- há 8 meses
Especialista alerta para os riscos de infecções ao manipular lesões de pele.
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NotíciasTranscrição
00:00Deixa eu fazer uma pergunta pra você de casa. Você tem o hábito de espremer espinha,
00:05ficar futucando furúnculo em casa ou qualquer lesão ali na pele, sabe?
00:09Aquele cabelinho inflamado, às vezes algum machucadinho, até a unha, tá?
00:15A mulherada às vezes vai no salão, tira aquele bife, aí você fica ali em casa, né?
00:20Tentando dar um jeito. Pessoal, pode parecer algo simples, mas essa prática,
00:25que é muito comum, né? Muita gente faz isso, esconde riscos sérios pra nossa saúde.
00:31Manipular essas lesões na pele, no nosso corpo, pode levar a infecções graves.
00:37Então agora, a gente vai entender melhor quais são os reais perigos desse hábito
00:42e por que você aí de casa deve evitá-lo.
00:47A gente tá acompanhando, né? O caso da bailarina Capsaba,
00:50que ficou paraplégica depois de complicações causadas por um furúnculo.
00:55Tudo começou aí com uma ferida no braço, você tá vendo aí a imagem dela.
01:00A jovem de 26 anos acabou vendo a vida dela mudar completamente
01:05depois de uma infecção bacteriana.
01:08Então a gente vai receber aqui agora no estúdio a médica infectologista Simone Tose.
01:13Ela é especialista no assunto e vai tirar todas as nossas dúvidas.
01:17Vai trazer também, né, doutora, orientações pra gente, né?
01:21Porque a gente tem que tomar muito cuidado com isso.
01:23Bom dia, doutora.
01:24Bom dia.
01:25Seja bem-vinda.
01:26Obrigada pela participação.
01:29Então vamos lá, doutora Simone.
01:30Por que que é perigoso?
01:31Eu tô falando assim, às vezes o pessoal de casa tá falando,
01:33ah, mas eu sempre espremi espinha, sempre mexi aqui no cabelo encravado,
01:39nunca aconteceu nada.
01:40Mas é perigoso sim, né?
01:42Sim.
01:42Existe um risco mesmo quando a gente manipula qualquer tipo de lesão de pele, né?
01:49A gente, nós possuímos muitas bactérias, né?
01:52Na superfície da nossa pele e algumas, sobretudo uma especial, o Staphylococcus aureus.
01:59Se ele mora na gente ou se em algum momento ele tá ali e ele acha uma porta de entrada,
02:06uma ferida por mais insignificante que pareça, ele pode sim cair na corrente sanguínea e causar infecções muito graves e até mesmo o óbito.
02:16Quando você fala porta de entrada, a gente tá falando de qualquer ferida, né?
02:21Desde, por exemplo, um furúnculo que é mais, pode ser ali mais visível,
02:25mas se eu cortar minha mão ali com a faca em casa, tiver um corte, é uma porta de entrada?
02:31Sim, é a porta de entrada também quando você, a partir do momento que você tem,
02:37uma das principais barreiras de defesa do nosso organismo é a pele, né?
02:42Então, assim, qualquer tipo de ferida, tanto é que existe o risco de infecção nas cirurgias,
02:47por isso todo aquele procedimento asséptico, né?
02:50Em qualquer tipo de procedimento você tem que ter um cuidado.
02:54E no nosso dia a dia, a gente muitas vezes não tá ali com a pele, não passamos álcool nem nada,
02:59a gente não prevê que vai ter um tipo de lesão, seja por uma faca, por um alicate de unha,
03:04por qualquer outro material pérfaro cortante.
03:08Então, uma vez que a gente rompe essa barreira de proteção, que é a pele,
03:12esse risco de infecção local e até de infecção no sangue, ele existe.
03:18Então, por exemplo, nós mulheres, né? Vou dar o nosso exemplo da unha,
03:21porque é uma coisa que a gente faz ali praticamente toda semana.
03:24Tirou um bife ali, ficou com aquela ferida aberta, às vezes sai até sangue, o que eu faço?
03:29Então, assim, o primeiro cuidado que a gente tem que ter é sempre lavar,
03:33lavar o local, né? Naquele momento. Lavar e observar, né?
03:38Graças a Deus, a maior parte das vezes não vai complicar, né?
03:42Mas pode sim acontecer de ficar vermelho, de, né?
03:45Às vezes o pus e tudo, ali já quer dizer que tem uma infecção local.
03:49O pus já é um sinal de alerta.
03:51Já é um sinal de alerta.
03:52Mas isso não quer dizer, ah, eu tenho que procurar o médico por causa disso, não.
03:56Se você tá bem, a maior parte das vezes o próprio organismo, ele consegue combater ali naquele local e tá tudo bem.
04:04O alerta que a gente deixa é que mediante febre, algum comprometimento sistêmico,
04:11que a gente chama febre, queda do estado geral, diminuição do apetite,
04:15aí sim a gente deve procurar ajuda médica.
04:18Pois é, porque às vezes a ferida nem vai tá tão visível, no caso do furúnculo, por exemplo,
04:23ou qualquer outra ferida, né?
04:25Não vai tá com aquela vermelhidão ou algo do tipo, mas a pessoa tá febril,
04:29a pessoa já apresentou outros sintomas, então é um alerta isso, né?
04:33Sim, exatamente.
04:35Qualquer sintoma sistêmico que a gente fala, né?
04:38Então, ah, não, mas eu tive, eu machuquei aqui, eu comecei febre, mas tô com o nariz escorrendo, tô tossindo.
04:44Não, provavelmente você tá com resfriado, em outro caso.
04:46Não tem correlação direta.
04:48Mas você, se você tem febre e queda importante do estado geral, sempre deve procurar o médico, né?
04:55E não cabe ao paciente procurar, ah, eu tenho diagnóstico.
05:01Não, é procurar o médico pra que ele faça todo o raciocínio clínico e mediante necessidade
05:06peça exames que possam complementar pra que esse tempo, esse time do diagnóstico não seja perdido.
05:14Porque muitas dessas complicações, como essa tragédia que aconteceu com essa pessoa, né?
05:21Com essa moça.
05:22A Jéssica, né?
05:23Com a Jéssica, com essa bailarina, né?
05:26Ela era bailarina, isso.
05:27É, não, pra não acontecer isso, é o diagnóstico precoce, tá?
05:33Porque habitualmente a história e tudo, né?
05:35Aponta pra algum desfecho ruim.
05:38Então, a intervenção precoce, não só a antibiótico-terapia, mas a drenagem do local onde tá essa coleção,
05:45isso, assim, pode ser um divisor de águas.
05:48Com certeza.
05:48A gente tá falando da Jéssica.
05:50Vamos aproveitar, né?
05:51A gente vem acompanhando a história dela, né?
05:53Ao longo aí dos últimos dias.
05:56A Jéssica, aos 26 anos, começou com um machucado no braço esquerdo,
06:00depois acabou passando ali por um furúnculo e evoluiu pra uma infecção na medula, pessoal,
06:07que acabou comprometendo os movimentos dos membros inferiores.
06:10Um caso muito grave e a Jéssica conversou com a gente.
06:14Ela gravou uma entrevista pra gente.
06:16Vamos ouvir o que que ela falou.
06:18O início da paralisia.
06:20Minha perna formigou bastante, ela formigou muito.
06:24Queimava um pouco, formigava uma sensação estranha.
06:28E senti, assim, a perna e o corpo trêmula, fraca.
06:32Foi aí que eles...
06:35A médica chegou e falou que o meu caso era bem grave,
06:39que eu tinha que ir pra UTI porque uma bactéria sanguínea estava consumindo meu corpo.
06:45A sensação pós-UTI.
06:47O médico virou pra mim e falou, assim, que se eu tinha alguma crença,
06:52pra me agradecer a Deus, que a forma que eu cheguei na UTI foi bem crítica,
06:57com chances de vir a óbito ou paralisia cerebral.
07:01As dúvidas até o diagnóstico final.
07:05Ficaram com dúvidas se poderia ter sido meningite,
07:11mielite transversa e síndrome de Guillain-Barré.
07:14Quando fez um mês, eu fui transferida pro hospital em Vitória, Espírito Santo, o hospital UCAM.
07:23Eles conseguiam descobrir aonde estava a bactéria.
07:27Ela se alojou na medula, no nível T7, nesse nível por aí, causando uma inflamação medular.
07:36Zé, obrigada pela participação, Jéssica.
07:40Nesse caso, doutora, a gente pode afirmar, é possível saber se a Jéssica já tinha essa bactéria
07:45ou se essa bactéria veio de fora?
07:50Segundo a literatura, 20% das pessoas normais, saudáveis,
07:56a população em geral, tem essa bactéria, o estafalococcus aureus, né?
08:00Apesar dela não relatar o nome da bactéria, mas a gente, não só pelo potencial,
08:06pela virulência desse micro-organismo, mas pela capacidade dele de disseminar no sangue
08:10e causar desde infecções na coluna, na medula, no espaço medular, no cérebro,
08:18às vezes simulando abscesso, infecções, artrite séptica é muito comum,
08:23infecção articular por esse micro-organismo, osteomielite.
08:26Então, assim, ele pode causar endocardite, infecção na válvula do coração.
08:31E, assim, o fato de você ter esse micro-organismo colonizando você, morando em você,
08:37aumenta esse risco, mas não necessariamente quer dizer que você vai ter infecção.
08:42Mas isso sim ocorre nas pessoas saudáveis e quando a pessoa tem alguma comorbidade,
08:49que a gente chama, como diabetes, o renal crônico, pessoas que têm outros problemas de saúde,
08:54essa prevalência desse micro-organismo, ou seja, o risco de você ter esse micro-organismo morando em você,
09:00ele é ainda mais alto.
09:02E de você complicar com desfechos ruins, como a Jéssica, também aumenta mais.
09:07O bom é que, habitualmente, essas pessoas que usam medicações que diminuem a defesa,
09:12o diabético e tudo, ele já tem um acompanhamento médico mais ostensivo.
09:16Mas, ainda assim, esse risco é maior.
09:19E como é que eu sei, por exemplo, que eu tenho essa bactéria?
09:21Tem como eu saber?
09:23Tem, tem como saber, mas, assim, não há evidência de que você tem que procurar em pessoas assintomáticas.
09:30Perfeito.
09:30Até porque você pode ter essa bactéria e não ter nenhuma manifestação de sintoma.
09:36Eu vou dar um exemplo da rotina que a gente procura essa bactéria, que são os pré-operatórios de próteses.
09:43Ah, sim.
09:44Próteses articulares, as artroplastias.
09:46A gente já tem alguns protocolos, inclusive, da Sociedade Brasileira de Ortopedia.
09:50A gente faz, habitualmente, o infectologista, ele faz o pré-operatório das artroplastias.
09:56Isso, hoje, já é uma prática comum.
09:58Antigamente, era de alguns colegas, hoje, pelas orientações, a maioria de nós faz o pré-operatório dessas artroplastias
10:03junto com o ortopedista e a gente pesquisa essa bactéria.
10:07Uau.
10:08Porque o que a literatura diz é que se a pessoa é colonizada por essa bactéria,
10:11nesse tipo de cirurgia, tem benefício a gente descolonizar a pessoa.
10:16Que é fazer com que a pessoa deixe de ser morada desse micro-organismo.
10:20Desse micro-organismo.
10:21Doutora Simone Tos, médica infectologista, está batendo um papo aqui com a gente
10:25sobre os riscos de manipular as lesões da pele.
10:27Estão chegando muitas perguntas.
10:29Muita gente querendo saber de remédios caseiros aqui para passar na pele.
10:33Espinha.
10:34Agora, doutora Simone, quando a gente fala de espinha, de lesões na pele,
10:38muita gente tem receitinhas caseiras, né?
10:40Que vão desde a pasta de dente na espinha até, por exemplo,
10:44a gente recebeu uma pergunta aqui de uma amiga do Tribuna Amanhã.
10:47O nome dela é Raíssa.
10:50Raíssa é da Serra e ela falou o seguinte.
10:53Que uma vez ela teve furúnculo e colocou folha de pimenta.
10:57Esquentou a folha de pimenta com azeite e colocou ali no furúnculo.
11:02E ela falou que resolveu, que secou a ferida.
11:05Essa é uma das receitas caseiras que muita gente faz.
11:09E o que isso pode representar para quem tem uma ferida de pele, um furúnculo, por exemplo?
11:15Então, como a gente estava explicando, uma vez que você tem qualquer ferida,
11:20ou seja, você tem uma solução de continuidade na pele, você tira uma barreira de proteção.
11:24Então, mesmo que não haja infecção, você colocar qualquer produto ali que não seja estéreo,
11:29você pode estar levando um contaminante.
11:32Ainda mais se for algo do ambiente, como a folha, né?
11:36Que pode ter fungo, pode ter outros micro-organismos que nem são da nossa pele.
11:41Então, ainda você pode ter uma complicação adicional.
11:44Ah, mas deu certo.
11:46Pode acontecer de dar certo.
11:47Porque, como a gente comentou, graças a Deus, a grande maioria dessas feridas,
11:52mesmo as infectadas, com aquele pouquinho ali de pus e tudo, elas vão curar espontaneamente.
11:57Inclusive, os guidelines, a literatura mundial que já existe guia sobre infecções de pele,
12:04eles não preconizam nenhum tipo de antibiótico para lesões pequenas.
12:08É esperar o próprio organismo vai combater essa bactéria que está ali localmente.
12:15Espremer espinha, então, tem gente que espreme ali achando que vai ajudar a secar espinha, nem pensar, né?
12:20De jeito nenhum, de maneira alguma.
12:22Isso é uma orientação que a gente faz sempre, né?
12:25A furunculose de repetição é uma queixa importante que as pessoas procuram o consultório,
12:29o nosso consultório, especialmente do infectologista.
12:33Então, assim, não se deve espremer, porque no momento que você faz a expressão, Bruna,
12:39você coloca um pouco daquela secreção ali dos micro-organismos, das células mortas para fora,
12:44mas também você, na pressão, você também vai lá para dentro, né?
12:49Então, você coloca, você aumenta o risco de mandar para a corrente sanguínea.
12:54E mesmo que não caia na corrente sanguínea, você dissemina ali pelo tecido subcutâneo,
12:58porque até então ela estava na superfície, que foi por onde ela entrou.
13:01E aí você colabora para que ela se aprofunde.
13:05Então, não é uma prática recomendada.
13:07Mesmo que as pessoas falem, ah, mas eu sempre exprimi e nunca aconteceu nada.
13:11Que bom que não aconteceu nada.
13:13Mas esse risco, ele existe.
13:15E como a gente trabalha muito no ambiente hospitalar, a gente vê muitas complicações.
13:20Graças a Deus, a grande maioria não complica.
13:22Mas essas complicações, geralmente, são muito graves.
13:26É, no dia a dia do hospital, né?
13:27Muita gente parece.
13:28Sim, sim.
13:29É comum.
13:29Doutora, chegou aqui uma pergunta interessante também da Elizabeth Carneiro.
13:35Ela é do bairro Rio Branco, Cariacica.
13:38A Elizabeth está falando o seguinte, que a filha dela, de 10 anos, tem com frequência furúnculos.
13:45Ela queria entender por quê.
13:47Porque ela sofre muito, principalmente na região da axila e das nádegas, ela colocou.
13:53Importante mesmo, há alguns relatos, as pessoas me procuram, às vezes, até em outros ambientes que não são os médicos com essa queixa.
14:02Então, assim, provavelmente a filha dela está colonizada por essa bactéria, né?
14:06O Staphylococcus aureus.
14:08E aí, existe um protocolo de descolonização também, de literatura.
14:11É mesmo.
14:12Que a gente pode fazer, né?
14:13Mas aí tem que ser com o auxílio médico, porque tem uma prescrição, não é antibiótico oral.
14:19Então, assim, mesmo que ela trate, às vezes, um abscesso maior e tudo com antibiótico oral melhora,
14:24esse é um relato, né?
14:25Dos pacientes.
14:26Volta.
14:27Por quê?
14:27Porque a bactéria ainda está morando na pessoa.
14:29O antibiótico, ele não tira essa moradia, que a gente chama de colonização.
14:33Nossa, que interessante.
14:35Se espremer o furúnculo, por exemplo, né?
14:37Se manipular o furúnculo e o líquido encostar em outras partes do corpo da pessoa,
14:42corre o risco dessa infecção ali aparecer em outras partes do corpo?
14:48Não, não.
14:48Não é...
14:49A bactéria, ela não é habitualmente, né?
14:53Depende da bactéria, mas a grande maioria desses microorganismos, eles não são transmitidos por contato.
15:00E sim, eles podem, a pessoa pode até se contaminar com o microorganismo.
15:06Ah, eu não tinha estafalococos e eu tenho.
15:08Mas a chance desse microorganismo no contato causar infecção é muito pequena, né?
15:14A minha bactéria é causar infecção na sua.
15:16É igual pneumonia.
15:17Pneumonia, graças a Deus, não é uma coisa que se transmite.
15:20Sim, né?
15:20Por quê?
15:20Porque habitualmente o microorganismo que causa pneumonia, que é um outro pneumococo, ele está na gente.
15:26Então, está muito relacionado a fatores predisponentes da pessoa.
15:31Diferente de vírus, que tem muito a ver com o contato.
15:35Então, assim, os microorganismos, eles têm comportamento diferente.
15:39Por isso que a ajuda de um profissional, até para esclarecer, muitas vezes a gente é procurado só para tirar pânico das pessoas.
15:46A pessoa está ali apavorada.
15:47Porque ela está ali apavorada, né?
15:49Igual, assim, recentemente uma moça jovem me procurou.
15:52Doutora, eu estou preocupada porque eu estou internando muito, a minha defesa.
15:55Então, às vezes, até para entender o que é que ocorre.
15:58É importante esse esclarecimento, né?
16:00Para a pessoa não ficar achando que ela vai pegar a qualquer momento.
16:04Porque os microorganismos, as bactérias, elas fazem parte da nossa microbiota.
16:08A gente é cheio de bactérias.
16:09Pois é.
16:10Doutora, o que a senhora orientaria, então, por um primeiro cuidado em casa, para essa pessoa, essa mãe aqui que mandou uma mensagem para a gente,
16:16quem está assistindo, que tem, por exemplo, furúnculo com recorrência?
16:21Então, o que eu oriento é que procure o médico, né?
16:25Pode ser unidade básica de saúde e tudo, para descolonização.
16:29A gente também orienta, já trabalhei muito com interconsulta, a gente orientando os colegas como proceder.
16:36Porque tem que prescrever essa pomadinha, tem esse banho de clorexidina e de germante.
16:42Isso é protocolo mundial, não é algo daqui.
16:46Isso tem nível de evidência.
16:48Não existe muita coisa nova com relação à descolonização dessa bactéria.
16:52Mas algumas coisas são efetivas.
16:55Acontece, às vezes, da gente descolonizar o paciente e ele voltar a ter?
16:58Pode acontecer.
16:59Mas aí a gente sempre procura, na verdade, a rotina nossa.
17:02Quando o paciente tem furúnculo de repetição, a gente procura algum fator de imunosupressão.
17:06Então, a gente pede a glicose, a glicemia, a gente faz, a gente procura, inclusive faz triagem também, HIV, outras coisas.
17:16Que é muito importante, que pode ser um sinal de alerta que alguma coisa não está bem no organismo.
17:21Mas acontece com gente saudável.
17:23E tem algum cuidado no dia a dia que pode prevenir o furúnculo, por exemplo, ou aí já não tem essa ligação?
17:31Uma vez que a pessoa está colonizada, qualquer feridinha pode aumentar o risco.
17:36Então, assim, não tem nenhum cuidado.
17:39Às vezes, a gente vê até as pessoas com alguns excessos.
17:42Eu também sou procurada, a gente, às vezes, o especialista, ele é procurado para tirar dúvidas.
17:48Então, a pessoa, assim, passa álcool em tudo, um hábito de limpeza excessivo.
17:52Isso não demonstrou benefício em diminuir esse tipo de infecção.
17:56Olha.
17:57Como eu falei, às vezes as pessoas são colonizadas e elas não têm infecção nenhuma.
18:01Elas se machucam e não entram, tá?
18:03Então, assim, não é para ninguém falar, meu Deus, a partir de agora, quando eu me machucar, eu vou desesperar.
18:09Não, porque a grande maioria das vezes vai evoluir bem.
18:12Então, é como você bem ratificou.
18:15O organismo vai avisar se alguma coisa não está bem.
18:18O corpo fala, né?
18:19Então, muitas vezes, o atraso no diagnóstico, né?
18:22Eu vi no melhor entrevista que vocês fizeram com a Jéssica.
18:26Para mim, ficou muito claro que o diagnóstico foi tardio.
18:31Demorou.
18:32Porque, por exemplo, quando a gente tem esse tipo de infecção na coluna e compromete a medula, que a gente chama de espondilodicite, que é um mecanismo...
18:40Essa bactéria, ela cai no sangue.
18:41E como a nossa coluna vertebral, ela tem uma vascularização em saca rolha, é assim uma espiral, é mais fácil do micro-organismo.
18:49Quando ele cai no sangue, mesmo que seja transitório, uma febrícula, uma coisa pequena, não estou falando de sepsis, estou falando de uma bacteremia transitória.
18:59Dessa bactéria parar ali, ela impacta ali por causa desse mecanismo que a gente chama de saca rolha.
19:04Então, a espondilodicite, ou seja, a infecção de coluna, ela é muito mais comum do que se imagina.
19:09E, às vezes, ela só começa com lombalgia, uma febrícula.
19:13E aí, se não tiver uma investigação adequada, pode ter um desfecho ruim.
19:18E, habitualmente, isso não acontece rapidamente.
19:20Isso é um processo.
19:22O paciente começa com a dormência na perna, ele avisa, o organismo avisa, habitualmente.
19:28Tá?
19:29Ou precedido de febre, de calafrio, de queda de estado geral, né?
19:34Então, se, às vezes, a gente for fazer...
19:35Quando a gente vai fazer a história desses pacientes, você vê que já havia indícios de que as coisas não estavam indo bem.
19:42Então, é importante esse alerta que a doutora Simone Tosi está trazendo aqui.
19:45A doutora Simone, a médica infectologista, deu uma aula pra gente hoje.
19:50Tenho certeza que quem está em casa assistindo vai ser mais cauteloso, vai ser mais cuidadoso.
19:54Não precisa entrar em pânico.
19:56Mas são hábitos do dia a dia que a gente precisa se policiar.
20:00E eu acho que é importante, Bruna, alertar as pessoas que não tem que ficar procurando essa bactéria.
20:08Ela vai, se ela estiver causando algum mal, ela pode estar morando nas pessoas e está tudo bem.
20:14Ok.
20:14Então, assim, só mesmo mediante um quadro clínico.
20:17Eu tenho lá em casa um filho que sempre brinca comigo, né?
20:20Dos meus três filhos.
20:21Lá em casa dos cinco moradores, ninguém tem fruncológio de apetição.
20:24Mas tem um filho meu que já deu duas vezes.
20:26Ele fala, mãe, mas por que eu fui sorteada?
20:27Eu falei, não sei.
20:28Você é saudável.
20:28Não sei.
20:29Mas vamos cuidar e ele fica bem, né?
20:32Às vezes uma cicatriz, ele não espreme, que ele já sabe que não pode.
20:36Mas já aconteceu duas vezes com ele no espaço aí de alguns anos.
20:40Ele foi premiado.
20:41Foi premiado lá em casa.
20:43Doutora Simone, obrigada pela participação.
20:45Até a próxima.
20:47Obrigada.
20:47Eu agradeço o convite.
20:49Valeu.
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