Pular para o playerIr para o conteúdo principal
Em entrevista ao Pingo Nos Is, o especialista em segurança pública, Luis Flavio Sapori, classificou a megaoperação no Rio de Janeiro como um "marco na história" da segurança pública do Brasil. Sapori afirmou que a ação policial demonstra a necessidade de se discutir os próximos passos no combate ao narcoterrorismo no Brasil.

Assista na íntegra: https://youtube.com/live/HIahpoaPFGI

Baixe o app Panflix: https://www.panflix.com.br/

Inscreva-se no nosso canal:
https://www.youtube.com/c/jovempannews

Siga o canal "Jovem Pan News" no WhatsApp:
https://whatsapp.com/channel/0029VaAxUvrGJP8Fz9QZH93S

Entre no nosso site:
http://jovempan.com.br/

Facebook:
https://www.facebook.com/jovempannews

Siga no X:
https://x.com/JovemPanNews

Instagram:
https://www.instagram.com/jovempannews/

TikTok:
https://www.tiktok.com/@jovempannews

Kwai:
https://www.kwai.com/@jovempannews

#JovemPan
#OsPingosnosIs

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:00Nós temos mais um convidado agora para conversar conosco a respeito dessa mega-operação
00:05que a Segurança Pública no Rio de Janeiro faz contra o Comando Vermelho em específico.
00:10Quem chega agora em Os Pinhos nos Is é o Luiz Flávio Sapore, que é especialista em Segurança Pública,
00:15professor da PUC de Minas Gerais.
00:17Professor Luiz, boa noite, bem-vindo, é um prazer te receber.
00:21Boa noite, Pabayashi, boa noite a todos e a todos que estão nos assistindo.
00:26Professor, já quero sua análise inicial a respeito dessa operação,
00:28que, pelo que você tem notícia, é a maior operação policial contra a facção criminosa no Rio de Janeiro,
00:35inclusive em número de mortos até esse momento.
00:40Não há dúvida que essa operação é o marco da Segurança Pública, não só do Rio, mas do Brasil.
00:47Eu concordo com o que o governador Claudio Castro tem dito,
00:51de que efetivamente foi um baque, uma ação que teve impacto direto sobre o poderio do Comando Vermelho
00:58naquela região da cidade, né? Nós estamos falando ali do complexo do Alemão, do complexo da Penha.
01:04Houve um enfraquecimento, claro, né, do Comando Vermelho, mas eu acho que nós temos que discutir,
01:09e eu me lembrei muito claro o seguinte, e o dia seguinte, o que vai acontecer no dia seguinte?
01:15Afinal de contas, as forças policiais vão ficar na região?
01:18As forças policiais vão se ocupar desse território que estava, está nas mãos do Comando Vermelho?
01:26Cobaiache, porque se não houver uma ocupação territorial por parte do aparato estatal,
01:33do aparato policial estatal, Cobaiache, essa operação não vai ter efeito prático.
01:40Matar 64 traficantes, né, em boa medida, obviamente impacta o poderio, né,
01:46daquela, do Comando Vermelho, mas todo mundo que conhece a realidade da segurança pública no Brasil
01:51sabe que o Comando Vermelho pode substituir a 64 em uma, duas semanas.
01:57Ele vai recrutar novos menos muito facilmente e vai retomar o território.
02:02A minha pergunta, e esse é o questionamento ao que está sendo acontecer hoje no Rio de Janeiro,
02:08é ok, esse tipo de operação é muito relevante, inevitável, não há como evitar o confronto,
02:16mas e o dia seguinte? Afinal de contas, vai ou não ocupar o território do Comando Vermelho?
02:22Porque se não ocupar o território do Comando Vermelho, sabe o que pode acontecer?
02:26Ou o terceiro comando puro vai se aproveitar dessa oportunidade,
02:30ou algum grupo miliciano da Zona Oeste também, que são muito poderosos,
02:33vão tentar se ocupar da região ali, né, que estava nas mãos do Comando Vermelho.
02:40A situação não vai mudar.
02:42Então, essa é a conversa que nós temos que ter, do meu ponto de vista,
02:45sobre os efeitos dessa operação policial.
02:48Professor Luiz Flávio Sapor, eu vou trazer pra nossa conversa os nossos analistas,
02:52quem vai te fazer a próxima pergunta é o Roberto Mota.
02:54Professor, boa noite.
02:58Que modelo de ocupação, que modelo de ocupação de território o senhor imagina que poderia ser feito
03:08depois do fracasso do modelo da UPP, que começou dessa forma, né,
03:15com uma tentativa de levar o Estado pra essas áreas.
03:21Que outra alternativa o senhor veria pra isso?
03:24Roberto, eu acho que você coloca uma questão importante.
03:26Do meu ponto de vista, o fracasso das UPPs não se deveu a um erro metodológico das UPPs.
03:34Você conhece bem essa realidade do Rio de Janeiro, você acompanha bem a segurança pública.
03:38As UPPs começaram em 2009.
03:40Em 2010, houve uma operação similar no complexo do Alemão,
03:44inclusive com as Forças Armadas, né, você vai se lembrar disso.
03:48Houve uma ocupação territorial.
03:51A UPP no Alemão durou cinco anos.
03:56Estive no Rio de Janeiro nessa época, visitando e vendo, né, em loco, na época o secretário Beltrame, né,
04:02acompanhei de perto todo esse processo do Rio de Janeiro, o secretário Beltrame foi fundamental nesse processo.
04:08Roberto, a UPP funcionou durante cinco anos.
04:12É a pergunta que a gente tem que fazer o seguinte.
04:13Por que que ela fracassou?
04:16O que que deu errado?
04:17Do meu ponto de vista, Robert, deu errado porque naquele, a partir de 2014, 2015,
04:23houve uma clara falência fiscal do Rio de Janeiro, você vai lembrar disso.
04:27E sucessivos governadores do Rio de Janeiro foram presos por corrupção.
04:32O Estado do Rio de Janeiro, aparato político executivo do Rio de Janeiro, entrou em completa falência.
04:39É óbvio que isso ia se repercutir na polícia e no A UPP.
04:44A UPP, do meu ponto de vista, é o modelo.
04:47Eu volto a dizer, a ideia de ocupação territorial é o que foi bem feito no Rio de Janeiro por cinco anos.
04:54Obviamente corrigido os erros, dando continuidade.
04:57Eu não vejo, Roberto, outra alternativa que não aquela onde o Estado ocupa espaço no confronto ou na expulsão de traficantes
05:10e, aos poucos, vai expandindo essa ocupação para os outros territórios.
05:16Não vejo outra situação similar.
05:19Foi isso que, inclusive, aconteceu em Medellín, na Comuna 13.
05:22Foi assim que a Comuna 13, Medellín, na Colômbia, conseguiu diminuir o poderio do trapo.
05:27Então, a questão é, a UPP fracassou porque o Estado do Rio de Janeiro entrou em falência
05:35e os governadores, a política do Rio de Janeiro, entrou em completa falência.
05:39Do meu ponto de vista, essa é a explicação.
05:42Professor Luiz Flávio Sapor, eu vou trazer agora a pergunta do delegado Palumbo.
05:49Professor, muito boa noite.
05:51Em 2006, aqui, tivemos ataques da facção, primeiro comando da capital.
05:56A população e as forças de segurança.
06:00Você acha, pela experiência do senhor, que o crime também vai descer para o asfalto
06:07e vai se vingar, inclusive, da população?
06:09Porque eu estou recebendo informações aqui, inclusive, de policiais
06:12que agora desandou de vez, que o crime vai para o asfalto.
06:15Não sei se procede ou se não procede, mas eu sei que as autoridades têm que deixar
06:20as barbas de molho, porque isso é bem capaz, inclusive, com o intuito de vingança
06:24com essas mortes aí que têm acontecido.
06:27E eu acho que os policiais estão se defendendo, o bandido que atira na polícia,
06:32ele tem mais é que tomar um tiro e morrer mesmo.
06:34Agora, você acha, pela experiência do senhor, que eles vão se limitar a tentar defender o território
06:40ou vão descer para o asfalto?
06:44É uma boa questão.
06:45Eu acho que a possibilidade de replicar no Rio de Janeiro o que aconteceu em São Paulo
06:49em 2006 é muito real.
06:51Inclusive, em 2006, eu acompanhei de perto.
06:53Eu era secretário de Segurança Pública aqui em Minas Gerais nessa época.
06:57E nós, em Minas Gerais, na época, inclusive, tomamos medidas muito claras
07:01para evitar que o problema se expandisse pelo Estado.
07:03Mas eu invejo que esse risco existe.
07:05E o caos que se instalou na cidade do Rio de Janeiro hoje,
07:08com a retaliação do Comando Vermelho, é uma prova concreta do que você está dizendo.
07:13Esse risco é real.
07:14Você conhece bem o fenômeno do crime, do crime organizado.
07:17O crime organizado, quando ele é agredido diretamente pelo poder público, ele reage.
07:23Ele não é pacífico.
07:26A violência faz parte da estratégia do crime organizado.
07:30Então, não descarta a possibilidade de retaliação, inclusive, contra policiais.
07:35Eu acho que o governo do Rio de Janeiro, a Secretaria de Segurança Pública do Rio,
07:39os comandos das polícias do Rio de Janeiro vão ter que tomar medidas muito claras
07:42para se protegerem em relação a eventual retaliação.
07:46Agora, eu acho que existe uma outra probabilidade.
07:49Se essa operação no Rio de Janeiro finalizar como tudo deva a quê?
07:53Porque a história do Rio de Janeiro, sabemos muito bem,
07:56a história do Rio de Janeiro é essa aí.
07:58operações como essa, num dia, no dia seguinte, tudo volta ao normal.
08:04E o que é voltar ao normal?
08:05A polícia sai da comunidade, volta para suas bases,
08:10e aos poucos as facções voltam ao território.
08:15Isso que aconteceu no Rio de Janeiro hoje, já tem acontecido há 30 anos.
08:21Nós que lidamos com segurança pública, sabemos disso.
08:24Não tem novidade nenhuma.
08:25Então, eu acho que a maior probabilidade é que amanhã ou depois de amanhã,
08:32quando as forças policiais terem que retornar em suas bases,
08:36aos poucos a normalidade, entre aspas, vai sendo retomada ao complexo da Alemão
08:41e o complexo da Atenha.
08:43Ou seja, aos poucos o Comando Vermelho vai retomar o seu domínio territorial.
08:48Eu apostaria minhas fichas, é o que vai acontecer nos próximos dias.
08:54Muito bem.
08:54Conversamos aqui com o Luiz Flávio Sapore, que é especialista em segurança pública,
08:59professor da PUC de Minas Gerais.
09:01Um prazer te receber aqui, professor.
09:03Sempre um prazer te receber aqui na Jovem Pan.
09:05Muito obrigado.
09:06Muito obrigado.
09:06E que esse caso do Rio, que sirva de exemplo,
09:10a situação realmente do crime organizado no Brasil é gravíssima.
09:14Se não houver integração de esforço, com a Bahia,
09:17entre governo federal, governo estadual,
09:19Ministério Público e Judiciário, meu irmão,
09:22se não houver essa articulação de esforço,
09:23nós não vamos enfrentar esse problema.
09:25Infelizmente.
09:26Seguiremos acompanhando.
09:27Muito obrigado, professor.
09:28Até a próxima.
09:29Obrigado.
Seja a primeira pessoa a comentar
Adicionar seu comentário

Recomendado