00:00Ou melhor, vamos falar da defesa que o Gilmar Mendes fez
00:04da responsabilização das redes sociais
00:08por discursos de ódio e fake news.
00:12Esse é um tema que ainda vai se desdobrar por muito tempo.
00:15A gente tem um monte de iniciativas em Brasília
00:19vindas do Congresso e vindas do governo
00:22para criar novos parâmetros de controle
00:28das redes e daquilo que as pessoas publicam nas redes.
00:34E o Gilmar deu uma declaração forte hoje, que é essa.
00:39Vocês vão ver na nota, lá no finalzinho dela,
00:43que o Gilmar diz que essa é a batalha,
00:48a mãe de todas as batalhas, ou coisa semelhante.
00:52Olha ali, eu diria que essa é a mãe das batalhas.
00:56Qual que é a mãe das batalhas? Olha aqui.
00:58Veja que os vândalos tiveram toda a liberdade
01:03para organizar o evento.
01:05E nada se fez.
01:07Os provedores não tomaram nenhuma providência.
01:13Inclusive aceitaram o pagamento de anúncios
01:16para promover essas mensagens antidemocráticas.
01:19No dia seguinte, depois de toda aquela tragédia,
01:23o que eles fizeram?
01:25Começaram a pagar.
01:26Veja, curioso.
01:28Não cuidaram inicialmente,
01:31não tiveram um tal de dever de cautela.
01:33E no dia seguinte saíram apagando as provas.
01:37Do jeito que ele descreve, é grave mesmo.
01:40Mostra uma leniência enorme dos provedores.
01:46E é importante vocês registrarem esse conceito do dever de cautela,
01:57porque esse é o conceito que provavelmente vai nortear
02:01boa parte das discussões que a gente vai ver a partir de agora.
02:04As redes sociais teriam um dever de cuidar
02:08daqueles...
02:11A publicação daqueles assuntos que possam ser sensíveis
02:16e que possam constituir uma ameaça à democracia.
02:19É essa ideia que querem fazer com o Estado da lei.
02:22Agora, a gente sabe que por mais que pareça
02:25correta essa análise que o Gilmar fez,
02:31por trás dessas intenções,
02:34quer de regulamentação,
02:37quer por má redação das leis,
02:42quer por desejos não confessados de censura,
02:46pura e simples, né, Duda?
02:48É muito perigoso quando a gente entra nessa seara, né?
02:54Essa discussão, quando eu estava no TSE,
02:58ano passado, as empresas de plataformas digitais,
03:03de redes sociais, então Facebook, Twitter,
03:07inclusive o Telegram,
03:09foram lá e se propuseram a ajudar,
03:14a encontrar essas mensagens perigosas
03:18e tirar do ar.
03:19Mas é uma coisa super difícil de fazer,
03:24porque o tempo inteiro a quantidade de vídeos
03:27de gente pregando as coisas radicais mais diversas
03:32é gigantesca.
03:35Então é muito difícil
03:37realmente conter isso totalmente.
03:42E as redes, quando fazem isso,
03:44também tentam tomar um cuidado,
03:45porque também sabem
03:47que o judiciário tem avançado demais
03:50nesse papel
03:52e muitas vezes simplesmente coibindo
03:55a liberdade de expressão.
03:58Então é difícil
04:00ter um vencedor aí nessa história
04:03e é uma briga aqui
04:06que vai continuar por muito tempo.
04:07Eu repito aqui uma ideia
04:10que eu já mencionei aqui no papo,
04:14em outro programa,
04:17que é, assim,
04:19estão aplicando uma lógica de crise,
04:23estão querendo aplicar uma lógica de crise
04:25ao dia a dia do que acontece nas redes sociais.
04:30É verdade,
04:30a gente teve um acontecimento muito grave no Brasil,
04:33que desagou no vandalismo todo
04:37ali da Praça dos Três Poderes.
04:40Agora,
04:41você adotar medidas restritivas,
04:47punitivas,
04:48com base no pior cenário,
04:50para todo dia,
04:52mesmo para os momentos de normalidade,
04:55acaba resultando num cerceamento
04:57que não precisaria acontecer.
04:59Então, assim,
05:00é verdade,
05:01mas é verdade para um momento muito anômalo
05:03da nossa história.
05:04Se você aplica isso,
05:07se você eterniza
05:08esse tipo de raciocínio,
05:10esse tipo de maneira de lidar
05:11com as redes sociais,
05:13você acaba impondo
05:14uma autocensura às pessoas,
05:16você acaba criando medo,
05:18receio de dizer.
05:20E você,
05:21na hora que você vai perceber,
05:22você criou um ambiente
05:23em que, enfim,
05:25as pessoas não dizem aquilo que pensam,
05:27mesmo que aquilo que elas pensam
05:29seja absolutamente tranquilo,
05:33não tenha nada de grave nele.
05:36O ideal seria monitorar tudo isso,
05:39que o governo tivesse uma entidade
05:41que monitorasse isso muito de perto
05:45e agisse naqueles momentos
05:47em que realmente tem uma coisa
05:49que pode acontecer,
05:50que nem no mundo civilizado,
05:54nas questões de terrorismo.
05:55não é todo mundo que faz
05:57um discurso contra alguém
05:59que você vai lá
06:00e já parte para a censura.
06:03Mas na hora que você vê
06:04que tem uma coisa sendo planejada,
06:06um ataque à sede dos três poderes,
06:08você interfere
06:09e impede que aquilo aconteça.
06:11Talvez fosse mais fácil
06:13mudar a lei sobre terrorismo,
06:15que foi essa lei maluca
06:17que excluiu aquilo que todo mundo
06:20no mundo entende por terrorismo,
06:22deixou de fora.
06:24Sim.
06:25E criar ali nessa lei de terrorismo
06:27um dever de vigilância
06:29para um tipo muito específico,
06:32muito claro,
06:33de comunicação,
06:36enfim.
06:36Música
06:38Música
06:40Música
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