- há 7 meses
Felipe Moura Brasil analisa a relação entre os governos e a saúde pública, enquanto faz um balanço da situação nos hospitais do Brasil.
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NotíciasTranscrição
00:00Salve, salve! Sejam bem-vindos, leitores e espectadores de O Antagonista.
00:03Eu sou Felipe Moura Brasil. Estou com um monte de abas abertas no meu computador
00:07para mostrar para vocês um panorama de tudo o que está acontecendo
00:10nessa relação complicada da política com a saúde pública do Brasil
00:13durante a pandemia do coronavírus.
00:16No meu vídeo anterior, eu mostrei o com vagas.
00:18Foram as declarações do novo ministro da Saúde, Nelson Tay,
00:21após a nomeação pelo presidente Jair Bolsonaro.
00:24Ele havia dito na quinta-feira que não haverá nenhuma mudança radical,
00:27referindo-se ao isolamento social temporário.
00:30É fundamental que a gente tenha informação para definir qual é o melhor tipo de isolamento.
00:35A gente vive nessa incerteza e insegurança de não saber quando isso acaba.
00:39Ou seja, como eu resumi no Twitter, só sei que nada sei,
00:42mas que o chefe quer o povo na rua, o chefe do presidente Bolsonaro.
00:46Nelson Tay, no dia seguinte, no seu discurso de posse,
00:49não disse nada que pudesse indicar um caminho,
00:51como registrou o antagonista na mesma linha do meu comentário.
00:54Não falou em isolamento social, a não ser que as ruas desertas parecem um filme,
00:59mas fez referência a um antiviral que estaria mostrando bons resultados
01:02para fazer média com o novo chefe.
01:05Tay afirmou também que precisa reunir informações sobre a pandemia,
01:08ou seja, voltou a falar nesse tom,
01:10e formar a sua equipe como se houvesse tempo.
01:12Ele disse ainda que, no final, o foco é nas pessoas.
01:16Nelson, vago, Tay, brincou o antagonista,
01:19virou, inclusive, o título da postagem.
01:21E nessa posse do novo ministro da Saúde, Jair Bolsonaro reforçou
01:24que tem uma visão um pouco diferente de Luiz Henrique Mandetta
01:28sobre a pandemia do coronavírus.
01:30É aquilo que, na véspera, ele tinha chamado de visão mais ampla,
01:33posando de alguém que estava preocupado com mais elementos do que a vida.
01:37Eu tenho o dever de decidir, eu não posso me omitir,
01:40eu tenho que buscar aquilo que, segundo o povo que acreditou em mim,
01:44deve ser feito.
01:45E aqui eu tenho que fazer um parêntese.
01:47Quando o povo supostamente acreditou no Bolsonaro,
01:51porque muita gente vota simplesmente contra o concorrente,
01:54que, no caso, era o PT,
01:55e muita gente não queria que o PT fosse eleito,
01:58mas é claro que teve muita gente que acreditou no Bolsonaro,
02:02não havia pandemia do coronavírus.
02:04Então, isso não foi elemento, não foi pauta eleitoral.
02:08E agora, se há alguma sondagem em relação à opinião do povo,
02:12elas estão dizendo, de acordo com as pesquisas,
02:14que o povo é a favor do isolamento social temporário,
02:17embora uma parcela do povo não siga essa recomendação,
02:21principalmente aquela parcela de baixa renda
02:23que precisa sair para ganhar o pão de cada dia.
02:26A visão do Mandetta, continuou o Bolsonaro,
02:28uma visão muito boa era da saúde, da vida.
02:31Na minha, entrava o Paulo Guedes, a economia e o emprego.
02:34Desde o começo, eu tinha uma visão,
02:36e eu ainda tenho, que nós devemos abrir o emprego,
02:39porque o efeito colateral não pode ser mais danoso
02:41que o próprio remédio.
02:43Bolsonaro, repetindo essas frases feitas,
02:46ele defendeu o fim do confinamento no dia 24 de março,
02:50na TV, em cadeia nacional.
02:52Ainda bem que os governadores não seguiram por esse caminho.
02:56Se não houvesse isolamento social,
02:58a situação no Brasil certamente estaria muito pior nesse momento.
03:01Eu já vou dar os dados atualizados da sexta-feira.
03:05Então, o Bolsonaro só repete isso para tentar ganhar o crédito
03:10com as pessoas que estão preocupadas com o seu futuro econômico,
03:14colocando ele, a responsabilidade pela crise,
03:18nas costas dos governadores.
03:20A crise inevitável com a pandemia do coronavírus.
03:23É claro que há modulações,
03:24e a gente está aqui todos os dias
03:26debatendo essas decisões que vêm sendo tomadas.
03:28Agora, o Bolsonaro continua.
03:30Essa briga de começar a abrir para o comércio
03:32é um risco que eu corro, porque se agravar,
03:36vem para o meu colo.
03:37Agora, o que eu acredito?
03:38Que muita gente já está tendo consciência que tem que abrir.
03:42Quer dizer, é o presidente dizendo que tem que abrir,
03:46só que dizendo que existe o risco de agravar a situação
03:49e que isso vai cair no colo dele.
03:52Olha, é claro, já está caindo,
03:54porque ele deu mensagens contraditórias
03:57em relação às recomendações do Ministério da Saúde,
04:00e a gente está vendo o número de casos
04:02e o número de mortes crescerem.
04:04Então, de acordo com as pesquisas,
04:06houve uma perda de popularidade do Bolsonaro nesse período,
04:09mas é claro que o bolsonarismo sempre desqualifica
04:12essas sondagens.
04:13Agora, na quinta noite,
04:15o Bolsonaro havia defendido ainda
04:17que as aulas devem ser retomadas nas escolas,
04:20o que contraria as atuais recomendações
04:22das autoridades de saúde.
04:24Tem que enfrentar a chuva, pô.
04:26Tem que enfrentar o vírus, disse o presidente.
04:28Não adianta se acovardar, ficar dentro de casa.
04:32Nós sabemos que a vida é uma só.
04:34Repare que o presidente da República
04:36está chamando as pessoas que ficam em casa de covardes,
04:40enquanto há pessoas lotando UTIs, como a gente vai ver,
04:44e morrendo nos hospitais.
04:46Sabemos dos pais que estão preocupados com os filhos voltarem à escola,
04:49mas tem que voltar à escola.
04:51Nós não temos nenhuma notícia de alguém abaixo de 10 anos de idade
04:54que contraiu o vírus e foi a óbito ou foi para a UTI.
04:58Quer dizer, dizendo que as crianças precisam enfrentar isso.
05:02E vale registrar os fatos, segundo o Ministério da Saúde,
05:05já até registro de duas mortes de criança abaixo de um ano de idade
05:09e uma morte na faixa etária entre 1 e 5 anos.
05:12E há também a morte de uma adolescente,
05:13a estudante Camilí Ribeiro,
05:15de 17 anos, que morreu na terça-feira,
05:18vítima da Covid-19,
05:20e foi tratada, inclusive, com cloroquina,
05:22de acordo com as informações da própria Secretaria Municipal de Saúde
05:26Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.
05:28Tomou o medicamento quando estava na CTI do Hospital Moacir do Carmo,
05:32no mesmo município.
05:34Mas o problema principal é que as crianças assintomáticas
05:38podem ser transmissoras da Covid-19 para os idosos.
05:43E criança é difícil de controlar.
05:46Então, muitas vezes, elas acabam chegando perto,
05:49acabam pulando, acabam pegando nos demais parentes,
05:54e é difícil que essa progressão de contágio não aumente
05:59quanto mais se flexibiliza as medidas restritivas.
06:03É por isso que elas precisam ser devidamente calculadas
06:06de acordo com o impacto também no sistema de saúde
06:09para poder achatar aquela curva
06:11da qual se está se falando desde o começo.
06:13A gente vai ver isso em detalhes como está acontecendo
06:15nos estados e nas cidades.
06:17É preciso registrar aqui os números gerais.
06:19Foram 217 mortes registradas em 24 horas
06:24na atualização de sexta-feira,
06:26uma alta de mais de 11% sobre 1.924 óbitos,
06:30atingindo, portanto, 2.141 casos de morte no Brasil.
06:36Na véspera, havia morrido 188 pessoas e, antes, 204 pessoas.
06:44Então, houve uma pequena queda, que, na verdade, nem é uma queda,
06:47uma oscilação, 204 para 188,
06:50porque depois aumentou o número de mortes em 24 horas para 217.
06:56Então, a realidade, ela se impôs àquelas bravatas do Bolsonaro no domingo
07:01de que está começando a ir embora a questão do vírus,
07:04e duas marterras, que não ganhou o Ministério da Saúde,
07:08na terça-feira, quando foi divulgado aquele áudio
07:10no qual ele dizia que a epidemia está desabando.
07:13Portanto, um recorde no número de mortes.
07:16É melhor ser realista com o povo
07:18do que ficar aí dizendo declaração otimista
07:22que não condiz com a realidade.
07:24Agora, nem o prefeito do Rio de Janeiro,
07:28Marcelo Crivella, que é aliado político do Bolsonaro,
07:31embarcou na narrativa dele, na recomendação dele.
07:35O Crivella disse, na sexta-feira,
07:38que respeita o presidente Bolsonaro,
07:39mas que não vai abrir as escolas neste momento,
07:42porque ainda faltam 10 dias
07:44para a chegada de equipamentos na cidade.
07:47O Bolsonaro pediu a abertura das escolas
07:49lá no dia 24 de março,
07:51quando ele deu aquele discurso da gripezinha na televisão,
07:53só para registrar.
07:54E o Crivella continuou, fazendo aqui uma comparação,
07:57nós estamos construindo a nossa arca.
08:00Não é possível que, por imprudência,
08:02a gente adiante o dilúvio,
08:04que é o ponto máximo da nossa curva de contaminação.
08:07Portanto, Crivella, mais prudente que o Bolsonaro.
08:10E nunca é demais lembrar que a prudência
08:12é a virtude primária na tradição do pensamento conservador.
08:16E eu não estou, claro, associando Crivella a essa tradição,
08:19que provavelmente ele nem conhece.
08:21Mas, nesse caso, está sendo mais prudente do que o Bolsonaro.
08:25E ele continua.
08:26Não podemos ter contaminação em massa,
08:28porque aí foge das nossas possibilidades de recurso.
08:32Pedimos que o TJ, Tribunal de Justiça,
08:34não abra cada vez que haja um pedido de eliminar
08:37para abrir o comércio.
08:38Portanto, Crivella também sendo prudente em relação ao comércio.
08:43E por que ele está falando tudo isso?
08:45Agora vamos à realidade que a retórica bolsonarista ignora.
08:50As principais emergências do Rio de Janeiro
08:53estão sem vagas disponíveis em meio à pandemia.
08:57Os hospitais Albert Weiter, Salgado Filho,
08:59Souza Guiara e Miguel Cotto
09:00estão com 117 leitos de UTI ocupados.
09:04No Hospital Ronaldo Gazola, referência no combate à Covid-19,
09:09que é lá em Acari, na zona norte da cidade,
09:12a ocupação já chegou a 93%.
09:15A Prefeitura prometeu inaugurar mais 10 leitos de UTI
09:18nessa sexta-feira, na qual estou gravando esse vídeo.
09:22E o Crivella disse,
09:23Nos preocupa muito essas duas, três semanas à frente.
09:26Nós acreditamos que depois nós teremos vencido o pior da nossa crise.
09:30O pior terá passado.
09:31Sobretudo porque já teremos montado o nosso hospital.
09:34E também o Gazola.
09:35Esse hospital é o hospital de campanha,
09:37que estão montando lá para ajudar a atender a demanda.
09:40E também o Gazola estará funcionando a pleno vapor.
09:44Agora, mais um parêntese.
09:46No início do mês, sabe quem tinha falado do Gazola?
09:49O presidente Jair Bolsonaro chegou a usar o hospital como exemplo
09:54de que havia exagero na prevenção à Covid-19.
09:58Abro aspas para o presidente.
10:01Desconheço qualquer hospital que esteja lotado.
10:03Desconheço.
10:04Muito pelo contrário.
10:05Tem um hospital no Rio de Janeiro, o tal de Gazola.
10:08Se eu não me engano, tem 200 leitos e tem 12 ocupados.
10:11Não é isso tudo o que estão pintando.
10:14Repito, não é isso tudo o que estão pintando, disse o presidente.
10:18Essa é mais uma daquelas frases.
10:20Não é tudo isso.
10:22Superdimensionado.
10:22Fantasia.
10:23Que o presidente da república passou semanas falando
10:25para depois, lá na frente,
10:28depois de muita pressão,
10:29depois da imposição da realidade,
10:32dizer que sempre falou em vida,
10:34sempre defendeu a vida e o emprego.
10:37Muito bem.
10:38Desdenhou do coronavírus, portanto,
10:40e uma epidemia, uma pandemia, ela vai avançando.
10:43Então, a preocupação era justamente essa,
10:47que os leitos fossem sendo ocupados
10:48e causassem depois uma sobrecarga.
10:51Então, agora, já é 93% de ocupação das UTIs
10:55nesse hospital ao qual se referiu o presidente,
10:58sendo que outros já estão 100% ocupados.
11:00E o Crivella disse que uma estimativa do gabinete científico
11:03verificou a necessidade de 900 leitos clínicos
11:06e quase 400 leitos de UTI.
11:09Ou seja, muito mais do que a capacidade
11:11da rede do Rio de Janeiro.
11:14E o Crivella defendeu também o isolamento social,
11:17contrariando o presidente.
11:19Falou, é unânime isso.
11:20É unânime mais ou menos.
11:21O Bolsonaro não está defendendo, não.
11:24Precisamos manter o nosso afastamento e isolamento.
11:27Pediram para que estudássemos novas medidas
11:29a serem implementadas
11:30e para que não diminuísse, sob hipótese alguma,
11:33esses números calculados,
11:34que são de 70% de circulação nas ruas
11:37e 80% nos transportes.
11:39É importante lembrar que tem jovens
11:40que estão nos bares, na convivência social,
11:43que não respeitam o afastamento social
11:45e não manifestam os sintomas,
11:47mas podem estar contaminando outras pessoas
11:50nas suas casas ou no seu convívio.
11:52Exatamente o que pode ocorrer com as crianças
11:54também que frequentassem as escolas.
11:57O prefeito lamentou que nas favelas
11:59a ordem não esteja sendo obedecida.
12:01É o que eu já falei aqui.
12:02Foi o assunto das minhas entrevistas
12:04com a autoridade da saúde,
12:06que estão disponíveis no canal de YouTube
12:07do Antagonista.
12:08O que ele disse,
12:09essa infelizmente não é a realidade
12:11das nossas comunidades,
12:12nas comunidades,
12:13que são as favelas,
12:14que eu estou lendo as palavras dele.
12:16Não está havendo o afastamento social
12:18que nós sempre preconizamos.
12:20O dado que nos preocupa muito
12:21é que nesse momento nós ainda aguardamos
12:23os equipamentos que compramos no ano passado
12:25e que estão para chegar nos próximos dias.
12:28Segundo o prefeito,
12:29o afastamento social é maior no centro
12:32e na zona sul,
12:33na área nobre da cidade,
12:34do que nas zonas oeste e norte,
12:36que é uma área mais pobre.
12:38O Gasola está recebendo a cada três dias
12:41dez leitos.
12:42E se tivermos,
12:43essa questão é importante,
12:45e se tivermos pacientes disputando leitos?
12:48Hoje tomamos decisão
12:50que vamos contratar leitos privados.
12:51Nesse momento em que o hospital de campanha
12:53não está pronto,
12:54vamos fazer internações também
12:56em leitos privados.
12:58Agora,
12:59vamos aqui usar um exemplo concreto,
13:02porque muitas vezes todo esse debate
13:03fica só em números virtuais,
13:05fica só nas estatísticas.
13:07Olha o caso, por exemplo,
13:09do senhor Sebastião.
13:11Em meio a essa situação no Rio,
13:14pacientes com sintomas da Covid-19
13:16aguardam por transferências para unidades
13:19com atendimento especializado registro G1.
13:21foi o caso do motorista autônomo
13:24Sebastião de Azevedo Marques,
13:26de 61 anos,
13:27que morreu esperando por um leito
13:29de tratamento exclusivo para coronavírus.
13:32Sebastião deu entrada com sintomas da doença
13:35no dia 5 de abril
13:36em uma unidade de pronto atendimento
13:38no bairro Botafogo, em Nova Iguaçu,
13:40e chegou a ser entubado.
13:41Como o quadro de saúde se agravava,
13:44o idoso esperava por uma transferência,
13:46mas não resistiu.
13:48Então isso aqui é o mundo real.
13:50Não é o fantástico mundo dos panos
13:52da claque bolsonarista,
13:54não é o fantástico mundo
13:56daquela retórica
13:57de todo mundo tem que ir para a rua.
14:00É preciso analisar a situação,
14:03o impacto do coronavírus na sociedade
14:04e no sistema de saúde,
14:06porque senão o que acontece?
14:07Começa a morrer gente
14:08por falta de leito,
14:10começa a morrer gente
14:11no corredor do hospital,
14:14fica fila na porta
14:15e vai morrendo mais gente.
14:16Quem é responsável por isso?
14:18É o governador,
14:20no caso da rede estadual,
14:21é o prefeito,
14:22no caso da rede municipal,
14:24e eles estão tomando as medidas
14:25porque sabem que isso
14:27cai no colo deles.
14:29Agora, como o Bolsonaro
14:30se libertou disso,
14:32mesmo que tivesse dado
14:33a recomendação contrária,
14:35o STF disse que ele não tem poder
14:38de impedir as quarentenas
14:40determinadas pelos governadores
14:41e pelo prefeito,
14:43ele está tentando jogar já no colo
14:45dos prefeitos e governadores,
14:46as consequências econômicas
14:48das precauções
14:50para a preservação da vida humana.
14:53Então, é simplesmente um jogo
14:55de narrativas políticas,
14:57porque o planejamento estratégico,
15:00chegar, conversar e falar
15:01não, vamos abrir aqui,
15:02aqui tudo bem,
15:03aqui não,
15:03porque aqui é mais grave e tal,
15:05ele não apresenta esse plano,
15:07não apresenta sequer um estudo
15:08que baseie uma proposta
15:10daquele chamado isolamento vertical.
15:13Então, os governadores e prefeitos,
15:15e vocês podem não gostar
15:16de vários governadores,
15:17de vários prefeitos,
15:19a questão é,
15:20podem achar, inclusive,
15:21que eles também não estão nem aí
15:22para a vida da população,
15:23só que,
15:24se eles tiverem de responder
15:25por morte nos hospitais,
15:27isso pode destruir
15:28o capital político deles.
15:29Então, também por isso,
15:31eles tomam essas atitudes
15:32porque eles estão preocupados.
15:33E o Bolsonaro fica preocupado lá
15:35com a economia,
15:38com a consequência econômica,
15:40pela qual ele não quer ser culpado
15:44e quer, inclusive,
15:45que os outros sejam culpados por isso.
15:47Então, esse é o jogo
15:48que está acontecendo nesse momento
15:50e ele sabe o quanto a economia
15:52é importante num ano eleitoral
15:54como o de 2022.
15:56Mesmo que as pessoas saibam
15:57que o mundo inteiro
15:58entrou em crise econômica,
16:01não por causa inicial,
16:04original dos governantes,
16:06mas por causa da pandemia,
16:07do coronavírus.
16:08Então, essas foram as declarações
16:10do Marcelo Crivella,
16:12que também pregou o uso de máscaras,
16:14falou que vai publicar um decreto,
16:16assim como estão fazendo
16:17em Belo Horizonte,
16:19o prefeito,
16:20e também em Salvador.
16:22Depois eu dou mais detalhes.
16:23Agora, no Ceará,
16:24o Ceará já tem todos os leitos
16:26de UTI da rede pública,
16:28do SUS,
16:29ocupados.
16:30Já tem uma corrida
16:31para montar novos leitos
16:32e o governador Camilo Santana,
16:34do PT,
16:34recebeu 20 leitos enviados
16:35pelo Ministério da Saúde
16:37para tentar lidar
16:39com essa sobrecarga
16:41do sistema.
16:43Então, essa é a realidade.
16:44No Ceará,
16:45vocês verem que a situação
16:46está complicada
16:48em vários locais do país.
16:50Aqui em São Paulo,
16:52quatro hospitais municipais
16:53na Zona Leste
16:54têm 100% de ocupação
16:56na UTI.
16:58Até o momento,
16:58são contabilizados
16:5912.841 casos confirmados
17:02da COVID-19 no Estado,
17:03com 928 mortes,
17:05928,
17:06daquelas 2.141
17:10do total nacional.
17:12Então, aqui em São Paulo
17:13é o epicentro
17:14dessa crise.
17:15É por isso que é preciso
17:17haver um cuidado maior
17:19em relação
17:20ao isolamento social.
17:22E é importante
17:24destacar o seguinte,
17:26teve uma manchete
17:27na Folha
17:27que foi a seguinte,
17:28coronavírus
17:29lota o hospital
17:30Emílio Ribas
17:31e médicos correm
17:33para evitar escolher
17:34quem morre.
17:35Olha a situação
17:36que está sendo descrita.
17:37A UTI do Emílio Ribas
17:38foi a primeira
17:39a ficar lotada
17:39na rede pública
17:40da cidade de São Paulo.
17:42São 100% dos leitos
17:43ocupados com pacientes
17:45de COVID-19.
17:46Vagas só surgem
17:47quando um paciente
17:48tem alta
17:49ou quando alguém morre.
17:50No hospital,
17:51médicos correm
17:52contra o tempo
17:53para adiar o momento
17:54em que esgotados
17:55os recursos,
17:56terão de escolher
17:57entre quem receberá
17:58apoio
17:59para continuar vivo
18:00e quem não.
18:01Que foi o que aconteceu
18:02em alguns países
18:04da Europa.
18:04Portanto,
18:05uma situação
18:05muito delicada
18:07aqui no Estado.
18:08E lá no Amazonas,
18:10a declaração
18:12do governador
18:12que ganhou as manchetes
18:13na sexta-feira
18:14foi a seguinte,
18:15não vou ter mais
18:16onde colocar corpos.
18:18Foi a declaração
18:19do governador
18:20Wilson Lima
18:20sobre o colapso
18:22do sistema de saúde
18:23do Estado.
18:24Abro aspas para ele,
18:24estamos trabalhando
18:25no limite.
18:26Todos os dias
18:27quando tem um paciente
18:28que agravou,
18:28a gente busca um leito
18:29daqui e um leito dali.
18:31Às vezes um leito
18:31desocupa
18:32porque um paciente
18:33foi desentubado
18:35ou outro motivo.
18:36Mas hoje a gente
18:37está no nosso limite.
18:38Em algum momento
18:39nosso sistema de saúde
18:40não terá condição
18:41de atender todo mundo.
18:42Em algum momento,
18:43como já estamos vendo
18:43em unidades hospitalares,
18:45não vou ter mais
18:46onde colocar corpos.
18:48Essa foi a que virou manchete.
18:50Wilson Lima
18:50anunciou a prorrogação
18:51do estado
18:52de calamidade pública
18:53no Amazonas
18:54por mais 180 dias.
18:57E até
18:57a quinta-feira
18:59o estado
18:59contabilizava
19:001.719 casos
19:02e 124 mortes.
19:05Então vocês vejam
19:06que a situação
19:07em determinados estados
19:09é realmente complicada.
19:10O sistema de saúde
19:11está sobrecarregado
19:14e está na iminência
19:15de acontecer
19:17maiores tragédias
19:18nas portas
19:19e nos corredores
19:20dos hospitais.
19:21Agora, Belo Horizonte
19:23eu falei que também
19:24vai obrigar
19:25as pessoas
19:26a usar máscaras.
19:27O prefeito
19:27Alexandre Calil
19:28do PSD
19:29disse que assinaria
19:31esse decreto
19:31endurecendo
19:32inclusive ainda mais
19:33as regras de distanciamento
19:35e isolamento social.
19:37Faremos a entrega
19:38para os miseráveis,
19:39os invisíveis.
19:40Não somos obrigados
19:41a entregar
19:42para a população.
19:43O restante pode fazer
19:43com meia camisa
19:44a fralda
19:45explicou
19:46o Alexandre Calil.
19:48E vale a pena
19:48ler as declarações
19:49do Carlos Starling
19:50que é infectologista
19:52e membro
19:52do comitê
19:53criado lá
19:54para enfrentamento
19:55da pandemia
19:55em BH
19:56que eu estou falando.
19:57As máscaras
19:57vêm num contexto
19:58de uma série
19:59de medidas
19:59para depois
20:00se fazer
20:01uma flexibilização
20:02orientada.
20:03Não podemos ter
20:04uma desmobilização
20:05irresponsável.
20:06BH está indo
20:07muito bem
20:08no isolamento social.
20:09Se olharmos
20:09os números
20:10você vai perceber
20:11que o esforço
20:11da população
20:12está sendo compensado.
20:14Não podemos relaxar.
20:15O vírus está circulando
20:16e não chegamos
20:17no pico ainda.
20:18precisamos ter
20:19um achatamento
20:20dessa curva
20:21para que as medidas
20:22preventivas
20:22sigam sendo implementadas
20:24com conhecimento científico
20:25e as estratégias
20:26de flexibilização
20:27também.
20:28Epidemia não se resolve
20:29no sprint
20:30e sim como uma maratona.
20:32Tem que ir dosando
20:33seu esforço.
20:34As medidas
20:34têm lógica
20:35e lastro técnico
20:36e vão sendo tomadas
20:37a conta gotas.
20:38A estratégia
20:39é um indivíduo
20:40proteger o outro.
20:41O objetivo
20:41é ter menos mortes.
20:43Tendo menos mortes
20:43temos capacidade
20:44de reagir melhor
20:45economicamente.
20:47e lá na Grande BH
20:48como se chama
20:49pelo menos 11 cidades
20:50também tornaram
20:51obrigatório
20:52o uso da máscara.
20:54Em Salvador
20:55vai haver inclusive
20:56multa.
20:56O prefeito de Salvador
20:57ACM Neto
20:58anunciou isso
21:00que as pessoas
21:01que não usarem
21:01máscaras
21:02nas ruas da capital
21:03serão multadas
21:04em caso de reincidência.
21:05Além disso
21:06usuários de transporte
21:07coletivo
21:07não poderão entrar
21:08em ônibus
21:08ou trem
21:09sem máscara
21:10e segundo a ACM Neto
21:11quem estiver com passageiro
21:12sem máscara
21:13será multado
21:13administrativamente
21:15e vai ter uma multa
21:16administrativa
21:16para todas as pessoas
21:17no carro
21:18sem máscara.
21:20Nesse decreto
21:20o prefeito
21:21ainda prorrogou
21:21a suspensão
21:22das atividades
21:23em shoppings
21:24e estabelecimentos
21:25comerciais
21:25além de clubes
21:26sociais e esportivos.
21:28Portanto
21:29indo contra
21:30também as vontades
21:31do presidente
21:31o acesso às praias
21:33também continua
21:34proibido.
21:35Então esse é
21:36um panorama
21:37do que está acontecendo
21:39em várias cidades
21:40em vários estados
21:41pra vocês verem
21:42é que a situação
21:44é bem diferente
21:45dessa recomendação
21:48dessa retórica
21:50que o presidente
21:51vem adotando
21:52e é por isso
21:53claro
21:54que o Nelson
21:55Tai
21:55não tem como
21:58chegar no
21:59Ministério da Saúde
22:00e de repente
22:00fazer o fim
22:02do isolamento
22:03social
22:04o fim
22:05do confinamento
22:06primeiro que não tem
22:06nem poderes
22:07pra isso
22:07porque envolve
22:08a decisão
22:09dos governadores
22:10e dos prefeitos
22:10mas ele poderia
22:12fazer uma grande
22:13recomendação
22:14só que a situação
22:15precisa ser analisada
22:17conforme o impacto
22:19no sistema de saúde
22:20inclusive há
22:21aqui em São Paulo
22:22por exemplo
22:22a quarentena
22:23foi prorrogada
22:24até 10 de maio
22:24e há muita discussão
22:25a respeito
22:26das cidades do interior
22:27onde ainda não houve
22:28um nível alto
22:30de contágio
22:30mas há também
22:31isso acontece
22:33em vários estados
22:33não é só aqui não
22:34existe a preocupação
22:35do governador local
22:37com a estrutura
22:40do sistema de saúde
22:41nas cidades menores
22:42para absorver a demanda
22:44se o contágio
22:45aumentar
22:45então existe um tempo
22:47e esse tempo
22:49da quarentena
22:49foi fundamental
22:50pra isso
22:51em vários lugares
22:52do Brasil
22:53para que os sistemas
22:55de saúde
22:55fossem buscando
22:57os equipamentos
22:58necessários
22:58para absorver a demanda
23:00é isso que continua
23:01acontecendo
23:02porque o país
23:02carece de equipamentos
23:04carece de equipamento
23:05de proteção individual
23:06os EPIs
23:07carece dos kits
23:08de testagem
23:09de positivo
23:11negativo
23:12de testagem massa
23:13que é o ideal
23:14que o Brasil
23:15está procurando
23:16lutando
23:17tem empreendedores
23:18aí produzindo
23:19como aquele
23:20que eu entrevistei
23:21e tem busca
23:22por importação
23:23por essa compra
23:24precisa de ventiladores
23:25mecânicos
23:26desses respiradores
23:27o Rio de Janeiro
23:27está esperando
23:28chegar umas centenas
23:29alguns ficaram
23:30em São Paulo
23:31então é preciso
23:32preparar o terreno
23:33para que as medidas
23:34restritivas
23:35vão sendo relaxadas
23:37de uma maneira
23:38calculada
23:39de acordo
23:40com os números
23:41e as estatísticas
23:42agora
23:42ficar soltando
23:44bravata
23:45ficar soltando
23:46narrativa política
23:47é muito fácil
23:48e é isso que a gente
23:49está vendo por aí
23:50uma grande preocupação
23:51com créditos
23:53com onde vai cair
23:54a responsabilidade
23:56onde vai cair
23:57a culpa
23:57uma preocupação
23:58maior com isso
23:59do que com
24:00a gravidade
24:01o risco
24:02para a vida humana
24:04dos brasileiros
24:05eu sou Felipe Moura Brasil
24:06você acompanha
24:07tudo aqui
24:07em oantagonista.com
24:09em youtube.com
24:10barra o antagonista
24:11um grande abraço
24:12e até a próxima
24:13eu sou Felipe Moura Brasil
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