A crise humanitária na Faixa de Gaza se agrava, com cinco pessoas, incluindo crianças que antes eram saudáveis, morrendo de fome em apenas 24 horas. O Reino Unido anunciou planos para retirar crianças feridas da área de conflito, em uma tentativa de amenizar o sofrimento. O professor de Relações Internacionais José Niemeyer e o advogado Thulio Nassa debatem sobre as ações violentas do Hamas e a intervenção de órgãos internacionais, discutindo as complexas soluções para o conflito no Oriente Médio.
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NotíciasTranscrição
00:00Internacional, em meio à grave crise humanitária enfrentada pelos palestinos,
00:04Israel voltou a permitir que países estrangeiros lancem ajuda humanitária aérea na faixa de Gaza.
00:11Pelo menos nove pessoas morreram de fome no território palestino nos últimos dias.
00:16Correspondente, Luca Bassani.
00:18A fome dentro da faixa de Gaza tem se alastrado durante as últimas semanas,
00:23enquanto o acesso à ajuda humanitária continua de forma extremamente limitada.
00:28As imagens de crianças esqueléticas e as notícias de que dezenas de pessoas têm morrido todos os dias por inanição
00:36têm aumentado a pressão sobre Israel para que o acesso a mais caminhões com ajuda humanitária,
00:43mantimentos e remédios seja permitido.
00:46Inclusive, o próprio comissário-geral das Nações Unidas para os refugiados palestinos,
00:52Felipe Lazzarini, disse, abro aspas,
00:54As pessoas em Gaza não estão nem mortas nem vivas, são cadáveres ambulantes, fecho aspas.
01:01Este método de distribuição de alimentos e mantimentos já aconteceu em 2023 e 2024,
01:08mas foi paralisado após alguns acidentes e até mesmo mortes.
01:13Nesse mesmo sentido, vemos que muitas pessoas da sociedade civil têm pressionado os seus políticos
01:20dentro da Europa e nos Estados Unidos para que haja uma mudança de postura em relação a Israel,
01:26podendo até mesmo sancionar a Fundação Humanitária de Gaza,
01:30responsável pela distribuição de alimentos neste momento e que é acusada por vários crimes de guerra.
01:36Também tivemos o anúncio da França, que reconhecerá o Estado palestino em breve,
01:42na Assembleia Geral da ONU em setembro, uma atitude que chamou a atenção de vários parceiros ocidentais,
01:50muitas críticas de Israel, o próprio ministro da Defesa Israelense, Israel Katz,
01:57disse que esta conduta francesa provavelmente premiará o terrorismo do Hamas,
02:03enquanto que nos Estados Unidos da América o secretário de Estado, Marco Rubio, disse,
02:10e abro aspas, os Estados Unidos rejeitam veementemente o plano de Emmanuel Macron
02:14de reconhecer um Estado palestino na Assembleia Geral da ONU.
02:18Essa decisão irresponsável apenas serve à propaganda do Hamas e representa um retrocesso para a paz.
02:25É um tapa na cara das vítimas de 7 de outubro.
02:28A França é um dos cinco países com assento permanente no Conselho de Segurança
02:34e que pode facilitar o processo de candidatura plena para a Palestina,
02:40mas sabemos que ainda os Estados Unidos poderão exercer o seu poder de veto como realizaram no passado.
02:48Este embrólio diplomático entre os países ocidentais continua em meio às indefinições
02:54sobre um cessar-fogo e a distribuição de alimentos aos palestinos.
02:59Continuaremos monitorando todas essas situações para atualizar a nossa audiência.
03:04De Munique, na Alemanha, para a Jovem Pan News, Luca Bassani.
03:09É, e sob forte pressão internacional por causa da crise humanitária,
03:12Israel anunciou a retomada do envio de comida por meio de aviões para a faixa de Gaza.
03:18Mais detalhes com Pedro Trito.
03:20Milhares de israelenses foram às ruas em Tel Aviv para cobrar um cessar-fogo com o Hamas
03:26após mais de 21 meses de conflito.
03:29Com cartazes, manifestantes também pediram a libertação dos reféns mantidos pelo grupo terrorista.
03:41Yotan é irmão de um refém ainda em cativeiro e exigiu um acordo imediato.
03:47Enough is enough.
03:49Chega. A doutrina dos acordos parciais se mostrou ineficaz.
03:53Um acordo, outro acordo. Precisamos de um acordo abrangente para libertar todos os reféns e, por fim, a guerra.
04:01Essa é a única forma, a única alternativa de trazer todos os nossos reféns,
04:07entre eles meu irmão, de volta para casa, sãos e salvos.
04:13A jovem Ayala criticou a continuidade da ofensiva que vem causando uma grave crise humanitária no território palestino.
04:21A mensagem mais imediata é
04:25Parem com a guerra. Parem de matar Gaza de fome.
04:29E a mensagem para as pessoas ao meu redor é
04:31Recusem-se. Recusem-se a participar dessa guerra.
04:34Recusem-se a servir este governo. Recusem-se a servir.
04:38Nas últimas 24 horas, ao menos mais cinco pessoas morreram de fome e desnutrição em hospitais em Gaza.
04:44A informação foi divulgada neste sábado pelo Ministério Palestino da Saúde, controlado pelo Hamas.
04:51O número total de vítimas chega a 127, sendo que 85 eram crianças.
04:57A busca por comida gera imagens que vêm assustando o mundo.
05:00Ao longo do sábado, milhares de palestinos passaram o dia carregando sacos de farinha distribuídos ao norte do território.
05:08Durante a semana, Israel rebateu as críticas de 100 entidades internacionais sobre o fornecimento de ajuda humanitária à Gaza.
05:21O governo de Benjamin Netanyahu argumenta que cerca de 4.500 caminhões ingressaram no território.
05:28Diante da pressão internacional, as Forças Armadas Israelenses anunciaram a retomada de lançamentos aéreos de ajuda.
05:36A operação ocorre em coordenação com organizações de ajuda.
05:41E a decisão de lançar a ajuda foi tomada, segundo os militares, para amenizar a situação de crise humanitária
05:47e refutar o que chamam de falsa alegação de fome deliberada na faixa de Gaza.
05:53As Nações Unidas avaliam que esse tipo de ajuda, que terá o apoio de outros países, é insuficiente.
06:00Para a ONU, os descarregamentos pelo ar não vão resolver o problema da fome no território.
06:06Além disso, o uso de paraquedas também coloca a vida de palestinos em risco,
06:12pois muitos estão fracos e não conseguem se deslocar.
06:15Um comissário das Nações Unidas informou que cerca de 6 mil caminhões
06:19aguardam autorização para passar nas fronteiras da Jordânia e do Egito.
06:24Para ele, a ajuda terrestre é mais fácil, efetiva, rápida, barata e segura.
06:31Ao mesmo tempo, as hostilidades persistem.
06:34Nas últimas 24 horas, pelo menos mais 29 pessoas morreram em hospitais locais
06:39em razão dos ataques israelenses.
06:42As novas ações provocaram lotação do hospital de Gaza.
06:46Mais de 500 feridos foram levados a atendimento.
06:49O Hamas acrescentou ainda que estava previsto o ingresso de seis caminhões da Unicef
06:54com suprimentos médicos para entrar nos hospitais.
06:59A crise humanitária em Gaza amplifica os efeitos da guerra entre Israel e Hamas.
07:04Sobre esse assunto, a gente recebe aqui mais uma vez o professor de Relações Internacionais
07:08do IBMEC do Rio de Janeiro, José Niemeyer.
07:11Sempre uma honra receber o senhor aqui.
07:12Professor, boa noite. Bem-vindo.
07:15Oi, Tiago. Um abraço a você, assinante da Jovem Pan.
07:18Bom, professor, claro, as cenas são surpreendentes, né?
07:22As cenas chocam o mundo e há muita pressão sobre o governo de Israel
07:27sobre toda essa situação que a faixa de Gaza está vivendo.
07:32O senhor acha que essas pressões internacionais podem dar algum tipo de resultado
07:36sem se politizar? Eu acho que esse é o ponto importante, né?
07:39Sem se politizar, sem forçar essa divisão de críticas e politização política
07:45em relação a isso, né, professor?
07:46Olha, o que aconteceu em Gaza, a Gaza foi destruída, né?
07:52Então, não há nenhuma estrutura socioeconômica em Gaza
07:55que pudesse fazer com que houvesse renda,
07:58com que houvesse distribuição de alimento entre os moradores de Gaza.
08:03Não há nenhuma estrutura econômica em Gaza.
08:05Então, a ajuda humanitária tem que ser imediata e com toda eficiência.
08:10Não basta ficar lançando comida por aviões.
08:14Essa comida e os remédios e a retomada da água potável, que é fundamental, né,
08:19do sistema de água potável, aí uma questão mais de infraestrutura que também foi destruída,
08:24tem que ser feita pela fronteira, sim, pela fronteira do Egito.
08:29Esses alimentos têm que entrar.
08:32Israel alega que fazendo isso, membros do Hamas, ou aqueles que são ligados ao grupo Hamas,
08:39vão sair pela fronteira, a fronteira vai ficar menos controlável,
08:43não pode ser uma motivação para não permitir a entrada de alimentos e remédios.
08:49O que está acontecendo em Gaza é um laboratório, me parece,
08:54de uma imposição de um processo de uma miséria andarilha, né,
09:00de uma fome estruturante, está se causando uma fome estrutural no território de Gaza
09:06e a sociedade israelense, como muito bem colocado na reportagem,
09:12e o Estado israelense...
09:14E perdemos a imagem do professor José Neymar falando sobre essa situação em Gaza.
09:22Vou comentar com o Túlio falando sobre essa discussão, não é, doutor?
09:27Sobre a crise humanitária na faixa de Gaza, de que forma?
09:31A mesma pergunta que eu fiz para o professor, eu passo para você,
09:34como que é possível olhar para isso tentando superar essa politização que se faz, né?
09:40O A defende a Palestina, o A é contra Israel,
09:43isso precisa ser superado, obviamente, há um grupo terrorista que é o Hamas,
09:48agindo naquela região, mas há uma população civil que está totalmente em frangalhos, não é, doutor?
09:55Exatamente, Tiago.
09:57O grande problema é saber objetivamente, concretamente,
10:01como resolver um problema tão complexo, né?
10:04Veja, se nós tivéssemos a possibilidade de recorrer a um tribunal das verdades morais,
10:09vamos colocar assim, impossível dizer quem é o culpado.
10:13Porque, de um lado, o Hamas, ele trava uma guerra escondida embaixo dos túneis,
10:18com diversas táticas terroristas,
10:20colocando o seu povo acima dos túneis como refém dessa guerra, né?
10:24E, de outro lado, Israel também promove confinamentos,
10:28levando o povo de Gaza à fome,
10:30e, evidentemente, alguns erros militares que comete nessa ação,
10:34tão difícil que é libertar os reféns dentro de túneis criados pelo Hamas,
10:39aliás, fruto de dinheiro de ajuda comunitária, de ajuda humanitária,
10:43e, portanto, não há aí uma discussão precisa e uma decisão de quem é o maior culpado nisso.
10:50A questão é saber como nós conseguiremos fazer a existência de dois estados,
10:57vivendo harmoniosamente.
10:58Esse é o grande ponto.
10:59E aí me parece, Tiago, recorrendo aí a Clarice Lispector,
11:03que o óbvio é a verdade mais difícil de enxergar,
11:06que não há outra alternativa,
11:08senão a eliminação do Hamas como grupo de poder dentro de Gaza.
11:14Porque, veja, libertando os reféns de Israel,
11:17fazendo um acordo,
11:19será que o Hamas vai retroceder no seu projeto de poder,
11:22que é eliminar o Estado de Israel,
11:25eliminar a existência do Estado de Israel?
11:27Então não me parece que essa unha vai ser desencravada,
11:31apenas e tão somente,
11:32recuando e deixando o Hamas ali no poder.
11:36Vamos lembrar também Golda Meier,
11:38primeira ministra de Israel,
11:40aliás, ucraniana, de esquerda,
11:43que criou o Partido Socialista de Israel,
11:46que dizia o seguinte,
11:47quando os terroristas abaixarem as armas,
11:51haverá paz.
11:52Quando Israel abaixar as armas,
11:54ele será eliminado.
11:55Então é preciso olhar o óbvio,
11:58a verdade inulante.
11:59Qual seja?
12:00É preciso devolver a Gaza o humanitarismo,
12:04devolver a Gaza a democracia
12:06e reconstruir Gaza.
12:08Mas sem o Hamas, Thiago.
12:10Sem isso,
12:11nós vamos, infelizmente,
12:13ficar correndo atrás do rabo.
12:14Ô, Túlio, o professor Neymar está de volta aqui com a gente,
12:17então já peço para você aproveitar e fazer a próxima pergunta,
12:20e o professor também, se quiser, complementar a fala
12:23antes da queda de energia por aí.
12:25Túlio.
12:26Professor, boa noite,
12:28muito obrigado por atender a Jovem Pan.
12:31Eu vou fazer uma pergunta muito objetiva na linha do comentário que eu já estava fazendo aqui.
12:36É possível a existência de dois estados vivendo harmoniosamente,
12:41vivendo pacificamente,
12:43como o Hamas no governo, no poder em Gaza?
12:47Eu vou lembrar Golda Meir que dizia que
12:49quando os terroristas,
12:51quando os árabes que querem extinção do Estado de Israel
12:53abaixarem as armas, haverá paz.
12:56Quando Israel abaixar as armas,
12:58ele será eliminado.
13:00Então é possível, né?
13:01A gente sabe que há erro dos dois lados ali,
13:04Israel confinando Gaza,
13:06o Hamas fazendo uma guerra nos túneis
13:09e deixando a população refém em cima.
13:11Mas, enfim,
13:12para que haja a possibilidade da existência de dois estados,
13:15é possível que isso aconteça
13:17sem eliminar o Hamas do governo de Gaza, professor?
13:21Não, não é possível.
13:22Você tem razão.
13:23Obrigado pela pergunta.
13:24Um abraço a você.
13:25É fundamental que a administração de Gaza,
13:28eu sempre insisti nisso,
13:30fique a cargo de um grupo
13:31que é um grupo mais institucional,
13:32que é o Fatah,
13:33que é um grupo que já conversa há muito tempo
13:36com o governo de Israel,
13:38independente de quem esteja no poder,
13:40e é um grupo que também tem posturas radicais
13:42com relação à criação do Estado palestino,
13:45que me parece importante,
13:46mas não é um grupo que atua
13:48a partir de ações terroristas.
13:50É um grupo com caráter mais político e institucional.
13:53Na minha visão,
13:54quem deveria administrar Gaza é o Fatah.
13:58Você deveria criar um processo
13:59de levar a ordem democrática
14:03com eleições livres e soberanas para Gaza,
14:06mas tentando controlar o aparecimento de grupos
14:12que atuam só e somente só pela violência,
14:14como é o caso do Hamas.
14:15Então, se não for o Fatah,
14:17que se crie em Gaza um novo grupo político
14:20que queira administrar Gaza,
14:22não a partir de uma violência externa nem interna
14:25contra a população de Gaza,
14:27como o que ocorre com os dois milhões de palestinos
14:29que vivem em Gaza.
14:31Eles são oprimidos,
14:31a maioria deles são oprimidos pelo Hamas.
14:34É importante que,
14:35além de você tirar o Hamas
14:37da representação política,
14:40com eleições livres,
14:41com cultura de democracia,
14:43de participação política,
14:45que surjam outros grupos
14:46ou que o Fatah administra.
14:48O problema é essa divisão territorial
14:50entre Gaza e Cisjordânia.
14:53Sempre mencionei aqui que isso é um erro.
14:55Talvez seja o maior erro geopolítico
14:58da história moderna, vamos dizer assim.
15:00Você ter dois estados separados com Israel no meio.
15:04Isso faz com que haja chantagem,
15:07muitas vezes, de um grupo radical como o Hamas.
15:10O Hamas entra em conflito com o Fatah o tempo todo.
15:14E, ao mesmo tempo, Israel também se aproveitou
15:16dessa divisão entre o Fatah e o Hamas.
15:19Ultimamente, a informação que nós tínhamos
15:21é que, por incrível que pareça,
15:23o governo de Israel estava conversando mais com o Hamas
15:26do que com o Fatah, antes dos atentados.
15:28E aí aconteceu o que aconteceu.
15:30É como se essa divisão geopolítica,
15:34que me parece um erro histórico,
15:37faz sempre com que os senhores da guerra,
15:40seja de Israel, seja de grupos terroristas,
15:42se aproveitem dessa divisão territorial
15:44para manter uma situação de guerra.
15:47E quem sofre são os humanos.
15:49Esses aí são humanos como nós,
15:51que estão sofrendo em Gaza.
15:53E, professor, não há nenhuma previsão
15:55de cessar fogo, de discussão, pelo menos, sobre isso,
15:59porque no começo do conflito a gente tinha
16:01a participação do Fatah, do próprio Egito,
16:03mas isso parece que se perdeu.
16:05E tem também a pressão que Donald Trump fez
16:08no começo desse segundo mandato,
16:10mas parece que tudo isso foi se perdendo
16:13e agora a gente só fala de tarifaço, né, professor?
16:15Por isso que eu ia falar.
16:17É muito difícil, Tiago.
16:18Nós vivemos um mundo muito fragmentado.
16:21Muito fragmentado, muito competitivo,
16:24ao mesmo tempo, é competitivo também.
16:26As relações internacionais estão muito competitivas,
16:28fragmentadas e contraídas.
16:30Contraídas no sentido de que cada país
16:33olha muito o seu interesse nacional,
16:35a partir da sua lógica de política interna,
16:38dos seus objetivos de política interna.
16:41Todos os países, que são países centrais
16:43nas suas regiões, estão usando
16:45o sistema internacional como palanque.
16:48Vou repetir.
16:49Todas as lideranças que estão no poder
16:51nos seus países em específico, né,
16:53estão usando o sistema internacional
16:55como palanque eleitoral para a próxima eleição.
16:58E quem sofre são as sociedades nacionais
17:01destes países, às vezes um sofrimento
17:04até do ponto de vista político-institucional,
17:06vamos dizer assim,
17:07outras vezes com situação de miséria estrutural,
17:10como em Gaza, ou no Oriente Médio,
17:13nós sabemos,
17:14mas muitas vezes também as populações sofrem
17:16porque elas não decidem
17:18com relação a esses senhores, né,
17:20ou senhoras,
17:22que ficam usando de um palanque internacional
17:24muito fragmentado
17:25para aumentar o seu poder
17:27do ponto de vista interno.
17:28É uma lógica ao contrário
17:30da maior parte da história do mundo,
17:32quando a política interna
17:34caminhava para uma solução
17:36de problemas regionais.
17:38Agora, ao contrário,
17:39a política interna está fazendo
17:40com que os interesses regionais
17:42de potências centrais, principalmente,
17:45não, não,
17:45fiquem muito em disputa.
17:47Há uma disputa muito grande hoje
17:49por poder dentro da hierarquia internacional.
17:52Os Estados Unidos perderam o poder relativo,
17:54a China aumentou o seu poder relativo,
17:57a União Europeia vive uma crise de identidade grave,
18:00o Brasil é um país que também precisa definir melhor
18:02qual é o nível de autonomia
18:04que ele quer ter no sistema internacional,
18:05e que em qual nível de responsabilidade,
18:08isso é importante também dizer,
18:10a Rússia é cada vez mais motivada
18:12por uma agenda de poder vital,
18:14de espaço vital,
18:15é um mundo muito complicado.
18:17Como num mundo complicado,
18:19os senhores da guerra,
18:20os que decidem,
18:21vão ficar olhando para a situação,
18:23que é uma situação de inferno na Terra
18:25que se vive em Gaza.
18:26Mais uma pergunta,
18:27Túlio Nassa.
18:30Professor,
18:31vamos olhar um pouco agora
18:32para o cenário geopolítico.
18:34Parece muito claro
18:36que está se configurando
18:37dois grandes eixos no mundo,
18:40e a gente vê isso nesses conflitos.
18:42O eixo liderado por China,
18:46Rússia,
18:47Irã,
18:47os países orientais
18:49que têm essa aproximação ideológica,
18:53e os Estados Unidos
18:54e os países membros da OTAN
18:55de outro lado.
18:56Parece que há essa configuração.
18:59E essa escalada de conflitos,
19:01tendo sempre os mesmos atores de fundo,
19:04não lembra muito
19:05os conflitos anteriores
19:07à Primeira Guerra Mundial,
19:08no qual também havia
19:10uma explosão de conflitos
19:12ali no mundo ocidental,
19:15só que qualquer pólvora
19:17que pudesse ali acontecer,
19:18como foi o assassinato
19:20do sobrinho do imperador
19:21do Império Austro-Húngaro,
19:23provocou aí sim
19:24um estopim
19:25de uma guerra
19:26que já estava engedrada,
19:28que já estava sendo cozinhada
19:31ali anos atrás.
19:32Nós corremos efetivamente
19:33algum risco maior
19:35diante desse novo
19:37configuramento geopolítico
19:38do mundo
19:39e desses conflitos
19:40que isolados,
19:43mas com participação efetiva
19:45de grandes atores por trás?
19:47Professor?
19:48Eu prefiro trabalhar geopolítica
19:50mais com relação
19:50a espaço geográfico.
19:52Eu acho que são conflitos
19:52na política internacional.
19:54Geopolítica, para mim,
19:55é aquele espaço geográfico
19:56muito próximo do país.
19:57Mas muita gente hoje
19:59caracteriza a política internacional
20:01como geopolítica.
20:01Eu prefiro falar
20:02de política internacional.
20:03Excelente a sua pergunta.
20:05Me parece que não lembra
20:07a Guerra Fria.
20:07A Guerra Fria tinha uma cola
20:08na Guerra Fria,
20:10tinha algo estático
20:11na Guerra Fria
20:11que até mantinha
20:13uma certa estabilidade
20:14no sistema.
20:15Mas antes da Primeira Guerra
20:17e já no século XIX,
20:18voltando para o século XIX,
20:20você tinha, assim,
20:20uma descentralização
20:21do poder na Europa
20:22e aí isso fez com que
20:24caminhássemos
20:25para o que foi
20:26a Primeira Guerra,
20:27uma guerra também,
20:28uma guerra de um nível
20:30de violência inacreditável,
20:32uma guerra de trincheira,
20:33sempre uma guerra
20:34muito violenta,
20:35a Guerra de Trincheira,
20:35e depois o que escambou.
20:37E para muitos,
20:37o Eric Bausman
20:39acha que é a mesma guerra.
20:40Depois tivemos
20:41a Segunda Guerra.
20:42Eu acho que nós vivemos
20:43hoje um tempo
20:44de muita descentralização
20:45política,
20:46onde as potências centrais
20:47querem ascender
20:48no sistema
20:48a partir de uma hierarquia
20:50muito rígida
20:50do sistema
20:51pós-Guerra Fria.
20:53Essa hierarquia
20:54pós-Guerra Fria
20:54está muito dividida,
20:56com países buscando
20:57ascensão, principalmente
20:58nos seus entornos
20:59geopolíticos regionais.
21:01Muito grave,
21:02você tem razão,
21:03eu acho que lembra
21:04muito, sim,
21:05o período de muita
21:06divisão política
21:07na Europa,
21:09e acho que tem
21:09um complicador.
21:11Não sei se nós
21:12podemos dizer
21:13que são esses
21:14dois grupos,
21:15Estados Unidos
21:16da América
21:17e aliados do OTAN,
21:19China e Rússia.
21:20Até porque
21:21o que nós observamos
21:23nos últimos meses
21:24foi um afastamento
21:26dos Estados Unidos
21:26da América
21:27com relação
21:27às potências
21:28centrais europeias,
21:29principalmente com relação
21:30à França e Alemanha.
21:32Então, agora,
21:32com essa questão
21:33de Macron,
21:34fica claro
21:35o distanciamento
21:35da Casa Branca
21:36da administração
21:38de Macron.
21:40Então,
21:40precisamos ver
21:42de novo,
21:42Túlio,
21:43se o Ocidente
21:45está tão uníssono
21:47numa mesma agenda,
21:49porque os Estados Unidos
21:49da América
21:50sob o governo Trump
21:51é tão alternativo,
21:53tem uma visão
21:54tão autárquica
21:55e tão de interesses
21:56nacionais norte-americanos
21:57acima de qualquer
21:58outra variável,
22:00que eu não sei
22:01se nós podemos dizer
22:02que hoje
22:03são dois grupos,
22:04um grupo
22:05de países do Ocidente
22:06e o outro grupo,
22:08como você colocou
22:08muito bem,
22:09China e Rússia,
22:10com uma interdependência
22:10complexa
22:11e demais aliados.
22:13Precisamos checar
22:13se os Estados Unidos
22:14da América
22:15concordam com isso.
22:17Professor José Neymar,
22:18mais uma vez,
22:19obrigado pela gentileza
22:20por atender
22:20a Jovem Pan,
22:21professor de Relações
22:22Internacionais
22:23do IBMEC
22:23do Rio de Janeiro.
22:25Um bom fim de semana,
22:26volto sempre,
22:26professor.
22:28Eu que agradeço,
22:29um abraço a você,
22:30Tiago Altúlio
22:31e ao assinante
22:31da Jovem Pan.
22:33Muito obrigado.
22:33A gente continua...
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