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Após anunciar o chamado “Plano de Paz”, que prevê anistia ampla geral e irrestrita, o fim do foro privilegiado e o impeachment do ministro do STF, Alexandre de Moraes, os parlamentares e aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro apareceram no Plenário com as bocas tapadas e alguns até com os olhos vendados. Como prometido, eles travaram as pautas e passaram a noite na Câmara. Nesta quarta-feira (06), Moraes autorizou que Bolsonaro receba visita de filhos, cunhados e netos sem autorização prévia. Comentaristas: Mano Ferreira, Jess Peixoto, David de Tarso e Priscila Silveira

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Transcrição
00:00Em paz, expressão cunhada ali pelo senador Flávio Bolsonaro, que prevê a anistia ampla, geral e restrita,
00:06o fim do foro privilegiado e até o impeachment do ministro Alexandre de Moraes,
00:09os parlamentares e aliados do ex-presidente Bolsonaro apareceram no plenário das casas com bocas tapadas,
00:15alguns até com olhos vendados, travaram completamente a pauta e, aliás, como prometeram,
00:20os deputados passaram a noite na Câmara e teve até escala de revezamento entre eles.
00:25David de Tarso, quais foram os destaques?
00:28É, inclusive os presidentes das casas, né, tanto o Davi Alcolumbre do Senado,
00:33como também o Hugo Mota da Câmara dos Deputados, eles adiaram as sessões previstas que tinham,
00:40então, nesse retorno do legislativo brasileiro, justamente por causa dessa obstrução.
00:46E agora a preocupação fica em torno desse tema mesmo, porque a partir do momento que tem obstrução,
00:50os projetos não andam nas casas de leis e, dessa forma, o Congresso Nacional fica paralisado.
00:56É, acho que claramente transbordou do campo jurídico e está agora no campo simbólico e institucional mais do que nunca, né?
01:03Jess Peixoto, suas impressões e quem acabou se destacando nesse motim do legislativo?
01:09Eu acho que tem um destaque muito grande para as falas concundentes, assim, muito fortes do Marcelo Van Hattem,
01:14que tem falado bastante sobre essa situação.
01:16Eu acho, André, também, quando eu olho para essa situação, que tem um personagem aí que ninguém esperava que fosse um personagem que mobilizasse tanto,
01:24que é o Marcos Duval. Por quê?
01:25Como nós tratamos aqui há alguns dias, o Marcos Duval chegou no aeroporto ali e, mesmo sem estar ali como denunciado,
01:32ele foi agora estar usando uma tornozeleira eletrônica também, está tendo algumas medidas cautelares bem duras.
01:38E, por mais que ele não seja um personagem tão querido nos corredores de Brasília,
01:43o que preocupa os parlamentares é o precedente.
01:47É o precedente que isso abre em relação às suas próprias figuras.
01:52E aqui não vale dizer qual é o caso.
01:54Se é o caso em questão do Marcos Duval ou se é um possível caso no futuro de um outro parlamentar que seja num processo de corrupção,
02:01o que quer que seja.
02:02Eles se lembram de um tempo de lavar jato que eles não gostam, que eles se sentem inseguros.
02:07E isso mobiliza muito em relação das garantias, não individuais apenas, mas das garantias dos parlamentares.
02:13Então, o Marcos Duval acaba sendo uma peça fundamental quando você conversa com os parlamentares,
02:18uma coisa que dá um gatilho neles, que eles realmente têm falado, passou do limite essa situação.
02:23Que desembocou também no pedido de prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro.
02:28Então, a realidade é que a relação do Supremo e do ministro Alexandre de Moraes com o setor político,
02:34ela está tensionada em um nível nunca antes visto.
02:38E isso está ligado ao fato de que Brasília retomou os trabalhos,
02:42mas no final do dia os trabalhos não estão sendo retomados,
02:45porque há uma obstrução em curso da oposição.
02:48Vale a pena ver até quando a oposição vai continuar fazendo essa obstrução nas duas casas.
02:54E é o seguinte, pessoal.
02:55Podemos até criticar a coreografia por trás da obstrução,
02:58mas o obstrucionismo é uma ferramenta mais do que legítima do jogo democrático.
03:03Obstrucionismo esse que o PT e seus satélites de esquerda elevaram ao estado de arte nos anos 90,
03:08durante o governo FHC, entre 2018 contra o governo Temer, entre 19 e 22, no governo Bolsonaro.
03:14E, justiça seja feita, talvez o bolsonarismo encontrando esse expediente para poder se fazer ouvido.
03:21Faz parte do jogo um pouco dessa pirotecnia e também dessa obstrução.
03:25Não deveria surpreender ninguém.
03:26Agora, uma notícia quentíssima que chega aqui ao nosso conhecimento
03:29é o fato que Jair Bolsonaro acabou de receber uma autorização do ministro do Supremo Alexandre de Moraes
03:34para receber as visitas dos filhos, das cunhadas, das netas e dos netos do custodiado,
03:39no caso do ex-presidente, sem necessidade prévia de comunicação,
03:43com observância das determinações legais e judiciais anteriormente fixadas.
03:49Talvez seria uma espécie de recuo tático, um afago,
03:52dada a represália que o ministro Alexandre de Moraes vem sentindo e sofrendo nos últimos dias,
03:57principalmente de líderes do sistema em Brasília?
03:59Mano Ferreira.
03:59Coerência.
04:00E vale dizer, Marinho, que a pressão não é apenas da política.
04:05Os próprios colegas ministros do Supremo Tribunal Federal,
04:08há informações circulando na imprensa,
04:10que não ficaram felizes com a decisão do ministro Alexandre de Moraes,
04:16alegando que ele teria, avaliando, na verdade, que ele teria esticado a corda para além do que deveria.
04:23Ou seja, isso mostraria uma mudança de postura dos demais ministros da corte
04:29em relação ao respaldo que davam à atuação do ministro Alexandre de Moraes,
04:34o que pode significar uma mudança, muito em breve,
04:40do tipo de dinâmica que a gente estava assistindo,
04:43onde o ministro Alexandre de Moraes tomava uma decisão
04:46e todos os colegas referendavam essa decisão.
04:50O ministro Luiz Fux já vinha se colocando como um ponto que destoa dessa unanimidade
04:56e parece que vai ganhar colegas na divergência com o ministro Alexandre de Moraes nos próximos dias.
05:04Então, nesse contexto, surge essa decisão.
05:07Mas vale notar que quando ele se refere à manutenção das demais determinações judiciais,
05:16o que ele está querendo dizer na prática é
05:18vão poder visitar os filhos, mas não poderão fazer vídeos do pai,
05:24não vão poder publicar em redes sociais,
05:27o que a gente vai ter que ver se de fato vai acontecer.
05:30É possível que a família Bolsonaro continue esticando essa corda,
05:37que publique em vídeo, contrariando mais uma vez a decisão judicial
05:41para intensificar essa tensão,
05:45gerando mais uma vez a narrativa de que estariam sendo perseguidos pela justiça
05:52pelo simples exercício da liberdade de expressão
05:55ao publicar um vídeo, uma foto ou qualquer coisa do tipo
05:59com a presença de Jair Bolsonaro.
06:01O detalhe é que, nesse momento, Jair Bolsonaro
06:04não é juridicamente apenas um cidadão comum,
06:08ele é um custodiado, ele é alguém que está acautelado,
06:12que está preso oficialmente.
06:15Então, é como dizer que um presidiário não pode publicar nas redes sociais,
06:20não pode ter os familiares publicando fotos com o presidiário.
06:25O status, no momento, é esse.
06:27A gente pode achar legal ou não,
06:30pode discordar da decisão do ministro Alexandre,
06:32mas esse é o status diante das instituições do Estado brasileiro.
06:36Sabe o que eu fico na dúvida, Marinho, em relação a tudo isso?
06:38É que ontem o ex-presidente Jair Bolsonaro recebeu a visita do Ciro Nogueira, do PP.
06:42Sim.
06:43E o Ciro, assim que saiu da casa do Bolsonaro,
06:45ele falou como ele estava, tudo, descreveu a situação.
06:48Você não vai vir alguma medida cautelar
06:50impondo que não pode falar sobre o ex-presidente também,
06:53porque aí a censura prévia que já está acontecendo
06:56pode escalonar ainda mais.
06:58Então, a dúvida é justamente essa,
07:00se a gente vai ver o escalonamento.
07:02Porque aí vai um filho visitar,
07:04são políticos e tudo mais,
07:05faz duras críticas ao Alexandre de Moraes
07:07e pode atribuir uma fala dessa ao ex-presidente,
07:09dizendo, olha, visitei o meu pai,
07:11ele está calmo, mas está, sei lá,
07:13indignado com o Alexandre de Moraes,
07:15meio que incitando isso.
07:16Será que também não vai vir alguma medida cautelar em relação a isso?
07:20Seria um absurdo, né?
07:21Doutora Priscila Silveira,
07:22Bolsonaro calado, cercado, controlado,
07:24e agora uma espécie de prisão
07:25com uma porta giratória ali para visitação,
07:28cartão de visitas ali liberado.
07:30Seria essa uma espécie de estratégia
07:32que me parece isolar o Bolsonaro,
07:35mantê-lo controlado,
07:37mas tentar evitar que ganhe contorno de martírio,
07:40ou de mártir em torno dele, né?
07:42Sim, é bom a gente lembrar, Marinho,
07:44que a prisão domiciliar é convertida
07:46através de uma prisão preventiva.
07:48A gente só está precisando só controlar,
07:50recuperar o seu microfone,
07:52na medida que a gente faz isso.
07:53Vou só pedir para fazer uma troca pontual,
07:56e agora pode continuar.
07:57Doutora Priscila Silveira.
07:58Então, só, eu estava falando sobre a prisão domiciliar.
08:00Ela advém de uma substituição da prisão preventiva, né, Marinho?
08:04E quando a gente fala de prisão domiciliar,
08:05eu acho que agiu justo
08:07a possibilidade dele ser visitado pelos filhos.
08:10Por quê?
08:11Porque até a pessoa que está preso no regime fechado
08:13faz jus às visitas.
08:15Claro que dentro ali das questões ligadas
08:18às penitenciárias,
08:19aos centros de detenção provisória,
08:21mas as pessoas presas em regime ali, né,
08:23que seriam fechados,
08:24também fazem jus a receber visitas.
08:27Uma ponderação que a gente tem que fazer aqui
08:29é que, se porventura,
08:31na decisão anterior,
08:33o ministro disse que não poderá fazer uso,
08:35ou as pessoas não poderão fazer uso
08:36dos celulares, né,
08:38como meio de controle a esses ataques
08:40que, segundo o ministro,
08:42fala ataques ali de cibernéticos,
08:44que eles usam os recortes,
08:46e foram esses aí alguns dos motivos, né,
08:48que embasaram essa decisão.
08:51E aí, o que a gente precisa também esclarecer rapidamente?
08:54Que se ele fizer uso desse celular,
08:56o que vai acontecer?
08:58Pode, então, ser decretada a prisão preventiva dele.
09:01Que eu não sei, sinceramente, né,
09:03às vezes eu tenho as minhas dúvidas,
09:05se em algum momento isso não tem sido também cavado
09:08como uma forma de trazer ali,
09:10ou trazê-lo como uma forma de marte.
09:11Não acho que seria,
09:12porque eu penso que ninguém quer ser preso, né,
09:15num regime fechado,
09:16e posteriormente aí sair, né, de herói.
09:20Mas, se ele violar as regras, Marinho,
09:22é possível que essa prisão aí
09:24seja convertida em prisão preventiva, sim, né,
09:27não acho que seria agora,
09:29até porque o ministro já poderia,
09:31de pronto, né,
09:32violando ali medidas cautelares,
09:34o artigo 282 do Código de Processo Penal,
09:36permitiria que ele tivesse preso preventivamente,
09:39mas eu, curiosamente, não vi
09:41que a prisão preventiva teria sido decretada
09:44para fins de dar prisão domiciliar,
09:46e, curiosamente, também,
09:47a prisão domiciliar ali
09:49não encontra respaldo nos moldes, né,
09:51do que diz também o Código de Processo Penal,
09:53onde o ministro deixa, né,
09:54essa prisão acontecer,
09:56até para não pulverizar ainda mais ódio
09:58nessas relações que a gente vem acompanhando
10:00com relação aí ao Bolsonaro.
10:02Mas tem um detalhe aqui
10:03que chama muito a atenção,
10:05porque esse despacho, ele foi feito,
10:06sem a solicitação de nenhuma parte.
10:09Então, o ministro aqui,
10:11o que ele faz,
10:12é como se ele colocasse lá dentro
10:14numa decisão que ele já tomou
10:16em relação aos familiares.
10:18Então, aqui, a grande questão é,
10:20a justiça, ela precisa agir
10:22com alguém amovendo
10:24sobre solicitações.
10:26Deu que isso não pode.
10:27É.
10:27Então, por que será
10:28que o ministro Alexandre de Moraes,
10:30nessa situação,
10:31antes mesmo dos advogados ali
10:32se movimentarem,
10:34tomaria esta decisão?
10:36Será que isso é uma consequência
10:37de conversas nos bastidores?
10:40Será que isso é uma consciência
10:42em relação a, talvez,
10:43alguma coisa que está equivocada, doutora?
10:46Sim.
10:46O que a gente pode falar?
10:47A lei de execução penal,
10:49Jess,
10:49ela serve tanto para os presos provisórios,
10:51quanto também para os presos
10:52que são definitivos.
10:54E é um direito.
10:55Então, como é um direito,
10:56alguns direitos,
10:58os juízes podem conceder de ofício.
11:01O que não pode ter,
11:01dentro de um princípio
11:02que a gente rege aqui
11:03no processo penal,
11:04é iniciativa das partes,
11:05por exemplo,
11:06para o juiz,
11:07o juiz não pode ver alguém
11:08roubando na rua e falar,
11:09eu vou processar essa pessoa.
11:10Porque a gente vive
11:11num sistema, aspas,
11:13acusatório,
11:13onde o juiz faz uma coisa,
11:15o promotor faz outra
11:16e a defesa faz outra.
11:17Como é um direito do preso,
11:18o direito à visitação,
11:21não precisaria,
11:22em regra,
11:22ter algum pedido.
11:23O que é diferente
11:24para decretar prisão.
11:26Só que o dele,
11:26a gente tem uma outra diferença.
11:28Por quê?
11:28Porque já tinham medidas cautelares
11:30deferidas a pedido
11:31da Procuradoria.
11:32Então,
11:32quando há a violação
11:34a essas medidas cautelares,
11:35o Código de Processo Penal
11:36permite que essa revogação,
11:38essa modificação
11:39e esse acréscimo
11:40seja feita
11:41pelo magistrado.
11:42Mas é que,
11:42conhecendo as figuras envolvidas,
11:44vamos ser sinceros,
11:45eu acho que é muito claro
11:46ver isso como um gesto
11:48de distensionamento
11:49das situações.
11:50Vale mencionar
11:51que ontem
11:52houve muita repercussão
11:53desse caso
11:54com editoriais,
11:55até mesmo,
11:56de jornais
11:56que tradicionalmente
11:57sempre foram muito críticos
11:59a Jair Bolsonaro.
12:01Então,
12:01a realidade
12:02que eu vejo aqui
12:03colocada para a gente
12:04é uma realidade
12:05onde todo este contorno
12:07de Brasil
12:08está hoje focado
12:09em pontos
12:10que são ligados
12:11a Jair Messias Bolsonaro.
12:13Ame ou odeie
12:14o Brasil
12:14estar girando
12:15em torno dele.
12:16Seja das tarifas
12:17de Donald Trump,
12:18seja da situação
12:19de obstrução
12:20do Congresso Nacional,
12:21seja o que for.
12:22E qual o problema disso?
12:24É que o país
12:24está parado
12:25simplesmente nesse caso,
12:27a gente não vai
12:28conseguir sair disso
12:29e nós temos
12:30para o governo
12:31isso não necessariamente
12:32é bom, né?
12:32Então,
12:33não achem que o governo
12:34está comemorando isso
12:35porque o governo
12:35via em uma onda
12:36de crescimento
12:37por conta das tarifas
12:38e toda a questão
12:39ali da soberania,
12:40do discurso de soberania
12:41e agora ele volta
12:42para essa figura
12:44em um momento
12:44em que com obstrução
12:46nada que o governo
12:47Lula quer
12:48vai passar
12:49e isso é um grande
12:50problema para ele.
12:50Mas essa polarização
12:51favorece o governo
12:52porque o governo
12:54passa a ter
12:55um inimigo muito claro
12:56e no lugar
12:57da gente estar
12:57debatendo as medidas
12:59econômicas,
13:00a situação
13:00da insustentabilidade
13:02das contas públicas,
13:04os roubados
13:05pelo INSS,
13:06a gente está discutindo
13:07o tempo todo
13:08Jair Bolsonaro.
13:10Isso para o presidente Lula
13:11é um sonho molhado
13:13porque ele foi eleito
13:15muito mais
13:16pela rejeição
13:17que o Jair Bolsonaro
13:18possui
13:19diante da população
13:20do que por uma
13:22aprovação dele mesmo.
13:23então
13:24recorrer,
13:26rememorar as pessoas
13:28quem foi o adversário
13:30que levou a vitória dele
13:31para ele
13:32isso é um sonho molhado
13:34que deixa
13:34o governo em segundo plano.
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