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Helder Santos, especialista em gestão tributária do Fipecafi, comentou no Jornal Times Brasil o impacto do aumento do IOF sobre as empresas e a população brasileira.

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Transcrição
00:00Nós voltamos a falar sobre os impactos do aumento no IOF.
00:04Eu vou conversar com o Helder Santos, ele é especialista em gestão tributária na FIPCAF,
00:10a Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras.
00:15Helder, boa noite, obrigada por aceitar o nosso convite, muito bom ter você aqui com a gente.
00:19Bom, entre essas medidas que foram anunciadas, quais são as principais mudanças que impactam as empresas
00:25e mesmo a indústria brasileira, Helder?
00:30Boa noite, Cristiane, muito obrigado por terem me convidado para falar sobre isso.
00:34É um assunto que eu realmente gosto de falar, é um assunto muito interessante,
00:38porque ele é um assunto importante para todo mundo, para o Brasil inteiro.
00:41E ele impactou a gente de uma forma muito surpreendente na última noite.
00:46Então, ele está impactando, está sendo discutido pelas empresas de várias formas.
00:51Os principais modificações que a gente identificou, principalmente a alíquota do IOF,
00:56ela teve uma majoração bem significativa.
00:58O IOF, ele incide, só para todos os telespectadores entenderem, ele incide sobre várias operações financeiras.
01:05Ele incide sobre o crédito, sobre o câmbio e sobre os seguros.
01:08E eles mudaram a alíquota para essas três operações.
01:11Então, a gente tem o IOF Crédito, que ele teve uma majoração bem significativa para as empresas tomarem um empréstimo.
01:16Elas tinham um custo de IOF de aproximadamente 1.9, e agora elas passaram por um custo de 3.9.
01:24Então, foi uma majoração bem significativa para o custo de obtenção de crédito.
01:29Qual é o reflexo disso para a empresa?
01:31Ela vai ter muito mais custo de dívida quando ela tiver que captar recursos para o seu capital de giro,
01:37enfim, para estoques, para maquinário.
01:39E isso, obviamente, é repassado pelos bancos para a empresa.
01:42E a empresa acaba repassando isso também no seu custo de produção.
01:46E afeta o bolso do brasileiro, que vai comprar as mercadorias um pouco mais caras.
01:50Também a gente teve a mudança do IOF Câmbio, que ele também impacta empresas e pessoas físicas, de alguma forma.
01:55Porque o que agora a gente tem nas remessas para o exterior, principalmente na aquisição de serviços, por exemplo,
02:02a gente vai ter um IOF Câmbio, que é aquele que incide quando a gente faz a troca da moeda do real para essa moeda estrangeira.
02:08Então, quando a gente estiver comprando, por exemplo, um serviço como Google Cloud ou alguma ferramenta de...
02:15Perdão?
02:17Desculpa, pode continuar.
02:18Desculpa, desculpa, pode continuar.
02:20Ah, perdão.
02:22Então, quando a gente vai comprando algum serviço, usando um cartão de crédito para pagar essas despesas do exterior,
02:27de compras de licenças de software, etc., a gente vai ter também um custo adicional.
02:32Isso, obviamente, também vai passar como um acréscimo de custo para os contribuintes e para todas as empresas.
02:39E tem o IOF Seguro.
02:40Esse está sendo discutido com um pouco mais de afinco.
02:45As empresas asseguradoras estão se reunindo e se mobilizando,
02:48porque ele teve um aumento muito significativo para as empresas asseguradoras que oferecem alguns planos de previdência.
02:56E aí elas estão discutindo se isso seria uma estratégia interessante para o modelo que se pretende de previdência hoje no Brasil.
03:04É, André, eu queria retomar essa questão do IOF para remessas ao exterior e para compra de moedas internacionais.
03:10Ele saiu exatamente de 1,1% para 3,5%, ou seja, ele triplicou.
03:17É um exagero esse número ter triplicado?
03:21Eu vejo como um exagero, como tu bem colocou, e vejo também como uma medida um pouco cautelosa do governo,
03:32no seguinte sentido, essa mudança do IOF, ela veio de uma proposta que era a adesão do Brasil à OCDE.
03:41Então a gente está desde junho de 2022 participando de um plano,
03:44que é um plano de correção de algumas políticas internas,
03:48para que o Brasil possa fazer parte desse grupo de grandes países,
03:51que são investidores e que discutem políticas de comércio internacional.
03:56Em agosto de 2022 foi proposto que haveria uma redução gradual do IOF câmbio até 2029,
04:04quando ele seria zero.
04:05E essa é uma das questões que a OCDE exige dos países que querem se tornar membros dessa organização,
04:13porque essa tributação do câmbio, ela torna esse comércio internacional um pouco mais custoso, mais difícil.
04:20Então para desburocratizar e tornar esse processo mais barato e mais atrativo,
04:26o IOF deveria ser reduzido.
04:28Então foi uma medida tomada como um compromisso do Brasil para fazer parte dessa organização.
04:32e não somente, além disso a gente tem a questão de que nós estávamos num processo de redução gradual,
04:39de um que agora passaria para 1.1 e depois nós atingiríamos o nível de zero.
04:44E ser retomado para 3.5 e ser mantido 3.5 sem previsão de uma nova redução,
04:51realmente é uma tributação muito excessiva,
04:55uma medida que não tem muito cabimento dada a nossa intenção de estar dentro do OCDE,
05:02que eu acho que isso foi um ponto que talvez causou uma certa comoção no mercado,
05:07o que o governo está pensando em relação a esse tema.
05:11E interessante até comentar sobre isso,
05:13porque em janeiro eu tive a oportunidade também de falar com o Rafael Iara no programa Agora,
05:18da CNBC e a gente comentava quando o dólar atingiu os picos históricos de valorização
05:25e o próprio ministro comentou que ele não faria nenhuma modificação no IOF Câmbio
05:31para controlar essa valorização do dólar,
05:34que o dólar iria se acomodar de forma natural.
05:37E agora a gente tem um posicionamento do governo que,
05:40com uma medida arrecadatória,
05:42buscando o equilíbrio fiscal para o arcabouço fiscal,
05:44eles fizeram esse aumento excessivo para conseguir uma receita adicional
05:49para cobrir as perdas que não foram atingidas,
05:52as medidas políticas que foram adotadas,
05:55políticas fiscais que foram adotadas e que foram frustradas em arrecadação.
06:01Então, além de excessiva, o que eu vejo nessa medida é que ela é uma medida
06:04que ela conflita muito com outros interesses macroeconômicos do país.
06:10No cartão de crédito, a alíquota também vai para 3,5.
06:14Eu queria entender que impacto a gente pode esperar com essa mudança também, Helder.
06:20Para o cartão de crédito, a gente tem um aumento não muito alto,
06:23não é tão expressivo,
06:24mas como a gente esperava que isso fosse gradualmente reduzido,
06:27a gente passa de 3,38 para 3,5.
06:30Mas todo mundo que tem compras internacionais,
06:34então, como eu comentava, por exemplo,
06:35se assina algum tipo de licença de software,
06:37é muito comum hoje as pessoas terem no seu telefone,
06:41no seu smartphone, alguns softwares que são naturais
06:45para poder utilizar inteligências, enfim, sistemas e repositórios de documentos.
06:51Tudo isso é pago no cartão de crédito e normalmente é pago
06:54para uma empresa sediada no exterior.
06:57Essas remessas também vão ser tributadas.
06:59Então, isso no cartão de crédito vai ficar mais caro,
07:02vai haver um aumento do custo desses serviços,
07:04que são serviços cotidianos, rotineiros,
07:10da nossa cultura já de smartphone, enfim, de comunicação.
07:14E isso vai impactar, com certeza,
07:16o custo desses cartões de crédito,
07:20do que vai ser cobrado dos contribuintes agora,
07:23nos próximos meses.
07:24Vou passar para o Vinícius Torres Freire
07:26fazer a pergunta dele.
07:27Vinícius, por favor.
07:29Helder, tem uma polêmica aí na praça,
07:31que é sobre a extensão da cobrança do IOF
07:34sobre as operações que as empresas
07:37acham que não deveriam ser tributadas,
07:39que são aquelas, em geral, chamadas de antecipação de recebíveis.
07:42A empresa tem uma nota de que uma venda que recebeu
07:45pode ir no banco, descontar e receber, grosso modo.
07:48Mas nessas operações estão aquelas de risco sacado
07:51e até das maquininhas se levantou a hipótese
07:54de que tem a cobrança.
07:55Você acha que essas antecipações,
07:57essa extensão do conceito de antecipação de recebível,
08:01o sujeito a crédito, vai dar polêmica,
08:03vai dar judicialização,
08:05as empresas vão conseguir que o governo mude.
08:07O que vai dar isso?
08:10Vinícius, muito boa pergunta.
08:11Boa noite.
08:12Muito boa a sua pergunta,
08:13porque o que aconteceu junto com essas medidas
08:16que foram propostas no decreto
08:18para aumentar o IOF crédito,
08:20além do câmbio e do seguro,
08:23foram feitas algumas pequenas modificações.
08:25Então, a gente teve algumas modificações
08:27na inclusão de novas operações
08:31como sendo consideradas como crédito.
08:34Antigamente, o que as empresas faziam?
08:36Continuam fazendo, mas hoje com incidência de IOF.
08:39Mas a empresa, quando ela fazia a venda,
08:41como tu falou,
08:42uma empresa fazia uma venda de mil reais
08:44para o seu cliente,
08:45ela tinha a opção de receber isso de forma antecipada.
08:48E aí ela negociava com uma instituição financeira
08:51para receber esse valor de forma antecipada
08:53com um desconto, com uma taxa de juros.
08:55E aí existem duas modalidades.
08:57Tem a antecipação de recebíveis tradicional,
08:59em que efetivamente o próprio vendedor,
09:02ele assume o risco da inadimplência daquela operação.
09:06E tem uma operação um pouco mais sofisticada,
09:09que é essa de risco sacado,
09:10que é a antecipação de fornecedores,
09:12em que o banco antecipa o valor para quem vendeu,
09:16mas quem assume o risco da operação
09:19é quem comprou a mercadoria.
09:20Então, o risco fica no sacado,
09:22fica no cliente que adquiriu a mercadoria.
09:25E essa operação, ela não era considerada,
09:27até então, como uma operação de crédito.
09:29Ela era simplesmente uma operação financeira de antecipação.
09:32Agora, com a mudança que houve no decreto,
09:34ela passou a compor o fato gerador,
09:37ela passou a ser uma operação que incidirá IOF,
09:40e não incidir antes.
09:42E isso era uma estratégia muito comum de empresas
09:44para poder fugir de um alto custo de endividamento.
09:47Então, ao invés dela buscar uma antecipação mais cara
09:51ou captar recursos direto com o banco,
09:54em que a gente teria as taxas de juros e o IOF sendo calculados,
09:59agora o custo efetivo da antecipação de fornecedores
10:02também vai ter esse mesmo custo
10:04e vai se equiparar a um financiamento,
10:06a uma tomada de empréstimo.
10:08E isso vai mudar bastante.
10:09O Bacen, ele estima que as instituições financeiras
10:13trabalham em média com 11% da sua carteira de crédito
10:17em antecipação de fornecedores,
10:19com essas operações de risco sacado.
10:22Isso é uma mudança muito significativa.
10:24E o que as empresas entendem é que
10:25essa mudança, ela não poderia ter sido operada
10:28por meio de um decreto.
10:30Ela teria que ter sido através de uma legislação,
10:33de uma lei.
10:34Então, vai haver alguma discussão, sim,
10:37sobre isso, está pedindo a inconstitucionalidade
10:41dessa mudança.
10:42Mas a gente sabe também que,
10:44por mais que essa inconstitucionalidade
10:45seja discutida no judiciário,
10:47o tempo que leva até isso chegar
10:49numa conclusão é muito longo no nosso judiciário.
10:54Então, provavelmente, isso vai impactar
10:55o caixa das empresas no momento inicial.
10:59E também, só para deixar um outro ponto
11:02que é muito relevante,
11:03que também se discute a inconstitucionalidade
11:05desse decreto,
11:05é a mudança que foi feita
11:07para as cooperativas de crédito.
11:09As cooperativas de crédito
11:10também vão passar a ter a tributação
11:13se elas atenderem alguns critérios
11:15de excesso de valor
11:16que for concedido pelas cooperativas.
11:19Algo que também é totalmente diferente
11:21e a gente tem muitas cooperativas de crédito
11:23no setor agrário,
11:24no setor do agronegócio.
11:26Então, isso impacta o custo
11:28das mercadorias do agro,
11:30isso impacta a nossa cesta básica,
11:32isso impacta produtos de essenciais,
11:35que provavelmente vai ter aí
11:36algum reflexo inflacionário
11:38nos próximos meses.
11:39Helder, muito obrigada.
11:40Boa noite, bom fim de semana para você.
11:44Obrigado, boa noite para vocês,
11:45um bom final de semana.
11:46E aí
11:51E aí
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