- há 6 meses
- #jovempan
Você sabia que a espiritualidade está ligada à longevidade? Marcio Atalla recebeu o professor Dr. Wagner Gattaz no Papo Saudável desta semana para debater os benefícios de se acreditar em "algo maior" e como a espiritualidade está ligada à ciência.
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NotíciasTranscrição
00:00Seja o professor titular do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP.
00:11Ele é referência na área de Neurociência e Doenças Psiquiátricas.
00:16Ele é o psiquiatra Dr. Wagner Gatais. Obrigado, Dr. Wagner.
00:21É um prazer estar aqui com você, Márcio, e cumprimento os nossos ouvintes também.
00:26E para começar, Dr. Wagner, eu queria saber o que é espiritualidade.
00:31Por que ela realmente ajuda, não sei se a viver mais, mas a viver melhor?
00:38Olha, dá para definir a espiritualidade como acreditar em algo que transcenda esse nosso mundo material.
00:47Que transcenda aquilo que nós estamos vendo e sentindo contato.
00:52Que existe algo maior que influencia e que beneficia a nossa vida.
01:00E também de que forma que através da espiritualidade nós podemos ser úteis às outras pessoas e ao mundo.
01:08De uma maneira geral, podemos definir assim.
01:11Muito bacana.
01:12E por que a espiritualidade muitas vezes está ligada, por exemplo, à diminuição de problemas cardiovasculares,
01:19às vezes à diminuição de aparecimento de doenças como o câncer, por exemplo?
01:24Olha, nós não sabemos exatamente os mecanismos médicos, os mecanismos fisiológicos,
01:30como que a espiritualidade funciona.
01:33O que nós sabemos é que ela protege.
01:36Ela protege, por exemplo, melhorando o prognóstico de diferentes doenças.
01:42Doenças que vão desde hipertensão, doenças metabólicas até o próprio câncer.
01:47Nós sabemos que o prognóstico de pessoas que cultivam a espiritualidade é melhor.
01:55Então, a espiritualidade está ligada não só a uma vida mais longa,
02:01mas a uma vida também de melhor qualidade.
02:04Tem a ver um pouco com o propósito, não tem não?
02:09Tem a ver com o propósito.
02:10Nós sabemos que em todos esses estudos com pessoas centenárias,
02:16um dos elementos comuns às pessoas que viviam mais de 100 anos era um propósito na vida.
02:23Seria um propósito de cuidar de alguém, de ter uma missão na vida.
02:28E isso era comum, quer dizer, se supõe que um propósito na vida.
02:32E que geralmente é acompanhado por uma vida espiritual, ele aumenta a longevidade.
02:39Você estava falando de aumento da longevidade, da expectativa de vida nos últimos anos aí.
02:45Na verdade, nos últimos 50 anos, a expectativa de vida do brasileiro cresceu 26 anos.
02:51E uma pesquisa feita disse que os dois maiores medos das pessoas ao envelhecer,
02:58um, era não ter autonomia e dois, a demência, você perder a cognição.
03:05A gente tem vivido mais.
03:08Como que a gente pode tratar melhor o nosso cérebro, né?
03:12Se é que a gente tem esse poder, talvez seja genético, eu acredito que não,
03:18mas o que a gente pode fazer para que o nosso cérebro seja mais saudável por mais tempo,
03:23já que a gente está vivendo mais?
03:24Olha, existem algumas teorias sobre como proteger o cérebro e principalmente como prolongar
03:32a vida útil de funções cognitivas, como a memória, a concentração.
03:38E um achado que está presente em todos os estudos é que a atividade cognitiva é o melhor protetor.
03:47Nós sabemos, por exemplo, que quanto maior a escolaridade das pessoas,
03:52menor é o risco de elas terem um quadro de demência, como, por exemplo, a demência de Alzheimer.
03:58Então, a leitura, a atividade cognitiva, o estudo, a dedicação a uma atividade intelectual
04:06é o melhor exercício para mantermos a força do nosso cérebro,
04:12para nós mantermos as nossas funções cognitivas.
04:16Isso que você falou é muito interessante, né?
04:18Porque as pessoas trabalham, o trabalho exige ali um componente social,
04:24o trabalho exige muitas vezes um componente cognitivo de você ler, aprender, estudar,
04:31para dar algum retorno.
04:33E quando a pessoa se aposenta...
04:36Um estudo recente que eu acabei tendo acesso mostrou que aquelas pessoas que se aposentam,
04:42comparado com aquelas pessoas que continuam trabalhando,
04:46a quantidade de quadros com problemas de demência, Alzheimer,
04:53aumenta muito nessas pessoas que se aposentaram.
04:57Isso tem a ver com, de repente, essa pessoa parou de ser exigida
05:02nesse aspecto que você falou, cognitivo, de leitura, de aprendizagem, de estimular o cérebro?
05:08Tem muito a ver, porque para muitas pessoas elas cometem, eu diria até o erro,
05:15de sobrevalorizarem o trabalho na sua vida,
05:19esquecendo de outras atividades que também exercitam não só o cérebro,
05:24mas a própria atenção, concentração, a criatividade.
05:28O que acontece quando a pessoa para de trabalhar, ela cai num vazio,
05:32principalmente se essa aposentadoria não foi planejada antes,
05:37se não se pensou, se não se planejou em alternativas
05:42para a atividade do trabalho após a aposentadoria.
05:46A pessoa cai num vazio para o estímulo da atividade cerebral
05:51e isto faz com que apareçam ou com que se agravem elementos
05:57como, por exemplo, a diminuição cognitiva e o quadro demencial.
06:01E aí quando você fala disso, eu vejo pessoas que têm um trabalho voluntário
06:07depois que se aposentam, um hobby, né?
06:10Eu vejo pelo meu pai, por exemplo, o hobby dele, eu nem sei se é hobby,
06:13mas há 50, 60 anos o negócio dele é cachorro, organizar exposições,
06:20cuidar de cães e tal.
06:21E ele está com 87 anos e aí às vezes eu fico assim impressionado
06:26como ele viaja, como que ele organiza a exposição com mil, mil e quinhentos cães,
06:31é o dia inteiro.
06:32E às vezes meu irmão, minha irmã fala assim,
06:34Márcio, porque eles moram fora, né?
06:37Precisa falar com o pai para diminuir isso?
06:39Eu falo, não, isso é que mantém ele vivo.
06:41Eu estou muito errado.
06:43Está certíssimo.
06:44Está certíssimo porque além da atividade em si,
06:47além do estímulo cognitivo que ele tem,
06:49toda essa atividade proporciona para ele um outro elemento
06:53que também está relacionado não só com a longevidade,
06:57mas com uma melhor qualidade de vida, que são os relacionamentos.
07:02Você sabe, os relacionamentos são um dos pilares
07:06que sustenta as mudanças do estilo de vida.
07:11O relacionamento social, relacionamento intelectual com outras pessoas
07:16é um fator protetor e está naturalmente relacionado com essa atividade,
07:21no caso do senhor, seu pai, uma atividade que seria um hobby
07:24que está se transformando numa missão, num propósito para ele.
07:29Quer dizer que respiração, meditação,
07:34tudo isso também tem um poder na nossa saúde mental?
07:37Tem um poder importante.
07:39Nós sabemos, por exemplo, que técnicas de meditação,
07:42como mindfulness, tem um poder especial no tratamento,
07:47na manutenção de quadros depressivos de ansiedade.
07:52Estudos foram feitos onde pessoas que praticam o mindfulness
07:56reduzem os níveis de depressão ou, no caso de transtornos de ansiedade,
08:02reduzem o sofrimento ansioso.
08:04Então, sem dúvida nenhuma, essas técnicas,
08:06que nada mais são do que técnicas para o controle do estresse,
08:11tem um fator protetor na saúde mental.
08:14E aí você estava falando de ansiedade e depressão,
08:17e não só no Brasil, mas no mundo,
08:19há um aumento muito grande nos casos de depressão,
08:23ansiedade e burnout.
08:25Eu queria entender quais são os gatilhos para isso
08:29e se o nosso meio ambiente,
08:31que ele hoje tem muita, muita informação,
08:36se ele pode ser um grande responsável por esse aumento de casos.
08:39Olha, a questão da informação,
08:43ela já foi aventada como causa de transtornos mentais,
08:49de desgastes.
08:51Há 140 anos, um neurologista americano,
08:55George Burt,
08:56ele descreveu um quadro chamado Neurastenia.
08:59Neurastenia significa fraqueza dos nervos,
09:03esgotamento nervoso.
09:04E ele tinha cinco causas para a neurastenia.
09:09Uma delas, que ele achava,
09:12eram os jornais,
09:14que os jornais antes, há 140 anos,
09:17eram publicados uma vez a cada 15 dias.
09:20E, de repente,
09:21alguém inventou de publicar jornal todos os dias.
09:24E o George Burt falava que isso é um excesso de informação para as pessoas
09:28e isso daí esgota os nervos.
09:31Eu creio que esse excesso de informação,
09:36ele tem a sua parte boa,
09:37que é estimular a atividade cerebral.
09:40E eu não subestimo a capacidade do nosso cérebro de processar esses elementos.
09:47Eu acho que outros gatilhos são interessantes.
09:54Se fala muito do estresse.
09:56Hoje, realmente, existe uma grande demanda,
09:59demanda de produtividade.
10:01Mas, se nós olharmos na história,
10:03isso sempre houve.
10:05Antes, as pessoas trabalhavam 12 horas por dia
10:07e não tinham 7 dias por semana.
10:10Então, a gente se pergunta o que está acontecendo
10:14que, de fato, está havendo um aumento
10:17de quadros como depressão e de ansiedade.
10:22Muito bacana isso que você comentou,
10:24porque vários lugares onde eu vou palestrar,
10:28eles falam assim para mim,
10:29olha, a quantidade de pessoas com depressão,
10:33com ansiedade, com burnout, aumentou muito.
10:36Eu estou aqui há 20, 25 anos nessa empresa
10:39e nunca vi isso em uma escala tão grande como essa.
10:44E aí eu pergunto,
10:45há 25 anos,
10:48as condições de trabalho nessa empresa
10:50eram melhores ou piores?
10:52Invariavelmente, a resposta é
10:54as condições de trabalho eram piores.
10:57E aí você se pergunta,
10:59então, por que que,
11:00apesar das empresas estarem se preocupando
11:03em proporcionar um ambiente melhor,
11:07que nem você falou,
11:07antigamente as pessoas trabalhavam
11:0912 horas, 5, 6, 7 dias por semana?
11:12Hoje a gente está discutindo
11:13a diminuição de escala,
11:14as pessoas trabalham menos horas
11:16e esses casos aumentam.
11:18Essa é uma pergunta.
11:19E a segunda pergunta que eu queria fazer é
11:21qual o impacto que o sedentarismo tem
11:24nesses quadros de depressão e ansiedade?
11:27Então, o aumento,
11:30em primeiro lugar,
11:32grande parte desse aumento
11:34não é apenas um aumento
11:36da ocorrência desses transtornos,
11:39mas do diagnóstico.
11:41Quer dizer,
11:43esses transtornos depressivos,
11:45por exemplo,
11:46passaram a ser diagnosticados como tal.
11:49Sendo que antes a pessoa
11:50tinha diagnósticos não específicos.
11:53A pessoa com uma depressão,
11:54ela sentia fraqueza,
11:55esgotamento,
11:57desânimo,
11:58ela ia no médico
11:59receber algumas vitaminas
12:00e a depressão não era diagnosticada,
12:03não era reconhecida como tal.
12:06Nós sabemos,
12:06por exemplo,
12:07que pacientes com depressão
12:08têm dores difusas pelo corpo.
12:10Então,
12:11as maiores queixas
12:12de afastamento do trabalho
12:14eram dor nas costas.
12:16Essa era a queixa principal.
12:18e nós sabemos hoje
12:19que grande parte
12:21desses casos de dores
12:22difusas pelo corpo,
12:24a própria doença
12:26chamada fibromialgia,
12:28grande parte desses quadros
12:30são quadros de depressão.
12:31Então,
12:32não é que a depressão aumentou.
12:34O que aumentou
12:35é que ela passou
12:35a ser mais diagnosticada,
12:37mais reconhecida.
12:39E a questão,
12:40a relação que a atividade física
12:43tem com a nossa saúde da mente?
12:45Hoje,
12:47eu sempre vejo ali
12:48o pessoal publicando
12:49um ou outro estudo
12:50mostrando que talvez
12:52como tratamento coadjuvante
12:55seja uma ferramenta poderosíssima,
12:58que a atividade física
12:59ela pode atenuar
13:00em casos leves,
13:01pode até resolver
13:02quadros de ansiedade
13:03e depressão.
13:05Só que a gente nunca teve,
13:07nunca teve
13:08tantas pessoas sedentárias.
13:10No Brasil,
13:11a gente chega a estimar
13:13entre 70% e 75%
13:14da população
13:15que não atinge
13:16o mínimo de movimento
13:17recomendado pela OMS.
13:19Dá para estabelecer
13:20algum tipo de relação aí?
13:23Olha, Márcio,
13:24nós fizemos,
13:25isso já há 12 anos atrás,
13:28um estudo.
13:29Nós comparamos
13:30dois grupos de pessoas
13:31com depressão.
13:31Os dois grupos
13:32recebiam o mesmo
13:34tratamento medicamentoso,
13:36mas um grupo
13:36nós oferecemos para eles
13:38por três meses
13:39atividade aeróbica.
13:41e o outro grupo
13:43uma atividade não aeróbica,
13:44uma atividade de trabalhos manuais.
13:46Depois de três meses,
13:47nós encontramos
13:48que quem fez aeróbica
13:49precisou de doses menores
13:51do antidepressivo.
13:54Quer dizer,
13:54o nosso estudo mostrou
13:55que a atividade física
13:56potencializa o efeito
13:58antidepressivo.
14:00Isso foi depois
14:01replicado por vários
14:02outros pesquisadores
14:04e nós sabemos
14:04que quem tem
14:05atividade física,
14:07quem não é sedentário
14:08e sofre de uma depressão,
14:10de um transtorno
14:11de ansiedade,
14:12tem um prognóstico melhor
14:13e precisa de menos medicamentos.
14:16Então,
14:17a atividade física
14:19é, sim,
14:20um coadjuvante
14:22no tratamento
14:23de distúrbios,
14:24como, por exemplo,
14:25transtornos de ansiedade
14:26e depressão.
14:28Você falou,
14:29a gente estava falando
14:30da atividade física,
14:31então a gente sabe
14:32que a atividade física
14:33feita de maneira regular
14:34vai ajudar
14:35a produzir novos neurônios,
14:37melhora a memória,
14:38melhor estado de alerta,
14:39tudo muito comprovado
14:42como é uma ferramenta
14:43poderosa
14:43para o nosso cérebro.
14:45Mas eu queria aqui
14:46ir para o,
14:47não vou dizer o oposto,
14:49mas que é o sono.
14:5272% dos brasileiros
14:54relatam ter um sono insuficiente
14:56ou um sono de má qualidade.
15:00E eu estava lendo
15:01alguns artigos
15:02que mostravam
15:03essa relação
15:04de privação de sono
15:06e irritabilidade,
15:08depressão,
15:09ansiedade.
15:11Tem mesmo
15:12essa relação do sono
15:13com a nossa saúde da mente?
15:15Porque, por exemplo,
15:15se eu comparo
15:16o Márcio com o Márcio,
15:18o Márcio,
15:18no dia que ele dormiu bem,
15:20ele é um cara
15:21menos nervoso,
15:22mais paciente,
15:24a memória funciona melhor,
15:26a aprendizagem é melhor,
15:28comparado comigo mesmo
15:29no dia que eu dormi muito mal.
15:31como que é essa relação
15:33do sono
15:33com a nossa saúde da mente?
15:36Olha,
15:36o sono
15:37é uma atividade necessária
15:39não só para preservarmos,
15:41mas também para
15:41restaurarmos
15:43todo o nosso metabolismo físico,
15:46incluindo o metabolismo cerebral.
15:48Então,
15:49sem dúvidas,
15:49o sono tem um efeito
15:50protetor
15:52no sistema nervoso central.
15:54É importante dizer
15:56que é uma relação bidirecional
15:58entre o sono
15:59e a saúde mental,
16:00porque muitos
16:01transtornos mentais
16:03se manifestam também
16:05com o distúrbio do sono.
16:06A depressão
16:07é o quadro
16:08mais característico,
16:09não é?
16:10Porque a pessoa
16:11tem insônia,
16:11a insônia da depressão
16:13é aquela insônia
16:14onde a pessoa
16:14vai adormecer,
16:15adormece logo,
16:16mas acorda
16:17no meio da noite
16:18e ali não consegue
16:19conciliar o sono
16:20de novo.
16:22Então,
16:22o sono
16:23como elemento
16:23restaurador,
16:25ele tem
16:26um efeito protetor.
16:27Agora,
16:28é importante
16:29dizer isso,
16:30talvez com uma curiosidade,
16:32que existe uma técnica
16:33de tratamento
16:34de quadros depressivos
16:35que se chama
16:36sleep deprivation,
16:39é a deprivação
16:40do sono
16:41por 36 horas.
16:43Nós encontramos,
16:44fizemos pesquisas,
16:45isso há muito tempo atrás,
16:48fizemos pesquisas
16:49onde as pessoas
16:50que passavam
16:5236 horas
16:53sem dormir,
16:54elas tinham
16:55uma melhora
16:56passageira
16:57do quadro
16:58depressivo.
16:59Então,
17:00é interessante
17:00notar como o sono,
17:02fenômeno complexo,
17:04tem várias relações
17:05com a saúde mental,
17:07mas sem dúvida nenhuma,
17:08de uma maneira geral,
17:09ele é necessário
17:10para o restauro
17:11do equilíbrio físico
17:13e do equilíbrio mental
17:14também.
17:15A cognição,
17:17a demência,
17:17ele é um processo
17:18irreversível
17:20ou não?
17:22Ele é irreversível
17:24em grande parte
17:25na medida em que
17:26a perda de cognição
17:28está associada
17:29com uma perda
17:30de células nervosas
17:31no cérebro,
17:32uma perda
17:33de neurônios.
17:34Nós sabemos
17:35que existe
17:36até um certo
17:37momento
17:37uma regeneração,
17:40uma neurogênese,
17:42uma criação
17:43de neurônios,
17:44mas ela é muito
17:45modesta
17:46para reverter
17:48totalmente
17:48a perda
17:49cognitiva.
17:51O que nós podemos,
17:52sim,
17:52é retardar
17:54esta sarcopenia
17:55cerebral,
17:56retardar
17:57esta perda
17:58de neurônios.
17:59Retardar como?
18:00Da mesma forma
18:01com a sarcopenia,
18:03nós podemos
18:03retardar
18:04com a atividade física,
18:06com musculação,
18:07por exemplo,
18:08nós podemos
18:08retardar
18:09com o jogging
18:10cerebral,
18:11que nada mais é
18:12do que leitura,
18:14jogos que exijam
18:15concentração,
18:16atividade social
18:18e tudo
18:19que estimula
18:19a atividade cerebral.
18:21Estimulando
18:22a atividade cerebral,
18:23nós vamos estar
18:24estimulando
18:25o metabolismo
18:26e com isso
18:27a sobrevivência
18:28de células nervosas.
18:30Então,
18:30se a gente
18:31está vivendo mais
18:32e a gente
18:33quer viver
18:33com o máximo
18:34de autonomia
18:35esses anos
18:35e, claro,
18:36quando a gente
18:37fala de viver
18:37com autonomia,
18:38a gente quer ter
18:39a nossa saúde
18:40cognitiva
18:41o mais afiada
18:42possível,
18:43tentar manter
18:45uma atividade física
18:46que vai ser
18:46protetora
18:47para inúmeras doenças
18:48e vai ajudar
18:49um pouquinho
18:49nesse processo
18:50de neurogênese,
18:51tentar ter bons
18:53relacionamentos,
18:54como o senhor falou,
18:55tentar também
18:56manter
18:57algum tipo
18:59de interesse,
19:00aprendizado,
19:01leitura,
19:02e aí vem
19:02uma pergunta.
19:05É verdade
19:06que se eu
19:08continuar
19:09estimulando
19:10o meu cérebro
19:11aquela mesma área,
19:13com os mesmos
19:13conhecimentos
19:14que eu já tenho,
19:16eu tenho
19:16um estímulo
19:17menor
19:18do que se eu
19:19provocar o meu cérebro
19:20com uma aprendizagem
19:21de alguma coisa
19:22que eu nunca
19:22estimulei,
19:23por exemplo,
19:24música,
19:24eu sou péssimo
19:25em música,
19:26em ritmo.
19:27Se eu resolver
19:2865,
19:3170 anos,
19:32estimular
19:33o meu cérebro
19:33com alguma atividade
19:34que eu não tenha
19:35nenhuma familiaridade,
19:37isso teria
19:37um poder
19:38um pouquinho
19:38melhor
19:40para o meu cérebro?
19:42Isso está correto,
19:44porque quando nós
19:44fazemos atividades
19:45repetitivas,
19:46atividades
19:47que nós já dominamos,
19:49a necessidade
19:50de uma
19:51conscientização
19:53e de um uso
19:54cerebral é menor.
19:54Vamos pegar um exemplo
19:55aqui,
19:56dirigir um carro,
19:57quando nós
19:59iniciamos,
20:00aprendemos a dirigir,
20:01a gente tem que pensar
20:02todos os movimentos.
20:04Com a rotina,
20:05nós dirigimos o carro
20:06pensando nos negócios,
20:07pensando na família,
20:08pensando nas viagens,
20:10estamos usando
20:10menos o cérebro.
20:12Daí,
20:13esta curiosidade,
20:14a necessidade
20:15de aprender
20:16coisas novas
20:17é um estímulo
20:18muito maior.
20:19Quando você aprende
20:20uma atividade nova,
20:21você vai usar
20:22muito mais o cérebro
20:23e com isso
20:24você vai estar fazendo
20:25uma atividade
20:26protetora
20:28contra a queda
20:29cognitiva.
20:30Muito legal.
20:31Aí, puxando
20:32para a minha área
20:32da atividade física,
20:34eu costumo dizer
20:37que tem aquele exercício
20:38que gasta
20:39mais caloria.
20:40Sei lá,
20:41você vai correr
20:41uma hora,
20:42uma hora e meia.
20:43Não sei,
20:44você escolheu
20:44aquele exercício
20:45que gasta muita caloria.
20:46mas para o seu cérebro,
20:47talvez,
20:48o exercício
20:49mais desafiador,
20:51ele é o que vai te trazer
20:52mais benefício cognitivo.
20:55Então,
20:55tem aí estudos
20:56mostrando
20:57que aqueles esportes
20:58como o tênis,
21:00o vôlei,
21:01onde você
21:02não sabe exatamente
21:03como você vai reagir.
21:04É um estímulo
21:05que vem do outro lado,
21:07isso te desafia
21:08um pouco mais,
21:08isso exige um pouco mais
21:09do seu cérebro.
21:10dá para a gente
21:13imaginar
21:14que esses estudos,
21:17porque às vezes
21:17eu fico assim,
21:18ah, esportes de raquete
21:19tem esse estímulo,
21:21ele beneficia
21:21mais o cérebro.
21:22Mas aí,
21:23quando eu vejo
21:23esportes de raquete,
21:25você falou o seguinte,
21:27quem tem mais escolaridade
21:29tende a ter menos
21:31problemas da mente.
21:33Normalmente,
21:34quem faz no esporte
21:35de raquete,
21:35na média,
21:37são pessoas
21:37com mais escolaridade.
21:39Então,
21:39é difícil
21:40você separar
21:41as coisas,
21:42mas esses esportes
21:44com esses estímulos
21:44imprevisíveis,
21:46eles desafiam
21:47mais o nosso cérebro?
21:49Desafiam
21:50porque eles exigem
21:51uma reação
21:52mais rápida,
21:53quer dizer,
21:53um estado de prontidão
21:55maior do cérebro.
21:57Agora,
21:59esses esportes
22:00também que exigem
22:01mais,
22:02eles estimulam
22:02mais áreas cerebrais.
22:05Por exemplo,
22:05o esporte de raquete
22:06e o tênis,
22:07não é só
22:08a coordenação
22:09da atividade física,
22:11mas é toda
22:11aquela concentração
22:13em que lugar
22:14da quadra
22:14está o seu adversário,
22:16para onde
22:17vem a bola,
22:19você tenta
22:19prever,
22:21antever
22:21tudo que vai acontecer.
22:23Então,
22:23uma intensa
22:24atividade cerebral,
22:26diferente de esportes
22:27mais pacatos,
22:28onde você faz
22:29uma atividade
22:30mais repetitiva
22:31e quase que
22:32extra piramidal,
22:34quer dizer,
22:34quase que automática
22:35e não uma atividade
22:37que exige
22:38toda a sua concentração.
22:40Muito bacana.
22:41Bom,
22:42para encerrar
22:43esse nosso papo aqui,
22:45eu queria que você
22:46desse ali
22:47três,
22:48quatro recados,
22:49quatro dicas,
22:50que as pessoas em casa
22:51falassem assim,
22:52bom,
22:53eu ouvi o doutor
22:53Wagner,
22:54eu quero,
22:55já que eu vou viver
22:55bastante,
22:56eu quero viver
22:57com bastante autonomia,
22:59meu cérebro forte,
23:01então,
23:02vamos lá,
23:03quatro,
23:04três coisas
23:04que eu possa
23:05incluir na minha rotina
23:07que vão fazer
23:08com que eu
23:09treine mais
23:10o meu cérebro.
23:12Olha,
23:12sem dúvidas,
23:13começa isso
23:14pelo cuidado
23:15com o corpo,
23:17no qual você,
23:18Márcio,
23:18é um grande
23:19especialista,
23:20quer dizer,
23:21atividade física,
23:22uma alimentação
23:24saudável,
23:26uma higiene
23:26do sono,
23:27existem técnicas
23:28de aprendizado
23:29para melhorar
23:30a qualidade do sono
23:31e vamos
23:33para a parte
23:33cognitiva também,
23:34sem dúvidas,
23:35espiritualidade,
23:36aprender uma técnica
23:38de meditação,
23:39eu recomendo
23:40o mindfulness
23:41porque ela é
23:42rápido de se aprender
23:43e ter um propósito
23:47na sua vida
23:47é fundamental,
23:49uma missão
23:49que você estabelece
23:50e fala,
23:51isto,
23:51eu tenho
23:52que fazer,
23:53eu tenho
23:53que cumprir
23:54e acima de tudo
23:56cultivar
23:56os seus relacionamentos.
23:58Nós sabemos
23:59que se existe
23:59alguma coisa
24:00protetora
24:01para a saúde física
24:02e para a saúde mental,
24:04isto inclui
24:05bons relacionamentos,
24:07bons amigos,
24:09interação familiar,
24:11tudo que proporciona
24:12então essa troca
24:13de valores humanos
24:14independente
24:15de qualquer outro
24:16interesse
24:16a não ser
24:17a companhia
24:18das pessoas.
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