Em uma manobra de bastidores, o Centrão incluiu a volta do voto secreto para cassação de mandatos dentro da PEC da Blindagem, que foi aprovada na Câmara dos Deputados. Apesar do discurso contrário, oito deputados do Partido dos Trabalhadores (PT) votaram a favor do texto. Reportagem: Victoria Abel.
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00:00Vamos começar falando então de Câmara dos Deputados, tem muita coisa rolando por lá, mas eu quero começar com essa manobra que foi articulada pelo Centrão e a Câmara retomou o voto secreto na PEC que amplia a proteção de parlamentares.
00:12Vitória Bel vai chegar agora com informações, com bastidores de como isso aconteceu e de como está repercutindo também, depois do movimento adotado ontem, para tirar esse dispositivo do voto secreto, que foi retomado nesta quarta-feira.
00:26Conta tudo, Vitória, bem-vinda.
00:30Oi, Evandro, olá a todos que nos acompanham. Pois é, foi retomado esse trecho na proposta de emenda à Constituição da blindagem, a PEC da blindagem, que prevê que processos contra parlamentares e também presidentes de partido precisam ser autorizados pelos plenários da Câmara e do Senado e com voto secreto.
00:54Ontem, durante a aprovação do texto base dessa PEC, depois da aprovação inicial, o PSOL, junto com o Novo, numa parceria quase que inédita, conseguiu retirar do texto a previsão de voto secreto,
01:09portanto, trazendo transparência para uma possível votação de autorização de processos contra parlamentares no Supremo Tribunal Federal.
01:19Isso aconteceu, já era quase meia-noite a votação desse destaque, que tinha modificado o projeto, a proposta original, acabando com o voto secreto, trazendo a votação nominal.
01:30O que acontece é que hoje de manhã, o Centrão, junto com o relator da proposta, o deputado Cláudio Cajado, do PP, resolveram articular uma nova emenda aglutinativa para mudar a modificação feita pelo PSOL e pelo Novo ontem.
01:45Essa emenda, portanto, retomou o voto secreto para essas autorizações de processos contra deputados e senadores no Supremo Tribunal Federal.
01:56Inclusive, durante a discussão, a votação aqui na Câmara dos Deputados, o Cláudio Cajado justificou que muitos deputados ontem à noite já estavam dormindo
02:05e, por isso, não tinham conseguido votar contrária ao destaque do PSOL e do Novo.
02:11Essa foi uma das justificativas de Cláudio Cajado, que foi, claro, rechaçada pelo PSOL e pelo Novo no momento em que ele fez isso.
02:19Fato é que, com a ajuda também de alguns deputados do PT que complementaram os votos necessários,
02:26a emenda aglutinativa foi aprovada e o voto secreto passou nessa proposta.
02:31A gente lembra que a PEC prevê que os deputados só devem ser julgados, deputados, senadores e presidentes de partidos,
02:40ministros e o presidente da República só devem ser julgados, processados no Supremo Tribunal Federal
02:45e só podem ser presos em casos de crimes inafiançáveis, presos em flagrante.
02:53Essa prisão em flagrante, mesmo que ela aconteça, ela também vai precisar ser analisada pelos plenários da Câmara e do Senado em até 24 horas.
03:03E essa previsão de que os presidentes de partido tenham também foro privilegiado foi uma novidade também nesse texto,
03:10porque nas discussões anteriores dessa proposta, isso ainda não havia surgido.
03:15Surgiu nesse relatório do deputado Cláudio Cajado ontem aqui na Câmara dos Deputados.
03:21O que a gente também já traz é como que está a temperatura em relação a esse assunto no Senado,
03:26porque os senadores estão prevendo uma tramitação muito mais difícil dessa matéria
03:31e prevê, inclusive, que deve ser segurada essa matéria lá no Senado.
03:36Isso porque o presidente da Comissão de Constituição e Justiça, o Otto Alencar, do PSD,
03:41é contra essa proposta e lembrando que uma PEC tem que passar primeiro pela CCJ para depois ir para o plenário.
03:49Claro que, se tratando dos poderes de um presidente do Senado como Davi Alcolumbre,
03:54ele poderia levar essa proposta diretamente para o plenário se ele quisesse.
03:57Mas os aliados dele, os líderes, avaliam que é muito difícil disso acontecer.
04:03Mais cedo a gente conversou com os senadores sobre esse assunto
04:06e o senador Wellington Fagundes, do PL, defendeu essa proposta da PEC da blindagem
04:11e disse que é necessário que os deputados e senadores tenham proteção
04:15contra os desmandos e mandos do Supremo. Vamos ouvir.
04:20Nós temos que ter cada poder funcionando com a sua autonomia.
04:26E um parlamentar, quando ele é eleito, ele está aqui para representar a população.
04:32Portanto, ele tem que ter também o direito à fala.
04:36As condições de um parlamentar, na democracia, tem que ser e é autorizado pelo voto popular.
04:43Portanto, não se pode apenas por uma expressão, por uma fala,
04:48de repente um parlamentar está aí já sendo condenado e às vezes nem com direito de defesa.
04:56Então, nós acreditamos que aqui no Senado esse assunto será amplamente discutido com a sociedade.
05:02Não vamos fazer de forma rápida a soberbada.
05:06Vamos discutir com a sociedade. Eu acho que esse é o melhor caminho.
05:09É, portanto, o próprio Arenton Fagundes já também assumindo que esse debate deve ser mais alongado dentro do Senado.
05:21E o senador veneziano Vital do Rego, que era vice-presidente do Senado até na legislatura passada
05:27e é do MDB, ele já é contra essa proposta.
05:30Diz justamente que é um absurdo que uma matéria como essa seja aprovada
05:34e duvida que isso avance no Senado Federal. Vamos ouvir.
05:39Acho inoportuno, impertinente, atentatório à sociedade brasileira
05:46você aprovar uma PEC que eu posso chamá-la do divalitudo,
05:52a PEC que alguns têm dito da blindagem,
05:56mas enfim, uma PEC que ofende grosseiramente a sociedade brasileira
06:01e que modifica, sem sombra de dúvidas, com ausências de razões
06:07para garantir privilégios a agentes políticos
06:13chegando ao absurdo de incluir entre esses privilegiados
06:18presidentes de partidos políticos.
06:21É, só destacando que todos os tipos de processos,
06:29inclusive processos inquéritos de corrupção e também processos criminais
06:34teriam de ser autorizados, portanto, pelos dois plenários da Câmara e do Senado
06:38para que isso acontecesse no STF.
06:41Evandro.
06:41Muito obrigado pelas informações, Vitória.
06:43Se você coletar mais detalhes, mais bastidores aí,
06:45vai chamando para a gente conversar aqui no nosso 3 em 1.
06:48Inclusive, esse é o tema da nossa enquete que está rolando lá no YouTube.
06:51Eu quero saber a tua opinião.
06:53Qual sua posição sobre a volta do voto secreto na PEC da blindagem?
06:58Apoio para o voto ser livre, rejeito, transparência é essencial,
07:02é um mal necessário contra o Supremo Tribunal Federal.
07:05Participe lá para a gente entender de que maneira que você pensa.
07:08Mas quebrando um pouquinho o protocolo,
07:10os parlamentares não estão mais com vergonha alguma de vir assim
07:13e esfregar a manobra que eles tentam fazer
07:16para se blindar na cara de todo mundo que acompanha essa votação aberta.
07:20Principalmente ao retomar esse dispositivo do voto secreto,
07:23que foi o que mais gerou polêmica nessa história toda.
07:27Porque a gente estava falando do quanto isso justamente garantiria
07:32que esses parlamentares salvassem muitos dos seus
07:37que deveriam ser condenados por crimes graves ou por crimes de corrupção.
07:42Mas como a pessoa está blindada, inclusive, no voto que ela vai dar,
07:46ela faz a escolha que ela bem entender.
07:48Porque ela não seria exposta e, consequentemente,
07:50não seria cobrada pela sociedade depois.
07:53Tem uma situação muito interessante envolvendo essa questão do voto secreto.
07:55Vamos aqui na fechadinha rapidinho para eu conversar diretamente com o pessoal,
07:58olho no olho.
07:59Que é essa questão do PSOL e do Novo mais uma vez caminharem no mesmo sentido,
08:05embora tenham pensamentos completamente diferentes,
08:09ideologias e trabalhem em políticas completamente diferentes.
08:12Mas, nesse sentido, condenaram essa questão envolvendo o voto secreto
08:16e fizeram uma ótima articulação para retirar isso do texto,
08:20votar de maneira separada e derrubar.
08:23Só que, numa manobra de aglutinação,
08:26vem o Centrão novamente e encaixa.
08:28Não, o voto secreto a gente quer e a gente vai manter.
08:32E aí há essa explicação estapafúrdia
08:36de que isso seria necessário porque os parlamentares não conseguem mais se manifestar
08:42no plenário ou na tribuna porque seriam processados pelo Supremo Tribunal Federal.
08:47Nós não estamos falando de discurso aqui, não, gente.
08:50Nós estamos falando sobre, principalmente,
08:52investigações que miram as emendas parlamentares e o desvio e a corrupção
08:57envolvendo as emendas parlamentares.
08:59Claro, Evandro.
09:01Eu lamento muito esse pronunciamento do deputado Wellington Fagundes
09:05porque, para ser elegante com ele, ele faltou com a verdade.
09:08Como ele vai falar isso?
09:09Quer dizer, e aí ele omite, joga para debaixo do tapete o principal
09:12que esse projeto foi criado para limpar a barra de deputados
09:18que se aboletaram de todos esses recursos de emendas.
09:23Nós estamos falando de uma bolada de 50 bilhões de reais por ano
09:26e dezenas de parlamentares estão sob investigação, estão na mira do STF.
09:32Então, o projeto é para limpar a barra dessa turma.
09:36E aí ele vem escolhendo as palavras e tal,
09:39com a maior cara de pau para ir no português correto, português claro,
09:43e fala, não, é porque hoje tem aí parlamentares que são punidos
09:47pelo que eles dizem e tal.
09:48Não, deputado.
09:50A justiça brasileira não quer punir deputado pelo que ele diz,
09:57mas principalmente pelo que ele faz.
09:59Pelo que ele faz com o dinheiro dos outros, com o dinheiro público.
10:03E o senhor não está falando a verdade.
10:05Como é que você avalia, Langani?
10:06Olha só, indo na esteira do comentário do Piper, no Evandro,
10:10eu acho que o que exemplifica muito bem a coerência do voto
10:15é do Marcel Van Hatten, o deputado federal.
10:18Porque este sim, esse já foi perseguido por suas palavras na tribuna,
10:24por críticas que fez o delegado da Polícia Federal abrir um inquérito contra ele.
10:29Mas como que ele votou?
10:31Ele votou não.
10:32Ele votou não.
10:33Então, olha a coerência do deputado, ele sim é um dos mais críticos,
10:39faz duras críticas, muito embasadas ao Poder Judiciário e tudo mais,
10:44mas manteve a coerência do voto não.
10:47Porque entendeu que o remédio para corrigir essa disfunção do Poder Judiciário
10:53não tem nada a ver.
10:54Esse remédio, na verdade, está sendo instrumentalizado,
10:57como bem o Piper no colocou, para deputados do Centrão,
11:02espertamente, não só do Centrão, de vários espectros ideológicos,
11:07espertamente, Evandro, se blindarem, claro, de uma investigação
11:12e de eventuais processos em relação a desvios e falta de transparência
11:17no uso das emendas parlamentares.
11:19Exatamente.
11:19E tem várias manifestações chegando também dos nossos telespectadores.
11:22Eu quero compartilhar uma dela com vocês.
11:25O Cláudio Casimiro Marques diz,
11:26usa um argumento do voto popular,
11:28mas as decisões são colegiadas e não individuais.
11:32Como cada cidadão votou, cidadão vota no candidato.
11:37É o que disse ali o Cláudio Casimiro Marques.
11:38Obrigado pela tua participação.
11:40Cláudio, um grande abraço para você e a todos que estão de olho aqui no nosso 3 em 1.
11:43E eu quero trazer também como os partidos se manifestaram na votação em primeiro turno
11:48para vocês entenderem como foi esse movimento.
11:51Vamos jogar aqui na tela.
11:52E aqui a gente tem dos que disseram não e depois a gente vai trazendo os que disseram sim.
11:59Então começamos pelo PSOL, PCdoB, Rede, que tiveram 100% de votos negativos a essa proposta.
12:07Esses partidos, eles praticamente se uniram para que nada da proposta passasse,
12:12sequer o voto secreto.
12:13E mesmo quando perderam, ainda fizeram uma articulação para derrubar a possibilidade de se votar
12:19sem se expor lá na frente caso isso passasse pelo Senado Federal.
12:23O Novo também teve uma participação importante nisso,
12:27embora tenha ficado ali com 20% votando, não votando na verdade,
12:32porque o cinza pessoal aqui representa aqueles que não se manifestaram,
12:38que não deram a sua opinião ou a sua contribuição.
12:41Aí a gente começa a entrar naqueles que tiveram votos positivos.
12:46O PT, por exemplo, embora tenha tido maioria negativa,
12:4918 parlamentares do PT entenderam... Oi?
12:5318%
12:54É, 18%. Perdão, pessoal, 18%, desculpa.
12:5718% dos parlamentares do PT entenderam que sim,
13:01essa proposta seria essencial para o Congresso Nacional neste momento.
13:06Aí vem o Solidariedade com 40% de positivos e 20% negativos.
13:10PSDB, já com uma divisão interessante ali,
13:13meio a meio entre sim e não, e um pouquinho aqui que não se manifestaram,
13:18ou não se manifestou.
13:19Vamos para a próxima tela.
13:21Aí vai aumentando.
13:22Aí vem PV, 50-50, PSDB, 56-40, PDT, 63-31, Cidadania, 75,
13:31Podemos, 82, MDB, 83, Avante, 86% sim.
13:37E próxima tela para a gente finalizar com os últimos,
13:40União Brasil, 90, Progressistas, 92, Republicanos, 93,
13:45PL, 94% e o PRD, 100%.
13:51Então, esses partidos entenderam,
13:54Centrão e partidos da direita,
13:56tirando o novo, que se manifestou contrário,
13:59boa parte entendeu que sim,
14:01essa proposta de blindagem é essencial
14:04diante do que eles chamam de avanço do Supremo Tribunal Federal
14:07nas competências do Congresso Nacional.
14:10E depois a situação foi se modificando um pouco
14:12até chegar à votação de hoje,
14:13e aí está aparecendo na nossa tarja.
14:15Por quê?
14:16A votação para incluir, aglutinar novamente o voto secreto
14:19passou ali com uma diferença de seis votos
14:21e o PT contribuiu com oito nesta quarta-feira.
14:24Então, também tem responsabilidade nessa história, Bruno Musa.
14:28Pois é, isso diz muito sobre a situação política brasileira atual.
14:33Hoje de manhã, cedinho, eu estava ouvindo uma entrevista
14:36de Marcos Lisboa, que o Alan conhece muito bem lá do INSPER,
14:39e ele falou uma coisa muito interessante.
14:42Se nós olharmos, a exceção da pauta cultural e da pauta de costumes,
14:49muitos dos partidos que se dizem à direita
14:51compartilham votos com a esquerda, principalmente na pauta econômica.
14:56São a favor de subsídios, são a favor de intervencionismo,
14:59são a favor de privilégios para a classe política,
15:02são a favor de bilhões para serem distribuídos
15:05como emendas e o fundão eleitoral,
15:09ou seja, pautas compartilhadas pela esquerda
15:12e por aqueles que se dizem da direita,
15:15que eu me coloco nesse espectro,
15:17mas sou contra intervencionismo econômico,
15:19sou contra subsídio, ou seja,
15:21eu sou a favor da liberdade de cada um,
15:24individual, econômica e empresarial.
15:26Como é que aqueles que se colocam mais à direita
15:29são a favor disso tudo?
15:30Não são, são parasitas em cima do orçamento público.
15:34Você trouxe números aqui alarmantes, Evandro.
15:37Veja, o teatro das tesouras atuando fortemente.
15:41Eu não tenho nenhum alinhamento com o PSOL, por exemplo, ideológico,
15:45sem nenhuma crítica ou juízo de valor,
15:47mas ele votou da maneira coerente como eles defendem.
15:50A mesma coisa o Novo,
15:51que eu considero hoje que sou completamente apartidário,
15:55mas eu acho que o Novo tem um quadro intelectual
15:57extremamente relevante hoje em dia,
15:59com conhecimento sólido,
16:01pelo menos da minha aura,
16:02a respeito da pauta econômica.
16:05Mas o teatro das tesouras,
16:06como você muito bem falou,
16:07o PT contribuiu com oito votos dos 18%,
16:10o PSDB 46%,
16:13o tal do teatro das tesouras de alternância ao poder.
16:16Quando nós vamos caminhando mais ao centro,
16:18Solidariedade com 40%,
16:19PV com 50%,
16:21PSD com 56%,
16:23de aprovação,
16:25defendendo a PEC da blindagem,
16:27o MDB 83,
16:28União Brasil-Republicanos,
16:30PL e PRD,
16:32beirando 100%.
16:33Então veja,
16:34há de fato uma troca,
16:36onde o Centrão também defende a blindagem
16:40para eles mesmos,
16:41numa arquitetura em volta do poder público,
16:44onde eles se sustentam no pagador de imposto,
16:47em todos nós,
16:49e nós somos obrigados a engolir um voto a seco
16:52daqueles que o nosso ouvinte,
16:54Cláudio Casimiro Marques,
16:56falou muito bem,
16:57que eu aplaudo o que ele falou.
16:59As decisões são colegiadas,
17:00mas nós votamos individualmente.
17:03Individualmente,
17:03a gente não consegue saber
17:05o que aqueles que receberam o nosso voto
17:07estão defendendo.
17:09Mais uma vergonha
17:10para o cenário brasileiro.
17:11E agora a gente precisa acompanhar
17:12como é que esse debate vai acontecer no Senado.
17:14Já há uma sinalização,
17:16principalmente do presidente do Senado,
17:18Davi Alcolumbre,
17:19de que ele vai segurar um pouquinho essa proposta
17:21para deixar a poeira baixar
17:23e entender de que maneira
17:25que a opinião pública vai se comportar,
17:28ainda mais agora,
17:29depois da retomada do voto secreto,
17:31para saber como é que isso seria conduzido.
17:34Até porque,
17:36no caso do Senado,
17:37há a possibilidade do projeto passar
17:39por todos os ritos naturais.
17:42E ao chegar na Comissão de Constituição e Justiça,
17:44ele já pode receber a sua primeira pedrada
17:48e depois ir degringolando
17:50a partir da pressão feita
17:53pelo cidadão brasileiro
17:55ou a maioria da população
17:57em torno dessa proposta
17:58que faça o Senado, então,
18:00talvez rejeitá-la.
18:01Como é que você avalia esse movimento, hein, Piperno?
18:04Bom, ao que tudo indica,
18:05o Senado vai acabar rejeitando
18:07porque, inclusive,
18:07o senador Otto Alencar,
18:09que é o presidente da CCJ do Senado,
18:12não quer nem ouvir falar desse projeto.
18:13É, exatamente.
18:14Provavelmente ele nem coloca em votação.
18:16Pois é.
18:16O que é algo muito positivo
18:19e, de novo,
18:21a gente tem que lançar os olhares para a Câmara.
18:24Eu...
18:25E Otto Alencar é do PSD.
18:26É do PSD.
18:27O partido de Centrão também
18:28que teve uma votação expressiva
18:29em termos de porcentagem nessa proposta,
18:32mas que também tem as suas divergências
18:34e que agora, no Senado,
18:35pode fazer com que essas divergências cresçam.
18:37Aí, a gente sempre chama atenção
18:39para essa questão do PSD,
18:40porque o Otto Alencar
18:41é do PSD
18:43e muito aliado,
18:44muito próximo do presidente Lula.
18:46Ele já foi vice-líder
18:47do governo no Senado.
18:49Mas eu queria, de novo,
18:51reforçar o que eu sempre falo da Câmara.
18:53Eu sempre repeti aqui
18:55que essa é a pior e mais fundamentalista
18:58Câmara dos Deputados
19:00em todos os tempos.
19:01Todos os tempos.
19:02E a cada votação
19:04ela reafirma
19:05essa minha percepção, né?
19:08É a história do Barão de Tarané, né?
19:10De onde mesmo se espera
19:11e de onde não sai nada mais.
19:12A Câmara do Mensalão era ruim também.
19:14A Câmara do Mensalão...
19:15Porque tinha corrupção da grossa.
19:17Não, não.
19:18Corrupção...
19:18Aí que tá.
19:20Eu acho que corrupção,
19:21todas têm.
19:22Essa lei de corrupção,
19:23ela tem outras questões aí
19:25que a gente poderia, né,
19:26gastar o dia aqui.
19:27Agora, é importante também
19:29a gente dizer o seguinte.
19:31Os quatro partidos
19:33que deram mais de 90% a 94% de apoio
19:39a esse projeto
19:40são os quatro partidos...
19:42São quatro partidos
19:44onde o presidente Bolsonaro
19:45tem o seu maior apoio.
19:47PL, Republicanos, PP e União.
19:51Não vamos esquecer isso.
19:52O PT teve gente que votou.
19:54E o eleitor petista
19:56tem que decorar esses nomes.
19:58Tem que decorar esses nomes
19:59pra depois acertar as contas com eles.
20:01Mas pelo menos 76% do partido
20:04votaram contra.
20:05Agora, esses partidos,
20:07PL, União, Republicanos e PP,
20:09de 90 a 94.
20:12Então, depois,
20:12não me venha com o discurso moralista
20:15porque isso é ser muito cara de pau.
20:17E tem muitos parlamentares também
20:18utilizando o julgamento
20:20do ex-presidente Jair Bolsonaro
20:21como pretexto pra passar essa proposta.
20:23Tudo bem haver um debate
20:25em torno da anistia
20:25ou da possibilidade de redução de penas.
20:27Aí tem a ver diretamente
20:28com aquilo que foi julgado
20:30pelo Supremo Tribunal Federal,
20:31com as penas aplicadas
20:32e com o entendimento
20:33trazido pelos ministros
20:35que pode ser questionado
20:36pela sociedade
20:37e também por esses parlamentares.
20:39Agora, utilizar isso
20:40como pretexto
20:41pra qualquer proposta
20:42que blinde os parlamentares
20:44de investigações,
20:45aí não dá.
20:46Até porque a gente está falando também
20:48de governos de turno.
20:49Em outro momento,
20:51a situação vai se inverter.
20:52E aqueles que enxergaram benefício
20:54nessa situação,
20:55talvez vejam lá na frente
20:58que ela pode ser um grande problema.
21:01Então, é complicado
21:02você avaliar uma situação
21:03apenas com o retrato
21:06do momento.
21:07A história pode mudar bastante.
21:10Com o tempo,
21:10e a gente já viu isso acontecer
21:12aqui no país
21:12inúmeras vezes.
21:14Nem o passado
21:15é certo aqui no nosso país.
21:17E eu quero trazer um outro comentário
21:18que fala da transparência,
21:19que é muito interessante também
21:21por revelar um pouco
21:22do sentimento aqui
21:23de quem nos acompanha.
21:24O Luiz Roberto Cardoso.
21:25Políticos eleitos
21:26são funcionários do povo
21:28e pelo princípio
21:29da transparência
21:30não devem ter voto secreto
21:32pra absolutamente nada
21:33no exercício
21:34da função pública.
21:36Exatamente.
21:37Ele coloca muito bem.
21:38Não faz o menor sentido
21:39nós
21:40que pagamos os salários
21:42dessas pessoas
21:43não termos acesso
21:44àquilo que essas pessoas
21:45escolhem.
21:46Aquilo que elas votam.
21:48Os caminhos
21:49que elas estão
21:49assinalando
21:51pra si
21:52mas também
21:53pra sociedade
21:54como um todo.
21:54Né, Alangani?
21:55Olha só, Evandro.
21:56Você toca num ponto
21:57que eu gosto bastante
21:59que é muito lógico
22:00e por vezes eu trago aqui
22:01sempre na minha argumentação
22:03que é
22:04abertura do precedente.
22:05Quando muda o governo
22:07a gente abriu o precedente.
22:09E aí?
22:09Mudou o governo
22:10aí de repente
22:12é um governo
22:13de direita
22:13você tem ali
22:14parlamentares
22:15de esquerda
22:16por exemplo
22:17e não vão poder
22:18ser investigados.
22:18Imagine isso
22:19no Mensalão.
22:20Imagine isso
22:21no Petrolão.
22:22Então,
22:23quando a gente age
22:24A gente tá regredindo
22:25mais de 20 anos
22:25nessa história, né?
22:27Quando a gente age
22:27sob emoção
22:28o resultado
22:29não vai ser bom.
22:31A gente tem que agir
22:32aí com a razão.
22:33A gente não pode
22:34fazer um afrouxamento
22:36institucional
22:37para corrigir
22:38uma disfunção.
22:39Ok,
22:39tem uma disfunção.
22:41Existe um avanço
22:42do poder judiciário
22:43em cima do poder
22:44legislativo.
22:45Essa situação existe.
22:47Tem parlamentares
22:48aí com razão
22:49que ficam com receio
22:50etc.
22:51Agora,
22:51você não pode
22:52abrir uma brecha
22:53que vai favorecer
22:54evidentemente
22:54a corrupção
22:55que vai ser um prato
22:56cheio
22:57para a corrupção.
22:59Existe,
22:59Evandro,
23:00maneiras muito mais
23:02inteligentes
23:03de fazer esse
23:04enfrentamento.
23:05Então,
23:05por exemplo,
23:06volte o processo
23:07para a justiça comum.
23:09Só isso.
23:09você vai ser
23:10investigado,
23:11mas pela justiça comum.
23:12Acaba com o foro
23:13privilegiado.
23:14Tudo bem,
23:14há discussões
23:15também de abusos
23:17que podem ocorrer
23:18na justiça comum
23:19contra deputados
23:20e senadores,
23:21mas você,
23:23pelo menos,
23:23se o problema
23:24é a Suprema Corte,
23:25então joga
23:26para a justiça comum.
23:27Mas não há
23:28possibilidade
23:29de você não ser
23:30investigado.
23:31Evite o voto
23:32monocrático,
23:33por exemplo,
23:33essa discussão
23:34é válida.
23:35Agora,
23:35escolheram a pior
23:36estratégia para lidar
23:37com a situação.
23:37Mensalão é um ótimo
23:38exemplo,
23:39porque três presidentes
23:40de partidos,
23:41que eu me lembro
23:41rapidamente,
23:42o Genuíno,
23:44Valdemar e Roberto
23:45Jefferson,
23:46foram presos.
23:47Sim.
23:47Presidentes de partidos.
23:49Se esse projeto
23:50aprovado agora
23:51tivessem valendo,
23:52nenhum dos três
23:54teria sido punido.
23:55Porque esse projeto
23:55também prevê a possibilidade
23:56de foro privilegiado
23:57para os presidentes
23:58da sigla nacional
23:59do partido.
24:00Então,
24:00essas pessoas
24:01que lá atrás
24:01responderam de alguma
24:02forma no Mensalão,
24:03agora também teriam
24:04um outro tratamento.