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As más influências podem, de fato, definir o caráter do seu filho
O Antagonista
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há 7 meses
A psiquiatra Katia Mecler fala sobre os "psicopatas do cotidiano".
Assista à íntegra da conversa no CD Talks: https://youtu.be/sLKWzyA6kfc
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00:00
A pessoa que tem esse transtorno,
00:02
ela já traz aquilo na carga genética dela
00:06
e ela pode desenvolver ou não esse transtorno
00:10
de acordo com a forma como ela é criada,
00:12
o ambiente em que ela se desenvolve,
00:14
as relações que ela estabelece.
00:17
Como é que é essa avaliação?
00:19
Isso é muito importante também.
00:23
Você estava até falando,
00:24
que eu falei sobre temperamento, sobre caráter.
00:28
A personalidade da gente, a gente vai desenvolvendo.
00:32
Nas primeiras duas décadas de vida,
00:35
a gente vai desenvolvendo.
00:37
E a personalidade, ela existe...
00:40
Eu gosto muito de um psiquiatra americano
00:42
chamado Robert Kloninger.
00:43
Ele definiu a personalidade como uma combinação
00:47
do temperamento.
00:49
Temperamento, sim, seria aquilo que a gente herda geneticamente,
00:55
que é regulado biologicamente.
00:56
Então, isso é uma herança que a gente traz,
00:59
que é uma certa disposição emocional,
01:04
de reação emocional.
01:06
Então, cada bebê vai trazer um temperamento,
01:10
cada indivíduo é único no seu temperamento.
01:15
E isso realmente é herdado.
01:17
E é o temperamento, na combinação com o caráter.
01:20
Aí, o caráter já seria esse temperamento lidando com tudo que acontece no ambiente.
01:28
No ambiente da criança, quando ela nasce.
01:33
Então, tem a ver com a família, com a educação, com os amigos.
01:37
Com todas as influências, toda essa interação com o ambiente.
01:41
Então, o temperamento mais o caráter vai formar a personalidade.
01:49
E aí, todo mundo vai ter uma personalidade que é única, é original.
01:54
Ninguém tem uma personalidade idêntica à da outra pessoa.
01:58
Mas, muitas vezes, há um certo comprometimento no desenvolvimento dessa personalidade.
02:08
E daí, vem o diagnóstico de transtorno da personalidade.
02:13
Então, há uma anormalidade no desenvolvimento dessa personalidade.
02:20
A gente costuma...
02:23
Perdão, pode continuar.
02:24
Não, eu estava falando porque, por exemplo, o caráter...
02:29
As pessoas têm o hábito de dizer...
02:31
Ah, é mau caráter ou é bom o caráter?
02:34
Nesse caso, a gente não vê tanto como bom ou mau caráter.
02:38
Mas se a pessoa tem um caráter mais imaturo.
02:42
Um caráter mais infantil, imaturo.
02:47
Porque faz parte do caráter, por exemplo.
02:49
Tem três dimensões que eu acho bem interessantes do caráter.
02:52
Uma é a autodiretividade.
02:55
Que é a capacidade da pessoa de estabelecer metas, objetivos.
03:00
Ela se responsabilizar pelo que ela faz.
03:03
Se ela cai, ela levanta.
03:05
E ela não fica botando culpa excessiva nem nela mesma, nem nos outros.
03:10
Mas ela se responsabiliza.
03:12
E segue lá as metas e os objetivos.
03:17
E tem as responsabilidades.
03:19
Na cooperatividade, se eu estiver falando muito, me interrompe.
03:24
Na cooperatividade, é a relação da pessoa na comunidade.
03:31
O quanto uma pessoa é capaz de viver em grupo.
03:34
Ela é capaz de ter empatia.
03:37
Poder se colocar no lugar de uma outra pessoa.
03:40
Então, consequentemente, são pessoas que conseguem viver mais no seu grupo, na sua comunidade.
03:47
E na autotranscendência, que seria uma outra dimensão do caráter, já seria a nossa capacidade de viver.
03:55
Mas aí não é só com os outros, em grupo.
03:57
Mas também no mundo, no planeta, convivendo com a natureza.
04:02
Então, tem pessoas que vão viver isso muito através da arte, do campo da ética.
04:09
Ou até da religião, da espiritualidade.
04:12
Então, seriam dimensões de caráter.
04:14
Então, se a pessoa tem uma, digamos, aí estou falando bem cientificamente, uma pontuação fraca nessas dimensões que eu falei,
04:22
ela acaba tendo um problema na personalidade dela.
04:27
Se uma pessoa é irresponsável, está sempre colocando a culpa nas outras pessoas, não tem empatia,
04:36
é super materialista, egocêntrica.
04:38
E tudo isso, excessivamente, isso que eu estou falando, não é um pouco, excessivamente.
04:44
Então, temos problemas.
04:46
Claro, com certeza.
04:49
É curioso, porque é até importante citar isso, porque a gente tem o hábito, que é uma questão semântica,
04:57
de falar que tem caráter, não tem caráter.
04:59
Mas, na verdade, todo mundo tem caráter, né?
05:02
Só que ele pode variar de acordo com essas definições.
05:08
Essa formação do caráter, você falou ali até uns 20 anos, né?
05:15
Qual é a fase mais delicada?
05:18
É a adolescência?
05:19
Normalmente, é quando a gente percebe mudança comportamental, porque tem toda uma explosão de hormônios,
05:27
tem uma série de questões de afirmação, de pertencimento, etc.
05:34
Essa é a fase mais delicada?
05:38
Ou é outra, vamos dizer assim, nesses primeiros 20 anos, na formação da personalidade da pessoa?
05:45
Eu acho que, desde sempre, na adolescência, a gente já começa a ver as manifestações.
05:55
Então, muitas vezes, a gente já tem os efeitos de problemas que já foram aparecendo lá atrás, né?
06:02
Então, é claro que uma criança que, por exemplo, se ela é submetida,
06:07
porque a gente falou que tem um temperamento, que é algo que a gente traz de fábrica, né?
06:11
Que a gente herda geneticamente, então a gente está trazendo alguma coisa aí de fábrica.
06:15
Mas isso que a gente traz de fábrica vai interagir com o ambiente.
06:19
Então, se esse ambiente for mais favorável, ele, consequentemente, vai ajudar a gente a ter uma melhor formação
06:27
da nossa personalidade, do nosso caráter.
06:31
Mas se for muito desfavorável, né?
06:33
Então, se, por exemplo, o indivíduo já, desde, precocemente, ele é submetido
06:38
a muitas dificuldades, né?
06:42
De ordem material, de ordem emocional, violência, né?
06:49
Ambiente de violência, de, enfim, de abuso.
06:54
Então, tudo isso, certamente, vai favorecer para esse caráter ficar comprometido.
07:01
E na adolescência, como você falou bem, com a explosão de hormônios.
07:05
E aí, também existe a questão das influências, né?
07:08
Porque na adolescência, em geral, esse jovem vai estar mais solto, né?
07:14
Do que ele estava anteriormente.
07:16
E aí, realmente, começa...
07:19
Mais do que a família, muitas vezes, quem vai ter influência mesmo
07:23
vai ser o ambiente dos amigos, né?
07:25
Então, existem...
07:28
Eu sei que é meio careta falar assim, mas existem as mais influências, né?
07:33
E isso é inevitável.
07:34
E existem boas influências.
07:37
Então, a gente pensa em tudo isso quando a gente fala na formação do caráter.
07:44
Quer dizer, é verdade.
07:45
Esse velho ditado, ele é verdadeiro, né?
07:50
É, como já diziam nossos pais, né?
07:53
Mas é verdadeiro.
07:55
É verdadeiro.
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