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O presidente Lula (PT) autorizou o processo para a aplicação da Lei da Reciprocidade, como resposta ao tarifaço dos Estados Unidos. Para o vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), a medida deve "acelerar o diálogo com os EUA". Fabrízio Neitzke explicou mais sobre o assunto. Reportagem: Janaína Camelo.

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Transcrição
00:00O presidente autorizou que o Itamaraty dê início ao processo para adoção de medidas da lei da reciprocidade contra os Estados Unidos.
00:07Vamos então conversar com o Fabrício Naitzky, que está aqui no nosso estúdio, e há alguma estimativa de que a tensão entre os países aumente,
00:14diferentemente do que se espera com essa medida, que seria chegar a uma mesa de negociação, Fabrício?
00:19Tudo bom, Evandro?
00:20Bem-vindo.
00:21Excelente tarde para o professor.
00:21A avó do Fabrício costuma dizer que nós somos irmãos gêmeos.
00:25Muito parecidos.
00:26Estamos muito parecidos. É que o Fabrício agora acabou tirando um pouco da barba, deixou um bigode, eu não farei o mesmo.
00:30Mas assim que a barba crescer novamente, acho que é possível que ela nos confunda.
00:34Aí a gente vem aqui, deixa a imagem bem fechada para todo mundo perceber quão parecidos nós somos, né, Evandro?
00:39Bem-vindo, meu amigo. Conta para a gente. O que está rolando?
00:41Excelente tarde para você. Olha, se a coisa já estava difícil antes, é possível que ela fique mais difícil agora.
00:47O presidente aprovou ontem a lei de reciprocidade, instruiu o Itamaraty a acionar a Câmara de Comércio Exterior
00:54para ver o que pode ser feito nesse aspecto.
00:58O que acontece? Existem várias medidas previstas dentro da lei de reciprocidade.
01:03Não é necessariamente aumentar os impostos, aumentar a tributação de volta em retaliação ao que os Estados Unidos fizeram com o Brasil
01:11de colocar tarifas de quase, ou melhor dizendo, de 50% para o país.
01:17Tem outras medidas que podem ser feitas, podem ser adotadas. Por exemplo, a adoção de ações multilaterais lá na OMC, Organização Mundial do Comércio
01:26e aí possivelmente chamar outros países também que se sentem de alguma forma lesados por essa nova política comercial dos Estados Unidos
01:34para ingressar nessa ação. Ou então uma revisão de isenção comerciais.
01:39Isso também é possível de acontecer diante da lei de reciprocidade.
01:44Agora a Câmara vai dar uma analisada no que pode ser feito, vai conversar com vários ministérios
01:50para ver quais medidas podem ser adotadas e abre também uma porta para que a equipe do presidente Donald Trump
01:57lá nos Estados Unidos faça consultas ao Itamaraty, à Câmara de Comércio Exterior,
02:02para entender qual é a motivação do Brasil em relação a isso e ver se há espaço para alguma negociação.
02:08Até porque, né, Evandro, se o Brasil aumentar as tarifas contra os Estados Unidos,
02:13os Estados Unidos podem aumentar as tarifas contra o Brasil mais uma vez.
02:17Só que já está um grau impeditivo para os Estados Unidos.
02:20E quem é mais forte?
02:21Essa que é a grande questão. Onde que o calo vai doer mais, né?
02:25Porque é ruim para o Brasil, com certeza.
02:27As tarifas, ninguém duvida que elas são ruins para o nosso país.
02:30Mas elas também são ruins para o consumidor norte-americano que está vendo o preço da carne aumentar,
02:34está vendo o preço de um monte de produtos aumentar.
02:36Aliás, Paulo Teixeira, ministro do Desenvolvimento Agrário, falou sobre esse assunto.
02:41A gente trouxe aqui a fala dele.
02:45Temos aí?
02:46Paulo Teixeira, dá para rodar? Vai lá.
02:48O Brasil, ele tem que atuar dentro da legislação internacional.
02:56Então, um governo não pode abrir mão das suas atribuições.
03:02Tudo que tem que ser feito, tem que ser feito com cuidado.
03:05Então, nós temos que fazer com cuidado que, às vezes, você tendo uma agulhinha na mão
03:10e dando uma agulhada naquele que está utilizando equivocadamente instrumentos
03:16que não podem ser utilizados, você faz tudo dentro da legislação da Organização Mundial de Comércio.
03:25E o mundo está subordinado a essa legislação.
03:29Então, eu sou favorável que nós utilizemos de maneira muito consistente esses instrumentos no Brasil,
03:36mas também o Brasil não pode receber uma agressão dessa natureza e ficar quieto.
03:43Pois é, o mundo está subordinado a legislação da OMC, mas para Donald Trump, para a nova política americana,
03:50as organizações multilaterais não são exatamente assim a lei como a gente tem visto.
03:55Então, é um pouco difícil saber o que vai acontecer, com certeza absoluta.
03:59Agora, Fabrício, falando ainda em Estados Unidos, o ministro Fernando Haddad quer participar de um evento lá
04:03e aí pedir um novo visto porque estava com o visto vencido.
04:06Será que vai conseguir?
04:07Essa é uma boa pergunta também, né?
04:09Será que ele vai passar pela fila que a gente passa aqui no consulado em São Paulo?
04:13A gente leva uma dor de cabeça para renovar o visto.
04:17Bom, a princípio não tem nenhum impedimento ao Fernando Haddad, né?
04:21O ministro Fernando Haddad, a gente já viu a revogação de vistos para diversas autoridades aqui no país,
04:26ministros do STF, mas o ministro Haddad quer participar, vai participar, pelo menos está na agenda dele,
04:33da New York Climate Week, que vai ser entre os dias 21 e 28 de setembro, em Nova York, né?
04:39Até como o próprio nome diz.
04:40Semana do Clima.
04:42Exatamente.
04:42E no dia 23 de setembro, em meio à Semana do Clima lá em Nova York,
04:46tem a abertura da Assembleia Geral da ONU, onde tradicionalmente o presidente brasileiro
04:51é quem abre a Assembleia Geral da ONU, o presidente Lula estará lá para discursar.
04:56Fernando Haddad deve acompanhá-lo, ele já fez isso ano passado, deve fazer novamente esse ano,
05:00mas aí para isso ele vai precisar bater na porta da Embaixada Americana e pedir um visto novo,
05:05porque o dele expirou em maio.
05:07Bom, toque, toque, toque, quem é?
05:09Fernando Haddad, pode ser que a porta não se abra, ou se abra, vamos acompanhar.
05:14Obrigado, Fabrício Naitzky.
05:15Até a próxima, hein?
05:15Um abraço para você.
05:16Bom fim de semana.
05:17Te espero, bom fim de semana.
05:18Tua folga?
05:20Finalmente, hein, sextou.
05:21Esse menino merece, gente.
05:22Dê aplausos a ele.
05:24Um abraço, Fabrício, até mais.
05:26Vamos falar sobre essa questão da lei...
05:27Piperno, Rino, é porque ele está em todas.
05:29Vamos falar um pouquinho aqui de lei de reciprocidade e essa estratégia do governo.
05:33O que o presidente Lula está dizendo, pessoal, é o seguinte.
05:36Não necessariamente a gente vai começar agora já devolvendo a mesma moeda a taxação
05:41que está sendo feita pelos Estados Unidos contra o Brasil.
05:44Mas há um processo que é meio lento e que precisaria começar agora para que, caso necessário,
05:50o governo federal tenha essa possibilidade à vista.
05:53Mas eu te pergunto, Bruno Musa, é uma boa estratégia?
05:56Vamos lá.
05:57Eu concordo com uma coisa que o ministro disse quando ele falou que vieram as tarifas e
06:02a gente não pode ficar quieto.
06:04Concordo.
06:04Só que eu acho que a gente tem que usar a estratégia correta, entender o motivo real
06:08dessas tarifas que nós falamos, que tem muito a ver com aquela cúpula dos BRICS
06:12e depois com o Lula batendo de frente contra o dólar praticamente sozinho naquele palco.
06:18Sequer a China está fazendo isso e ela já vem desdolarizando até mesmo as suas reservas
06:22comprando ouro físico já nos últimos três anos.
06:25Portanto, foi ele sozinho levantar a bandeira contra a desdolarização e agora tomamos a
06:30tarifa de 50%.
06:31Tem um ponto aqui importante também a ser mencionado.
06:34Nós somos altamente dependentes de fertilizantes.
06:3630% dos nossos fertilizantes, só 10% do que nós consumimos aqui é nacional.
06:4130% é a nossa maior, nós somos o maior comprador, vem da Rússia.
06:48Logo depois, a China.
06:49Ou seja, países envolvidos aí também em briga com os Estados Unidos.
06:53Porque nós necessitamos desses fertilizantes aqui, até porque o solo brasileiro tem uma
06:59acidez maior e você precisa desses fertilizantes.
07:01E aí, os Estados Unidos vêm impondo mais tarifas se você continua negociando com a Rússia.
07:07E nós somos o segundo maior comprador de óleo diesel da própria Rússia, mais uma vez.
07:14Então, fica muito mais fácil para os Estados Unidos aumentarem as tarifas de 50% para 100%,
07:19para quanto ele quiser.
07:21E aí, tem um grande ponto, a pergunta que você fez para o Fabrício.
07:23Quem é mais forte?
07:24Fica a resposta para mim, não é para mim, os números mostram, é completamente óbvio.
07:29E aqui tem um grande ponto.
07:30É claro que os Estados Unidos também sofrem com aumento de preço, etc.
07:32Mas, tem um grande ponto.
07:35Os Estados Unidos, eles estão num nível de endividamento, que eu acho que precisa urgentemente
07:40cortar gastos, sou amplamente a favor disso.
07:42Mas, ele tem uma capacidade de emitir a dívida que tem uma demanda por essa dívida no mundo.
07:48Ele emite dívida, portanto, ele emite dólar e o dólar é a moeda de reserva mundial.
07:53Tenta o Brasil emitir mais dívida do jeito que está.
07:55É inflação na veia.
07:57Então, quem tem mais capacidade e mais fôlego é indiscutível.
08:01É claro que os Estados Unidos, é ruim para eles?
08:04É.
08:04Mas, é uma briga em glória para o Brasil.
08:06Hoje, eu recebi uma manifestação de um telespectador aqui na rede social, que eu achei interessante.
08:10Eu quero compartilhar com vocês para a gente melhorar e engordar ainda mais o nosso debate.
08:15É o Adriano Guerra.
08:16Ele mandou o seguinte.
08:16Brasil vai informar aos Estados Unidos de que vão aplicar reciprocidade?
08:22Quem sabe faz e banca.
08:24Quem é fraco vai tateando e vai tomar fogo.
08:27Ô, Fábio Piperno, você acha que há uma chance ainda maior do Brasil tomar fogo dos
08:33Estados Unidos?
08:34Olha, primeiro que, de fato, de alguma forma o Brasil vai ter que, de modo inteligente,
08:40claro, reagir.
08:42Segundo, vejam.
08:43Países como China, Rússia, Canadá, México já estão tomando as suas providências.
08:48Aliás, nesses últimos dias, os Estados Unidos, inclusive, ameaçaram a China com taxações
08:54até de 200% se a China parasse de vender terras raras.
08:59Esse é um ponto importante.
09:02Se não comprar da China, vai comprar de quem?
09:04Até porque o segundo maior, enfim, a segunda maior reserva de terras raras está aqui no
09:13Brasil, embora isso não ainda devidamente explorado.
09:15Mas também não é muito inteligente mexer com o Brasil.
09:19Segundo, diferente de todos os outros que têm muito a perder no curto prazo, o Brasil
09:26não é um país superavitário com os Estados Unidos.
09:31Então, alguns produtos que estão muito taxados, por exemplo, carnes.
09:38Os produtores brasileiros, em grande parte, já estão conseguindo escoar, enviar para outras
09:44regiões do mundo.
09:45Aliás, o Brasil está fechando aí novos contratos com o México, país que, inclusive,
09:50acaba de comprar mais aeronaves Embraer.
09:54Tem uma missão do Canadá que está vindo aqui.
09:56É óbvio que todo mundo perderia.
09:58Mas a questão não é só no curtíssimo prazo.
10:01Veja, o Brasil autorizou agora a instalação de 15 data centers.
10:05E isso é algo muito sensível, porque demanda energia demais.
10:08O país não pode ficar instalando data centers, a torta à direita, porque pode faltar energia.
10:14Então, o Brasil agora autorizou 15, porque sabe que pode dar conta disso.
10:20Para os Estados Unidos, isso é algo fundamental, porque, inclusive, eles estão de olho e negociando
10:27os excedentes de Itaipu com o Paraguai.
10:30Por quê?
10:30Porque eles precisam disso.
10:32Eles precisam de instalar data centers fora do país.
10:37E o Paraguai, também o Brasil, seriam possibilidades.
10:41Só que o Brasil é quem tem a prioridade para comprar essa energia de Itaipu.
10:46Então, esse toma lá da cá não é tão simples assim.
10:50E o prejuízo, no médio e no longo, se no curto prazo, sim, pode sangrar mais a economia
10:58brasileira, no médio e no longo prazo, isso também pode arranhar cada vez mais setores
11:05importantes da economia americana.
11:07O que o vice-presidente Geraldo Alckmin, que foi quem cuidou de todas essas negociações,
11:11está dizendo?
11:11Que a abertura desse processo de reciprocidade pode facilitar a negociação.
11:15Vamos entender essa camada com a Janaína Camelo, que vai trazer as informações para
11:18a gente agora.
11:19Bem-vinda, Jana.
11:20Conta aí.
11:20Pois é, né, Evandro?
11:25O vice-presidente Geraldo Alckmin, ministro ali, sempre lembrando, é o ministro de
11:29Desenvolvimento, Comércio e Setor de Serviços Exterior, ele disse o seguinte, que essa é
11:34uma estratégia de, usando ali como uma das últimas estratégias, uma das últimas cartas
11:40ali, uma espécie de ultimato, com esse início do processo de lei de reciprocidade, isso possa
11:46acabar abriendo ali um diálogo com os Estados Unidos, né?
11:49Para que haja uma comunicação de fato direta com os Estados Unidos.
11:54ontem, o Ministério de Relações Exteriores enviou um comunicado à CAMEX, a Câmara de
12:00Comércio Exterior, que é o órgão ali do governo federal, que usa exatamente ali, é
12:05responsável por adotar as políticas, as atividades relacionadas a comércio exterior, ele na venda
12:09de bens e serviços, né? Faz essa ponte com os outros países, com os outros países na venda
12:15de bens e serviços. E a CAMEX tem 30 dias para dizer ali ao governo brasileiro como que
12:21essas medidas, no âmbito da lei de reciprocidade, podem ser adotadas contra os Estados Unidos.
12:27Então tem esse prazo ainda de 30 dias. E aí o ministro e o vice-presidente Geraldo Alckmin
12:33disse exatamente isso, que a expectativa é que isso possa abrir um diálogo com os
12:38Estados Unidos. A gente vai ouvir um trechinho do que ele falou, mas cito.
12:42O presidente Lula tem nos orientado, primeiro, soberania nacional, o país não abre mão da
12:50sua soberania. No Estado Democrático os poderes são separados, separação dos poderes,
12:57judiciário, legislativo, executivo. E de outro lado, diálogo e negociação. Essa é a disposição
13:05do Brasil. Espero que isso até possa ajudar que a gente acelere o diálogo e a negociação.
13:15O ministro, inclusive, ele disse que o Brasil não se vale de outros exemplos de outros países
13:21que também foram sobretaxados, né? Que o Brasil preza ali, passou todo esse processo
13:27desde o início ali do anúncio da taxação, tentando realmente um diálogo com os Estados
13:31Unidos. Quem falou também sobre esse assunto foi o presidente Lula, viu? Ele, numa entrevista
13:36que ele concedeu hoje à rádio Itatiaia, ele disse que embora já haja aí essa medida
13:41formalmente de dar início a esse processo da reciprocidade contra os Estados Unidos, o Brasil,
13:46a intenção do Brasil é continuar dialogando. A gente vai ouvir o que ele disse.
13:50Nós também temos coisa pra fazer contra os Estados Unidos. Mas eu não tenho pressa,
13:55porque eu quero negociar. O Edilene, eu coloquei nada mais, nada menos que o meu vice-presidente
14:01Geraldo Alckmin, meu ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e meu ministro do Comércio Exterior,
14:06meu ministro de Relatório Exterior, Dilmao Oliveira, pra serem negociadores com os Estados
14:11Unidos. Até agora nós não conseguimos falar com ninguém. Esse dia o Haddad tinha marcado
14:16um telefonema com o secretário do Tesouro, ele disse que não podia aparecer na foto
14:21reunido com o Eduardo Bolsonaro. Então eles não estão dispostos a negociar. O que que
14:27eu disse? O seguinte, se o Trump quiser negociar, o Lula e a paz e a amor está de volta.
14:32Pois é, as palavras aí do presidente Lula. Só lembrando que a lei de reciprocidade
14:40econômica, ela foi aprovada nesse ano no Congresso Nacional. Recentemente ela foi
14:44regulamentada por um decreto do presidente Lula, logo depois do anúncio de Donald Trump
14:48do tarifácio de 50%. Então ela permite o Brasil, no caso aí, quando o governo brasileiro
14:53vê que houve ataques à soberania nacional, com medidas unilaterais. Então permite ali a limitação
14:59de importação, de bens e serviços, a suspensão de concessões, enfim, várias sanções
15:06econômicas. Agora o ministro e o vice-presidente Geraldo Alckmin disse o seguinte, que ainda
15:10não há, embora tudo isso, ainda não há nenhum diálogo marcado, nenhuma conversa, reunião
15:15marcada com nenhuma autoridade dos Estados Unidos, por enquanto.
15:19Ivan. Valeu Jana, bom trabalho pra você. Ô Zé Maria Trindade, vamos fechando aqui,
15:24seu Gui, pra gente fazer aquela telinha dividida legal e eu ver a cara do meu amigo lá em Brasília.
15:27Ô Zé Maria Trindade, o presidente Lula diz, olha, nós temos essas medidas aí de reciprocidade,
15:32mas se a gente quiser, a gente aplica, a gente vai lá e faz, mas eu quero esperar porque
15:37precisamos negociar. Porém, o presidente Lula tem sido pressionado por parte de seus aliados
15:43pra uma ligação com o presidente Donald Trump e ele nega. Diz que essa ligação não
15:48vai acontecer porque há toda uma equipe destinada a essa negociação. Equipe que tem a presença
15:55do vice-presidente Geraldo Alckmin, que tem também os diplomatas ali do Ministério das
16:00Relações Exteriores. Mas essa estratégia toda de deixar o time, digamos assim, secundário,
16:08e aí eu não tô querendo menosprezar ninguém, tá pessoal? Mas vamos falar, tem a ligação
16:12de presidente pra presidente e tem as equipes. Deixar o time secundário, cuidar disso, é
16:16uma boa estratégia nesse momento, percebendo que as portas para essa comunicação não estão
16:21se abrindo lá nos Estados Unidos? Pois a impressão que eu tenho é de que o presidente Lula e a
16:28equipe do PT gostaram dessa situação, dessa onda, e estão surfando nela, né? Abraçaram e estão
16:37casados com essa palavra chamada soberania. O governo está falando muito em soberania, o presidente
16:44Lula e petistas. E uma briga, mesmo que seja com um adversário muito mais forte, pode gerar
16:51dividendos políticos, embora arrase a indústria nacional, né? Essa importação do Brasil dos
16:59Estados Unidos é importação de boa qualidade. Eu vi que tem equipamentos, peças de automóveis,
17:06né? Aeronaves e inclusive muito leasing, né? E principalmente bens de produção, que são
17:14maquinários. Por que é uma importação de boa qualidade? Porque quando se importa um
17:19maquinário, esse maquinário não vai ficar parado aqui, ele vai funcionar. Gerar produtos e gerar
17:26empregos e movimentar a economia. Então ele taxar isso aí, isso aí, essa importação de boa qualidade,
17:33isso não é brusinha, não é quinquilharias da China, mas produtos de boa qualidade, isso é bom
17:39para o desenvolvimento do país. Taxar é atrapalhar a indústria nacional aqui. Mas enfim, na política
17:45está bem. Eu soube também que o presidente Lula não está parado, não está quieto. Telefonou para
17:52presidentes nessa declaração aí, ele não fala dele, que colocou à disposição o meu vice-presidente,
17:58né? Aspas. Meu vice-presidente, meus ministros. E não encontraram nenhuma resposta. É claro que
18:04não. Aliás, encontraram a resposta. Isso é com a Casa Branca. Então tem que ser ele e Donald Trump.
18:10E dá a impressão de que ele, o grande negociador, que foi forjado na linha direta da negociação ali
18:16nos sindicatos, está tremendo para negociar com o Donald Trump, né? Mas eu soube que o presidente
18:23Lula tem ligado para presidentes de outros países, não é? Não é só o Macron, não. Quando ele está
18:29em dúvida, ele liga para o Macron. E aí, Macron, o que você está pensando? Não. Ele tem ligado,
18:33inclusive, para o Xi Jinping, o presidente da China. Hoje, o encarregado de negócios da China
18:41disse o seguinte, que nunca as relações Brasil-China estiveram em tão boa qualidade e tão
18:47bem. Isto é um sinal de que o Brasil está cada vez mais se aliando à China. Ou os Estados Unidos
18:55estão empurrando o Brasil para o colo da China? Isso não é bom também para os Estados Unidos. E há
19:02uma relação com o México, com o Canadá. Eu acho que o Donald Trump tem razão. Ele é o presidente
19:07dos Estados Unidos. Ele sabe o que ele está fazendo lá. Mas, a longo prazo, isso pode ser perigoso para
19:14os Estados Unidos. Eu acho difícil isolar um país do tamanho dos Estados Unidos. Mas esse é o caminho.
19:21Ô, Fábio Piperno, você entende que o presidente da República e o próprio governo federal estejam
19:26capitalizando com essa história de soberania e, por isso, segurar esse discurso e não buscar uma
19:31conversa direta com o presidente Donald Trump seria a opção ideal para manter esse capital eleitoral,
19:40político, que possa ser reforçado, inclusive, em 2026. Agora, isso não daria razão àqueles que
19:47criticam o atual governo ou culpam o atual governo pela situação que o país enfrenta em relação às
19:54taxações dos Estados Unidos? Bom, do ponto de vista político, seria ingênuo imaginar que o governo já
20:01não tenha feito esse cálculo, né? De que, bom, esse tipo de confronto até aqui nos deu algum saldo político.
20:08E isso realmente é verdade. Agora, vamos também ao mundo prático.
20:15Eu entendo que o presidente Lula tem muito pouco a oferecer ao presidente Trump. O que o presidente
20:22Trump quer é anistia ao Bolsonaro. Já disse isso em todos. Isso não é uma ilação, isso não é uma percepção.
20:31Em todos os documentos publicados pelo governo dos Estados Unidos acerca desses atritos, a menção ao
20:40presidente Bolsonaro está na primeira frase, ou no máximo no primeiro parágrafo. Está lá, está explícito isso.
20:47Então, aí, vamos tentar os caminhos pelas áreas técnicas. Então, o ministro está aqui, conversa com o
20:54ministro de lá e tal. Mas, veja, chegou-se ao ponto da descortesia do secretário do Tesouro
21:00inventar uma desculpa para desbarcar o encontro com o presidente Haddad no mesmo dia em que ele
21:07encontrou o Eduardo Bolsonaro. Isso, do ponto de vista diplomático, é condenável. Isso é uma coisa
21:13absolutamente descortês, idiota, com um país amigo, por mais que as relações, nesse momento, não estejam
21:21no seu melhor nível. Então, o erro não foi cometido aqui. Então, é preciso também que se avalie isso.
21:31Agora, eu não sei se em algum momento os dois presidentes conversarão para tentar resolver essa
21:37questão tarifária, porque também eu acho que isso pode ser resolvido de uma outra forma, na justiça
21:44americana, inclusive, por meio de ações orquestradas feitas por empresários americanos, que, aliás,
21:52são aqueles que têm conseguido derrubar algumas tarifas. E, ao que tudo indica, o café é o próximo
21:59produto da fila, porque há pressão de americanos pela queda nessas tarifas.
22:04Exatamente.
22:05Amém.
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