O coronel Fernando Príncipe comentou a megaoperação policial no Complexo do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, que já soma 119 mortos e mais de 100 prisões. Em entrevista, ele afirmou que “a estratégia foi perfeita” e destacou que as forças de segurança devem “continuar até que todos os delinquentes sejam presos”.
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00:00A gente segue adiante, continuar aqui estimulando naturalmente o debate pessoal,
00:03mas conversar agora acionando aqui o Coronel Fernando Príncipe,
00:06Coronel Príncipe que foi oficial da PM do Rio de Janeiro,
00:10serviu por 34 anos, Benfica, Queimados, Rocha Miranda, entre tantos lugares,
00:15realmente uma lenda da segurança pública fluminense, durante três anos comandante do BOP
00:21e, claro, a gente vai estar ouvindo ele agora.
00:24Coronel, você me ouve bem?
00:26Perfeitamente, afirmativo, bom dia.
00:28Bom dia. Primeiramente, sobre a questão tática de como a mega-operação transcorreu,
00:34o que você achou da estratégia do Muro do BOP, como já foi convencionado a ser chamado,
00:40a estratégia de alguma forma preservar os moradores da Penha e do Alemão o máximo possível
00:45e realmente deflagrar o enfrentamento físico contra os bandidos na zona da mata,
00:51nas imediações do Alemão, o que você achou?
00:52Bom, naturalmente, toda a estratégia leva em consideração o conhecimento anterior das atividades criminosas
01:03e a possibilidade dos operadores no terreno conseguirem implementar.
01:12naturalmente, também se busca evitar ao máximo que inocentes sejam feridos.
01:20Nós tivemos uma operação envolvendo 2.500 policiais, de uma forma geral,
01:27e a quantidade de vítimas inocentes foi muito pequena.
01:33Então, por aí, eu diria o seguinte, a estratégia foi perfeita.
01:39Sem dúvida alguma, em termos da estratégia bélico-militar de enfrentamento,
01:44foi um recado claro, duríssimo, e até para servir de efeito dissuasório para a bandidagem
01:50pensar duas, três vezes antes de seguir enveredando por esse caminho nefasto no dia a dia deles.
01:57Eu vou com o nosso especialista em segurança pública, repórter aqui da Jovem Pan,
02:00David Ditasco, Coronel Príncipe, para a próxima pergunta. Vamos lá.
02:04Coronel, muito bom dia. Bom, eu gostaria de saber, né, que é o questionamento também aqui da bancada,
02:08o que é feito a partir de agora? Porque no passado a gente viu a instalação de UPPs,
02:12as unidades de polícia pacificadora nas comunidades, nas favelas, só que não teve tanto avanço.
02:18De que forma também, agora, com essa retomada do território,
02:22o que é importante estabelecer e qual o trabalho da polícia nesse processo todo?
02:27David, eu acredito que o processo da implantação das UPPs deveria ter sido satisfatório para que hoje nós não tivéssemos isso.
02:40Porque a UPP nada mais é do que uma economia de forças, uma patrulha de economia de forças.
02:47E patrulha nós estamos fazendo referência a grupos estrategicamente preparados para fazer frente às necessidades de qualquer área.
02:59Bem, então nós tínhamos nas UPPs um efetivo grande, só não tínhamos cobrança.
03:05Ou seja, o governo do estado, anteriormente, ele queria, pela notícia antecipada,
03:12avisar que uma UPP seria instalada em um determinado local.
03:18Dessa maneira, todos aqueles delinquentes que tinham suas fichas criminais positivadas,
03:26eles buscavam omísio em outros locais que, eventualmente, não estavam sendo anunciados como locais de futuras UPPs.
03:37Aí nós tivemos aqui no Rio de Janeiro um crescimento da violência na região serrana,
03:42na Costa Verde, na Costa do Sol.
03:46Então, os delinquentes que estavam naqueles locais saíram num primeiro momento.
03:55Aqueles que eram primários, eles ficaram mantendo o local.
04:00E o governo do estado, como não queria que o projeto fosse posto à prova com relação aos confrontos,
04:10porque, imagine, o policial e o delinquente é igual a cão e gato, né?
04:16Eles não se misturam.
04:18Então, onde tem um policial, não pode ter um delinquente.
04:21E se vai ter uma operação delinquente que está naquele local, ele vai querer rechaçar, vai querer fazer tiros, etc.
04:28Então, o governo do estado, anterior, Sérgio Cabral, na época, né?
04:36Ele queria que a ideia da UPP fosse uma grande maravilha.
04:40E a orientação era não fazer cobranças, de preferência, não buscar confronto com aqueles delinquentes que, eventualmente, estavam restantes no local.
04:53Porque esses estariam naquele modelo de acomodação, entendendo que aquilo era uma estrutura criada,
05:01mas não teria a efetividade que se desejaria.
05:05Quem desejaria? A população.
05:07Porque a população quer o delinquente preso, quer as armas e material relacionada à prática criminosa apreendida.
05:15Então, foi dessa maneira.
05:17Havia, estrategicamente, um efeito muito positivo.
05:22Claro.
05:22Mas, como não houve cobrança, isso foi, assim, como se fosse água pelo ralo, né?
05:29A gente segue aqui com o coronel Fernando Príncipe, um dos principais nomes, historicamente, da Polícia Militar do Rio de Janeiro.
05:36Mais de 34 anos de serviço, três anos comandando o BOP.
05:40Experiência é o que não falta aqui com essa lenda da segurança pública fluminense.
05:45E, claro, trazendo aqui a visão dele com muita nuance, com muita sobriedade, mas também com muita franqueza.
05:51A gente não esperaria nada além disso.
05:52Eu vou aqui, coronel Príncipe, com a Isa Piana.
05:55Com a próxima pergunta, a gente segue o papo adiante. Vamos lá.
05:59Coronel, bom dia.
06:01A minha pergunta para o senhor é a seguinte.
06:03Tendo em vista que Brasília, hoje, detém um monopólio legislativo,
06:07onde os estados não conseguem endurecer as penas para bandido,
06:10tendo em vista que Brasília retira dinheiro dos estados e, na hora que o bicho pega,
06:15Brasília fala, opa, não é responsabilidade minha.
06:17E aí, muitas vezes, o estado não tem dinheiro para combater o crime.
06:21Eu pergunto para o senhor.
06:22Você acha que o governo federal virou as costas para o Rio de Janeiro nessa operação?
06:28E não só nessa operação, mas ao longo dos anos?
06:31E, coronel Príncipe, você me permite, antes da sua resposta,
06:33o levantamento da Genial Quest, que foi, enfim, divulgado hoje cedo,
06:37cravando, né, que esmagadores 86% do povo brasileiro
06:42dizem que a nossa legislação é fraca e, por isso, solta bandidos.
06:46Imagino que os outros 14% naturalmente sejam os próprios bandidos.
06:50Não é possível.
06:51Vai que é sua, coronel.
06:53Bem, só para apresentar um dado curioso,
06:58hoje a população carcerária do Rio de Janeiro
07:01está em torno de 42 mil presos.
07:04Só a polícia militar prende em flagrante por ano
07:0940 mil delinquentes, assim, na condição de flagrante.
07:16Eu perguntaria se nós estamos considerando
07:19já estarmos chegando ao final do ano de 2025.
07:22Cadê os 40 mil presos em 2024, 2023, 2022, assim sucessivamente?
07:31Nós percebemos, por aí, que a porta giratória é muito grande,
07:37a quantidade de flagrantes que são dados
07:40e, consequentemente, na execução penal,
07:45o relaxamento da prisão,
07:47nas diversas outras,
07:49nos diversos outros procedimentos,
07:51como as audiências de custódia, etc.,
07:53possibilita que esses delinquentes
07:56voltem à rua e passem a delinquir novamente.
07:59Então, voltando à pergunta anterior,
08:02eu diria o seguinte,
08:03a estratégia que nós deveríamos manter
08:07não é fazer uma operação e recuar.
08:10Nós temos que realizar a operação
08:12e continuar durante o tempo necessário
08:16para que todos os delinquentes sejam presos.
08:19Eu não verifiquei nessa operação especificamente
08:23se foram usados os recursos do batalhão de cães.
08:29Os cães são espetaculares para poder encontrar
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