, assim, assim, assim.
02:16O Milton Panze, ele está precisando contratar a gente, ator, etc.
02:22Ele falou, mãe, vai lá, faz um teste, não custa nada.
02:25E eu fui, né, obviamente, escondido do meu pai e da minha mãe,
02:29porque não sabia qual seria a reação deles e nem eu sabia direito o que seria uma televisão.
02:37E fui, chegou lá, me apresentei, etc.
02:41Já estava registrado lá, que a Palmeira tinha registrado, que eu ia marcar do horário.
02:46Ela me deu lá o papel para eu ler, interpretar, eu li isso e aquilo.
02:51Daqui, pouca, tá bom, chega.
02:53Eu falei, nossa senhora, levei bomba, né?
02:56Tá contratado.
02:57Como? Tá contratado.
03:00E eu de noite cheguei em casa e tinha que contar essa história para meu pai e minha mãe, com 15 anos, né?
03:07Aí contei e fui, larguei a Rádio Inconfidência e fui para a TV Itacolomi,
03:15onde começamos os ensaios, ensaiar, conhecer o que é um estúdio, etc.
03:19O pessoal da técnica todo, todo uniforme branco, aquelas arquitetas brancas.
03:24Técnica era uma coisa, artística era outra.
03:27E fui lá, ensaio, papel, isso, aquilo, com alguns colegas importantes.
03:35Até que chegou na inauguração.
03:36Inclusive, antes de falarmos da inauguração, como que foi isso de, vai lá fazer um teste para a televisão?
03:43Porque não tinha televisão. O que vocês achavam? O que você achava que seria?
03:46Não tinha televisão. A gente não sabia o que era televisão.
03:48A gente passava na Guanabara, que era ali na esquina do prédio da Itacolomi,
03:55e tinha aquela televisão só com aqueles códigos e tudo, e todo mundo esperando.
04:01Ninguém sabia o que ia ser direito essa televisão.
04:03Eram poucos os aparelhos. Ninguém tinha aparelho de televisão.
04:07E a gente foi aprender tudo lá.
04:12Não só nós, atores, como o pessoal da técnica, câmeras e tudo,
04:17estávamos aprendendo televisão lá, porque não tinha experiência.
04:21Essa experiência no Brasil era muito pouca, no Rio e São Paulo, e Belo Horizonte é a terceira cidade do Brasil
04:29a ter uma televisão, né, feita pelo Vitor Pooh, que foi um engenheiro brilhante, né.
04:40E aí foi, no primeiro, no dia mesmo da inauguração, teve um coquetel lá no edificio Agaiaca,
04:46lá naquele espaço, que durante muito tempo foi até uma boate lá.
04:50E no dia seguinte foi a minha estreia realmente ao vivo, porque antes era só ensaio, ensaio, ensaio,
04:57ao vivo, e não me lembro direito o que que era, mas eram coisas pequenas,
05:01e a coisa foi crescendo, foi crescendo, e continuei como ator.
05:05Fiz diversos programas, novela e tudo.
05:09Tem um parceiro importantíssimo, o Rogério Falabella,
05:13aliás, a filha dele ganhou dois prêmios.
05:18Agora, melhor atriz do ano, eu fui ver a peça,
05:22ela tem uma interpretação sensacional, tinha que ser filha do Rogério, né,
05:25que foi um teleator maravilhoso,
05:30depois fez muito teatro, trabalhou até uma época na Globo,
05:33e a filha dele puxou o talento dele.
05:35E nós dois éramos parceiros, amigos, né,
05:40ele me dirigia às vezes,
05:44que foi também um excelente diretor também,
05:48me dirigia às vezes,
05:50e eu dava meus palpites,
05:51e tem um episódio muito engraçado com ele,
05:53que numa luta de esgrima, nós fizemos um curso de esgrima,
05:57porque tinha uma, não era propriamente uma novela, né,
06:02uma série em que se passava no tempo lá dos esgrimistas,
06:08e nós aprendemos que lutar mesmo.
06:12E teve uma cena em que nós...
06:15E ele errou, e furou o cenário.
06:20Tudo ao vivo, né, aquilo, cenário de papel,
06:23tudo ao vivo, o público era pouco aí,
06:28naquela época não tinha críticas.
06:30Mas o Falabella é um dos maiores atores
06:34com quem eu participei, com quem eu trabalhei.
06:39E o que eram exatamente os teleteatros, assim?
06:42Eram peças clássicas, tinha...
06:44Tinha de tudo, tinha de tudo.
06:47Tinha algumas peças clássicas, realmente,
06:50em que levavam uma semana ensaiando,
06:52ele decora texto, etc., etc.,
06:54tudo absolutamente ao vivo.
06:57Errou, errou, não tem jeito.
07:00E tinha alguns programas,
07:03como programas musicais,
07:08programas humorísticos, muito.
07:11E vinha muita gente, inclusive do Rio e São Paulo,
07:13para participar de alguns programas aqui, né,
07:16cantores, etc., Doris Monteiro.
07:19Tinha atores e atrizes de fora também que vinham.
07:21Que vinham, vinham, participavam de algumas...
07:22de alguns programas aqui, humorísticos também.
07:28Nós exportamos muita gente também para o Rio e São Paulo.
07:32Você lembra de alguns nomes grandes, assim,
07:34da época que você chegou a contracenar,
07:35que vieram do Rio e de São Paulo?
07:37Que vinha e participou.
07:41Citei agora a Doris Monteiro, que ela veio fazer...
07:45Semanalmente, ela fez uma série de programas.
07:50E eu fui o cameraman dela, ficamos até amigos.
07:56Porque o clima era muito diferente,
08:00era um clima de amizade.
08:02Não havia nenhuma rivalidade, havia amizade, etc.,
08:05entre os atores, atrizes, convidados ou não,
08:09principiantes, sobre demais experiências,
08:11demais experiências transmitindo para os outros.
08:15Foi uma escola diferente do que é hoje,
08:19dos recursos que tem hoje.
08:21Mudou tudo, né?
08:22Dos recursos técnicos, etc.
08:26Nossa, tem tantos nomes para lembrar aqui.
08:29Depois eu até ponho a memória para funcionar
08:33e faço uma listinha dos nomes que vieram aqui
08:35para nos ajudar.
08:37Pois é, teve até alguém que eu conversei,
08:39não lembro se foi o Jackson, se foi outra pessoa,
08:41que comentou assim,
08:42a Itacolomia foi uma grande escola,
08:45mas eu não tive professores,
08:48porque estava todo mundo aprendendo junto.
08:50É exatamente isso.
08:52Exatamente isso.
08:53A gente aprendia junto, aprendia um com o outro,
08:55porque não tinha professor.
08:56Ninguém sabia de televisão.
09:00Muitos sabiam de teatro de palco, né?
09:03Minha mãe, por exemplo,
09:04foi uma bela atriz de palco,
09:07mas de teatro em televisão é diferente.
09:12No palco você trabalha num cenário
09:15com uma plateia que está lá para te aplaudir e tudo.
09:18Na televisão você trabalha em função da imagem
09:20que as câmeras vão pegar.
09:22E eram duas câmeras,
09:23no máximo três câmeras no estúdio.
09:25Não tinha esse negócio de
09:2730 câmeras,
09:28você grava simultâneo,
09:30depois vai editar tudo.
09:31Era ao vivo.
09:33Acertou, acertou, errou.
09:35O câmera errou, o câmera desfocou, etc.
09:37Não tem como voltar atrás.
09:39Depois, muitos anos depois,
09:41veio
09:41gravação, videotape, etc.
09:45Uma fita dessa largura aqui,
09:47que eles
09:48pesavam uma tonelada.
09:50e que começaram a gravar,
09:53e muita coisa gravada,
09:55muita coisa importante gravada,
09:57depois era desgravada,
09:58porque a fita era muito cara,
09:59não tinha fita no Brasil.
10:01Então, gravou o programa,
10:03mas isso já é uma segunda etapa,
10:05eu já não era mais ator.
10:07Porque aconteceu comigo um negócio muito engraçado.
10:09Todo mundo está por trás das câmeras
10:13e quer ir para a frente das câmeras.
10:17Eu passei
10:19três anos
10:21na frente das câmeras,
10:24apresentando programas,
10:26sendo ator,
10:28o apresentador, etc.
10:30e resolvi
10:32ir para trás das câmeras.
10:35Porque eu,
10:37primeiro,
10:37era um desafio.
10:40E, segundo,
10:40e mais importante,
10:41meu pai
10:42foi um grande fotógrafo também,
10:44além de autor,
10:45de teatro,
10:46de telenovela,
10:46ele exportava novela
10:47para todo mundo.
10:50Aliás,
10:51tem
10:51um detalhe
10:53importante,
10:57quando
10:57o Otávio Augusto Bampré
10:59veio,
11:01logo no começo da televisão,
11:03vou voltar um pouquinho atrás,
11:04se você me permite,
11:05porque é muito engraçada
11:07essa história.
11:09O Bampré,
11:11ele veio assumir
11:12a direção artística
11:13da TV Itacolomi.
11:15Isso foi em
11:16março
11:17ou
11:18abril,
11:19logo em seguida.
11:20Inaugurou em novembro,
11:21março e abril,
11:22ele veio assumir.
11:23E foi,
11:24teve um jantar
11:25um restaurante
11:27para todo mundo,
11:28para conhecer o novo
11:29diretor artístico,
11:30coisa importante
11:31que a gente precisava mesmo.
11:35Ele,
11:36depois,
11:36lá na mesa,
11:37eu sentado
11:38numa mesinha
11:38lá no fundo,
11:39com o convidado
11:41lá pelas tantas,
11:41depois que ele terminou,
11:42ele falou,
11:43quem aí é filho
11:44do Vicente Prates?
11:47Ele veio aquele susto,
11:48eu pensei,
11:51gente,
11:51o que eu fiz errado?
11:52O que meu pai
11:53fez errado?
11:54faz um favor
11:55para mim,
11:57fala com seu pai
11:57para me telefonar.
11:58Por quê?
12:00Porque
12:00meu pai e ele
12:02trocavam muita novela,
12:03mandavam script de novela,
12:05pelo correio,
12:06por tudo,
12:06para trocar novelas
12:08de papai,
12:08de rádio ainda,
12:09para lá,
12:10programa de televisão,
12:12e eles não se conheciam
12:14pessoalmente.
12:16E aí eu
12:17cheguei em casa,
12:18depois,
12:19falei,
12:20olha,
12:20conversar com você.
12:25Eu pedi para ele
12:26telefonar,
12:27eu conheço muito
12:28telefone,
12:28não sei o que,
12:29eu telefonou,
12:30ele,
12:30vem cá que você vai
12:31trabalhar na televisão.
12:33E meu pai foi,
12:35acertaram,
12:35meu pai estava
12:36na inconfidência,
12:37continuava na inconfidência
12:38lá,
12:39fazendo programa,
12:40escrevendo novelas,
12:41etc, etc.
12:42e acertaram,
12:45meu pai foi,
12:46tem que trazer a Leia,
12:47eu vi na minha mãe,
12:48que é a atriz,
12:49tá,
12:50claro,
12:50e aí,
12:54foi para a Colômbia,
12:56e muita gente acha
12:56que eu,
12:58por ser jovem,
13:00eles me levaram
13:01para a televisão,
13:02e foi quase o contrário,
13:04não fui eu que levei,
13:05eu apenas transmiti
13:06um convite,
13:08etc.
13:09Mas o seu pai,
13:10justamente,
13:10ele escrevia,
13:11teleteatro?
13:12Escrevia teleteatro,
13:13ele escreveu muito,
13:14a Garrafa do Diabo,
13:15que foi um dos grandes
13:16sucessos,
13:18era o,
13:19a história,
13:20o Vinícius de Carvalho,
13:22passava para ele,
13:24e o papai transformava
13:25aquilo,
13:26numa,
13:26numa peça de teatro,
13:28de,
13:29uma hora de duração.
13:32Garrafa do Diabo
13:32é um dos grandes
13:33sucessos,
13:34todo mundo lembra
13:35da Garrafa do Diabo,
13:36o papai escrevia,
13:37o papai escrevia muito,
13:38escrevia novelas,
13:39escrevia,
13:40mamãe fez um programa,
13:41musical,
13:42também Noites Mineiras,
13:44muito de folclore,
13:46etc.
13:47Então,
13:47eles tiveram uma participação
13:48grande, né?
13:51Mas,
13:52voltando a...
13:52só antes de tirar
13:54essa parte sua
13:54de teleteatro,
13:56nesses três anos
13:56que você ficou lá,
13:57você tem lembranças,
13:58talvez,
13:58da peça mais marcante
13:59que você fez?
14:02Olha,
14:02eu fiz tanta,
14:04tanta peça,
14:06tanto papel de galã,
14:08tanto papel secundário,
14:10o...
14:12eu não teve nenhum,
14:13assim,
14:14que tenha marcado,
14:17a que marca mais
14:17a minha lembrança
14:18é essa da esgrima
14:19que furou o cenário lá.
14:22como falar,
14:23outro dia ainda brinquei
14:24com ele,
14:25vamos fazer uma luta
14:27de esgrima de novo.
14:29O...
14:30Você lembra o nome dessa?
14:33Da série?
14:35Não lembro.
14:35Não lembro.
14:37Uns 70 anos.
14:4068,
14:41nessa época,
14:4169,
14:4367,
14:44sei lá,
14:44mas não lembro agora
14:46o nome de tudo.
14:47Eu tenho que me espirar.
14:48Eu tenho muita foto,
14:49muita coisa.
14:50Tenho uma caixa
14:51cheia de foto,
14:52cheia de...
14:55Mas...
14:56Mas o que você não falou,
14:57não tranquilo,
14:58eu estou aqui realmente
14:58estimulando,
14:59aí o que vier da sua memória
15:00veio...
15:01eu te falo.
15:04Mas aí você fez
15:05essa passagem,
15:06seu pai era um grande
15:06fotógrafo também
15:07e você decidiu...
15:08E eu resolvi
15:08para trazer as câmeras.
15:11E naquela época
15:12era tudo,
15:14como eu disse,
15:14artístico é uma coisa
15:15e técnica é outra,
15:17né?
15:19Aí o...
15:20Fernando Pássio,
15:22o Câmara,
15:23que foi o meu instrutor,
15:24etc, etc,
15:25ele foi instruído
15:26e ele me contou isso depois.
15:28Ai,
15:29esse troço,
15:29esse menino está querendo
15:30ser cameraman,
15:32que isso?
15:32Ele é artista.
15:33Aqueles troços assim,
15:34né?
15:35Do adulto machado.
15:38Mas era o conceito deles,
15:39depois mudou tudo, né?
15:41Dessa separação
15:42de técnica
15:43e artística, né?
15:44A técnica era
15:45uma casta
15:48privilegiada,
15:49o artista era o artista.
15:51Mas a minha ideia
15:53é que eu queria
15:53viver esse novo mundo, né?
15:56E o...
15:57Aí chegaram para ele,
15:58olha,
15:59o menino é bom, viu?
16:00O menino é bom,
16:01você...
16:01Não, vamos contratar ele.
16:04Mas ele é um artista.
16:05Vamos contratar ele.
16:07Então eu larguei
16:09e fui para trás
16:10das câmeras
16:11ser câmera.
16:11Eu ganhei o prêmio
16:12de melhor câmera
16:12três anos seguidos.
16:14Mas quem era da técnica
16:16era, digamos assim,
16:17uma casta
16:17acima de quem era artista?
16:19É,
16:19eles se consideravam
16:21isso, né?
16:21Técnica é...
16:23Porque aquilo tudo,
16:24televisão naquela época
16:26era muita técnica,
16:27muita técnica
16:28e que ninguém dominava.
16:30Quer dizer,
16:30aqueles equipamentos
16:31monstruosos, né?
16:33Um transmissor
16:34era uma coisa...
16:35Hoje é tudo
16:36menor,
16:38mais fácil,
16:38etc, etc.
16:39Mas existia
16:40esse conceito
16:41que depois,
16:42um tempo,
16:43ele acabou
16:44dentro da própria TV
16:45da Calomir.
16:45Mudou.
16:47E eu fui
16:47para ser câmera, né?
16:49Isso em 58.
16:51É,
16:51e isso...
16:52Depois,
16:55passei para a
16:57diretor de imagem.
16:58Depois de quatro anos.
16:59Fui chefe dos câmeras.
17:01Tinha a festa dos câmeras,
17:02a festa no mal dos câmeras.
17:03Era uma coisa
17:04muito engraçada.
17:05A gente tinha um clube
17:05só dos câmeras,
17:07para mim.
17:08E essa festa
17:09era sempre
17:10num local
17:11cheio com banda
17:11de música e tudo,
17:13vendia ingressos,
17:14lotava.
17:16Uma meninada,
17:17uma moçada,
17:17todo mundo queria ver
17:18as câmeras,
17:19porque os câmeras
17:20eram ídolos
17:21na época.
17:23A importância
17:24de um câmera
17:24naquela época
17:25era muito maior
17:26do que hoje, né?
17:27Hoje é só o artista
17:28que vai...
17:29Naquela época,
17:29o câmera
17:29era um cara
17:30importante,
17:32tinha um papel
17:32importante.
17:34E...
17:35E depois,
17:36quer dizer,
17:36eu fui
17:36ser diretor
17:37de imagem
17:38e eu trabalhei
17:40durante muito tempo
17:41enquanto eu era
17:43câmera e tudo,
17:44também agência
17:44de publicidade.
17:46Só uma coisa,
17:46nessa época
17:47sua de cameraman,
17:48você era cameraman
17:48de estúdio,
17:49era cameraman
17:50do jornalismo?
17:51Estúdio...
17:51Não, jornalismo
17:52eu nunca fiz,
17:52jornalismo,
17:53não.
17:55Era estúdio
17:56e externa.
17:57Caminhão de externa,
17:58ir, etc.,
17:59transmitir
18:00parada de 7 de setembro,
18:04etc.,
18:04era fácil
18:05o que era ali
18:05na frente
18:06do edifício
18:06que caiaca
18:07mesmo e tudo.
18:08E na Copa do Mundo...
18:10Nessa época
18:11não filmava, né?
18:13Não,
18:13não filmava as câmeras,
18:14não,
18:15tudo ao vivo,
18:15não gravava.
18:16Não gravava.
18:17Não gravava.
18:17Não gravava no sentido
18:19de também...
18:19É, é, é.
18:21Porque eu imagino
18:22que devia ser um desafio
18:23porque como você era câmera
18:24e fazia ao vivo,
18:25você nem tinha oportunidade
18:26de ver...
18:28Será que eu estou fazendo
18:29um montravo?
18:29Tipo assim,
18:29vou ver o que eu gravei,
18:31vou ver o que eu fiz
18:31para saber
18:32se eu estou fazendo bem.
18:33não via,
18:34porque é tudo ao vivo,
18:36não via, né?
18:38E teve,
18:38na Copa de 70,
18:41teve um...
18:43um episódio
18:44muito engraçado.
18:45Não,
18:4570 não.
18:47Antes.
18:47A primeira que o Brasil ganhou
18:49foi em 58.
18:51Foi antes
18:52que eu estava
18:55quando o Brasil ganhou,
18:56foi a primeira Copa
18:57que o Brasil ganhou.
18:58Em 58.
18:59Em 58.
19:00Nós passamos
19:01um tempão lá
19:02picando papel,
19:04eu, Bianchi,
19:05não sei o que,
19:05aquele saco de papel
19:06para se o Brasil ganhasse
19:08e a gente jogar
19:09por, etc.
19:11E televisão
19:12pouca gente tinha,
19:13então os telões
19:16não eram telões,
19:17era um televisor
19:18maior
19:20para transmitir,
19:21tudo com muito áudio,
19:23né?
19:25E quando o Brasil ganhou,
19:27eu passei muito tempo
19:28e pensei que o Brasil
19:29já fez um gol a menos,
19:30porque eu não vi
19:31por causa da barulhada,
19:31etc, etc.
19:33E eu travei
19:34duas rodas
19:35da câmera
19:36num trilho de bondes
19:38para pegar
19:40a papelada
19:41caindo lá do...
19:43E praticamente
19:45deitei no chão
19:46para isso.
19:47Quase que eu mato
19:48o Vitor Puro
19:49e o Adalto Machado
19:50lá,
19:50porque se essa câmera
19:51caísse no chão,
19:52mas não caiu.
19:55Eu levei uma bronca
19:56quando cheguei,
19:57não,
19:58mas para mostrar.
19:59E a imagem,
20:00me disseram,
20:01foi muito bonita a imagem,
20:02queria mostrar,
20:04mas não pode,
20:05você correu um risco
20:06danado,
20:07eu quase que
20:08sou demitido
20:09por causa da...
20:10E eram câmeras
20:11ainda gigantes.
20:11Pesadas,
20:1345 quilos,
20:14uma porcariazinha
20:15daquela.
20:16Eu empurrei muito
20:17essas câmeras.
20:19Mas o...
20:21Aí passou essa fase,
20:25eu fui para ser
20:27diretor de imagem
20:28e depois aí...
20:30Diretor de imagem...
20:32Você faz o corte,
20:33escolhe câmera 1,
20:34faz isso,
20:35você comanda as câmeras
20:36e corta,
20:38para uma câmera,
20:39para outra.
20:40Porque imagina que na época,
20:40por exemplo,
20:41não tinha ponto eletrônico
20:42para você conversar direto.
20:43Não, era fone.
20:44Fone?
20:44Fone.
20:45Fone,
20:46todo mundo de fone,
20:47o cameraman com fone,
20:48etc.
20:48Estou trancando.
20:51E daí,
20:53comecei,
20:54fui para assistente de...
20:58Foi quando eu larguei
20:59a agência de publicidade
21:01que eu achei que
21:01com o assistente
21:03do diretor de programação
21:05e depois
21:06chefe de programação,
21:08né,
21:09da TV Itacolombia,
21:10era...
21:11Não podia ser também
21:12trabalhar para uma agência
21:14de publicidade,
21:15porque...
21:15Conferência de interesses.
21:16É, então,
21:17larguei tudo,
21:18larguei a publicidade,
21:20o...
21:21Embora depois eu tenha voltado
21:22com a agência minha,
21:24até...
21:24Isso é outra história,
21:25não tem nada a ver.
21:27E comecei a fazer
21:29programas de televisão,
21:31né,
21:31tem algumas coisas,
21:32balona bem bolado,
21:35foi uma coisa,
21:36que pena que a gente
21:37não tenha esses programas.
21:38Você foi assistente,
21:40primeiro,
21:40assistente de direção
21:41de programação.
21:42É,
21:43eu era...
21:45Aí eu fui
21:46diretor de programação
21:47de...
21:51Aí,
21:53durante um bom tempo,
21:55até eu ir
21:55para a Bahia.
21:59Para fazer
21:59meio que temporal,
22:00você entrou em 55,
22:01em 58 foi câmera...
22:03Câmera,
22:04depois fui
22:04diretor de imagem,
22:06depois assistente de programação,
22:07depois chefe de programação.
22:10E eu tenho que
22:11falar aqui
22:12de um personagem
22:13que é importante
22:14para a televisão,
22:16foi muito,
22:17o José Vaz.
22:19José Vaz
22:20foi
22:20um professor,
22:22sabe,
22:23eu...
22:25Como diretor
22:26de programação
22:26de várias outras emissoras,
22:29eu fiz tudo
22:30como eu aprendi
22:31com o José Vaz.
22:32Ele tomava
22:33conta de tudo,
22:34assistia tudo,
22:35cobrava,
22:36a gente ficava lá,
22:37qualquer coisa,
22:38tocava o telefone,
22:39era muito diferente
22:40a comunicação naquela época,
22:42e muito em cima.
22:43O José Vaz
22:44foi um grande
22:46chefe,
22:47um grande professor
22:48para todos nós.
22:51Eu tenho que
22:52prestar essa homenagem
22:53a ele
22:54no sucesso
22:55da TV Itacolombia,
22:57o tempo todo,
22:58entre várias pessoas
23:00importantes,
23:02o José Vaz
23:02tem que ser
23:03destacado.
23:04Justamente
23:05você comentando
23:06que ele assistia
23:07programação em tudo,
23:08mas como que era
23:09esse processo
23:10de montar
23:11uma programação
23:12de TV?
23:12Porque,
23:13imagina que quando você
23:13entrou ainda não tinha
23:14concorrência.
23:15Não,
23:15não,
23:16já tinha concorrência.
23:18Já tinha concorrência.
23:19E uma coisa
23:20muito engraçada
23:21é como é que era
23:21o controle de audiência
23:23naquela época,
23:24o Ibope
23:24daquela época.
23:25Isso,
23:28o que a gente fazia?
23:30A gente combinava
23:31e dispunha lá no...
23:33Porque
23:34muito pouca gente
23:35tinha televisão.
23:38E,
23:39naquela época,
23:40o centro de BH,
23:41aquele entorno todo
23:42do edifício Acaiaca,
23:44eram
23:45residências nobres
23:47de gente que tinha
23:48televisão,
23:49e a televisão
23:49dava aquela claridade
23:51pelas janelas.
23:53E a gente tinha
23:54a TV Belo Horizonte,
23:56começou a concorrente,
23:58etc, etc.
23:59Qual é a estratégia
24:00que a gente usava?
24:02A gente combinava
24:02tudo.
24:03Ia um para uma janela
24:05para olhar para esse prédio,
24:06outro para cá,
24:06e a gente distribuía
24:07meia dúvida de pessoas
24:08ali nas sacadas
24:10da Acaiaca.
24:11E,
24:12em um determinado momento,
24:14a gente dava
24:15uma escurecida a isso
24:16de acordo com o...
24:19O que escurecia
24:20a tela
24:21no final de uma cena,
24:23de um programa,
24:24etc,
24:24e a gente ficava
24:25vendo onde
24:26que diminuiu
24:28o branco
24:28e depois voltou.
24:31A gente sabia
24:31que ali
24:32era telespectador
24:34da Itacolombia.
24:35Onde não
24:36diminuiu,
24:37continuou o branco
24:38é que estava assistindo
24:39a outra emissora.
24:40Mas a gente
24:40dava uma surra.
24:42Fazia as contas lá,
24:43ok,
24:43dos apartamentos,
24:4490% escureceu.
24:45Então,
24:45já sei que
24:46o programa
24:47estava um sucesso.
24:48Entendeu?
24:49Era assim
24:51que a gente
24:51te contava
24:52o sucesso
24:53de um programa.
24:54Era muito engraçado.
24:56E aí,
24:58na Itacolombia,
24:59o Balona Bem Bolado
25:00foi um grande programa.
25:04O...
25:04O trabalho de diretor
25:05o Balona Bem Bolado
25:08é um programa
25:09criado,
25:11eu e Balona,
25:12que inventamos tudo.
25:14Esse programa
25:15feito lá
25:15no aeroporto
25:18da Pampulha
25:18é histórico.
25:22Mas não temos, né?
25:24Nós fomos fazer
25:25um programa lá.
25:26Então,
25:26teve música
25:27Balona cantada
25:29na Torre de Controle,
25:30outra não sei onde,
25:31outra...
25:31E na pista.
25:33acertamos tudo
25:35com antecedência lá
25:36e bloquearam
25:37o aeroporto
25:39para a gente
25:40gravar
25:41na pista.
25:42Balona tocando aí
25:44eram com as câmeras
25:45Chibadeng já,
25:46importadas da China.
25:49E era
25:49uma câmera
25:50mais portátil.
25:51Foi com aquilo,
25:52tinha duas câmeras lá,
25:54a gente gravava
25:55e aí depois
25:56essa dava...
25:57Mas não tem mais.
25:59Então,
26:00o importante
26:00é que chegou
26:01antes a gente
26:02estava ainda
26:03preparado para ir.
26:05Um piloto
26:05falou,
26:06vamos fazer uma coisa?
26:08Um piloto de avião
26:09pequeno desses.
26:12Quando vocês forem fazer,
26:14nós vamos decolar
26:15e depois nós vamos voar,
26:16está um arrasante
26:17em cima de vocês.
26:18Não sei o que,
26:19pode a torre?
26:19Não,
26:20conversaram lá com a torre,
26:21pode autorizar.
26:23Então,
26:23tem isso.
26:24Tocando,
26:24a banda tocando,
26:25a gente filmando
26:26e o avião
26:26dando um arrasante.
26:29Então,
26:30coisas fantásticas.
26:31e uma outra
26:33foi uma madrugada
26:34inteira gravando,
26:37coisas que hoje
26:37você faz
26:38apertando três teclas
26:40e nós fizemos
26:43quatro balonas.
26:44Eu dirigindo,
26:45fui gravando
26:46de madrugada.
26:47Um balona tocando piano,
26:48um balona tocando...
26:49Quatro balonas
26:51sobrepostas.
26:52Grava um depois,
26:53grava outro.
26:53Então,
26:55essa foi uma das
26:57maiores experiências
26:59minhas
26:59como diretor
27:01de programa,
27:02etc.
27:02E tem alguns programas
27:03muito interessantes
27:04que nós fizemos.
27:05Quais que eram
27:06os maiores sucessos?
27:07Você lembra?
27:10Na área de jornalismo,
27:13tem o
27:13Além da Notícia,
27:15né?
27:17O Além da Notícia
27:18com o Jorge Norma,
27:20que foi um grande amigo
27:23meu também.
27:23Foi uma outra
27:24grande perda.
27:26Ele era
27:26jornalista,
27:29publicitário,
27:32homem de eventos.
27:33O Norman era um...
27:35Sou muito
27:36feliz de ter sido
27:39amigo dele,
27:39além de trabalharmos juntos
27:40e ter curtido
27:42uma amizade grande
27:43com ele.
27:44Mas era um programa
27:45de jornalismo
27:45diferente,
27:46porque naquele estilo
27:47do Norman,
27:48ele pegava as coisas
27:48que não...
27:50que não eram
27:51o importante
27:52da matéria,
27:53não sei o que.
27:54Na recepção
27:55do governador,
27:56etc.,
27:56que estava com uma
27:58gravata vermelha
27:59pinçada,
27:59não sei o que.
28:00Então,
28:01esses detalhezinhos.
28:02E tinha uma câmera,
28:02a gente,
28:03tudo ensaiado,
28:04marcado,
28:05eu com ele,
28:06com as câmeras,
28:06tinha uma câmera
28:07que ficava com ele
28:09sozinho no cenário.
28:10E a outra câmera
28:11eram os detalhes.
28:12Então,
28:12tinha,
28:13por exemplo,
28:14ele fumava,
28:15e naquela época
28:16se fumava no estúdio,
28:17o...
28:19tudo marcadinho,
28:21ele cortava
28:23a enclose
28:23no momento em que
28:24já estava acertado
28:25com ele.
28:25Ele ia lá,
28:25pegava o cigarro,
28:27cindia o cigarro,
28:27que era a enclose naquilo.
28:29Daqui a pouco,
28:30tinha um...
28:31cortando uma xícara
28:33para tomar o café,
28:35e com essas coisas
28:36que não tem
28:37nada a ver,
28:38né?
28:38Fulano de tal
28:39usava um vestido
28:41assim,
28:41assim,
28:41assim.
28:43Eu não garanto,
28:44não,
28:45mas metade das coisas
28:46também não eram
28:46tão corretas
28:49assim.
28:50Mas é um programa
28:51que marcou muito.
28:52Depois,
28:53com esse mesmo título,
28:54o programa
28:54prosseguiu.
28:57Mas já é
28:57com outro formato,
28:59era um jornalismo
29:00já mais jornalístico.
29:03como que era,
29:05porque
29:05Itacolomi fazia parte
29:07de uma rede,
29:08fazia parte da rede Tupi.
29:09Não tinha tecnologia
29:09de satélite de hoje,
29:11mas como que era
29:11a programação,
29:12assim,
29:13a maior parte
29:13era Itacolomi,
29:14tinha coisas que vinham
29:15de outros lugares?
29:16Não,
29:16depois do videotape
29:20é que isso começou
29:22a acontecer.
29:24Porque antes do videotape,
29:26aquelas fitas danadas,
29:27não tinha como.
29:29Porque a programação
29:30era toda ao vivo,
29:31ao vivo,
29:32ao vivo,
29:32e não tem,
29:32e não tinha
29:33a internet.
29:38A internet
29:39é uma novidade
29:40fantástica,
29:41não tinha.
29:42Depois eram aquelas,
29:43sabe,
29:44panelões de todo tamanho
29:46que transmitia
29:47para o alto humor,
29:47do alto humor
29:48transmitia para lá,
29:49etc, etc.
29:50Era um negócio
29:51bem diferente,
29:53né?
29:54Tanto para a técnica
29:55como para a artística.
29:57Mas não tinha,
29:58eram mais eventos
29:59que eram transmitidos assim.
30:00Tinha um sistema
30:01de micro-ondas,
30:02não era?
30:02Micro-ondas,
30:03é.
30:04Eu digo panelão,
30:05porque os micro-ondas
30:05eram aquele panelão mesmo
30:07que você tinha que montar um
30:08e as transmitiam para aquele outro
30:09que recebia e transmitiam para o outro lá.
30:12Porque não é que chega,
30:14uma micro-onda chega lá do Rio de Janeiro
30:17de uma vez, não.
30:17E depois,
30:18essa tecnologia foi evoluindo,
30:19evoluindo.
30:20Hoje a gente tem essa internet aí
30:21que, pô,
30:22quando você faz
30:23uma transmissão de futebol
30:26com 38 câmeras,
30:27eu lembro
30:28da época em que você tinha
30:30duas câmeras
30:31e olha lá.
30:33E subia com a câmera lá no
30:34Independência,
30:37antes de ser
30:38do América,
30:41e subia para transmitir de lá.
30:44E teve,
30:44isso era câmera ainda.
30:45e a gente transmitia,
30:48a Itacolomia transmitia
30:50o futebol
30:51sem pagar para os clubes,
30:53sem pagar para a federação,
30:54sem nada, né?
30:55É que eu tinha patrocínio nos clubes.
30:57É,
30:58mas,
30:59e aí,
31:00o Cruzeiro, por exemplo,
31:03se recusou,
31:04não queria,
31:06não autorizava mais transmitir
31:08e tudo,
31:08e o Cruzeiro ali no Barro Preto.
31:11Então,
31:12eu fui câmera,
31:13eu era câmera ainda nessa época,
31:15e nós fomos lá
31:18para transmitir um jogo
31:19do Cruzeiro,
31:22combinamos tudo
31:22com um apartamento lá,
31:26fomos para a janela do apartamento
31:27com uma câmera
31:27que pegava por trás o gol
31:30para transmitir o jogo.
31:33Bom,
31:35a partir daí,
31:36tinha cobertor,
31:37tinha tudo, né?
31:38Para impedir realmente
31:39essa transmissão,
31:41mas era a transmissão pirata
31:43da TV Itacolombia.
31:46Nós fizemos muita loucura.
31:47Que sensação.
31:48mas foi muito bom.
31:55Mas aí,
31:55o...
31:56Até te perguntar ainda,
31:58na parte do jornalismo,
31:59tinha o repórteresso.
32:01Tinha o repórteresso.
32:02O repórteresso,
32:02ele era feito aqui?
32:03Aqui.
32:05Aqui.
32:05Recebia...
32:06Recebia matérias de lá,
32:08etc.,
32:09mas era tudo daqui.
32:10Esse repórteresso nacional,
32:12foi depois,
32:13quando já tinha
32:14essa ligação por micro-ondas
32:16e tudo,
32:17mas no começo,
32:18era tudo aqui,
32:19tudo filme,
32:20tudo.
32:21E meu irmão Sérgio
32:21foi jornalista
32:23há muito tempo,
32:25foi diretor de jornalismo
32:26da Itacolombia,
32:28essa família toda
32:29meio televisão, né?
32:31Infelizmente,
32:32ele nos abandonou
32:34agora há três anos,
32:35já.
32:37Esse danado,
32:38desse...
32:38desse câncer aliado
32:40com...
32:41uma infecção.
32:45Bom,
32:46mas foi uma perda
32:47muito grande.
32:48Ele foi um grande nome
32:49no jornalismo
32:50da TV Itacolombia,
32:51também.
32:52E no começo,
32:53os noticiários eram aqui.
32:54Depois,
32:54o repórteresso virou...
32:56Quer dizer,
32:56quando já tinha microfona,
32:58micro-ondas,
33:00aí sim,
33:02já era transmitido...
33:04E aí mudou tudo, né?
33:06Começou a mudar
33:06a televisão toda, né?
33:09Completamente.
33:10Inclusive,
33:11em 65,
33:12quando inauguraram
33:12o videotape,
33:13você era diretor
33:14de programação?
33:15Não,
33:15primeiro com o videotape,
33:16porque o videotape,
33:17o que que aí?
33:18Aquelas fitas...
33:19A novela que passava,
33:21isso diminuiu muito,
33:23isso foi muito prejudicial
33:24para a programação local
33:25das emissoras.
33:27E para a evolução
33:29das outras emissoras.
33:31Porque tinha a novela
33:33que era produzida
33:34em São Paulo
33:35ou no Rio,
33:36então vinha de avião
33:38aquela fita
33:38de todo tamanho
33:39e a novela passava
33:4010 dias depois,
33:4315 dias depois,
33:44etc.
33:44Não tinha...
33:45E vai passando a novela
33:46e isso foi diminuindo
33:48a produção local
33:50das emissoras.
33:51Era esse espaço de tempo?
33:52Porque eu já ouvi
33:53que era 15 dias também,
33:54por exemplo,
33:55às vezes a morte,
33:56mas até aqui para Minas
33:57chegava com bastante tempo.
33:58É, mas chegava
33:59porque de São Paulo,
34:03fazia São Paulo,
34:04depois ia para o Rio,
34:04depois ia para cá.
34:06As fitas...
34:07Era a mesma fita normalmente.
34:09E ia, depois ia.
34:10Aquele trem pesado,
34:11despachado,
34:12depois ia para a Bahia
34:14ou ia para isso,
34:14para aquilo.
34:16Então, se por algum motivo,
34:17por exemplo,
34:18aqui fosse ter um plantão
34:19e a novela não fosse no ar,
34:20a próxima cidade fosse exibir,
34:22já ia ter um atraso,
34:23já ia ter um pulo.
34:23Não, isso tem...
34:25Mas tinha.
34:26Agora, tem algumas coisas
34:28que eu...
34:28Por exemplo,
34:29Sérgio Bittencourt,
34:30obrigado.
34:31Foi um programa
34:32de muito sucesso aqui.
34:35E essa história
34:36merece contar
34:37porque o Sérgio,
34:39que eu achava
34:40uma pessoa
34:41super antipática
34:42e chata
34:42porque eu assistia
34:43nos programas
34:44de lá,
34:47que já era
34:48por micro-ondas
34:49e tudo,
34:49nossa senhora,
34:50é cara antipático.
34:51Ele fazia um personagem,
34:52né?
34:54Aí um dia
34:54o revésio me chamou
34:55lá embaixo,
34:56falou,
34:56Clóvis,
34:57Sérgio Bittencourt,
34:58você telefonou para mim
35:00já três vezes,
35:01não sei o que,
35:01ele tem uma ideia
35:02de um programa,
35:02quer fazer esse programa
35:03aqui na Itacolomia,
35:04etc.
35:05Ele falou,
35:05o Gui,
35:06vem amanhã
35:06para Belo Horizonte.
35:08Então,
35:08vai lá,
35:08pega o...
35:09Eu te levo lá,
35:10recebe ele lá no aeroporto,
35:11traz ele para cá,
35:12conversa,
35:12pronto,
35:13dispensar,
35:14acabar com essa conversa.
35:15Tá bom,
35:16lá fui eu,
35:16e fomos na Pampulha,
35:20esperar,
35:21o Sérgio desceu,
35:22etc.
35:22E fomos já conversando,
35:24chegou na minha sala,
35:27ele,
35:27literalmente,
35:28deitou no sofá
35:29que tinha na sala,
35:30não sei o que,
35:30e começou a contar
35:31a ideia dele
35:33do programa.
35:34E eu me encantei
35:36com o programa.
35:37Falei,
35:37pô,
35:38é isso mesmo.
35:39Bom,
35:39tá certo.
35:40Bom,
35:41daqui a pouco,
35:42nossa,
35:42tá na hora,
35:43tem que ir embora,
35:44voltou,
35:44nossa,
35:45nós vamos fazer
35:46esse programa,
35:46Sérgio.
35:47Aí ele foi embora,
35:49eu fui lá no Zé,
35:50Zé,
35:51chamava ele de Zé,
35:52vez que pode,
35:53naquela época,
35:53mas o ponto é pra ele,
35:55o Zé Vaz,
35:58o programa dele
36:00é muito bom,
36:02vai ser sucesso,
36:04vamos fazer,
36:04você acredita,
36:05Clóvis,
36:06vai ser sucesso,
36:08vamos fazer,
36:08mas ele não,
36:09não,
36:10vamos fazer a ideia dele.
36:12E aí fizemos,
36:13Sérgio,
36:13por obrigado aqui,
36:14que foi um sucesso.
36:17Foi um sucesso tão grande
36:18que quando eu fui pra Bahia,
36:20aí eu tô fugindo
36:2130 segundos
36:22indicado,
36:25foi pra assumir
36:26a programação,
36:27direção de programação lá,
36:28levei o Sérgio Itancur
36:29pra lá,
36:30e foi um sucesso lá
36:31da concorrente
36:32botar
36:33três capítulos
36:34de Irmãos Coragem,
36:36que era tudo
36:36na fita, né,
36:38e a gente ganhava
36:38da audiência.
36:40Mas,
36:40vamos voltar pra Itacolobim,
36:41Belo Horizonte,
36:42que é o...
36:43Mas, justamente,
36:44esses apresentadores
36:46de fora,
36:46eles vinham pra cá
36:47pra fazer programas aqui?
36:49Por exemplo,
36:49Flávio Cavalcante,
36:51ou Chacrinha,
36:51acontecia isso?
36:52Não, não,
36:52o Flávio,
36:54eventualmente,
36:56aparecia algum
36:57pra fazer algum
36:57programa aqui.
36:59E...
37:00tinha alguns
37:03que vinham,
37:03participavam
37:04de programas,
37:06voltavam,
37:07isso,
37:07tinha vários artistas
37:09aqui,
37:09cantores,
37:12então,
37:12muito
37:12importantes
37:14que vinham...
37:14Eu tenho uma dúvida,
37:15antes do
37:15videotape,
37:18esses apresentadores,
37:19eles vinham
37:20pra cá?
37:21Vinham.
37:22Apresentadores,
37:22não só atores,
37:23apresentadores vinham.
37:25Não,
37:26esses apresentadores
37:27de programa,
37:28não.
37:29Mas,
37:30atores,
37:30às vezes,
37:31vinham pra participar
37:31de algum programa,
37:32e principalmente cantores,
37:33a parte musical,
37:34muito.
37:35E a parte de humorismo,
37:36também.
37:36humorismo,
37:39os humoristas
37:40vinham pra cá,
37:41faziam programa aqui,
37:43chegava num dia,
37:43voltava no mesmo dia,
37:45às vezes,
37:47ensaiava lá na hora,
37:48combinava tudo.
37:50Então,
37:51o...
37:53existia
37:54muito isso.
37:56E isso
37:57era bom,
37:58porque era uma troca
37:59de experiências,
38:01tudo,
38:01a gente podia aprender.
38:02Quando começou
38:03a programação
38:04ser alimentada
38:05com videotape,
38:06etc,
38:06isso é que
38:07prejudicou muito
38:09o crescimento
38:10das emissoras locais,
38:11o crescimento
38:12da programação local.
38:14Quer dizer,
38:14foi bom
38:15para as emissoras,
38:17a parte comercial,
38:18etc,
38:18etc,
38:19mas a evolução
38:21das emissoras locais,
38:23isso não aconteceu
38:23só com a intercolumia,
38:24aconteceu com
38:25emissoras do Brasil inteiro.
38:28Algumas
38:28sofriam
38:30menos
38:31ou mais,
38:32algumas mais
38:33distantes.
38:34Pois é,
38:34até perguntar,
38:35a gente conseguiu
38:36recuperar muitos
38:36comerciais
38:37dessa época.
38:39Os comerciais,
38:39eles eram
38:40gerados localmente?
38:42Por exemplo,
38:42tem comercial ali
38:43da Coca-Cola,
38:43por exemplo,
38:44vinha lá de São Paulo?
38:46Não,
38:46aí,
38:47aí,
38:47o...
38:48vinha em
38:48vídeo,
38:50em vídeo,
38:50que eu digo de filme.
38:5216 mil e 8.
38:52vinha em filme.
38:54E aí,
38:54projetava esse
38:56filmezinho,
38:57projetores,
38:58lá tinha a parte
38:59lá de...
39:00que era...
39:01projetorando dois
39:02projetores,
39:03e eles que iam
39:04para uma câmera
39:05de televisão
39:05que pegava
39:06aquele vídeo
39:06para transmitir.
39:08hoje,
39:11hoje já há bastante
39:12tempo,
39:13as TVs,
39:13elas são todas
39:14sincronizadas
39:14para o satélite,
39:15então o comercial
39:15ele vai lá
39:16para todas as emissoras,
39:17por exemplo,
39:17para a Globo,
39:17no país.
39:18Não,
39:18isso é...
39:19hoje é tudo
39:20satélite,
39:22tudo online,
39:22tudo não tem...
39:24Naquela época
39:25era bem
39:25diferente a coisa.
39:27E tinha muito
39:28comercial ao vivo,
39:29né?
39:30Os comerciais ao vivo
39:31dominavam de tudo,
39:32aí a gente teve
39:33grandes apresentadores
39:34comerciais,
39:34a Ana Lúcia,
39:37por exemplo,
39:38é um...
39:39é um caso...
39:41Tem uma Clausir Soares
39:42que foi atriz
39:43também,
39:44apresentadora
39:45de programa
39:45e que
39:46protagonizou
39:48o...
39:49o primeiro
39:50casamento
39:50transmitido ao vivo,
39:51né?
39:53A Ana Clausir
39:53casou com o Bertoldo,
39:55que era câmera,
39:56o...
39:57foi na Igreja São José,
40:00transmitido ao vivo,
40:01dois...
40:03câmeras lá
40:04do caminhão
40:04e eu
40:05fiquei na câmera
40:06lá em cima
40:07para ter...
40:07Parou,
40:08Afonso Pena,
40:09parou.
40:11Porque,
40:12sabe,
40:13artista de televisão
40:15naquela época
40:15era...
40:16Todo mundo queria ver,
40:19entendeu?
40:19Conhecer,
40:19então o casamento
40:21da Clausir
40:22foi um...
40:24Dizem,
40:24eu não tenho
40:25como provar isso,
40:26que foi a primeira
40:27transição de casamento
40:28ao vivo no Brasil.
40:29Interessante.
40:31Tem muita história
40:32essa também
40:32da Clausir.
40:33viu?
40:33Justamente nessa parte
40:34de publicidade,
40:35como que era publicidade
40:36antes do videotape?
40:37Porque tinha as garotas
40:38propagando...
40:38Era tudo ao vivo.
40:40Ao vivo,
40:41chegava,
40:42ensaiava,
40:42garota propaganda,
40:43e eu citei a Ana Lúcia
40:45que...
40:46é...
40:47tem uma amizade
40:49muito grande
40:49com ela,
40:51ela está na Bahia,
40:53mora na Bahia,
40:54morou muito...
40:54não foi muito tempo
40:55para a Bahia depois,
40:56mas ela foi uma
40:57das primeiras
40:58garotas propaganda,
40:59ela,
40:59Cláudia Soares,
41:01Dulce Maria.
41:02Dulce Maria
41:02teve um programa
41:03infantil fantástico,
41:05né?
41:06Que...
41:06A Tia Dulce.
41:07A Tia Dulce ficou
41:09conhecida,
41:10famosa,
41:11todo mundo
41:11corria atrás
41:12de programas.
41:12A Tia Dulce,
41:14existia aquela
41:15idolatria
41:15das pessoas
41:16de televisão,
41:17né?
41:19A Tia Dulce
41:20é um desses
41:22personagens,
41:22que...
41:25Então,
41:26era ao vivo,
41:27ao vivo,
41:28ao vivo.
41:30O...
41:30Quando...
41:31Ia anunciar alguma coisa,
41:32levava o produto
41:32lá na frente?
41:33Levava o produto
41:34na frente,
41:34abria,
41:35não sei o que,
41:35mostrava,
41:36etc,
41:37tá aqui,
41:37tudo ao vivo.
41:39Se a garota
41:40propaganda errou,
41:41errou também,
41:41foi embora.
41:43Tudo ao vivo.
41:45Tinha comercial de geladeira,
41:46abre geladeira,
41:47abre geladeira,
41:48faça,
41:48faça tudo.
41:49Então,
41:50o trânsito
41:50de material
41:52dos patrocinadores
41:53no estúdio
41:54era grande,
41:55entendeu?
41:56Até depois
41:56teve uma época
41:57em que já tinha
41:58um segundo estúdio,
41:59era um estúdio
42:00menorzinho,
42:01com o pé direito
42:02baixo e tudo,
42:03onde fazia os comerciais
42:04mais ali,
42:04porque no estúdio
42:06ali da televisão
42:07mesmo não cabia
42:08mais coisas,
42:10né?
42:12O...
42:13E você foi publicitário
42:14um pouquinho no começo
42:15da Itacolomi,
42:15né?
42:16Você falou.
42:17Itacolomi tinha uns
42:18cinco anos
42:18quando você foi
42:19publicitário.
42:21Não,
42:21eu era...
42:23Eu queria te perguntar
42:26justamente como
42:27que era essa perspectiva
42:28do publicitário,
42:29da pessoa que também...
42:30É,
42:30eu trabalhei em agência
42:31de publicidade,
42:32mas como na parte
42:33de redação
42:34de tudo.
42:35Não era...
42:36Eu não pegava...
42:37Eu escrevia textos,
42:39criava os textos,
42:42etc.,
42:42e trabalhei muito
42:43tempo com isso.
42:45E era um...
42:45um dinheirinho extra
42:47que entrava muito...
42:49Entendeu?
42:49Eu chegava na agência,
42:51eles me passavam
42:52o briefing que eu quero
42:53para quem que você...
42:54Quinta-feira de manhã,
42:56tá bom.
42:57Em meia hora
42:58que o texto estava pronto,
42:59mas eu só entregava
43:00de última hora.
43:01Porque se não,
43:02parecia,
43:02não,
43:02esse troço entregou
43:0415 minutos antes,
43:04não vou pagar
43:05o que ele quer,
43:05não.
43:05E você comentando
43:10que justamente
43:11a chegada do videotape
43:12ela fez,
43:15passou a ter
43:15programas nacionais
43:16na grade,
43:17tudo.
43:18E é uma coisa assim,
43:18que mudou muito.
43:19Hoje em dia,
43:20por exemplo,
43:21as TVs daqui de Minas
43:22não produzem entretenimento.
43:24O que tem de produção
43:25de local
43:26são pouquíssimas horas
43:27no dia,
43:28é jornalismo ou esporte.
43:29Jornalismo ou esporte só.
43:31E esse processo
43:32aqui nessa época?
43:33Porque nessa época
43:33para montar uma programação
43:34da Itacolomi
43:35era um emissor
43:35regional,
43:36emissora de Belo Horizonte,
43:37mas tinha que ter jornalismo,
43:38esporte infantil,
43:40entretenimento.
43:41Tinha tudo.
43:42E outra coisa,
43:44diferente,
43:44a remuneração
43:45naquela época
43:46era completamente
43:47diferente
43:48da remuneração
43:49de hoje.
43:52Os atores
43:53e atrizes
43:54daquela época
43:54viviam
43:57num outro mundo
43:58e não havia dinheiro
43:59também.
44:00Não é que
44:00a emissora
44:01quisesse explorar
44:02e pagar pouco,
44:03não.
44:03É que não havia dinheiro.
44:04as verbas
44:06de patrocínio
44:07eram pequenas,
44:08a audiência
44:09era pequena,
44:10ainda existia um número
44:11muito grande
44:12de residências
44:13sem televisão.
44:15Hoje,
44:17além de
44:17todo mundo
44:18ter em casa
44:19uma televisão,
44:20às vezes você tem
44:20duas,
44:21três televisões
44:21em casa,
44:23tem o danado
44:24do celular
44:24que você assiste
44:25também,
44:25né?
44:25hoje é muito
44:29diferente
44:29e isso
44:30as verbas
44:31publicitárias
44:32subiram
44:34muito
44:34e com isso
44:36subiram
44:37os salários
44:38também
44:38dos artistas
44:40para não deixar
44:41ele ir para
44:41a concorrência,
44:42né?
44:42mas é bom
44:48lembrar
44:49da TV Itacolomia
44:50é muito bom.
44:52Quero te perguntar,
44:53a gente já ir
44:54caminhando
44:55para o final,
44:55o seguinte,
44:5745 anos
44:58que a Itacolomia
44:59acabou
44:59e até hoje
45:00todo mundo
45:01sempre lembra
45:01com carinho
45:02da Itacolomia,
45:03o pessoal canta
45:04TV Itacolomia
45:04sempre a liderança.
45:05Então,
45:16até da sua perspectiva
45:17como diretor,
45:19o que você acha
45:19que fez a Itacolomia
45:21ser tão marcante
45:22na vida das pessoas,
45:23as pessoas ainda
45:23lembrarem com carinho
45:24hoje 45 anos
45:25que ela acabou?
45:27É porque a televisão
45:28chegou como uma
45:29novidade no mundo,
45:31era uma coisa
45:32completamente inesperada.
45:33antes da TV Itacolomia
45:37ou da Tupi de São Paulo
45:38que foi o primeiro
45:38do Rio, etc.,
45:40o mundo era diferente.
45:44Então,
45:45você receber
45:46um entretenimento
45:47em casa,
45:48quer dizer,
45:49antes você recebia
45:50só por audição,
45:52rádio,
45:53rádio, rádio, rádio.
45:54Muita gente achou
45:54que televisão
45:55ia acabar com rádio,
45:56não acabou realmente,
45:58cada um tem
45:58o seu caminho e tudo.
46:00Mas então
46:00era uma experiência
46:02diferente,
46:03você vê
46:04as pessoas,
46:05era um cinema
46:06dentro de casa,
46:07a pessoa saia,
46:07em vez de comprar,
46:08seu ingresso ia para o cinema,
46:09que infelizmente
46:10os cinemas acabaram,
46:12muito poucos,
46:13eu sempre gostei
46:15muito de cinema,
46:16gosto até hoje,
46:18mas são um pouco,
46:19daqui a pouco
46:20está tudo na televisão,
46:21esses mesmos filmes.
46:23Então,
46:23isso foi uma experiência
46:26que entusiasmou
46:27a população toda.
46:28e por isso
46:30é que se lembram.
46:32E por que
46:32que se lembram
46:33da Itacolomi
46:34e não lembram
46:34da TVBH,
46:36da TVBH,
46:36porque ela
46:38que foi a pioneira,
46:40ela que marcou,
46:42ela que criou
46:42grandes personagens,
46:44grandes ídolos
46:45da televisão,
46:48como a Tia Dulce,
46:50como o Sérgio Bittencourt,
46:53nesse curto período,
46:56como vários atores,
46:59alguns realmente brilhantes,
47:02como o Rogério Palabella
47:03e muitos outros,
47:04atores,
47:05atrizes,
47:06cantoras.
47:09Então,
47:10foi marcante,
47:11assim como
47:12o mesmo deve ter acontecido
47:13em São Paulo,
47:14o mesmo aconteceu
47:15no Rio,
47:16o mesmo aconteceu
47:17em Fortaleza,
47:21porque
47:21quando chegou,
47:24e ela chegou
47:25não conjuntamente
47:27em todas as cidades,
47:28foi subindo,
47:29eu,
47:30por exemplo,
47:31eu fui,
47:32inclusive,
47:34em Pernambuco,
47:36eu fui lá,
47:38passei uma semana lá,
47:39antes da inauguração
47:40da televisão,
47:41para dar aula de câmera,
47:42para ensinar a câmera,
47:43etc.,
47:43eu fiz com
47:45o...
47:47fui escalado
47:48algumas vezes
47:49para dar aula de câmeras
47:51em outras,
47:52aula de
47:52de câmera-man,
47:54de imagem,
47:56tudo para outras,
47:58mas era,
47:58era o...
48:00por isso,
48:01quer dizer,
48:01foi um mundo diferente,
48:03foi Itacolomi aqui,
48:05como foi a Tupi em São Paulo.
48:06Pois é,
48:07mas também tem uma,
48:09mais uma cidade da programação,
48:10que a Itacolomi criou,
48:11justamente por isso que perdurou,
48:12porque Itacolomi foi uma novidade,
48:14os primeiros, sei lá,
48:14dez anos depois disso,
48:15teve uma programação forte
48:17que continuou a marcar as pessoas.
48:18Não, que marcou mesmo.
48:20Foi uma programação
48:21que marcou que hoje
48:23as pessoas ainda se lembram,
48:26os que foram telespectadores na época
48:29se lembram de muitos programas,
48:31se lembram da Tia Dulce,
48:32se lembram da...
48:34da Clauside,
48:35de algumas apresentadoras,
48:36se lembram da Garfa do Diabo,
48:39não especificamente de algum personagem,
48:42do autor, etc.,
48:43mas dos programas.
48:46Então, existe essa memória.
48:49E os mais jovens
48:50nem sabem que existiu
48:52uma Tepeta Colomi,
48:54infelizmente.
48:56ae?
48:57E aí
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