Dora Kramer e Nelson Kobayashi questionam as declarações de líderes brasileiros sobre o "tarifaço" de Donald Trump, afirmando que "todo mundo está perdido". Hugo Motta, presidente da Câmara, em Conferência da ONU, defendeu: “Reciprocidade é resposta serena, mas firme”. Gleisi Hoffmann, ministra de Secretaria de Relações Institucionais do Brasil, declarou: “A soberania não se negocia”, e afirmou que o governo Lula não aceitará ingerência externa, em meio à crise diplomática e econômica.
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00:00São apenas três dias para o início do tarifácio de Trump e o Brasil ainda segue dividido entre negociar, enfrentar ou até mesmo retaliar os Estados Unidos.
00:08O presidente da Câmara, Hugo Mota, falou sobre o assunto em um evento da ONU.
00:13Vamos conversar então com o André Anelli, que vai trazer as informações pra gente agora.
00:16Quais são suas atualizações? Anelli, bem-vindo, boa noite.
00:22Obrigado, Evandro. Boa noite a você também e a todos aqui no Jornal Jovem Pan.
00:26O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Mota, se manifestou de forma favorável à aplicação de medidas econômicas contra os Estados Unidos
00:35durante um discurso na conferência interparlamentar promovida com a colaboração da ONU, a Organização das Nações Unidas.
00:43Na ocasião, Hugo Mota listou o mecanismo que permite ao Brasil aplicar as mesmas sanções aos Estados Unidos
00:52no âmbito do tarifácio de 50% sobre os produtos importados do Brasil.
00:58Hugo Mota citou a lei de reciprocidade econômica que permite o fim de concessões comerciais,
01:05também de acordos de investimentos e até mesmo o término de obrigações relativas à propriedade intelectual.
01:13Mota defendeu o uso dessa lei para que haja o que ele considera como uma resposta serena, mas muito firme.
01:22No domínio comercial, aprovamos a lei de reciprocidade econômica.
01:26Com ela, o Brasil tem ferramentas adequadas para responder a práticas discriminatórias em relação aos produtos brasileiros.
01:35É uma resposta serena, mas firme, em linha com a nossa profunda preocupação com o uso de medidas comerciais unilaterais
01:44para fins protecionistas e para ingerência em assuntos internos de outros países.
01:50Apesar das declarações, diversos parlamentares brasileiros estão, nesse momento, nos Estados Unidos
01:59para tentar reuniões com autoridades locais, na esperança de reverter o tarifácio
02:05antes que ele entre em vigor, já no próximo dia 1º de agosto, ainda nessa semana.
02:11Evandro.
02:11Agora, Nelly, eu quero saber também como se manifestou a ministra das Relações Institucionais, Glaise Hoffman.
02:21Sim, Evandro.
02:22A ministra Glaise Hoffman voltou a fazer críticas à política tarifária americana,
02:27argumentando que ela não se justifica sob qualquer argumento objetivo
02:31e que são verdadeiras sanções com motivação política explícita e igualmente injustificável.
02:39Glaise Hoffman fez referência ao fato de Donald Trump ter classificado como uma caça às bruxas
02:45a ação contra o ex-presidente Bolsonaro por tentativa de golpe para continuar no poder.
02:51A ministra afirmou que o governo brasileiro não vai interferir no julgamento por conta das declarações de Trump
02:57porque a soberania do Brasil é inegociável.
03:01Os crimes contra a democracia cometidos no Brasil serão processados e julgados conforme a nossa Constituição
03:10que garante o devido processo legal no Estado Democrático de Direito.
03:15A soberania não se negocia.
03:19Nós vivemos tempos de grande interdependência entre nossos países
03:23e, simultaneamente, o momento em que enfrentamos movimentos de fechamento político,
03:27protecionismo econômico, conflitos militares, instabilidade geopolítica e desafios crescentes ao multilateralismo.
03:36Nesse contexto, o acordo entre o Mercosul e a União Europeia
03:41representa uma oportunidade estratégica de cooperação.
03:45Essas declarações da ministra foram dadas na abertura do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social e Sustentável, o Conselhão.
03:56O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento da Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin,
04:02tem liderado as tentativas do governo brasileiro para reverter ou para, pelo menos, adiar as tarifas nos produtos brasileiros.
04:10Obrigado pelas informações, Andréa Nelly.
04:13Até aqui já já conversamos mais e vamos trazer também informações sobre o vice-presidente Geraldo Alckmin.
04:17Agora eu quero conversar com os nossos comentaristas, Dora Kramer, Nelsinho Kobayashi.
04:22Que bom estar com vocês aqui nessa noite. Quanto tempo, saudades.
04:25E aí a gente viu a manifestação da ministra Gleisi Hoffmann mencionando
04:29e adotando a estratégia que o governo tem dito nos últimas semanas, desde que isso começou a fritar,
04:36jogando a responsabilidade para Jair Bolsonaro.
04:38Mas sabe que hoje eu estava acompanhando uma das falas de Nelsinho Tradi,
04:41que é um dos senadores que estão nessa comitiva, que foi até os Estados Unidos,
04:45e ele me chamou a atenção uma fala dele o seguinte, Dora.
04:48Ele diz, a gente está tentando falar com alguém para entender o que motivou os Estados Unidos
04:54a colocarem o Brasil na mira deles.
04:57Então, primeiro a gente quer entender, tentando falar com alguém para entender.
05:01E aí eu penso, por mais que haja uma estratégia política do governo federal e etc.,
05:07isso não resolve o problema.
05:09E como que se trabalha um plano de solução sem se entender o motivo exato que está provocando
05:16esse tarifácio a partir do 1º de agosto, hein, dona Dora?
05:20Bem-vinda.
05:21Não, não faço a mais pálida ideia.
05:24Boa noite, Evandro.
05:25Boa noite, Kobayashi.
05:28Boa noite a todos e melhoras carinhosas ao Tiago.
05:32Exato.
05:33Evandro, olha só, essa frase do senador, ela é o resumo, ela traduz muito todas as atitudes.
05:44Você vê que todo mundo tenta tomar uma atitude e se reúne, aí o ministro dá entrevista,
05:50mas se você espremer a essência é que está todo mundo perdido, porque cada hora é uma coisa.
05:57É Bolsonaro, é Big Tech, é Briggs, e aí qualquer motivação é apresentada.
06:04E como elas não fazem lógica, a motivação macro, que eu digo a motivação mãe,
06:10aquela que está expressa na abertura da carta, da primeira carta do Donald Trump,
06:16indica que o embate é ideológico, o embate é político ideológico.
06:20E aí você, para resolver um embate desta natureza, não é com telefonema entre um presidente e outro,
06:29porque isso é uma ideia que parece ótima, mas ela é de difícil execução,
06:34essas conversas são roteirizadas e tal.
06:37Mas quem disse que o Trump é um ator confiável, né, que obedece o texto?
06:44Ele é imprevisível, para fazer a grosseria com o presidente Lula não custa muito, né?
06:51E os dois estão aí numa briga que é muito difícil,
06:54porque enquanto a política não sair de cena, e ela toda hora se procura tirar,
06:59dizer, não, não, a história é o Briggs, porque tararã, tararã, tararã.
07:03Ora, o Briggs tem Índia, tem China que estão ali negociando na maior boa.
07:08Aí tem Big Tech, que depende do Congresso, né?
07:14A história do Bolsonaro depende do judiciário, portanto, nada faz muita lógica.
07:22Por isso é que, no meu olhar, é uma briga o Trump quer briga com o Lula,
07:27quer briga, sei lá por que quer briga.
07:29Ele está mordido, quer dar uma canseira no Brasil, isso é evidente.
07:35E aí fica muito difícil de você levar essa situação para o terreno da lógica e do bom senso,
07:45porque quando a gente aplica os critérios do bom senso, a conta não fecha.
07:50Está aí a frase do senador Nelsinho Trade.
07:53E, partindo de Nelsinho Trade para o nosso Nelsinho Kobayashi,
07:56o presidente da Câmara, Hugo Mota, nesse discurso da ONU,
07:58defendeu que o Brasil tem ferramentas para devolver as medidas do mesmo tamanho.
08:05Mas, Nelsinho, nós acompanhamos nas últimas semanas,
08:08ao haver aquelas negociações do vice-presidente Geraldo Alckmin
08:10nas reuniões que fez com vários representantes do setor,
08:13uma preocupação desses representantes sobre uma possível retaliação.
08:18E uma preocupação com o fato dessa estratégia significar um problema
08:24ou trazer consequências ainda piores do que a tarifação que está prevista para o dia 1º de agosto.
08:30Como é que você avalia essa ferramenta que hoje o governo tem
08:33e você acredita que, de fato, ela poderia significar uma retaliação
08:39e não uma reciprocidade serena, porém firme,
08:43como diz o presidente da Câmara, Nelsinho?
08:45Boa noite.
08:47Boa noite, Cine.
08:48Boa noite, Dora.
08:49Melhoras para o nosso Tiago.
08:50Muito bom ter você aqui com a gente no Jornal Jovem Pan.
08:52Obrigado.
08:53E olha só, em relação à reciprocidade que foi dita pelo presidente da Câmara, Hugo Mota,
09:02é um instrumento que está à disposição do governo brasileiro,
09:06mas que deve ser utilizado em última instância, em último caso.
09:11Por quê?
09:11Porque a reciprocidade é uma arma que você mira para os Estados Unidos
09:15e atinge a população brasileira.
09:17Os Estados Unidos é uma potência econômica.
09:19Não vai sofrer economicamente com qualquer tipo de reciprocidade
09:23que a ele sejam implementadas.
09:26Ou você acredita que alguma indústria nos Estados Unidos vai fechar as portas
09:29se tiver aqui uma barreira tributária para o produto americano
09:33entrar no território brasileiro.
09:34Quem vai sofrer com isso vai ser justamente o brasileiro,
09:37que vai ter uma dificuldade de acesso ao produto americano.
09:41Não estou falando nem a população comum, o consumidor final,
09:44alguém que quer importar um videogame americano.
09:47Estou falando da empresa, da indústria, principalmente brasileira,
09:51que depende de muitos elementos, componentes que vêm dos Estados Unidos
09:55e que sofreria com uma taxação aos produtos americanos
09:59em uma situação de reciprocidade brasileira.
10:02A lei da reciprocidade sendo colocada em prática.
10:06E outra coisa, se a gente se lembra da carta do presidente americano,
10:09Donald Trump, ele já promete ali mesmo, de imediato,
10:13que qualquer reciprocidade brasileira, qualquer taxação brasileira
10:18seria simplesmente acrescida àqueles 50% já anunciados anteriormente.
10:25Ou seja, já é uma vacina sem efeito,
10:29segundo o que prometeu o presidente americano.
10:32Então, de qualquer maneira, a gente tem a reciprocidade na manga
10:36para ser utilizada em último caso,
10:38mas se ela for de fato utilizada,
10:40será também uma confissão de inabilidade política
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