Pular para o playerIr para o conteúdo principal
  • há 8 meses
A participação de Jair Bolsonaro em manifestação pelo fechamento do STF e do Congresso é o tema do novo programa de Claudio Dantas, que traz um debate com Paulo Kramer (professor de Ciência Política) e Thiago de Aragão (analista político da Arko Advice).

Em entrevista exclusiva, o advogado e doutor em Geografia Luiz Ugeda, presidente da Comissão de Geodireito da OAB-SP, alerta para o risco da MP 954/20, que dispõe sobre o uso de dados de celulares de todos os brasileiros.

E o repórter Diego Amorim fala das negociações de Bolsonaro com o Centrão para a entrega de cargos.
--
Cadastre-se para receber nossa newsletter:
https://bit.ly/2Gl9AdL

Confira mais notícias em nosso site:
https://www.oantagonista.com

Acompanhe nossas redes sociais:
https://www.fb.com/oantagonista
https://www.twitter.com/o_antagonista
https://www.instagram.com/o_antagonista

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:00O que vocês estão aqui porque acreditam no Brasil?
00:30Nós não queremos negociar nada, nós queremos reação pelo Brasil, todos nós juramos
00:42um dia da vida pela pátria e vamos fazer o que for possível para mudar o destino
00:49do Brasil, cheio da velha política.
00:54Eu estou ameaçando, longe de ameaça, não tem ameaça nem a parte, agora se desviar-se
01:00daquilo que eu prometi durante a pré-campanha e a campanha, lamentavelmente está no governo
01:06errado, vá para outro barco, vá tentar em 2022.
01:09Muito boa noite, bem-vindos ao Gabinete de Crise comigo, Cláudio Dantas, hoje dia 20 de
01:33abril, segunda-feira e mais um domingo agitado aí, vocês puderam ver no início do nosso
01:39programa o vídeo do Bolsonaro subiu numa caminhonete para falar aos manifestantes que foram para
01:46a frente do quartel-general do Exército pedir o fechamento do Congresso e o fechamento do
01:51Supremo.
01:51Bolsonaro, apesar de Bolsonaro jogar para a torcida, hoje desmentiu, disse que não,
01:57falou ali com, não, não tem esse negócio aqui não, aqui é democracia.
02:02E aí o pessoal fica perguntando, olha, que isso, né?
02:05É o que afinal?
02:07Na verdade, gente, olha, tem um comportamento aí que vem se repetindo do Bolsonaro nos últimos
02:12meses e a gente fez um vídeo especial, uma reportagem especial aí do CD Silva sobre esse
02:18comportamento.
02:20É democracia ou não é democracia?
02:24Vamos ao vídeo.
02:25Em frente ao quartel-general do Exército, no dia do Exército, militantes pediam o fechamento
02:31do Congresso e do STF.
02:33Algumas faixas idênticas diziam intervenção militar já com Bolsonaro.
02:39E o presidente diz...
02:40Rodrigo Maia respondeu que enquanto o mundo inteiro está unido contra o coronavírus,
02:54no Brasil temos de lutar contra o corona e o vírus do autoritarismo.
02:58Nesta segunda-feira, dia 20, o Procurador-Geral da República, Augusto Aras, solicitou ao STF
03:04a abertura de um inquérito para apurar possíveis crimes na organização das manifestações
03:09de domingo, inclusive por parte de deputados federais ainda não especificados.
03:15É curioso, já que Bolsonaro não é deputado federal desde o fim de 2018, quando Juan Guaidó
03:21ainda não havia se declarado presidente, Abraham Weintraub era um professor desconhecido e
03:27o Cruzeiro ainda jogava na Série A.
03:29O Brasil parece viver o Dia da Marmota, retratado no filme Feitiço do Tempo.
03:34O presidente rompe a quarentena, cumprimenta manifestantes a favor de um golpe, Rodrigo
03:40Maia condena o comportamento, nada acontece, rebobina a fita.
03:44Boa noite.
04:05Boa noite, professor Paulo Kramer, professor de Ciência Política, Tiago de Aragão, analista
04:11político da Arco Advice.
04:14Muito obrigado por vocês toparem a convocação aqui para o Gabinete de Crise, uma boa noite.
04:20Nós estamos vivendo hoje ainda o reflexo do que aconteceu ontem com protestos em vários
04:29lugares, vários lugares do país, mas especialmente aqui em Brasília, um protesto, uma manifestação
04:36pedindo a intervenção militar, pedindo a I-5, isso na frente do QG do Exército, manifestação
04:44que acabou contando com a presença do presidente Jair Bolsonaro, o que obviamente aí então é
04:51igual aquela história de jogar gasolina na fogueira.
04:53Então, primeiramente, eu gostaria de ter uma análise de cada um em relação a esse
04:59cenário político que estamos vivendo em meio a uma pandemia, a uma crise sanitária, com
05:06vertentes na política, na economia, uma coisa global e especialmente aqui no Brasil, na nossa
05:14realidade.
05:15Vocês concordam com a postura do presidente?
05:20Como vocês avaliam essa participação do presidente, aquilo que foi dito?
05:26Hoje ele tentou já recuar um pouco naquilo que ele disse, mas é mais ou menos o modus
05:31operandi do Bolsonaro nessas situações.
05:34Então, por favor, análise primeiro do professor Paulo aqui por uma questão de idade.
05:40O mais novo, né?
05:42Claro.
05:42Claro, o mais novo.
05:43E o Tiago na sequência.
05:45Tá certo.
05:46Olha, boa noite a todos.
05:47Boa noite, Cláudio.
05:48Boa noite, Tiago.
05:49Veja só, como você lembrou, o Bolsonaro tem esse modus operandi de esticar e afrouxar
05:54a corda.
05:55A gente já viu isso, a gente já conhece esse script, né?
05:58Estamos familiarizados com esse script desde o ano passado.
06:03O que o Bolsonaro faz e diz, tão importante quanto isso, é o que ele não faz e ele não
06:09diz.
06:10Eu acho que a gente precisa prestar atenção também nas coisas que ele não diz.
06:13Então, por exemplo, ele em nenhum momento endossou os objetivos oficiais daquela manifestação,
06:21né?
06:21Que é a volta do AI-5, o fechamento do Congresso, o fechamento do Supremo, né?
06:25Ele em nenhum momento endossou, ele sequer mencionou os objetivos daquela manifestação, né?
06:33Isso é muito importante, inclusive dando margem para aquele recuo que ele hoje já cometeu, né?
06:39Dizendo que não, é importante que o Congresso e o Supremo permaneçam abertos.
06:44Ele fez essa declaração hoje, né?
06:48Então, o Bolsonaro age, o Bolsonaro age assim.
06:53Ele procura sempre, ao radicalizar, inventar uma margem de manobra para que ele possa voltar
07:00atrás.
07:01E, nesse caso, como eu já comentei na newsletter que eu distribuí para os meus clientes, o Bolsonaro
07:10ontem, ele fez um head, ele procurou se proteger perante esse público raiz dele, esse público
07:19bolsonarista mais aguerrido, que vai nas manifestações apesar da pandemia, né?
07:25Então, qual é o head?
07:26É porque ele subliminarmente está avisando ao pessoal dele o seguinte, olha, pessoal,
07:30para eu sacanear o Rodrigo Maia, eu vou precisar contar com o pessoal do Centrão, e vocês
07:36precisam compreender isso.
07:37E eu acho que a galera dele compreende.
07:40Bom, o que o professor Paulo Kramer falou é bem isso, vai bem nessa linha.
07:48O Bolsonaro, ele tem uma narrativa, que ela é uma narrativa geralmente inconclusiva.
07:53Então, nos momentos onde ele busca confrontar com mais força, ele, ao mesmo tempo, não
07:59traz uma conclusão para a própria narrativa dele.
08:02Ele deixa a conclusão em aberto e que deixa ali algumas oportunidades.
08:07Tão de voltar atrás quanto de questionar a interpretação que a imprensa deu para a narrativa inconclusiva dele.
08:15E aí ele se coloca no caminho oposto à interpretação tomada, seja pela imprensa, seja por alguém no qual ele não concorda.
08:24Então, a narrativa do Bolsonaro de confrontação, ela exige que não recaia sobre ele a necessidade de tomar uma decisão em cima daquele tema.
08:37Então, por exemplo, como nós olhamos, quando ele fala sobre a cloroquina, por exemplo, já está mais do que debatido no país.
08:44Quem decide sobre a cloroquina é o médico que está atendendo determinado paciente.
08:49Ele tem o poder de receitar ou não esse remédio.
08:52Não se trata de uma decisão política se a cloroquina vai ser receitada ou não.
08:57Então, isso é mais um exemplo de algo inconclusivo, no qual a reação dos outros em cima do que ele fala,
09:06dá abertura para ele se reposicionar conforme necessário.
09:10Além da cloroquina, a questão da quarentena.
09:13Uma grande proteção ao presidente Bolsonaro é o fato de que a decisão da quarentena não recai sobre ele.
09:19Então, como a decisão não recai sobre ele, ele tem a tranquilidade de tomar um posicionamento forte em relação à quarentena,
09:28já que ele não precisa ser conclusivo em relação à quarentena.
09:31Ele joga isso no colo dos governadores.
09:34E, nesse sentido, ele divide o problema em dois.
09:37Isso é uma divisão natural que muitas pessoas estão fazendo.
09:41É o problema econômico e o problema sanitário.
09:43O problema econômico é mais fácil de, pós-coronavírus, de ser um problema nacionalizado.
09:51E aí é o temor dele de que isso caia no colo dele.
09:53Já o problema sanitário consegue ser estadualizado por conta das decisões de quarentena
09:59que não recaem sobre o Bolsonaro, mas recaem sobre os governadores.
10:02Então, se um governador for bem-sucedido numa quarentena e tiver um número de mortes baixo,
10:09mesmo assim, o problema econômico vai ser alto e aí é onde ele tenta fazer essa antagonização com o governador.
10:17Agora, caso o número de mortes seja muito alto, mesmo com quarentena ou sem quarentena,
10:23ele pode jogar de novo a culpa em cima do governador e dizer que na questão da economia
10:28não havia nada que ele poderia fazer, porque o fruto inicial de todo o problema
10:34partiu dos estados e não necessariamente de uma decisão dele.
10:38Isso explica por que a gente não vê nenhuma medida concreta em reação,
10:44por parte de outros atores políticos, em reação a essas atuações dele?
10:51A gente só vê notas de repúdio e mais nada?
10:59Bom, eu vou tomar a dianteira nessa.
11:02A antagonização do Bolsonaro, a confrontação só vale a pena
11:07se alguém aceita levar a confrontação no mesmo nível.
11:12Então, ele precisa de alguém que aceite a confrontação com ele e leve isso adiante.
11:16Por isso que a questão do PT nas eleições de 2018 foi chave para ele,
11:25porque foi uma confrontação que o PT estava disposto a carregar até o fim.
11:29Então, aí não existia uma conclusão ao debate a não ser a vitória do Bolsonaro
11:36pela própria deslegitimação que o PT chegou a ter.
11:40Hoje, quando o Bolsonaro cria uma confrontação, seja com o Maia, seja com o Dória,
11:44isso só é válido à medida que ou o Maia ou o Dória decidam entrar na confrontação e levar adiante.
11:54O Maia acaba desarmando essa estratégia do Bolsonaro quando ele decide não entrar em confrontação.
12:01Já o Dória, na medida que ele responde numa coletiva seguinte ou numa entrevista,
12:06ele está basicamente alimentando aquilo que torna o Bolsonaro mais forte,
12:10que é a confrontação que obriga o terceiro a escolher um lado ou outro.
12:16A gente tem que se lembrar que um terceiro só escolhe um lado ou outro
12:20se ele vê uma equivalência de força entre os dois lados, e aí ele escolhe o mais forte.
12:24Se ele vê uma equivalência desproporcional, você não precisa escolher entre um e o outro,
12:29você passa a decidir se está certo ou errado aquele que está trazendo a narrativa principal.
12:35E é isso que o Bolsonaro não quer.
12:37Professor, a gente percebe que muitas vezes essas atitudes radicalizadas,
12:44essa forma de agir no confronto,
12:48acaba legitimando justamente aquelas forças políticas que se pensava combater,
12:55ou pelo menos os eleitores, quando votaram no Bolsonaro, pensavam estar combatendo.
13:00Então, não é uma contradição você fortalecer o seu inimigo dentro desse processo?
13:08Você acabar tendo de ver alguns atores no Judiciário, ministro do STF, deputados, senadores,
13:17até ex-presidiários defendendo a democracia, defendendo as suas práticas políticas?
13:23Olha, o Bolsonaro, mais uma vez, eu volto àquele ponto inicial de que o Bolsonaro,
13:33a gente precisa prestar atenção no que ele não faz e o que ele não diz também.
13:37Na verdade, imputam a ele ser inimigo da democracia, ele ser uma ameaça às instituições,
13:47mas, na verdade, como uma vez num artigo brilhante que o José Roberto Guzzo escreveu há algum tempo,
13:55me apontem um movimento do Bolsonaro para censurar alguma publicação,
14:00me apontem um ato do Bolsonaro para violar os direitos humanos de quem quer que seja.
14:08Então, eu acho que essa ambiguidade, como lembrou aí o Tiago, é muito instrumental para ele.
14:14Por quê? Porque, quando a imprensa especula violentamente que ele está indo numa direção
14:22e até alguns palacianos alimentam esse noticiário de bastidor,
14:29e ele faz justamente o contrário, ele tem mais uma oportunidade para chegar para o público dele e dizer assim,
14:35está vendo, pessoal, fake news.
14:37Vocês acham que ele conseguiu usar essa estratégia de uma forma bem-sucedida na demissão do Mandetta,
14:49considerando que a gente está, extrapola o campo político, o campo da briga política e passa a lidar com a vida das pessoas?
14:59Claudio, a questão do Mandetta, eu acho que talvez foi uma das primeiras vezes onde essa estratégia não funcionou tão bem.
15:08Por quê?
15:10Existem duas lógicas. Existe a lógica do monólogo e a lógica do debate.
15:14Quando uma pessoa faz um monólogo, quem assiste tende a pensar se esse monólogo está certo ou errado.
15:21Quando uma pessoa assiste a um debate, ela tende a pensar se A ou B está certo.
15:27Então, todas as vezes que o Bolsonaro engatou numa confrontação com alguém,
15:32o outro lado acusou o golpe e iniciou-se assim um debate.
15:36Então, foi assim com o Lula na campanha, foi assim com vários outros ao longo de 2019,
15:41é assim, eventualmente, com o Maia, é assim que o Dória está alimentando isso.
15:45No caso do Mandetta, a ausência da confrontação do Mandetta,
15:51ou talvez uma confrontação que foi um pouco mais leve, num tom diferente do que a do Bolsonaro,
16:00criou uma interpretação na cabeça de muitas pessoas,
16:04de que aquilo se tratava de uma decisão entre o certo e o errado do próprio Bolsonaro,
16:09e não um debate de posicionamento entre Bolsonaro e Mandetta acerca de um terceiro tema.
16:15que, nesse caso, seria o isolamento social.
16:17Então, no caso do Mandetta, a isca de jogar para uma confrontação
16:22para você se alimentar do erro do outro ou desacreditar o outro
16:27em emitir uma posição, como é algo que o Bolsonaro faz muito bem,
16:32não funcionou tanto e fez com que uma ampla maioria das pessoas,
16:38e até os bolsonaristas que apoiam fortemente o governo,
16:42não se sentissem confortáveis com essa demissão.
16:45Até porque hoje ninguém entende muito bem a razão pela demissão,
16:49se isolamento, se a quarentena não cabe ao Ministério da Saúde,
16:53se a decisão de tomar cloroquina ou não não cabe ao Ministério da Saúde,
16:58e basicamente a função do Ministério da Saúde é comunicar e comprar equipamentos.
17:03Então, nessa questão específica, a estratégia do Bolsonaro talvez não tenha funcionado tão bem
17:09como funcionou em algumas outras ocasiões.
17:13Eu acho que, corroborando isso que o Tiago falou,
17:19vocês vejam que a popularidade do Mandetta continua...
17:24A gente sabe que isso é fugaz, mas, de qualquer maneira, neste momento,
17:27a popularidade do Mandetta nas pesquisas é superior ao do Bolsonaro.
17:31E uma parcela significativa do público entrevistado pelo Datafolha e pelos outros institutos
17:37condenou a decisão de afastar o Mandetta.
17:40O meu questionamento dentro dessa questão do Mandetta também vai na linha de que não é a principal ocorrência
17:53de uma demissão barulhenta.
17:59A gente tem aí um histórico, na verdade, de demissões barulhentas do governo.
18:03Parece que toda demissão é preciso causar algum tipo de drama em torno dessa demissão,
18:12com humilhações públicas, enfim.
18:15E isso é visto, pelo lado de fora, como um tiro no pé.
18:22Um tiro no pé.
18:24O Bolsonaro, quando trata essa questão,
18:29conduzindo o país durante uma crise como essa,
18:35cometendo essas atitudes de ir na população,
18:39abraçar as pessoas, beijar, desafiando, vamos dizer assim,
18:45as diretrizes da OMS, diretrizes, aliás, que é bom que se diga,
18:49que foram internalizadas pelo governo, pelo Congresso Nacional,
18:54promulgadas pelo Executivo, inclusive com a atualização,
18:59agora em janeiro, pouca gente sabe, mas já 30 de janeiro,
19:02foi promulgada a atualização das diretrizes da OMS,
19:05justamente em função do combate à Covid-19.
19:10O Bolsonaro, a pergunta é simples,
19:12Bolsonaro é o líder da oposição?
19:16Oposição a ele mesmo?
19:20Isso, dentro dessa ambiguidade, dentro da qual ele se move,
19:24isso muitas vezes faz sentido.
19:26Quer dizer, eu já cheguei a dizer que o Bolsonaro, às vezes,
19:29se parece com o líder de um governo no exílio,
19:31o governo dele mesmo.
19:34Esses ministros, esses secretários, esses diretores,
19:38são do governo dele.
19:39Mas isso faz parte do show dele,
19:42isso faz parte da estratégia de manter sempre vivo o carisma dele.
19:47É, Cláudio, o governo Bolsonaro é um governo de convicções,
19:53é um governo de convicções pessoais.
19:56E a trajetória do Bolsonaro como político é uma trajetória onde
20:00o que sempre o catapultou para uma situação de popularidade
20:05foi o fato de externar convicções que iam contra o senso comum.
20:10Então, a grande oposição ao Bolsonaro, na verdade,
20:15é o contrário das convicções que ele sempre carrega.
20:20Então, cada vez que nós temos uma temática nova em debate,
20:23ele emite a sua convicção,
20:26e a oposição é formada por aqueles que discordam da convicção
20:30no qual ele abraçou.
20:33Por isso que a oposição é fluida,
20:35ela algumas vezes contém adversários,
20:38às vezes contém aliados,
20:40às vezes contém pessoas do Palácio
20:43que por conta dessa briga acabam sendo demitidos,
20:46pessoas do governo que se indispõem,
20:48porque a oposição não é sólida a um conjunto de ideias,
20:52e a aliança também não é sólida a um conjunto de ideias.
20:56A aliança daqueles que apoiam o Bolsonaro
20:58é uma aliança em cima da confiança da convicção dele.
21:02Ou seja, os grandes aliados do Bolsonaro
21:06transferiram as suas próprias convicções de decisão
21:09às intuições históricas e convicções que o presidente tem.
21:14Então, quem se coloca contra determinada convicção,
21:18dependendo da temática,
21:20se torna oposição naquele determinado momento.
21:23Ou a pessoa pode adotar essa oposição
21:26numa questão, num movimento silencioso,
21:30e passa quando o assunto troca,
21:32ou se decide externalizar isso,
21:35aí se torna potencialmente um alvo,
21:38e aí é onde a confrontação ganha o jogo.
21:41Então, é como se cada rodada
21:43num jogo de tabuleiro,
21:45um novo assunto fosse jogado na mesa,
21:48o Bolsonaro pega o seu ponto
21:50e espera para ver quem vai pegar o ponto contrário.
21:53Quem pega o ponto contrário
21:55se torna um antagonista daquela determinada situação.
21:58Agora, o Bolsonaro, mais uma vez,
22:03o Bolsonaro, fiel mesmo,
22:06é sempre ao público raiz dele.
22:10Ele mantém essa fidelidade.
22:12Então, a gente vê em episódios do ano passado,
22:15quando ele jogou a isca
22:18e esse público raiz bolsonarista reagiu mal,
22:23ele recuou.
22:23Por exemplo, a indicação do filho Eduardo
22:25para a embaixada em Washington.
22:28E também a possibilidade de afastamento
22:31do Sérgio Moro.
22:33Também me pareceu isso.
22:34E, da parte do Moro,
22:35houve também, a gente notou,
22:36um certo recuo.
22:38O Moro, circunspectamente,
22:41recuou daquilo que pudesse vir
22:43aparecer uma atitude de antagonismo,
22:45de confronto com o Bolsonaro,
22:46e está aí até hoje.
22:48Verdade, exatamente.
22:50Hoje, inclusive, o Bolsonaro,
22:51na saída do Alvorada,
22:54voltou a falar de alguns ministros e tal,
22:57e a gente identificou que ele estava falando
22:58justamente de uma medida que foi tomada,
23:00ou que o Moro queria tomar,
23:04até como decorrência
23:06de uma portaria interministerial,
23:08que, aliás, antecedeu as decisões dos governos
23:11de punir quem violasse
23:16os regimes de distanciamento social.
23:21A primeira iniciativa foi justamente
23:24do governo federal,
23:26com uma portaria interministerial do Moro,
23:29assinada junto com o Mandetta,
23:32ali cogitando, inclusive,
23:33a prisão de pessoas que desrespeitassem isso,
23:36ou essa prisão sendo comutada ali
23:38um compromisso da pessoa ficar em casa
23:41como se fosse mais alerta.
23:44Mas, enfim,
23:45há um questionamento presente
23:48nesse comportamento do presidente da República
23:52que tem a ver um pouco
23:53com o que o Tiago falou no início,
23:56de assumir responsabilidades,
23:58ou transferi-las a terceiros.
24:00E eu percebo isso,
24:04gostaria de saber
24:04se vocês concordam com essa visão ou não,
24:07justamente em relação a esses dois aspectos
24:10que nós estamos vivendo
24:11que são decorrentes dessa crise.
24:13Os aspectos da perda de vidas
24:15em função dessa doença
24:18e dos aspectos econômicos,
24:21perda de empregos, etc.
24:22Então, a gente percebe nesse comportamento
24:25uma vontade de transferir a responsabilidade,
24:33não só para os governadores,
24:35como o Tiago mencionou,
24:36mas também para o Congresso.
24:38A gente sabe que não tem Santos no Congresso,
24:40muito pelo contrário.
24:41Na sexta-feira,
24:42eu fiz esse programa aqui
24:43questionando justamente
24:44a iniciativa do Congresso
24:46de ajudar os estados
24:47a colocar a mão em quase mais 100 bi
24:49do orçamento,
24:51forçando a barra,
24:52aumentando o prazo
24:53de três para seis meses,
24:54o prazo de ajuda emergencial,
24:56um questionamento
24:57que vai,
24:58que coloca em debate
24:59se as mudanças estruturais
25:01são mudanças estruturais
25:02ou mudanças emergenciais,
25:04ou planos emergenciais.
25:05Tudo isso a gente sabe,
25:07nós não estamos lidando com o Santos,
25:08muito pelo contrário.
25:11E há nesse comportamento,
25:14pelo menos,
25:14essa percepção.
25:16Vocês concordam com isso?
25:17Eu concordo com aquilo
25:22que o Tiago falou no comecinho,
25:24que é a tendência do Bolsonaro
25:28a procurar em quem pendurar a culpa.
25:32Ele, logo que a pandemia começou,
25:34ele, certamente,
25:38percebendo as consequências econômicas
25:40de médio e longo prazo,
25:41ele tomou a posição
25:44contra o isolamento horizontal,
25:46contra medidas radicais
25:48de quarentena,
25:49porque,
25:52quando vier a crise econômica
25:53mais forte,
25:54e ela virá,
25:56ele tem
25:57pra quem apontar o dedo.
25:58Então, eu acho que esse
25:59é um comportamento
26:02recorrente do
26:03Bolsonaro, sim.
26:05Não sei o que o Tiago
26:06gostaria de acrescentar.
26:07Não,
26:08esse é um comportamento
26:10recorrente
26:11do nosso país.
26:13O Brasil,
26:14historicamente,
26:15ele tem um,
26:16ele dedica um esforço
26:17muito maior
26:18na busca pela justificativa
26:20do problema
26:21do que pela solução
26:22do problema.
26:24E, parece,
26:24nós criamos
26:25um sentimento coletivo
26:26de que,
26:27se o diagnóstico
26:30da justificativa
26:31do problema
26:32não se encaixa
26:33com uma culpa pessoal,
26:34logo,
26:35o problema está resolvido.
26:36já que eu não tive
26:37nada a ver com o problema,
26:38bola pra frente
26:39e vamos partir pro próximo.
26:41Então,
26:41isso é um problema
26:42muito grave
26:43porque é fácil
26:44você jogar
26:45a dúvida
26:46na sociedade
26:47sobre a origem
26:49do problema
26:49e de quem foi o erro,
26:51a culpa do problema,
26:52quando nós temos
26:53um sistema político
26:54que, mesmo
26:55a parcela mais educada
26:57da sociedade,
26:58não tem a menor ideia
26:59de como funciona.
27:00Então, a partir do momento,
27:01por exemplo,
27:02e também sem entrar no mérito
27:03se o Maia é bom
27:05ou é ruim,
27:06mas quando ele é
27:07identificado como
27:09a personificação
27:11da oposição
27:12ao Bolsonaro,
27:13na verdade,
27:14está cometendo
27:15um erro
27:16porque
27:16a função primordial
27:19do Maia
27:20é colocar
27:20para votar
27:21temas
27:22onde quem vota
27:23a favor
27:24ou contra
27:25do governo
27:25são os próprios aliados
27:27e os deputados
27:28que também,
27:28muitas vezes,
27:29da base aliada
27:30do Bolsonaro,
27:31decidiram mudar
27:33o plano Mansueto,
27:35mudar o volume
27:36de dinheiro
27:37que é dado
27:37aos estados,
27:38mudar os termos
27:40no qual
27:40esse valor
27:41é passado
27:42aos estados.
27:43Então,
27:44a nossa síndrome
27:46messiânica
27:47do sebastianismo
27:50de que um indivíduo
27:51tem o poder
27:52de decisão
27:53completo,
27:54ela faz com que,
27:55muitas vezes,
27:55nós façamos uma leitura
27:57de que o Congresso,
27:58na verdade,
27:59funciona na base
28:00de uma decisão
28:01de um indivíduo,
28:02que o judiciário
28:04funciona na base
28:05da vontade
28:05de um indivíduo
28:06e que o executivo
28:08também.
28:09Só que,
28:09na prática,
28:09não é assim.
28:10Agora,
28:11a narrativa
28:12do Bolsonaro,
28:13ela induz
28:14parte do eleitor
28:15a pensar
28:16que existe
28:17sempre uma
28:18conspiração
28:19por trás
28:20do fato.
28:21Isso que,
28:21uma vez,
28:22eu até escrevi
28:22um artigo
28:23dizendo que é
28:23nossa síndrome
28:24de noveleiro.
28:25Nós somos
28:26uma sociedade
28:26que cresceu
28:27assistindo novela
28:28onde nada
28:29acontece
28:30pelo simples
28:30fato de acontecer
28:31ou porque
28:32deu errado.
28:33Sempre tem
28:34alguém por trás
28:35que,
28:35de uma forma
28:36brilhante,
28:37manipulou as coisas
28:38para que chegássemos
28:39a determinado ponto.
28:41E isso alimenta
28:42muito do imaginário
28:43que o brasileiro
28:44tem em relação
28:44à Brasília
28:45de como as coisas
28:46funcionam em Brasília.
28:48São os vilões
28:49e vilãs
28:51da Janete Clare.
28:53E muito do que
28:54você falou,
28:55Tiago,
28:56quer dizer,
28:56várias dessas
28:57votações
28:57inclusive
28:59as da madrugada,
29:00agora que está
29:01tudo virtual,
29:02está diferente,
29:02mas quando o Rodrigo
29:04gosta de fazer
29:05votação na madrugada
29:06para ninguém
29:06pressionar,
29:07ninguém ver,
29:08mas muitas
29:09dessas votações
29:10partem
29:12de um acordo
29:12do próprio governo
29:14com as lideranças
29:15políticas,
29:16justamente
29:16que isso
29:18depois se consolida
29:18com a sanção
29:19dessas leis
29:20por parte
29:21do próprio presidente.
29:23Exatamente.
29:24Que se faz
29:24vítima daquilo
29:26que ele mesmo
29:26aprovou.
29:27o que ele
29:28veta,
29:29o que ele
29:29deixa de vetar,
29:30que as pessoas
29:31esperam,
29:31algumas pessoas
29:32esperam que,
29:33pô,
29:33ele vai vetar isso
29:34com certeza,
29:34ele vai não
29:35veta.
29:36Não veta.
29:36Agora,
29:37uma coisa que desde
29:38o começo do governo
29:39Bolsonaro me preocupou
29:41nessa,
29:43nesse afã
29:45que ele tem,
29:46né,
29:46de bancar o
29:47Dom Sebastião,
29:48né,
29:49ou de brincar
29:50de Donald Trump,
29:52né,
29:53é o seguinte,
29:53no caso do
29:54Donald Trump,
29:56por incrível
29:56que pareça,
29:57é a maior potência
29:58do mundo,
29:59é um país
29:59super complexo,
30:01mas lá
30:01o sistema
30:02político
30:03é desenhado
30:03para que o
30:04presidencialismo
30:05funcione com
30:06dois partidos,
30:07de maneira que,
30:08se o cara
30:09é democrata,
30:10ele vai ter,
30:10o script é muito
30:11simples,
30:11se eu sou
30:12democrata,
30:12eu vou ficar
30:13contra o Trump,
30:13se eu sou republicano,
30:14mesmo que eu não
30:15goste dele
30:16pessoalmente,
30:16eu vou ter
30:17que ficar com ele.
30:17aqui,
30:18o nosso
30:19presidencialismo,
30:20com essa extrema
30:21fragmentação
30:23multipartidária,
30:24coloca grupos,
30:26aquilo que nós,
30:26na ciência política,
30:27chamamos de grupos
30:28de veto,
30:28né,
30:29cascas de banana,
30:30a cada passo
30:32do processo decisório,
30:33né,
30:33então,
30:34nesse sentido,
30:35é muito mais difícil
30:36governar o Brasil
30:37do que governar os Estados Unidos.
30:40Eu concordo,
30:41absolutamente,
30:41dentro dessa dificuldade,
30:44o Bolsonaro,
30:45ele tem uma aprovação
30:46em torno dos 30%,
30:48isso é um luxo
30:49na América Latina.
30:51Então,
30:51ele tem uma escolha,
30:53ele tem três blocos,
30:55ele tem o bloco
30:56daqueles que vão defendê-lo
30:57independente de qualquer coisa,
30:59ele tem o bloco
30:59daqueles que ficam na dúvida
31:01e variam de acordo
31:02com o tema,
31:03falam assim,
31:03ah,
31:04não gosto dele,
31:05mas gosto do Guedes,
31:06ou não gosto dele,
31:07mas gosto do Tarcísio,
31:08ou essa semana
31:08eu não gosto dele,
31:09mas semana que vem eu gosto,
31:11e você tem o terceiro bloco
31:12que vai ser contra ele
31:13de qualquer forma.
31:15O Bolsonaro é mais arriscado,
31:16tomar decisões
31:18que transitem
31:19nesses três blocos,
31:21porque pode fazer
31:22com que ele perca
31:23o apoio
31:24em todos os três,
31:25ou pelo menos
31:26em dois dos três.
31:28Se ele se prender
31:29a um bloco só,
31:31ele fortalece
31:31a uma forma
31:32onde ele garante
31:34os 30%,
31:35podendo variar
31:3625,
31:3722 ou 30,
31:39ele pode abrir mão
31:40de expandir
31:41esses 30%
31:42muito acima,
31:43mas ele sabe
31:44que com esses
31:4525 a 30%,
31:46ele está blindado
31:47contra qualquer risco
31:48de impeachment,
31:49até o fim do governo.
31:51Porque a fórmula,
31:53a receita do impeachment,
31:54ela parte
31:54de um desejo
31:57generalizado
31:58da maioria
32:00dos eleitores.
32:01Então,
32:02não partiria
32:03com um presidente
32:04tendo 32,
32:0533%
32:06de aprovação.
32:07Então,
32:08ele blinda
32:08dentro de um grupo,
32:10e aí isso volta
32:11para a origem
32:12da conversa.
32:13A razão que ele vai
32:14naquela manifestação,
32:16e como o professor
32:16Paulo bem lembrou,
32:18ele não endossou
32:19literalmente
32:21os elementos
32:22da manifestação,
32:24mas, ao mesmo tempo,
32:25ele endossou
32:26presencialmente,
32:27então você cria
32:28uma ambiguidade
32:29e uma individualização
32:30na leitura.
32:32Quem gosta dele
32:32vai dizer uma coisa,
32:34quem não gosta
32:34vai dizer outra,
32:35mas ele se fortalece
32:36com um bloco,
32:38abrindo mão
32:38do bloco cinza
32:40do meio
32:40e já esquecendo
32:43o bloco radical
32:44do outro ponto,
32:45porque aquilo
32:46é o que vai
32:46proteger ele.
32:48E aí,
32:48você pode,
32:49ele pode calcular
32:51que ele pode
32:53puxar um coelho
32:54da cartola
32:54entre agora
32:55e o final do mandato,
32:57que isso pode fazer
32:58com que ele ganhe
32:59um pouco
33:00daquele grupo
33:01do meio
33:02e faça a diferença
33:03com quem ele
33:04for confrontar
33:05numa eleição,
33:06desde que esse cara
33:07caia e aceite
33:09esse debate
33:10de confrontação
33:11no qual
33:11ele é muito bom.
33:13O que a eleição
33:14não pode virar
33:15para o Bolsonaro
33:16é um referendo
33:17sobre ele mesmo.
33:19Ele tem que virar
33:20uma disputa
33:21entre convicções.
33:23E aí é que o Bolsonaro
33:24já vai chegar
33:25com o bloco dele
33:26dos 25 a 30
33:27mais sólido
33:28do que nunca.
33:29Eu gostaria
33:29de encerrar
33:30e aí eu passo
33:31a palavra
33:31para o professor
33:33Paulo Kramer,
33:34porque,
33:35diante disso
33:36que você colocou,
33:37Tiago,
33:39então,
33:39a gente está
33:41naquela situação.
33:44Não há o risco
33:45de impeachment,
33:47de um impeachment
33:48prosperar,
33:50na falta
33:51de apoio suficiente
33:54para que isso
33:54prossiga,
33:56e se não há
33:56o risco
33:57de impeachment,
33:58não há o risco
33:59de que o Bolsonaro
34:00tome uma atitude,
34:01radicalize,
34:02vamos dizer assim,
34:03na ação
34:04e não mais
34:04só no discurso.
34:05É isso?
34:08Olha,
34:08é.
34:09E lembrando aqui
34:10que,
34:11numa escala binária,
34:12o Bolsonaro
34:13tem mais que isso,
34:13ele tem 40%
34:15de apoio.
34:15Se a gente usa
34:16uma escala
34:16de cinco,
34:17quatro,
34:17cinco itens,
34:18fica nessa oscilação
34:19entre 30% a 30%
34:21e mais por cento.
34:21Mas,
34:21numa escala de dois,
34:22apoia ou não apoia,
34:25é 40%.
34:26Então,
34:26isso é muito,
34:27como lembrou o Tiago,
34:27isso é muita coisa.
34:29Agora,
34:30o que realmente
34:31me preocupa,
34:32e como o Tiago
34:33está lá em Washington,
34:34é até uma oportunidade
34:35que a gente tem
34:36neste momento
34:37ou em próximas oportunidades
34:38de discutir isso.
34:40Com certeza.
34:40Como é que o investidor
34:44estrangeiro,
34:46não estou dizendo
34:47aquele que está aqui
34:47há 100 anos
34:48como indústria automobilística
34:49e que desde sempre
34:50se beneficia
34:51do capitalismo
34:52à lá brasileira,
34:53quer dizer,
34:53muros protecionistas,
34:55aquela coisa toda.
34:56Estou dizendo
34:57o sujeito
34:58que ainda não investiu
34:59e que tem vários portfólios
35:00sobre os quais
35:01ele pode tomar
35:01a decisão dele,
35:03quando vê
35:04essa confrontação
35:06entre executivo
35:07e legislativo.
35:08E eu não estou falando
35:08desse momento
35:09que é um momento
35:09especialíssimo
35:10da pandemia.
35:12A gente está se preparando
35:13para um novo normal
35:14que a gente nem sabe direito
35:15como é que vai ser.
35:16Mas antes disso mesmo,
35:18quer dizer,
35:19esse conflito,
35:20essa briga,
35:21isso é bom
35:22para o investimento
35:22estrangeiro, Tiago?
35:23Não, não, não é.
35:26Porque o investidor básico
35:28que ele está começando
35:29a olhar para o Brasil,
35:30ele faz uma pergunta
35:31que é a primeira pergunta
35:32e a principal
35:33que sustenta.
35:34Como funciona
35:35o processo de tomada
35:36de decisão
35:37entre executivo
35:37e legislativo?
35:39Se ele entende
35:40que esse processo
35:41é simples
35:42e que mesmo
35:43pendendo para o sim
35:44ou para o não,
35:46ele acredita
35:46que existe
35:47um indicativo
35:49que ele consegue
35:50monitorar os riscos
35:51de longe.
35:52Se ele entende
35:52que esse processo
35:54ele é modificado
35:55semanalmente
35:57por contaminações externas,
35:59ele parte do pressuposto
36:01que ele não consegue
36:01mensurar esse risco,
36:03logo,
36:04as vantagens
36:05talvez não sejam
36:06tão grandes
36:07quanto as dificuldades
36:08de mensurar esse risco.
36:10O fato de que a previsibilidade
36:12pode colocar tudo a perder, né?
36:15Exatamente.
36:17Bom, isso aí.
36:19Agradeço imensamente
36:20a participação
36:21do professor Paulo Kramer
36:22analista
36:23da Arco Advice
36:25é Thiago de Aragão,
36:26professor de ciência política.
36:29É o contrário.
36:31Vou refazer aqui.
36:33É porque eu resolvi falar.
36:36Então, vamos lá.
36:37Professor Paulo Kramer,
36:38professor de ciência política,
36:40perfeito?
36:40e o Thiago de Aragão,
36:43analista de ciência política,
36:44analista político
36:45da Arco Advice.
36:47Muito obrigado aí
36:48pela participação dos dois
36:50aqui no Gabinete de Crise.
36:52Espero contar
36:52sempre aí
36:54com as brilhantes
36:56colocações de ambos.
36:58Um abraço a todos.
37:00Muito obrigado.
37:01Um abraço.
37:01Um abraço.
37:02Boa noite.
37:02Até logo.
37:04Bom,
37:05então, se não há risco de impeachment,
37:07porque não há
37:07apoio suficiente
37:09para isso,
37:10muito provavelmente
37:11não há risco
37:11de que o Bolsonaro
37:12ultrapasse
37:13a linha vermelha
37:16do regime democrático.
37:17Então, o que que resta?
37:19Resta as autoridades
37:20divulgarem notas de repúdio.
37:23Nós reproduzimos várias delas
37:25ao longo aí do dia.
37:27Mas aí, olha,
37:27tem aqui um estudante,
37:29Daniel Sarsiort,
37:30resolveu abreviar,
37:32facilitar a situação
37:34para as nossas autoridades
37:37e criou um gerador
37:39de notas de repúdio,
37:41um gerador automático
37:42de notas de repúdio.
37:44Freitas, tem aí?
37:45Ó, você entra no site,
37:46aí está lá,
37:47rechaço como um todo
37:48as declarações
37:49do presidente da república.
37:51Volta lá um pouquinho,
37:52foi muito rápido.
37:57Aí vai,
37:58você clica,
37:59toda vez que você clica aqui,
38:00novo repúdio,
38:01desprezo inteiramente
38:02a ação da polícia militar.
38:03Serve para tudo.
38:05Rechaço energicamente
38:06a ação da polícia militar.
38:09Põe de novo aqui lá,
38:10ó,
38:10desdenho energicamente
38:11das falas proferidas
38:13pelo deputado.
38:14O respeito à civilidade
38:15devem prosperar.
38:16rechaço veementemente
38:17os ataques
38:17à democracia.
38:20Você pode usar,
38:22você pode usar
38:23essas notas de repúdio
38:27para o que você quiser.
38:29Então pode usar
38:30contra o Maia,
38:31o Maia pode usar
38:32contra o Bolsonaro,
38:33o Bolsonaro pode usar
38:33contra o Davi Alcolume,
38:34o Davi Alcolume pode usar
38:35contra deputados,
38:37senadores aí do governo,
38:39pode usar contra o STF,
38:41fica à vontade.
38:41bom,
38:44vamos agora,
38:45brincadeiras à parte,
38:46vamos falar aqui
38:46do que é sério.
38:49O Bolsonaro falou
38:50que não vai permitir mais
38:52a velha política.
38:55Falou isso ontem,
38:57na frente lá,
38:58do alto ali,
38:59da caçamba,
39:00da caminhonete,
39:00falou isso para os seus
39:01seguidores.
39:03mas paralelamente
39:05vem a Dias
39:06negociando com o Centrão
39:08que é formado
39:10por integrantes
39:11dessa velha política.
39:13Aliás,
39:15ressurgiu aí
39:15das cinzas
39:16até o Roberto Jefferson,
39:18o Bob Jeff,
39:19que foi pivô
39:20aí das denúncias
39:22do Mensalão
39:22e que obviamente
39:23participou
39:24do esquema
39:25e resolveu denunciar
39:27quando a dívida
39:29não foi paga.
39:31Roberto Jefferson
39:31participou de live
39:33ontem,
39:34falando em golpe,
39:35mas está lá
39:36junto com a turma
39:36do Centrão,
39:38PTB junto com a turma
39:39do Centrão
39:39estão negociando
39:40novos cargos.
39:42Então, assim,
39:42o velho Toma Lá da Cá
39:44é o novo Toma Lá da Cá
39:46e quem vai nos explicar
39:48o que está acontecendo
39:49é o Diego Amorim
39:50que está acompanhando
39:52esse tema
39:53diariamente.
39:55Eu quero contar
39:56para vocês
39:57o que está acontecendo
39:58nessa relação
39:59entre Jair Bolsonaro
40:00e lideranças do Centrão.
40:01a gente já vinha noticiando
40:03aqui no site
40:03que nas últimas semanas
40:05o presidente da República
40:06Jair Bolsonaro
40:06estava recebendo
40:08no Palácio do Planalto
40:09lideranças do Centrão
40:10como o Ciro Nogueira
40:11presidente do Progressistas,
40:13Marcos Pereira
40:14presidente do Republicanos,
40:15o pessoal do PL
40:16também do Valdemar Costa Neto,
40:18o Gilberto Kassab
40:19do PSD
40:20e havia ali
40:21uma grande dúvida
40:22do que que Bolsonaro
40:23estava querendo
40:23com essas pessoas,
40:25com esses políticos
40:25nesses encontros.
40:27Inicialmente,
40:28a informação foi a seguinte,
40:29que a gente conseguiu apurar,
40:30de que Bolsonaro
40:31nesses encontros
40:32estava querendo dizer
40:33para esses líderes
40:34do Centrão
40:34que, olha só,
40:35Luiz Eduardo Ramos,
40:37que é o ministro
40:37da Secretaria de Governo,
40:39é o único responsável
40:40pela articulação política
40:41e o general
40:42Walter Braga Neto,
40:43chefe da Casa Civil,
40:44é quem está mandando,
40:45é quem está coordenando
40:46as ações do Palácio do Planalto.
40:48Com isso,
40:48o presidente esperava
40:49minimizar os atritos
40:51de comunicação,
40:52fazendo com que
40:53essas lideranças
40:53do Centrão
40:54soubessem
40:55com quem falar
40:56para tratar
40:57de articulação política
40:58ou de questões
40:59do Planalto.
41:00Mas aí,
41:00a apuração avançou
41:01e a gente descobriu
41:03que não foi apenas
41:04esse o assunto
41:06dessas conversas
41:07entre Bolsonaro
41:07e lideranças do Centrão.
41:09Foram negociados
41:10cargos,
41:12cargos, por exemplo,
41:13na Codevasf,
41:14no FNDE,
41:15o Fundo Nacional
41:16de Desenvolvimento
41:17para Educação,
41:18e também no DENIT.
41:20Ou seja,
41:21está havendo, sim,
41:22nova distribuição
41:23de cargos
41:24para lideranças
41:25do Centrão.
41:25Isso deve se concretizar
41:27nos próximos dias.
41:29Nós já temos
41:29a apuração
41:30até mesmo
41:30dessa divisão
41:31de como ficou
41:32cada cargo
41:33desses órgãos
41:35para cada partido.
41:36Nós vamos continuar
41:37acompanhando isso
41:37de muito pé.
41:39E a ideia
41:39do Jair Bolsonaro
41:40com isso,
41:41Cláudio e nossos
41:42ouvintes aí,
41:43é isolar
41:44Rodrigo Maia.
41:45É fazer com que
41:46o Rodrigo Maia
41:47e o seu partido,
41:48consequentemente,
41:48o Democratas,
41:49percam força
41:50nessa briga
41:51de forças
41:52constantes,
41:53constante,
41:53que acontece
41:54aqui em Brasília.
41:56E eu apurei
41:57que o Rodrigo Maia
41:57ainda na sexta-feira passada
41:59acabou chamando
42:00essas mesmas lideranças
42:01do Centrão
42:01que se reuniram
42:02com o Jair Bolsonaro
42:03para dizer o seguinte,
42:04olha,
42:05eu estou por dentro,
42:05eu estou vendo
42:06o que está acontecendo,
42:07o Bolsonaro chamou vocês,
42:08eu estou sabendo
42:09que está havendo
42:09essa negociação
42:10de cargos novamente,
42:11como aconteceu lá
42:12na aprovação
42:13da reforma
42:13da Previdência também,
42:15mas eu queria lembrar
42:15vocês que eu sou
42:16o dono da pauta
42:17na Câmara.
42:18Então,
42:19Rodrigo Maia
42:20acabou dando
42:20esse recado.
42:21Se continuar assim,
42:23se vocês querem garantir
42:24a tal governabilidade
42:25para o governo
42:25de Jair Bolsonaro
42:26nesses termos,
42:28em troca,
42:28receber cargos
42:30desses órgãos
42:30nos estados,
42:31principalmente,
42:32eu estou aqui
42:33para dizer para vocês
42:34que eu estou disposto
42:35a colocar em votação
42:36pautas que não são
42:37tão prazerosas
42:39para vocês,
42:40como, por exemplo,
42:41a destinação
42:42dos recursos
42:42do Fundão
42:43para o combate
42:45à Covid-19.
42:46Vale lembrar também
42:47que o PTB
42:48do Roberto Jefferson,
42:49embora não esteja colocando
42:51a digital
42:51nessas negociações,
42:52também está participando
42:54dessas conversas.
42:55Roberto Jefferson,
42:55ontem à noite,
42:56fez uma live aí
42:57dizendo que há uma trama
42:59no Congresso Nacional
43:00para tentar derrubar
43:01Jair Bolsonaro.
43:02Essa participação do PTB
43:03nessas conversas
43:04pode ajudar a explicar
43:05esse novo comportamento
43:07do Roberto Jefferson.
43:08Só lembrando,
43:09é mensaleiro,
43:10foi ele que foi ali
43:10o grande delator
43:11do esquema
43:12do mensalão
43:13do PT
43:14anos atrás.
43:15Então,
43:16eu até escrevi mais cedo,
43:17Cláudia,
43:18a pandemia está despertando
43:19os instintos mais primitivos
43:21de muita gente
43:22aqui em Brasília
43:22e nós vamos continuar
43:23acompanhando isso
43:24de muito perto.
43:25Um abraço.
43:27Obrigado, Diego.
43:29Bom,
43:29está aí,
43:30vamos isolar o Maia
43:31fazendo o que o Maia faz.
43:33É a nova,
43:34velha política.
43:35Olha, gente,
43:38temos notícias boas.
43:39Não,
43:40vou parar de fazer piada
43:41nesse programa.
43:42Já que nós temos
43:43um gestor,
43:44felizmente nós temos
43:45um gestor aí
43:46como ministro.
43:50Vamos para a tabela.
43:51Freitas,
43:52põe a tabela, vai.
43:54113,
43:54não.
43:55Aqui,
43:56Brasil,
43:562.845.
43:58Bom,
43:58essa foi a primeira tabela
43:59que o governo,
44:02o Ministério da Saúde,
44:03soltou.
44:06Apontando,
44:07total de óbitos,
44:082.845 óbitos.
44:11Pessoas que morreram
44:12da Covid-19,
44:13segundo o Ministério da Saúde.
44:14isso agora à tarde.
44:16Minutos depois,
44:18de toda a imprensa
44:19ter divulgado esses números,
44:20eles publicaram
44:21uma nova tabela
44:22dizendo o seguinte,
44:24nós erramos.
44:25O número certo
44:26é 2.575.
44:28Um erro aí.
44:30Pouco mais de 200 mortes.
44:32Então, assim,
44:33realmente,
44:34já está difícil
44:35acreditar nos políticos.
44:37Agora, gente,
44:38já está difícil
44:38acreditar também nos números.
44:40Está cada vez,
44:40a situação está cada vez pior.
44:42Bom,
44:42vamos para
44:43um outro tema
44:45do nosso programa.
44:47Falando em democracia,
44:49já que estamos
44:49em uma democracia,
44:50não precisamos nos preocupar,
44:52né?
44:54O Bolsonaro
44:55editou,
44:56na sexta-feira,
44:58uma medida provisória
44:59para tratar,
45:00justamente,
45:01do uso de dados
45:02de celulares
45:03para censos estatísticos
45:05do IBGE.
45:05Essa MP surgiu
45:07de um debate
45:08que virou
45:09um conflito político,
45:11um enfrentamento político,
45:12como sempre, né?
45:13Primeiro,
45:14o ministro Marcos Pontes
45:15resolveu copiar
45:16a experiência
45:17de outros cinco países
45:19que estão fazendo o quê?
45:21Fazendo monitoramento
45:22de celulares
45:23para evitar aglomerações.
45:26Só que são,
45:26é um acompanhamento
45:27de dados,
45:28de big data,
45:29dados genéricos
45:30desses celulares,
45:31apenas identificando
45:32que aquele celular
45:33pertence
45:34a alguém
45:35que está
45:36com o coronavírus.
45:40ou simplesmente
45:40para usar isso
45:41para evitar
45:42essas aglomerações.
45:44Aí o João Dória,
45:45governador de São Paulo,
45:46resolveu fazer a mesma coisa.
45:48E aí o Bolsonaro
45:49entrou no meio
45:50e falou assim,
45:50não,
45:50vai fazer mais nada,
45:51o Marcos Pontes
45:52não vai fazer nada disso,
45:53vamos fazer outra coisa,
45:54de outro jeito.
45:55O Dória é um ditador,
45:57então, assim,
45:58está querendo controlar
45:59as pessoas,
45:59prender as pessoas,
46:00agora quer monitorar
46:01os celulares também.
46:03Ficou essa discussão,
46:04enquanto isso,
46:05foi feita essa MP.
46:06O problema é que essa MP
46:07ela traz justamente,
46:10ela traz um avanço
46:12ainda maior
46:13sobre as prerrogativas
46:14constitucionais
46:16do cidadão.
46:17E aí eu conversei
46:18com o Luiz Ugeda,
46:21que é doutor
46:21em geografia,
46:23presidente
46:23da comissão
46:24de geodireito
46:27da OAB de São Paulo,
46:28que alerta justamente
46:30sobre o risco
46:32de que essa MP,
46:33caso seja aprovada,
46:34seja convertida em lei,
46:35ela viole,
46:37aliás,
46:37a MP já está valendo
46:39a partir da publicação dela,
46:41ela cabe por violar
46:42o direito individual
46:44de cada um,
46:45o direito à intimidade
46:46e à privacidade.
46:47Vamos à entrevista.
46:49Muito obrigado, Claudio.
46:50Boa noite
46:51a toda a equipe
46:52do Antagonista.
46:54Sim,
46:55a MP 954,
46:56que foi publicada
46:57sexta-feira,
46:58ela implica,
47:01basicamente,
47:02no fornecimento
47:03das companhias telefônicas
47:05reguladas pela Anatel
47:08para o IBGE
47:09de dados,
47:11nomes,
47:12número de telefone,
47:12endereços
47:13de 226 milhões
47:15de pessoas,
47:16que é o conjunto
47:17total
47:18dos dados
47:20telefônicos
47:21do país.
47:23Isso,
47:24de certa forma,
47:25busca,
47:26poderia contribuir
47:27para o fortalecimento
47:29da pesquisa nacional
47:30por amostra e domicílios
47:31do PNAD
47:32voltado para
47:33o COVID,
47:35de maneira que
47:37existe a intenção
47:38de se fazer
47:38uma pesquisa
47:39amostral
47:40com 200 mil
47:40entrevistas,
47:42é como se fosse
47:42um grande
47:43call center,
47:44você cria uma planilha
47:45e você começa a ligar
47:47para essas pessoas,
47:48perguntando se estão doentes,
47:49se não estão doentes,
47:50e para poder levantar dados.
47:52Como eles passarem
47:53a ter os endereços
47:54das pessoas,
47:55isso facilitaria
47:56um trabalho
47:57estatístico,
47:58ou seja,
48:00faria-se
48:01um levantamento
48:02disso.
48:02Não querendo te interromper,
48:03você, inclusive,
48:04num artigo recente
48:05no Estadão,
48:06você disse
48:06que o objetivo
48:08dessa MP,
48:10ela dispõe
48:11sobre o compartilhamento
48:12de dados
48:13por empresas
48:13de telecomunicações
48:14com a Fundação
48:15IBGE,
48:17com o objetivo
48:17de apoiar
48:18a produção estatística
48:19oficial
48:20durante esse período
48:21de emergência
48:22da COVID,
48:23sintetizando
48:24essa tua introdução,
48:25é isso?
48:25É isso,
48:26tudo sempre
48:27sob o manto
48:28do sigilo estatístico
48:29onde o IBGE
48:30é o grande centro
48:31desse eixo.
48:34Existe um grande
48:35problema estrutural
48:36dessa estratégia
48:37que é exatamente
48:38a efetividade
48:39dessa iniciativa.
48:41É uma iniciativa
48:42que atualizar cadastro,
48:43agenda de telefone
48:45é sempre muito importante,
48:47principalmente
48:47em época de pandemia,
48:49mas não é uma ferramenta
48:50ágil
48:51para o combate
48:52a qualquer tipo
48:55de situação
48:56de contágio
48:57ou mesmo
48:58de monitoramento
48:59como existem
48:59outras ferramentas
49:00atualmente
49:01que fazem isso.
49:02E o dado
49:03mais grave
49:04que é aí
49:05onde a OAB
49:05sob o meu ponto
49:07de vista
49:08corretamente
49:08intercede
49:10é exatamente
49:10sobre a questão
49:11da individualização
49:13do dado,
49:13esse dado
49:14ele está indo
49:15no nome da pessoa,
49:16no celular da pessoa,
49:17no endereço da pessoa,
49:18não são dados
49:19agregados,
49:20ou seja,
49:22você não está dizendo
49:24que existe uma pessoa
49:25entre uma faixa etária
49:27do sexo tal
49:28que está
49:29em uma determinada
49:30localidade,
49:30não,
49:30você está dizendo
49:31que é o José da Silva
49:32que está no lugar tal
49:33e tem um determinado
49:35padrão
49:36de consumo,
49:38até porque
49:38as companhias telefônicas
49:40tem tudo isso
49:40mapeado.
49:42Hoje em dia
49:43a gente tem
49:43as grandes empresas
49:45de tecnologia
49:45dispõem
49:46desses dados,
49:47o Big Data,
49:50e tem utilizado
49:51isso inclusive
49:52como ferramenta
49:53comercial,
49:54como você mencionou,
49:56é diferente
49:56de você ter
49:57a indicação,
49:58a identificação
49:59de uma pessoa,
50:00por exemplo,
50:01como você cita
50:02no teu artigo aqui,
50:03pessoa do sexo masculino
50:05entre 50 e 59,
50:06de poder aquisitivo alto,
50:08festar o trajeto
50:09em determinados dias,
50:11é diferente
50:12você falar
50:12que, olha,
50:13tem o João da Silva,
50:15morador da Rua das Flores,
50:1658 em Botucatu,
50:19que às 11 horas
50:20do dia 17 de abril
50:21foi o açougue
50:23do Joel
50:23três quadras a leste,
50:25é isso,
50:25quer dizer.
50:26É isso,
50:26peço até desculpa
50:27se houver algum
50:28João da Silva
50:28nesse endereço
50:29que ele foi fictício,
50:30mas o conceito
50:32é esse
50:33e isso é perigoso
50:34porque isso fere
50:35direito à intimidade,
50:37isso fere
50:37diversos direitos
50:39fundamentais,
50:39fere a lei geral
50:40de proteção de dados,
50:41marco civil da internet,
50:43a justificativa
50:44do IBGE
50:45é uma justificativa
50:46do manto
50:47do sigilo
50:48estatístico,
50:49mas sigilo estatístico
50:51sobre regime
50:51de urgência
50:52por MP
50:52para combater
50:53uma Covid
50:54são coisas
50:56que talvez
50:56precisassem
50:57ficar melhor
50:58explicadas
50:59e mapeadas
51:00para que a gente
51:01tivesse,
51:02a população
51:03tivesse uma maior
51:04segurança jurídica
51:05dessa movimentação
51:07que o governo
51:08fez,
51:08uma medida provisória
51:09editada à noite
51:10de sexta-feira
51:11numa velocidade
51:15muito ágil.
51:16então acho
51:18que falta
51:19um entendimento
51:20melhor
51:20do que seria
51:22esse objetivo
51:23até porque
51:24não pode ser
51:25aquela coisa
51:26dos dados
51:26são meus,
51:27as regras
51:27são suas
51:28e a sociedade
51:30toda acaba
51:31passando
51:31cheque em branco
51:32para o governo
51:32federal
51:33fazer o que quiser
51:34com isso.
51:35Só para a gente
51:36encerrar aqui,
51:37pelo menos cinco
51:38países
51:38usam celulares
51:40para rastrear
51:41a pandemia,
51:42justamente para evitar
51:43aglomerações,
51:45etc.
51:45A gente sabe
51:45que inclusive
51:46o ministro Marcos Ponte
51:47chegou a anunciar
51:48uma medida parecida,
51:50o Dória em São Paulo
51:51anunciou,
51:52aí virou um problema
51:53político,
51:53o Bolsonaro foi
51:54para cima,
51:55enfim,
51:56o resultado que se teve
51:57foi a SMP.
51:59O que está sendo
52:01feito lá fora
52:03é o correto?
52:05Não sei se você
52:05está por dentro.
52:06Não existe consenso,
52:07não existe consenso.
52:09Nós temos
52:09em torno de
52:1019,
52:1120 países
52:11que adotam
52:13exatamente a medida
52:14que o governador
52:14Dória adotou,
52:16que é uma medida
52:17que também tem
52:18seus riscos.
52:18Outros países
52:19discordam dessa medida,
52:21por exemplo,
52:21Portugal rechaçou
52:23essa iniciativa
52:25e não vai
52:26geolocalizar a população
52:27e tem se saído
52:28bem no combate
52:28à Covid.
52:30Apenas para ficarmos
52:30de um exemplo.
52:32Então,
52:32não é uma questão
52:33pacífica.
52:34Israel aprovou
52:35em primeiro turno
52:36uma legislação
52:36de política pública
52:39de geolocalização
52:39da população
52:40na semana passada.
52:42Não existe
52:42uma fórmula mágica
52:43no mundo
52:44nesse momento.
52:45Agora,
52:46existem fórmulas
52:47que as pessoas
52:48e os países
52:49não estão cogitando.
52:51E a fórmula
52:51apresentada
52:52pela medida provisória
52:54na semana passada,
52:56salvo melhor juízo,
52:57é uma dessas ferramentas
52:58porque é uma ferramenta
52:59que já deveria,
53:00de certa forma,
53:01ter sido construída
53:02dentro de um determinado
53:04requisito,
53:05observar a proteção
53:07dos direitos
53:08das pessoas
53:08e isso já deveria
53:09ser uma política
53:10pública à posse,
53:11não feita
53:11de uma forma
53:13emergencial.
53:14Já que estamos
53:15no meio da emergência,
53:16talvez nós precisemos
53:17de políticas
53:18mais assertivas
53:19e mais digitais.
53:22E aí,
53:22talvez,
53:23vale a pena
53:23repensar a estratégia
53:26que o próprio
53:26ministro Pontes
53:27apresentou,
53:28que, de certa forma,
53:30segue o que está
53:30sendo feito
53:31em boa parte
53:32dos países mundiais
53:34e tem demonstrado
53:35um nível de eficácia
53:36interessante.
53:38Bom,
53:41a entrevista completa
53:42vai estar disponível
53:43no nosso canal
53:44no YouTube.
53:46Olha,
53:47notícia de última hora,
53:48publicamos ainda há pouco
53:49no site aqui,
53:51o estudo
53:53da Prevent Senior
53:54com o uso
53:55da hidroxicloroquina
53:57foi suspenso
53:58hoje pela Comissão Nacional
54:00de Ética
54:00em Pesquisa,
54:01CONEP.
54:03Temos a notícia?
54:05Bom,
54:05está aí.
54:05os pesquisadores
54:06foram convocados
54:07para uma audiência
54:08com a comissão
54:08na tarde de hoje
54:09para prestar
54:10esclarecimentos.
54:12A pesquisa
54:13para idosos
54:13só recebeu
54:14autorização
54:15da CONEP
54:15no dia 14,
54:17mas já estava
54:18em andamento
54:19desde o dia 26.
54:20então isso
54:21obviamente
54:22gerou
54:22um problema.
54:25Há um problema
54:25também em relação
54:26à amostragem,
54:28o que foi informado,
54:29o que foi efetivamente
54:29feito,
54:31problema em relação
54:31à randomização
54:32desse estudo,
54:34enfim,
54:34está suspenso
54:35provisoriamente.
54:37Estão fazendo,
54:37vamos fazer uma análise
54:38mais acurada
54:39e voltaremos
54:42no tema
54:42acompanhando
54:43tudo o que está
54:45acontecendo em relação
54:46não só a essa pesquisa,
54:47mas várias outras pesquisas
54:49que estão em andamento
54:50no Brasil
54:51na busca
54:52de um medicamento
54:53que seja eficaz,
54:55com menor
54:55efeito colateral
54:56para o tratamento
54:58de pacientes
54:59com a COVID-19.
55:01Bom,
55:02para encerrar,
55:04já que a gente,
55:07já que o Bolsonaro
55:07foi o nosso
55:08personagem principal
55:10hoje aí,
55:10ele se colocou
55:11inclusive como
55:12personagem principal
55:12desde ontem,
55:14a gente encerra
55:15com a notícia
55:16do mandato de segurança
55:17que foi protocolado
55:19ontem à noite,
55:21nós demos em primeira mão,
55:23pelos advogados
55:24Tiago Santos Aguiar
55:25de Pádua
55:26e José Rocine Campos
55:27do Couto Corrêa,
55:28esse inclusive
55:29é ex-conselheiro
55:31nacional da OAB.
55:32Eles acusam
55:34o presidente
55:34de crime,
55:35de responsabilidade,
55:36quebra de decoro,
55:37ataques contra jornalistas,
55:39contrariedade
55:39às orientações
55:40da OMS
55:40e apoio a atos
55:42contra o Congresso
55:43e o STF,
55:44ou seja,
55:44junta tudo
55:45o que foi discutido,
55:48tudo o que aconteceu,
55:49tudo o que foi feito,
55:49tudo o que o Bolsonaro
55:50fez até ontem.
55:52E os advogados
55:53pedem ainda
55:53que o Bolsonaro
55:54seja impedido
55:55de promover
55:55ou participar
55:56de aglomerações,
55:57obrigado a impedir
55:58atos contra o Congresso
55:59e o STF,
56:01apresente o seu exame
56:02de Covid-19,
56:04vocês vão lembrar
56:04que o exame dele
56:05deu negativo,
56:06segundo ele,
56:08mas o exame mesmo
56:09nunca foi apresentado,
56:10até a Câmara
56:11na semana passada
56:12deu um prazo
56:13de 30 dias
56:14e disse que
56:15se ele não respondeu
56:16eles vão entrar
56:17com um pedido
56:17também de crime
56:18de responsabilidade.
56:20E até um suposto
56:21relatório de inteligência
56:21que teria sido feito
56:22contra o Rodrigo Maia,
56:24o Palácio já negou
56:25a existência
56:26de qualquer relatório,
56:27mas vamos adiante.
56:29Tem um detalhe
56:30nesse mandato de segurança
56:31que é o mais importante
56:33disso tudo,
56:34que é o seguinte,
56:35eles querem,
56:36isso não quer dizer
56:36que eles vão conseguir,
56:38inclusive o mandato de segurança
56:39foi distribuído
56:40para o Celso de Mello,
56:41é possível que ele
56:43ou fique com a análise
56:45desse MS
56:45ou redistribua
56:47para o ministro Barroso,
56:49que inclusive é colocado
56:50aí como possível relator,
56:52uma vez que ele
56:52já decidiu
56:54naquela questão
56:55sobre proibir
56:57o presidente
56:58de incentivar
56:59manifestações
57:01que sejam contrárias
57:02às determinações
57:03da OMS.
57:04Bom,
57:05neste mandato de segurança
57:06o que é mais importante,
57:07eles querem que o STF
57:08determine
57:09a transferência
57:10para o vice-presidente
57:12das competências
57:13do presidente
57:14da República
57:15descritas
57:15nesses incisos
57:17aqui
57:18que estão
57:18na tela
57:19para vocês
57:19do artigo 84
57:21da Constituição.
57:22Para vocês terem uma ideia,
57:24o artigo 84
57:26da Constituição
57:31nesses incisos
57:33que estão citados
57:33diz o seguinte,
57:34eles querem
57:34a transferência
57:35justamente dos poderes
57:36do Bolsonaro
57:37de nomear
57:38e exonerar ministros,
57:40de exercer
57:41a direção
57:42da administração federal
57:44com o auxílio
57:44dos seus ministros,
57:46de iniciar
57:46o processo legislativo,
57:48de manter
57:49relações
57:50com estados
57:50estrangeiros,
57:52de decretar
57:53estado de defesa
57:54ou estado de sítio,
57:54de decretar
57:55e executar
57:56a intervenção federal,
57:57de exercer
57:58o comando
57:58das forças armadas,
58:00de nomear
58:01ministros
58:02para o STF,
58:03para o STJ,
58:04enfim,
58:04PGR,
58:05essa história toda,
58:06TCU,
58:07de declarar guerra
58:09no caso
58:10de agressão
58:10estrangeira,
58:11enfim,
58:12editar medida provisória,
58:13ou seja,
58:14transformar
58:15o presidente,
58:16efetivamente,
58:17como diria o Michel Temer,
58:18num presidente
58:19decorativo,
58:20e aí o vice-presidente
58:21assumiria realmente
58:22as prerrogativas
58:23e passaria
58:23ao comando
58:25do país.
58:26Isso nos deixa
58:27tranquilos,
58:29já que
58:29o próprio
58:30Mourão,
58:31na semana passada,
58:33disse que está
58:33tudo sob controle,
58:35a gente só não sabe
58:36de quem.
58:37Muito obrigado
58:37pela audiência,
58:39vocês estão convocados
58:40já para o próximo
58:41gabinete de crise
58:41na quarta-feira
58:42e a gente se vê.
58:44Tchau.
58:44Roda,
58:47Roda,
58:48Roda,
58:48Rodem a vida,
58:50o minuto de comércio,
58:52ahhh.
58:53Vai.
58:54Sob controle.
58:55Tudo sob controle.
58:56Não sabemos de quem.
58:57Vai.
58:58Sob controle.
58:59Tudo sob controle.
59:00Não sabemos de quem.
59:01Não sabemos de quem.
Comentários

Recomendado