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  • há 7 meses
No Papo Antagonista, Claudio Dantas e Mario Sabino comentaram as declarações de Nelson Teich na CPI da Covid sobre a pressão exercida por Jair Bolsonaro para que o uso da cloroquina fosse liberado sem critérios.

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Transcrição
00:00Vamos ver aqui um trechinho do doutor Rubens lá na CPI, o Freitas, ele dizendo por que pediu demissão.
00:08Antes da minha saída do Ministério de São Público, elas trevas basicamente a constatação de que eu não teria autonomia e liderança que imaginava indispensáveis ao exercício do cargo.
00:18Essa falta de autonomia ficou mais evidente em relação às divergências com o governo quanto a eficácia e extensão do uso do medicamento de cloroquina para o tratamento do Covid-19.
00:27Enquanto a minha convicção pessoal, baseada nos estudos, que naquele momento não existia evidência de eficácia para liberar, a gente vai falar um pouco sobre isso.
00:39Existia um entendimento diferente do parado do presidente, que era amparado na opinião de outros profissionais, até do Conselho Federal de Medicina, que naquele momento autorizou a extensão do uso.
00:51E isso aí foi o que motivou a minha saída.
00:58Sem a liberdade para conduzir o Ministério, conforme as minhas convicções, optei por deixar o cargo.
01:04Agradecendo ao presidente o convite e a oportunidade de exercer a função, na esperança de ter deixado alguma contribuição com os estudos iniciados e com as diretrizes traçadas.
01:14Antes do teu comentário, eu vou acrescentar o seguinte.
01:23Ele, durante a CPI, foi questionado sobre o uso da cloroquina, se seria um crime.
01:32Ele falou que não.
01:34Ele acha que é um erro apenas.
01:36Ele diz assim, em relação à parte ética, essas pessoas acreditam no que estão fazendo.
01:40Mas a minha impressão é de que a prescrição é inadequada.
01:43Na minha opinião, seria mais uma questão em relação à competência do que uma coisa criminal.
01:48As pessoas estão morrendo.
01:50Tem gente aí que está fazendo, além de morrer, porque eu uso um negócio que não faz efeito,
01:55tem gente que usou muito a cloroquina e acabou com efeitos, sofrendo os efeitos colaterais da cloroquina.
02:02Inclusive, já há relatos aí na imprensa de até de pessoas que precisaram fazer transplante de fígado por causa do uso disso.
02:13Como que não é uma coisa criminal, né, Mário?
02:16São duas coisas aí que nós precisamos explicar.
02:20Eu acho que essa fala do Nelson Teich, ela sobrepõe, ou melhor, do doutor Rubens,
02:26sobrepõe duas coisas que são, do ponto de vista legal, diferentes.
02:31Uma coisa é a autonomia do médico para receitar a cloroquina.
02:37Está em discussão no meio médico.
02:39Uma boa ala defende que o médico pode adotar tratamentos que ele julga adequados,
02:48apesar da falta de evidência científica, enfim, baseado no, sei lá, no quê?
02:53No TIN, enfim.
02:57Eu acho isso duvidoso, eu acho que não pode.
03:00Eu acho que se há estudos comprovando que a cloroquina não tem eficiência
03:05e que pode ameaçar a saúde do paciente,
03:08inclusive da parte da Organização Mundial de Saúde,
03:11independentemente de eu gostar ou não gostar da Organização Mundial de Saúde,
03:16eu acho que o médico não poderia prescrever a cloroquina.
03:20Então, assim, o Conselho Federal de Medicina, enfim, as associações todas biomédicas deviam proibir o uso de cloroquina.
03:29Isso é um, eu acho que teria que ocorrer.
03:32A outra coisa é o crime do presidente da República, que ele não é médico.
03:39Ele não tem competência nem próxima de ficar prescrevendo cloroquina.
03:47E, em vez de comprar vacina, fabricar cloroquina e servir como garoto propaganda de um remédio
03:54que, inclusive, pode fazer mal à saúde.
03:55Aí é outra coisa.
03:58Aí o crime está claro.
03:59Da parte médica, é preciso que as associações médicas, os conselhos médicos,
04:05as lideranças médicas, estabeleçam ali limites para...
04:11Olha, isso aqui não pode usar.
04:13Eu acho que deveria ocorrer.
04:16De uma maneira, assim, de cima para baixo.
04:19A proibição e acabou.
04:21Agora, do lado do presidente da República,
04:24independentemente disso, o crime, para mim, é evidente.
04:28Ele fez propaganda enganosa, uma propaganda irresponsável,
04:33criminosa, assassina, de um remédio que não funciona
04:38e que pode, inclusive, agravar ainda mais o estado de saúde de um paciente de Covid.
04:45Então, são coisas diversas.
04:48Bom, o próprio Nelson Teich, em relação à questão da autonomia médica,
04:52ele fala que o problema que eu vejo em relação a você liberar medicamentos
04:57de uma forma indevida é que você não sabe como eles vão ser usados.
05:00Você não sabe se a dose vai ser alta,
05:03você não sabe como isso vai acontecer no dia a dia.
05:05Até para proteger a sociedade, você tem que ter cuidado.
05:08A autonomia médica assume que todo médico tem conhecimento máximo
05:11sobre tudo que ele faz.
05:13Se isso não é verdade, a autonomia médica tem que ser avaliada e acompanhada.
05:16Quando você permite que uma pessoa utilize de forma inadequada
05:19os recursos, de alguma forma, você pode estar prejudicando a sociedade.
05:23Quer dizer, de fato, é uma questão que não está pacificada.
05:30E, em relação a isso, ele também faz críticas ao próprio Conselho Federal de Medicina.
05:37Segundo ele, teve uma postura inadequada ao não reprovar o uso da cloroquina.
05:43Ele disse assim, olha, acho uma postura inadequada porque pode estimular o uso de um remédio
05:47que a gente não tem comprovação em condições em que o paciente pode estar mais exposto
05:52a não ter os cuidados necessários para o uso do medicamento.
05:55Então, eu sou o contrário.
05:58Ele, ele...
06:00A gente aqui até faz a...
06:01Lembra, né?
06:03Da...
06:04Que esse negócio da cloroquina
06:05avançou de tal maneira que
06:08chegaram a prescrever, teve gente aí prescrevendo nebulização de cloroquina.
06:12Mas, olha aqui...
06:13E muita gente morreu, né?
06:15Exato.
06:15Então, na sequência, o doutor Rubens
06:18separou as coisas, né?
06:21O que não pode é a manchete confundir, assim.
06:24Parece que o Nelson Teich, o doutor Rubens,
06:27está defendendo o Bolsonaro.
06:29Não, ele não está defendendo o Bolsonaro.
06:30Ele está falando de coisas diferentes.
06:31Da parte médica, como não há autonomia médica,
06:34não tem nenhuma restrição,
06:36neste caso,
06:37formal,
06:39deveria ter moral, né?
06:40Mas muitos não têm.
06:41Então, isso não configuraria crime
06:45da parte do médico que receita.
06:47Mas da parte do presidente da república,
06:49isso não é ele que está dizendo,
06:50sou eu e todas as pessoas sensatas, né?
06:53Que não...
06:54Enfim.
06:56Que aí sim, o presidente não pode...
06:58O presidente não pode nem receitar aspirina,
07:01muito menos cloroquina, né?
07:03Agora, tem um terceiro ponto aí,
07:05Cláudio,
07:05que a gente tem que abordar
07:06é que essa liberdade
07:09que existe no Brasil
07:11para comprar medicamento.
07:14Isso é um absurdo, né?
07:16E não é só no caso da cloroquina,
07:18é a ivermectina também, né?
07:20Que causa muitos danos.
07:23E que também está no tal
07:24do tratamento precoce, né?
07:26Preconizado
07:27pelo Bolsonaro e companhia.
07:30Isso está mostrando
07:32de que é preciso ter controle
07:34na venda de remédios no Brasil
07:35de uma maneira mais efetiva.
07:37Não é possível.
07:38Você entra numa farmácia
07:40e o cara te top de remédio,
07:42faz promoção de remédio, né?
07:44Ah, leve três, pague quatro.
07:46Pague três, leve quatro.
07:48Onde já se viu um negócio desse, né?
07:51Uma coisa é vender livremente, vai,
07:53suplemento vitamínico,
07:55essa besteirada toda.
07:57Isso aí, ok.
07:59Uma aspirina, tá bom.
08:00Mas, pô,
08:02esse tipo de remédio,
08:03vermífugo,
08:04remédio pra cloroquina,
08:07pra quê mesmo?
08:09Pra, originalmente,
08:10pra malária,
08:11qualquer coisa assim,
08:12não dá, né, meu?
08:14Isso aí é um completo absurdo.
08:17Eu me lembro que até
08:18não faz muito tempo,
08:19o antibiótico tinha venda livre
08:21no Brasil.
08:23E aí, agora, não tem mais.
08:25Mas, por exemplo,
08:26você vai pro país da Europa,
08:27você não compra, por exemplo,
08:28estatina,
08:28estatina,
08:30é um remédio pra amida e colesterol.
08:32Você não compra sem
08:33receita médica.
08:36Então, assim, tá, ok.
08:37O Brasil é um pouco complicado,
08:39porque, pô,
08:40receita médica,
08:41SUS,
08:41mas algum controle
08:43tem que haver
08:44na venda de medicamentos.
08:46Aquela tarsa vermelha,
08:48por exemplo,
08:48é o queada no Brasil.
08:50Venda sobre prescrição,
08:51mentira.
08:53É mentira.
08:53Agora, vai saber
08:55como é que funciona
08:57o lobby
08:58da indústria farmacêutica
08:59no Brasil.
09:00O que a gente
09:00tá assistindo hoje
09:01é o resultado
09:03dessa liberdade
09:04absurda
09:06que nós temos aqui
09:07de comprar remédio
09:08a granel
09:09e o que a gente quiser.
09:11Entende?
09:12As farmácias fazendo,
09:14pondo ivermectina
09:15nas vitrines,
09:16nas prateleiras.
09:17É um crime também, viu?
09:21As redes,
09:22as drogarias,
09:24elas também estão...
09:26O presidente estimulou,
09:29certo?
09:30E as redes aproveitaram
09:32pra faturar.
09:33Eu acho, inclusive,
09:34que os donos
09:35das redes de farmácia,
09:37das drogarias,
09:38deviam ser chamados também
09:39na CPI da Covid
09:40e ser responsabilizados
09:42por esses absurdos.
09:46Veja,
09:46eu sou pelo livre mercado,
09:48não tem nada de socialismo
09:49nessa história.
09:50Tem é de responsabilidade.
09:52Não dá.
09:53Ainda mais
09:54numa situação
09:55em que você tá
09:56enfrentando uma doença
09:57que você não conhece,
09:59né?
10:00E os testes
10:02estão sendo feitos,
10:03você tá desenvolvendo vacina,
10:05você tá fazendo estudo.
10:07Não há...
10:09É muito diferente
10:09até de drogas
10:11que já estejam consolidadas
10:12pra determinado uso, né?
10:14Então,
10:15de fato
10:16é muito grave.
10:18E você mencionou
10:19um aspecto importante
10:20que é justamente,
10:21é que é disso que se trata
10:22efetivamente a CPI,
10:23que é a responsabilização
10:24do Bolsonaro
10:25e de outros agentes públicos
10:28que
10:28integraram
10:29essa
10:30sua gestão
10:33bárbara, né?
10:35Que já
10:35colheu aí
10:36a vida
10:36de mais de
10:37411 mil pessoas.
10:39Hoje já devemos
10:40chegar perto
10:40de 415 mil.
10:45E aí
10:50Obrigado.
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