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Informações exclusivas da Jovem Pan, apuradas pelo repórter Bruno Pinheiro em Brasília, revelam que investigados ligados a sindicatos envolvidos nos descontos ilegais no INSS avaliam a possibilidade de colaborar com as autoridades, em um movimento semelhante à delação premiada. Segundo um auxiliar de uma das entidades investigadas, o avanço das fraudes nos últimos anos só foi possível com o apoio de parlamentares do Congresso, que abriram caminhos dentro do governo e de instituições bancárias. Diante do desgaste público recente, os envolvidos indicam que não devem permanecer em silêncio por muito tempo, especialmente caso uma CPI ou CPMI seja instaurada.

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00:00Agora, Kriegner, claro que o Dávila mencionou, é preciso reforçar para a nossa audiência que houve um aumento exponencial desses desvios a partir de 2023,
00:12quando houve uma mudança naquela regra para a validação do segurado, do beneficiário, e a partir daí houve esse crescimento fora do comum em relação aos desvios.
00:23Mas é preciso também considerar uma sessão que aconteceu hoje no Congresso Nacional em que o atual ministro da Previdência, Volney Queiroz,
00:32que era o número 2 de Carlos Glupe, agora o número 1, ministro, comanda a pasta, ele teve um entreveiro ali, um bate-boca com o senador Sérgio Moro,
00:41inclusive uma troca de acusações a respeito das investigações e dos desvios, inclusive Volney Queiroz questionando Sérgio Moro
00:49que isso já teria sido alertado, inclusive, à época em que ele era ministro da Justiça.
00:55Você acha que esse bate-boca e essa troca de acusações acabam dando o tom do que a gente vai acompanhar nas próximas semanas?
01:05Governistas apontando o dedo para aqueles que fizeram parte da gestão passada.
01:09E a oposição, naturalmente, tentando imputar à atual gestão a grande responsabilidade.
01:14Isso para uma surpresa de zero pessoas, né, Caniato?
01:19Todo mundo já esperava que essa seria a estratégia do governo, até porque o governo hoje, até hoje, né,
01:26chegando já ao seu final, não conseguiu apresentar uma grande entrega ou um grande programa,
01:33uma política pública de referência.
01:36O que nós tivemos, vez após vez, foram narrativas.
01:39O ministro Volney, ele é muito infeliz na fala quando ele traz essa questão justamente de ataque e acusação de crime.
01:49Eu vou dizer mais, acusação de crime em relação ao ex-ministro e atual senador Sérgio Moro.
01:55Justamente porque ele acusa o senador de prevaricar, né, e prevaricação é crime.
02:00Que deveria ser uma das acusações, na verdade, um dos processos que o próprio ministro Volney precisa responder.
02:07Afinal, ele estava presente na reunião em que foram denunciados os inúmeros escândalos que nós estamos vendo hoje
02:14e nenhuma ação concreta de impedimento da continuidade desses roubos foi tomada.
02:20Então, ali poderia haver um quadro ali de prevaricação.
02:25Quando um funcionário público, ele é, chega ao conhecimento, ele se faz parte aí,
02:30toma parte, né, daquilo que está acontecendo e não toma uma atitude para poder impedir aquilo de acontecer novamente
02:37ou, na verdade, de punir os envolvidos.
02:40Nesse sentido, a gente vê o ministro Volney despreparado para lidar com a situação.
02:46Eu tenho falado, Caniato, e eu não sou nenhum apoiador, talvez já deu para perceber,
02:52não sou nenhum apoiador do atual governo.
02:54Mas, para lá de apoios, eu acho que nós precisamos fazer um exercício frio.
03:00E essa seria, talvez, a maior oportunidade do governo, nesse período, nesse terceiro mandato do presidente Lula,
03:08de resgatar algum tipo de credibilidade na questão de combate à corrupção e dignidade e defesa da dignidade do povo brasileiro.
03:19Por que eu falo isso? Porque, é verdade, os descontos não começaram no governo Lula.
03:25Como nós falamos aqui, o Luiz Felipe trouxe brilhantemente, que eles se intensificaram nesse último,
03:31nesse governo Lula 3, mas não começaram.
03:32Então, era o ticket de ouro para que o presidente Lula aparecesse como um grande,
03:39trabalhasse a comunicação para aparecesse como alguém que está, de fato, combatendo a corrupção.
03:44Isso fazendo uma análise fria, sem aqui trazer posicionamentos pessoais ou até ideológicos,
03:50sendo bem pragmático aqui.
03:52Porém, nós vemos até uma inabilidade por parte do governo em abraçar esse ticket de ouro
03:57e chegar em algum lugar com isso.
03:59Nem isso eles estão conseguindo fazer por conta de uma desorganização prévia já.
04:03Então, nem essa oportunidade que cai no colo do governo, ele consegue trabalhar muito bem.
04:09E a gente sabe, os aumentos, os descontos foram só aumentando e agora explodiram.
04:15E quando explodiram, o governo se viu de calças curtas, realmente sem saber para quem recorrer,
04:22porque o Congresso já não é mais o seu aliado como era nos outros mandatos.
04:26E também, dentro de outras instâncias, ele não vai encontrar também muito refúgio.
04:31E aí fica nessa situação. O que resta? Culpar os outros.
04:34Agora, se é tão culpa do governo Bolsonaro ou, eventualmente, até do presidente Temer,
04:40como alguns já aventaram, por que a base governista ainda insiste em ser contra uma CPMI?
04:47Por que eles não querem investigar, já que a culpa está na oposição?
04:51Fica a pergunta.
04:52Pois é, Programa Os Pingos nos Is, recebendo também as pessoas que nos acompanham
04:55pelas emissoras de rádio espalhadas por todo o Brasil.
04:58A notícia em destaque, inclusive uma apuração da equipe de reportagem da Jovem Pan News em Brasília.
05:04Entidades, sindicatos e institutos avaliam entregar parlamentares, deputados e senadores
05:11que tenham participado, de alguma maneira, do esquema de fraudes,
05:15que teriam facilitado esse esquema.
05:17E aí, naturalmente, nossos comentaristas, trazendo os principais aspectos
05:22a respeito de uma investigação no âmbito do Congresso Nacional,
05:26de que forma esse processo pode interferir na política,
05:30no processo eleitoral do ano que vem.
05:31É possível comparar o que aconteceu com a Lava Jato há alguns anos com o episódio do INSS?
05:37Enfim, são vários aspectos trazidos e analisados pelos nossos comentaristas.
05:42Dávila, esse ponto destacado e trazido pelo Kriegner,
05:45a grande oportunidade que, certamente, o governo não vai abraçar,
05:50não vai, a partir de agora, levantar a bandeira da agenda anticorrupção.
05:55Acho muito pouco provável que isso aconteça.
05:58Agora, há também relatos de que os tais descontos teriam começado em 2016.
06:05Então, portanto, na gestão de Dilma Rousseff.
06:09E esperamos que as investigações consigam trazer exatamente a cronologia,
06:15os sindicatos, as entidades que participaram, quais colaboradores,
06:22pessoas que trabalham na administração pública tenham facilitado isso,
06:26a influência de parlamentares ao longo desses anos.
06:29Enfim, acho que é preciso também que a investigação se debruce e traga a cronologia disso,
06:34porque teve sindicato que entrou no esquema e permanece até hoje,
06:39alguns ficaram dois anos, ficaram por quê?
06:41Alguém facilitou nesse processo?
06:44É um trabalho e tanto, né, Dávila?
06:46Mas eu acho que é preciso considerar esse processo passando por todas as administrações
06:53e de que maneira cada uma teve acesso ou não, colaborou com as investigações,
06:58foram avisados de que isso estava acontecendo, fizeram o quê?
07:03Eu acho que tem muita coisa para apurar, hein, Dávila?
07:05Com certeza, Caniato.
07:07E como eu disse, fraude no INSS, no BPC, Bolsa Família, não é de hoje.
07:13Isso existe há muito tempo.
07:16E evidentemente tem muita gente que se dá bem com esse esquema.
07:19Agora, a grande questão é por que saltou de 536 milhões de reais em 2023
07:27para 2,8 bilhões em 2024.
07:30E aí, responde um pedaço da pergunta que o Kregner colocou muito bem aqui.
07:36Porque no DNA deste governo está o aparelhamento das estatais,
07:41está o aparelhamento com os sindicatos.
07:45Então, você usa essas manobras em parceria com os seus aliados
07:51para entrar nesses esquemas.
07:53É justamente o que aconteceu na Lava Jato.
07:56É a impressão digital desse DNA do governo.
08:00Não tem jeito.
08:01E como eles aparelham o estatal, como eles aparelham os órgãos,
08:04o negócio aparelha para fazer esse tipo de política
08:07que a gente condena veementemente aqui,
08:09que é desviar dinheiro público.
08:11Então, para ter esta missão grande, virtuosa,
08:17de abraçar a bandeira da corrupção,
08:20o povo precisa quebrar uma prática de muitos anos
08:23dessa história do aparelhamento versus apoio político ao partido
08:28e mantê-los no poder.
08:30Canhato, no começo do mandato aqui, nós vimos o MST
08:34fazendo oposição ao governo.
08:36Você falava, nossa, que coisa estranha.
08:38Mas estava fazendo porque queria aparelhar,
08:39porque queria entrar no ícara, porque queria entrar no ministério,
08:43porque queria ocupar cargo público.
08:44Então, está no DNA do partido.
08:47Então, o que a gente precisa, nesse momento, ter foco?
08:52Colocar à luz.
08:53Focar, inclusive, as nossas reportagens, nossos comentários.
08:57É óbvio que com o CPMI ou sem CPMI,
09:01a política TikTok vai continuar.
09:03A gente falando frase de efeito, fazendo malcriação,
09:06brigando um com o outro.
09:07Infelizmente, essa é a política TikTok que a gente vive hoje.
09:12Mas isso aí não leva a nada.
09:14Isso aí não leva absolutamente a lugar algum.
09:17Então, neste momento, é preciso focar no desmantelamento
09:22desse aparelhamento do Estado,
09:24para que nós possamos identificar os envolvidos
09:28e devolver o dinheiro para as pessoas.
09:30Segunda coisa, um plano emergencial para devolver o dinheiro imediatamente.
09:37Nós não podemos esperar 5, 10 anos para se apurar todo esse escândalo de corrupção
09:42para devolver os 8 bilhões que foram roubados das pessoas.
09:46Isso precisa ser já.
09:48Corta dinheiro de benefício, corta dinheiro de subsídio.
09:52O Brasil gasta mais de 600 bilhões de reais em subsídio.
09:55Ué, tira um pedaço desse dinheiro e vamos cobrir este rombo do INSS
10:00e devolver imediatamente o dinheiro para os mais pobres.
10:05O terceiro ponto é esse que nós comentamos há pouco.
10:09A história do investimento em tecnologia, em biometria,
10:13para acabar com as fraudes nos programas sociais.
10:18Precisamos focar nessa medida urgente.
10:21E eu espero que uma CPI, CPMI, por aqueles senadores e deputados parlamentares sérios,
10:29por exemplo, o caso do senador Rogério Marinho,
10:32que possa dar foco nessa história de avançarmos com a tecnologia,
10:37com programas de biometria, digitalização de dados, unificação de bancos de dados.
10:42Isso é muito importante.
10:44E o quarto é o que mais me preocupa nessa história.
10:48Não tem nada a ver com o INSS.
10:50É o governo começar a despencar na impopularidade,
10:56entrar no modo desespero e começar a distribuir dinheiro como nunca.
11:02Vai criar mais benefício do gás, da luz, da moradia popular, da saúde.
11:08E isso vai aumentar ainda mais o rombo fiscal do país.
11:12Então, o país que já está numa situação calamitosa fiscalmente, pode se agravar demais.
11:20E nós podemos cavar ainda mais profundamente esse buraco,
11:25agravar a recessão no país, tudo em nome do populismo e da demagogia política
11:32para tentar salvar parte da reputação, distribuindo ainda mais benefícios para as pessoas
11:39para tentar estancar ou fazê-las, não é menosprezar, mas fazê-las esquecer momentaneamente o tamanho desse escândalo do INSS.
11:51Pois é, tem uma questão que é importante a gente tratar com o Cristiano Beraldo.
11:58Para além da investigação, Beraldo, INSS e a Dataprev têm desafios grandes pela frente
12:04para efetivar o ressarcimento e a devolução dos recursos para aposentados e pensionistas.
12:10O Dávila traz um ponto que é importante.
12:11A tecnologia poderá ser uma grande aliada nesse processo, mas também olhando para frente,
12:17para que nós consigamos observar um sistema seguro no que tange às aposentadorias
12:23e também os benefícios para essa fatia da população.
12:27O que deve mudar daqui para frente, hein, Beraldo, na sua avaliação?
12:31Não, o que deve mudar, muita coisa deve mudar.
12:37Agora, o que provavelmente vai mudar, Caneata, eu acho que muito pouco.
12:41Porque não há disposição para fazer os investimentos necessários,
12:45para dar a prioridade necessária a essa discussão.
12:51E eu não digo apenas do uso da tecnologia na questão da previdência social,
12:57mas o governo brasileiro precisa se modernizar, precisa se digitalizar.
13:04A Vera, para valer, aliás, isso tinha que ter sido já há várias eleições
13:09um tema dos mais importantes discutidos pelos candidatos à presidência.
13:15De que forma se irá digitalizar e preparar o Estado brasileiro para ser dinâmico?
13:21Por quê, Caneato?
13:22Se a gente pensar de forma objetiva, olhando para o Brasil hoje,
13:27um país que tem uma população pouco produtiva,
13:31uma população que está emburrecendo, ou seja, se observarmos,
13:36o QI médio do brasileiro, ele diminui porque as escolas não estão preparando os alunos,
13:43não estão estimulando o pensar, não estão estimulando o desenvolvimento intelectual dos jovens.
13:51Ao mesmo tempo, você tem uma fórmula que está em curso há mais de duas décadas
13:57de dar esmola para as pessoas, desestimulando que essas pessoas trabalhem, se desenvolvam,
14:03se desafiem, busquem coisas melhores.
14:06Então, nós estamos tomados pela mediocridade.
14:09E conforme nós somos tomados pela mediocridade num Estado pouco produtivo,
14:15é preciso que o governo se prepare para dar conta de sustentar aqueles que não têm como produzir.
14:24E esse desafio se amplia num mundo que vai necessariamente se transformar em razão da inteligência artificial
14:34e vai ser uma transformação muito mais rápida do que foi a Revolução Industrial.
14:40Por quê?
14:41Hoje, a velocidade com que essas alterações, essas modernidades estão sendo incorporadas à vida cotidiana
14:49é muito mais rápida, é muito mais rápido, é muito mais veloz.
14:53Portanto, o Brasil tem obrigação de, pelo menos do Estado brasileiro,
15:00acabar com as suas próprias ineficiências
15:02para que sobre dinheiro suficiente para bancar o resultado
15:07dessa política de gestão de país completamente falida,
15:14que destruiu a nossa nação.
15:16Nossa nação terá que ser reconstruída do zero.
15:19Nós teremos muitos desafios à frente.
15:23E essa questão da tecnologia, Caniato,
15:27se nós olharmos o que está acontecendo com a Muralha Paulista,
15:30com o Smart Sampa,
15:32que usa a tecnologia com reconhecimento facial,
15:36com o sistema de informação às polícias para prender bandido,
15:40isso tudo tem que ser multiplicado para toda e qualquer área de interação do poder público
15:47com o cidadão.
15:49Se nós não fizermos isso de forma urgente,
15:54o Brasil fica insolvente, inviável.
15:57Porque a piora é muito clara, ela é muito evidente,
16:02o roubo é muito evidente, os desvios são muito evidentes.
16:06Quer dizer, nada justifica, por exemplo, o que acontece com o cigarro contrabandeado no Brasil.
16:12Cigarro tem, se não me engano, 95% de imposto.
16:15Só que a maior parte dos cigarros vendidos no país
16:18são contrabandeados, contrabandeados do Paraguai.
16:22Opa!
16:23Não estamos sequer conseguindo vigiar as fronteiras
16:27para impedir que esse volume gigantesco de cigarro contrabandeado entre no país?
16:33Quer dizer, o Brasil é uma piada, o Brasil é um vexame, Caniato.
16:37Tem drone, Israel se defende, olha só, Israel tem lá o domo, né?
16:42Ele se defende dos mis, dos mis, você chega,
16:45a inteligência já detecta o mís, já lança outro, já explode o mís no ar,
16:49protege todos ali, todos os cidadãos israelenses.
16:53O Brasil não consegue evitar contrabande de cigarro.
16:56Olha só como a gente está longe da realidade, Caniato.
16:59Olha só como a tecnologia não faz parte do nosso universo.
17:05Nós temos ações e iniciativas isoladas
17:08que, infelizmente, são insuficientes hoje
17:11para resolver mesmo o todo do problema dessas localidades,
17:16como é o caso de São Paulo.
17:17Porque não adianta a Prefeitura ter a informação,
17:21a Guarda Civil as guia, a Polícia as guia,
17:24o secretário de RIT e o governador Tarcísio firmes no combate ao crime organizado.
17:28Mas aí, como a gente já falou aqui um milhão de vezes,
17:31o criminoso é preso e é solto.
17:32Então, não adianta.
17:34É você simplesmente ter um esforço enorme
17:37com a tecnologia que não produz o resultado esperado.
17:40Então, isso é só para dar essa pincelada, Caniato.
17:42Sim, sem dúvida.
17:43Agora, Krigner, de tempos em tempos,
17:45a gente se depara com casos de corrupção,
17:49fraude na administração pública no Brasil
17:52e em vários outros países do mundo,
17:54inclusive países desenvolvidos.
17:56Eu acho que isso talvez seja insolúvel.
17:58Sempre vai acontecer em escalas diferentes, claro.
18:01Agora, é possível ser mais eficiente no combate à corrupção.
18:07Você acha que só a tecnologia basta
18:10ou é preciso pensar em uma readequação do funcionalismo público?
18:14O Dávila sempre defende aqui a reforma administrativa
18:17como sendo algo urgente.
18:19Com certeza.
18:20Reforma administrativa,
18:22eu expandiria isso também para a questão do pacto federativo,
18:26a maneira como nós temos a interação entre os entes no nosso país
18:30e que cria muita margem, né?
18:32Muito dinheiro que vai para Brasília e nesse trânsito,
18:35claro que não é um trânsito real, é um trânsito virtual,
18:39mas nessas remessas que vêm e que vão,
18:42a gente perde muito dinheiro.
18:44Muito dinheiro cai aí pelos vãos que se criam, né?
18:48Mas a tecnologia é fundamental, Caniato.
18:50A tecnologia, ela está aí para nos servir.
18:53E eu coloco aqui, pegando a sequência aí da fala do Beraldo,
18:59justamente de que não é que a gente não consegue no Brasil,
19:03é que falta interesse.
19:04E por que falta interesse?
19:06É óbvio, se você perguntar para as pessoas
19:08se elas são contra a corrupção,
19:10todo mundo é contra a corrupção.
19:11Até a segunda página,
19:13quando a corrupção passa a te beneficiar.
19:16Enquanto nós não enfrentarmos a realidade
19:18de tratar questões que são de cunho moral,
19:22cunho ético,
19:24e trazer isso para ser uma das principais pautas
19:27para a nossa nação,
19:28isso não é discurso tópico,
19:29também não é discurso moralista,
19:32de forma alguma, no sentido pejorativo,
19:34mas é de dizer o que é errado e o que é certo,
19:36combatendo o que é errado e promovendo o que é certo.
19:39Dessa maneira, a gente consegue, então,
19:41trazer um pouco de senso de ordem.
19:43O problema é que no Brasil, hoje,
19:45nós estamos punindo o correto
19:47e nós estamos promovendo aquilo que é errado.
19:50Os influenciadores que ganham dinheiro com a desgraça alheia,
19:54eles estão sendo promovidos,
19:56colocados em manchetes de todos os jornais.
19:58Os empresários que geram emprego,
20:00que geram riqueza para a nação,
20:02são taxados, são tributados,
20:04não podem ter seu sucesso celebrado,
20:07porque isso tudo passa a ser uma questão de,
20:10até uma ameaça ou mesmo uma afronta
20:13contra aqueles que mais sofrem,
20:15como se os empresários geradores de riqueza no Brasil
20:18também não sofressem, não pagassem impostos abusivos.
20:20Então, a gente tem uma inversão de valores
20:23que começa, óbvio, dentro da família,
20:25mas que se reflete no macro da nossa nação.
20:29Então, eu creio que a tecnologia,
20:30ela vem para garantir essas salvaguardas.
20:33É possível.
20:34É possível e, se nós quisermos,
20:36a gente consegue.
20:37Haja vista o fato de que existem traficantes
20:40traficantes no Rio de Janeiro
20:42que têm drones utilizados na guerra da Ucrânia.
20:45Ou seja, não é falta de acesso a tecnologias,
20:49é falta de vontade.
20:51Parece que aqueles que fazem errado
20:53e que jogam do lado do mal,
20:56do lado obscuro aí da força,
20:58esses têm mais força de vontade
21:00e empenho em fazer acontecer.
21:02E os que querem fazer direito
21:03não acabam conseguindo os caminhos para chegar lá.
21:06Essa é a maior preocupação
21:07quando a gente pensa no futuro do Brasil.
21:08Davila, você é defensor de algumas reformas,
21:12algumas alterações profundas,
21:15principalmente quando a gente olha
21:16para a administração pública
21:18e você entende que a administrativa
21:20já deveria ter sido realizada
21:22antes, inclusive, da reforma tributária.
21:25É algo que está no horizonte
21:28de alguns grupos políticos
21:29que defendem de forma veemente
21:32a necessidade de você remodelar
21:34o funcionalismo público do Brasil.
21:36De que maneira uma reforma administrativa
21:40conversa também com a agenda anticorrupção,
21:43por exemplo?
21:45Caniato, uma burocracia bem preparada,
21:48bem formada, com ótimo desempenho,
21:51é fundamental para a estabilidade
21:54das regras do jogo
21:55e a continuidade de boas políticas públicas.
21:58Eu digo que há algo pior que a corrupção,
22:01é a descontinuidade de política pública.
22:03Na hora que o ministro da Educação
22:05ou o secretário da Educação no Estado
22:07joga tudo o que o outro do passado fez
22:10na lata do lixo e começa do zero,
22:12ele está, como diz o Ortega e Gaceia,
22:14plagiando o orangotango,
22:16começando tudo de novo,
22:17jogando fora toda a memória
22:18de acerto e erros do passado
22:20e começando do zero.
22:22Isso é um desastre para a política pública.
22:24Isso tem um custo gigantesco.
22:26Então, nós precisamos
22:28de uma reforma administrativa
22:31para valorizar o bom servidor,
22:33para que ele possa ascender na carreira,
22:35subir na sua carreira,
22:37por causa do seu desempenho,
22:39por causa da sua avaliação
22:40e não como é hoje,
22:42por tempo de serviço,
22:42que o incompetente e o competente
22:44chegam ao topo da carreira.
22:45Isso é um desastre.
22:47Imagina você trabalhar numa empresa,
22:49você e um cara que não faz nada certo
22:52chegam a ser diretor de jornalismo da companhia.
22:55é horrível, é péssimo.
22:57Vai começar a cair audiência,
22:59não vai dar certo.
23:00É isso que está acontecendo
23:00no serviço público.
23:01Então, primeiro,
23:02a reforma administrativa
23:04é fundamental
23:05para valorizar o bom servidor
23:07e oferecer a ele um plano de carreira
23:09de acordo com o seu mérito,
23:11com o seu desempenho.
23:13Segundo ponto,
23:15acabar com indicação política.
23:17Isso é um escândalo no Brasil.
23:20Eu vou dar um exemplo do Brasil
23:21comparando com o Reino Unido.
23:23No Brasil,
23:25cada vez que muda
23:26o presidente da República,
23:27Caniato,
23:28são 27 mil cargos
23:31que podem ser mudados.
23:3327 mil.
23:34Quando muda
23:35o primeiro-ministro na Inglaterra,
23:37sabe quantos cargos
23:37são mudados, Caniato?
23:39Quanto?
23:39300.
23:40300 versus 27 mil.
23:42Não tem condição
23:43de um país
23:44ter estabilidade política
23:46com esse aparelhamento do Estado,
23:48com essas indicações políticas
23:50sem nenhum outro critério,
23:52a não ser
23:52fazer um favorzinho
23:54para aquele cara
23:54que te ajudou
23:55na última eleição.
23:56Isso não tem jeito
23:57de dar certo.
23:58Então,
23:58a reforma administrativa
24:00é fundamental.
24:01E o terceiro ponto,
24:03que uma burocracia
24:04de gente qualificada
24:05é um antídoto
24:07contra essas malandragens.
24:09Porque a turma
24:10que está lá dentro
24:11não deixa acontecer.
24:12Porque eles têm honra
24:13do carro que eles ocupam,
24:14eles sabem
24:15que eles vão subir
24:15por causa do mérito
24:16e desempenho,
24:17e eles não vão começar
24:18a fazer vista grossa
24:19para essa corrupção desenfreada
24:21que existe
24:22no aparelho do Estado.
24:23Então,
24:23ela é uma reforma
24:25crucial, Caniato.
24:27E outra coisa,
24:28vamos olhar
24:29para dados e evidências,
24:31qual é o país
24:31que deu certo
24:32com uma burocracia
24:33como a nossa?
24:34Nenhum.
24:35Nenhum.
24:36Todo o país
24:36que tem estabilidade
24:37das regras do jogo,
24:39continuidade
24:39de boas políticas públicas,
24:41reduziu fortemente
24:42a corrupção,
24:43são os lugares
24:44onde tem carreira
24:45bem feita
24:46na burocracia.
24:47tanto que
24:48as poucas ilhas
24:50onde há formação
24:51de bons burocráticos
24:52e funcionários públicos
24:53no Brasil
24:54é onde há excelência.
24:56Você pega o Banco Central,
24:58o Ministério da Fazenda,
24:59o Itamaraty,
25:01essa turma
25:01que forma
25:02bem os seus funcionários,
25:04parte do exército
25:05também,
25:05os altos cargos
25:07no exército também,
25:07você não chega
25:08a general
25:09sem passar
25:09pela Escola Superior
25:10de Guerra,
25:10sem ter a devida
25:12formação.
25:13Então,
25:13assim,
25:14vamos olhar
25:15para os bons
25:15exemplos domésticos,
25:16onde funciona
25:17e usar isso
25:19para o restante
25:20do funcionalismo público.
25:21Isto é fundamental
25:23para ajudar
25:24a fechar
25:25essas torneiras
25:27da corrupção
25:28e das fraudes
25:29que permeiam
25:30no Estado brasileiro.
25:31Pois é,
25:32você mencionou
25:32os cargos,
25:33né,
25:33Dávilo?
25:33O Beraldo
25:34certa vez
25:34também fez
25:35essa análise.
25:36Quem é que conhece
25:3727 mil ótimos profissionais
25:39para indicar sim,
25:40né?
25:40Aí você acaba
25:41terceirizando.
25:42Você vai confiar
25:42naquele que está
25:43escolhendo,
25:44sei lá,
25:4410,
25:4520,
25:4530 cargos,
25:46você sempre
25:47acaba ficando
25:47muito exposto.
25:49Bem,
25:49a gente vai seguir
25:50acompanhando
25:50essas movimentações.
25:51a gente vai seguir

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