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  • há 7 meses
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O governo tenta dar uma finalidade para os 6,8 milhões de testes de coronavírus que não foram repassados aos municípios. No Papo Antagonista desta segunda-feira, Felipe Moura Brasil e Mario Sabino analisaram a postura do Ministério da Saúde e do presidente Jair Bolsonaro, que insiste em negar a gravidade da pandemia.
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Transcrição
00:00Muito bem, chegamos então à pauta mais polêmica, que rendeu muita repercussão no debate público, principalmente nas redes sociais,
00:07que é a seguinte, mais de 6 milhões e 800 mil testes de coronavírus comprados pelo Ministério da Saúde
00:14perdem a validade entre dezembro e janeiro, revelou o Estadão.
00:19Eles não foram distribuídos para a rede pública e ainda estão estocados em um armazém na cidade de Guarulhos.
00:25Os testes são do tipo RT-PCR, capaz de identificar se a pessoa está infectada pelo vírus no momento.
00:32O Ministério da Saúde afirma que enviou a Estados 9 milhões e 300 mil testes RT-PCR.
00:38Segundo a reportagem, o SUS aplicou apenas 5 milhões de testes do tipo até o momento, menos do que a quantidade armazenada.
00:46Em nota, a pasta afirmou que a empresa Cegene, não sei se é assim que se fala o nome,
00:51fornecedora de testes de Covid-19 para o governo, deve entregar esta semana estudos para estender a validade
00:58dos 6 milhões e 800 mil RT-PCR que estão no estoque.
01:03Segundo o Ministério, os testes são repassados de acordo com as demandas dos estados.
01:08Ao todo, a saúde investiu 764 milhões de reais em testes.
01:13A reportagem do Estadão afirma que as unidades que estão para vencer custaram 290 milhões.
01:19O Brasil realizou somente 22% dos 46 milhões de testes para Covid-19 definidos como meta no programa
01:28Diagnosticar para Cuidar, lançado em maio.
01:31O presidente Jair Bolsonaro responsabilizou prefeitos e governadores.
01:36Em resposta a uma apoiadora no Facebook, Bolsonaro disse
01:39Aspas, todo o material foi enviado para estados e municípios.
01:43Se algum estado ou município não utilizou, deve apresentar seus motivos.
01:48Fecho aspas.
01:49O Mário Sabino voltou à linha, produção?
01:52Mário Sabino, então, ele até comentou, se eu não estou enganado, no antagonista.com,
01:58essa polêmica, Mário.
02:00O que você achou do presidente tirar o corpo fora, colocar aí a culpa mais uma vez nos estados e municípios?
02:08Não está faltando uma liderança, uma integração para lidar com a pandemia?
02:12A gente fica preocupado também porque os testes, eles, se forem aplicados,
02:18podem mostrar uma alta taxa de contaminação, de infecção, o que nunca interessou muito ao governo.
02:23Desde o começo, a gente tem pregado a importância de testes em outros países,
02:28são feitos os testes, aí tem rastreamento, aí tem isolamento, em decorrência desse monitoramento.
02:34E aqui parece que tudo ficou em segundo plano, mas a pandemia continua, né?
02:40É uma falta de respeito, é uma falta de coordenação, é uma falta de sensibilidade,
02:50é uma falta de administração, né?
02:56Obviamente, o governo federal renunciou a qualquer papel de organização do combate à pandemia.
03:06No primeiro momento, o Bolsonaro jogou a culpa sobre o Supremo Tribunal Federal,
03:13que disse que estados e municípios, cabia a estados e municípios determinar as políticas locais
03:18de combate à pandemia, mas o Bolsonaro espertamente colocou para circular
03:25essa interpretação errônea de que o Supremo Tribunal Federal tirou qualquer responsabilidade
03:31da União, da Presidência da República, do Poder Executivo.
03:35O que não é verdade, o Poder Executivo teria que coordenar todos esses trabalhos.
03:39O que nós estamos assistindo, diante do crescimento exponencial da pandemia, outra vez,
03:43o Brasil nunca saiu da primeira onda, mas agora a onda ganhou mais altura
03:48nas últimas duas semanas.
03:51O que o governo está fazendo é tirar o corpo fora, como você falou mais uma vez,
03:55ele é responsável por essa manutenção dessa onda contínua, enorme,
04:00que agora se evoluiu outra vez.
04:03O culpado é o Bolsonaro, na figura execrável de Nero,
04:09o Bolsonaro, né, que ele vem desempenhando nesse papel.
04:16E você tem aí, Filipe, eu estava conversando aí com um dos coordenadores
04:20do combate à pandemia aqui em São Paulo,
04:24e essa alta, importante que se diga isso,
04:27essa alta que nós estamos experimentando,
04:30não só em São Paulo, mas no Brasil inteiro,
04:33ela se deve ao quê?
04:34A campanha eleitoral, que colocou milhares, milhares de candidatos e pessoas,
04:41por mais que a campanha tenha sido diferente esse ano, na rua.
04:45Então, houve muito contato, devido a muita aglomeração,
04:49e esse crescimento em todos os estados
04:52se deve muito à campanha eleitoral,
04:56que ainda não acabou, né,
04:58ainda vai ter segundo turno em muitos locais neste fim de semana.
05:02Então, a gente está sofrendo as consequências
05:06dessas aglomerações eleitorais, né,
05:11tipo, em eleitoral, que ocorreram no Brasil e em todos os estados.
05:14Você pode perceber que é geral, né, o aumento.
05:17Tem alguns estados mais, outros estados menos, obviamente,
05:20mas o aumento é geral.
05:22Bom, se não houvesse alguma coordenação nacional,
05:26muito provavelmente o impacto causado pelas campanhas eleitorais
05:32talvez tivesse sido menor.
05:34Fazer uma coordenação.
05:36Então, a gente está experimentando essa tragédia, né,
05:39que vai constar, sim,
05:42do capítulo dedicado ao senhor Jair Bolsonaro nos livros de história.
05:45Pois é, e hoje pela manhã o presidente também culpou prefeitos e governadores
05:50pela alta no preço dos alimentos.
05:52Segundo Bolsonaro, esse foi um desdobramento das medidas de isolamento social
05:56impostas por estados e municípios.
05:58Solta a sonora, produção.
06:00É uma consequência, não fica em casa.
06:02Quase quebraram a economia.
06:05Você vê São Paulo aumentou o ICMS de quase tudo,
06:08inclusive, produtos de cesta básica.
06:09Então, tem muita coisa errada, sabemos disso,
06:13mas a responsabilidade tem que ser apontada para quem de direito.
06:17Todo mundo aponta para mim essa questão dos alimentos.
06:21Estamos fazendo o possível para voltar à normalidade.
06:25E fala, Mário. Pode falar.
06:27Não, é porque eu gostaria só de dizer que isso é uma grande mentira, né, mais uma.
06:33E relacionar isso com a fala do Paulo Guedes hoje, na live,
06:37dizendo que a economia brasileira encontrou um grande equilíbrio com o dólar a esse preço,
06:44mais de 5, e os juros básicos da economia a 2%.
06:47O que está ocorrendo, na verdade, é a inflação causada, causada pela alta do dólar.
06:54Como a gente já abordou aqui, né, ficou muito mais vantajoso para o exportador
07:00mandar para fora arroz e outros itens, né, do que vender aqui dentro.
07:04Ou seja, diminuiu a oferta interna e aumenta, então, aumentou o preço, obviamente.
07:12É culpa do senhor Paulo Guedes, que acha que está tudo muito bem, tudo muito bom.
07:16Não está, viu?
07:17Talvez lá na Faria Lima esteja, mas no resto do Brasil não está, não.
07:21Aliás, durante um evento da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro hoje pela manhã,
07:27o ministro da Economia, Paulo Guedes, minimizou a existência de uma segunda onda da Covid-19.
07:32Segundo ele, a doença cedeu. Tem a sonora produção?
07:35Estão querendo dizer que a doença já está aqui, não é o fato.
07:38O fato é que a doença cedeu substancialmente e as pessoas, até porque a doença cedeu,
07:49saíram mais, interagiram mais, se descuidaram um pouco.
07:53Pode ser que tenha voltado um pouco.
07:56O ministro afirmou que a economia está muito mais saudável com o dólar a 5 reais,
08:00como a gente já colocou aqui na conversa com o Matheus Spitz.
08:03Mário, está rindo aí, né, Mário? É engraçado.
08:06É, o Paulo Guedes devia ir lamber maçaneta, né, já que não tem problema nenhum.
08:12Vai lamber maçaneta, ministro.
08:14Plantar batata não dá, né, mas lamber maçaneta talvez seja uma boa atitude,
08:21já que a pandemia está cedendo, não temos que ter medo de nada.
08:26Então vai lamber uma boa maçaneta, para ver se a coisa realmente cedeu.
08:31É, pois é, porque a pandemia continua, ainda não tem um medicamento milagroso,
08:38a vacina ainda não foi distribuída, as pessoas não estão tomando vacinas,
08:43então, eventualmente, se há uma diminuição do número de casos, é por mais precauções, né,
08:49apesar de todo o discurso negacionista do presidente da República e de estímulo
08:54a falta de precauções por parte da população brasileira, enquanto as pessoas precavidas e tal
09:00estimulam que as pessoas se cuidem.
09:03Não é uma discussão unicamente, né, mas é sempre bom colocar entre fechar e abrir, né,
09:07entre todo mundo ficar trancado em casa ou tudo funcionar ao mesmo tempo.
09:12É se ter bom senso para saber aquilo que é possível ser feito,
09:16nas condições em que pode ser feito, com distanciamento, com máscara, etc.
09:21Mas eles sempre tentam colocar a discussão nesse nível binário.
09:25E parece que o Bolsonaro vai ficar nesse discurso até 2022, né,
09:30de que é a culpa dos governadores e dos prefeitos que fizeram isolamento social,
09:34e aí ele fala disso sem nuance nenhuma, sem distinguir, por exemplo,
09:37do lockdown que é decretado em outros países.
09:39Até Israel, né, supostamente aliado do presidente Benjamin Netanyahu,
09:44teve lockdown lá, quer dizer, não é uma coisa de país comunista,
09:48é um recurso que não foi usado no Brasil em termos, assim,
09:52de a pessoa ser multada por colocar o pé fora de casa
09:54e vizinhos até receberem uma recompensa por dedurar a aglomeração.
09:59Isso está acontecendo em outros países.
10:00A gente não está pregando exatamente isso.
10:03Está pregando simplesmente os cuidados, as precauções, etc.
10:07Mas o discurso dele é sempre nesse tom beligerante, gerando mais confusão, né?
10:12Bom, olha, é um negacionismo burro, né, não tem nenhuma barra.
10:20Olha, olha aí a média, média móvel, né, como se fala.
10:23O Brasil, outra vez, o número de casos aumentou.
10:26Eu estava falando justamente em função da campanha eleitoral,
10:30que teve um forte impacto no aumento geral.
10:33Mas, assim, negar que a pandemia esteja aí, que sempre esteve,
10:38houve uma pequena diminuição muito lenta, né,
10:41essa que é a verdade, e agora empinou outra vez.
10:44E os números, olha, o ministro Guedes deveria,
10:49até por uma questão profissional, levar a sério os números, né?
10:54Mas parece que ele não está levando, não está levando nem a sério
10:57os números na economia, como os números também da pandemia.
11:01Até rimou, né?
11:08Legenda por Sônia Ruberti
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