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  • há 7 meses
No Papo Antagonista desta quinta-feira (12), Claudio Dantas recebeu o ex-ministro de Jair Bolsonaro, general Santos Cruz para uma conversa acerca da politização nas Forças Armadas. Para o general, isso não existe.
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Transcrição
00:00A gente não está vivendo um processo de politização das Forças Armadas,
00:08delas ocuparem esse espaço a risco de, quer dizer,
00:14que tipo de benefício ou malefício se houver nesse movimento?
00:19Será que é o caso de recuar?
00:21Será que tem gente disposta a recuar, abrir mão de jetons,
00:25de adicionais no salário?
00:27E fora os ganhos, naturalmente, corporativos que esse grupo presente no governo do Bolsonaro
00:35conseguiu junto ao próprio Congresso Nacional.
00:39Qual é a sua análise fria de todo esse processo?
00:42Bem, eu vejo que em qualquer governo, todos os governos,
00:47sempre alguns militares da reserva, às vezes um ou outro da ativa, tiveram participação.
00:55Eu não tenho nada contra, eu vejo que existem pessoas no meio militar
01:03que podem colaborar com projetos de governo, com trabalho de governo.
01:08Mas a nossa sociedade, ela é uma sociedade altamente desenvolvida,
01:13nós temos gente capacitada também em todas as áreas.
01:17E quando se tem um excesso de convocação, no caso aí da área militar,
01:26você tem uma deformação na representação social nos diversos escalões de governo.
01:33Então fica uma presença exagerada de um segmento de um,
01:38só de uma origem, no caso, origem militar.
01:43Então, nesse governo houve esse fenômeno.
01:49E além disso, se percebeu desde o início uma tentativa de confundir a instituição
02:01com o apoio político pessoal ao governo.
02:07Quando não é isso, eu não posso falar por Força Armada, por Exército,
02:13mas eu fiquei 47 anos e eu sei a cultura da instituição.
02:19Eu tenho absoluta certeza que os comandantes, eles mantêm um profissionalismo,
02:27não são partidários, têm as suas preferências como eleitor,
02:32mas não transmitem isso, não discutem isso no ambiente profissional
02:36e não existe nenhuma tendência para um apoio político institucional
02:43a uma pessoa ou ao governo.
02:47O apoio é as políticas públicas.
02:51Então, tem muita confusão, tem tentativa de exploração
02:55e eu tenho absoluta certeza que o profissionalismo do nosso pessoal da ativa
03:00não deixa nenhum espaço para essa ligação com a pessoa ou com o governo.
03:16Eu gostaria de aprofundar um pouquinho mais,
03:22porque quando o senhor fala que quem está na ativa não está muito,
03:27que não se deixa contaminar, vamos dizer assim.
03:30Mas nós tivemos,
03:32nós tivemos,
03:35neste processo de construção da própria candidatura do Bolsonaro,
03:39nós tivemos alguns episódios aí
03:42que geraram, naturalmente, desgaste em relação entre os militares,
03:47entre a caserna e determinados partidos políticos,
03:51no caso especificamente o PT.
03:53Na gestão da Dilma,
03:56nós, em dezembro de 2014,
03:58no final do primeiro mandato dela,
04:00houve a entrega daquele relatório da Comissão Nacional da Verdade,
04:04que incluiu ali,
04:07responsabilizou mais de 300 pessoas,
04:09agentes públicos, militares
04:11e outros integrantes do regime militar,
04:14responsabilizou pela morte e desaparecimento de militantes de esquerda
04:19na época do regime militar da ditadura.
04:21Isso criou, naquela ocasião,
04:25um estranhamento muito grande dentro da caserna,
04:27porque o pessoal achou que estava havendo ali um movimento
04:30para revisão até da lei da anistia.
04:32Eu me lembro perfeitamente disso.
04:34E já naquele momento,
04:37durante aquele processo,
04:39nós tivemos aí o Bolsonaro
04:41sendo levado a formaturas na AMAN,
04:44já sendo apresentado como candidato presidencial.
04:49Isso não traz as Forças Armadas
04:53para esse outro lado?
04:56Não cria uma resistência das Forças Armadas
04:58em relação à esquerda e ao PT, especialmente?
05:04Não, voltando...
05:06Sobre o comentário da Comissão da Verdade,
05:10infelizmente,
05:11da maneira como eu vejo,
05:13a Comissão da Verdade,
05:15ela teria que ter outro nome.
05:18Da maneira como ela se comportou,
05:19ela teria que ter outro nome.
05:20teria que ser a comissão para apurar crimes
05:24ou supostos crimes
05:25praticados por agentes do Estado,
05:28e não da verdade.
05:29Para ser da verdade,
05:30ela tinha que ter um espectro muito maior
05:35de investigação, de avaliação,
05:37para pegar todos aqueles que tiveram participação,
05:41inclusive os dois lados.
05:43Então, a Comissão da Verdade,
05:44ela teve essa característica,
05:46por isso que ela perdeu um pouco,
05:48porque o nome dela
05:50não coincide exatamente
05:52com o escopo do trabalho.
05:55Quando chega mais próximo aqui,
06:00no governo,
06:02nesse governo,
06:04a gente percebe
06:05essa tentativa que eu falei
06:08de usufruir
06:10da imagem das Forças Armadas
06:13para benefício pessoal,
06:16político, pessoal, governamental.
06:18Então,
06:20é isso que vem acontecendo.
06:22Agora,
06:23as Forças Armadas,
06:24elas não têm essa divisão.
06:29Jamais,
06:29em 47 anos,
06:30eu vi uma discussão política
06:32dentro do quartel.
06:33No caso do Partido dos Trabalhadores,
06:37que teve quatro mandatos no Brasil,
06:40dois com o ex-presidente Lula,
06:42um e meio com o ex-presidente Dilma,
06:44que o presidente Temer
06:47completou os últimos dois anos
06:49do mandato,
06:50eu vejo que não tem essa versão.
06:54O militar como eleitor,
06:59ele vota em quem ele quiser,
07:00ele tem liberdade para votar
07:02em quem ele quiser.
07:03E as Forças Armadas,
07:06elas se mantêm
07:07numa postura institucional
07:09e profissional
07:09que não...
07:12Força Armada
07:12não tem nenhuma atribuição,
07:15nem direito
07:15de sugerir aprovação
07:17ou desaprovação
07:18de partidos
07:19ou de candidatos.
07:20Força Armada
07:23Legenda Adriana Zanotto
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