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O ex-ministro Aldo Rebelo, especialista em Soberania Nacional, detona o papel das ONGs na Amazônia em entrevista a Marco Antonio Villa no Só Vale a Verdade.

Rebelo afirma que essas organizações não defendem os indígenas, mas sim seus "interesses financeiros".

Assista à íntegra: https://youtube.com/live/pBeLKDqpW0s

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Transcrição
00:00Aldo, foi cerca de 40 anos, se eu estiver errado, por favor, me corrija,
00:04um militante importante do Partido Comunista do Brasil,
00:07que nasceu em 1962 como dissidência do Partido Comunista Brasileiro.
00:13Pergunto a você, Aldo, o que aconteceu?
00:15Esse teu rompimento com o PCDB foi produto de quê?
00:18De que reflexão sua, do que você viu no mundo?
00:21E agradecer a tua gentileza de ter aceito o convite.
00:23Em primeiro lugar, professor, muito obrigado pelo convite.
00:26É uma grande alegria partilhar dessas reflexões aqui.
00:31Como é que nós chamamos? Só a verdade é isso?
00:33É isso, só vale a verdade.
00:34Só a verdade.
00:35Então, muito obrigado e parabéns pela sua ação na área de comunicação,
00:41com conteúdo, com emoção, mas também com conteúdo.
00:45Eu fiquei 40 anos no PCDB.
00:48Entrei no PCDB na época do regime militar,
00:50onde havia graves restrições à liberdade partidária de imprensa, censura.
00:59E o PCDB era um partido que resistia ao regime militar.
01:04E eu entrei exatamente quando entrei no movimento estudantil.
01:10Só que, paradoxalmente, nós tínhamos uma agenda liberal,
01:14porque era a agenda dos direitos civis, dos direitos sociais,
01:19a luta contra a censura, liberdade partidária, liberdade de imprensa.
01:24Era essa a nossa agenda, porque o meio universitário,
01:29principalmente onde eu militava, que era a faculdade de direito
01:34da Universidade Federal de Alagoas, era um meio conservador.
01:37Mas a agenda liberal tinha espaço, porque, de fato,
01:42ninguém concordava em viver sob a censura, restrição de liberdade partidária,
01:51de liberdades de organização.
01:53A própria UNE era proibida, o movimento estudantil sofria restrições.
01:58E nós tínhamos pouco espaço para a militância.
02:02Eu entrei no PCDB, mas já trazia uma formação anterior,
02:06que é a formação do interior de Alagoas, do sertão de Alagoas.
02:10Eu nasci na roça, nasci de parteira,
02:14fui alfabetizado numa escola rural,
02:16estudei numa escola técnica agrícola,
02:19de uma família muito religiosa.
02:20Minha mãe nos levava todo domingo à igreja.
02:23Quando eu entrei no partido, eu já era muito nacionalista,
02:28que aprendi dos bancos escolares,
02:30já tinha um grande apreço pela história, pela memória do Brasil,
02:34pela construção do Brasil,
02:37tinha essa agenda.
02:38E o que aconteceu foi que, depois,
02:42uma parte da esquerda foi renunciando a essa agenda nacionalista,
02:47a essa agenda democrática,
02:49a essa agenda dos direitos sociais,
02:51e abraçando uma agenda onde a diferença era mais importante do que a igualdade.
02:57onde a valorização de grupos sociais,
03:01por corte biológico, de raça, de gênero,
03:05passava a ser mais importante do que a luta pelo todo,
03:09do que a luta geral.
03:11E isso me levou a um afastamento,
03:12eu não estabeleci uma ruptura,
03:15saí, recebi um tratamento muito cordial,
03:19mas eu já não tinha muita identidade com aquilo
03:23que o partido vinha promovendo como sua agenda principal.
03:31Se fala assim, na linguagem do senso comum
03:34que aparece nas redes sociais,
03:36que mais desinforma do que informa,
03:38boa parte delas,
03:39mas fala assim,
03:40ah, o Aldo mudou,
03:42o Aldo hoje está a serviço dos ruralistas,
03:45dos destruidores da Amazônia,
03:46dos inimigos dos indígenas,
03:49e por aí vai.
03:51Inimigo das ONGs, etc, etc, etc.
03:54Eu pergunto a você,
03:56a sua visão de Amazônia, até,
03:58em livro recente que você fez,
04:02e você tocou no nacionalismo,
04:06eu acho que esse é um ponto central,
04:08quais são as contradições principais?
04:11Eu nunca me esqueço da minha formação,
04:13conversando com pessoas da minha idade,
04:15mais velhas que eu,
04:16aquilo que a gente aprendeu aos 20 anos,
04:18nunca esquece,
04:19até o final da vida.
04:20Então, no linguajado e na análise,
04:22isso sempre aparece.
04:24Quais são as contradições principais
04:26que você hoje vê
04:28entre o Brasil,
04:29a construção de um Brasil democrático,
04:32plural,
04:33e no processo da ocupação da Amazônia,
04:35para ficar restrito ali?
04:37Você é um adversário das ONGs,
04:39desde o Código Florestal?
04:41Isso é verdade?
04:42Você é a favor do desmatamento?
04:43Qual é a sua visão da Amazônia?
04:45Professor,
04:47a Amazônia é cobiçada
04:49antes de ser conhecida.
04:51Quando os espanhóis
04:54subiram os Andes
04:56e desceram com aquela expedição
04:59do Francisco Aurelana
05:01para a boca do Rio Amazonas,
05:05para a foz do Rio Amazonas,
05:08eles estavam querendo estender
05:10o espaço da Espanha
05:14na área da Amazônia Ocidental,
05:17que era depois dos Andes.
05:19Os ingleses, os franceses e os holandeses
05:22mantiveram até hoje
05:24aquelas três Guianas.
05:26Hoje é o Suriname,
05:27que é holandesa,
05:27a outra é só Guiana,
05:28que era inglesa,
05:29e a francesa continua sendo
05:30um departamento francês de Outramar.
05:32Essa é a história da cobiça.
05:35E ela hoje é permanente,
05:36talvez não como ocupação territorial,
05:39mas não esqueçamos
05:41que a Amazônia é detentora
05:43da maior fronteira
05:45de biodiversidade do mundo.
05:48Eu vou a Paragominas,
05:49recentemente,
05:50em 2023,
05:52acabava de sair da Paragominas
05:54uma missão científica alemã
05:56atrás de uma planta
05:58que curaria o mal do Alzheimer.
06:01Lá na Amazônia,
06:03você tem na Amazônia
06:05a maior fronteira mineral do mundo.
06:08Agora mesmo,
06:10pesquisadores da Universidade Federal
06:12de Roraima,
06:14lá na região de Caracaraí,
06:18uma reserva de terras raras
06:21com os mais elevados
06:23teó de terras raras do mundo.
06:25Tudo isso na Amazônia.
06:26Você pergunta para um geólogo
06:27aposentado na Amazônia
06:29o que é que tem na Amazônia de minério,
06:31ele te responde com uma pergunta.
06:33Se você conhece a tabela periódica,
06:35você diz que sim
06:36e ele, portanto,
06:38conclui que tudo que tem
06:39na tabela periódica
06:40tem na Amazônia.
06:41Portanto,
06:42não se trata de ser inimigo
06:43dos indígenas.
06:44Pelo contrário,
06:45eu tenho grande simpatia,
06:47sou defensor da causa indígena.
06:49Quem não defende a causa indígena
06:51é essa gente que está aí, professor.
06:53E eu faço isso
06:54desde quando estava no PCdoB,
06:56era do governo Lula.
06:58Quando eu disse
06:59que a demarcação da Raposa Serra do Sol
07:03era um grande equívoco,
07:05escrevi vários artigos,
07:07dei entrevistas sobre isso,
07:10eu era ministro do presidente Fernando Henrique
07:12e era deputado do PCdoB.
07:15Quando eu fui relator do Código Florestal,
07:19eu fui escolhido por consenso
07:23e eu estava no PCdoB.
07:25Não se tratava de defender os ruralistas,
07:27se tratava de defender quem produz alimentos no país.
07:31Só tem um tipo humano que produz alimentos no Brasil.
07:35O Brasil precisa de médicos,
07:36de jornalistas,
07:37de professores,
07:38de advogados,
07:38de botânicos,
07:39de biólogos,
07:40de militares.
07:41O Brasil precisa de todo esse tipo humano
07:44para ser construído,
07:45de operários,
07:46de engenheiros,
07:47mas só um produz a segurança alimentar,
07:50é o agricultor.
07:50E agora nós vamos hostilizar,
07:54perseguir aquele que dá segurança alimentar.
07:58Portanto,
07:58não se trata de perseguir os que estão lá na Amazônia.
08:01As ONGs não protegem de forma nenhuma os indígenas.
08:05Quando o IBGE publicou recentemente a estatística dos municípios
08:10com o maior elevado nível de analfabetismo,
08:14o município líder é um município de Roraima
08:16com mais de 90% da população indígena no município.
08:20O município de Uiramutã.
08:22Portanto,
08:23essas ONGs não protegem nada,
08:25a não ser os seus próprios interesses financeiros
08:28e os bilhões de dólares, euros e reais
08:31que arrecadam em nome da defesa da Amazônia,
08:34em nome da defesa dos indígenas,
08:36não defendem nem a Amazônia,
08:37onde a população é a mais pobre do Brasil
08:39e nem defendem os indígenas.
08:43E eu guardo a minha coerência,
08:45porque sempre defendi.
08:46Aliás, estudante ainda,
08:48aqui em São Paulo,
08:49lançamos na PUC o MDA,
08:53Movimento de Defesa da Amazônia,
08:55na PUC,
08:56no final dos anos 70.
08:58Eu estava lá,
08:59Amazônia é nossa, eu lembro.
09:00Exatamente.
09:01Eu estava lá, eu assisti.
09:02É uma causa antiga.
09:04Quando a esquerda era nacionalista,
09:07quando o Brasil estava no centro das preocupações,
09:10hoje não,
09:11hoje são as pautas biológicas
09:13que orientam essa militância,
09:16na minha opinião,
09:17desorientada.
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