- há 7 meses
A pneumologista e pesquisadora clínica Dra. Margareth Dalcolmo, da Fiocruz, conversa com Felipe Moura Brasil sobre as medidas restritivas durante a pandemia de coronavírus, o impacto nos brasileiros e no sistema de saúde, e demais polêmicas em torno do tema.
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NotíciasTranscrição
00:00Salve, salve, leitores e espectadores de O Antagonista.
00:03Eu sou Felipe Moura Brasil e recebo mais uma convidada especial.
00:07É a pneumologista e pesquisadora clínica da Fiocruz,
00:11doutora Margarete Dalcomo.
00:13Muito obrigado por essa entrevista.
00:16Obrigada, Felipe.
00:18Doutora, a senhora tem dado entrevistas aos jornais
00:21e eu queria que desse também para o público de O Antagonista.
00:26E uma entrevista da senhora que repercutiu muito a um jornal
00:28teve uma declaração que eu gostaria que a senhora desenvolvesse,
00:33explicasse melhor, até para não restar qualquer dúvida.
00:37A senhora falou que o que podemos fazer hoje,
00:39a senhora respondeu, defender o isolamento social radical.
00:43Como isso tem muitas consequências políticas, etc.,
00:46a gente vai se ater, obviamente, às questões médicas e sociais.
00:50Muita gente já tenta jogar como se a senhora estivesse defendendo
00:54que se paralisasse tudo.
00:56E, nesse momento, claro, a população precisa de abastecimento,
00:59precisa ter acesso a remédios.
01:01Então, qual é o grau desse isolamento radical?
01:05E a senhora coloca esse peso por quê?
01:09Olha, Felipe, em primeiro lugar, eu queria dizer
01:12que eu não ouvi ninguém que tenha tido qualquer mal entendido
01:16em relação a isso.
01:17Porque essa não é uma recomendação minha.
01:20Essa é uma recomendação universal.
01:21A minha responsabilidade como pesquisadora e como médica
01:26é de anuir com uma recomendação que tem sido feita,
01:30não só pelas grandes autoridades,
01:33e que tem sido objeto de arrependimento
01:35daquelas autoridades sanitárias e políticas,
01:38até que não a fizeram.
01:40E o exemplo mais paradigmático disso é o prefeito de Milão,
01:43que fez um meia-culpa público,
01:45tendo em vista a tragédia humanitária que se abateu sobre Milão,
01:49exatamente porque o tamanho e a magnitude dessa epidemia
01:53foi subestimada.
01:54Há outros exemplos de revisão que denotam
01:57dessas autoridades, eu diria, grandeza.
02:00O próprio primeiro-ministro inglês,
02:03quando recomendou que fosse feito um isolamento mais ou menos,
02:07um isolamento chamado vertical,
02:09em que apenas para que as pessoas fossem ganhando
02:12a chamada imunidade de rebanho,
02:13e os próprios pesquisadores do Imperial College da Inglaterra,
02:17que são um grupo da maior expertise em relação à epidemiologia,
02:22provaram e demonstraram calculando o número de mortes
02:26que seriam evitadas caso fossem tomadas medidas de isolamento radical.
02:30Ele, então, mostrando lucidez,
02:34voltou atrás e a Inglaterra hoje,
02:36o Londres está praticamente locked down, como você sabe.
02:39Então, assim, não há outra maneira, Felipe,
02:42diante de uma doença de tamanha dispersão,
02:45de capacidade de transmissão com a velocidade com que se transmite,
02:50com a facilidade com que se transmite,
02:52neste momento em que a ciência ainda não tem
02:55uma vacina para prevenir e nenhum remédio para tratar,
02:59a única maneira de conter a epidemia
03:02é impedindo que ela seja transmitida de uma pessoa para outra.
03:06Os custos econômicos, e nós médicos, obviamente,
03:10fazemos parte desse grupo que também consome,
03:13que também precisa trabalhar,
03:14que nesse momento está com muitas dificuldades
03:17de desenvolverem as suas atividades,
03:19que estamos na linha de frente atendendo os pacientes,
03:23que estamos adoecendo.
03:24Hoje há um número enorme de profissionais de saúde hospitalizados,
03:29não apenas no Brasil, onde já começam a cair,
03:33já é um número expressivo.
03:34Portugal já tem 20% dos seus casos são profissionais de saúde,
03:39então nós temos uma força de trabalho
03:41que precisa estar comprometido
03:43frente a uma epidemia desse tamanho.
03:46Então, assim, nós também reconhecemos
03:48que o impacto disso econômico sobre as nossas vidas também é,
03:51mas ele é, sobretudo, muito, muito duro
03:55num país como o Brasil,
03:57do tamanho das desigualdades do Brasil,
03:59naquelas camadas de população
04:01que representam 40% da economia informal.
04:04Então, para essas pessoas,
04:06eu já disse isso mais de uma vez,
04:08nós temos que reconhecer,
04:10até porque nós médicos trabalhamos
04:12com essas camadas sociais também,
04:14elas precisam ser, nesse momento, assistidas.
04:17E quando eu digo assistidas,
04:18eu digo de maneira muito sincera,
04:21não é assistida mais ou menos, não,
04:23tem que ser assistidas em tudo.
04:25Tem que ter saneamento básico,
04:27tem que ter água,
04:28porque não adianta falar em lavar a mão
04:29em lugares que nem água tem,
04:31muito menos potável,
04:33não adianta falar em álcool gel,
04:35porque isso é coisa para a classe média,
04:37para pobre tem que falar em água e sabão,
04:39porque é isso que essas pessoas precisam
04:41e elas não vão poder comprar.
04:42Elas, para terem,
04:45elas vão ter que receber isso
04:46nas suas mãos para poderem usar.
04:48Da mesma maneira como vão ter que receber
04:50cesta básica,
04:51da mesma maneira que vão ter que receber
04:53da toda a rede básica de saúde,
04:55que é o nosso grande SUS,
04:57que vai ter que dar resposta
04:58para 80% do problema da epidemia
05:02da Covid-19 no Brasil,
05:04que vai ter que assistir essas populações.
05:06Então, assim, não me parece, Felipe,
05:08que haja nenhum mal entendido
05:10em relação à opinião pública
05:12quanto a essa necessidade.
05:15Sem dúvida, doutora.
05:16Eu compartilho a sua opinião,
05:18tenho mostrado isso nos meus comentários,
05:19mas eu, obviamente,
05:20como faço comentários
05:22sobre os aspectos políticos,
05:23recebo também muitos comentários
05:25daquela militância
05:26que não quer entender muitas vezes.
05:30Agora, eu queria aproveitar
05:30a notícia de hoje.
05:31O secretário de Saúde do Rio de Janeiro,
05:33Edmar Santos,
05:34ele deu uma declaração
05:35que eu queria que a senhora comentasse.
05:37Não a declaração, obviamente,
05:38mas o aspecto técnico dela.
05:41Porque ele falou
05:42sobre a população mais jovem,
05:44é que também está sendo afetada
05:47pelo coronavírus.
05:48Se você me permite,
05:50Felipe, me interromper,
05:51o secretário Edmar Santos
05:54é um homem de grande visão,
05:55não só médica,
05:57como de autoridade sanitária.
05:59E, na verdade,
06:00o que ele está dizendo
06:01é algo que eu declarei
06:02numa entrevista publicada
06:04no jornal de grande circulação,
06:06agora recentemente,
06:07cujo título é
06:08A Covid vai rejuvenescer no Brasil.
06:11E é verdade.
06:12Por quê?
06:13Por uma razão muito simples.
06:14A nossa pirâmide de população
06:16não é predominantemente de idosos,
06:20como é na Itália.
06:21E, de certa maneira,
06:22na Espanha também.
06:23Nós temos uma distribuição
06:24de população
06:25que, ainda que nós saibamos
06:26que o Brasil envelheceu,
06:28que nós já tenhamos aí
06:29uns 10% de pessoas
06:31acima de 60 anos,
06:32mas nós temos a maioria
06:33da nossa população
06:35é de gente mais nova.
06:36A nossa mediana,
06:38ou média,
06:39de idade de pacientes internados hoje,
06:42já não é a mesma comparável
06:44à Itália.
06:45Ela já é um pouco menor
06:46e eu estou falando
06:47da rede privada.
06:48No momento em que começarmos
06:49a ocupar os leitos
06:51da rede pública,
06:52que hoje você sabe
06:53que a oferta
06:55está aumentando muito
06:56com os hospitais de campanha,
06:58nós mesmos na Fiocruz
06:59vamos abrir dentro de um mês
07:01um hospital de campanha
07:02com 200 leitos,
07:03até para desenvolver
07:04os ensaios clínicos
07:05de tratamento,
07:06mas o doutor Edmar
07:07falou algo
07:09que nós sabemos.
07:10Então,
07:10é por isso que
07:11mais de uma vez
07:12eu já conclamei
07:13e conclamo de novo,
07:15Felipe,
07:15os jovens
07:16têm que entender
07:17que diante da Covid-19
07:18não há invencíveis.
07:21Todos somos
07:22suscetíveis à doença
07:24e todos podemos
07:25ter pneumonia
07:26muito complicada
07:27e todos devemos
07:29seguir as mesmas
07:30recomendações
07:31dos nossos pais
07:32e dos nossos avós.
07:33doutora,
07:34a declaração dele
07:36que eu estava puxando aqui,
07:36estou cheio de janelas abertas
07:38e acabei me perdendo,
07:39a declaração dele foi a seguinte,
07:40a segunda faixa
07:41que mais é atingida
07:44é de 30 a 39 anos de idade,
07:47tivemos óbitos nessa faixa.
07:49Então,
07:49ele está dizendo
07:50que cada vez mais
07:51está saindo
07:51uma notícia aqui
07:52e outra ali
07:53de pessoas abaixo
07:54de 60 anos
07:55que também estão morrendo.
07:57Claro que a maioria
07:57dessas pessoas,
07:58imagino,
07:59a senhora pode me corrigir,
08:00já tinha alguma outra doença,
08:02mas o que eu tenho visto
08:04as autoridades,
08:05inclusive a senhora,
08:07dizendo
08:08é que a sobrecarga
08:09do sistema de saúde
08:10e muitas vezes
08:11os jovens
08:12também causam
08:13essa sobrecarga
08:14além da possibilidade
08:15de se tornarem transmissores
08:17nas ruas
08:17para pessoas idosas.
08:19Então,
08:19não é uma questão só
08:21relativa aos idosos,
08:22envolve todo mundo.
08:24Exatamente.
08:25Depois,
08:25tem um problema
08:26relacionado
08:27à faixa etária pediátrica,
08:29Felipe.
08:29É por isso,
08:30quando nós dissemos
08:31os avós
08:33não podem ficar
08:34em casa
08:34tomando conta
08:35das crianças,
08:36não é porque nós
08:36somos maus,
08:37lobos maus,
08:39é porque nós sabemos
08:40que as crianças
08:40são transmissoras
08:42inocentes,
08:43elas não sabem
08:44que são portadoras,
08:45elas têm uma imunologia
08:46diferente,
08:47elas não desenvolvem
08:48formas graves
08:49de doença,
08:50embora já haja doença,
08:52inclusive no Brasil,
08:53particularmente,
08:54é uma pessoa
08:54muito próxima
08:55da minha família,
08:56com uma criança
08:57de um ano e seis meses
08:58que testou positivo
08:59há dois dias atrás.
09:00Então,
09:01há doença
09:02em crianças,
09:03sim,
09:03mas ela é muito menos
09:04e ela é muito menos
09:05severa até o momento.
09:07Nós não sabemos
09:08de óbitos,
09:09nada disso.
09:10Os jovens,
09:10por isso é que,
09:11mais de uma vez,
09:12eu conclamei
09:13e sugeri,
09:14inclusive,
09:15que as lideranças
09:16comunitárias,
09:17Felipe,
09:18dessas áreas
09:18de grande concentração,
09:20de comunidades,
09:21etc.,
09:21que fossem interrompidos,
09:23bailes,
09:24funks,
09:24festa,
09:25rave,
09:25tudo isso que representa
09:27grande aglomeração
09:28de jovens,
09:29não pode acontecer.
09:31Então,
09:31assim,
09:32eu sei que ao dizer isso
09:33é uma coisa
09:34muito pouco simpática,
09:35mas nós sabemos
09:36que esse será
09:37um grande foco
09:39de transmissão
09:40de doença,
09:40porque são muitas horas
09:42num lugar fechado.
09:43Então,
09:43assim,
09:44a gente,
09:44eu já disse mais
09:45de uma vez,
09:46Felipe,
09:46não dá para ter
09:47nem festinha de aniversário
09:49para soprar a velhinha
09:50de um ano.
09:51Não dá.
09:52Hoje,
09:53não dá.
09:54Não dá para ter
09:54festa de aniversário,
09:55não dá nem para ter velório.
09:57Você sabe perfeitamente
09:58que os velórios
09:59estão impedidos,
10:01porque nós não podemos,
10:02tem que manter
10:02uma distância razoável,
10:04as pessoas têm que,
10:05a meu juízo,
10:06eu sou uma defensora
10:07desde o início
10:08da epidemia,
10:09do modelo sul-coreano,
10:11de botar máscara
10:12em todo mundo.
10:13Acho que as pessoas,
10:14essa é uma doença
10:14transmitida por gotículas
10:17e, portanto,
10:18o uso de uma máscara
10:19protetora
10:19protege a pessoa sim.
10:22Eu saio de máscara,
10:23quem trabalha comigo
10:25anda de máscara,
10:26meus familiares
10:27andam de máscara.
10:28Por quê?
10:28Porque ainda saem
10:29para uma coisa ou outra,
10:31eu saio para trabalhar,
10:32pego o carro
10:33na garagem,
10:35me dirijo,
10:36paro nos locais
10:37onde trabalho.
10:38Então, portanto,
10:39é uma medida,
10:40a Coreia do Sul
10:41fez isso
10:41e funcionou muito bem.
10:43Então,
10:43é uma outra questão
10:44que, às vezes,
10:45pode parecer controversa.
10:47Já houve várias pessoas
10:49que disseram
10:49que a máscara ilude,
10:50ela não protege,
10:51quem bota a máscara
10:52não vai lavar a mão.
10:53Isso é uma bobagem,
10:54quem bota a máscara
10:55vai botar a máscara,
10:56vai tirar a máscara
10:57da maneira adequada
10:58e vai lavar a mão, sim.
11:00Porque é isso
11:00que é o certo.
11:01Inclusive, doutora,
11:02hoje nós publicamos
11:03no site
11:04o trecho de uma entrevista
11:05do diretor-geral
11:07do Centro Chinês
11:07de Controle e Prevenção
11:08de Doenças,
11:09Jorge Gao,
11:10à revista americana Science.
11:12E ele disse o seguinte,
11:13que virou título
11:14da nossa postagem,
11:15o grande erro
11:15nos Estados Unidos
11:16e na Europa
11:17é, na minha opinião,
11:18a população
11:19não usar máscaras.
11:20Esse vírus
11:21se transmite
11:21por meio
11:22de gotículas
11:22respiratórias
11:23de pessoa
11:23para pessoas.
11:24O gotículas
11:25tem um papel
11:26muito importante,
11:27daí a necessidade
11:28da máscara,
11:29o simples fato.
11:29Exato.
11:30Falar pode transmitir
11:31o vírus.
11:32Essa foi a declaração dele.
11:34E ele está corretíssimo.
11:36Eu disse isso,
11:37isso está gravado,
11:38eu disse isso
11:39em entrevista
11:40na grande mídia
11:41tem quase um mês.
11:42Quando o primeiro caso
11:44chegou ao Brasil
11:45e eu fui chamada
11:46para uma reunião
11:48do Ministério da Saúde
11:49num grupo de especialistas
11:51que descobriu,
11:52que fez as recomendações
11:54das normas brasileiras
11:55exaradas pelo Ministério
11:57da Saúde,
11:58desde essa ocasião
11:59eu disse,
12:00além do isolamento,
12:01as pessoas
12:02para se mobilizarem
12:03ou aquelas
12:04que vão cuidar,
12:06por exemplo,
12:06cuidadores de idosos
12:07é muito frequente,
12:08essas pessoas
12:09vêm,
12:10elas têm que ter
12:11transporte coletivo,
12:12elas não moram
12:12na mesma casa.
12:14Então,
12:14essas pessoas
12:15que vão lidar,
12:16muitas vezes
12:16os idosos
12:17são acamados
12:18e às vezes
12:18nem é uma pessoa
12:19de idade,
12:20é uma pessoa
12:21que apenas
12:21por uma razão
12:22de doença
12:23não consegue se mobilizar,
12:25então tem que ter
12:25alguém cuidando,
12:26essas pessoas
12:27têm que ter
12:27proteção sim,
12:28Felipe.
12:29É claro
12:29que com isso
12:30eu não estou dizendo
12:31que é certo
12:32o que já ocorreu,
12:34em que as pessoas
12:35acorreram
12:36às farmácias
12:37e acabaram
12:38com os estoques
12:39de máscara.
12:40Isso está errado,
12:41as pessoas
12:41têm que deixar
12:42prioritariamente
12:43os equipamentos
12:44de proteção
12:44individual
12:45para os profissionais
12:47de saúde,
12:47porém,
12:48neste momento
12:49há várias iniciativas
12:51que eu não sei
12:52se você sabe
12:53que nós estamos
12:54estimulando,
12:55que várias empresas
12:56já estão
12:57produzindo máscaras
12:58que vão ser usadas
13:00de modo descartável
13:01e vão ser distribuídas
13:02aos milhares
13:04nas comunidades
13:05para que as pessoas
13:06possam usar
13:07e deixar as máscaras
13:09industriais
13:09que hoje
13:10ainda têm
13:10no mercado
13:11com muita dificuldade,
13:13muita mesmo.
13:14Esse não é um problema
13:15só do Brasil,
13:16é um problema mundial.
13:18Você deve ter visto
13:19na grande mídia
13:20funcionários,
13:21enfermeiros,
13:22auxiliares
13:22de grandes hospitais
13:24da rede privada
13:24de Nova York
13:25utilizando sacos
13:27de lixo
13:27envolvendo as mãos
13:28por ausência
13:29de equipamentos
13:30de proteção individual.
13:32Então,
13:32não é um problema
13:33de desabastecimento
13:34só do Brasil,
13:35é um problema
13:35do mundo todo,
13:37porque essa é uma pandemia
13:38de uma magnitude
13:40nunca vista antes.
13:42Essas máscaras,
13:42aliás,
13:43são máscaras descartáveis
13:44para se usar
13:45um dia só?
13:45Qual é o prazo delas?
13:47Existem dois tipos
13:49de máscara,
13:50Filipe,
13:50existe uma máscara
13:51chamada cirúrgica,
13:52que é aquela
13:53que nós usamos
13:54para fazer um curativo,
13:56infectado,
13:57os cirurgiões usam
13:59para operar,
13:59que nós usamos
14:00em centro cirúrgico.
14:01E existe um outro tipo
14:02de máscara,
14:03que é chamada
14:04máscara NIOSHI.
14:05NIOSHI é um instituto
14:06americano que determinou
14:08e que se chama N95,
14:10que é capaz de filtrar
14:1199% das partículas,
14:14dependendo do tamanho delas.
14:15Essas são as máscaras
14:17chamadas padrão ouro
14:18e que devem ser usadas
14:20prioritariamente
14:21por todos os profissionais
14:23de saúde
14:24que estão lidando
14:25diretamente
14:26com pacientes
14:27com Covid-19.
14:28Isto é,
14:29pessoas que estão
14:30dentro do CTI,
14:31que estão em quartos
14:32de isolamento.
14:33Isso envolve
14:34médicos,
14:34enfermeiros,
14:35auxiliares de enfermagem,
14:37farmacêuticos,
14:37todos aqueles
14:38que têm contato direto
14:39com o paciente,
14:40sobretudo aqueles
14:41profissionais
14:42que vão fazer
14:43procedimento médico,
14:44como, por exemplo,
14:45intubação de paciente,
14:47broncoscopia,
14:48qualquer procedimento
14:49que vai gerar
14:51qualquer aerossol
14:52e o que seja um risco
14:54para quem está
14:54fazendo o procedimento.
14:56Agora, doutora,
14:57falando em materiais
14:58e equipamentos,
14:59tem duas coisas,
15:00os kits de testes
15:01para testar positivo
15:02ou negativo
15:03e também os respiradores.
15:05O quanto o Brasil
15:06está abastecido nisso
15:08e houve demora
15:09para conseguir
15:10esses materiais,
15:11esses equipamentos?
15:12Qual é a sua visão
15:13desse cenário?
15:14Olha,
15:15a minha visão,
15:16na verdade,
15:17tem pouca importância.
15:18O que importa
15:18é o dado real,
15:19é o fato.
15:20Então, assim,
15:21ninguém tem
15:22a infraestrutura necessária.
15:24Nos Estados Unidos
15:25são o exemplo
15:26mais claro
15:27de que estavam longe
15:28de estarem preparados.
15:30Hoje,
15:30tem 1.600 pessoas,
15:33mais ou menos,
15:34o dado de ontem,
15:35ocupando o leito
15:35de CTI em Nova Iorque.
15:37Ninguém tem
15:37esse número
15:38de respiradores disponíveis.
15:40Então, assim,
15:41há compras emergenciais.
15:43O Brasil está comprando
15:44um número grande
15:45de respiradores
15:46para utilização
15:47nesses hospitais
15:48de campanha
15:49que estão sendo montados,
15:51para alocação
15:52nesses hospitais
15:53que estão sendo reabertos
15:55ou redirecionados
15:57nessa organização
15:58de contingência
15:59que tem sido feita.
16:00Então, assim,
16:01a estrutura disponível
16:03de saúde
16:04não está preparada
16:05para uma pandemia
16:06dessa magnitude,
16:07absolutamente.
16:08Então,
16:09faltam respiradores,
16:11faltam equipamentos
16:12de proteção individual
16:13e esse não é um problema
16:15do Brasil.
16:16Esse é um problema
16:16do mundo todo.
16:18Eu imagino países menores,
16:20se essa epidemia
16:21eclode de maneira grande,
16:23vão ter mais problema
16:25do que nós.
16:25Afinal de contas,
16:26nós fizemos um plano
16:27de contingência.
16:29Há um mês atrás,
16:30quando nos reunimos,
16:31nós reconhecíamos
16:32que estávamos
16:34há um mês atrás
16:35da Itália.
16:36Na Itália,
16:37a situação já era
16:38catastrófica
16:39a ponto dos médicos
16:40de terapia intensiva
16:41fazerem o que nós
16:43reconhecemos
16:43uma escolha de Sofia.
16:45Ou seja,
16:46foram para o respirador
16:47apenas os pacientes
16:48mais jovens
16:49e os mais idosos,
16:50aqueles com uma probabilidade
16:52de sobreviver
16:53à agressão
16:54dessa doença,
16:55ficaram de fora
16:56e faleceram.
16:58Agora,
16:58como é no Brasil
16:59a incidência
17:00de hipertensão?
17:01Muita gente chama atenção
17:02para o dado
17:03de que é uma parcela
17:04grande da população
17:05hipertensa,
17:06também tem uma parcela
17:07significativa
17:08com tuberculose.
17:09Qual é a sua visão
17:10a respeito?
17:12Assim,
17:13a gente precisa
17:14separar, Felipe.
17:15Hipertensão,
17:16o Brasil tem muita
17:17hipertensão.
17:17Nós somos um país
17:19etnicamente mestiço,
17:21a hipertensão
17:22é uma doença
17:24bastante frequente
17:25no nosso meio,
17:27na nossa sociedade toda,
17:28de modo geral,
17:29e a hipertensão arterial
17:32somada às doenças
17:34do coração,
17:35às cardiopatias,
17:36foram,
17:37na experiência chinesa,
17:39os dois fatores
17:40de maior agravamento
17:42e mais relacionados
17:44à mortalidade.
17:46Então,
17:47quando nós revimos
17:48as normas brasileiras
17:49sobre a chancela
17:50do Ministério da Saúde,
17:52na síndrome
17:53respiratória aguda,
17:55que já existe
17:56um filtro-sograma,
17:57nós associamos
17:58a hipertensão
17:59e a cardiopatia
18:01como um fator
18:01de risco
18:02baseados
18:03na experiência
18:04chinesa.
18:05Agora nós vamos ver
18:06o que vai acontecer,
18:07mas são fatores
18:08de risco
18:09de agravamento
18:10e são relacionados
18:11à maior mortalidade.
18:13Paralelamente a isso,
18:14nós temos
18:15as chamadas
18:16doenças endêmicas
18:17no Brasil
18:18e dessas,
18:19considerando
18:20que estamos falando
18:21de uma doença
18:21eminentemente
18:22respiratória,
18:23a mais,
18:24digamos,
18:25de risco,
18:26que eu diria,
18:27é a tuberculose.
18:28Por quê?
18:28Porque tem muita
18:29tuberculose ainda
18:30no Brasil,
18:31nós temos aproximadamente
18:3270,
18:3373 mil casos
18:35novos
18:35a cada ano,
18:37nós temos um grau,
18:39uma taxa de associação
18:40com HIV
18:41bastante importante,
18:42a tuberculose,
18:43é a doença
18:44mais relacionada
18:45à infecção
18:46pelo HIV,
18:47que estão fazendo
18:47o que nós chamamos
18:48de uma co-infecção,
18:50e esses pacientes,
18:52eles não são
18:53um grupo de risco
18:55porque eles têm
18:56mais risco
18:57de pegar
18:57a COVID-19,
18:58eu preciso fazer
18:59essa separação,
19:00entendeu,
19:01Filipe?
19:01Mas,
19:01uma vez
19:02sendo portadores
19:04de tuberculose pulmonar,
19:05se contaminados
19:06pela COVID-19,
19:08eles desenvolvem
19:09uma chance
19:10muito maior
19:11de complicar,
19:12não há dúvida.
19:12Então,
19:13é fundamental
19:14que esses pacientes
19:16tenham
19:16seus tratamentos
19:18absolutamente
19:19assegurados
19:20nesse momento,
19:22liberados
19:23por um tempo
19:23mais longo,
19:24visto que eles
19:25não vão poder
19:26ficar indo
19:26à unidade
19:27toda semana,
19:28como é a recomendação,
19:30não vão poder
19:30fazer aquele tratamento
19:31diretamente observado
19:33por um profissional
19:34de saúde,
19:35então,
19:35assim,
19:35é estratégico
19:37dar assistência
19:38especial a esse
19:39grupo
19:39nesse momento.
19:41E qual é a sua
19:41opinião sobre
19:42a cloroquina?
19:43Porque houve a liberação
19:45por parte da FDA
19:46americana,
19:47mas ainda há
19:48muito questionamento
19:49sobre a eficácia
19:50não estar ainda
19:52confirmada
19:53num momento
19:54de crise,
19:55com muita gente
19:56passando dificuldade,
19:58tem gente que defende
19:59que seja testado
20:01porque é melhor
20:01arriscar,
20:02qual é a opinião
20:03da senhora
20:04sobre a implementação
20:06desse tratamento?
20:08Olha,
20:08eu não vejo
20:10isso de maneira,
20:11digamos assim,
20:12positiva,
20:13pela seguinte razão,
20:15vários relatos
20:16foram feitos,
20:18a grande experiência
20:19de tratamentos
20:20dos mais variados
20:22é da China,
20:23porque são
20:23da ordem
20:24de milhares,
20:25a China fez
20:26experiência
20:27com a hidroxicloroquina
20:28associada
20:30a outros medicamentos,
20:32não isoladamente,
20:34a China fez
20:34experiência
20:35com alguns
20:36antivirais,
20:38houve um trabalho
20:39francês
20:40que gerou
20:41aquela recomendação
20:42a meu juízo
20:43bastante infeliz
20:44do presidente
20:45Trump,
20:46dizendo que
20:46estava demonstrado,
20:47é um trabalho
20:48com uma metodologia,
20:49é um trabalho
20:49muito pequenino
20:51de 40 pacientes,
20:52totalmente,
20:53enfim,
20:53um trabalho
20:54que não passaria
20:55numa análise
20:56que a gente chama
20:56de Paris,
20:57que é a peer reviewer,
20:59para uma revista
21:00de grande impacto,
21:01sem dúvida nenhuma,
21:02e há vários
21:03outros trabalhos
21:05e relatos
21:06de casos
21:06utilizando a cloroquina,
21:08seja isoladamente,
21:10seja associada
21:11a outros medicamentos,
21:13então,
21:13associada a antibióticos,
21:15associada a outros
21:16antivirais,
21:16etc.
21:17Então,
21:18a recomendação
21:19que eu consideraria
21:20mais,
21:21digamos,
21:22prudente,
21:23frente a um paciente
21:24grave,
21:25que tem uma chance
21:26enorme de morrer,
21:27que você não tem
21:28mais nada
21:29para oferecer,
21:30nessa circunstância,
21:32como nós já sabemos
21:34que está sendo feito
21:34no Brasil,
21:36possa ser oferecido.
21:37Porém,
21:38isso exige,
21:39eticamente,
21:41considerando os preceitos
21:42éticos mais rigorosos,
21:44a declaração de Alzin,
21:45que normaliza
21:47toda a pesquisa clínica,
21:49que esse paciente,
21:51que esses grupos,
21:52daqui para frente,
21:54sejam objeto
21:55de ensaios clínicos
21:56controlados.
21:57Nesse sentido,
21:59Felipe,
21:59eu acho que a gente,
22:00nós conquistamos
22:01alguma coisa positiva,
22:03que foi a chancela
22:04e,
22:05digamos assim,
22:07a elaboração
22:12e a recomendação,
22:14a benção,
22:15digamos assim,
22:16da própria Organização
22:17Mundial da Saúde,
22:18que determinou,
22:19durante um período,
22:20agora,
22:21um conjunto
22:22de ensaios clínicos,
22:23chamado Solidarity,
22:25Solidariedade,
22:26que vai testar
22:28vários tratamentos,
22:29entre os quais
22:30a cloroquina
22:31isolada ou associada
22:33a outros medicamentos.
22:34E o Brasil
22:35foi um dos países,
22:36a Fiocruz
22:37será o órgão
22:38que vai coordenar
22:39os 12 hospitais brasileiros
22:40que vão participar
22:41desses ensaios clínicos
22:43e a gente
22:43deve ter
22:44algum resultado,
22:46porque são estudos
22:46pragmáticos
22:47que são feitos,
22:48são tratamentos
22:49de 14 dias,
22:5021 dias,
22:51de modo que
22:51isso vai gerar
22:52resultados prontos
22:54para serem publicados
22:55e no máximo
22:564 a 5 meses.
22:58Então,
22:58sem dúvida nenhuma,
22:59isso vai nos deixar
23:01mais à vontade
23:02para dizer
23:03isto é melhor
23:04do que isso,
23:05isso serve
23:06ou isso não serve.
23:07Sem o que,
23:08nós fazemos,
23:09realmente,
23:09nós temos muita dificuldade
23:10de dizer que é bom
23:11ou é mal.
23:12Tratar 5 doentes
23:14ou 40 doentes
23:15em grupos
23:15completamente heterogêneos,
23:18em que um não pode
23:18ser comparado com o outro,
23:20não foi duplo cego,
23:21não foi randomizado,
23:23então isso para nós
23:24não é confortável,
23:26entendeu?
23:27E doutor,
23:28em relação à vacina,
23:29não sei se a senhora
23:30tem acompanhado
23:31o noticiário
23:32a respeito disso,
23:33a Johnson Johnson
23:34anunciou
23:35que talvez tenha
23:36investido
23:37um bilhão de dólares,
23:39muita gente está
23:39pesquisando isso
23:41em todo o mundo,
23:43de ontem para hoje
23:43surgiram várias notícias
23:44nesse sentido,
23:45às vezes a gente vê
23:45uma pessoa falando assim,
23:46ah, nesses casos
23:47normalmente demora
23:48três meses,
23:48não,
23:49normalmente demora
23:49seis para sair
23:50uma vacina,
23:51não,
23:51isso só vai ter
23:51em 2021,
23:53existe alguma coisa certa
23:54ou é incerto
23:55estar havendo pesquisa
23:56e a gente não sabe
23:57quando vai ter vacina,
23:58muito menos
23:59quando o mundo
24:00vai ser capaz
24:00de distribuir
24:02tecnicamente tudo isso
24:03para que todas as pessoas
24:04fiquem vacinadas.
24:06Está havendo sim,
24:08está havendo
24:09grandes investimentos
24:10em vacina,
24:11por quê?
24:12Porque nós sabemos
24:13qual é a maneira
24:14de controlar
24:15uma doença
24:15transmissível,
24:17viral,
24:18melhor,
24:19é impedir
24:20que aconteça,
24:21então é vacina,
24:22a vacina
24:23é o modelo ideal
24:25para adquirir
24:26isso que o Boris Johnson
24:28no início
24:29quis fazer na Inglaterra
24:30que é chamada
24:30imunidade rebanha,
24:32a herd immunity
24:33ela só é alcançada
24:34idealmente com vacina,
24:36onde todo mundo
24:37é vacinado,
24:38todo mundo desenvolve
24:38anticorpos
24:39e aí está todo mundo
24:42imunizado.
24:42O que vai acontecer
24:43com essa epidemia
24:44que a gente chama
24:45de suavizar a curva
24:47é isso,
24:48nós vamos todos
24:50sendo contaminados,
24:52não vamos desenvolver
24:53a doença
24:53ou vamos desenvolver
24:54formas muito leves
24:56e frustras
24:56e vamos ganhando
24:57imunidade,
24:58vamos fazendo
24:59nossos anticorpos.
25:00Quando nós tivermos
25:01testes sorológicos
25:02eles vão poder ser feitos
25:04e vão mostrar
25:04se nós temos
25:05IgG positivo,
25:07imunoglobulina G,
25:08se nós já passamos
25:09da fase de TIGM
25:11que é a doença aguda
25:12naquele momento
25:12e a vacina
25:14vai poder ser usada
25:17em algum momento.
25:17Porém, vacina
25:18não adianta ter ilusão,
25:20é preciso que a opinião
25:21pública entenda isso,
25:22vacina demora muito.
25:24No H1N1
25:25levou quase quatro anos
25:26para que nós tivéssemos
25:28essa vacina
25:28tão boa
25:29que hoje
25:30protege tanta gente
25:31contra a gripe.
25:32Essa vacina começou,
25:34tem várias
25:35já sendo idealizadas,
25:37tem algumas ainda
25:38em fase pré-clínica
25:39e já tem vacina
25:40em fase 1,
25:41quer dizer,
25:42já sendo experimentada
25:43em humanos.
25:44Fase 1,
25:45depois tem fase 2,
25:46depois tem fase 3,
25:47então assim,
25:48realistamente
25:49eu resumiria isso
25:50dizendo
25:51daqui a um ano e meio
25:52a dois
25:52nós provavelmente
25:54teremos uma vacina
25:55para o coronavírus
25:56Sars-CoV-2.
25:58Um ano e meio a dois?
26:00Na melhor das hipóteses,
26:02na melhor das hipóteses.
26:04Certo.
26:05Doutora,
26:05eu tenho uma curiosidade,
26:06eu perguntei uma vez
26:07para o secretário de saúde
26:08David Whip
26:09numa entrevista
26:10que eu fiz com ele,
26:11o que ele achava
26:11das pessoas
26:12que ficavam
26:13fazendo campanha
26:14contra a vacinação.
26:16Ele já comandou
26:16muitas vacinações
26:18aqui em São Paulo
26:19e ele deu uma resposta dura,
26:21falou assim,
26:21eu acho que são criminosos,
26:23falou uma coisa
26:23nesse sentido,
26:24com um certo peso.
26:25Não é essa a pergunta
26:26que eu quero fazer à senhora,
26:27mas analogamente,
26:28como é que é
26:29para alguém
26:29que estuda o assunto
26:31e sabe tão bem
26:32a respeito disso,
26:34tem muitas informações
26:35e experiência,
26:36ter de lidar
26:37num momento de crise
26:38com tanta desinformação,
26:40tanto negacionismo,
26:42tantas pessoas
26:43pregando exatamente
26:45o contrário
26:46daquilo que a senhora,
26:48dentro da sua experiência,
26:49no seu conhecimento,
26:50sabe que é o certo.
26:51Como é que tem sido
26:52essa batalha para a senhora?
26:55Ela é dura,
26:56mas nós médicos
26:57somos duros também,
26:58nós somos treinados
27:00para salvar vidas,
27:01Felipe,
27:02e esse é o nosso compromisso.
27:03Então,
27:04isso é a qualquer custo,
27:06se nós precisarmos repetir
27:07o mesmo mantra,
27:09como ficar e fique em casa,
27:11isso é uma maneira
27:12de você se tratar,
27:13é um mantra,
27:14virou um mantra.
27:15É verdade,
27:16isso tem base científica,
27:17então nós falamos
27:18aquilo que tem base científica.
27:21Então,
27:21assim,
27:21eu diria que
27:22não é fácil,
27:24às vezes,
27:24mas é nosso dever,
27:26se nós sabemos informar,
27:28dizer a verdade sempre,
27:30dizer os números,
27:31os números não são verdadeiros,
27:33não é porque nós não queremos
27:34que eles sejam,
27:35é porque existe um timing,
27:37uma distância
27:39entre acontecer muitos casos
27:41e chegarem
27:42àquela lista,
27:44àquela tabela
27:45que todo dia
27:46o Ministério da Saúde
27:47mostra
27:48e que é verdade.
27:50Porém,
27:50nós sabemos
27:51que a transmissão hoje
27:52está comunitária no Brasil.
27:54Então,
27:54o que nós estimamos
27:55é que para cada um notificado
27:57que está naquela planilha
27:58deve haver no mínimo
27:5910 ou 15.
28:00Então,
28:01assim,
28:02nós sabemos isso,
28:04a transmissão hoje
28:05é crescente no Brasil,
28:06nós temos milhares
28:07Alô?
28:12Opa,
28:13interrompeu a imagem,
28:14doutora.
28:16Estou entrevistando aqui.
28:17Teste?
28:18Sim, sim,
28:19já desvolto.
28:19Pode continuar,
28:20por favor.
28:21No momento em que
28:22nós tivermos teste,
28:23Felipe,
28:24aí sim,
28:25aí nós vamos ter uma conta
28:26com numerador,
28:27denominador
28:28e vamos poder dizer,
28:29olha,
28:30é isso,
28:30a mortalidade é essa,
28:32a taxa que nós trabalhamos hoje
28:34deve estar superestimada,
28:36porque nós trabalhamos
28:37com denominador pequeno
28:38só das pessoas testadas,
28:40então,
28:40no momento que nós tivermos
28:41esses milhares de testes,
28:43milhões,
28:44na verdade,
28:44que estão sendo comprados,
28:46não só os fabricados
28:47pela Fiocruz,
28:48mas comprados por esse pool
28:49de empresas
28:50que vão doar
28:52ao Brasil,
28:53então,
28:53isso nós teremos
28:54daqui a algum tempo,
28:56digamos assim,
28:57uma informação.
28:58mas eu queria aproveitar,
28:59Felipe,
29:00e concordar,
29:02em gênero,
29:03número e grau,
29:03com o meu colega
29:04David Wippe,
29:05quanto à questão
29:06da vacina.
29:07É inadmissível
29:09que ainda morra
29:10alguém
29:11ou uma criança
29:12de sarampo
29:13no Brasil,
29:14considerando que o Brasil,
29:16apesar de tantas iniquidades,
29:18tem um dos programas
29:20de vacinação,
29:21que já foi objeto
29:22de prêmios
29:22pela Organização Mundial
29:24da Saúde,
29:24pelas Nações Unidas,
29:25de um Programa Nacional
29:27de Imunizações,
29:28que é modelo.
29:29Então, assim,
29:30vacina é de graça,
29:31está no SUS,
29:32então,
29:33alguém não vacinar
29:34uma criança,
29:35eu consideraria
29:36que,
29:37se não é criminoso,
29:39pelo menos,
29:39é um delito humanitário
29:41realmente imperdoável
29:42por parte de pais.
29:45Doutora,
29:45para a gente encerrar só,
29:47que a senhora
29:47está dando muitas entrevistas
29:49e trabalhando muito
29:50nesse momento
29:50de pandemia
29:51do coronavírus,
29:52eu queria que a senhora
29:54avaliasse aqui para a gente
29:55se a sua posição,
29:57ela tem alguma diferença
29:58em relação à posição
29:59do Ministério da Saúde?
30:01E também queria
30:02que a senhora desse
30:03a sua recomendação
30:05aqui para os brasileiros
30:06diretamente
30:07nesse momento.
30:09Não,
30:10a minha posição
30:11não tem nenhuma divergência
30:12com o Ministério da Saúde,
30:13porque eu faço parte
30:14do grupo de especialistas
30:15a convite do Ministério da Saúde
30:17representando a Fiocruz,
30:19de modo que o ministro
30:20teve grande sensibilidade
30:22quando nos ouviu,
30:23ouviu a comunidade acadêmica,
30:25ouviu os especialistas
30:26da sociedade de pneumologia,
30:28de infectologia,
30:29de obstetrícia,
30:30de pediatria,
30:31ouviu a academia,
30:33como nós chamamos,
30:34foi sensível,
30:36concordou com aquilo
30:37que nós recomendamos,
30:39quer dizer,
30:39todo o corpo técnico
30:40do Ministério,
30:41de modo que eu não tenho
30:42nenhuma discordância,
30:43acho que o ministro
30:44está trabalhando
30:45numa linha,
30:46digamos assim,
30:47correta,
30:48científica,
30:49baseada em preceitos éticos,
30:51então, portanto,
30:52eu diria que não,
30:53que eu estou de acordo
30:54com as recomendações
30:55do ministro Mandetta.
30:57E a sua mensagem
30:58para os brasileiros
30:58em geral nesse momento?
31:00Primeiro eu vou repetir
31:01o mantra, né, Filipe?
31:03Fiquem em casa,
31:05mais duas semanas,
31:06pelo menos,
31:07radicalmente,
31:08fiquem em casa,
31:09usem a sua criatividade,
31:12peguem seus livros,
31:13aqueles que você já leu
31:14antigamente,
31:15que pode rever,
31:16ouçam aquelas músicas
31:17que você não tem tempo,
31:18escreva suas memórias,
31:20façam isso enquanto
31:21nós estamos trabalhando
31:22e nos deixem trabalhar.
31:24Maravilha.
31:25Só uma questão,
31:26a senhora falou duas semanas,
31:28a senhora tem essa expectativa
31:29de que em duas semanas
31:30haja algum relaxamento?
31:32É possível que em duas semanas
31:34de isolamento radical
31:35nós consigamos, Filipe,
31:38tornar um pouco mais lenta
31:40essa transmissão,
31:41de modo a não sobrecarregar
31:43tanto o serviço de saúde,
31:44é possível, né?
31:46Realistamente,
31:46eu diria que o mês de abril
31:48é um mês que está
31:49praticamente comprometido.
31:51Nós não temos que fazer planos
31:53para o mês de abril
31:53fora de casa,
31:55eu diria, né?
31:56Então, assim,
31:56mas essas duas semanas agora
31:59são muito importantes
32:01do ponto de vista
32:02do impacto epidemiológico.
32:05Doutora Margarete Docolmo,
32:06da Fiocruz,
32:07muito obrigado por essa entrevista,
32:08parabéns pelo trabalho
32:10e espero que tudo corra bem
32:12aqui no Brasil
32:13e mais adiante
32:14a senhora volte
32:15para fazer um balanço
32:16de tudo o que aconteceu.
32:17Muito obrigado,
32:18bom trabalho.
32:19e que a gente possa se abraçar
32:21de novo, né, Felipe?
32:22Exatamente.
32:23Obrigada.
32:24Obrigado.
32:25Tchau, tchau.
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