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Jason Vieira, economista-chefe da Lev Asset, analisou o salto do Ibovespa puxado por commodities e a reação global ao CPI americano, o melhor desde 2021. Ele também comentou os riscos no balanço da Petrobras, a resistência do dólar a cair abaixo de R$ 5,60 e os impactos políticos das tarifas de Trump.

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Transcrição
00:00Eu converso agora com o Jason Vieira, que é economista-chefe da Leve Asset.
00:04Boa noite para você, Jason. Seja bem-vindo aqui ao Jornal Times Brasil.
00:11A gente não está ouvindo a sua voz. Deixa eu só me certificar se a gente está com o sinal bom aí da sua voz.
00:21Estou falando aqui. Consegue ouvir?
00:22Agora sim. Agora estamos ouvindo. Boa noite mais uma vez, Jason.
00:25Boa noite. Tudo bem?
00:27Tudo bem?
00:27Obrigado pelo convite.
00:27Bom, um dia feliz para o Ibovespa. Eu queria que você comentasse os fatores que você acha que contribuíram para esse resultado positivo.
00:36Bom, nós tivemos ontem o Brasil meio que na rabeira do mercado internacional, depois da decisão dos Estados Unidos de entrar no ciclo mais positivo por conta da redução dos impactos e ruídos das tarifas.
00:49O Brasil ali ficou meio de lado, não sabendo como é entrar no negócio.
00:53Hoje havia expectativa na abertura dos negócios que talvez houvesse uma realização de lucros nos Estados Unidos, mas isso foi rechaçado pelos indicadores de inflação americano,
01:04o CPI, que vieram abaixo das expectativas, melhor resultado desde 2021 e que acabou impulsionando o mercado lá fora e aqui acabou indo junto,
01:12seguindo também a tendência de algumas ações ligadas a commodities que se beneficiam da melhora de um contexto internacional voltado ao fim da guerra de tarifações.
01:23João, eu queria saber o que você achou do balanço da Petrobras e também do balanço do Nubank que a gente acabou de divulgar aqui.
01:29O balanço do Nubank, eu vou te confessar que eu não cheguei a dar uma olhada, mas o da Petrobras, eu acho que nós tivemos olhando ali com um pouco mais de carinho,
01:38ele dá ajustado ali de 10,7 milhões, comparado ali o lucro líquido de 4 milhões, mas ali o que preocupa um pouco mais é a questão do CAPEX.
01:47O CAPEX, na verdade, para a audiência entender, o investimento que a empresa faz, ele vem um pouco acima das expectativas e isso começa a trazer algumas preocupações para os investidores
01:57em relação à distribuição de dividendos, porque dado o modal de energia que gera a Petrobras, dado que é uma empresa que tem parte estatal e que tem intervenções estatais,
02:08o grande motivo para os investidores investirem na Petrobras é a distribuição de dividendos e se isso for afetado, o resultado da empresa acaba sendo afetado também.
02:18Ele pode de alguma maneira ser afetado e, óbvio, citaram ali lifting cost, que foi custo de extração que pode ter subido, falaram também maior custo de produção e nada muito claro.
02:32E aí, óbvio, você tem a distribuição de dividendos, 2,1 bilhões, como até foi citado aí anteriormente, não pode haver uma distribuição muito exagerada de dividendos,
02:40pois uma distribuição exagerada de dividendos pode levar a quebrar a empresa, mas também um gasto elevado, dado que você está tendo a sua principal commodity como base,
02:49que é o petróleo, caindo de preço, se torna uma coisa complicada.
02:53E existe um equilíbrio muito tênue na Petrobras em relação ao preço internacional do petróleo, porque o custo de produção da Petrobras é mais elevado do que a média internacional,
03:03por ser boa parte petróleo de extração de pré-sal, águas profundas, esse tipo de coisa.
03:08E parte do petróleo brasileiro é extraído, um petróleo pesado, que demanda que ele seja exportado e depois trazido de volta refinado.
03:17Então, é muito tênue a linha do custo, da questão de custo e de preço.
03:23Só que agora, o petróleo caindo para os níveis que caem muito próximos de 60 dólares o barril, isso gera um complicador grande para a questão dos ganhos da empresa.
03:32E aí, obviamente, observando um capex, um crescimento um pouco maior dos custos, abre uma preocupação.
03:39A presidente falar, vamos falar sobre redução de custos, austeridade, mas isso precisa ser mais nítido, isso precisa ser mais aberto para que os investidores continuem tendo confiança em investir nas ações da Petrobras.
03:51Claro. O Vinícius Torres Freire tem uma pergunta agora para você, Jason.
03:55Jason, hoje a gente viu esse salto animado do mercado brasileiro, principalmente porque a gente viu alta de commodities e ação de banco também, mas a gente viu alta de commodities, Vale e Petrobras subiram.
04:08Agora, por outro lado, isso é resultado talvez um pouco de perspectivas de desaquecimento menor da economia mundial, dada a trégua China, Estados Unidos, etc.
04:19Agora, por outro lado, a gente acreditava, ou muita gente acreditava, que o dólar podia ter um recuo porque a economia americana estivesse mais fraca.
04:28Agora, pelo mesmo raciocínio, a economia americana, mesmo que enfraqueça, não vai se enfraquecer tanto e o dólar continua caindo.
04:34Qual é a tendência do dólar, no final das contas? Dá para cair, além de 5,60? Qual é o driver, qual é o impulso que está fazendo o dólar cair, mesmo com essa mudança de cenário?
04:48Claro que nos tempos de Trump, mudança de dois dias, mas qual é a perspectiva?
04:52Bom, o dólar tem um suporte técnico, que nós chamamos do mercado financeiro, muito firme nos 5,60.
04:59Existe uma dificuldade muito, também é um pouco psicológica, aí vai para 5,50, alguma coisa, mas existe um suporte técnico ali muito forte nos 5,60.
05:08E existe também uma questão de fluxo, que nesse período do ano, ainda em partes ajuda, especialmente fluxo comercial,
05:14ajuda a manter o dólar relativamente controlado, coisa que se reverte no próximo semestre.
05:18O próximo semestre costuma ter uma saída de dólares maior.
05:22Nós temos um movimento também aqui no Brasil de uma ausência significativa do investidor estrangeiro.
05:27Muitas vezes a gente vê, o investidor estrangeiro voltou para B3.
05:31Isso normalmente significa, o que a gente chama no mercado financeiro, de old money.
05:36Ou seja, dinheiro que já está aqui circulando entre ativos e sai, por exemplo, de renda fixa e entra na Bolsa.
05:42Não significa que está vindo dinheiro de fora, esse dinheiro de fora está raro.
05:47E é esse dinheiro de fora que gera liquidez e que geraria, por exemplo, um rompimento desse suporte de 5,50.
05:55As preocupações do mercado ainda não estão se expressando em relação, por exemplo, à questão fiscal,
05:59que se expressa no dólar diretamente, porque todo o grande foco do mundo no curto prazo continua sendo Donald Trump.
06:06Continua sendo a questão de tarifações.
06:09E agora, com esse cenário que nós tivemos, esse mini cenário que a gente chama no mercado financeiro de goldilocks,
06:14ou seja, uma inflação baixa e com crescimento econômico, ainda não vai se dar atenção a isso.
06:20Então, o que nós temos que ficar muito atentos é que provavelmente esse é o suporte do dólar.
06:25Existe uma dificuldade de rompimento desse suporte.
06:28E para cima, a questão fiscal pode ser um catalisador muito forte,
06:32que pode acontecer a qualquer momento.
06:35E não só essa questão do dólar pode causar, como também o fortalecimento do dólar global.
06:40Porque por mais que o Trump queira cortar os juros nos Estados Unidos,
06:43esteja até brigando com o Powell, que é outro que também quer cortar juros,
06:46ele só não consegue cortar juros por conta da dinâmica da economia.
06:49Nesse momento, o dólar deve ficar, pelo menos em nível internacional, relativamente estável.
06:55Alberto Azental.
06:56Jason, hoje é o primeiro dia de uma lua de mel no mercado, no médio prazo.
07:04Em médio prazo, eu falo, nos próximos 90 dias, por razões óbvias,
07:09ou é um ponto fora da curva e logo se acomoda, amanhã reverte um pouco?
07:15Não fazemos a menor ideia.
07:17É a coisa mais sincera de se dizer.
07:19Porque dado o contexto que nós temos Trump no meio do caminho,
07:21ele já disse que vai chegar amanhã com provavelmente um novo acordo com algum país.
07:25Isso pode impulsionar o mercado.
07:26Chega um momento que até o próprio ruído causado por Donald Trump,
07:30que chegou a dar uma aliviada no mercado,
07:32porque é mais ou menos como aconteceu com a guerra da Ucrânia.
07:34Nós tivemos um movimento muito ruim durante o início da guerra.
07:37Três meses depois, o mercado já tinha absorvido aquelas notícias.
07:41Porque é natural do ser humano, faz parte da psique humana,
07:43você absorver a notícia ruim, chega uma hora que ela fica tão repetitiva
07:47que você se insensibiliza por ela,
07:50mais ou menos o que tem acontecido com a guerra comercial.
07:52Então, algumas novidades podem acontecer,
07:56do lado tanto negativo quanto positivo,
07:59que podem fazer o mercado avançar um pouco mais.
08:01Algum acordo na Ucrânia,
08:03a questão agora resolvida da China,
08:05mais alguns países entrarem no acordo,
08:07e também uma possível resolução da disputa entre Paquistão e Índia.
08:12Se tudo isso, de alguma maneira, pelo menos aliviar o ruído,
08:16a tendência é de que o mercado possa continuar positivo
08:18ou pelo menos volte à normalidade.
08:21Não significa que ele vai voltar,
08:22vamos ter um mercado super bombando,
08:24Bolsa subindo,
08:25mas que pelo menos ele retorne um mínimo de normalidade.
08:28Jason Vieira, economista-chefe da Lev Asset,
08:31obrigado pela participação e boa noite.
08:34Obrigado, até a próxima.
08:34Obrigado.
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