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  • 25/06/2025
A psiquiatra Katia Mecler fala sobre os "psicopatas do cotidiano".

Assista à íntegra da conversa no CD Talks: https://youtu.be/sLKWzyA6kfc

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Transcrição
00:00A gente, quando fala desses transtornos,
00:03tem aqui alguns dados, me corrija se eu estiver errado,
00:07cerca de 10% da população mundial tem transtornos de personalidade.
00:11Só que isso não quer dizer que seja do tipo que leva, por exemplo,
00:15a matar em série, como um serial killer.
00:1910% é... Eu acho pouco, é isso mesmo?
00:23Essa observação é boa, porque realmente, provavelmente, é subestimado isso.
00:34Porque, veja só, quem tem transtorno de personalidade,
00:39normalmente não acha que tem nenhum tipo de distúrbio.
00:43Acha que o problema é o outro.
00:45O mundo é que está com problema, a pessoa não tem essa consciência.
00:50Então, ela não procura tratamento, porque a gente só procura tratamento
00:53quando a gente acha que tem um problema.
00:55Ela acha que é o outro que precisa se tratar.
00:57O marido, a mulher, o pai, a mãe, o filho, sei lá.
01:00Mas a própria pessoa não reconhece, ela não tem essa consciência.
01:05Então, consequentemente, se a pessoa não busca o tratamento,
01:09a gente vai ter menos diagnóstico do que poderia ser feito.
01:12Então, eu acho que... Eu não posso...
01:16Não tem como comprovar isso, né?
01:18Os estudos falam dessas aproximações estatísticas,
01:22os estudos epidemiológicos.
01:24Mas eu acho que a tua observação procede.
01:27A sensação que dá.
01:29Ainda mais agora, né?
01:30Porque a gente vive nesse ambiente de redes sociais.
01:33Então, parece que a gente tem acesso mais fácil, né?
01:37A essa...
01:37Ao comportamento alheio, né?
01:39As interações, elas acontecem de uma forma muito mais dinâmica.
01:43Elas acontecem de forma massiva.
01:44E qual é a relação, já que o ambiente interfere nesta formação do caráter
01:52e no desenvolvimento de transtornos,
01:56você tem dados ou existem pesquisas que mostrem a relação dessas redes sociais,
02:05dessas influências, né?
02:07Porque, no final das contas, quando...
02:09Antigamente, a preocupação era só com o colega da rua, né?
02:14O grupinho da escola.
02:16Agora não.
02:16Agora você...
02:17O seu filho, o seu neto, ele sofre influência do ambiente.
02:20Nós, já adultos, também sofremos.
02:23Muitas vezes a gente entra aqui numa dinâmica de Twitter,
02:26começa a reagir aos haters e depois se arrepende.
02:30Olha assim, putz, falei o que não devia, escrevi o que não devia.
02:33Então, assim, tudo isso, toda essa experiência online que nós temos hoje
02:41com a nossa vida online, ela é muito delicada.
02:45Ela nos traz uma série de desafios.
02:48Há dados, há pesquisas sobre essa relação?
02:53Se esse ambiente online, ele ajuda a desenvolver,
02:59acaba sendo gatilho para o desenvolvimento desses transtornos?
03:03Eu não conheço ainda os netos de co-custos que possam falar disso,
03:10mas a gente, enfim, já li artigos aqui e ali.
03:13E, de fato, a internet, o online, ele vem com muitos aspectos positivos.
03:21A gente não tem dúvida.
03:23Quando a gente pensa em termos de informação, comunicação, acesso, né?
03:28Então, isso tem um lado que é muito positivo.
03:32Mas tem um lado que é muito nocivo, que é muito negativo, né?
03:39Porque tem muita poluição também.
03:41E poluição rápida, muita superficialidade.
03:44E pior do que isso, assim, uma coisa que me deixa, assim,
03:48que me pasma muitas vezes é ver jovens, às vezes, assim, adolescentes.
03:55O sonho da pessoa é ser blogueiro, sabe?
04:00Se eu virar uma blogueira, eu não consigo entender, sabe?
04:05Como pode acontecer ser um influenciador?
04:08Enfim, então, eu acho que está havendo uma superficialização da informação.
04:20Acho que as pessoas não têm paciência nenhuma.
04:24Eu sou da época dos livros, né?
04:28De adorar ler livros.
04:30Hoje em dia, eu vejo as pessoas, assim, não têm muita paciência.
04:35Às vezes, para ficar mais do que cinco minutos num determinado assunto.
04:40Acho que existe dificuldade com aprofundamento.
04:45Fake news, então, assim, é impressionante como as pessoas aceitam qualquer coisa
04:52que elas ouvem, que elas veem.
04:55Então, tem, eu acho que tem bastante gatilho no sentido prejudicial, né?
05:03E fora todo mundo, selfie para cá, selfie para lá.
05:07Tem, de vez em quando, alguém morre, né?
05:08Fazendo uma selfie.
05:10Toda hora tem uma notícia.
05:12Quer dizer, é muito esquecido tudo isso.
05:16Não sei se eu estou ficando velha, mas eu acho muito estranho.
05:20Não, não, mas é curioso, né?
05:22Porque, assim, a gente estava falando do Instagram, né?
05:24Instagram, naturalmente, é um ambiente maravilhoso
05:30para quem tem esse transtorno narcisista, né?
05:32O Twitter, por exemplo, já é o histriônico.
05:39Então, assim, todos esses são um pouco obsessivos compulsivos também.
05:43São ambientes que favorecem esse desenvolvimento desses transtornos.
05:49E é engraçado, né?
05:50Você, de repente, tem um psicopata aqui dentro de uma...
05:57Me corrija aqui na minha classificação,
06:01mas, de repente, o psicopata é alçado a essa posição de influenciador, né?
06:08A uma posição de alguém capaz de ser parabenizado,
06:14de ser seguido, de ser ouvido.
06:17É uma maluquice.
06:19É, e é incrível, né?
06:20Porque o psicopata também tem essa ferramenta da sedução, né?
06:24Então, às vezes, são pessoas muito mais...
06:27Entre aspas, né?
06:28Porque é tudo superficial,
06:30mas são pessoas mais charmosas e mais sedutoras.
06:34E aí vão enganando, né?
06:36E aí tem milhares de seguidores.
06:42Esse efeito manada,
06:45essa necessidade de pertencimento,
06:49a gente vê isso acontecer com artistas,
06:55a gente vê isso acontecer na própria política,
06:57a gente vê isso acontecer em diversas frentes,
07:01em diversos setores.
07:02Quem se deixa levar tem algum tipo de transtorno?
07:09Como é que a gente classifica essa pessoa?
07:12Como é que a gente pode trabalhar
07:13para que ela não seja tão influenciável,
07:16tão frágil, vamos dizer assim?
07:19É, acho que a gente tem que trabalhar com boa informação,
07:23pelo menos fazendo o todo possível
07:28para a gente ter algum lugar de reflexão possível, né?
07:35E de poder formar opinião.
07:37Porque isso é uma coisa que eu acho que está se perdendo também.
07:41Possibilidade de você formar a sua opinião.
07:43Porque as coisas vêm assim, né?
07:45Não necessariamente a maioria das pessoas que estão seguindo, curtindo,
07:50elas não têm, obviamente, um transtorno de personalidade.
07:55Mas, assim, isso é fenômeno de grupo, né?
07:58Descrito lá também por Freud.
08:00Imagina, teve um monte de gente que entrou,
08:03por exemplo, na onda do fascismo,
08:05na onda do nazismo,
08:07e as pessoas vão entrando em ondas, né?
08:09As pessoas se sentem mais fortes,
08:13mais potentes quando elas estão dentro do grupo.
08:16Só que, muitas vezes,
08:17elas podem assumir posições horrorosas,
08:21mas elas se sentem potentes,
08:23com força que elas não sentiriam essa força individualmente.
08:28Então, isso, muitas vezes,
08:33associada a figuras extremamente carismáticas,
08:38envolventes, né?
08:41E a pessoa também, muitas vezes,
08:43sendo uma pessoa que prefere
08:46estar no, digamos assim,
08:52em algo que é mais fácil
08:53para ela poder sentir essa força.
08:56E ela também fica protegida
08:58de ter que fazer o seu próprio caminho,
09:00muitas vezes.
09:00Você fica ali, apoiando ou desapoiando,
09:04falando mal o dia inteiro,
09:05falando bem,
09:06mas também perdendo contato com...
09:11Quer dizer, a pessoa perde contato com ela própria.
09:14Enfim, são assuntos bem complexos.
09:17Eu acho que a gente ainda está investigando isso tudo,
09:21mas é, no mínimo, um fenômeno
09:22para ser muito estudado,
09:24muito pesquisado,
09:26e acho que as consequências já estão aí na cara da gente.
09:30Até mais.
09:32Até mencione.
09:32E aí
09:33E aí
09:34Legenda por Sônia Ruberti

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