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Transcrição
00:00:00Pessoal, chegamos ao fim do ano e encerramos a primeira temporada do CD Talks.
00:00:04Mas você não fica sem conteúdo nunca.
00:00:06Então, a nossa equipe produziu o especial de melhores momentos do CD Talks.
00:00:11A primeira parte você assiste hoje e a segunda parte no sábado que vem.
00:00:16Hoje, você tem os melhores momentos das entrevistas de Jair Bolsonaro,
00:00:20de Marco Aurélio Mello, de Antônio Rizério, de Augusto de Franco e de Luiz Pondé.
00:00:25Aproveitem, a gente se vê na próxima temporada.
00:00:30Já estamos trabalhando nela no ano que vem.
00:00:33Um bom Natal.
00:00:42A gente acha que o Supremo, esses integrantes hoje,
00:00:50eles estão esquecendo esse papel de guarda da Constituição,
00:00:55eu estou aqui reproduzindo algumas críticas que eu ouço como jornalista.
00:01:01Tem muita gente que fala que alguns ministros se sentem acima da Constituição.
00:01:08O senhor não precisa nomear, naturalmente, nenhum deles.
00:01:10Mas o senhor acha que...
00:01:12O senhor já viu em decisões liminares, monocráticas e tal?
00:01:16O senhor já percebeu, já ficou com essa sensação de que alguns ministros se colocam
00:01:21não como guardiões da Constituição, mas como a própria Constituição,
00:01:25se sentem acima da Constituição, se sentem inatingíveis.
00:01:28Inclusive, tem uma figura que o pessoal comenta aqui nos bastidores de Brasília,
00:01:33que é que os ministros do Supremo não caminham, eles levitam,
00:01:37como se eles estivessem acima do bem e do mal.
00:01:41O senhor tem essa sensação?
00:01:43Isso não é bom.
00:01:44E eu faço uma leitura das últimas eleições.
00:01:49A sociedade brasileira não se conformou com o sepultamento da Lava Jato.
00:01:56Tanto assim que o juiz Sérgio Moro foi eleito senador da República.
00:02:01Tanto assim que a mulher do juiz Sérgio Moro foi eleita por São Paulo deputada federal.
00:02:12E outras pessoas também que estiveram...
00:02:14O procurador, o Deltan, o Dallagnol...
00:02:17O Dallagnol foi eleito deputado federal.
00:02:19Então, a nossa sociedade, quer queiramos ou não,
00:02:24ela almeja a instabilidade, ela almeja a segurança jurídica.
00:02:29E eu mostrei um inconformado, inclusive houve um episódio interessante,
00:02:35porque quando eu me pronunciei a favor de Sérgio Moro,
00:02:38eu estava com um livro sendo composto em minha homenagem no Rio de Janeiro.
00:02:43E dois articulistas retiraram os artigos, quer dizer, os falsos liberais.
00:02:49Falsos liberais.
00:02:49E me pronunciei porque não podia conceber que um herói nacional
00:02:56que prestou um relevantíssimo serviço à nação em termos de combate à corrupção
00:03:02passasse a ser excomungado, passasse a um párea da vida brasileira.
00:03:10Você é perseguido mesmo, né?
00:03:11Meio perseguido e agora os eleitores resgataram.
00:03:15Ainda bem, daí nós termos que confiar nos eleitores,
00:03:20resgataram o juiz Sérgio Moro.
00:03:22Eu tenho certeza que vai ser um grande senador da República.
00:03:27Mas o senhor não me respondeu.
00:03:28O senhor acha que alguns ministros se acham acima da Constituição?
00:03:34É ruim quando isso ocorre.
00:03:37A autoestima é condenável.
00:03:40Nós devemos ter, mesmo judicando no Supremo, os pés no chão.
00:03:45E devemos atuar com a visão aberta, admitindo, inclusive, a possibilidade de um equívoco em um julgamento.
00:03:55Isso é ruim quando se sentem acima da própria instituição.
00:04:02A instituição é perene.
00:04:05Os ocupantes da cadeira passam.
00:04:07O senhor, tendo sido...
00:04:11Vou retomar só um pouquinho, voltar um pouquinho,
00:04:13o que o senhor mencionou sobre a necessidade da independência do ministro, né?
00:04:18Do Supremo.
00:04:19E eu já ouvi de delator da Lava Jato,
00:04:25de ex-integrantes do governo, né?
00:04:28Você mencionou Lava Jato.
00:04:29E eu já ouvi que...
00:04:33Da própria...
00:04:35Ele mesmo de me dizendo diretamente.
00:04:37Falei assim, olha, a gente indica ministro para ele prestar...
00:04:40Para a gente poder, depois, ligar para o ministro e pedir atenção a determinado tema.
00:04:47O senhor já viu isso acontecer?
00:04:48Isso já aconteceu com o senhor?
00:04:51É possível, sim.
00:04:52É possível, sim.
00:04:53Como manter a independência tendo de passar por todo aquele processo político
00:04:57de beijar a mão no Senado, da própria Sabatina no Senado,
00:05:01de todo...
00:05:02Muitas vezes, de toda uma articulação política entre lideranças de um partido e de outro?
00:05:08São fases que são ultrapassadas.
00:05:11E eu sempre dizia na bancada que não se agradece com a capa de julgador.
00:05:18O agradecimento é após a indicação.
00:05:20Antes de tomar assento na cadeira.
00:05:24Agora, com o ato de julgar, não se retribui a encampação, o endosso da caminhada em si para a cadeira.
00:05:38Por que a cadeira é vitalícia?
00:05:40Para que o ocupante mantenha a independência desejável.
00:05:45Ser juiz é uma missão sublime e precisa ser encarada como uma opção de vida.
00:05:55Você não deve satisfação em termos de agradecimento.
00:06:00Você não passa a ocupar uma cadeira voltada a relações públicas.
00:06:05Você, depois que chega a uma cadeira de juiz, principalmente na mais alta corte do país, como é o Supremo,
00:06:12Você não pode desejar qualquer cargo na República.
00:06:17É assim que eu penso e é assim que deve ser entendido.
00:06:20Agora, talvez, alguns ocupantes não percebam a importância de ser juiz no Supremo Tribunal Federal.
00:06:30Muito bem.
00:06:35Porque isso acaba deixando margem para que a sociedade não tenha essa confiança.
00:06:42Não tenha essa confiança.
00:06:43O senhor falou de segurança jurídica.
00:06:44Esse é um tema que eu vira e mexe, eu trato dele aqui no site.
00:06:49Porque a nossa sensação é de que uma das fontes de insegurança jurídica principais do país hoje é o próprio Supremo.
00:06:57Por que eu menciono isso?
00:07:00Bom, o próprio fato de você ter, agora virou uma prática, você ter votações no Parlamento
00:07:09ou decisões restritas às atribuições do Executivo.
00:07:14E todas elas passam por um rito jurídico interno.
00:07:22Qualquer decreto, qualquer norma, ela passa, tem uma avaliação jurídica interna, tem da consultoria, tem da AGU.
00:07:30Isso quando é uma proposta parlamentar, a primeira comissão que ela vai é na Comissão de Constituição e Justiça,
00:07:38justamente para verificar a constitucionalidade dela.
00:07:41E aí, normalmente, esse projeto tramita até o fim, é aprovado nas duas casas, é sancionado pelo Presidente da República.
00:07:50Só que aí, alguma parte que perdeu, perdeu a disputa democrática, perdeu na Casa do Povo,
00:07:58que é a disputa onde você tem a possibilidade de argumentar, de apresentar, de fazer toda, trazer a sociedade,
00:08:06representantes da sociedade para debater aquele tema.
00:08:10Mas, mesmo assim, alguns parlamentares, eles, que eu entendo como mal perdedores,
00:08:18resolvem recorrer ao Supremo para tentar derrubar aquela lei, ou aquele decreto, ou MP, ou enfim.
00:08:26Virou, aí vira uma, você tem uma dinâmica que vira quase uma, que quase que retroalimenta essa tensão institucional.
00:08:34Como é que o senhor vê isso? O senhor acha que o Supremo, o Legislativo, o Executivo,
00:08:40esqueceram o princípio constitucional da divisão dos poderes, e hoje estão cada um entrando na atribuição do outro,
00:08:48se confundindo e trazendo essa, porque isso tudo traz insegurança jurídica.
00:08:52Isso é, talvez, um dos grandes problemas hoje que a gente vive.
00:08:55Cláudio, na bancada, eu preconizei muito e alertei o colegiado quanto à invasão de Seara,
00:09:07que não seria do Judiciário.
00:09:10E dizia que toda vez que avançávamos, invadimos espaço reservado ao Legislativo, ao Executivo,
00:09:21nós lançávamos um buberangue que podia vir à nossa testa.
00:09:27Autocontenção tem que haver, não é o fato de o Supremo ter a última palavra, de os atos que formalizem não ficarem sujeitos à impugnação,
00:09:38que o levará a forçar a mão, que o levará a esquecer os parâmetros da Constituição Federal,
00:09:48que a todos submete, inclusive ao guarda dela própria Constituição, que é o Supremo.
00:09:56A fidelidade à Constituição, ela tem que ser buscada e tem que ser buscada a partir do que você apontou muito bem,
00:10:05como separação e harmonia entre os poderes.
00:10:09E não temos a possibilidade de o Supremo se arvorar em competência que não é dele.
00:10:20E quanto à utilização do Supremo, também cheguei a dizer que ele vinha sendo utilizado como instrumento de certos partidos políticos.
00:10:35O deputado não figura no Congresso, mas aí parte para fazer política impugnando de uma forma linear atos que interessam ao governo da época,
00:10:50impugnando esses atos junto ao Supremo.
00:10:53Isso não é sadio, isso não é bom em termos de cidadania e fortalecimento da própria República, fortalecimento da democracia.
00:11:04Eu queria aproveitar o nosso tempo que está terminando, para explorar um pouquinho mais essa coisa do conservadorismo, liberalismo,
00:11:15enfim, posturas diferentes que a gente vê num país diverso como o Brasil.
00:11:21Eu sou, como era um deputado, como foi deputado e reeleito diversas vezes pelo Rio de Janeiro,
00:11:28o senhor tem a sua família, vivia lá no Rio, boa parte da sua família, inclusive, acho que um dos seus filhos era até surfista ali na Barra da Tijuca,
00:11:37o 0-3, o Eduardo Bolsonaro, ali no Barra Mares, ficava fazendo ali Posto 4.
00:11:45E a vida ali no Rio...
00:11:48Era surfista, mas estudava também.
00:11:51Estudava, fumava maconha ou não?
00:11:52Não, não.
00:11:53Nunca fumou maconha?
00:11:54Nunca vi, também conheci mesmo, só o bicho pegava.
00:11:57Tanto é que ele prestou concurso para a Polícia Federal e foi aprovado.
00:12:00Sim.
00:12:03Essa questão da liberação da maconha, da legalização das drogas e tal,
00:12:08ela é um tema polêmico, inclusive envolve aqui a nossa fronteira, Colômbia, Peru, Bolívia,
00:12:15e a gente, mas a gente sabe que o Brasil também é muito múltiplo, né?
00:12:21Quando o senhor governa, quando o senhor vem com essa visão conservadora,
00:12:30o senhor não acha que está governando só para aquele seu eleitor?
00:12:35O senhor está deixando de lado o eleitor mais liberal lá do Rio, de São Paulo?
00:12:42Normalmente, porque a gente tem uma clivagem cultural aí, né?
00:12:47Você tem...
00:12:47O senhor mesmo foi buscar apoio no Centro-Oeste, né?
00:12:50Com o sertanejo e tal.
00:12:51O senhor que é um homem do Rio de Janeiro, de São Paulo, mas do Rio,
00:12:54um homem do litoral, vamos dizer assim, foi buscar esse apoio lá.
00:12:58A gente está vivendo esse embate, essa radicalização,
00:13:02talvez não seja por falta de entendimento de que o Brasil é feito
00:13:05de diversas culturas diferentes, e talvez não seja o caso de se respeitar mais esse federalismo
00:13:15e deixar que certos temas polêmicos sejam decididos em cada região, por cada estado,
00:13:20por cada governo, governador?
00:13:24Nós somos uma federação, tá?
00:13:26Primeiro, a questão de drogas.
00:13:28Não tem nenhuma proposta nossa para agravar a pena para o usuário.
00:13:35O que está aí, está aí.
00:13:37Agora, se você liberar as drogas, e hoje em dia elas estão por aí,
00:13:42elas irão para dentro da sala de aula.
00:13:45Só, só, fala em liberar as drogas, né?
00:13:49Quem não conhece a dor de uma mãe que tem um filho nesse mundo.
00:13:53Então, nós combatemos muito as drogas no Brasil, com a Polícia Federal, com a PRF,
00:14:01com o trabalho das polícias estaduais, nós temos batido o recorde de apreensão.
00:14:07E o que a gente entende?
00:14:08E vê alguns Estados democráticos nos Estados Unidos, onde a droga foi liberada,
00:14:12tudo piorou.
00:14:14E nós não queremos isso.
00:14:17E a droga não soma nada para um jovem.
00:14:21Absolutamente nada.
00:14:23Soma.
00:14:23Então, a gente não pode ser favorável.
00:14:25Se você liberar, você vê o THC, que é o fator aí...
00:14:32O princípio ativo.
00:14:33O princípio ativo, vai ser aperfeiçoado.
00:14:36Hoje em dia, você vê a genética, né?
00:14:38Está muito avançado nessa questão.
00:14:41Logicamente, uma vez legalizada, ou de uma marca em relação à outra,
00:14:45vai ser uma marca mais viciante do que a outra.
00:14:47E o que eu entendo, pode estar errado.
00:14:49Que depois da maconha, vem a cocaína.
00:14:53Como o Petros defendeu aí, de forma indireta, a liberação da cocaína...
00:14:59O novo presidente da Colômbia, que é o maior produtor de cocaína do mundo.
00:15:03Até ele perguntou o que causa mais mal para a humanidade.
00:15:06O petróleo ou a cocaína.
00:15:08Não deixou de dizer, sem falar, mais mal o petróleo do que a cocaína.
00:15:13Ou seja, liberar para o mundo isso, obviamente, que tem o repúgio da sociedade.
00:15:19E eu entendo, como a grande maioria da população brasileira,
00:15:23que as drogas, nenhuma deve ser liberada.
00:15:27Como é que o senhor pretende lidar com essa questão,
00:15:30caso haja liberação na Colômbia?
00:15:32Porque o combate ao narcotráfico é continental.
00:15:39Você precisa ter os países se articulando para o mesmo objetivo,
00:15:44que é combater a produção e a distribuição, o tráfico de drogas de uma maneira geral.
00:15:51O Brasil, além de consumidor, é território de passagem para exportação para a Europa,
00:15:57para os Estados Unidos, dessa cocaína que é produzida na Colômbia, no Peru, na Bolívia.
00:16:04E essa política antidrogas, ela se desmonta a partir do momento que o presidente da Colômbia assume,
00:16:13troca todo mundo, tira, desmonta o serviço de inteligência e passa a rejeitar isso.
00:16:19E agora, trabalhando pela legalização, inclusive com parlamentares no Congresso.
00:16:24Se o senhor tiver um segundo mandato, como é que o senhor espera lidar com essa...
00:16:31Vai ser uma avalanche de drogas no Brasil, caso, realmente, isso seja liberado lá.
00:16:35Como é que vai ser?
00:16:36Como é que o senhor pretende lidar do ponto de vista de segurança e de repressão
00:16:40desse tipo de crime no Brasil, tendo essa fronteira com a Colômbia?
00:16:46Bem, está na cara que a Colômbia vai potencializar a produção de cocaína.
00:16:51cocaína? Está na cara. Ele mesmo diz lá que ia mexer no Ministério Público deles
00:16:57para botar na rua os traficantes, como ele falou, por ocasião do seu discurso de posse.
00:17:04E tão logo assumiu, ele rompeu a política antidrogas que tinha os Estados Unidos.
00:17:10Ou seja, nós já esperamos. É uma produção maior de cocaína na Colômbia.
00:17:16E as rotas que passam pelo Brasil, nós temos que potencializar o combate a essas rotas.
00:17:22É o que nós podemos fazer.
00:17:24Agora, a Amazônia é um mundo.
00:17:26Alguns acham que é fácil você conter e inibir o tráfego para aquela região.
00:17:32Então, vamos fazer a nossa parte com os meios que nós temos.
00:17:35Se tivermos o apoio dos Estados Unidos, vai ser muito bem-vindo.
00:17:39E vamos colaborar nessa política antidrogas, porque não interessa para nenhum país sério
00:17:44que essa política seja liberada e implementada no seu país.
00:17:48O consumo de drogas, repito, não leva a lugar nenhum.
00:17:51Muito bem.
00:17:55Presidente, encerramos aqui.
00:17:56O seu assessor está aqui me pressionando para acabar.
00:18:01Eu tenho uma lista enorme de temas aqui.
00:18:04Se você quiser, a gente continua.
00:18:05Eu estou numa batida terrível.
00:18:07Ontem eu tive...
00:18:08Tem algum outro tema que o senhor queira tratar?
00:18:09Eu tive em três municípios.
00:18:11Eu estive lá em São Gonçalo, Rio de Janeiro.
00:18:13E fui para Três Corações e Montes Claros também.
00:18:17No dia anterior, eu tinha ido em três capitais de Estado.
00:18:19Ceará, Piauí e Maranhão.
00:18:21E estou nessa batida por aí no limite do limite.
00:18:25Duas perguntas, então, para encerrar, rápidas.
00:18:29O senhor pretende...
00:18:30O senhor tem algum projeto mais específico para o Nordeste?
00:18:35Que a gente viu nesta votação no primeiro turno
00:18:37que realmente o Nordeste rejeita.
00:18:42Ele está aí resistente a votar no senhor.
00:18:47O senhor tem alguma...
00:18:49Não digo para a campanha, para a eleição,
00:18:53alguma coisa imediata,
00:18:55mas o senhor tem algum projeto de médio e longo prazo?
00:18:58Porque o Nordeste acaba sendo sempre explorado
00:19:00pelos governantes de ocasião
00:19:04como sendo a região menos desenvolvida do país,
00:19:06mais pobre, etc, etc, etc.
00:19:08A gente fica se perguntando por que não tem políticas
00:19:12que realmente transformem toda essa região
00:19:15em uma potência,
00:19:18que possa se desenvolver como outras regiões do país
00:19:21de acordo com as potencialidades de cada Estado.
00:19:24A Bahia, por exemplo, hoje tem a maior taxa de desemprego do país,
00:19:30mais de 15%.
00:19:31O senhor tem alguma proposta específica,
00:19:34algum programa específico,
00:19:36caso o senhor seja reeleito, para o Nordeste?
00:19:39Você pode ver o Nordeste é a região que tem mais problemas.
00:19:42Se você for analisar,
00:19:43o PT ou seus satélites dominam há 20 anos.
00:19:48Onde está o problema?
00:19:50É na escolha.
00:19:50E tem certas escolhas que são para sempre,
00:19:55ou são duradouras.
00:19:57Você pega outras regiões,
00:19:59não há um domínio do PT.
00:20:00Há esporadicamente um governador que passa por ali.
00:20:05E são regiões mais desenvolvidas.
00:20:08Então, as escolhas de cada um
00:20:09passam a se tornar,
00:20:13a fazer parte da vida própria daquela região.
00:20:16Então, o grande problema do Nordeste
00:20:18é, no meu entender, o PT e os partidos de esquerda.
00:20:23Nordeste.
00:20:24Água vem para lá.
00:20:24Não é apenas água na casa da pessoa.
00:20:27Água para irrigação, para plantio,
00:20:29criação de animais,
00:20:31que já começa a mudar.
00:20:34Outra coisa importante para o Nordeste
00:20:36é a região, como você disse aqui,
00:20:38que tem mais problemas.
00:20:40Percentualmente, onde tem mais pobres.
00:20:44Fruto da administração de esquerda.
00:20:46O que nós fizemos?
00:20:47Eles ganhavam, em média,
00:20:48R$ 190 de Bolsa Família.
00:20:50Começava com R$ 40 e poucos que uma família ganhava de Bolsa Família.
00:20:55E o Lula disse no debate que a economia, no tempo dele, ia muito bem.
00:20:59Eu perguntei, por que não deu um auxílio, um Bolsa Família melhor?
00:21:04Por que está dizendo que vai dar agora?
00:21:05Promessas.
00:21:06Nós botamos, no mínimo, R$ 600.
00:21:09Isso ajuda não só os mais pobres,
00:21:11bem como a economia do local,
00:21:13porque esse dinheiro no município faz rodar a economia.
00:21:16Agora, a grande proposta para o Nordeste,
00:21:18que já está em andamento,
00:21:19é a geração de energia via eólicas na costa do Nordeste.
00:21:23Energia que parte para exportação e parte para a reindustrialização do Nordeste.
00:21:29E, se falar em indústria, no Nordeste vai ter emprego para muita gente.
00:21:32Obviamente, vamos investir em escolas técnicas
00:21:35paralelamente com a produção dessa energia.
00:21:38Então, o Nordeste passa por aí.
00:21:40Agora, a gente vai ter que ter apoio de governadores.
00:21:42E nem sempre o governador quer o apoio do governo federal,
00:21:45porque não quer perder o monopólio do domínio
00:21:47sob parte daquela população.
00:21:49Mas acredito que estamos libertando o Nordeste.
00:21:52Água, auxílio Brasil e energia.
00:21:55Se o senhor perder, o que o senhor vai fazer da vida?
00:21:57Vou cuidar da minha vida. Chega, né?
00:21:5967 anos.
00:22:01Vai viver de quê?
00:22:01Eu acredito que eu tenho uma aposentadoria do Exército,
00:22:05mais ou menos 12 mil por mês, que é proporcional.
00:22:08E tenho também a da Câmara dos Deputados,
00:22:10que não pedi para evitar me criticarem.
00:22:13Hoje em dia, vale aproximadamente 30 mil reais por mês.
00:22:16Seriam 42 mil brutos por mês.
00:22:18Isso que eu levaria para casa.
00:22:21Para mim, está excepcional esse montante.
00:22:23Não tenho qualquer outra renda.
00:22:25Mais nada e nem bens, que eu tenho em poupança aí, que é público, que eu declaro, em torno de 600 mil reais.
00:22:33Vai voltar a pescar lá em Angra?
00:22:34Eu pretendo terminar meus dias na Bahia de Angra.
00:22:36Se tudo aí der errado, a partir do dia 30, se der certo, vamos deixar isso para 2027.
00:22:45Eu preciso realmente fazer mais uma pergunta, porque tem a ver com um novo governo.
00:22:52O senhor, no seu primeiro mandato, o senhor foi eleito com apoio de diversos setores, vários aliados,
00:23:01e quando iniciou, o senhor foi se afastando desses aliados, inclusive boa parte de grupos liberais, etc.
00:23:08Muita gente acabou sendo desacoplada dessa gestão.
00:23:14O próprio Sérgio Moro e outros ministros que caíram, etc.
00:23:18O senhor pretende fazer diferente agora?
00:23:22O senhor está associado lá ao PP, ao PL?
00:23:25Tem espaço realmente para quem está lhe apoiando agora?
00:23:29Ou vai ser do mesmo jeito?
00:23:33Como é que o senhor enxerga isso?
00:23:34Porque se o senhor for eleito, o senhor vai ter de agradecer esse apoio desses grupos antipetistas, etc.
00:23:46Que se decepcionaram, cada um dentro da sua bandeira, da sua temática, das expectativas que tinham em relação às promessas do primeiro mandato,
00:23:56que são os arrependidos.
00:23:58O que o senhor tem a dizer para esses arrependidos, que muitos deles, inclusive, se abstiveram de votar no primeiro turno?
00:24:07Olha, eu não persegui ninguém, nem afastei ninguém.
00:24:10Eles se afastaram, sem citar novas.
00:24:14Muitos aí que tiveram uma postura diferente do que prometeram durante a campanha,
00:24:20chegaram na onda Bolsonaro e o povo agora os varreu do mapa.
00:24:27Alguns poucos resistiram.
00:24:29A nossa bancada eleita são 99 deputados federais.
00:24:34Some-se a isso o PP, Republicanos, União Brasil,
00:24:40porque eu não fiz campanha para nenhum candidato a deputado federal do meu partido.
00:24:43Eu deixei livre.
00:24:45Se eu fizesse campanha, eu poderia fazer, em vez de 99, talvez 120.
00:24:50Mas não teria a simpatia desses outros partidos para estar nesse projeto conosco.
00:24:56Esses outros partidos estão em projeto conosco.
00:24:58E tenho certeza que o poder não é apenas o poder executivo.
00:25:01É a mesa da Câmara, a mesa do Senado,
00:25:04são indicações para o Judiciário, entre outros.
00:25:07Então, essa composição vai haver.
00:25:11Não tem promessa de partido para ministério, bancos ou estatais, para partidos políticos.
00:25:20Então, vai continuar muito parecido com o que estamos terminando.
00:25:24Inclusive, vocês sabem o nome dos meus ministros.
00:25:28Vão continuar os mesmos, a não ser que eles queiram sair.
00:25:31E até o momento, nenhum ministro chegou para mim e falou,
00:25:33olha, após as eleições, eu pretendo descansar.
00:25:36Todos devem continuar.
00:25:39Então, é continuidade do que nós fizemos até agora,
00:25:42sem sobressalto para a sociedade.
00:25:44E a sociedade mesmo, ao reconhecer essa votação fantástica no Legislativo,
00:25:50fazendo, inclusive, vários senadores,
00:25:52é sinal que eles reconhecem que demos o melhor de si para o nosso Brasil.
00:25:56Não é contraditório?
00:25:58O senhor acabou de me dizer que se perder, vai embora.
00:26:00E, ao mesmo tempo, deixar esse legado, vamos dizer assim,
00:26:05desse bolsonarismo, porque o senhor acabou de dizer que o senhor é responsável
00:26:09até por essas eleições, por esses mandatos,
00:26:13pelo apoio que o senhor deu a esses nomes que agora vão lá para o Congresso.
00:26:18Não é contraditório o senhor ir embora e deixar isso se desfazer ou de forma autônoma?
00:26:23Tem telefone celular para você participar de várias mãos.
00:26:26Eu só posso estar pescando lá em Mambucaba e conversando com lideranças políticas aqui em Brasília
00:26:30para colaborar no apoiamento ou não de parte da nossa bancada
00:26:36para as medidas que vão ser tomadas pelo parlamento,
00:26:40que vão impactar a vida de todos nós do Brasil.
00:26:42Não é abandonar e morrer.
00:26:45É, basicamente, deixar com as novas lideranças aqui,
00:26:47que tem nova liderança aparecendo, muitas pessoas que poderão conduzir esse processo.
00:26:52Todos nós temos um ponto final, temos nosso prazo de validade.
00:26:56Eu não pretendo ser um zumbi aqui em Brasília, é apenas isso.
00:26:58E o bolsonarismo como movimento político termina?
00:27:02Eu acho que não é bolsonarismo, é a direita que não tinha,
00:27:07não teve vergonha de aparecer e vai continuar.
00:27:11Temos bons nomes que estão aí, que foram reeleitos,
00:27:15que vão continuar essa política de defesa da família,
00:27:20dos nossos valores, do livre mercado, da convivência pacífica,
00:27:25do respeito à Constituição e da liberdade.
00:27:28Isso vai continuar e veio para ficar no Brasil.
00:27:31Esse grande legado, modestamente, eu tenho a convicção
00:27:35que deixarei para todos aqui no Brasil.
00:27:37Eu entrevistei, dias atrás, o Hamilton Mourão,
00:27:41que é o vice-general, vice-presidente,
00:27:45acabou de ser eleito senador com mais de 2,5 milhões de votos.
00:27:52E eu questionei justamente sobre o bolsonarismo e a direita,
00:27:59o conservadorismo.
00:28:00Que eleitor é esse que elegeu esse Senado?
00:28:06Que elegeu o Moro?
00:28:08Que elegeu várias outras figuras aí?
00:28:11Que deu uma das maiores votações do país a Carla Zambelli?
00:28:15Que deu a maior votação a um deputado federal,
00:28:19aquele vereador, Nicolas Ferreira, lá em Minas?
00:28:23Quando o Bolsonaro esteve aqui comigo no podcast na semana passada,
00:28:29eu questionei sobre o que ele fará se ele perder.
00:28:33Aí ele me disse que vai embora, vai para Angra, vai para Mambucaba pescar.
00:28:38Mas que isso não quer dizer o fim dessa direita.
00:28:42Eu perguntei, mas é o fim do bolsonarismo?
00:28:44Aí ele falou, não tem bolsonarismo.
00:28:46O que tem é uma nova direita, uma direita conservadora, etc, etc, etc.
00:28:52Como é que você...
00:28:54Dá para colocar?
00:28:55Qual caixinha você põe o bolsonarista?
00:28:57Qual caixinha você põe o conservador?
00:29:00Você que se posiciona como um conservador liberal?
00:29:07É, conservador em instituições políticas,
00:29:11liberal em costumes, liberal em termos de mercado.
00:29:14Mas, olha, eu acho que o que o Bolsonaro falou, ele tem razão.
00:29:22Ele tem bastante razão.
00:29:24Quer dizer, você tem hoje, como sempre teve,
00:29:28meio que adormecido,
00:29:29uma grande parte do país que, nos últimos tempos,
00:29:33acabou, inclusive, fluindo para denominações cristãs, evangélicas,
00:29:39e aderindo a várias igrejas evangélicas de todos os tipos,
00:29:44com raríssimas exceções,
00:29:47sempre existe uma parte da população conservadora em costumes
00:29:52que teme certas rupturas comportamentais.
00:29:57E essas rupturas comportamentais, hoje,
00:29:59elas são extremamente bombadas
00:30:03nas novelas, nos filmes,
00:30:06elas também aparecem bastante no tecido acadêmico universitário,
00:30:12aparecem nas escolas, certo?
00:30:15Como uma espécie de incentivo
00:30:17a pessoas que têm uma preferência
00:30:21por comportamentos conservadores em termos de moral,
00:30:25em termos de família,
00:30:26de visão de mundo.
00:30:27Isso é, na realidade, um estímulo à ação.
00:30:31Que não é só no Brasil, né?
00:30:33Eu estava recentemente, durante a eleição na Itália,
00:30:36e conversei com vários eleitores da Giorgia Meloni,
00:30:42durante a eleição,
00:30:43nas duas semanas anteriores à eleição.
00:30:45Quer dizer,
00:30:47inclusive, não comparam a Giorgia Meloni ao Bolsonaro,
00:30:51acham que a Giorgia Meloni é infinitamente mais sofisticada.
00:30:54De fato, ela tem um comportamento público
00:30:58bastante mais sofisticado
00:30:59do que a figura específica do Bolsonaro.
00:31:01Mas, assim,
00:31:02existem pessoas que discordam
00:31:06dessa pauta de costumes
00:31:09que está muito vinculada
00:31:10a uma certa pós-modernidade.
00:31:13E essas pessoas ganharam voz
00:31:15porque as redes sociais
00:31:17dão voz para todo mundo.
00:31:19Então, isso acabou produzindo
00:31:21muito reconhecimento,
00:31:23acabou produzindo organização
00:31:27em termos de financiamento,
00:31:29organização institucional,
00:31:31em que, no caso,
00:31:33o movimento evangélico no Brasil
00:31:35acabou se transformando
00:31:36numa espécie, assim,
00:31:37de espaço
00:31:38para que muito dessa tendência
00:31:42aparecesse, tomasse corpo, né?
00:31:45Em oposição, inclusive,
00:31:46a uma igreja católica
00:31:48que já há algum tempo,
00:31:49do ponto de vista teológico,
00:31:50tem se alinhado à esquerda
00:31:53já há algumas décadas
00:31:55na América Latina e no Brasil.
00:31:57Então, assim,
00:31:58me parece que
00:31:59quando o Bolsonaro diz
00:32:01que mesmo que ele vá pescar,
00:32:02não sei aonde,
00:32:03se ele perder a eleição,
00:32:05e que não há bolsonarismo,
00:32:07o que há é uma nova direita,
00:32:10não há dúvida que o bolsonarismo
00:32:11é uma marca que ficou vinculada
00:32:13à ideia de uma certa truculência,
00:32:15de uma linguagem, muitas vezes, vulgar,
00:32:19de um tratamento agressivo
00:32:21com relação a mulheres,
00:32:24posições, às vezes,
00:32:26que são posições
00:32:27que dá a impressão
00:32:28que falta educação doméstica.
00:32:31Agora, o que eu acho
00:32:32que falta no Brasil mesmo,
00:32:33já há muito tempo,
00:32:35é uma inteligência pública
00:32:37que não esteja alinhada à esquerda,
00:32:40mas que coma de gafo e faca,
00:32:42que inclusive saiba se comportar à mesa,
00:32:49saiba se comportar no espaço público,
00:32:52que tem um repertório acima
00:32:54da semântica miserável
00:32:55das redes sociais.
00:32:57Mas a gente sabe que
00:32:58para fazer a política de massa,
00:33:00o homem massa,
00:33:01como dizia o Ortega e Garcia,
00:33:04quer dizer,
00:33:05aquele homem médio,
00:33:06cheio de ideias fixas,
00:33:08às vezes,
00:33:09é esse homem que faz a massa
00:33:11de eleitores,
00:33:12que faz a massa,
00:33:14os hooligans
00:33:15das redes sociais políticas,
00:33:17como fala o cientista político
00:33:19Jason Brennan, o americano.
00:33:21Então, assim,
00:33:22agora eu acho
00:33:23que essa nova direita
00:33:24que está aí,
00:33:25que ganhou massa,
00:33:27que ganhou número,
00:33:29que está gerando medo
00:33:31em muita gente,
00:33:33à esquerda,
00:33:34ou mesmo não só à esquerda,
00:33:35essa direita
00:33:37que está identificada agora
00:33:39com o nome bolsonarismo,
00:33:41ela poderá se colar
00:33:43em outras figuras
00:33:44no futuro.
00:33:46Mas,
00:33:47ela,
00:33:47de fato,
00:33:48as redes sociais
00:33:49deram voz
00:33:51a essas pessoas.
00:33:52Porque a inteligência pública,
00:33:54ela está
00:33:54massivamente
00:33:56associada à esquerda.
00:33:58A maior parte
00:33:59dos jornalistas
00:34:00intelectuais
00:34:01fazem um esforço enorme,
00:34:03ou às vezes nem fazem,
00:34:05para fingir que não estão
00:34:06desesperadamente
00:34:07torcendo pelo Lula.
00:34:08às vezes chega até
00:34:10a ser ridículo
00:34:11para a ação
00:34:12de quem atua
00:34:13no mundo
00:34:13da inteligência pública.
00:34:15Isso é quase humilhante.
00:34:17Depois do primeiro turno,
00:34:19parecia que a quantidade
00:34:20de rivotril frontal
00:34:21desapareceu das farmácias.
00:34:23se você consegue enxergar
00:34:24essa segunda fase
00:34:27da direita,
00:34:30ou ela,
00:34:31para sobreviver
00:34:32nessas redes sociais,
00:34:34para sobreviver
00:34:34junto às massas,
00:34:36ela precisará,
00:34:38ainda,
00:34:39que como um recurso
00:34:40acessório,
00:34:42ela precisará
00:34:43de figuras,
00:34:46vamos dizer assim,
00:34:48figuras folclóricas
00:34:52como o próprio Bolsonaro,
00:34:55como a Damares.
00:34:58É necessário
00:34:59esse tipo de figura
00:35:00para chamar atenção,
00:35:02para viralizar
00:35:03nesses tempos atuais?
00:35:07Olha,
00:35:07eu acho que
00:35:08aqueles que não estão
00:35:09à esquerda,
00:35:11alinhados com a esquerda,
00:35:13e que não são
00:35:14identificados com,
00:35:15digamos,
00:35:16esses grupos
00:35:16mais folclóricos
00:35:18aos quais você fez referência,
00:35:20está meio perdido
00:35:21no cenário político,
00:35:23e no cenário do debate.
00:35:25Perdido no sentido
00:35:26que está no exílio,
00:35:27como eu dizia
00:35:28no começo.
00:35:29Inclusive,
00:35:30aquela referência
00:35:31que você fez antes
00:35:32do Senado,
00:35:33o próprio Marcos Pontes
00:35:35aqui em São Paulo,
00:35:37quer dizer,
00:35:38a impressão que dá
00:35:40é que essa direita,
00:35:42ela saiu na frente
00:35:44para garantir
00:35:46que mesmo que o Bolsonaro
00:35:48não seja eleito,
00:35:49ela sim estará presente
00:35:51em Brasília.
00:35:53A gente sabe
00:35:53que o Legislativo
00:35:56tem se tornado forte
00:35:57desde grosso modo,
00:35:59grosso modo,
00:36:00o impeachment da Dilma,
00:36:02assim,
00:36:02o Legislativo
00:36:03tem se tornado forte,
00:36:04né?
00:36:05Inclusive,
00:36:06por conta
00:36:06de todo esse jogo
00:36:07das emendas de relator,
00:36:09e todo o jogo
00:36:09com dinheiro,
00:36:11né?
00:36:11esse medo
00:36:12que o Senado
00:36:13pode empichar
00:36:14a STF,
00:36:15quer dizer,
00:36:16tem aí
00:36:16um outro cenário
00:36:18que é um conflito
00:36:19entre essa direita
00:36:20e o Poder Judiciário
00:36:21mais identificado
00:36:23com as figuras
00:36:23do STF
00:36:24e agora do TSE,
00:36:26né?
00:36:26Então,
00:36:27a direita,
00:36:28ela deu um passo
00:36:29à frente,
00:36:31no sentido,
00:36:31essa direita
00:36:32deu um passo
00:36:33à frente,
00:36:34no sentido
00:36:34marcar espaço
00:36:35e dizer,
00:36:36olha,
00:36:36mesmo que vocês ganhem,
00:36:39nós estaremos
00:36:40alocados lá
00:36:41no Senado,
00:36:42na Câmara de Deputados,
00:36:43a gente vai dar dor
00:36:44de cabeça,
00:36:45certo?
00:36:46porque a gente
00:36:47tem poder de fogo
00:36:48na mão,
00:36:49então,
00:36:49eu acho que eles
00:36:49pensam basicamente
00:36:51assim.
00:36:51Agora,
00:36:52com relação
00:36:52a figuras possíveis,
00:36:54quer dizer,
00:36:55se é possível imaginar
00:36:56um candidato
00:36:57que não seja
00:36:59folclórico,
00:37:00quer dizer,
00:37:00a esquerda,
00:37:02ela,
00:37:03de certa forma,
00:37:03é um pouco mais livre
00:37:04em relação a isso,
00:37:05o Lula não deixa
00:37:06de ser um candidato
00:37:07folclórico,
00:37:08mas é um sujeito
00:37:09que tem uma história
00:37:09prévia,
00:37:10né?
00:37:11Ele tem uma história
00:37:12prévia de figuras.
00:37:13O Bolsonaro também tem,
00:37:14mas é uma história
00:37:14bastante miserável,
00:37:16no sentido político,
00:37:17eu quero dizer,
00:37:18de uma figura
00:37:19assim mais significativa.
00:37:21E o Lula não,
00:37:23o Lula é um cara raiz,
00:37:24digamos assim.
00:37:25Ele vem desde o final
00:37:26da ditadura,
00:37:27um sujeito combativo
00:37:28que já teve no governo,
00:37:31que pegou uma época
00:37:32boa do governo,
00:37:33navegou em dinheiro,
00:37:34um Estado
00:37:35que estava arrumadinho
00:37:36depois de Fernando Henrique,
00:37:37o que será bem diferente
00:37:38agora,
00:37:39caso ele venha
00:37:40ganhar a eleição,
00:37:41ele vai pegar um Estado
00:37:42bastante hostil
00:37:43a qualquer primeiro
00:37:44mandatário,
00:37:45em termos fisicamente,
00:37:46eu quero dizer,
00:37:47de dinheiro e tal.
00:37:48Mas a esquerda também
00:37:50ela sofre
00:37:51por falta de figuras.
00:37:53Quem é a grande figura
00:37:54da esquerda hoje,
00:37:56que na falta do Lula
00:37:57poderia estar aí
00:37:58disputando com o Bolsonaro?
00:37:59O Haddad,
00:38:00já foi derrotado
00:38:02uma vez,
00:38:03está correndo o risco
00:38:04de ser derrotado
00:38:05no seu Estado
00:38:06pelo Tarcísio,
00:38:07que é uma figura
00:38:08que saiu
00:38:09do Rio de Janeiro,
00:38:10que não tem raízes
00:38:11em São Paulo,
00:38:12certo?
00:38:12e então,
00:38:14quem mais
00:38:14pode haver
00:38:15à esquerda?
00:38:16Mesmo que a esquerda,
00:38:18Haddad
00:38:19não é uma figura
00:38:19folclórica,
00:38:20goste ou não dele,
00:38:22não é uma figura
00:38:22folclórica,
00:38:23como é o próprio
00:38:24Bolsonaro,
00:38:25é o cara que come
00:38:26de garfo e faca,
00:38:27que sabe se comportar,
00:38:28que sabe usar
00:38:29as palavras certas,
00:38:30e a Damares.
00:38:32Agora,
00:38:32então eu acho
00:38:33que ainda assim
00:38:34é difícil imaginar
00:38:36qualquer uma
00:38:37dessas figuras
00:38:37que foram eleitas
00:38:38para o Senado
00:38:40ou para a Câmara
00:38:40que venham a despontar
00:38:42como um possível,
00:38:44sei lá,
00:38:44substituto,
00:38:45possivelmente,
00:38:47do Bolsonaro
00:38:48lá na frente.
00:38:49Eu acho
00:38:50ainda que
00:38:51uma figura
00:38:53que poderá vir
00:38:54a ser
00:38:55uma líder importante
00:38:56dessa direita
00:38:57é a própria
00:38:58Michelle Bolsonaro.
00:39:00Ela é jovem,
00:39:03ela é bonita,
00:39:04ela está super
00:39:05enraizada
00:39:06no movimento evangélico,
00:39:08ela até hoje
00:39:09tem sido bastante
00:39:10discreta,
00:39:11ela é mulher,
00:39:13o que pode dar gás
00:39:14no sentido
00:39:15de diminuir
00:39:16a rejeição
00:39:17de muitas mulheres
00:39:19a candidatos
00:39:20de direita,
00:39:21então ela é uma figura
00:39:23que não chega
00:39:24a ser folclórica,
00:39:25mas ela está aí
00:39:26no espaço
00:39:27carismático,
00:39:29pode virar
00:39:31a virar folclórica,
00:39:32mas é mais discreta
00:39:33do que isso,
00:39:34então ela pode
00:39:35vir a ser uma opção,
00:39:37porque não há nenhuma,
00:39:38o próprio Hamilton
00:39:39Mourão
00:39:40já apareceu
00:39:43como opção,
00:39:44muita gente já sabe
00:39:44ele muito melhor
00:39:45do que o Bolsonaro,
00:39:47sujeito mais contido,
00:39:49fala bem,
00:39:50escolhe bem as palavras,
00:39:52sabe se comportar,
00:39:53ele também pode vir
00:39:54a ser uma opção
00:39:56na medida
00:39:56que ele conseguiu
00:39:57se manter longe
00:39:58do espectro folclórico.
00:39:59O que você está me falando
00:40:00me trouxe à mente
00:40:01uma coisa que eu acho
00:40:03que é muito delicada,
00:40:05muito sensível,
00:40:06mas fundamental
00:40:07no debate público
00:40:09hoje,
00:40:09que é
00:40:10essa
00:40:11atuação do STF,
00:40:14atuação do
00:40:15Alexandre Moraes,
00:40:16que parece que
00:40:17assumiu
00:40:19essa posição
00:40:20de xerife,
00:40:21e aí eu te pergunto
00:40:25qual é o risco,
00:40:26porque, por exemplo,
00:40:27eu já fui censurado
00:40:27pelo Moraes duas vezes
00:40:28aqui,
00:40:30conheço,
00:40:32já vi pessoas,
00:40:34por exemplo,
00:40:34o Marcos Sintra,
00:40:35que é um economista,
00:40:36que é um sujeito
00:40:38absolutamente ponderado,
00:40:40fez um questionamento
00:40:41sobre o processo eleitoral
00:40:43e foi derrubado
00:40:44por decisão,
00:40:45aí quando você fala
00:40:47assim,
00:40:47olha,
00:40:49o risco
00:40:50que,
00:40:51porque esse encaminhamento
00:40:53do populismo de esquerda
00:40:54é para calar
00:40:55os democratas,
00:40:57eu fico me perguntando
00:40:58qual é o risco
00:40:59do STF
00:40:59acabar sendo utilizado
00:41:01para alimentar
00:41:03esse neopopulismo
00:41:04do PT,
00:41:06porque
00:41:06se continuar
00:41:07desse jeito,
00:41:09ninguém mais vai poder
00:41:11falar nada
00:41:11nesse país,
00:41:12quer dizer,
00:41:13que não seja
00:41:14o amém,
00:41:15que não seja
00:41:16concordar
00:41:19com
00:41:19o que está sendo
00:41:21dito,
00:41:21porque
00:41:22quando você percebe ali
00:41:23que, sei lá,
00:41:24tem um Janones da vida
00:41:25que está soltando
00:41:26fake news todo dia,
00:41:28desde a campanha
00:41:29até hoje,
00:41:30ele agora
00:41:30integra um grupo
00:41:31de transição
00:41:32da comunicação
00:41:32do governo,
00:41:33não sei se será ministro,
00:41:35mas ele
00:41:35solta fake news
00:41:36a todo instante
00:41:37e não acontece
00:41:38nada com ele
00:41:39e qualquer pessoa
00:41:41que não precisa
00:41:42nem ser bolsonarista,
00:41:43qualquer pessoa
00:41:43que publique algo
00:41:45que possa parecer
00:41:46fake news,
00:41:47já vão lá
00:41:47e derrubam.
00:41:49É,
00:41:50eu acho que
00:41:50aconteceu um desastre
00:41:52no Brasil
00:41:52que foi o seguinte,
00:41:54o bolsonarismo,
00:41:55ele atropelou
00:41:56os mecanismos
00:41:57de freios
00:41:59e contrapesos
00:42:00da democracia
00:42:01a tal grau
00:42:02que isso deixou
00:42:04de funcionar
00:42:05organicamente.
00:42:06então,
00:42:07o Supremo Tribunal
00:42:09Federal
00:42:10e o Superior Tribunal
00:42:12Eleitoral,
00:42:14isso,
00:42:15eles se sentiram
00:42:16na obrigação
00:42:17de defender
00:42:18as instituições,
00:42:19só que não
00:42:20organicamente,
00:42:22quer dizer,
00:42:22deixou de ser parte
00:42:23daquele metabolismo
00:42:25normal,
00:42:25das democracias,
00:42:27etc e tal,
00:42:28e eles tiveram
00:42:29que entrar
00:42:30em conteúdos,
00:42:31eles tiveram
00:42:32que censurar
00:42:33de certa maneira
00:42:34determinados conteúdos
00:42:36porque esses conteúdos
00:42:38estavam sendo
00:42:38interpretados
00:42:40como parte
00:42:41de um golpe
00:42:42para acabar
00:42:43com a democracia.
00:42:44Foi aí que tudo
00:42:45começou a partir
00:42:46disso,
00:42:47quer dizer,
00:42:48a democracia brasileira,
00:42:50o sistema imunológico
00:42:52dela,
00:42:52de certa maneira,
00:42:53foi desorganizado,
00:42:55não é?
00:42:56Então,
00:42:57quando isso acontece,
00:42:58você sabe,
00:42:58o sistema imunológico
00:42:59ele age sistemicamente,
00:43:01como o nome está dizendo,
00:43:02ele não tem uma ordem,
00:43:03não tem uma diretiva central,
00:43:05não é?
00:43:06O nosso sistema imunológico
00:43:07não tem nenhum gerente,
00:43:09nenhum comandante,
00:43:11ele funciona
00:43:11em rede,
00:43:13ele funciona
00:43:14por emergência e tal.
00:43:17E na democracia,
00:43:18mal comparando,
00:43:19mas eu estou fazendo
00:43:20essa comparação,
00:43:20é assim que funcionam
00:43:22os sistemas de freios
00:43:23e contrapesos,
00:43:24o equilíbrio
00:43:25entre os poderes,
00:43:27etc e tal.
00:43:29Quando isso é desorganizado,
00:43:31aí tudo pode acontecer,
00:43:33inclusive uma dessas instâncias
00:43:35achar que tem a obrigação
00:43:39de zelar explicitamente
00:43:42pelas instituições
00:43:43e pelo regime democrático,
00:43:45não é?
00:43:45E aí a fronteira
00:43:47é muito tênue
00:43:49entre você
00:43:51coibir comportamentos
00:43:53antidemocráticos
00:43:54e coibir e censurar
00:43:57opiniões
00:43:58que são antidemocráticos.
00:44:00Porque na democracia,
00:44:01você pode ser
00:44:03antidemocrata
00:44:05no que você fala?
00:44:08A democracia não obriga
00:44:10que todo mundo
00:44:11seja democrata.
00:44:13Então, você pode fazer
00:44:14discurso contra a democracia.
00:44:17Isso é possível
00:44:18nas democracias.
00:44:19O que você não pode
00:44:20é fazer incitação
00:44:22para derrubar
00:44:22o regime democrático.
00:44:24Aí não pode.
00:44:24mas como é que eu faço
00:44:26a distinção
00:44:27entre o que é incitação
00:44:29para derrubar o regime
00:44:31e a manifestação
00:44:33de uma opinião
00:44:33contrária à democracia?
00:44:35Como é que eu faço
00:44:36a distinção?
00:44:37Só a maneira
00:44:38de fazer isso
00:44:39é no funcionamento
00:44:41do metabolismo
00:44:42normal da democracia.
00:44:44Se você põe
00:44:45alguma cabeça pensante
00:44:47ou um conjunto,
00:44:49um grupo de pessoas
00:44:51encarregadas
00:44:52de fazer isso,
00:44:54certamente elas vão
00:44:55se atrapalhar.
00:44:56Não porque elas sejam mais,
00:44:59mas porque elas não têm
00:45:00como levar em conta
00:45:01todas as múltiplas variáveis
00:45:04dessa equação
00:45:05extremamente complexa.
00:45:08Então, vai acontecer isso
00:45:10que nós assistimos.
00:45:12De certa maneira,
00:45:14o STF,
00:45:15num determinado momento
00:45:16da crise do bolsonarismo
00:45:19no governo,
00:45:19ele foi encarado
00:45:22como o último bastião
00:45:23da democracia
00:45:24no Brasil,
00:45:25entendeu?
00:45:26Ele foi encarado assim.
00:45:28Ele foi encarado assim
00:45:29pela mídia,
00:45:31não é?
00:45:31No geral,
00:45:32ele foi encarado assim.
00:45:34Ele foi encarado
00:45:34pelos setores intelectuais,
00:45:36etc.
00:45:37E tal,
00:45:37pela inteligência nacional,
00:45:39vamos chamar assim.
00:45:40Assim.
00:45:41Então,
00:45:42se empoderou
00:45:42essa instância
00:45:43porque fala,
00:45:44ó,
00:45:44se cair isso aqui,
00:45:46aí nós estamos perdidos,
00:45:47vai cair tudo.
00:45:48só que essa não é
00:45:51uma solução ótima.
00:45:52Essa é uma solução,
00:45:54como dizem os economistas,
00:45:55subótima
00:45:56para a democracia.
00:45:59Porque ela é incapaz
00:46:01de evitar
00:46:03arbitrariedades.
00:46:05E é disso que você falou
00:46:06na sua pergunta.
00:46:07Quer dizer,
00:46:07acaba havendo
00:46:08arbitrariedade.
00:46:09Você acaba
00:46:10favorecendo alguém
00:46:13de um lado
00:46:14e prejudicando alguém
00:46:15de outro lado.
00:46:16não tem como.
00:46:19Então,
00:46:19eu acho que isso
00:46:20foi parte
00:46:21da crise institucional
00:46:22que a gente viveu.
00:46:24O institucional
00:46:24dos poderes,
00:46:25vamos chamar assim,
00:46:26da relação
00:46:27entre os poderes
00:46:28que a gente viveu
00:46:29com o Bolsonaro.
00:46:30Porque cá entre nós
00:46:30o Bolsonaro exagerou.
00:46:33Exagerou.
00:46:33O Bolsonaro exagerou.
00:46:36Ele exagerou,
00:46:38inclusive,
00:46:39com consequências
00:46:40negativas
00:46:40para ele mesmo.
00:46:42Sim.
00:46:42ele exagerou.
00:46:45E nós não estávamos
00:46:46preparados.
00:46:48A sociedade brasileira,
00:46:50o establishment brasileiro
00:46:52não estava preparado
00:46:53para enfrentar
00:46:54um ataque
00:46:55tão frontal
00:46:56e tão rude
00:46:57como o Bolsonaro fez.
00:46:59Como é que faz agora?
00:47:00Porque, assim,
00:47:03a gente até,
00:47:05a posse do Lula,
00:47:06temos visto aí
00:47:07movimentos de rua,
00:47:09bloqueios em estradas,
00:47:12caminhoneiros,
00:47:14movimentos em frente
00:47:14aos quartéis
00:47:15pedindo intervenção.
00:47:19Você enxerga
00:47:20alguma diferença disso
00:47:21para, por exemplo,
00:47:22quando a CUT,
00:47:24o PT,
00:47:25o MST
00:47:25foi para a rua
00:47:26para protestar
00:47:29contra a condenação
00:47:30do Lula,
00:47:31dizendo que era
00:47:32uma perseguição,
00:47:33etc, etc, etc?
00:47:34Porque, no final das contas,
00:47:35você está discutindo ali
00:47:35uma decisão judicial,
00:47:37inclusive,
00:47:38que foi confirmada
00:47:38em várias instâncias.
00:47:40Você está querendo
00:47:43rediscutir
00:47:44ou está questionando
00:47:45um resultado eleitoral.
00:47:48Agora,
00:47:48quando é que é?
00:47:51Você entende
00:47:52que é diferente?
00:47:55E qual a tua opinião
00:47:56sobre esses protestos?
00:47:58Eles são democráticos
00:47:59no sentido de
00:48:01eles podem existir
00:48:02na democracia,
00:48:03ainda que eles partam
00:48:06de uma premissa
00:48:07antidemocrática,
00:48:08que é
00:48:08uma intervenção
00:48:10militar
00:48:10e um golpe?
00:48:12Acho que são
00:48:13diferentes.
00:48:15Você protestar
00:48:16contra a condenação
00:48:17do Lula,
00:48:18quer dizer,
00:48:18você é obrigado
00:48:19a catar o judiciário,
00:48:20mas não é obrigado
00:48:21a concordar
00:48:22nas democracias.
00:48:24Você não é obrigado
00:48:25a concordar
00:48:26com as decisões
00:48:27das instâncias
00:48:29da justiça.
00:48:30Você é obrigado
00:48:31a acatar.
00:48:32Se ela mandar
00:48:32fazer alguma coisa,
00:48:33você tem que fazer.
00:48:34Agora,
00:48:35concordar,
00:48:35não,
00:48:36você pode discordar,
00:48:37criticar,
00:48:38lutar dentro
00:48:40da institucionalidade
00:48:41para reverter
00:48:42aquela decisão
00:48:43se houver
00:48:43uma instância superior.
00:48:46Então,
00:48:46tudo isso
00:48:47é válido
00:48:47na democracia.
00:48:48Você ir para a frente
00:48:49do quartel,
00:48:50chamar
00:48:50os militares
00:48:52para,
00:48:55por um ato
00:48:55de força,
00:48:56abolir o regime
00:48:57democrático,
00:48:57é outra coisa,
00:48:58aí não pode.
00:48:59Você pode até
00:49:01fazer um artigo
00:49:02no jornal
00:49:02dizendo,
00:49:03olha,
00:49:03os militares
00:49:04deveriam assumir
00:49:05nessa crise
00:49:07que nós estamos vivendo,
00:49:08o governo
00:49:09estabeleceu
00:49:09um regime
00:49:10de força,
00:49:12etc.
00:49:12Isso você pode fazer.
00:49:15Defender uma tese,
00:49:16escrever um artigo,
00:49:17gravar...
00:49:18Agora,
00:49:19você incitar
00:49:20as forças militares
00:49:23a darem um golpe
00:49:23contra a democracia,
00:49:25isso já
00:49:26altera, né?
00:49:29Claro que eles
00:49:30não conseguiram
00:49:30que os militares
00:49:32se sensibilizassem
00:49:34com isso.
00:49:35Mas se conseguissem,
00:49:36não é?
00:49:37Quer dizer,
00:49:39é uma...
00:49:41A democracia
00:49:43fica muito vulnerável
00:49:44se você
00:49:46permite
00:49:48a incitação
00:49:50para derrubar
00:49:51o regime.
00:49:52Então,
00:49:53eu acho que
00:49:53nenhuma democracia
00:49:54ela permite
00:49:57assim,
00:49:57graus,
00:49:58vamos dizer assim,
00:50:00intensos
00:50:00de incitação.
00:50:02Novamente,
00:50:03a fronteira
00:50:04é sempre
00:50:05muito tênue,
00:50:08muito delgada.
00:50:10Você falou da...
00:50:11É.
00:50:12Você falou da
00:50:13mídia
00:50:14e aí eu queria
00:50:17um pouco
00:50:17da tua avaliação
00:50:18da responsabilidade
00:50:21da mídia
00:50:22nesta
00:50:22crise toda
00:50:24que nós
00:50:25estamos vivendo.
00:50:27Você chegou a escrever
00:50:28em algum momento
00:50:29no Twitter
00:50:29que muitos
00:50:30jornalistas
00:50:31passaram a fazer
00:50:31assessoria
00:50:32de imprensa
00:50:32de candidatos.
00:50:34De abandonar
00:50:35a independência
00:50:36na lista.
00:50:37Abandonar a independência
00:50:38para fazer consultoria
00:50:39para governo.
00:50:40Inclusive,
00:50:41é muito curioso,
00:50:41a gente viu
00:50:42durante a campanha
00:50:42alguns jornalistas
00:50:44nas redes sociais.
00:50:45Ah,
00:50:46o Lula,
00:50:46a campanha do Lula
00:50:47devia estar fazendo
00:50:48isso aqui,
00:50:49não aquilo lá.
00:50:49É,
00:50:50dando conselho.
00:50:52Conselho.
00:50:52Alguém avisa o Lula
00:50:53para ele não ficar
00:50:53falando besteira.
00:50:55Eu vejo uma histeria
00:50:59coletiva muito grande
00:51:00e como profissional,
00:51:04como jornalista
00:51:04profissional,
00:51:06faço um esforço
00:51:08diário
00:51:09para tentar
00:51:11não cair
00:51:12nessa histeria,
00:51:13não ser
00:51:14carregado
00:51:16para essa histeria
00:51:17coletiva,
00:51:19ainda sabendo
00:51:20que isso é muito
00:51:21difícil
00:51:21num universo
00:51:22em que
00:51:23a mídia
00:51:24perdeu muito
00:51:25da sua credibilidade,
00:51:26perdeu muito
00:51:26da sua audiência,
00:51:27perdeu muito
00:51:27da sua publicidade.
00:51:30Isso foi
00:51:31para as redes sociais,
00:51:32hoje essas grandes
00:51:33plataformas
00:51:33se tornaram
00:51:34as grandes
00:51:36arenas de debate
00:51:37e a mídia
00:51:40tenta,
00:51:40de alguma maneira,
00:51:43vamos dizer assim,
00:51:44se utilizar
00:51:47dessa dinâmica
00:51:48das redes sociais
00:51:48para poder
00:51:49manter a audiência,
00:51:51recuperar a audiência
00:51:52e naturalmente
00:51:53manter o negócio
00:51:54do ponto de vista
00:51:55financeiro
00:51:56vivo.
00:51:58Só que
00:51:58você quando
00:52:00entra nessa dinâmica
00:52:01de rede social,
00:52:02você corre o risco
00:52:03de perder
00:52:03essa lucidez
00:52:05necessária
00:52:06para o debate,
00:52:08para promover
00:52:08o debate,
00:52:09colocando um lado,
00:52:10colocando o outro,
00:52:12tentando analisar
00:52:12os fatos,
00:52:13porque essas redes sociais
00:52:14vivem,
00:52:15na verdade,
00:52:16de embates
00:52:18muitas vezes
00:52:19de uso
00:52:20massivo
00:52:21de fake news,
00:52:22de impulsionamentos
00:52:22artificiais.
00:52:25Qual o teu
00:52:26diagnóstico
00:52:27do papel
00:52:28da mídia
00:52:28em toda essa crise
00:52:29e qual o teu
00:52:30conselho?
00:52:32Eu acho
00:52:33que a mídia,
00:52:33durante o governo
00:52:34Bolsonaro,
00:52:36ela
00:52:37se comportou
00:52:39de maneira
00:52:40oposicionista
00:52:42e até
00:52:43certo ponto,
00:52:45dado
00:52:45o atropelo
00:52:46completo
00:52:47do Bolsonaro,
00:52:48correto,
00:52:49na campanha Lula,
00:52:51quando começa
00:52:52a campanha
00:52:52eleitoral,
00:52:53os grandes
00:52:55meios de
00:52:56comunicação,
00:52:57pelo menos,
00:52:58eles
00:52:58perderam,
00:53:01de certa
00:53:01maneira,
00:53:02a isenção
00:53:03mínima
00:53:03e a independência.
00:53:05Quer dizer,
00:53:06eu até
00:53:06perguntei,
00:53:07vem cá,
00:53:08isso é imprensa,
00:53:08você lembrou agora,
00:53:09ou assessoria
00:53:10de imprensa,
00:53:11porque está
00:53:11aparecendo
00:53:12assessoria
00:53:13de imprensa.
00:53:15Então,
00:53:16algumas poucas
00:53:18vozes críticas
00:53:19que surgiram
00:53:20em grandes
00:53:20meios televisivos,
00:53:22não estou citando
00:53:23o nome,
00:53:23mas você está
00:53:24entendendo,
00:53:25e eu acho
00:53:25que quem está
00:53:25assistindo
00:53:26está entendendo,
00:53:27começaram a ser
00:53:28cancelados,
00:53:31não é?
00:53:31Porque
00:53:32as milícias
00:53:33digitais
00:53:35do
00:53:36lulopetismo,
00:53:37do petismo,
00:53:38começaram a tentar
00:53:38cancelar
00:53:39quem era
00:53:40um pouco
00:53:40independente,
00:53:41quer dizer,
00:53:42olha,
00:53:42isso aí
00:53:42não pode fazer
00:53:43e tal,
00:53:44não é?
00:53:45Então,
00:53:46isso aconteceu
00:53:48de fato
00:53:50e foi triste,
00:53:51e eu acho
00:53:52que a imprensa
00:53:53vai ficar com essa,
00:53:55eu chamo imprensa
00:53:56assim porque
00:53:57é o nome
00:53:57originário,
00:53:58não é?
00:53:59É.
00:54:00Mas eu acho
00:54:01que ela vai ficar
00:54:02com essa dívida,
00:54:04com a sociedade
00:54:04brasileira.
00:54:05é como se
00:54:09você tivesse
00:54:13obrigação
00:54:15de concordar
00:54:17com o projeto
00:54:17só porque
00:54:18Bolsonaro era
00:54:19muito ruim,
00:54:20então tudo
00:54:21que diz respeito
00:54:22ao Lula
00:54:22é muito bom
00:54:23e você não pode
00:54:23criticar,
00:54:24não pode falar
00:54:25nada,
00:54:26aí não dá,
00:54:27não é?
00:54:27Quer dizer,
00:54:27aí é entrar
00:54:29num jogo horrível.
00:54:31A gente teve
00:54:31um episódio
00:54:33que talvez
00:54:34ilustre essa confusão
00:54:36que acaba sendo
00:54:36criada agora
00:54:37na eleição
00:54:38quando o ACM
00:54:39Neto
00:54:39se autodeclarou
00:54:41pardo,
00:54:42aí o movimento
00:54:43negro disse
00:54:43que ele
00:54:44não podia ser
00:54:46considerado
00:54:47uma pessoa
00:54:48de cor
00:54:48porque ele
00:54:49seria branco,
00:54:51ele se bronzeou,
00:54:54acabou isso
00:54:54gerando
00:54:55uma série
00:54:56de piadas
00:54:57na internet,
00:54:59é um pouco
00:55:01espelho disso
00:55:01e o ACM Neto
00:55:03é alguém
00:55:03que faz,
00:55:04ele integra
00:55:04a elite
00:55:05política
00:55:06e econômica
00:55:07na Bahia.
00:55:09Sim,
00:55:09mas se você
00:55:10for olhar
00:55:11a elite brasileira
00:55:12ela é quase
00:55:13predominantemente
00:55:13parda,
00:55:15é curioso isso.
00:55:16Olha o Congresso
00:55:17Nacional,
00:55:18Lira é pardo,
00:55:20Hamilton Mourão
00:55:20não mentiu,
00:55:21ele é índia,
00:55:22a ascendência indígena
00:55:23dele é clara,
00:55:24eu sou antropólogo
00:55:24e vejo isso.
00:55:26Claro.
00:55:27Agora,
00:55:27o caso
00:55:28do ACM Neto,
00:55:30ele não soube
00:55:31como lidar
00:55:32com aquilo,
00:55:33porque ele é pardo.
00:55:35O avó dele
00:55:37é árabe,
00:55:40Arletes Maron,
00:55:42família de árabes
00:55:43de Ilhéus,
00:55:43da região
00:55:44Cacaueira.
00:55:46O pai dele,
00:55:47Júnior,
00:55:47que é filho de Arletes
00:55:48com o velho
00:55:49Antônio Carlos Magalhães,
00:55:51a cara é de árabe,
00:55:52puro.
00:55:53É impressionante,
00:55:54você olha e vê um árabe.
00:55:55A mãe
00:55:57de Neto
00:55:59é uma mulata clara,
00:56:01Rosário.
00:56:03Então,
00:56:03ele é filho,
00:56:04ele tem sangue negro,
00:56:05sangue mulatos,
00:56:06da série de mulatos
00:56:06e de árabes.
00:56:08Vai se classificar
00:56:09como branco?
00:56:11Não pode.
00:56:12Ele foi registrar
00:56:13o documento dele
00:56:14e botaram lá,
00:56:15pardo.
00:56:17Agora,
00:56:18o que ele devia ter feito
00:56:19era desmoralizar
00:56:20o IBGE,
00:56:22porque pardo,
00:56:23ele disse,
00:56:23eu disse que eu sou pardo,
00:56:24eu não disse que eu sou negro,
00:56:26mas o IBGE
00:56:27disse que quem é pardo
00:56:28é negro,
00:56:28e o movimento negro
00:56:29se apegou nisso.
00:56:31Embora,
00:56:32escondendo,
00:56:34de certa forma,
00:56:36que um dos candidatos
00:56:37a deputado,
00:56:38deputada federal,
00:56:39lá na coligação do PT,
00:56:40que é a deputada hoje,
00:56:43chama Alice Portugal,
00:56:45que se registrou
00:56:48como pardo.
00:56:49Agora,
00:56:49ela que não é,
00:56:50Alice Portugal
00:56:51é alemã,
00:56:52o sobrenome dela
00:56:53é Hermann,
00:56:54ela não usa.
00:56:55É Alice Hermann Portugal.
00:56:58É uma descendente
00:56:59de alemães.
00:57:01Então,
00:57:01mas o Neto
00:57:02podia ter mostrado
00:57:03a grande fraude
00:57:04do IBGE,
00:57:05mas eu não sei também
00:57:06se ele sabe disso,
00:57:07se ele tem pensado
00:57:08sobre isso.
00:57:09Ele simplesmente
00:57:10não sabe
00:57:10como tem no documento dele,
00:57:11ele registrou lá pardo,
00:57:14aí inventaram
00:57:15que ele queria roubar
00:57:15o dinheiro
00:57:16do fundo eleitoral
00:57:17de negros,
00:57:18como se ele precisasse disso.
00:57:22De certa forma,
00:57:23ele perdeu a eleição,
00:57:24não foi por isso,
00:57:25ele perdeu pela arrogância
00:57:26e pela autossuficiência.
00:57:27É verdade.
00:57:29Agora,
00:57:30aproveitando esse
00:57:32encaixe aqui
00:57:33da nossa conversa,
00:57:34há muito debate
00:57:38sobre a questão
00:57:39do racismo estrutural,
00:57:42né?
00:57:42E há muita confusão
00:57:44também sobre o entendimento
00:57:46do que é o racismo estrutural
00:57:48e se existe
00:57:49esse racismo estrutural.
00:57:51Há muito,
00:57:52vamos dizer assim,
00:57:53uso político disso,
00:57:54né?
00:57:54Então,
00:57:54a gente teve aqui,
00:57:55por exemplo,
00:57:55no governo Bolsonaro,
00:57:57um deputado,
00:57:58o próprio chefe
00:58:02lá da secretaria,
00:58:04que ficou responsável
00:58:06por essas questões
00:58:08que também
00:58:10disse,
00:58:11vamos dizer assim,
00:58:12ele se apropriou
00:58:15desse debate
00:58:16para dizer que não existe e tal,
00:58:17mas é um pouco
00:58:18da discussão
00:58:19do bolsonarismo
00:58:20sobre o que é
00:58:20o politicamente correto,
00:58:21o que é o politicamente correto,
00:58:23dessa briga
00:58:23que eles criaram,
00:58:25que eles construíram
00:58:25como narrativa falaciosa,
00:58:28para justificar
00:58:29agressões,
00:58:30ofensas
00:58:31e um ataque direto
00:58:32ao outro polo político.
00:58:35Eu queria que o senhor
00:58:36ajudasse a esclarecer
00:58:38ao nosso espectador
00:58:39o conceito
00:58:40e a sua visão
00:58:41em relação ao Brasil,
00:58:43à sociedade brasileira,
00:58:44sobre a presença
00:58:45ou não do racismo estrutural.
00:58:47Racismo estrutural
00:58:48tem dois...
00:58:49Primeiro,
00:58:50pensaram em usar isso
00:58:51como conceito,
00:58:51nunca conseguiram,
00:58:53porque isso não é conceito.
00:58:54Na verdade,
00:58:55ficou sendo uma ferramenta
00:58:56de acusação.
00:58:58Não tem nada
00:58:59de conceitual.
00:59:01Agora,
00:59:02é mais uma coisa
00:59:03exportada
00:59:03dos Estados Unidos.
00:59:06O Brasil
00:59:07é meio desinformado
00:59:08nessas coisas
00:59:09e fica lidando
00:59:11como se fossem
00:59:12coisas criadas aqui.
00:59:13Racismo estrutural,
00:59:15lugar de fala,
00:59:16são produções
00:59:17dos pretos americanos.
00:59:18Lá,
00:59:19chamado mais
00:59:19de racismo sistêmico,
00:59:23racismo institucional.
00:59:24assim também
00:59:25na França.
00:59:26Os Estados Unidos
00:59:27exportam para a França,
00:59:28sociólogos franceses
00:59:29falam disso,
00:59:30de racismo sistêmico.
00:59:32Lugar de fala
00:59:33nos Estados Unidos,
00:59:34eles usavam a expressão
00:59:35de falar como x,
00:59:36quer dizer,
00:59:37falando como negra,
00:59:39em vez de dizer
00:59:40meu lugar de fala,
00:59:41que foi a moda
00:59:42que pegou no Brasil.
00:59:43Mas isso tudo
00:59:44são plágios
00:59:46da militância brasileira,
00:59:48plagiando,
00:59:48são copistas,
00:59:50plagiando
00:59:50a militância
00:59:51norte-americana.
00:59:52Agora,
00:59:54sentido
00:59:55não faz nenhum.
00:59:57É o seguinte,
00:59:57porque, na verdade,
00:59:58eles querem mudar
00:59:59a língua portuguesa.
01:00:00Tem também esse projeto
01:00:01quase de uma ditadura
01:00:02linguística.
01:00:04As palavras
01:00:04têm que ser usadas
01:00:05como o movimento negro
01:00:07usa.
01:00:08Isso é um absurdo.
01:00:09Na verdade,
01:00:10um bando de gente
01:00:11semi-analfabeta
01:00:13querendo determinar
01:00:14o futuro
01:00:15da língua portuguesa.
01:00:17Chega a ser ridículo.
01:00:19Não pode mais usar
01:00:20denegrir,
01:00:21não pode mais usar
01:00:21uma série de pesos.
01:00:23Doméstico é hilário.
01:00:25Doméstico não pode ser usado.
01:00:27A defensoria pública
01:00:28da OAB
01:00:29bota isso
01:00:30num manual.
01:00:32Não pode usar
01:00:32a palavra doméstica
01:00:33porque remete
01:00:35a pretas
01:00:36trabalhando
01:00:37na senzala.
01:00:38Não é.
01:00:39Doméstico é latim.
01:00:40Isso é domos,
01:00:41casa.
01:00:42É muito anterior
01:00:43a Jesus Cristo.
01:00:45Não tem nada
01:00:45que ver com racismo.
01:00:47Doméstico quer dizer
01:00:48de casa,
01:00:49caseiro.
01:00:50é o que faz parte
01:00:52do seu lugar
01:00:54onde você vive,
01:00:54mora.
01:00:55Tanto que eu falei assim,
01:00:56por que o movimento negro
01:00:57então não vai
01:00:58para o aeroporto
01:00:59fazer manifestações
01:01:01contra aquela placa
01:01:02racista
01:01:03de embarque doméstico?
01:01:04Essa coisa
01:01:08do racismo estrutural
01:01:09vai pelo mesmo
01:01:10coisa.
01:01:11A tese é o seguinte,
01:01:13eles querem que esqueçam
01:01:14o significado
01:01:15da palavra racismo.
01:01:16Racismo é ter preconceito
01:01:18e é discriminar
01:01:19pessoas de uma raça X,
01:01:21um determinado grupo
01:01:22étnico ou racial.
01:01:24Isso é racismo
01:01:24e fim de papo.
01:01:26Agora,
01:01:26eles querem dizer
01:01:27que não.
01:01:28O truque ideológico
01:01:29é o seguinte,
01:01:30o racismo só existe
01:01:32se ele puder
01:01:32ser imposto
01:01:33por uma estrutura
01:01:35de poder,
01:01:36por um aparelho estatal.
01:01:38Isso é uma grande mentira.
01:01:41O racismo existe
01:01:41de...
01:01:44O oprimido
01:01:45pode ter
01:01:46um desprezo racial
01:01:48pelo opressor.
01:01:50Eu sempre dou
01:01:51o seguinte exemplo,
01:01:51o que é que precisa
01:01:52de estrutura de poder
01:01:53e aparelho de Estado?
01:01:55Quer dizer,
01:01:55se um narcotráfico
01:01:57ocupa uma favela,
01:01:59não,
01:01:59isso é ilusão de ótica
01:02:00porque eles não são
01:02:01aparelho de Estado?
01:02:02Então,
01:02:05você inventa
01:02:05esse negócio
01:02:06de que
01:02:08o negro
01:02:09não pode ser racista
01:02:10porque ele não tem
01:02:11um aparelho
01:02:12de poder
01:02:12que faça
01:02:14com que ele possa
01:02:15oprimir os outros
01:02:17com essa base
01:02:18em base racial.
01:02:21Daí,
01:02:21o Joel Pinheiro
01:02:22escreveu um artigo
01:02:23na Folha
01:02:24muito interessante
01:02:25até que ele fala
01:02:25o seguinte,
01:02:26vamos imaginar
01:02:27que você
01:02:28vou deixar o Joel
01:02:34continuar a análise
01:02:35do racismo estrutural
01:02:36porque isso é uma
01:02:36bobagem só,
01:02:37é uma grande
01:02:38mistificação.
01:02:39Então,
01:02:40você não pode,
01:02:41o negro nunca vai ser
01:02:43cometer um crime
01:02:44racial,
01:02:46nunca vai ser
01:02:47acusado de racismo
01:02:48porque
01:02:49ele só vai poder
01:02:50ser racista
01:02:51no dia
01:02:52em que a sociedade
01:02:53capitalista
01:02:53for destruída
01:02:54e ele chegar ao poder.
01:02:57Essa é a visão
01:02:57dos movimentos negros.
01:03:00Então,
01:03:00até lá
01:03:01faz como?
01:03:02Vamos ter
01:03:03dois códigos penais?
01:03:05Um para cada
01:03:05raça?
01:03:08Quer dizer,
01:03:08o branco
01:03:09que
01:03:09chama alguém
01:03:13na rua
01:03:13de negão,
01:03:14filho da puta,
01:03:15não sei o que,
01:03:15é racista.
01:03:16Se o inverso
01:03:17acontece,
01:03:18não,
01:03:18não é racismo
01:03:19porque não tem
01:03:20uma estrutura de poder
01:03:21atrás dele.
01:03:22Isso é de uma estupidez,
01:03:24isso é uma jogada
01:03:25esperta,
01:03:27porque você
01:03:28livra
01:03:29no plano jurídico,
01:03:31inclusive,
01:03:32é para ter
01:03:33dois códigos penais.
01:03:38Isso não se confunde
01:03:40com
01:03:40aquele racismo
01:03:43que está presente
01:03:45nas relações
01:03:46sociais
01:03:47e que muitas vezes
01:03:48não é expresso
01:03:49verbalmente.
01:03:51Por exemplo,
01:03:52você está ali,
01:03:52eu,
01:03:54por exemplo,
01:03:54sou casado
01:03:54com uma negra
01:03:55e a nossa filha
01:03:56nasceu branca.
01:03:58E aí,
01:03:59quando ela era bebê,
01:04:00muitas vezes
01:04:01minha mulher
01:04:01estava em algum lugar
01:04:02com a filha,
01:04:03eu estava longe,
01:04:05eu não estava
01:04:05presente
01:04:06e ela sofria
01:04:09sempre aquele olhar
01:04:10do tipo,
01:04:11e até
01:04:11questionamentos,
01:04:13do tipo,
01:04:14é sua?
01:04:16Essa filha é sua?
01:04:18Isso é racismo,
01:04:19não é racismo
01:04:20estrutural,
01:04:21é racismo
01:04:22puro e simples.
01:04:24Quando,
01:04:25sei lá,
01:04:26ela vai entrar
01:04:27numa loja
01:04:28se não estiver
01:04:28muito bem vestida,
01:04:29se tiver chinelo
01:04:29de dedo
01:04:30e short,
01:04:33ela é tratada
01:04:33de um jeito
01:04:35muito diferente.
01:04:39O que é isso
01:04:40nesse sentido?
01:04:41É racismo
01:04:42puro e simples?
01:04:42Não tem nada a ver
01:04:43com estrutural.
01:04:44e assim estrutural
01:04:46é uma fantasia
01:04:47de professor
01:04:47universitário.
01:04:49Você não encontra
01:04:51isso em lugar nenhum.
01:04:53Agora,
01:04:54o que eu falei
01:04:55e que eu falo sempre
01:04:56é que existe
01:04:57em todos os grupos
01:04:58existe o racismo.
01:05:00O racismo
01:05:01não é monopólio
01:05:01de branco,
01:05:02nem de amarelo,
01:05:03nem de preto.
01:05:04Você vê,
01:05:05agora mesmo,
01:05:05esse cara da NBA
01:05:07que foi perder
01:05:08os patrocínios
01:05:09por causa
01:05:09de declarações
01:05:10racistas
01:05:11contra os judeus.
01:05:11quantos ataques
01:05:14a coreanos
01:05:15e chineses
01:05:16na história racial
01:05:17de Nova York?
01:05:19O negro
01:05:20aqui e ali
01:05:20é vítima,
01:05:21mas muito mais vítimas
01:05:22são os judeus
01:05:23e os asiáticos,
01:05:25inclusive sofrendo
01:05:26na mão
01:05:27de boicotes negros,
01:05:28de ataques
01:05:29negros violentos.
01:05:31Aquela líder
01:05:32do Black Lives Matter
01:05:34e o Zra Kogali
01:05:35que nasceu
01:05:36no Sudão,
01:05:37ela fala
01:05:38do desejo
01:05:39dela
01:05:39de fuzilar
01:05:40todos os brancos.
01:05:41Isso é o quê?
01:05:44Aquele poeta americano
01:05:45Leroy Jones
01:05:46que diz assim
01:05:48vamos construir
01:05:49o mundo nosso,
01:05:50cara,
01:05:50mas só depois
01:05:51que o último branco
01:05:53for morto.
01:05:54Isso é racismo.
01:05:57Não tem que
01:05:58com as mesmas lentes
01:06:00em que a gente
01:06:01esquadrinha
01:06:01o racismo branco
01:06:03contra negros,
01:06:04tem que esquadrinhar
01:06:06o racismo
01:06:07de pretos
01:06:07contra brancos,
01:06:08de pretos
01:06:09contra judeus,
01:06:10de pretos
01:06:10contra coreanos,
01:06:11de pretos
01:06:12contra chineses,
01:06:13de pretos
01:06:13contra mulatos.
01:06:14É curioso,
01:06:15quando a gente
01:06:16fala do índio
01:06:18e aí
01:06:18a gente tem
01:06:19essa usurpação
01:06:21também
01:06:21da agenda
01:06:22da esquerda
01:06:23de proteção
01:06:25do índio,
01:06:26dos povos
01:06:27originais,
01:06:28etc.
01:06:28O próprio Lula
01:06:29agora vai criar
01:06:30um ministério
01:06:30dos povos
01:06:32originários.
01:06:32é um pouco
01:06:35essa manipulação
01:06:37que se faz
01:06:38ideológica
01:06:38do discurso,
01:06:39da narrativa.
01:06:40O senhor
01:06:40mencionou,
01:06:41a gente aqui
01:06:42está falando
01:06:43justamente
01:06:43de como a coisa
01:06:44é um pouco
01:06:44mais complexa.
01:06:46Eu estou falando
01:06:46dos ricos,
01:06:48das negras ricas,
01:06:49nem todo negro
01:06:51é pobre,
01:06:52nem todo pobre
01:06:53é negro.
01:06:53a gente também
01:06:55teve aí,
01:06:58quando a gente
01:06:59começou a debater
01:07:00essa coisa
01:07:01da hipocrisia
01:07:02da esquerda,
01:07:03a gente chama
01:07:03de estar da esquerda
01:07:04caviar,
01:07:05que é a esquerda
01:07:05que quer ter
01:07:07poder econômico,
01:07:09que fala,
01:07:10ela faz um discurso
01:07:11para o pobre,
01:07:13mas ao mesmo tempo
01:07:13está se aliando
01:07:14ao grande capital,
01:07:16explorando esse pobre,
01:07:18jogando algumas migalhas.
01:07:19Essa foi a síntese
01:07:20do governo Lula,
01:07:22desde lá
01:07:23das cartas
01:07:24da Carta aos Brasileiros
01:07:25escrita
01:07:26pelo
01:07:27Odebrecht,
01:07:30pelo Emílio Odebrecht,
01:07:31até todo o lucro
01:07:32que os bancos,
01:07:33grandes bancos tiveram,
01:07:34o monopólio,
01:07:35o oligopólio
01:07:36que foi formado
01:07:36por esses bancos.
01:07:38E ao mesmo tempo
01:07:39ele consegue
01:07:39esse duplo padrão
01:07:41de emplacar
01:07:42uma narrativa
01:07:43de defesa
01:07:43desses pobres.
01:07:47Acaba que
01:07:48é um debate
01:07:49meio esquizofrênico,
01:07:50e as pessoas
01:07:51não querem enxergar
01:07:52que essa hipocrisia
01:07:53que está tão estampada,
01:07:55tão clara.
01:07:56Não, é fogo.
01:07:58Eu vejo assim,
01:07:59muito...
01:08:00Eu brinco às vezes
01:08:01com isso,
01:08:01tem meu amigo
01:08:02Jorge Caldeira,
01:08:03que virou best-seller
01:08:04com a história
01:08:05da riqueza
01:08:06no Brasil.
01:08:08Eu uma vez
01:08:08conversando com ele
01:08:09falei isso,
01:08:09pô, o PT chegou
01:08:11ao extremo de...
01:08:12Foi a primeira vez
01:08:13que alguém no poder
01:08:14do Brasil
01:08:14tentou criar
01:08:15uma burguesia
01:08:16privada,
01:08:17particular,
01:08:18através do BNDES.
01:08:20Isso não tem isso
01:08:21na história do Brasil
01:08:22em momento algum.
01:08:24Agora,
01:08:24esse negócio
01:08:25dos povos originários
01:08:26é engraçado.
01:08:27Alguém devia
01:08:28avisar Lula
01:08:29ou a primeira
01:08:31ministra Janja
01:08:32que o homo sapiens
01:08:34não nasceu
01:08:34no Brasil.
01:08:36Nós somos
01:08:37todos imigrantes.
01:08:39Os índios
01:08:39chegaram aqui
01:08:40em migrações milenares,
01:08:42mas em migrações.
01:08:45Eles não nasceram aqui.
01:08:47Vieram pelo
01:08:47distrito de Bering,
01:08:48talvez,
01:08:49para uma glaciação
01:08:50lá,
01:08:51vieram
01:08:51navegando
01:08:52por não sei onde,
01:08:53mas há 40 mil
01:08:55anos atrás,
01:08:56mas vieram,
01:08:57é a primeira migração.
01:08:59Primeira grande
01:09:00migração para cá.
01:09:01E são vários
01:09:02povos diferentes
01:09:03que vão lá,
01:09:04inclusive em guerra
01:09:05constante entre si.
01:09:07Quem expulsou...
01:09:08Eu sempre
01:09:08posso dar um exemplo
01:09:09desse negócio
01:09:10do Índio.
01:09:12Os primeiros
01:09:13habitantes
01:09:13que a gente tem
01:09:14notícia
01:09:15da Bahia
01:09:16de Todos os Santos
01:09:17foram os
01:09:18Quinimurés
01:09:19ou Quinimurás,
01:09:20há uma dúvida
01:09:21sobre o nome.
01:09:22Eles foram expulsos
01:09:24de lá
01:09:24pelo avanço
01:09:26dos índios
01:09:27Tupi Naés.
01:09:28Era um grupo
01:09:28Tupi
01:09:29que chacinou
01:09:30esses índios,
01:09:32expulsou eles
01:09:33do litoral,
01:09:34tomou a terra deles,
01:09:35expulsou do litoral,
01:09:36jogou-la para o sertão.
01:09:38Tempos depois,
01:09:40a implacável
01:09:41máquina de guerra
01:09:42dos Tupi Nabás
01:09:43invade a Bahia
01:09:44de Todos os Santos,
01:09:45chacinam os Tupi Naés,
01:09:48tomam as terras deles,
01:09:49expulsam,
01:09:50vão todos lá
01:09:51para o sertão também.
01:09:53Os Tupi Nabás
01:09:54assentam seu domínio
01:09:55na Bahia
01:09:56de Todos os Santos,
01:09:57que é quando
01:09:57chegam os portugueses.
01:09:59Então,
01:09:59a invasão portuguesa
01:10:01é a quarta invasão
01:10:02conhecida
01:10:03da Bahia
01:10:04de Todos os Santos.
01:10:07E depois eu falo assim,
01:10:08ah, os portugueses
01:10:09tomaram a terra
01:10:10dos índios.
01:10:10Eu falo,
01:10:10calma,
01:10:11de que índios?
01:10:12Porque quem tomou
01:10:13a terra dos Tupi Naés
01:10:14não foram os portugueses,
01:10:14foram os Tupi Nabás?
01:10:18Depois,
01:10:18agora,
01:10:19de povos originários,
01:10:20é querer dar um verniz
01:10:22à gente que não nasceu
01:10:25no Brasil.
01:10:26O Brasil não existia
01:10:27nessa época,
01:10:27inclusive.
01:10:28Você estava aqui,
01:10:29não sei.
01:10:31A gente tem...
01:10:32Eu acho que Lula
01:10:33seria muito mais sensato
01:10:34se ele criasse
01:10:35o Ministério
01:10:36dos Povos Imaginários.
01:10:38deixa eu aproveitar
01:10:43e te perguntar.
01:10:44Eu me dediquei
01:10:48recentemente,
01:10:49alguns meses atrás,
01:10:51me debrucei
01:10:52sobre aquele manuscrito
01:10:53512,
01:10:54que está lá
01:10:55na Biblioteca Nacional
01:10:56e que inspirou
01:10:58todos esses...
01:11:01Eu não sei
01:11:02se o senhor tem
01:11:03a referência dele,
01:11:04mas é um documento
01:11:05que foi escrito
01:11:06por um bandeirante
01:11:07que teria encontrado
01:11:09aqui na...
01:11:11Ali,
01:11:11pelo ano
01:11:14de 1750 e pouco,
01:11:1653,
01:11:17teria encontrado
01:11:18resquícios
01:11:19de uma civilização
01:11:20de origem grega,
01:11:23greco-romana,
01:11:24que na época
01:11:26do Império Romano
01:11:27eles teriam chegado
01:11:28aqui muito,
01:11:28muito,
01:11:29muito antes
01:11:30da chegada
01:11:32dos portugueses,
01:11:34por exemplo,
01:11:34que os próprios portugueses
01:11:35teriam vindo para cá
01:11:38com referências históricas
01:11:39da navegação
01:11:40dos romanos
01:11:43para cá.
01:11:45A gente...
01:11:46E aí,
01:11:46há todo um...
01:11:48Ninguém se debruça
01:11:49sobre isso,
01:11:49ninguém fala sobre isso,
01:11:50mas há alguns pesquisadores
01:11:52que se dedicaram
01:11:54a investigar,
01:11:56inclusive,
01:11:57em bibliografia
01:11:58na Europa,
01:12:01tanto nas bibliotecas
01:12:02portuguesas
01:12:04como também
01:12:05nas romanas,
01:12:06nas gregas,
01:12:07há essa
01:12:07possível colonização
01:12:10aqui do Brasil,
01:12:13de você ter,
01:12:14pelo menos,
01:12:15a criação
01:12:15de alguns povos
01:12:16com essa origem
01:12:18romana.
01:12:19A gente...
01:12:21Há algo
01:12:22real nisso?
01:12:25quer dizer,
01:12:26a gente,
01:12:27em função disso,
01:12:27é que,
01:12:28em função desse documento,
01:12:29muita gente não sabe,
01:12:30é que se...
01:12:33A partir desse documento,
01:12:34nós tivemos
01:12:35várias missões
01:12:37de exploração
01:12:41na busca
01:12:41de uma terra prometida,
01:12:42de uma terra perdida,
01:12:43de uma cidade perdida.
01:12:46Isso inspirou
01:12:47várias produções
01:12:48hollywoodianas,
01:12:49inclusive,
01:12:49a própria expedição
01:12:52do coronel Fawcett
01:12:53foi em cima
01:12:54desse documento.
01:12:56Tem alguma coisa...
01:12:58A gente tem,
01:12:59a gente teve
01:12:59essa colonização
01:13:02anterior.
01:13:04Há registros
01:13:05também
01:13:05de índios brancos.
01:13:07Como é que o senhor
01:13:08vê essa...
01:13:09Essas questões?
01:13:12A documentação
01:13:13arqueológica
01:13:14não existe.
01:13:16O que você tem
01:13:17no máximo
01:13:18é a possibilidade
01:13:21de que
01:13:22aqui tenham existido
01:13:24grandes cidades
01:13:25na Amazônia.
01:13:30As pesquisas
01:13:31da Ana Curtênios
01:13:32Roosevelt,
01:13:34dos cacicados
01:13:35amazônicos,
01:13:36cidades enormes,
01:13:3730, 40 mil habitantes.
01:13:39Eu digo enorme
01:13:39padrão da época.
01:13:41A Atenas
01:13:41tinha 40 mil habitantes.
01:13:45Você tem
01:13:46a possibilidade
01:13:47mais recente
01:13:48de um estudo
01:13:49que saiu
01:13:49na Scientific American
01:13:50de uma espécie
01:13:54de cidade-jardim
01:13:55na região
01:13:56onde hoje
01:13:56funciona o sistema
01:13:57social do Xingu.
01:14:01Mas não tem evidência...
01:14:03Falar em sistema
01:14:03social do Xingu,
01:14:04só interrompendo
01:14:05um pouco
01:14:05o que eu estou falando,
01:14:06porque essa informação
01:14:07eu acho que
01:14:08é muito importante
01:14:10e os brasileiros
01:14:11não têm.
01:14:12Fica exigindo
01:14:13demarcação
01:14:14de terra indígena,
01:14:15demarcação
01:14:15de terra indígena.
01:14:16O Xingu
01:14:17é maior
01:14:18do que Israel.
01:14:20O Xingu
01:14:21é do tamanho
01:14:21da Bélgica.
01:14:23Qual a diferença?
01:14:24Israel é árido.
01:14:26O Xingu
01:14:26é um paraíso
01:14:26ecológico.
01:14:28É terra
01:14:29que não
01:14:29acaba mais.
01:14:30Aquilo foi
01:14:31construído
01:14:31para ter
01:14:32muito mais gente
01:14:33morando ali.
01:14:34Muito mais índia.
01:14:36Você hoje
01:14:36tem quase
01:14:3712%
01:14:38do território
01:14:39brasileiro
01:14:40demarcado
01:14:41como terra indígena
01:14:42para uma
01:14:43moquequinha
01:14:43de habitantes.
01:14:44tem que pensar
01:14:46essas coisas
01:14:47com cuidado.
01:14:49Como é que
01:14:49você tem
01:14:50uma reserva
01:14:51indígena
01:14:51maior do que
01:14:52Israel?
01:14:53Israel é suficiente
01:14:54para brigar
01:14:55os judeus?
01:14:56E o Xingu
01:14:57não é suficiente
01:14:58para brigar
01:14:58índio?
01:14:59O que você acha
01:15:03que está por trás
01:15:04dessa
01:15:04política
01:15:06de demarcação?
01:15:08É outro
01:15:09debate
01:15:10que ficou
01:15:10polarizado.
01:15:12Justamente
01:15:12ou você
01:15:13preserva
01:15:15ou você
01:15:16respeita,
01:15:17preserva
01:15:17ou você
01:15:17destrói tudo,
01:15:19coloca
01:15:20a polícia
01:15:20militar
01:15:21dirigindo
01:15:22a FUNAI,
01:15:24PM
01:15:24dirigindo
01:15:25a FUNAI
01:15:26e aí
01:15:26vira uma
01:15:28esculhão
01:15:28nação?
01:15:29Não,
01:15:29eu não penso
01:15:30assim.
01:15:31Eu acho
01:15:31que você
01:15:31tinha que
01:15:33ter preservado
01:15:34o Xingu
01:15:34como o PT
01:15:35não preservou
01:15:36nem Bolsonaro.
01:15:38Os dois
01:15:39foram genocidas
01:15:40em relação
01:15:40ao Xingu
01:15:41num certo
01:15:42sentido.
01:15:45Tem que
01:15:46preservar
01:15:46sim.
01:15:47Agora,
01:15:48vamos discutir
01:15:49cada caso
01:15:50e principalmente
01:15:51sabendo
01:15:52o que os
01:15:52índios
01:15:53querem.
01:15:55Eu gosto
01:15:56de dar
01:15:56um exemplo
01:15:56assim,
01:15:57um judeu
01:15:58em Nova
01:16:00York
01:16:00com seu celular
01:16:02e seu computador,
01:16:03ele não deixa
01:16:04de ser judeu?
01:16:05Por que
01:16:06que o índio
01:16:06vai deixar
01:16:07de ser índio?
01:16:10A gente
01:16:10não pode
01:16:11ter que pensar
01:16:11que os povos
01:16:12são tão frágeis,
01:16:13não?
01:16:14Os índios,
01:16:14quer dizer,
01:16:15os antropólogos
01:16:15de um modo geral
01:16:16são sofisticadíssimos
01:16:18na criação
01:16:19de seus mitos,
01:16:20mas são
01:16:20uns imbecis
01:16:21quando é
01:16:22para tratar
01:16:22da política
01:16:23da aldeia?
01:16:25Não tem
01:16:26cabimento
01:16:26raciocinar
01:16:27assim.
01:16:28Uma coisa
01:16:29que eu acho
01:16:29séria também
01:16:30que tem
01:16:30que ser
01:16:31pensada,
01:16:31que o
01:16:32general
01:16:32Geisel
01:16:33falava,
01:16:34ele dizia
01:16:36que não
01:16:36era contra
01:16:37a demarcação,
01:16:38mas ele
01:16:39não queria
01:16:40que fosse
01:16:40demarcada
01:16:41a terra indígena
01:16:41na fronteira
01:16:42do país.
01:16:45Eu acho
01:16:46que esse é um
01:16:46raciocínio
01:16:47que tem
01:16:47que ser
01:16:47levado em
01:16:48conta.
01:16:48Uma outra
01:16:51coisa é
01:16:52quando eu
01:16:52vejo
01:16:52hoje o
01:16:53identitarismo,
01:16:54o multiculturalismo
01:16:55tomando conta
01:16:56da antropologia.
01:16:57Outro dia
01:16:58eu vi uma
01:16:58entrevista
01:16:59do Eduardo
01:16:59Viveiros de Castro,
01:17:00meu amigo
01:17:01de juventude,
01:17:02não sei se ainda
01:17:02é amigo,
01:17:03porque a gente
01:17:05perde tantos
01:17:06amigos nessas
01:17:06discussões
01:17:07ideológicas.
01:17:08É verdade.
01:17:09Mas o Eduardo
01:17:10dizendo assim,
01:17:11o Brasil
01:17:11não é uma nação,
01:17:14o Brasil
01:17:14é uma extensão
01:17:15geográfica
01:17:16onde nações
01:17:17diversas
01:17:18são obrigadas
01:17:20a ficar
01:17:20juntas
01:17:21sob o tacão
01:17:22do Estado.
01:17:23Isso é uma
01:17:24brincadeira.
01:17:26Eu falo,
01:17:26que nações
01:17:27são essas?
01:17:28A única nação
01:17:29que eu só conheço
01:17:30duas nações
01:17:30dentro do Brasil
01:17:31que é a nação
01:17:31rubro-negra
01:17:32e a nação
01:17:32corintiana.
01:17:35Não conheço
01:17:35mais nação
01:17:36nenhuma.
01:17:37A vascaína,
01:17:38a vascaína também.
01:17:42Muito bem,
01:17:42é isso.
01:17:43Então,
01:17:43mais uma vez,
01:17:44agradeço
01:17:45a audiência
01:17:46de vocês,
01:17:46espero que vocês
01:17:47tenham gostado
01:17:47mais esses
01:17:48CD Talks,
01:17:48todo sábado
01:17:49às 18 horas,
01:17:50uma conversa
01:17:51aqui com gente
01:17:52que realmente
01:17:53tem o que dizer,
01:17:54que tem trajetória,
01:17:55que tem
01:17:56experiência de vida,
01:17:58que tem
01:17:59exemplos de vida
01:18:01e que possam
01:18:02inspirar
01:18:03cada um de nós.
01:18:04Então,
01:18:05aqui sempre
01:18:06prezando
01:18:06pelo debate
01:18:08inteligente,
01:18:09pela conversa
01:18:10franca.
01:18:10Então,
01:18:11a gente se vê,
01:18:11agradeço sempre
01:18:12a audiência
01:18:13de vocês
01:18:13e todos os elogios
01:18:14e os comentários
01:18:15e as críticas
01:18:15que são feitas
01:18:16aqui no nosso campo
01:18:17aqui de baixo
01:18:18do nosso comentário
01:18:19aqui do programa.
01:18:21A gente se vê
01:18:21no próximo sábado.
01:18:23Tchau.
01:18:43Tchau.
01:18:44Tchau.
01:18:45Tchau.
01:18:46Tchau.

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