O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) enviou especialistas ao Instituto Médico Legal (IML) para realizar uma perícia independente sobre todas as vítimas da grande operação que ocorreu na cidade. Ainda nesta quarta-feira (29), o governador Cláudio Castro (PL) se reunirá com a cúpula da segurança pública do estado. Acompanhe a análise de Cristiano Vilela e Luiz Felipe d’Avila.
Confira na íntegra em: https://youtube.com/live/Ke2z_fKADlw
Baixe o app Panflix: https://www.panflix.com.br/
Inscreva-se no nosso canal: https://www.youtube.com/c/jovempannews
Siga o canal "Jovem Pan News" no WhatsApp: https://whatsapp.com/channel/0029VaAxUvrGJP8Fz9QZH93S
00:00O Ministério Público do Rio de Janeiro enviou especialistas ao Instituto Médico Legal para realizar uma perícia independente sobre todas as vítimas da grande operação que ocorreu na cidade.
00:11Rodrigo Viga está lá no Palácio Guanabara porque logo mais o governador Cláudio Castro vai se reunir com a Cúpula da Segurança Pública do Estado.
00:19E o Viga traz informações mais recentes a respeito da situação por lá que infelizmente, como você disse, é muito provável que a gente tenha um aumento no número oficial de mortos, né Viga?
00:33É isso, Nonato. Podemos chegar à casa das centenas de mortos nessa mega operação das Forças de Segurança do Rio de Janeiro nos complexos da PEN e do Alemão na terça-feira, que ainda parece que é um dia que não acabou, não terminou.
00:48Embora a cidade do Rio de Janeiro esteja voltando ao seu clima de normalidade, mas obtivemos a informação agora há pouco que o estado de prontidão nos batalhões, melhor dizendo, da Polícia Militar do Rio de Janeiro, segue de pé.
01:00Todos os batalhões de prontidão permanecem aqueles que deveriam estar de folga ou deixar o serviço em determinado horário, apostos para qualquer tipo de convocação.
01:12Inclusive, os policiais que fazem o chamado serviço administrativo também foram convocados para atuar nas ruas ou ficar ali de sentinela de prontidão para qualquer eventualidade.
01:23Está aqui em frente ao Palácio Guanabara, a todo instante entram viaturas pretas na Cúpula da Segurança, porque a partir das nove e meia, agora está chegando mais uma viatura da Polícia Militar,
01:33a partir das nove e meia acontece uma reunião do governador Cláudio Castro, que está concentrando todas essas informações da mega-operação, com o comandante da Polícia Militar, Marcelo de Menezes,
01:44com o chefe da Polícia Civil, delegado Felipe Cúrio, com o secretário de Segurança Pública do estado do Rio de Janeiro, delegado Victor Santos,
01:51entre outros integrantes da alta cúpula da Nata da Polícia do Rio de Janeiro.
01:57Como a gente vem dizendo desde cedo, nós temos imagens que mostram vários corpos sendo expostos em uma praça pública no bairro da Penha,
02:07onde ficam os complexos da Penha e do Alemão na Zona Norte do Rio de Janeiro.
02:11São cerca de 50 corpos que foram expostos, teriam sido retirados de uma região de mata no alto desses conjuntos de favelas,
02:19e agora estão sendo exibidos ao público para serem levados para o Instituto Médico Legal.
02:25Inclusive foi montada uma força-tarefa no ML aqui do Rio de Janeiro para trabalhar no trabalho de perícia,
02:32para fazer o trabalho de perícia nesses corpos das vítimas da mega-operação desta terça-feira.
02:39Dentre esses órgãos envolvidos na força-tarefa está justamente o Ministério Público.
02:44É uma atribuição do MP aqui do Rio de Janeiro acompanhar de perto esse trabalho pericial.
02:50Isso está previsto, inclusive, na ADPF das favelas.
02:53Agora há pouco, nossa colega de Brasília falava que Ministério Público Federal e Defensoria Pública da União,
02:58nós reforçamos essa informação durante toda a terça-feira na programação da Jovem Pan,
03:03está acompanhando de perto os desdobramentos dessa mega-operação.
03:07Enviaram um ofício aqui para o Palácio Guanabara, sede do Governo do Estado do Rio de Janeiro,
03:11para que o Governador Cláudio Castro dê explicações, principalmente,
03:15querem saber, essas duas instituições, se o Governo do Rio de Janeiro atendeu os preceitos,
03:20as regras previstas na ADPF das favelas, se os agentes usaram violência para responder
03:28à violência também praticada pelos criminosos, se eles usaram câmeras de segurança,
03:33se essas imagens já estão prontas para serem disponibilizadas, entre outras regras e também pré-requisitos.
03:39Fica na expectativa, então, aqui, dessa entrevista coletiva, que deve acontecer após a reunião de cúpula
03:45na Segurança Pública com o Governador Cláudio Castro.
03:47Haverá também a apresentação dos fuzis, ainda na manhã desta quarta-feira,
03:52que foram apreendidos na mega-operação na Alemanha e na Penha.
03:56Cerca de 100 fuzis foram retirados do Comando Vermelho, a principal facção criminosa do Rio de Janeiro.
04:03E aí, você sabe, né, meu caro Nonato, quando tem operação policial, a rotina muda dentro e fora das comunidades.
04:10Ontem foi um dia típico, um estado de guerra, eu até citava um pouco mais cedo,
04:14que tivemos até uma espécie de toque voluntário de recolher, porque as pessoas estavam com medo,
04:19voltaram para casa, empresas liberaram seus funcionários,
04:22escolas também anteciparam a saída de alunos para atividades curriculares e extracurriculares,
04:27shopping centers fecharam suas portas, ou seja, foi uma noite de puro silêncio em boa parte da cidade do Rio de Janeiro.
04:36Mas agora, a situação vai voltando à normalidade.
04:39Mas, diante de situações como essa, é claro que a Unidade de Saúde e Educação tem o seu cotidiano prejudicado.
04:46O que aponta, inclusive, um estudo da Unicef, em parceria com a ONG Rio de Paz,
04:51um estudo feito em relação ao ano de 2024, foram 15 mil entrevistados nessa pesquisa,
04:58mostrando que, em dias normais, sem operações policiais em conjuntos de favela como da Maré,
05:04a vacinação sobe bastante nessas comunidades.
05:08São aplicadas mais de 180 por dia.
05:10Agora, em dias de operação da polícia, 20, no máximo 30 vacinas são aplicadas,
05:17justamente por conta dessa prevenção, dessa previdência,
05:21porque, em momentos de conflito, não é sugestivo, não é pertinente você manter abertas
05:28unidades de saúde e de ensino.
05:31É preciso tentar preservar ao máximo a vida das pessoas de bem e dos inocentes, né, Nonato?
05:38Ah, sem dúvida nenhuma, Viga, e fora essa questão aí dos fuzis, né,
05:41apreensão de pelo menos 100 armas e, infelizmente, a gente continua não conseguindo estancar
05:46a entrada dessas armas no Rio de Janeiro.
05:51E é um assunto também, Viga, obrigado pelas informações,
05:53que a gente vai trazer os nossos comentaristas de hoje aqui
05:55para que eles possam analisar também esse problema todo.
05:58O Luiz Felipe Dávila e também o Cristiano Vilela.
06:03Vilela, vou começar contigo essa rodada.
06:05E eu comentava aqui com o Viga dessa questão dos fuzis, né,
06:08sem fuzis apreendidos, só que, infelizmente, eles continuam entrando pelo Brasil.
06:13A gente não consegue estancar, porque ninguém vai numa loja,
06:15ah, eu quero um fuzil, vou comprar esse fuzil, né.
06:18E a população que não tem condição de sair da favela, que precisa morar na favela,
06:23fica à mercê desses cidadãos com essas armas em punho quase que o tempo todo.
06:28É um outro ponto também que a gente tinha que olhar, como essas armas entram aqui.
06:32Quem facilita? Quem é que, porventura, acaba deixando ou fazendo vistas grossas
06:38para entrar dessas armas, né, Vilela?
06:40Mas é, Nonato, a gente tem que aceitar que o Brasil, hoje,
06:45ele é refém dessas grandes estruturas do crime organizado.
06:50Nós não podemos mais tratar das questões de segurança pública
06:54como uma questão meramente social, do rapaz de baixa renda,
06:58que não tem possibilidades e que acaba entrando, roubando uma carteira,
07:03furtando algum detalhe, aquela visão talvez romantizada dessa questão do crime.
07:08Não, nós temos hoje no Brasil grandes estruturas organizadas do crime
07:14que mantém relações internacionais com as principais ramificações da Europa,
07:22da América Latina, dos Estados Unidos, que atuam no mercado internacional,
07:26que atuam por todo o território brasileiro em atividades que ultrapassam os limites
07:32da atividade ilegal e que são, na sua grande maioria, inclusive legalizadas.
07:38Nós temos grandes estruturas e que ocupam parte do território das grandes cidades brasileiras.
07:45No caso do Rio de Janeiro, isso fica mais evidente.
07:48E aí o Estado brasileiro, ele tem que fazer a avaliação,
07:52se continua enfiando a cabeça embaixo da terra e não vendo realmente o crescente,
07:58a força dessas organizações criminosas que vai tomando territórios do Estado brasileiro,
08:05onde o Brasil vai perdendo a sua soberania em relação a determinados territórios,
08:10ou se vai encarar de frente esse problema numa atuação conjunta
08:13entre os níveis federais, estadual e inclusive municipal.
08:17Você vê que o crime no Rio de Janeiro ganhou muito poder
08:22e o quanto que a polícia consegue monitorar essas facções e a movimentação delas ali.
08:31É, Sra, é mais do que isso.
08:32O crime organizado no Rio de Janeiro controla território onde o Estado não entra mais.
08:39A lei brasileira não vale onde o crime organizado controla morros no Rio de Janeiro.
08:45O que vale lá é a lei do crime.
08:46É desesperador ver o Brasil cada vez mais refém do crime organizado.
08:52Agora mesmo, um novo acordo do Comando Vermelho com o PCC na região norte
08:58ocupa também uma parte significativa do território
09:01e agora com comércio de cocaína diretamente com a Colômbia,
09:06exportação de ouro ilegal e ali também aterrorizando populações locais.
09:12O fato é que o combate ao crime organizado, como bem lembrou o Vilela,
09:17demanda não só a coordenação do governo federal com os governos estaduais e municipais,
09:21mas principalmente para se envolver forças armadas e organizações internacionais como a Interpol.
09:28Porque esses rifles entram no Rio de Janeiro justamente nessa troca do comércio ilegal de droga por armamento.
09:37É por aí que entram as nossas fronteiras porosas, essa quantidade absurda de armamento
09:44que ontem foi exibido de maneira trágica no confronto do Comando Vermelho com a polícia carioca.
09:50Por isso, nós precisamos agir com coordenação e inteligência.
09:58E prova disso é o combate ao crime no estado de São Paulo,
10:02onde tivemos mais de mil operações contra o crime organizado em São Paulo
10:06e sem esse confronto direto, desmantelando redes de crime,
10:11distribuição de drogas e aprisionamento de líderes da facção.
10:16É preciso usar mais inteligência e menos força.
Seja a primeira pessoa a comentar