00:00Agora eu quero falar também que depois de Celso Sabino e André Fufuca baterem o pé e contrariarem os seus partidos para permanecerem no governo,
00:07o presidente Lula disse que vai liberar quem quiser para concorrer às eleições,
00:12porque ele não vai impedir a criação de novas lideranças, o surgimento de novas lideranças aqui no país.
00:19Vamos chamar então o Adrianelli, que vai trazer as informações para a gente agora. Conta aí, meu amigo.
00:23Pois é, Evandro, o presidente Lula fez esses comentários justamente nesse momento então em que existe toda uma resistência por parte de Celso Sabino,
00:35ministro do Turismo, e de André Fufuca, ministro do Esporte, de não cumprir então as exigências dos seus respectivos partidos,
00:43o União Brasil e o Progressistas, e assim continuarem na base do governo federal, ocupando cargos no primeiro escalão.
00:50O presidente Lula já havia dito que não iria implorar por apoio político de nenhum partido na disputa eleitoral do ano que vem, de 2026,
01:01e agora ele voltou a fazer afirmações também de que não vai implorar para que ninguém fique no governo federal,
01:07porque na avaliação dele, todos aqueles que quiserem ser candidatos vão ter essa possibilidade, serão então candidatos, vão ter essa permissão por parte aqui do Palácio do Planalto.
01:19Essas declarações foram dadas em entrevista à rádio Piatã FM da Bahia, e a gente confere um trecho agora.
01:26Quem quiser ser candidato será liberado para ser candidato, Juliana.
01:30Quem quiser ser candidato será liberado para ser candidato.
01:34Eu não vou impedir, sabe, o crescimento e o surgimento de nova liderança no Brasil, porque o Brasil está precisando muito.
01:41E o Rui é uma liderança extraordinária na Bahia.
01:45Você sabe a qualidade do Rui Costa, você sabe a qualidade do Jacques Lange.
01:49Eu ainda tenho o privilégio de ter o Otto, sabe, do meu lado.
01:53Ainda tem o coronel que, sabe, nos ajuda em muita coisa também.
01:56Esses nomes que foram citados pelo presidente Lula são justamente de lideranças que fazem parte, então, do processo político ali da Bahia.
02:08Rui Costa, que é ministro-chefe da Casa Civil, já foi governador do Estado, e também o senador pela Bahia, Jacques Wagner, e o também senador Otto Alencar.
02:16A gente destaca ainda que o presidente Lula deve ter, em abril do ano que vem, então, uma debandada de ministros, de pessoas, então, ocupando o primeiro escalão, justamente porque esse vai ser o prazo final para a chamada desincompatibilização.
02:33Ou seja, seis meses antes das eleições, aqueles ocupantes de cargos públicos precisam deixar esses cargos para, então, se lançarem candidatos.
02:42Essa é uma avaliação da legislação eleitoral para que haja mais igualdade, mais equilíbrio de condições entre todos aqueles postulantes a um cargo público, Evandro.
02:54Obrigado, viu, Anélio? Um abraço para você.
02:56Ou seja, Langane, quer dizer que os ministros, inclusive Celso Sabino e o ministro André Fufuca e outros ministros também que hoje compõem o governo, podem permanecer, bateram o pé, fizeram esse auê todo para, daqui a pouquinho, sair para concorrer novamente às eleições.
03:10Pois é, exatamente. Aliás, isso mostra muito do que acontece na política brasileira, né, Evandro?
03:16Tem poucos valores, pouca ideologia de convicção mesmo, talvez o novo e do outro lado ali o PSOL ou alas do PT, né?
03:26Um mais à direita, outro mais à esquerda.
03:29Mas, veja, Evandro, você tem ali os interesses de ocasião.
03:33Então, você acha lá que o Celso Sabino é um político de direita ou André Fufuca?
03:39Claro que não, é de ocasião, né?
03:41E ocasião agora, o que é o bom momento?
03:43É fazer parte do governo, né?
03:45Então, aí agora libera para poder votar, depois volta para os seus cargos e continua assim até o final do mandato.
03:53Por quê?
03:54Porque é de interesse deles, né?
03:56Eles entendem que estando na máquina do governo vai ser melhor do que na máquina do União Brasil ou na máquina do PP.
04:03Enfim, é um cálculo político, mas que mostra todo esse fisiologismo da política brasileira.
04:08Ô, Piperno, se a gente fizer as contas olhando para os nomes que podem sair,
04:11a gente está falando de quase metade de todos os ministérios do governo Lula.
04:14Uma baita reforma.
04:15Eu acho que vai ser a reforma ministerial involuntária mais profunda da história da política brasileira.
04:23Mas também é uma cacetada de ministérios, né?
04:24Sim, tem muito.
04:26Quanto maior o número de ministérios, maiores são as chances desses integrantes quererem concorrer.
04:30E até porque, Evandro, é maior também no número de partidos que estão lá brigados com cargos.
04:37Porque é o seguinte, o presidente Lula é, de fato, o político que fez toda a sua carreira à esquerda.
04:44É verdade.
04:46Agora, vai olhar com lupa a composição do ministério dele.
04:51Tem gente de esquerda, tem gente de centro, tem gente de centro-direita.
04:55Ou seja, tem PT, vai ter agora o pessoal, Bolos aí, PSDB, PSB, PDT, PP, Republicanos, União.
05:04Então, tem gente dos mais variados espectros políticos.
05:09E não dá realmente para segurar em todos eles com as suas ambições.
05:12Mas agora, comentava aqui, paralelamente com o Alan Ghani, uma das muitas conversas que a gente tem e que você costuma repreender e tal.
05:21O fato é que você pega, por exemplo, o para-ministro Sabino quer ser candidato a senador,
05:28mas lá tem a concorrência da família Barbário, que também quer.
05:31Por exemplo, na Bahia, o presidente Lula citou Rui Costa e Jacques Wagner, mas tem os senadores do PSD que também são aliados.
05:43Então, essas costuras locais serão complicadas também para o lado do governo.
05:48É, porque a gente precisa lembrar que no âmbito nacional, há essa oposição gigantesca entre partidos de direita e esquerda,
05:55mas nas composições locais, muitas vezes, esses partidos se unem para poder montar chapas que saiam vencedoras lá.
06:02Então, é muito diferente da gente olhar para o âmbito nacional do que se tem, muitas vezes, de união para a composição para os municípios.
06:11Zé Maria Trindade, como é que você avalia, então, que ficará o governo nesse último ano com uma revoada de ministros que devem concorrer às eleições
06:21e uma necessidade do governo de reafirmar os seus projetos com contas que estão no bico do corvo?
06:31Pois é, mas é difícil de traduzir, mas eu vou tentar aqui, qual é a insegurança de poder aqui na esplanada dos ministérios, né?
06:40Qualquer problema, todo mundo fala, ai, meu Deus, eu vou perder meu emprego.
06:45Não é só um ministro, né?
06:47Imagina que um ministério desse, qualquer, né?
06:50É o Ministério do Turismo, aí tem Embratu, tem Secretaria de não sei o quê, Secretaria de sei lá das quantas,
06:55aí tem outro Ministério lá do Fufuquinha, aí tem, eu falo Fufuquinha, não é pejorativo, é o nome dele mesmo.
07:02Fufuca, na realidade, é o pai dele.
07:04Aí, assim, aí tem o Secretaria de não sei o quê, o Secretário Executivo, então, assim, é uma árvore de poder, né?
07:13Então, qualquer instabilidade, isso provoca um horror aqui.
07:18E ontem, eu visitei um ministério que eles chamam Rádio Corredor.
07:23O Rádio Corredor era essa história, ai, meu Deus, o Lula vai demitir nosso ministro.
07:28E aí, se demite o ministro e provoca uma queda lá pra baixo, o que chega é novo, põe os seus, né?
07:35E aí, ontem, tava, assim, um clima horroroso, parecia, assim, uma pré-morte.
07:41E a ideia era essa, né? De que Lula anteciparia essa troca.
07:46Aqui, em política, se diz o seguinte, depois de uma tempestade, vem sempre ventos fortes, pra dar aquela arrumada, né?
07:53E o que aconteceu ontem foi grave, né? O governo descobriu que está nas mãos do Congresso Nacional
08:00e que não tem nenhuma base mínima para aprovar uma medida provisória.
08:05Medida provisória é um instrumento do parlamentarismo.
08:08Foi tirada da Constituição italiana, eu me lembro muito bem desse debate.
08:13Se fosse o governo parlamentarismo, uma medida provisória, caindo, cairia o governo, né?
08:20Que elaborou uma medida provisória. Mas como o presidencialismo, ele continua.
08:24Mas deve continuar diferente, ou seja, novas bases políticas.
08:28Então, o governo está tentando traçar novas bases políticas.
08:32Há uma insegurança muito grande.
08:34Não se pode deixar um governo ser uma base mínima, né?
08:38No Congresso Nacional.
08:39Esta reunião de quarta-feira que o presidente Lula vai fazer, será mesmo muito importante.
08:44Agora, eu não acredito nessa mudança.
08:46Porque esse debate é para antecipar abril.
08:51Os ministros, todos, né? Secretários e tal, candidatos, têm que sair até o início de abril.
08:57Então, a ideia de alguns é antecipar isso, fazer a reforma agora e colocar técnicos no governo.
09:05E deixar os técnicos ali com ligação com os deputados e dividir os partidos políticos.
09:13O apoio formal dos partidos, Lula não terá.
09:15Isso já está claro.
09:16Mas ele vai dividir os partidos.
09:18E os ministros, quando decidiram ficar com o governo Lula, não é só pelo cargo de ministro que é, assim, importante.
09:26Porque traduzem verbas e interesses e tal, né?
09:30Não é só mandar verba para o meu Estado.
09:33Mas é atender certos interesses no governo e que acabem financiamento para o Estado.
09:38Mas também a proximidade com o governo Lula.
09:41Esses ministros estão entendendo que é melhor para eles, né?
09:45E para a reeleição e tal, ou para a eleição do Senado, que esteja do lado do Lula, mesmo que não o ministro.
09:51Então, assim, havia ontem uma impressão de que essa reforma seria antecipada.
09:58Mas eu, particularmente, eu não acredito, não é característica do Lula colocar agora técnicos no governo.
10:03Mas eu, particularmente, eu não acredito.
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