O novo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), quer colocar fim à escala 6x1 como uma das metas de sua gestão no Planalto. A pasta, responsável pela interlocução com a sociedade civil, tem papel estratégico no diálogo entre governo e movimentos sociais. Cristiano Vilela e Luiz Felipe D'Avila comentaram. Reportagem: Igor Damasceno Comentaristas: Cristiano Vilela e Luiz Felipe D'Avila
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00:00Destaque aqui no Jornal da Manhã para Guilherme Boulos, porque com ele no Ministério, o presidente Lula espera a resolução de alguns temas sociais para melhorar a visibilidade do governo.
00:10É o que o Igor Damasceno explica pra gente agora. Pois não, Igor?
00:17Nonato, o primeiro grande desafio do novo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, vai ser justamente compor o quadro de funcionários deste Ministério.
00:28Ministério que funciona aqui no Palácio do Planalto, inclusive Guilherme Boulos deve ter um encontro com os atuais funcionários, a equipe do agora ex-ministro Márcio Macedo.
00:39Macedo, inclusive, vai estar presente nessa reunião para falar a respeito do trabalho que foi empenhado nos últimos anos.
00:47Agora, a ideia de Guilherme Boulos, segundo fontes nossas aqui no Palácio do Planalto, é colocar uma nova equipe, equipe essa que integra movimentos sociais.
00:58Devem fazer parte da equipe de Boulos, por exemplo, integrantes do movimento Povo Sem Medo e também movimento das pessoas sem teto, dos trabalhadores sem teto, o MTST.
01:11Então, são pessoas ligadas a movimentos sociais que agora vão fazer parte do Palácio do Planalto.
01:19O grande desafio de Guilherme Boulos é reaproximar o presidente Lula de movimentos sociais.
01:25E a saída encontrada por Guilherme Boulos é trazer esses movimentos para dentro do Palácio do Planalto.
01:31A expectativa dele é que a relação melhore a partir desse momento.
01:36Agora, o MST, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, ele não vai ganhar cargos aqui no Palácio do Planalto, não vai integrar a equipe de Guilherme Boulos,
01:50mas o ministro deve participar de reuniões, deve tentar aproximar o presidente Lula do MST nos próximos meses.
01:58Então, a estratégia dele é chamar esses movimentos para o Palácio do Planalto e assim aproximá-lo, não só ali politicamente, mas até mesmo fisicamente, do presidente Lula.
02:10Agora, outro grande desafio de Guilherme Boulos, e ele vai se concentrar nisso, é ajudar a deputada federal Erika Hilton, que inclusive é colega dele no PSOL, a respeito da PEC do fim da escala 6x1.
02:25O governo federal começa a voltar as atenções para essa PEC que está travada lá na Câmara dos Deputados.
02:33É uma PEC que foi protocolada depois de uma massiva campanha nas redes sociais.
02:38Ela quer trocar aqueles seis dias de trabalho para um dia de folga por quatro dias de trabalho para três de folga,
02:46com margem de negociação para cinco dias de trabalho e dois dias de folga entre os trabalhadores brasileiros.
02:53O governo federal entende que essa PEC viralizou nas redes sociais, é bem aceita entre as pessoas, então vai entrar nessa disputa também.
03:03Então, Guilherme Boulos vai trazer os movimentos para o Palácio do Planalto e vai ajudar Erika Hilton com a PEC do fim da escala 6x1, essa tramitação que está travada.
03:14Esses são os dois grandes desafios do ministro nesse momento, porque no entendimento dele são questões que podem dar popularidade para o presidente e pode ajudá-lo nas eleições do ano que vem.
03:27Ou seja, o governo federal, aliás, o presidente Lula já ativou o modo campanha e agora conta com Guilherme Boulos para, então, sair na frente na disputa eleitoral de 2026.
03:39Voltamos ao estúdio.
03:42Muito obrigado, Igor Damasceno, com informações para a gente em Brasília.
03:45É assunto para a gente trazer os nossos analistas mais uma vez, Luiz Felipe Dávila e também o Cristiano Vilela.
03:51Ô, Vilela, o Igor trouxe uma série de alternativas aí que o Guilherme Boulos terá para com o governo.
03:59Ele é o nome mesmo para atrair essa ala que o governo está querendo de movimentos sociais.
04:05E há também uma preocupação no PSOL em relação a ele não ser candidato o ano que vem, né, porque foi o principal votado e aí o partido fica sem um nome forte.
04:15Pois é, nesse sistema proporcional das eleições para deputado, de fato, conta bastante.
04:20Guilherme Boulos é um político que tem voto, tem representatividade e, com isso, a chapa do PSOL perde.
04:26Agora, acredito eu que deva ganhar do ponto de vista político à medida que tem um dos seus principais quadros numa posição estratégica
04:35e que vai canalizar esse discurso de nós contra eles, de pobres contra ricos,
04:41que o governo Lula já faz bastante e vai investir cada vez mais nesse discurso agora no ano que vem para as eleições de 2026.
04:50Eu vejo que Guilherme Boulos, ele vai na linha de pregar para convertidos.
04:55Ele vai pregar justamente para aquele segmento da sociedade, os movimentos sociais, as instituições representativas,
05:04que já são próximos ao presidente Lula, especialmente num contexto eleitoral polarizado, esquerda versus direita.
05:11É natural que esses segmentos venham em apoio ao presidente Lula.
05:16Onde eu vejo que será, talvez, a contribuição de Guilherme Boulos nesse sentido é em fazer com que essa militância se inflame.
05:24Vá às ruas, faça campanha e faça com que esse discurso de nós contra eles, pobre contra ricos,
05:32acabe viralizando cada vez mais, acabe se propagando cada vez mais.
05:36O fato é que o governo, o presidente Lula, ele está investindo justamente nessa contraposição,
05:43nessa polarização, nessa divisão da sociedade brasileira.
05:47E nesse sentido, Guilherme Boulos acentua cada vez mais essa divisão.
05:52É o governo se afastando do centro e indo cada vez mais para a esquerda no espectro político brasileiro.
05:59Dávila, dois pontos aqui para a sua análise.
06:02Primeiro, o governo, na sua avaliação, acerta na nomeação de Guilherme Boulos?
06:07E dois, ele vai conseguir mudar a percepção da população diante do governo?
06:13Boas perguntas, Soraya.
06:15Primeiro, joga o governo mais à esquerda e vai perder a base de centro.
06:20Não podemos esquecer que o eleitorado brasileiro é mais ou menos dividido no terço.
06:24Um terço vota na direita, um terço na esquerda e o outro terço é o indeciso.
06:28Com esta escolha, o PT está cada vez mais abraçado com a esquerda e abandonando o centro.
06:34E esta medida, principalmente da reforma trabalhista, esse 6x1, é típica medida de esquerda.
06:41Ou seja, tem um apelinho ótimo, né?
06:44Porque você vai trabalhar menos e ganhar mais, só que não fazem matemática.
06:48E ao não fazer matemática, agrava a questão financeira do Estado brasileiro,
06:53que vai acabar no bolso do brasileiro, porque aumenta a taxa de juros, aumenta a dívida.
06:58E aí, quem paga a conta somos nós.
07:00Nós já trabalhamos cinco meses por ano para pagar imposto.
07:04E com essa medida, provavelmente, vamos ter que trabalhar mais dois meses.
07:07Veja só o impacto disso na vida real.
07:11Para as empresas, essa medida desastrosa vai aumentar em 18% o custo de contratação.
07:18Ou seja, vai custar mais de 112% para contratar um trabalhador de carteira assinada.
07:24O que vai acontecer?
07:26Aumentar a informalidade.
07:28Segundo, vai estourar principalmente as contas do setor público,
07:33porque isso coloca enorme pressão na previdência e nas pensões.
07:38Isso significa que em 2027, 100% do que for arrecadado vai ser gasto com pessoal, aposentadoria e benefício.
07:48E, por último, o Brasil vai criar mais uma jabuticaba.
07:52Vai ser o primeiro país no mundo a remunerar mais o descanso do que o trabalho,
07:58como disse o professor José Pastore.
08:00Vamos remunerar 204 dias de descanso para 161 dias trabalhados.
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