00:00E é claro que nós acompanhamos e o mundo todo acompanha evidentemente, né?
00:05O encontro entre Vladimir Putin e também o presidente Donald Trump lá no Alasca.
00:10Eles chegaram, a aterrissagem foi sincronizada, o Putin lá estava no seu Ilyushin e o Air Force One Boeing do presidente Trump.
00:18Eles se cumprimentaram na pista, tapete vermelho.
00:21O território já foi russo, foi comprado pelos Estados Unidos e agora, portanto,
00:25o Kremlin informa que poderemos ter uma longa reunião de sete horas.
00:29A reunião começou por volta das quatro horas da tarde, horário aqui de Brasília.
00:33E fica, então, a expectativa ao longo desse programa, nós traremos todas as informações.
00:39Claro, o Luca Bassani também está conosco e ele irá, portanto, participar conosco.
00:43E vamos acompanhar, então, esse desdobramento importante aí na tentativa de um cessar-fogo na guerra iniciada pela Rússia contra a Ucrânia.
00:51E eu já quero receber aqui o Nelson Kobayashi. Muito boa noite, Kobayashi.
00:55De fato, aí nós estamos vivendo este momento geopolítico, né?
01:00A palavra mais falada hoje, né, Kobayashi, é geopolítica, a mudança, né?
01:05E observamos, evidentemente, que Putin se reúne com Trump e o principal envolvido,
01:12que é Volodymyr Zelensky, está fora.
01:13Ucrânia está fora.
01:15Vai dar certo isso, Kobayashi?
01:16Muito boa noite a você.
01:18Muito boa noite, Matos.
01:19Boa noite aos nossos colegas de bancada.
01:21Boa noite a todos que nos acompanham aqui nos Pingos nos Is.
01:23Sempre um prazer estar com vocês.
01:25E essa reunião é muito aguardada, porque ela pode selar o destino deste conflito que já se estende há alguns anos.
01:32A guerra entre a Ucrânia e a Rússia, a partir das invasões russas ao território ucraniano,
01:38alguma parte do território já tomada para si como se fosse território russo, pelo presidente Vladimir Putin.
01:45E, claro, o mundo todo olha com expectativa para isso, porque esse conflito tem consequências diversas,
01:53não só no campo militar, mas também na economia, nas relações diplomáticas entre os principais países do mundo,
01:59entre os blocos em que esses países estão envolvidos.
02:03Um desses blocos envolve, inclusive, o Brasil.
02:04Estou falando do BRICS, em que o Brasil é parceiro da Rússia.
02:08E, naturalmente, em relação às questões humanitárias, já que a gente tem diversas imputações de crimes de guerra,
02:15inclusive contra o líder russo, crimes de ataques a civis, a hospitais,
02:20a pessoas que não deveriam ser alvo desse tipo de ataque que tem acontecido há muito tempo na Rússia.
02:26O que se espera dessa reunião é um encaminhamento para uma solução,
02:30lembrando que há uma ausência muito importante, que é a ausência da representação ucraniana.
02:37Aliás, a maior crítica que tem enfrentado o presidente americano é de que ele não tem procuração da Ucrânia
02:41para falar em nome da Ucrânia.
02:43Aliás, se ele quer ser um mediador, precisa ser um mediador entre duas partes envolvidas.
02:48E só há um encontro ali com o líder russo.
02:51E não há encontro, não há presença de Vladimir Zelensky neste encontro com o presidente americano.
02:57Então, certamente, essa é a grande crítica e que tem o seu sentido.
03:01Porque qualquer decisão que seja tomada em relação à Ucrânia,
03:04em especial a cessão a abrir mão de parte do território,
03:08deveria, por lógica, ter a presença do líder ucraniano.
03:13Lembrando que esse é um assunto a tal da soberania dos Estados,
03:16a autodeterminação dos povos, que é um assunto da moda, um assunto do momento.
03:20Então, acompanharemos aí, depois deste encontro, a qualquer momento isso pode acontecer,
03:25quais serão as primeiras impressões, as primeiras revelações do que conversam os dois líderes mundiais,
03:31duas das maiores potências que a gente tem, os Estados Unidos da América e a Rússia.
03:35Sem dúvida, ao longo desse programa, estamos aí acompanhando tudo.
03:38Se houver um pronunciamento, inclusive, de ambas as partes,
03:41do presidente norte-americano, também do russo,
03:44traremos aqui ao vivo nos pingos nos is.
03:46Vamos receber agora o Luiz Felipe Dávila.
03:49Dávila, é uma situação extremamente delicada,
03:51porque houve essa invasão, um conflito, mais uma vez sangrento,
03:56as pessoas, os civis, sendo atingidos,
03:58e não há o que fazer, né?
03:59Nós tivemos reações, promessas de apoio da Europa,
04:02do próprio, dos Estados Unidos,
04:05mas não há o que fazer com Vladimir Putin,
04:07ele quer anexar esses territórios,
04:09e isso torna toda essa situação praticamente,
04:11aí não há uma saída sem a perda de território para a Ucrânia,
04:15que foi invadida, né, Dávila? Boa noite.
04:17Boa noite, Matos, Koba, Mota e a nossa querida audiência.
04:23Olha, Matos, nós precisamos entender um pouco a história da Rússia.
04:26A Rússia sempre foi um governo autoritário,
04:30primeiro sobre a monarquia dos tzares,
04:33e depois sobre a ditadura do Partido Comunista.
04:36E hoje é governada por um líder autoritário,
04:40mão de ferra, como Vladimir Putin.
04:41Então, a história da Rússia é ser governado por líderes autoritários.
04:46líderes autoritários que temem invasões.
04:50A Rússia foi invadida no século XIX por Napoleão,
04:53depois foi invadida por Hitler depois da Segunda Guerra.
04:56Então, eles têm essa paranoia de defesa
04:59e precisa criar o que eles chamam buffer states.
05:03Eles precisam ter áreas para proteger a Rússia de uma invasão.
05:08E eles sempre entenderam que esse território
05:10que eles precisam conquistar é justamente a Europa do Leste.
05:14e os Balcãs.
05:16É ali que eles acham que é a área que vai dar
05:19essa segurança territorial no caso de invasão.
05:24Então, Putin foi o primeiro líder autoritário
05:27depois da Segunda Guerra Mundial
05:29a usar a força para mudar o status quo,
05:34para invadir um país.
05:36Primeiro invadiu a Georgia e depois a Ucrânia.
05:39Portanto, Vladimir Putin só entende a língua da força.
05:44Você pode fazer sanção econômica,
05:47pode fazer condenação política,
05:49ele não dá a menor importância.
05:52O que ele se importa é quantos tanques,
05:55quantas divisões,
05:57quantas armas você tem em suas mãos
05:59para poder ameaçar a Rússia.
06:00Por que essa história é importante entender, Matos?
06:05Por que Vladimir Putin vem engambelando,
06:09enganando, tapeando Donald Trump
06:11desde o primeiro dia de governo.
06:13Todas as tentativas de ameaça de Donald Trump,
06:16nenhuma deu certo.
06:18Pelo contrário,
06:19a Rússia redobrou a aposta
06:21na invasão de território,
06:24na ocupação de novos territórios,
06:26e não deu a menor importância
06:28para as ameaças de Donald Trump.
06:31Então, esta conferência,
06:33esse summit importante,
06:35ele é fundamental.
06:37Desta vez,
06:38parece que Donald Trump
06:39entendeu o jogo de Putin
06:42e não pretende ser engambelado
06:45mais uma vez com promessas vagas
06:48que, no fundo,
06:49só se transformam
06:51em mais suplício para a Ucrânia.
06:53Vamos ver se, desta vez,
06:55o jogo de Putin
06:56é um pouco mais suave
06:59nas ameaças reais de Donald Trump
07:02de usar a força.
07:04Esta é a única linguagem
07:06que Vladimir Putin entende.
07:08O medo dos Estados Unidos
07:10escalar militarmente
07:13a ajuda à Ucrânia
07:14e impedir o avanço da Rússia.
07:18E fica uma situação muito difícil,
07:20porque nós tivemos a promessa,
07:22antes da posse lá em janeiro de Trump,
07:25de que rapidamente ele iria resolver,
07:27haveria o cessar fogo.
07:29E nós temos também,
07:30hoje, no Congresso norte-americano,
07:32uma lei anti-Rússia
07:33para, justamente,
07:34nós sabemos que o Brasil,
07:36inclusive,
07:36isso repercute aqui internamente,
07:38porque importamos muitos fertilizantes da Rússia
07:42e também a questão do petróleo,
07:44do óleo diesel,
07:45também que chegou,
07:47chega aqui ao Brasil,
07:48e por isso também não há uma escalada no preço,
07:50porque a Rússia consegue fugir dos embargos,
07:52justamente aí até fazendo negócios com o Brasil,
07:55fertilizantes e também o petróleo.
07:57E, inclusive,
07:58há uma lei lá no Congresso norte-americano,
08:00a lei anti-Rússia,
08:01que poderia, inclusive,
08:03fazer com que quem compra,
08:04quem faz negócio com a Rússia,
08:06poderia ter uma sobretaxa de 500%,
08:08despreocupam o agronegócio brasileiro,
08:10que depende dos fertilizantes russos,
08:12e, é claro, também toda a economia,
08:14já que nós temos uma logística movimentada por caminhões.
08:17Eu quero receber o Roberto Mota,
08:19porque fica difícil, de fato,
08:20que lhe havia uma promessa do Putin
08:22resolver tudo rápido,
08:24e isso não aconteceu, né, Mota?
08:25Muito boa noite.
08:27Não aconteceu, Marcelo.
08:30Infelizmente,
08:31essa guerra ainda não acabou.
08:33Boa noite pra você,
08:34boa noite aos meus colegas de bancada,
08:36boa noite à nossa audiência.
08:38Olha, eu não sou daqueles que lamentam
08:40o fim da União Soviética,
08:43que foi apelidada pelo ex-presidente Ronald Reagan
08:46de Império do Mal.
08:49A União Soviética já foi tarde.
08:52Eu sou daqueles que acreditam
08:54que a liberdade do Ocidente
08:56foi garantida pelos Estados Unidos da América,
09:00com todos os seus defeitos.
09:02Não existe país perfeito.
09:04Eu acho que não virá nenhuma grande decisão
09:07desse primeiro encontro
09:10entre Trump e Putin,
09:12porque essa guerra é uma situação complicada.
09:17Realmente, Trump esperava acabar com essa guerra
09:20logo no início do seu mandato.
09:23Foi um excesso de otimismo.
09:25A história da Rússia começou na Ucrânia.
09:29Os laços que unem a Ucrânia e a Rússia
09:32são muito fortes.
09:34Na história da Ucrânia moderna,
09:37depois da queda da União Soviética,
09:40aconteceram muitas coisas complicadas também.
09:42A política da Ucrânia não é uma coisa simples.
09:47E um dos fatores que os analistas dizem
09:50que levou Putin a tomar essa atitude
09:54de invadir a Ucrânia
09:55foi a expansão da OTAN.
09:58A OTAN, que foi criada originalmente
10:01para se contrapor ao Pacto de Varsóvia,
10:05formado pela União Soviética
10:07e por aqueles países comunistas satélites.
10:10O Pacto de Varsóvia acabou.
10:13A União Soviética acabou,
10:15mas a OTAN continuou existindo
10:17e se expandindo.
10:19Isso, inevitavelmente,
10:21representou uma ameaça
10:24para a Rússia e para Vladimir Putin,
10:27um homem que está no poder
10:29mais ou menos aí
10:30desde 2020.
10:32Então, há 25 anos
10:35é ele que dá as cartas na Rússia.
10:38Agora, provavelmente,
10:40a chave para essa paz,
10:43a chave para o fim da guerra,
10:45está com os Estados Unidos.
10:48Por várias razões.
10:49Entre elas,
10:50porque são os Estados Unidos
10:52que garantem a segurança da Europa
10:55através da OTAN.
10:58E são os Estados Unidos
10:59que armaram a Ucrânia.
11:01O último número que eu tenho
11:02é de mais de 100 bilhões
11:06de dólares em armamentos
11:07que foram fornecidos
11:10à Ucrânia
11:11para que ela resistisse à invasão russa.
11:13Então, eu acho que
11:15chegou o momento
11:17desses dois líderes
11:18sentarem,
11:19conversarem,
11:20tentarem chegar
11:21ao entendimento.
11:22Mas eu acho
11:23arriscado ainda
11:25prever
11:26que tipo de entendimento
11:28será possível
11:29se alcançar.
11:30Sem dúvida.
11:31Um detalhe
11:32extremamente importante,
11:33a Rússia tem o maior arsenal
11:35de bombas nucleares.
11:37Então, a gente sabe
11:37que toda essa situação
11:40é extremamente delicada
11:42e por isso que vive
11:43esse impasse,
11:44mais de três anos de guerra
11:45e pouco se consegue fazer
11:47em relação à Rússia.
11:49Mas, claro,
11:49traremos todas as atualizações
11:51da reunião de Trump
11:52com Vladimir Putin
11:54lá no Alasca,
11:55começado às quatro horas da tarde
11:57aqui no horário brasileiro.
11:58Ao longo desse programa,
11:59vamos voltar a falar
12:00sobre esse assunto.
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