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Em entrevista ao Fast News, o tributarista José Luís Ribeiro Brazuna avalia qual será o real impacto do projeto da reforma tributária na vida do brasileiro comum.

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Transcrição
00:00Agora falaremos de uma outra reforma, porque o Senado aprovou a segunda parte do projeto que define as regras da reforma tributária.
00:09Então, para a gente tirar todas as dúvidas, vamos conversar a partir de agora com o tributarista José Luiz Ribeiro Brazuna,
00:15a quem agradeço demais pela participação. Seja muito bem-vindo aqui à programação da Jovem Pan.
00:21Boa tarde, obrigado pelo convite, estou à disposição.
00:24Perfeito. Queria, para começar, que o senhor destacasse essa avaliação que foi feita pelo Senado Federal,
00:32inclusive relatório do senador Eduardo Braga, e também as mudanças que foram feitas no texto.
00:39Quais são os principais pontos?
00:42Bem, essa segunda lei que foi aprovada pelo Senado agora e deve retornar à Câmara,
00:49ela trata de uma segunda parte relevante da regulamentação da reforma tributária,
00:54que é a estruturação do Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços, o IBS.
01:01Então, no começo do ano, na Lei Complementar 214, foram veiculadas as principais regras de funcionamento
01:08do novo imposto do IBS, da sua primeira irmã, a Contribuição sobre Bens e Serviços,
01:14que é arrecadada pelo governo federal, e também do imposto seletivo, o chamado Imposto do Pecado.
01:20E agora, nesse segundo projeto, o tema principal é a construção de um arcabouço institucional,
01:27focado no Comitê Gestor, que será um órgão responsável por regulamentar ainda mais no detalhe o IBS
01:35e harmonizar a interpretação e aplicação da lei.
01:39Obviamente que, passados aí alguns meses da aprovação do projeto da Lei Complementar 214,
01:47houve a necessidade e houve a pressão também, junto à Câmara e ao Senado,
01:54de já se produzirem ajustes na Lei Complementar 214.
01:57Então, o projeto de Lei 108, ele traz não apenas essa segunda parte de estruturação institucional,
02:05do ambiente de cobrança e arrecadação do IBS e da CBS,
02:12mas também ajustes em todas as regras, em diversas regras que foram aprovadas no começo do ano.
02:18Essa é a parte, digamos, que eu acredito que será mais discutida ainda na Câmara,
02:27porque, obviamente, foram reabertas questões que causaram tanta polêmica e tanto debate
02:33na aprovação do projeto de lei 68, que gerou a Lei Complementar 214.
02:38Então, temos essas duas temáticas principais.
02:41E acredito que onde mais teremos discussão agora no retorno à Câmara
02:45são esses pequenos ajustes, pequenos em termos de número,
02:49porque nós tivemos uma lei aprovada no começo do ano muito extensa,
02:53de mais de 500 artigos.
02:55Então, não se está revisando essa lei de forma tão profunda assim,
02:59mas são pontos importantes que terão que ser rediscutidos na Câmara.
03:03Sem dúvida.
03:04Agora, doutor Brazuna, eu acompanhei muitas manifestações, análises, críticas e elogios
03:11a respeito de itens que foram debatidos pelos senadores,
03:15especialmente em relação à criação desse comitê gestor.
03:19Um comitê que vai tratar das questões que envolvem o IBS, Imposto sobre Bens e Serviços.
03:25E há dúvidas a respeito da operação e funcionamento desse comitê,
03:31a lisura, a transparência.
03:33Enfim, o que é preciso trazer e considerar a respeito desse comitê,
03:39a maneira como ele vai se comportar, os representantes?
03:43Queria que você trouxesse um pouco da sua avaliação sobre essa inovação, essa novidade.
03:47Vamos ter que dar tempo ao tempo para ver como essa instituição se consolida.
03:56O que é possível perceber do projeto de lei é que, de um ponto de vista teórico,
04:02se trata de um órgão que será institucionalizado com uma estrutura que parece adequada,
04:10com órgão de corrigidoria interna, de auditoria.
04:15Então, o arcabouço institucional parece adequado.
04:20Talvez até hiperdimensionado, eventualmente.
04:26Talvez pudesse-se ter começado com um órgão de extensão um pouco mais limitada
04:34e depois se construindo órgãos dentro do próprio comitê,
04:39conforme se verificasse haver necessidade.
04:43Mas, no geral, a impressão que dá é positiva.
04:46Inclusive, se tomou cuidado agora de se incluir nessa lei
04:51uma câmara de harmonização de entendimento
04:56quando houver diferentes decisões por parte dos órgãos do próprio comitê gestor
05:03e dos órgãos da administração pública estadual, municipal e federal
05:07a respeito de julgamentos em processos administrativos envolvendo o IBS e a CBS.
05:14Então, isso é importante.
05:15Está se criando um órgão supraestadual e supramunicipal,
05:21mas que terá que harmonizar e conviver com as fiscalizações
05:25que permanecerão sendo feitas pelos órgãos estaduais, municipais e federais.
05:32E também esse comitê gestor terá um importante papel de harmonizar
05:36a prática e aplicação das regras sobre os dois impostos,
05:42os dois tributos, melhor dizendo.
05:43Porque é sempre bom lembrar que, tecnicamente,
05:46o que nós aprovamos na reforma tributária aqui no Brasil
05:50foi o tal da tributação dual.
05:53Ou seja, nós teremos, sobre as transações realizadas,
05:56de comércio, serviços, com bens, direitos e serviços,
06:02nós teremos um tributo federal, uma contribuição, que é a CBS,
06:06e um imposto que será repartido entre estados e municípios.
06:10Então, foi mantida a competência e o poder das administrações estaduais,
06:16municipais e federal de fiscalizar e controlar
06:19a arrecadação do tributo, desses dois tributos.
06:22Mas terá que haver uma harmonização de entendimentos,
06:24e esse vai ser um importantíssimo papel do comitê gestor.
06:28Inclusive, também muito importante salutar a inclusão no projeto de lei 108,
06:35da possibilidade dos contribuintes utilizarem um instrumento
06:39chamado de consulta tributária.
06:41Nós temos na legislação tributária brasileira um mecanismo
06:45que permite que os contribuintes consultem a arrecadação,
06:49o órgão de fiscalização, sobre o entendimento e a aplicação de uma lei concreta.
06:57Esse mecanismo, que é muito importante,
06:59de prevenção de conflitos entre contribuintes e o fisco,
07:03ele vai existir também no âmbito do IBS e da CBS,
07:08no âmbito de harmonização de entendimento sobre esses dois tributos.
07:12Então, esse é um cuidado muito positivo que foi incluído no PLP 108.
07:19Agora, doutor Brazuna, eu tenho visto e acompanhado muitas pessoas
07:24que estão procurando se organizar até 31 de dezembro,
07:29em relação às suas atividades, seus negócios,
07:32para tentarem se adaptar às alterações que entrarão em vigor já no próximo ano.
07:38E aí é preciso analisar e discorrer sobre o quanto nós estamos preparados
07:44para essa transição e aí, claro, as reflexões que as pessoas fazem.
07:49Enquanto alguns dizem, não, isso vai ser muito positivo,
07:52vamos evitar uma série de distorções que eram usuais e muito comuns,
07:59agora, pelo menos, o sistema ficará mais claro e mais simplificado.
08:04Essa é a avaliação de alguns.
08:06Outros dizem, ah, mas no fundo, no fundo, eu acredito
08:09que haverá um aumento sensível na tributação.
08:13Você já fez uma reflexão aprofundada
08:16sobre os prós e contras dessa reforma que foi aprovada
08:20e dá para projetar como vai ser esse processo de transição?
08:25No fundo, você acredita que pagaremos a mesma quantidade de impostos,
08:29porém, o modelo será mais eficiente?
08:34A minha avaliação é que sim.
08:36É difícil defender que nós pudéssemos piorar o que nós já tínhamos.
08:44O sistema tributário brasileiro chegou ao seu limite.
08:48É o sistema de tributação do consumo.
08:50E acredito que só por isso, inclusive, que a reforma tributária foi aprovada.
08:54Essas grandes mudanças no Brasil, infelizmente,
08:58muitas delas acabam ocorrendo quando se chega a um estado de absoluta...
09:03Um estado em que as coisas ficam insuportáveis e inadministráveis.
09:07Eu acho que foi isso que aconteceu com o nosso sistema de tributação.
09:10Então, não há dúvida de que caminhamos para uma simplificação.
09:16Para o leigo, pode parecer um absurdo, porque ele se depara com uma lei,
09:22por exemplo, a Lei Complementar 214, uma lei com mais de 500 artigos.
09:26Mas para quem tem que lidar com o sistema tributário no dia a dia,
09:30para as empresas e para os contribuintes em geral,
09:32eles eram obrigados a lidar com 27 regulamentos do ICMS com mais de 500 artigos,
09:40ou muito mais, 5.400 e tantas legislações municipais.
09:45Então, esse sistema era absolutamente inadministrável.
09:47Claro que a mudança não será fácil.
09:50Ela será, sem dúvida, nenhuma traumática,
09:53porque nós teremos um período de transição que não é muito curto.
09:58Então, até 2032, nós teremos que conviver ainda com a legislação do ICMS
10:05e essas tantas legislações do ISS e do Imposto Municipal sobre Serviços.
10:11Esses dois impostos serão eliminados gradativamente.
10:15Então, haverá, sem dúvida, um período de dificuldade.
10:20Mas acredito que serão dores necessárias.
10:23Foi o que se conseguiu aprovar na negociação legislativa da mudança do sistema antigo para o novo.
10:31Então, teremos que conviver com essas dores.
10:33E estamos, sem dúvida nenhuma, numa corrida contra o relógio.
10:37Os contribuintes trabalhando intensamente,
10:40tentando antecipar o que é possível antecipar.
10:44Mas, sabendo como o Brasil funciona,
10:46não há dúvidas de que teremos muitas surpresas
10:48com as quais teremos que trabalhar intensamente no final do ano,
10:54na virada do ano, no começo de 2026.
10:58Infelizmente, não estamos na Suíça,
11:01estamos no Brasil,
11:02e o Brasil é comum termos essas mudanças,
11:07de certo modo, ao atropelo,
11:10ou de forma um pouco atabalhoada.
11:14Mas, caminhamos numa direção muito melhor
11:17do que a direção que está no retrovisor no passado.
11:21Aprovação da segunda parte da reforma tributária
11:24em destaque nessa entrevista especial.
11:27Doutor Brazuna, só para a gente fechar,
11:29eu acompanho manifestação de pessoas
11:31que identificam algumas lacunas
11:35na reforma que foi aprovada
11:38e mesmo na regulamentação feita pelo Congresso Nacional.
11:42Você que atua há bastante tempo na área
11:45e, naturalmente, conversa com muitas pessoas,
11:47o que faltou nessa reforma?
11:49Você entende que há alguma coisa muito importante
11:52que ficou para trás?
11:56Olha, com certeza há muitas dúvidas,
11:59porque a gente tem que entender
12:00que o que se aprovou aqui,
12:03no começo do ano,
12:03e o que se aprovará agora,
12:05são duas leis complementares
12:07e que têm o propósito de fixar
12:09regras gerais.
12:11Claro que, em matéria de IBS e CBS,
12:14a emenda constitucional exigiu
12:16que a lei complementar também detalhasse
12:18um pouco mais algumas regras
12:21a respeito do funcionamento desses dois tributos.
12:23Mas é inevitável que muitos temas
12:26tenham que ser objeto de regulamentação
12:29de uma legislação ainda mais detalhada,
12:34que é o que será feito pelo comitê gestor.
12:35Então, nós teremos aí um arcabouço
12:38de regras gerais previstas na Constituição,
12:42duas leis complementares a 214,
12:45aprovada no começo do ano,
12:46e agora a lei que resultará do PLP 108,
12:49e teremos, sem dúvida,
12:50até o final do ano,
12:51que é o que é prometido,
12:53um regulamento editado pelo comitê gestor,
12:55gestor que, não tenhamos dúvida,
12:57terá inúmeros artigos para serem lidos
13:00e compreendidos pelos contribuintes.
13:02Então, as lacunas serão, pouco a pouco, fechadas.
13:06Fora as notas técnicas que já têm sido editadas
13:11para detalhar como serão feitas,
13:16emitidas as notas fiscais,
13:17como que as informações relativas
13:20à apuração do IBS e da CBS
13:22deverão ser apontadas nas notas fiscais.
13:25A gente não pode esquecer
13:25que uma das premissas para esse novo sistema
13:29é o controle eletrônico da arrecadação,
13:34do apontamento dos dois tributos
13:37pelos seus contribuintes,
13:39inclusive o controle do pagamento
13:41por meio do sistema de split payment.
13:43Então, haverá uma grande complexidade
13:45e que demandará um nível mais profundo ainda
13:50do que nós já temos de detalhamento.
13:52Mas, de novo, estamos lidando
13:53com uma única legislação para o país todo
13:55e não com 27 legislações estaduais
13:58e 5 mil e tantas legislações municipais.
14:01Então, estamos caminhando em uma direção positiva,
14:04mas não será fácil,
14:06teremos que suar muito a camisa.
14:08Pois é, certamente voltaremos a conversar.
14:11Ainda pairam muitas dúvidas
14:13sobre a reforma tributária.
14:15Quero agradecer muito ao José Luiz Ribeiro Brazuna,
14:18advogado tributarista,
14:20conversando ao vivo com a gente
14:21aqui na Jovem Pan.
14:22Doutor, muito obrigado pela gentileza.
14:24Bom fim de domingo e volte mais vezes.
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