As contas externas do Brasil registraram o maior déficit da série histórica para o mês de setembro, com um resultado negativo de R$ 9,8 bilhões, um valor recorde desde o início da medição pelo Banco Central em 1995. O analista de mercado Cesar Queiroz concedeu uma entrevista ao Jornal da Manhã deste sábado (25) para comentar o assunto.
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00:00Agora a gente vai falar das contas externas brasileiras que, olha, registraram o maior déficit da série histórica para o mês de setembro.
00:08O resultado negativo atingiu 9 bilhões e 800 milhões de dólares, um valor recorde desde o início da medição pelo Banco Central em 1995.
00:20Sobre esse assunto, a gente vai conversar agora com o analista do mercado, César Queiroz.
00:25Oi, César, bom dia, obrigada por você estar hoje aqui com a gente no Jornal da Manhã.
00:32Oi, Márcia, bom dia, bom dia ao Nonato, um grande abraço aí para a audiência da Jovem Pan.
00:37César, explica para a gente quais os fatores que pesaram para esse resultado agora.
00:44Ah, o que está acontecendo, Márcia, é que a conta está chegando, né?
00:47A política externa brasileira do atual governo, na nossa leitura, ela tem sido bastante equivocada, tanto em posicionamentos quanto em estratégia de mercado.
01:00Infelizmente, o momento da política externa global é de reconstrução.
01:06Os grandes players estão reconstruindo as relações bilaterais e o Brasil, que teria uma janela de oportunidade muito boa,
01:17ele procurou se colocar numa posição de um viés um pouco mais ideológico e preteriu os setores inteiros que o Brasil tinha muita competitividade
01:28e a conta está aí. Infelizmente, atingimos aí uma marca histórica negativa numa relação comercial com o resto do planeta.
01:38Agora, César, qual é o impacto que isso traz para a nossa economia como um todo, hein?
01:44Ah, Nonato, o impacto é desastroso, porque você imagina, quando você tem uma curva de exportação positiva,
01:54mostra a pujança do processo produtivo do país.
01:57A indústria está com oxigênio. O agro, que sempre, historicamente, levou o Brasil nas costas da balança comercial,
02:07hoje está, infelizmente, numa situação de nocaute.
02:10Então, isso mostra o tamanho do problema interno de emprego, de relação de trabalho entre associações de classe e indústria,
02:25e há o processo de desindustrialização que a gente está acompanhando.
02:30Não tem muita outra discussão a não ser a prova cabal do erro na estratégia da condução macroeconômica do país.
02:41Agora, César, teria alguma forma, na sua visão, de reverter esse quadro?
02:48E te pergunto mais, olhando um pouquinho para o passado, né?
02:52É um erro não só desse governo, é um erro de vários governos também anteriores?
03:00Excelente a tua pergunta, Márcia.
03:01Eu sempre coloco nas minhas conversas com o pessoal da análise,
03:05que não há no Brasil um projeto de longo prazo de Estado.
03:12Nós viramos PHDs em voo de galinha.
03:16Isso é facilmente comprovado com os números da curva da relação comercial brasileira com o resto do mundo.
03:25Não existe um projeto.
03:27O que existe são operações tapa-buraco,
03:29que acendem em um curto período de tempo determinados vetores da economia
03:34e logo em seguida a gente assiste à derrocada.
03:40Então, nunca se fez um plano diretor estratégico
03:45de fomento das potencialidades econômicas do país.
03:50Nunca se fez um planejamento sério
03:52para tornar o Brasil uma potência industrial.
03:58Nós hoje, Márcia, somos basicamente uma fazenda
04:02que se especializou em exportar produtos primários,
04:08produtos que não têm o beneficiamento e a tecnologia.
04:13A balança comercial brasileira, por exemplo,
04:15pode reparar, mais de 70% dela é commodity agrícola e produtos in natura.
04:22Nós não temos o beneficiamento, nós não temos o processo de industrialização
04:28que agrega valor, que agrega capital intelectual,
04:32que evolui o país como nação em termos de avanço intelectual e tecnológico
04:41e deixa o país refém apenas e tão somente do produto in natura,
04:47do produto básico.
04:49Isso não tem como, no médio e longo prazo,
04:52tornar o país uma potência.
04:54Hoje, o Brasil é literalmente refém de uma relação comercial com o estrangeiro
05:00de suas commodities.
05:03Nós não temos um processo industrial competitivo.
05:05Infelizmente, é isso.
05:09A nossa conversa, César, a gente sabe que o mercado trabalha com previsibilidade,
05:13com perspectivas futuras.
05:15O ano que vem é ano eleitoral, então, imagino que esse projeto de Estado,
05:20como você disse, não vai nem aparecer nos próximos meses, né?
05:26Nonato, é o que eu falei pra você outro dia,
05:28eu acho que a gente agora nunca vai ter tanta necessidade de maracujina
05:33como a gente terá o ano que vem.
05:36Porque o ano que vem nós temos um ano eleitoral,
05:39e todos nós sabemos que, em ano eleitoral, o Brasil sofre de amnésia
05:44e se atém a detalhes praticamente de discursos e de ideologias.
05:51Teremos uma Copa do Mundo
05:52e também teremos um dos anos com o maior número de feriados
05:57durante os dias produtivos da semana.
06:01É uma equação que é de lamentar.
06:05Eu acho que o ano que vem, esse assunto de cunho mais estratégico,
06:10o cunho sério, que é o que falta hoje nas nossas lideranças do país,
06:16é tratar com seriedade a gestão da coisa pública.
06:21Dificilmente a gente vai ver isso no ano que vem.
06:23É uma pena.
06:26Conversamos, então, com o analista de mercado, César Queiroz.
06:28César, muito obrigada pela entrevista.
06:32Um abraço, Márcio, um abraço, Nonato.
06:34Um bom final de semana para toda a audiência.
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