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Nesta entrevista discutimos a preocupante possibilidade de os EUA sancionar uma lei anti-Rússia, que penalizaria países com relações comerciais com Moscou, como o Brasil. Junior Crosara, especialista em insumos agrícolas, analisa como as cotações já estão refletindo essa sinalização e o que o produtor rural pode esperar. Entenda se a projeção de crescimento do setor de insumos para a safra 2025/26 se mantém e descubra quais precauções o produtor deve tomar nos próximos três meses para se proteger da volatilidade do mercado.

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Transcrição
00:00Nesta semana, a comitiva de senadores que esteve nos Estados Unidos
00:04se deparou com outro assunto que reflete no agro.
00:08O país presidido por Donald Trump pretende sancionar uma lei contra os russos.
00:13Isso pode penalizar países que têm negócios com a Rússia, como é o caso do Brasil.
00:18Ou seja, a importação de fertilizantes da Rússia pelo Brasil
00:22pode piorar a situação que já está conflitante com o governo americano
00:27e isso pode gerar mais punições econômicas.
00:30A senadora e ex-ministra da Agricultura, Teresa Cristina,
00:33integrou a comitiva lá em Washington, nos Estados Unidos,
00:38e ela afirmou que os parlamentares americanos, ouvidos pelo grupo,
00:42manifestaram preocupação com as compras de fertilizantes feitas pelo Brasil.
00:47E uma nova crise, então, pode estar no horizonte dos próximos 90 dias
00:53caso os Estados Unidos assinem essa lei anti-Rússia.
00:57Para avaliar conosco os riscos dessa lei americana
01:01e como que o mercado deve refletir as consequências disso tudo,
01:05nós vamos conversar com o Júnior Crossara.
01:07Ele é analista especializado no mercado de insumos agrícolas.
01:11Bem-vindo, muito obrigada pela participação aqui no Hora H do Agro.
01:16Os Estados Unidos, eles estão, então, avaliando essa assinatura dessa lei.
01:21Queria entender se isso já acende o alerta para a comercialização de fertilizantes,
01:28se já, de alguma forma, a gente consegue ver alguma influência nas cotações
01:33nesse momento, ou ainda é muito cedo, uma coisa de cada vez.
01:38É um assunto importante que você traz em pauta.
01:41Realmente, sim, tem uma discussão e avanços, indícios que isso possa acontecer.
01:48E que, para a gente, nesse momento, é mais um indicador, mais uma variável
01:52que realmente pode impactar no agronegócio.
01:56As nossas compras de fertilizantes estão em torno de 80%.
02:01Já deveria estar em torno de 90%, ou seja, a gente tem hoje uma comercialização
02:06de fertilizantes atrasados, principalmente em regiões como o Rio Grande do Sul,
02:12que pode chegar aí a 40% ainda para acontecer.
02:16Ou seja, nós temos ainda um ambiente e um cenário para a safra 25 e 26
02:21que está ainda em atraso.
02:23Hoje, Mariana, e a gente tem que falar que é hoje,
02:26porque cada dia é um dia nessa turbulência que nós estamos vivendo,
02:31realmente a gente não teve nenhum impacto.
02:33Há, sim, uma tendência de estabilização de preços das principais fontes
02:39de MAP, ureia e também de clorea de potássio.
02:44Só que essa estabilização de preço é uma estabilização em alta,
02:48ou seja, em índices de preços que realmente comprometem
02:53a rentabilidade do agricultor.
02:55Então, nós temos um cenário hoje de preços altos.
02:58Uma relação de troca, que isso é importante,
03:01que vem melhorando até pela questão de aumento de preços
03:04de algumas comodidades agrícolas,
03:07que está muito influenciada pelos preços que a gente tem de prêmios.
03:13Mas hoje é uma situação que realmente preocupa
03:15para a gente trazer mais uma variável dessa
03:17pelo impacto que pode trazer.
03:19Lembrando que a Rússia é responsável hoje por 30% das importações
03:24de NPK, que é os nutrientes básicos que nós temos.
03:30Do outro lado, esses 30%, que é quase em torno de 4 bilhões
03:35dos 13 bi que nós importamos de fertilizantes,
03:38nós não temos nenhuma outra opção a curto prazo de substituição.
03:41Ou seja, isso, além de impactar em custos diretamente,
03:45estaria também aí uma restrição de uma fonte fundamental
03:49para o nosso agronegócio, praticamente em todas as cadeias.
03:53Pois é, fertilizante é um insumo que não dá para ficar sem.
03:57Você falou aí do NPK, é praticamente o arroz com feijão
04:00da planta, da agricultura brasileira.
04:03E a gente, até onde eu me lembro,
04:06corrija-me se estiver errado,
04:08mas eu me lembro que a projeção para 2025
04:10era de crescimento para o setor de insumos,
04:13de uma forma geral, isso incluía também os fertilizantes.
04:17Isso se mantém quando a gente olha lá para dezembro,
04:20olhando para todos os insumos,
04:23ou, de alguma forma, essa bagunça geopolítica
04:26que tem colocado o mundo de perna para o ar,
04:29também já compromete o ritmo dos insumos de uma forma geral.
04:34Inclusive agora, a gente está falando de um início de safra 25-26,
04:37período estratégico para os fertilizantes.
04:41Ele pode comprometer sim, Mariana.
04:43Esse também é outro ponto importante.
04:45Eu acho que não só também o tamanho do mercado,
04:47mas a rentabilidade das empresas.
04:49Quando você olha o tamanho do mercado,
04:52nós aqui da consultoria tínhamos uma previsão
04:54de crescimento de até 3% nas entregas,
04:57algo em torno de 46,5 milhões de toneladas de fertilizantes.
05:02Mas a gente vê que esse mercado, que ainda tem 20% para rodar,
05:06dificilmente ele vai se concretizar.
05:09Inclusive há hoje uma discussão muito grande em vários frentes nossos
05:13de uma revisão do uso de algumas fontes de fósforo,
05:17ou seja, isso impactando, tentando uma economia
05:19ou tentando uma melhor equalização, otimização de uso de recursos.
05:24Então o que a gente vê de maneira geral, falando em insumos?
05:26Talvez uma lateralização, ou seja, um mercado que pode andar de lado
05:31em termos de entregas, 45, 45,4 milhões de toneladas de NPK.
05:37Um crescimento na parte de defensivos, algo em torno de 3%.
05:42Essa projeção já chegou a 5%.
05:44Isso muito também porque as nossas previsões de aumento de safra,
05:49de soja, que é o grande cultivo,
05:51realmente ainda se mantém, algo em torno de 1,3%.
05:54O mercado de sementes, até pela retração que teve,
05:57um crescimento de 5%.
05:58E aqui a gente tem que destacar segmentos de especialidades,
06:03são bioinsumos, fertilizantes especiais,
06:06com crescimento acima de dois dígitos.
06:09É uma solução, é um mercado que realmente demanda
06:13novas tecnologias, e é um mercado que não cresce como
06:18aos últimos cinco anos, a taxa de 35, 40,
06:21mas é um crescimento de dois dígitos,
06:24que a gente pode olhar para biológicos, algo em torno de 16%,
06:28e nutrição, algo em torno de 9% a 10% no crescimento do ano.
06:34Só para a gente encerrar, então, queria entender um pouco com você
06:38o que esperar, o que a consultoria indica para esse horizonte dos 90 dias,
06:44porque os senadores que foram lá para os Estados Unidos
06:46falaram de uma possível crise em 90 dias,
06:49porque é quando essa lei, caso entre em vigor, vai ser assinada e tudo mais.
06:54Então, dentro desse processo de três meses,
06:57quais que são as precauções, o que você sugere para o produtor rural,
07:02falando especificamente de fertilizantes, então,
07:04dentro dessa questão envolvendo Rússia?
07:07Mariana, aqui a gente tem que sempre lembrar
07:09que nós temos três grandes vetores que não vão mudar,
07:12independente de governos, independente de estados nos próximos cinco anos.
07:17Os conflitos geopolíticos,
07:20mais o custo financeiro elevado, as taxas de juros,
07:25mais os problemas climáticos que a agricultura brasileira vem enfrentando,
07:31eles vieram para ficar e estão mudando muito a forma
07:34da tomada de decisão do agricultor.
07:35Por que eu estou dizendo isso?
07:37Porque independente da assinatura ali anti-Rússia,
07:40a gente vai tendo o fator dinheiro e vamos ter o fator ainda São Pedro,
07:44que pode prejudicar ou facilitar também toda essa questão.
07:48Então, a nossa principal recomendação é o produtor olhar
07:52não simplesmente o preço de venda, mas a margem bruta
07:57que ele está fazendo e perfazendo na sua atividade,
08:00ou seja, margens acima de 23%.
08:03Aproveitar as oportunidades.
08:05Nós ainda temos muitas oportunidades, como o cloreto de potássio,
08:09que na média histórica está com uma relação de troca muito interessante.
08:13Para o fosfato, a gente vê nenhum cenário baixista,
08:18ou seja, uma precificação realmente elevada para os próximos períodos,
08:23e aí é uma questão muito mais de olhar câmbio.
08:26E aí câmbio também é um fator que impacta fortemente.
08:30E ureia, nós estamos em um período de alta,
08:33porque a Índia entrou muito fortemente no mercado,
08:35comprando quase 2 milhões de toneladas.
08:37Então, a recomendação geral é, se você não fez as suas compras ainda,
08:42olhe fortemente a questão logística, que também é um grande desafio que nós temos.
08:46Isso pode ser um grande gargalo, além da disponibilidade de preço.
08:51E em cima das estratégias de compra,
08:54cloreto de potássio tendo capacidade realmente fazer já
08:58toda a parte de fechamento da safra, 25, 26.
09:01Alguns clientes nossos já estão olhando safrinha para a final de 25.
09:06Para a ureia, o parcelamento é o recomendável,
09:10ou seja, a gente acredita que no final do ano, pela saída da Índia,
09:14a gente pode ter preços melhores.
09:16Mas, de novo, é um mercado muito volátil,
09:19mas o parcelamento também se faz necessário.
09:22E o fosfato, dentro do possível, da técnica,
09:26a gente usar uma racionalidade, mas também a gente parcelar as nossas compras.
09:31Mas sempre aqui, e é um apelo que eu faço,
09:34a gente olhar a relação de troca, a margem,
09:37e nos momentos de oportunidade, a gente fazer as aquisições,
09:41ir tirando mais esse vetor da frente,
09:43porque não é só isso que o agricultor tem.
09:45A gente está atrasado, a nossa preocupação agora são as entregas,
09:49concretizações das vendas,
09:50e a gente precisa também avançar num pré-plantio
09:54que já está aí, a porta de 15 de setembro.
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