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00:00O canal Livre está de volta, hoje recebendo o governador do ar, Clécio Luiz Vieira.
00:05A gente falou bastante e ainda vai tratar da margem equatorial, exploração de petróleo.
00:09Deixa eu só pegar num ponto, o senhor citou no primeiro bloco sobre, a gente mostrou até
00:14o número, um estado com muitas dificuldades, ainda com a pobreza muito grande.
00:18Eu estava vendo que o índice de, por exemplo, dentro do estado na população de atendidos
00:23pelo Bolsa Família é de 50%, ou seja, um índice alto.
00:26Eu queria te ouvir sobre o Bolsa Família, a discussão em si, muitas vezes tem pessoas
00:32que questionam o programa, ou a forma do programa ser implementado, se ele deveria existir dessa
00:37maneira, como ele deveria, aquela coisa do ajudar a pescar e de alguma forma dar a luz para
00:43que a pessoa saia.
00:44O senhor entende como o Bolsa Família, e o senhor entende que há ajustes a serem feitos
00:49no programa, ou do jeito que ele está, ele funciona muito bem, governador?
00:52O programa foi muito bem pensado.
00:54Desde lá atrás, a vinculação dele com a vida escolar do aluno, com a carteira de
01:00vacinação, não é esse o problema.
01:02Eu sou a favor do Bolsa Família.
01:05Ocorre que o estado precisa ter, os estados, vou falar do Amapá, alternativas econômicas.
01:13Nós fomos território federal há muito tempo, então o governo federal indicava o governador,
01:18mandava o dinheiro, todo mundo lá tinha, do governo, o emprego, a casa, a diversão,
01:24bons hospitais, boas escolas.
01:26E quando nós viramos estado, que nos disseram assim, caminhem com as próprias pernas, nós
01:31estábamos bambiando, porque a nossa musculatura empreendedora foi fragilizada, ela foi profiada.
01:37Constituição de 88?
01:39Isso.
01:39O estado, nós viramos estado na Constituição de 88, 5 de outubro, depois, ter a primeira
01:45eleição em 90, e ele começa a ser implantado em 91.
01:49E o primeiro governador eleito tinha sido o último da ditadura militar.
01:53Então, ele acabou prolongando aquela visão do estado para o estado.
01:58Os primeiros recursos do FPE foram para quê?
02:00para construir a estrutura de contas do Tribunal de Justiça Legislativa, da própria estrutura
02:04governamental.
02:05Então, chegou o momento, havia a atividade econômica.
02:08Esse é o movimento que a gente está construindo agora, criando, ó, fomos completamente adotados
02:13no federal.
02:13Isso não dá, mas não podemos, sim.
02:15Nós precisamos, criaturas, musculaturas, e nós podemos fazer isso hoje no Amapá, sem
02:21permitir os erros do passado, seja no petróleo, seja na escala, o que chamamos de bilhar,
02:25para a Amazônia.
02:26Vamos nos negócios, se não tivermos atividades econômicas, não de emprego.
02:29Para mim, falar da realidade de hoje.
02:31Tem um legado para trás, vou falar mais depois, mas agora.
02:34Vamos lá do que proporcionou.
02:36Ano passado, nós crescemos, nós crescemos 27% a mais de emprego de carteira assinada.
02:41Eu não estou falando de concurso público, nós temos os maiores chamamentos.
02:44Olha, eu não estou falando de contrato administrativo, eu não estou falando de transposição.
02:48Em geral, pequenas.
02:49Então, e quem diz isso não é o data class, é o CAGED, o cadastro, dados e desempregados.
02:54E o plança dá resultado.
02:56Com o nosso, né?
02:5730 mil pessoas.
02:59Quanto é hoje?
02:59103 mil pessoas.
03:02E aí, predomina a economia verde?
03:05Vamos lá.
03:06Primeiro, as concessões públicas.
03:08Nós fomos o primeiro Estado a fazer, depois do marco regulatório, ações de planeamento,
03:12por exemplo.
03:13Depois, as concessões privadas, especialmente de proflorestas, madeireiros e não madeireiros.
03:18Três, quando juntam a pá, que é o que está chamado alívio, fazendo carvão.
03:22Mas comente, porque antigamente, agora, tanto de coisas que se faz, pouquifazadas e toneladas
03:25todos os dias.
03:26Hoje, a gente está implantando o ativo.
03:29O próprio teraprima, geralmente, associa a tecnologia e o sistema que o mercado aceita, que o mercado...
03:36Nós temos lá, em Jesus, por exemplo, o chamado Tavares, de um medicamento para dores de fibromialgia
03:41ou para aquelas dores dramáticas de quem tem diabetes muito elevada, dores nas terminações
03:48nervosas, produtos fábios, que...
03:52Essa linha agrega muito...
03:53Um problema terrível.
03:55É o crime organizado.
03:57Nesse sentido.
03:57Claro.
03:58Tem 10 anos que chegou lá, 12 anos.
04:01Isso, isso.
04:02E está isso, né?
04:02Eu queria saber, primeiro, como é que está o combate ao crime organizado.
04:06Se o senhor se organizou para o crime organizado.
04:08Ali, segundo a segurança do governo federal, que está até parada nesse momento, eu não
04:13sei porquê, ela provocou reações em alguns governadores da oposição de unificar a luta
04:20contra...
04:21Essa é por aí.
04:22Mas é o crime.
04:23Ok.
04:24Então, vamos lá.
04:24Esse é um assunto que eu me tomo a agenda todo dia, porque ele vai ser enfrentado e eu
04:29estou enfrentando.
04:30O de segurança pública.
04:31A segurança pública é sobredivisada.
04:33Então, é bom.
04:34O detalhe é, temos que manter a autonomia dos estados, a autonomia federal.
04:38O primeiro texto, o senhor acha que tira a autonomia?
04:40Não tira.
04:41Não tira.
04:41O primeiro texto tinha problema.
04:43O texto que foi modificado e foi aprovado não tira a autonomia.
04:46Não ingessa.
04:46Não ingessa.
04:47Ao contrário.
04:48Integra.
04:49Então, eu sou a favor e já me posicionei sobre isso.
04:52Sobre o crime organizado e muito especialmente as facções criminosas que chegaram a pá há
04:5710, 12 anos, 15 no máximo, aquela realidade que nós só víamos pelos noticiários
05:03nacionais se implantou na Amazônia inteira e se implantou exatamente pela ausência do
05:10Estado.
05:10Quando eu falo do Estado, eu falo da União, dos Estados, propriamente dos municípios,
05:15da escola, de áreas de lazer, de opções, etc, etc.
05:18Ela faz nesse vazio uma parte do garimpo.
05:20E eleições pelos crimes organizados.
05:22Puro e pelo crime organizado, perdão.
05:24Por isso que é tão importante desenvolver a Amazônia, ter negócios na Amazônia.
05:28Está lá no Amapá agora, aqui os indicadores, parou toda a equipe e passou a dar um apoio
05:32muito.
05:33E nós começamos a reer um quadro que estava se agudizando de enfrentamento, de mortes
05:38violentas.
05:39A gente teve uma população pacata, de um povo trabalhador, ordeiro.
05:43E você via todos os indicadores bons de violência.
05:45Mas um especial, que é o CVLI, os crimes letais intencionais, os crimes violentos letais
05:50intencionais, que são aquele crime que o cara sai de casa para matar.
05:55E qual que é o interesse do crime organizado no Amapá?
05:59Rota e garimpo ilegal, entre outras coisas.
06:03São outros negócios.
06:04A droga ficou como secundário.
06:08É a ocupação de territórios mais raras.
06:11Citando o lado positivo, quando a gente para a Goiânia, a gente já está praticamente
06:16na Europa.
06:16Isso.
06:17É um pedaço da Europa na Amazônia.
06:20Você tem uma fronteira marítima e essa fronteira, que abre essa conexão muito mais rápida,
06:27essa efetividade depende, na fronteira, do governo federal.
06:32Isso.
06:32Está acontecendo?
06:34Está acontecendo.
06:34E está em sua colopção, inclusive, com os outros países?
06:36Sim.
06:37Todo o apoio do governo federal.
06:39E nós mesmos, nós fizemos os maiores investimentos em segurança pública e com uma propaganda
06:48pedagógica.
06:49O que é isso?
06:50Nós fizemos os maiores concursos para a segurança pública, os maiores chamamentos, perdão,
06:55de policiais, de toda a área, policial civil, policial militar, policial penal, policial
06:59científico, todas as áreas de segurança, os maiores chamamentos de concurso público.
07:03Um.
07:03Depois, as maiores capacitações.
07:06As maiores aquisições de armamentos, inclusive fuzis israelenses.
07:11munições letais, não letais, muito investimento em inteligência e mostrando isso.
07:19Para quê?
07:20Porque eu prefiro que o Estado mostre, dentro da legalidade e com um fator pedagógico,
07:29mostre pedagogicamente, do que, como a gente vê em alguns estados, onde o criminoso ostenta
07:35um fuzil na carroceria de uma picape ou na roupa de uma moto.
07:39Então, lá, quem ostenta é a polícia dentro da legalidade.
07:45Fardados, em viaturas, em quartéis, com equipamentos de inteligência, enfim, com tudo
07:50que a segurança precisa.
07:51E eu afirmo, e é só olhar os indicadores, tá?
07:54Nós somos o Estado que mais reduziu as mortes violentas e intencionais no Brasil.
07:59Tivemos, nos meses de junho e setembro, agora que passou, os melhores indicadores desde
08:06que a série histórica começou a ser produzida.
08:09Então, é resultado, realmente, de enfrentamento.
08:12Aí tem uma postura que ela é política, é o governador falando claramente isso.
08:17Além da postura política, os programas.
08:19Por exemplo, tem um que é maravilhoso dentro da escola.
08:22Nós identificamos que crianças se autodenominando da facção A ou B.
08:26Então, nós fomos para dentro das escolas com um programa chamado Escola Segura, onde
08:31a polícia está lá dentro, dialogando, eles são treinados.
08:35Então, moças e rapazes policiais que têm diálogo com a comunidade escolar, que faz
08:39a ronda no entorno, que para na praça, que joga basquete, que entra na escola, conversa
08:44e cria um outro espelho, que não só o espelho do criminoso faccionado, que por algum motivo
08:50gera um encanto naquela comunidade carente.
08:52Então, e aí vai uma série de outros programas de sucesso que fizeram com que a gente virasse
08:58a mesa e virasse esse jogo no Amapá.
09:00Governador, o senhor citou garimpo ilegal como uma das atividades do crime organizado.
09:05A gente viu, inclusive, aquela discussão toda na Terra e Anomami, o garimpo ilegal,
09:10o mercúrio que contamina os rios.
09:12O senhor é favorável a uma discussão de legalização do garimpo, obviamente com regras
09:18duras para que ele possa acontecer, por exemplo, no estado do Amapá?
09:21Sim, mas assim, a gente tem que abordar esse tema de forma muito responsável.
09:26Falei ainda há pouco.
09:27Como é que faz um aerogerador, como é que faz uma placa de energia solar?
09:30Mineração.
09:32Então, o assunto é mineração.
09:34A mineração se faz com vários métodos.
09:37Hoje, o mercado nos oferece muitos sistemas sustentáveis, sistemas fechados, que nos permite
09:43fazer com segurança ambiental atividade mineral.
09:46Nós nascemos no Amapá de uma província mineral.
09:50O Amapá foi criado na década de 40 porque se encontrou lá, à época, a maior jazida
09:55de manganês do mundo, à época.
09:58Imagina isso, Mitri, em plena Guerra Fria.
10:00Então, o Amapá nasceu a partir daí.
10:03Então, não é à toa que o Eike Batista passou dois momentos no Amapá.
10:07Então, nós temos muito minério lá.
10:09Nós precisamos é fazer isso de forma legal.
10:12O Estado precisa jogar luzes sobre essa discussão da mineração sem dogmas, para que a gente
10:18possa, sim, ter uma atividade muito regulada e que isso gere interesse a quem queira fazer
10:26de forma legalizada.
10:26Porque quando a gente não gera interesse?
10:28Quando não se joga luzes na Amazônia, quem vai assumir vai ser o narcotráfico, vai
10:34ser o garimpo ilegal, que, inclusive, uma parte migra de Roraima e vai para o Amapá.
10:39Que está crescendo, né?
10:40Tudo isso está crescendo.
10:41Agora, governador...
10:42Enquanto nós não discutirmos com clareza, com seriedade, sem dogmas, atividade mineral,
10:48nós vamos continuar à mercê desse tipo de atividade ilegal.
10:51O fato de o Amapá ter hoje a maior parte do território dele preservado em algum tipo
10:56de reserva legal, ou terra indígena, ou parque nacional, enfim, isso é um dificultador,
11:02por exemplo, para a exploração mineral, você consegue, pelo menos, mapear o que tem
11:07ali no subsolo?
11:08Então, nós temos um mapeamento que é da década de 50, 60 até 70, né?
11:15Depois, essa atividade foi entrando no declínio, ela é uma atividade muito criminalizada,
11:19há muita desinformação e nós precisamos...
11:22Eu criei agora uma secretaria de mineração que está organizando o segmento e vai investir
11:29muito em pesquisa para poder oferecer ao mercado, ou seja, a legalidade, ao mundo legal, as informações
11:38para investidores.
11:40E a nossa legislação ambiental do Amapá já prevê essa atividade dentro de um rigor
11:45técnico, um rigor ambiental que faz parte da tríade que nós estamos oferecendo para
11:51quem quer investir no Amapá.
11:52A gente está oferecendo o seguinte, ó, quer vir investir no Amapá?
11:54Ah, você é bem-vindo, nós vamos oferecer segurança política, é o Estado dizendo,
11:59queremos nos desenvolver para continuar preservados.
12:03A segurança jurídica, por isso a gente fez nova legislação ambiental, zoneamento
12:07ecológico e econômico, planos diretores das bacias dos nossos rios, monitor de seca,
12:15cicatrizes de focos de incêndio, fazendo o dever de casa.
12:18E, por último, isso gera uma segurança ambiental, onde a gente vai produzir nas áreas que são
12:24permitidas e o nosso zoneamento diz, olha, aqui pode, aqui não pode, aqui pode isso e
12:28não pode aquilo, para dar segurança ambiental, jurídica e também para fazer com que essa
12:34atividade gere emprego, renda, dinâmica econômica de forma saudável.
12:40Então, nós estamos investindo nisso fortemente e tendo um arcabouço bem claro do que nós
12:47queremos, não queremos devastar mais.
12:50Pensar que o último mapeamento foi feito em 1950, 60?
12:56É isso.
12:56Em 2025?
12:58Isso, mas olha, veja, isso assemelha à discussão que a gente está fazendo do petróleo, que
13:02é a de agora.
13:03Estamos negando o direito a pesquisar, no caso do petróleo.
13:07E nós queremos investir para também colocarmos à luz de possibilidade de desenvolvimento
13:14a pesquisa que vai dizer o que tem no mapa e o que não tem, desde o ponto de vista da
13:19mineração.
13:19Mas, governador, qual é a relação, assim, no dia a dia do governo com as áreas protegidas?
13:26Como é que o senhor atua lá?
13:27Ah, bom, vamos lá.
13:29Nós, eu demarco, senão, para trás.
13:32Fomos o Estado mais preservado, mais protegido, que aqui demarcou suas áreas indígenas, tudo
13:36isso que eu já falei, que nos orgulha muito.
13:39Esse foi um dever de casa que foi feito para trás e chegamos até aqui, certo?
13:45Isso não se sustenta mais para frente, se não tiver atividade econômica.
13:49Então, até agora, nós não temos, por exemplo, nenhum histórico de invasão de terras indígenas,
13:54desses conflitos que nós vemos por aí.
13:57Mas nós precisamos tomar medidas para gerar economia, para gerar dinâmica econômica,
14:02para gerar emprego, para que a gente possa continuar preservando esse território.
14:06Mas parece que é traditório como efetivar isso.
14:08Porque é uma agenda ambiental e uma agenda econômica caminhando para o mesmo lugar.
14:13É porque a nossa cultura é de colocar o meio ambiente para brigar com o desenvolvimento.
14:19Quando no Amapá, é o meio ambiente que está dirigindo o desenvolvimento.
14:24Porque se nós mapeamos tudo, nós temos um zoneamento ecológico, ou seja, aqui pode grãos,
14:29aqui não pode.
14:30Aqui pode espécies exóticas, palmas, por exemplo, aqui não pode.
14:33Aqui pode atividade mineral e aqui não pode.
14:35A gente está delimitando muito bem isso.
14:38Eu dou segurança e boto essas atividades para convergir.
14:42A preservação, a conservação ambiental converge com o desenvolvimento.
14:46E uma protege a outra.
14:48Porque eu não estou falando de invadir áreas indígenas, de invadir as reservas que nós já temos.
14:5373,5%.
14:55Agora, essa área restante, se nós temos 73,5% do território preservado e protegido,
15:03por que nós vamos explorar positivamente essa área que não está protegida?
15:07Para isso, tem legislação federal, estadual, dentro do protocolo.
15:11E nós fizemos tudo isso.
15:12Esse dever de casa foi feito.
15:13A nossa legislação ambiental é mais importante no Brasil.
15:16A área não protegida.
15:18A área não protegida.
15:20Se produzir bem e agregar valor, porque produzir na Amazônia tem que ter valor agregado, certo?
15:27Olha, com os selinhos, a mapá, esse produto vale mais do que foi produzido em outro lugar.
15:34Então, produzir bem nessa área significa, de forma concreta, impedir racionalmente,
15:42de forma inteligente, que a gente não ocupe aquilo que está preservado ou protegido, como as áreas indígenas.
15:47Vou dar um exemplo concreto aqui.
15:49Nós pedimos a Petrobras.
15:52Quando liberar, se liberar a atividade do petróleo, vai ter que ter a contrapartida
15:56para que as aldeias, os territórios indígenas do Iapoque, recebam, enquanto tiver atividade econômica,
16:03recursos para poder preservar os seus limites.
16:07Então, vai ter que ter viatura pessoal, que são os próprios indígenas,
16:11com rádio, com internet, não sei, embarcações, para que diariamente façam a proteção desses limites.
16:17Não pode descansar nenhum dia.
16:19O petróleo tem que financiar isso.
16:20Por quê?
16:21Porque a pressão urbana vai existir.
16:25Nós sabemos disso?
16:25Claro que sabemos.
16:27Já vimos outras experiências.
16:28Nós temos saída dentro dessa visão ambiental para que nós continuemos preservados,
16:35mas também produzindo e elevando essa condição econômica e social.
16:40Agora, por quem você falou da Noruega, que é um dos maiores doadores internacionais para planos de preservação.
16:47Chega algum dinheiro internacional no Amapá, governador?
16:49Muito pouco, Thaís.
16:51É por isso que eu disse, olha, eu não acredito mais...
16:53Você não acredita mais nisso, não, né?
16:54Não.
16:55E nós conseguimos agora um recurso do Fundo Amazônia pela primeira vez.
16:58Nós queríamos para vários projetos e conseguimos um para instrumentalizar, para equipar o nosso corpo de bombeiros para fazer combate a incêndio florestal.
17:08Ótimo.
17:09Mas a gente queria também para isso, para atividade econômica.
17:12Mas cadê esse dinheiro?
17:13É porque esse dinheiro, bem bem, ele é pensado para quem já devastou, para quem desmatou, para quem não preservou.
17:19E a gente que preservou fica a ver navio de terrorismo.
17:23Mas não deveria ser o contrário?
17:24Claro que deveria ser.
17:26Olha só, qual a mensagem que a gente está passando para o mundo, para a juventude, para as futuras gerações?
17:32De que quem desmatou, quem devastou, quem não protegeu ficou rico.
17:37Quem protegeu, quem não devastou, quem não desmatou e protegeu ficou pobre.
17:41Essa mensagem é péssima.
17:44Então, o que eu quero...
17:45O governo de Barbalho sempre defendeu aquela ideia de pagar pela floresta em pé, que é o anfitrião da COP.
17:52Sim, mas só pagar cria uma inanição econômica.
17:56Nós temos que receber pela floresta, ou seja, serviços ambientais.
18:00Esta semana, nós temos os primeiros pagamentos de um programa federal com a Unesco e o governo Amapá remunerando,
18:08mas não é bolsa e nem é uma medida compensatória aleatória.
18:12É o seguinte, nós fomos lá, tiramos os CAR, cai o Cadastro Ambiental Rural.
18:17Depois validamos o CAR e 220 agricultores familiares, boa parte de mulheres, vão receber até 28 mil reais como remuneração.
18:26É negócio.
18:27Eu estou te remunerando porque você está protegendo e você está produzindo.
18:33Tem que produzir.
18:34Essa é a diferença.
18:35Proteger e produzir.
18:36E produzir, porque senão você cria uma outra condição que não é boa.
18:40As pessoas têm que trabalhar, têm que produzir, têm que realmente se apropriar positivamente do lugar ou da matéria-prima que está disponível ali.
18:50E nós precisamos disso.
18:51Nós não queremos esmola.
18:53Só as bolsas não resolvem.
18:55A bolsa, ela eleva a condição básica de sobrevivência, mas é a atividade econômica que eleva a condição intelectual.
19:04E o mercado de carbono.
19:05Que ele leva para o mercado, para a universidade, que gera pesquisa aplicada.
19:10Enfim, o mercado de carbono.
19:11Não está nem legalizado, está nem regulamentado.
19:13Não, a gente já tem experiências com muita dificuldade.
19:16Nós vamos lançar agora também.
19:18Vamos lançar o nosso programa.
19:19Vamos falar do mercado de carbono?
19:21Vamos.
19:21O mesmo exemplo.
19:23Você sabia que...
19:24Vamos pegar uma pá.
19:25Lá, se nós pegarmos uma área da Ancel, por exemplo, que tem 300 mil hectares desses, tem 60 mil de floresta plantada.
19:32É o eucalipto.
19:33Está aqui.
19:34Pegar do lado a mesma área de um agricultor e for remunerar a floresta plantada e a do agricultor, quem ganha mais?
19:42O cara que primeiro tirou a floresta e depois plantou.
19:44Mas o eucalipto, ele é menos valorizado do que...
19:48Mas na valorização do crédito de carbono, pasmo, ele é mais valorizado.
19:53Porque a lógica é de reposição.
19:55O eucalipto é mais valorizado?
19:56O eucalipto é mais valorizado?
19:57É o crédito de carbono, não o eucalipto.
19:58Quem desmatou e replantou, ganha mais de quem preservou.
20:03Você entendeu?
20:04É uma lógica que não atende a uma pá, que tem 95% da floresta intacta.
20:09Então, quem preservou, ganha menos do que em algum momento tirou e replantou.
20:15Você está entendendo?
20:16Quem tirou e replantou, ganhou duas vezes.
20:18Que ganhou quando fez a atividade econômica e ganhou quando vendeu o crédito de carbono.
20:22E o nosso estoque, ele não é bem remunerado, como é a floresta plantada.
20:28E tem um princípio da biologia que eles usam, que é o seguinte, não.
20:30A floresta de vocês é uma floresta muito antiga, portanto, ela captura menos monóxido
20:37e dióxido de carbono e produz menos oxigênio, o que é verdade do ponto de vista da biologia.
20:42Mas é perverso, do ponto de vista de quem preservou durante séculos.
20:48Estimula a cortar para plantar a nuva, né?
20:50Está aí.
20:51Governador, tarifas dos Estados Unidos afetaram o Mamapá pensando na exportação, por exemplo,
20:58de frutas, de pescados, desses produtos que têm o selo amazônico?
21:02Quase afetam o nosso maior tesouro, o nosso petróleo plantável, que é o açaí, nosso ouro negro.
21:12Porque a nossa exportação de açaí era 100% dedicada aos Estados Unidos.
21:18E aí, numa articulação do senador Rodolfo e do governo, nós redirecionamos.
21:23Então, hoje, tem um programa através da Apex, que vai absorver esse açaí que seria exportado para os Estados Unidos
21:30para, por exemplo, merenda escolar, para o PAA, tanto da rede estadual quanto de instituições federais.
21:38Já substituiu?
21:39Já, já estamos substituindo.
21:41E a pesca também.
21:42Mas a pesca não foi atingida porque nós não fazemos.
21:45Nós não temos a exportação, pelo menos oficial, é muito pequena.
21:48A exportação para os Estados Unidos, o que iria atingir era o açaí e nós agimos muito rápido.
21:56E agora, toda essa produção é absorvida, toda a exportação do produto das empresas que exportavam.
22:03E, melhor ainda, abrimos outros canais com a Europa, por exemplo, a partir da Goiânia francesa e de outros países da Europa.
22:12Então, o que seria um problema virou uma grande oportunidade para o Lapa, porque o produto, o nosso produto,
22:18a gente tem muito orgulho, que é o melhor açaí do mundo, viu?
22:21Se quiser mandar o Lapa, acompanhando o seu vizinho da Venezuela, já que falando nos Estados Unidos,
22:26como é que o senhor está avaliando essa situação?
22:29Olha, eu lamento, porque não concordo com o que vem acontecendo com a Venezuela.
22:35Já me posicionei publicamente, mas, de fato, toda vez que a gente vê também uma intervenção de fora, é ruim.
22:43Então, sempre me posicionei criticamente, a Venezuela precisa se renovar.
22:48A democracia é a única ferramenta capaz de salvar os países que estão nesse tipo de crise.
22:55Mas que já foi embora lá, né?
22:57Thaís.
22:57Eu ia perguntar sobre a questão, já que a Thaís mencionou o tarifaço.
23:03Nessa última reunião, especialmente tratando de uma reaproximação, depois de toda a polêmica,
23:08terras raras, a gente falou de mineração e falou rapidamente sobre isso,
23:12sobre esse potencial que o Brasil também tem para oferecer o que a China tem também em abundância
23:19e tem como valor de negociação.
23:21De que forma também o Estado pode ser beneficiado nesse sentido?
23:24Bom, diante de toda essa discussão sobre mineração, nós criamos uma Secretaria de Estado da Mineração
23:30e começamos a organizar todo o segmento com base nas pesquisas anteriores
23:35e com informações mais recentes, que são poucas, organizando agora uma fase onde a gente vai entrar em pesquisa.
23:41Por exemplo, nós queremos fazer, através de um equipamento mais moderno que usa geofísica
23:46e que o Serviço Geológico Brasileiro tem, fazer lá 51 mil quilômetros lineares de sobrevoo
23:54com esse equipamento de geofísica, que com base no que nós já temos, vamos sobrepor as informações
23:59e ver o que tem de maior viabilidade, de maior possibilidade para fazer novos investimentos
24:07ou atrair investimentos para a mineração.
24:10Entre os nossos focos, terras raras, minerais críticos, que em geral vêm agregados aos minérios que nós temos lá.
24:18manganês, ferro, casterita, tantalita, enfim, nós temos uma infinidade, fosfato.
24:26Então, estamos num processo de retomada desse setor e eu estou muito animado com isso,
24:31mas sempre lembrando, mineração com esse viés de muita responsabilidade ambiental
24:37para não repetir os erros do passado, jogar mercúrio no rio, de devolver para a natureza um rejeito contaminado.
24:44Então, nós podemos fazer isso com muita tranquilidade hoje, é nisso que a gente está investindo.
24:48Governador, a gente está caminhando aí para o final.
24:50Só uma última pergunta, o senhor repetiu muitas vezes ao longo do programa a palavra dogma,
24:54inclusive falando de margem equatorial, garimpo, mineração, o senhor falou,
24:57olha, tem que deixar de fora a ideologia, o dogma e tal.
25:01O senhor foi do PSOL e o senhor hoje está na solidariedade.
25:05O senhor entende que talvez essa coisa do debate, às vezes muito ideológico,
25:11tenha lhe afastado o partido?
25:12Por que a saída do PSOL e o senhor, em termos agora de caminho político,
25:17está feliz na solidariedade?
25:18Sim, eu já fui muito partidário e entendo que isso é importante.
25:24Houve uma pulverização partidária que acabou com os partidos no Brasil,
25:28eu vejo um movimento de retomada disso.
25:30Mas o mais importante, eu não mudei os meus princípios,
25:33não mudei os meus intentos do que eu acredito na política.
25:37A política é a ferramenta capaz de mudar a vida das pessoas,
25:40independente do partido que eu esteja.
25:42Claro, tem um espectro aí que não dá também para sair do polo A ao B,
25:47como se nada estivesse acontecendo.
25:48Mas eu estou aqui hoje posicionado no centro.
25:50Se perguntarem, objetivamente, onde você está no espectro político
25:54das extremas esquerda à extremas direita?
25:56Eu estou no centro, não é no centro,
25:58no centro da ideologia política capaz de dialogar com os dois lados.
26:04E entendo o seguinte, que a gente precisa sim,
26:07para fazer uma discussão honesta, seja sobre petróleo, mineração, desenvolvimento,
26:12comunidades tradicionais, nos libertarmos de dogmas.
26:17Não é da ideologia.
26:18A ideologia faz parte de como você forma o pensamento.
26:20Foi isso que afastou o senhor da esquerda?
26:23Em parte, mas também em questões pragmáticas.
26:25Por exemplo, eu consegui, na minha primeira eleição para prefeito, por exemplo,
26:29eu no PSOL e o Davi Alcolumno veio me apoiar.
26:32Isso era impensável.
26:33Mas ele me apoiou no segundo turno.
26:35Depois eu digo, peraí, por que eu não podia fazer isso antes?
26:40E depois eu compus um arco de aliança para governar
26:43que enquadrou, englobou partidos como União Brasil.
26:49E aí isso não era possível no PSOL.
26:50Então, por uma questão pragmática também,
26:53eu fui para a rede e depois para o Solidariedade.
26:56E isso me dá liberdade para poder dialogar
26:59e colocar o Amapá acima da bandeira partidária,
27:02acima dessas questões dogmáticas.
27:04Eu trato hoje com muita leveza, com muita liberdade,
27:08qualquer assunto sobre o Amapá,
27:11sem ter que estar me preocupando
27:12do que eu vou prestar contas para a militância,
27:14prestar contas para a corrente A ou B do partido.
27:16Então, sobre esse aspecto,
27:19foi uma decisão também política
27:20de ter essa liberdade de discutir.
27:24E, inclusive, como até hoje, discutindo com o PSOL,
27:26discutindo com o PT, discutindo com a rede,
27:29onde eu fiz grandes amigos.
27:31Mas, realmente, eu defendo.
27:33Não é a ideologia, é o dogmatismo.
27:36É o fundamentalismo que tem dividido o Brasil.
27:40Não é a ideologia.
27:41É o fundamentalismo, é o dogma
27:43que afasta a política, que afasta os políticos,
27:47que criam barreiras insuperáveis,
27:49que divide famílias, por exemplo.
27:51Agora, imagina isso, Amapá.
27:52Pequeno, né?
27:54O efeito é muito mais danoso.
27:56Por isso que essa decisão que eu tomei
27:58diz respeito a mim,
28:00mas também a forma como eu
28:01trato a política do Amapá
28:03com todos os atores políticos.
28:05Governador Clécio Luiz Vieira,
28:07muito obrigado, governador do Amapá,
28:08pela sua entrevista,
28:09falando de diversos assuntos hoje aqui no programa
28:11durante uma hora.
28:13E agradecer, e, obviamente,
28:14abrir as portas para uma próxima oportunidade.
28:16Opa, eu agradeço, muito honrado,
28:18Fernando Mitri, por essa oportunidade.
28:20Thaís e Thaís, Rodolfo.
28:23E vou deixar um convite aqui, viu?
28:25Conheçam, Amapá.
28:26Estão convidados a conhecer esse torrãozinho
28:28mais setentrional do Brasil,
28:31onde tem o Rio Amazonas, a linha do Equador,
28:33o meio do mundo passa lá,
28:35o sol lá é mais garantido,
28:38floresta amazônica, as terras indígenas,
28:40uma Amazônia negra que pouca gente conhece,
28:42a fronteira com a moeda francesa
28:45e com o Suriname,
28:46portanto, uma fronteira com a Europa.
28:48Enfim, o filhote.
28:49O filhote, que é o melhor do mundo,
28:51o açaí, que é o melhor do mundo,
28:52a nossa culinária é respeitada.
28:55O Alex Atala, o chefe de cozinha,
28:57disse que a melhor culinária de base do Brasil
28:59é a do Amapá.
29:00Então, estão convidados para conhecer os sabores,
29:04para conhecer o povo e a cultura do Amapá,
29:06que vai ser cantada agora pela Mangueira,
29:08em fevereiro,
29:09como estratégia de desenvolvimento do Amapá.
29:11Mas é uma estratégia para fazer isso aqui,
29:14que nós fazemos conversando,
29:16vamos fazer de forma poética,
29:17para o mundo conhecer mais o Amapá,
29:19essa Amazônia amapainse,
29:20a Amazônia negra do Amapá.
29:22Thaís está feliz da vida,
29:23porque ele é mangueirense.
29:24Thaís, eu vou juntar as duas coisas, né?
29:27Aproveitar.
29:27Vai para a avenida cantar o Amapá.
29:29Maravilha, vai gostar.
29:30Vou te passar logo o samba.
29:31E manda o açaí, por favor, Bruno.
29:33Vou mandar.
29:34Meu filhão.
29:34Um abraço para o Mitri,
29:35Thaís Freitas,
29:36Thaís Dias,
29:37e principalmente a você de casa.
29:38Muito obrigado pela audiência.
29:40Até semana que vem.
29:40Tchau, tchau.
29:44Transcrição e Legendas Pedro Negri