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Em entrevista ao Fast News, o professor do Instituto Oceanográfico da USP, Alexander Turra, analisa os vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT‑BR) na lei do licenciamento ambiental. Ele aponta que as decisões refletem uma visão mais conservadora do governo, alterando o equilíbrio entre desenvolvimento e proteção ambiental.

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Transcrição
00:00A gente conta agora que inclusive nesta semana o presidente Lula sancionou com vetos as novas regras do licenciamento ambiental.
00:09A gente conversa agora sobre este assunto com o Alexander Nuturra, que é especialista, que é professor do Instituto Oceanográfico da USP,
00:20também especialista em sustentabilidade do oceano, enfim, pra gente conseguir entender também, então professor,
00:27o que de fato vai acontecer, o que será alterado nos próximos dias com esta sanção e quais são os vetos que Lula acabou realizando em relação a este novo licenciamento.
00:41Ótima tarde, seja bem-vindo, professor.
00:44Boa tarde, Bruno. Um prazer estar aqui com vocês, com a sua audiência, falando de um assunto tão importante porque afeta a vida de muita gente.
00:52A gente tem aí uma discussão que passou muito tempo acontecendo no Congresso e que agora culminou com essa nova lei geral do licenciamento,
01:02que foi agora sancionada pelo presidente com 63 vetos, que buscaram assim trazer uma certa visão um pouco mais conservadora
01:14para os aspectos da discussão ambiental, de forma que o país não perdesse, de certa forma, elementos essenciais de um diálogo com a questão ambiental,
01:27com a questão social e com a questão econômica, que está associada a esse tipo de procedimento,
01:33que a gente chama de avaliação de impacto ambiental, que traduzimos no Brasil no licenciamento ambiental.
01:39Então, eu vejo que o governo tentou fazer com que alguns elementos importantes não fossem perdidos
01:46para que a gente continuasse tendo os resultados importantes que o licenciamento ambiental traz para a sociedade.
01:54A gente também chama nessa conversa o Diogo da Luz, que faz uma pergunta ao senhor Agorale.
02:01Boa tarde, professor. Uma honra poder falar consigo.
02:03Eu tenho uma dúvida muito grande. Eu vejo que na região urbana, a legislação quer proteger tanto as pessoas,
02:11que cria muitas leis e regras para um lote mínimo, largura de rua, e muitas pessoas pobres não têm como pagar.
02:20Então, o que acontece? Elas ficam na mão do crime organizado.
02:23Elas têm que comprar terrenos menores, sem registro, sem nada. Isso é muito ruim.
02:28Será que no caso do licenciamento ambiental não é parecido?
02:32Criamos uma situação tão maravilhosa que, se for cumprida, todo o ambiente fica lindo,
02:39mas esquecemos que as pessoas existem e precisam viver e trabalhar?
02:43E quando olhamos para a Amazônia, tudo aquilo acaba ficando ilegal?
02:47Não será por excesso de regramento?
02:50Diogo, um prazer falar contigo.
02:53E essa pergunta é muito importante porque ela faz com que a gente tenha que considerar,
02:57na resposta, os diferentes referenciais.
02:59Na verdade, quando a gente fala de avaliação de impacto ambiental,
03:04quando eu dou aula na universidade sobre isso, quando eu faço as minhas pesquisas,
03:08a gente tem claramente um direcionamento em relação a princípios que foram estabelecidos
03:13globalmente e nacionalmente na Constituição, na política nacional do meio ambiente.
03:18Então, em última instância, o que se busca é resguardar os interesses da sociedade,
03:22das pessoas, da coletividade.
03:25Tem um grande mantra, uma grande expressão que eu uso quando eu leciono esse tema,
03:33que é a necessidade do licenciamento ambiental fazer com que a gente internalize as externalidades.
03:39Externalidades é quando um empreendimento, uma atividade econômica ou mesmo uma política pública,
03:45ela vai acabar, por exemplo, causando algum tipo de prejuízo que vai ser disseminado pela sociedade.
03:52A avaliação do impacto ambiental, o licenciamento ambiental, ele ajuda a gente a prever isso
03:56e a prevenir, fazendo com que quem vai fazer o empreendimento assimile esse custo,
04:01uma vez que ele vai ter o lucro privatizado, o lucro vai ser concentrado,
04:05mas os prejuízos não podem ser democratizados.
04:08E esse é um ponto.
04:09Então, em última instância, na verdade, o que se busca é fazer com que existam regras claras
04:15para que a gente consiga resguardar os princípios que fazem com que a gente gere
04:19e compartilhe prosperidade, que é o que a gente quer,
04:22para o país poder crescer, poder distribuir renda, poder dinamizar a sua economia
04:28e compartilhar bem-estar com todos.
04:30Agora, teve a sanção, teve os vetos e, logo na sequência, o governo enviou uma medida provisória
04:38também para o Congresso Nacional, que é a chamada licença ambiental especial,
04:44que acelera esse ritmo.
04:45O senhor consegue explicar um pouquinho o que é, de fato, esta medida provisória?
04:50Sim, essa medida provisória, especialmente a licença especial,
04:55que provavelmente a Marina está trazendo aqui na intervenção que ela fez,
04:59ela diz respeito a um pleito do presidente do Senado, ou a Columbre,
05:05em relação a grandes empreendimentos de interesse estratégico do país,
05:11que esses empreendimentos deveriam ter prioridade no licenciamento
05:16e ter um licenciamento mais expedito, mais rápido, mais assertivo, pode ser assim dizer.
05:23E, com isso, a gente tem, então, isso sendo trazido nessa medida,
05:28e já estava na lei, que foi aprovada pelo Senado e pela Câmara,
05:33mas eu trago um pouco de preocupação em relação a isso,
05:36porque esses empreendimentos normalmente são grandes empreendimentos,
05:40muito complexos, e eles têm um potencial de causar impacto muito grande.
05:44Então, é fundamental que essa análise dos impactos seja feita adequadamente.
05:49Isso demanda uma questão muito importante.
05:51Eu aqui, junto com outros colegas da rede de especialistas em conservação da natureza,
05:56a gente vem falando de uma forma bastante contundente que a gente precisa que o órgão ambiental federal
06:03e os órgãos ambientais dos estados sejam fortalecidos para dar conta dessas demandas de empreendimento.
06:11A gente não pode ter um órgão com menos gente, ou gente que não está treinada adequadamente para fazer.
06:16Então, a gente precisa fortalecer o órgão ambiental, porque ele fortalecido,
06:19ele vai conseguir dar celeridade nessas análises sem perder a qualidade.
06:23E, além disso, a ciência está se preparando já nos últimos anos para trazer novidades.
06:30Inclusive, eu participei e vários colegas participaram das audiências públicas no meio desse curso de discussão dessa lei,
06:37em que a gente pode trazer elementos importantes que podem qualificar o processo sem necessariamente fragilizá-lo,
06:44que é o que a sociedade demanda.
06:45E eu acho que esse é um ponto importante para a gente trazer para a sociedade, para que ela entenda.
06:51Na verdade, a gente tem um risco muito grande, dependendo de como a gente faz,
06:55de fragilizar elementos importantes, instrumentos importantes que se resguardam.
07:00Há água limpa, o ar limpo, o alimento de qualidade.
07:03Coisas importantes para todo mundo, e que podem ser comprometidas caso a gente não faça com cautela
07:11essas ações, esses desenvolvimentos que são importantes para o país, com certeza.
07:18Mas a gente tem que fazer direitinho.
07:20Inclusive, numa época importante, que é o ano da COP30, realizado aqui.
07:25São várias discussões, mas que aparentemente tem uma reclamação de pessoas que são ideológicas em áreas sensíveis.
07:34E aí tem toda uma situação que repercute dentro do Congresso também.
07:37Não tenho dúvida que a gente vai voltar a conversar muito, viu?
07:40Porque o assunto vai render muito nos próximos dias e o senhor vai nos ajudar a entender.
07:44Muito obrigado pela entrevista e pelo auxílio também aqui à Jovem Pan, viu, professor?
07:50Eu que agradeço e estou à disposição.
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