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  • há 8 meses
MÁ-DRASTAS - DUBLADO

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Transcrição
00:00A Debra Ann era uma garota linda, sorridente, extrovertida.
00:05Ela só queria compartilhar tudo isso com o homem certo.
00:09Foi quando surgiu um homem rico, divorciado e pai de duas filhas.
00:14O Werner estava apaixonado pela Debra.
00:15Ela dava as cartas no relacionamento.
00:18Era um feitice.
00:19Mas ser uma madrasta típica num subúrbio pacato não fazia bem o estilo dela.
00:24A Debra tinha um lado mau.
00:26Eu quero que elas venham embora.
00:27Se você não se livrar delas, eu me livre.
00:29Tudo girava em torno da Debra.
00:31E as filhas foram afastadas.
00:33E Debra estava determinada a conseguir tudo o que ela queria.
00:37Ela só pensava nela mesma.
00:39Nunca mais vou ver aquela grana.
00:40E fazia qualquer coisa para conseguir o que queria.
00:42Eu não sei onde poderíamos desovar o corpo.
00:46Eu dizia, Werner, isso vai acabar mal.
00:59O Werner era muito ambicioso e trabalhador.
01:28Ele não queria trabalhar para ninguém.
01:30Queria ser o seu próprio patrão.
01:33E o sonho dele era ter uma família, filhos e dinheiro.
01:38Werner era elegante, tinha boa aparência e era sedutor.
01:41Não levou muito tempo até ele conhecer a primeira esposa, Vi Cruz.
01:45Eu achei que ele era um dos Beatles.
01:49Foi a impressão que eu tive.
01:50Eu pensei, ah, meu Deus, porque ele tinha aquele corte de cabelo.
01:54Era muito bonito, tinha olhos brilhantes.
01:57Quatro anos depois, o casal já tinha duas filhas, Laura e Eva.
02:05E Werner havia economizado o suficiente para montar o seu próprio negócio.
02:10Ele foi um dos pioneiros no ramo do som automotivo.
02:13E escuta esse som.
02:18Ele instalava som estéreo nos carros dos clientes.
02:24É isso aí.
02:25Demais, não é?
02:26Era um bom negócio no fim dos anos 70 e começo dos anos 80.
02:30Morávamos nos fundos da loja e dividíamos uma única cama.
02:35Não tínhamos chuveiro, tínhamos uma pia e nós todos tomávamos banho naquela pia.
02:42Moramos dois anos nessa loja.
02:44Foram tempos difíceis.
02:45Era um único cômodo pequeno e a parte da frente da loja,
02:48onde eles punham os alto-falantes e os equipamentos de som automotivo,
02:52sem ar-condicionado nem aquecimento, era difícil.
02:56Principalmente com duas crianças.
02:57O Werner não era um administrador, ele era um vendedor.
03:01E a Vai cuidava da administração da empresa.
03:04Ela cuidava da contabilidade.
03:05Era muito leal e muito solidária.
03:10Meu pai era muito trabalhador.
03:11Ele trabalhava muito.
03:13Só parava dois ou três dias.
03:16E isso geralmente acontecia durante as festas de fim de ano.
03:22Ele tinha um coração enorme, era muito engraçado,
03:24tinha muito senso de humor e era muito generoso com os outros.
03:30Ele tratava bem os funcionários e era uma pessoa boa e amorosa.
03:33O pai era um super-herói.
03:35Elas o viam como um grande exemplo e para elas nada do que ele fizesse.
03:39Elas consideravam que estava errado.
03:42Ele vivia contando histórias o tempo todo sobre trabalho,
03:45sobre como tinha sido difícil, que ele tinha trabalhado muito,
03:48que os norte-americanos não tinham a ética profissional que ele tinha.
03:51E que era por isso que ele era tão bem-sucedido.
03:55Logo, a empresa começou a decolar.
03:57E Werner ficou conhecido como o rei do som automotivo de Chicago.
04:03Naquela época, se você queria um som automotivo em Chicago,
04:06lá era o lugar certo para comprar.
04:08Naquela época, um cliente chegava querendo gastar 150 dólares
04:12e acabava gastando 300, 400 dólares.
04:15E o meu pai ria e dizia, viu só, consegui de novo.
04:18Ele era muito bom.
04:19Ele era um ótimo ouvinte, mas falava melhor ainda.
04:22Era capaz de vender gelo ou esquimó.
04:23Nós temos os melhores modos.
04:24Aos sábados, faziam fila na porta da loja.
04:27Ele queria guardar dinheiro e crescer cada vez mais e conseguiu.
04:32Nos mudamos para uma loja enorme.
04:36Logo, ele comprou uma casa grande e um carro elegante.
04:40Meu pai realmente era excêntrico.
04:42Meio que me lembrava o Elvis.
04:44Ele tinha grandes objetivos.
04:45Tínhamos uma casa de três andares decorada com móveis pretos e vermelhos
04:49e ele adorava os carros dele.
04:51Acho que ele era meio excêntrico, mas acho que você também seria
04:54se fosse tão bem sucedido como ele era na época.
04:57Naquela época, as discotecas estavam na moda
04:59e ele queria estar por dentro de tudo o que estava acontecendo.
05:03Ele queria estar na moda.
05:04Em 1978, todos os sonhos de Werner estavam se tornando realidade
05:16e ele queria aproveitar a vida ao máximo.
05:19Então, começou a passar menos tempo em casa
05:21e mais tempo numa certa boate masculina.
05:24Basicamente, ele não tinha muitas oportunidades
05:26para sair e curtir o dinheiro.
05:29Ele estava vivendo a segunda adolescência.
05:31Muita gente chama isso de crise da meia-idade.
05:35Ele me confidenciava certas coisas
05:38e, em certas situações,
05:40dava para perceber com certeza
05:42que as coisas estavam começando a mudar.
05:45Eu não entendia nada.
05:46E, claro, eu ficava com ciúme.
05:50Werner adorava a vida nova e agitada
05:53e ignorava totalmente o dano
05:55que estava causando ao seu casamento.
05:58Werner, vamos...
06:00Você está linda.
06:01Vamos dormir, querido.
06:02Vamos.
06:03Após 13 anos juntos, o casal se divorciou,
06:06o que afastou Werner das filhas pré-adolescentes.
06:10Eu tinha uns 10 anos
06:11e fiquei sabendo que eles iam se divorciar.
06:15Eu não esperava por aquilo,
06:17então foi um choque.
06:19Saímos da casa e fomos para um apartamento.
06:23Eu vi o meu pai, mas não com frequência.
06:25De vez em quando, a gente se encontrava
06:27para jantar e conversar
06:29e ele dizia que estava tudo bem,
06:31que sentia a falta da minha mãe.
06:34A gente sentia a falta dele.
06:35Para as meninas, realmente era algo confuso
06:38porque elas pensavam,
06:40o papai não está aqui,
06:41mas quando aparece,
06:42diz que sente a nossa falta
06:43e que está muito arrependido.
06:45Werner estava com 35 anos
06:53e se sentia solitário,
06:55sem vai e as filhas.
06:56Então, ele começou a procurar companhia
06:58nas boades que frequentava.
07:00Uma noite, uma garota animada
07:01chamada Deborah Stolver
07:02chamou a sua atenção.
07:05Ela era muito mais jovem que meu pai.
07:07Muito exibida, muito extrovertida.
07:09A Deborah era muito bonita.
07:11Ela era encantadora.
07:15Meu nome é Deborah.
07:18Dava para notar que o Werner
07:19estava apaixonado pela Deborah.
07:21Você quer dançar?
07:25Werner e Deborah se deram bem
07:27e logo ficaram conhecidos na cidade.
07:30A Deborah era festeira.
07:31Gostava muito de sair pela cidade
07:33e curtia várias coisas diferentes,
07:35várias boates diferentes.
07:37Meu pai comprava tudo o que ela queria.
07:39Ela tinha roupas, joias.
07:41Você sempre me dá o melhor.
07:42Quando ela conheceu o Werner,
07:46obviamente sabia que ele era bem rico.
07:50E no começo do relacionamento,
07:52ele costumava mandá-la sozinha para Nova York
07:56com os cartões de crédito dele.
07:58E ela comprava tudo o que queria.
08:01Ela ia para Nova York no fim de semana
08:02para fazer compras.
08:04Gastava 20, 30 mil dólares
08:06só no fim de semana.
08:07Para o Werner,
08:08esse era o sonho americano.
08:11Ganhar muito dinheiro,
08:12ter belos carros,
08:13ter uma namorada muito bonita
08:15e presenteá-la com joias e peles.
08:20Ele nunca tirava os olhos dela.
08:27Poucos meses depois de se conhecerem,
08:29o casal glamouroso se casou secretamente.
08:31Não fomos convidadas para o casamento.
08:34Meu pai nunca me contou.
08:38Fiquei sabendo pela minha mãe.
08:39Aquilo não tinha nada a ver com ele.
08:41Era como se ele tivesse se tornado outra pessoa.
08:45Depois de uma lua de mel extravagante no Havaí,
08:48Werner estava pronto para apresentar as filhas
08:50à nova madrasta.
08:51As meninas ainda estavam confusas
08:53com a notícia do casamento repentino,
08:55mas estavam dispostas a gostar de Deborah.
08:57Quando eu entrei no apartamento dela,
09:00eu vi fotos por toda a parte.
09:03Todas eram da Deborah.
09:06Algumas delas em minua,
09:08numa ela estava segurando uma arma,
09:10em duas ela estava com um casaco de pele.
09:13E essa foi a minha primeira impressão da Deborah.
09:17Ela era exatamente o oposto da minha mãe.
09:20Ei, já conhece a Deborah?
09:21Ela estava...
09:22Werner tinha certeza de que as filhas,
09:24então com 13 e 11 anos,
09:25adorariam a madrasta.
09:26E ele ficou muito feliz
09:28quando Deborah se mudou para a sua casa imponente.
09:31Oi, gente.
09:32Meu nome é Deborah.
09:34Mas a vida nos requintados subúrbios de Chicago
09:36não trouxe à tona o melhor da nova esposa de Werner.
09:40Tudo girava em torno da Deborah.
09:41O que Deborah vai comprar,
09:43o que vai deixar a Deborah contente,
09:45que vestido deslumbrante ela vai usar,
09:47com que joia nova ela vai aparecer.
09:49Ela não se envergonhava de mostrar
09:51que tudo girava em torno dela.
09:54Quanto a Werner,
09:56tudo o que ele queria era fazer a esposa feliz.
10:00Mas como os gastos de Deborah aumentaram muito,
10:03a família e os amigos começaram a temer
10:05que a devoção de Werner pudesse cegá-lo
10:07com relação a uma verdade mais dura.
10:10Eu me preocupava muito com meu pai
10:11porque não achava que ela era sincera com ele
10:14como ele era com ela.
10:15Essas coisas são complicadas.
10:17Não dá pra...
10:17Eu sentia que o mais importante pra ela
10:22era realmente o dinheiro.
10:24Nós todos tentamos dizer ao Werner
10:26quem ela era, o que ela era.
10:28Não tem mais.
10:29Mas ele parecia não entender.
10:31Ele achava que tinha tudo sob controle.
10:35Ele...
10:36Então passava a imagem de que
10:38tudo estava sob controle
10:39e sempre dizia
10:40Ah, não.
10:42Não, não vai ser um problema.
10:43Ele tinha muito trabalho
10:44e estava ganhando todo aquele dinheiro
10:46e dizia
10:46Tenho controle total sobre a situação.
10:49Nunca mais eu vou ver aquele dinheiro
10:51mas está tudo certo.
10:52Ele achava que podia mudar.
10:56Depois de um rápido e intenso romance
10:58Werner Hartmann, divorciado,
11:00pai de duas filhas,
11:01estava animado para aproveitar a vida de casado
11:04com a sua jovem e sexy esposa Deborah.
11:06Como ele tinha uma mulher mais jovem e linda
11:09ele se sentia mais jovem
11:11e talvez melhor consigo mesmo.
11:16Mas a ex-dançarina rapidamente
11:18assumiu o controle da vida deles.
11:22Meu pai estava à disposição dela
11:24e fazia tudo por ela.
11:27Ele estava totalmente nas mãos dela.
11:30Ela fez do Werner um marionete.
11:33Ai, é assim que eu quero ver o meu homem?
11:36Hum, está lindo.
11:37Ele costumava usar uma bela corrente de ouro,
11:39um belo relógio, um belo anel.
11:41Gostava de usar roupas italianas.
11:44Mas acho que era bastante influenciado pela Deborah
11:46porque ela gostava das melhores coisas.
11:49Foi como se ele tivesse perdido a cabeça.
11:52Ninguém mais o reconhecia.
11:56Mesmo dando as cartas em casa,
11:58Deborah não abandonou a vida noturna.
12:01A Deborah era uma garota festeira.
12:03Ela gostava muito de sair.
12:05A Deborah e meu pai iam a boates,
12:08bebiam, estavam curtindo a vida e tal.
12:10Acho que nos sentimos abandonadas.
12:13Ele nos deixou.
12:15E vivia tão consumido por ela
12:17que nada mais importava para ele além dela.
12:26Werner adorava exibir a nova esposa,
12:29mas ainda tinha um negócio para administrar
12:31e precisava dedicar mais tempo à loja.
12:34Como Deborah continuava gastando cada vez mais,
12:36a situação financeira entrou em colapso.
12:38Os números.
12:39O negócio não faturava o suficiente
12:41para pagar as peles, os diamantes e os Rolls Royces.
12:44Era impossível.
12:45Então estávamos com dificuldade para pagar as contas.
12:48Os distribuidores estavam deixando de trabalhar conosco.
12:51Só deixavam produto se pagássemos contra a entrega.
12:54E isso nunca tinha sido assim.
12:57Meu pai ligava para minha mãe e dizia
12:59a Deborah está gastando tanto dinheiro.
13:01Ele estava ficando endividado.
13:03Ele temia ter que fechar a loja.
13:08Eu acho que o pagamento da hipoteca estava atrasado.
13:14Ele vivia uma vida que não podia bancar.
13:17Olha só, eu não sei bem o que fazer.
13:18Quando não estava na cidade,
13:23Deborah ficava na loja,
13:25procurando outras coisas para se distrair.
13:27E logo encontrou novas distrações.
13:32Ela paquerava muito.
13:34Conversava com qualquer um.
13:37O Werner desconfiava
13:38que ela estava saindo com outros caras.
13:41Deborah parecia atraída por um homem em particular,
13:44o musculoso jogador profissional de tênis John Korobik.
13:48Você encontrou o que queria?
13:51Agora sim.
13:52O John apareceu.
13:53Ele aparecia com frequência.
13:54Quase como um cachorrinho na coleira.
13:57Olha, eu estou com o meu carro.
13:58A Deborah o mandava ir a algum lugar e ele ia.
14:01Ele passava na loja e ela pedia para ele fazer alguma coisa.
14:05O Werner desconfiava que ela se encontrava com o John.
14:08E um belo dia,
14:09seguiu a Deborah.
14:10E confirmou a suspeita.
14:15Foi humilhante para ele.
14:17Mas mesmo assim,
14:19ele achou que ela ia tomar jeito
14:21e que as coisas iam melhorar.
14:24A situação ficou ainda mais estranha
14:27quando Deborah passou a exibir o relacionamento
14:29até mesmo na casa de Werner.
14:32O Werner me dizia
14:33que o John passava a noite lá no sofá
14:36e o Werner ficava no andar de cima.
14:39Era um relacionamento muito, muito bizarro.
14:42Mas todo homem tem o seu limite.
14:49O Werner me contou que uma noite
14:51a Deborah tinha ficado fora até tarde.
14:53Ela chegou em casa usando um...
14:56casaco de pele sem nada por baixo.
14:58Deborah, você tem ideia de que horas são?
15:00E ele se deixou levar pela raiva.
15:01Onde você está?
15:02Me deixa em paz, não enche.
15:03Ei, Deborah, Deborah, vem aqui.
15:06Ele pegou uma arma para livre 22
15:07e conforme ela arrancava,
15:09atirou no Rolls Royce dela.
15:13Acho que ele não queria atirar nela.
15:15Só queria dar um recado.
15:18Ele achou que a situação tinha chegado a um ponto
15:20em que ele não podia falar mais nada.
15:23Foi como dizer, tá?
15:24Eu vou dar esse tiro para você saber
15:26que é o meu grito, é o meu limite.
15:30E aí tudo voltaria ao normal.
15:33Não parecia o meu pai.
15:36Parecia uma pessoa totalmente diferente.
15:41Para se vingar de Werner,
15:43Deborah deu queixa.
15:44Você pode me ajudar?
15:45É claro.
15:47Ele foi considerado culpado
15:48por conduta imprudente
15:49e ficou em liberdade condicional.
15:51Ele me contava cada vez mais
15:53o que estava se passando por lá
15:54e eu dizia, Werner, isso vai acabar mal.
15:57E ele dizia, não, não vai.
15:59Você me conhece.
16:00Eu tenho tudo sob controle.
16:02O Werner dizia, uma hora,
16:04ela vai voltar a si,
16:05vai ver a vida que eu dou a ela
16:07e vai se apaixonar por mim.
16:09É, ele estava apaixonado.
16:11Era um feitiço.
16:13Um feitiço.
16:16Werner amava e continuava
16:18desculpando a esposa.
16:20Deborah, por outro lado,
16:21deixava claro que amava o dinheiro,
16:23não o homem.
16:25Ela só pensava nela mesma,
16:27no que ela podia lucrar.
16:29E eu acho que ela odiava o Werner,
16:30odiava estar com ele.
16:32Ela só estava com ele pelo dinheiro.
16:35Eu estava olhando estes gráficos aqui
16:36e alguns dados me dispararam.
16:37A família e os amigos de Werner
16:39tentaram chamar a razão,
16:40o homem que um dia havia sido racional.
16:43Eu sei, está meio devagar,
16:44mas vai melhorar.
16:44E a madrasta, Deborah,
16:46continuava aumentando a distância entre eles.
16:48Isso é loucura.
16:49Ela vai acabar nos deixando na pior.
16:51Não é bem assim.
16:52Oi!
16:52Como é que é?
16:54Deborah!
16:54Com certeza.
16:55Ela tentava isolá-lo de todo mundo
16:57para poder fazer o que quisesse com ele.
17:00Está tudo bem?
17:01Que bom te ver.
17:03Ela afastou o Werner ainda mais das filhas.
17:06Elas não sabiam como lidar com aquilo.
17:08Ela queria nos ver bem longe.
17:11Todas nós.
17:13Acho que as três viram
17:14quem era a verdadeira Deborah
17:16e ficaram preocupadas com o Werner.
17:18Olha quem chegou.
17:19O cara não parava na loja.
17:20Oi, meninas!
17:21Ele tinha muita energia,
17:23mas não era mais a mesma pessoa
17:24e elas perceberam.
17:27Em três anos de casamento
17:29com Werner Hartmann,
17:30Deborah teve um caso,
17:32estava arruinando o negócio dele
17:34e estava destruindo a relação dele
17:36com as duas filhas.
17:39Mas, de algum modo,
17:41ela ainda o tinha nas mãos.
17:43A Deborah foi uma das pessoas
17:45mais manipuladoras
17:46que eu já conheci na vida.
17:47Ela fazia tudo o que queria.
17:49Num estalar de dedos.
17:50Ela sabia usar a astúcia
17:52e o próprio corpo.
17:54Ele ficava confuso.
17:55A cabeça dele ficava confusa
17:57e permitia que aquela confusão
17:59levasse a melhor.
18:06Na cabeça de Deborah,
18:08ela merecia o que queria.
18:11E na primavera de 1981,
18:14a madrasta sinistra
18:15queria tirar a ex-esposa
18:16e as duas filhas
18:17da vida dele
18:18de uma vez por todas.
18:21Eu estou cheia.
18:22Se você não dá um fim nisso,
18:23eu me mando.
18:24Elas são minha família.
18:25O que quer que eu faça?
18:26Deborah até ameaçou
18:27tomar providências.
18:28Eu quero essas meninas
18:29fora daqui.
18:30Naquele momento,
18:31ela continuava a pressionar,
18:32a pressionar, a pressionar.
18:34Se você não se livrar delas,
18:35eu me livro.
18:35É...
18:36O quê?
18:37O que você disse?
18:39Deborah,
18:39o que você está dizendo?
18:41Ele ouviu
18:42e ficou com medo por elas.
18:43Ele queria protegê-las.
18:45Werner não sabia
18:50se Deborah
18:51estava falando sério
18:52ou do que ela era capaz,
18:54mas não podia arriscar.
18:57Meu pai ligou e disse
18:59a Deborah contratou um atirador.
19:00O quê?
19:01Para matar a família inteira.
19:03Tudo bem.
19:03Ele estava preocupado com a gente,
19:05muito preocupado.
19:06Werner insistiu
19:07para que a ex-esposa,
19:08vai,
19:08levasse as filhas para a Flórida
19:10e ficasse com os pais dela.
19:11Elas não queriam ir.
19:13Meninas!
19:13E aí ele foi me contando
19:15o que estava acontecendo.
19:17Façam as malas
19:18para irmos embora agora mesmo.
19:19Eu dizia, Werner,
19:20isso vai acabar agora.
19:21O pai de vocês ligou
19:22e disse que a gente tem que ir embora.
19:23Tive que empacotar
19:24a minha vida inteira
19:25em duas caixas,
19:27entrar num avião
19:27e mudar para a Flórida.
19:29Se você é criança,
19:30você fica com raiva.
19:33E aí você começa
19:34a sentir mais raiva.
19:35Eu senti a raiva do meu pai.
19:37Como ele podia ter feito
19:38aquilo com a gente?
19:39Ele tinha duas filhas
19:40e uma esposa
19:41que tinha sido boa para ele
19:42quando ele não tinha nada.
19:43você sente o abandono
19:45ou se sente abandonada.
19:47Ela estava ameaçando
19:49a vida delas.
19:50E você imagina
19:51que ele tinha algum controle,
19:53que ele ia conseguir
19:54se livrar dela
19:56ou abandonar a situação.
19:59Mas,
20:00não,
20:01ele parecia que
20:02não tinha nenhum controle.
20:05Ela chegou a colocá-lo
20:06contra a parede
20:07e chegou a dizer para ele
20:09livre-se delas
20:12ou elas morrem.
20:14Então,
20:15claro,
20:15ele pensou,
20:17eu vou tentar salvá-las.
20:19Eu vou sim.
20:22Assim,
20:23Debra conseguiu
20:24tirar Vai
20:25e as filhas de Chicago
20:26e afastá-las de Werner.
20:27Agora mesmo,
20:28vamos logo,
20:29anda.
20:30Foi quase como se tudo
20:31acabasse do dia para a noite.
20:32Minha vida mudou.
20:34Meus pais estavam divorciados,
20:36apareceu aquela mulher
20:37e eu estava morando na Flórida,
20:39em outro estado,
20:40sem amigos.
20:41Foi horrível.
20:43Por que as meninas?
20:45Por que a ex-esposa?
20:46para mostrar quem
20:48estava no comando
20:49e em torno de quem
20:51tudo girava.
20:52Ela era bem cruel.
20:56Ela podia controlá-lo.
20:58Ele estava totalmente
20:59à mercê dela,
21:00fazendo tudo
21:01que ela queria
21:02que ele fizesse.
21:08A partida das filhas
21:10pesou sobre Werner.
21:12Ele sabia
21:12que alguma coisa
21:13precisava mudar.
21:15E o meu pai ligava
21:16Oi?
21:17Eva?
21:18Ele começou a dizer
21:19que tinha cometido um erro,
21:20que eu precisava
21:21tirar umas férias,
21:22ir para a Alemanha,
21:23sair daqui,
21:25deixar a poeira baixar
21:27e eu disse,
21:27pai, eu vou com você
21:28quando você quiser,
21:30pode contar comigo.
21:38Depois de três anos
21:39de casamento,
21:40Werner decidiu
21:41tomar uma atitude
21:42e pediu a separação.
21:44Olha,
21:45eu tenho pensado muito
21:46e não posso viver assim.
21:48Ela tinha medo
21:49de que ele se divorciasse
21:50dela e a deixasse
21:51sem nada.
21:53E isso não ia acontecer
21:54com a Debra.
21:55Eu não quero.
21:56Ela nunca ficaria
21:57sem nada.
21:58Mas é o que você quer.
22:00Tentando tranquilizar Werner
22:02e cair novamente
22:03nas suas graças,
22:04Debra concordou
22:05com a separação.
22:06eu vou fazer isso
22:07por você.
22:11Sem ter para onde ir,
22:13Debra vai morar
22:14com o amante,
22:15John Korabig,
22:16mas prometeu
22:16se acertar com Werner.
22:19A única coisa
22:19que eu quero
22:20é te fazer feliz.
22:21Então, Werner
22:25ficou sozinho
22:26novamente.
22:28Meu pai e minha mãe
22:28conversavam muito
22:30no telefone.
22:31Pai?
22:32Oi, tudo bem?
22:32Eles se telefonavam
22:33muito,
22:34então eu sabia
22:35que havia problemas.
22:36É,
22:37adoraria vê-las.
22:38Werner sente falta
22:39da família
22:39e pede para revê-las.
22:43Laura,
22:44a filha mais velha,
22:45concordou em ir visitá-lo.
22:46Oi, Laura!
22:47E Werner ficou
22:48muito feliz ao vê-la.
22:50Como é bom te ver.
22:52Para a madrasta Debra,
22:54a adolescente impressionável
22:55de 16 anos
22:56podia ajudá-la
22:57a voltar para a vida
22:58de Werner.
22:59Minha irmã saía
23:00com a Debra.
23:02Vem, dança comigo.
23:03Elas iam a boates,
23:04bebiam,
23:05curtiam e tal.
23:08A Debra
23:08a tratava
23:09como igual
23:10e a levava
23:11a lugares onde
23:12uma garota
23:13de 16 anos
23:14não devia ir.
23:15Laura estava
23:18gostando
23:18da atenção
23:19e da vida noturna
23:20da cidade grande
23:21até o namorado
23:22de Debra,
23:22John,
23:23aparecer.
23:24Minha irmã sabia
23:25que a Debra
23:25estava tentando
23:26voltar com meu pai.
23:28Então,
23:28ela ficou muito
23:29preocupada
23:30quando viu
23:30John e a Debra.
23:35Quando Debra
23:36levou Laura
23:37para casa,
23:39Werner estava
23:39furioso,
23:40mas foi Debra
23:41que teve um
23:42violento acesso
23:42de fúria.
23:43eles tiveram
23:44uma briga
23:45e ela fez
23:45uma ameaça.
23:46Se fosse você,
23:46eu tomava cuidado.
23:48Ou a sua filha
23:49vai voltar
23:49para casa
23:50para sempre.
23:52De novo,
23:53Debra ameaçou
23:53a vida
23:54de alguém
23:54da família
23:55de Werner.
23:57Então,
23:58em seguida,
23:59meu pai me disse,
24:00sua irmã
24:00precisa voltar
24:02agora
24:02ou vai acabar
24:03dentro de um saco
24:04por causa
24:04da Debra.
24:06Minha irmã
24:07dizia que
24:08coisas ruins
24:08iam acontecer
24:09com meu pai,
24:10que ela era
24:10uma mulher
24:11muito má
24:11e que aquilo
24:13não era bom
24:14para o meu pai.
24:16Era muito bizarro.
24:17Em algum momento
24:18ele decidiu,
24:18tá,
24:19eu vou me divorciar
24:19dela.
24:26Sem saber
24:27até onde
24:27Debra iria,
24:28Werner ligou
24:29para o seu
24:30corretor de seguros
24:31Harvey Lockten.
24:32Isso,
24:32Werner Hartman.
24:34O Werner
24:34tinha um seguro
24:35de vida
24:35que renderia
24:36um milhão
24:36de dólares
24:37para Debra
24:38no caso
24:38da morte dele.
24:39Tira o nome
24:40da Debra.
24:41Werner não
24:42queria mais
24:43que Debra
24:43fosse a beneficiária
24:45do seguro.
24:46Aí o Werner
24:47disse que
24:48queria que
24:48as duas filhas,
24:49Laura e Eva,
24:51fossem as beneficiárias.
24:52Só as meninas,
24:53a Debra não.
24:54Ele disse que
24:54era o nome
24:55das minhas filhas
24:56e o corretor
24:58disse,
24:58vou alterar,
24:59Werner,
25:00vou alterar.
25:00Obrigado,
25:01Harvey.
25:02Até logo.
25:07Mas Debra
25:08descobriu
25:08a intenção
25:09de Werner
25:09e bolou
25:10um plano
25:10desonesto.
25:13Exatamente
25:13a pessoa
25:14que eu queria
25:14ver.
25:15A Debra
25:16induziu
25:17o corretor
25:17de seguros
25:18a trocar
25:18o nome
25:19das beneficiárias
25:20do Werner
25:20pelo nome
25:21dela.
25:24Várias
25:25semanas
25:25depois,
25:26a pólice
25:26nova
25:27chegou
25:27pelo correio
25:28e Werner
25:29ficou furioso
25:30ao ver
25:30que não
25:31havia sido
25:31alterada.
25:33Imediatamente
25:33ele ligou
25:34para Harvey
25:34que disse
25:35que havia
25:35sido um engano.
25:36É melhor
25:36que tenha
25:37sido um engano.
25:38corrija.
25:39O meu pai
25:39desligou
25:40achando que
25:41a apólice
25:41havia sido
25:42alterada
25:42e que a minha
25:43irmã e eu
25:43éramos as
25:44beneficiárias.
25:46Enquanto isso,
25:46Debra continuava
25:47a colocar
25:48ideias
25:48na cabeça
25:49de Werner.
25:49A Debra
25:50ia até a loja,
25:52entrava no
25:53escritório
25:53com o meu pai
25:55e eles
25:56conversavam.
25:57Meu pai
25:57saía
25:57enraivecido,
25:58frioso.
25:59E ela só
26:01dava aquele
26:02sorrisinho
26:02malicioso.
26:03Acho que ele
26:04estava muito
26:05preocupado.
26:06Werner
26:08sabia que
26:08Debra
26:08não era
26:09confiável
26:09e se
26:10voltava
26:10para a
26:10ex-esposa
26:11Vai
26:11em busca
26:12de apoio.
26:13Eu sabia
26:13que o Werner
26:14estava ligando
26:14para Vai,
26:15que ele
26:16sentia
26:16a falta
26:16das filhas
26:17e que
26:17percebia
26:18que tinha
26:18cometido
26:19um grande
26:19erro.
26:20Ele sentia
26:21a falta
26:21da minha
26:22mãe,
26:22a amava.
26:23Então,
26:24naquele
26:24momento,
26:24ele me
26:25disse que ia
26:25se divorciar
26:26da Debra
26:27e eu
26:29senti
26:30que íamos
26:30ser uma
26:31família
26:31de novo.
26:36depois de
26:3813 meses
26:39fora,
26:39Vai
26:40e as
26:40filhas
26:40voltaram
26:41para
26:41Chicago.
26:43Colocamos
26:43as meninas
26:44na escola.
26:45Eu me
26:46hospedei
26:46na casa
26:47dele,
26:48em quartos
26:48separados.
26:50E
26:50simplesmente
26:51voltei a
26:52administrar a
26:53loja.
26:53Oi, pai.
26:53A loja
26:54estava
26:54um caos.
26:55Não havia
26:55muitas
26:56mercadorias.
26:57Estava
26:57uma grande
26:58confusão.
27:00E eu
27:00percebi que a Debra
27:01tinha tirado
27:02tudo dele.
27:03Ele não
27:03tinha nada.
27:04eu
27:05não
27:05imaginava
27:06que fosse
27:06tão
27:06grave.
27:08A
27:08casa
27:08dele
27:08estava
27:09hipotecada
27:09de novo.
27:11Ele
27:11
27:12contava
27:12comigo
27:13e com
27:14as
27:14duas
27:15filhas.
27:18Com a
27:18volta de Vai
27:19e das
27:19filhas
27:19à
27:20cidade,
27:20Debra
27:20ficou
27:21cada vez
27:21mais
27:22desesperada.
27:23Dia
27:23sim,
27:23dia
27:23não,
27:24a Debra
27:24vinha
27:25pegar
27:25dinheiro
27:25e ir
27:27embora.
27:27E
27:27meu pai
27:28ficava
27:28furioso.
27:28Cai fora e
27:29não
27:29apareça
27:29mais.
27:30Mas
27:30Werner
27:31
27:31percebeu
27:32que a
27:32situação
27:32realmente
27:33era
27:34perigosa
27:34quando
27:35ouviu
27:35uma
27:35ligação
27:36de
27:36Debra.
27:37Ele
27:38me
27:38disse
27:38que
27:38tinha
27:39ouvido
27:39uma
27:39conversa
27:40que
27:40a
27:41Debra
27:41estava
27:41tendo
27:41ao
27:42telefone.
27:42Ela
27:43era
27:43cruel.
27:44Ela
27:45
27:45pensava
27:45nela
27:46mesma
27:46e
27:47fazia
27:48qualquer
27:48coisa
27:48para
27:48conseguir
27:49o
27:49que
27:49queria.
27:50Não
27:50é
27:51da
27:51sua
27:51conta.
27:51depois
27:52depois
27:52de
27:52quatro
27:52anos
27:53de
27:53um
27:53casamento
27:53nocivo
27:54Werner
27:55Hartman
27:55finalmente
27:56estava
27:56pronto
27:56para
27:57se
27:57divorciar
27:57da
27:57esposa
27:58Debra
27:58mas
27:59ela
27:59reagiu
27:59de
27:59forma
28:00desesperada.
28:01Eu não sei onde poderíamos desovar o corpo.
28:03Ele ouviu a Debra
28:05falando com o John
28:06sobre os planos deles
28:08para matá-la.
28:09Eu quero ele morto.
28:10Ele disse aos funcionários
28:11que temia pela própria vida.
28:16Quando ele me falou
28:17sobre a conversa
28:19que tinha escutado
28:19Ligamos para a polícia
28:21de Cook County
28:22e
28:23dissemos que
28:25o Werner
28:26achava que alguém
28:26ia tentar matá-lo.
28:29E a polícia
28:30meio que disse
28:31ele é meio
28:32doido
28:33e foi o fim
28:34da conversa.
28:36Com muito medo
28:37Werner deu andamento
28:38nas providências
28:39para o divórcio.
28:41Naquela semana inteira
28:42ele ficou
28:42incrivelmente
28:43estressado
28:43incrivelmente
28:44estressado
28:45e era a semana
28:46em que ele ia dizer
28:47a ela
28:47vamos nos
28:48divórcio.
28:57Na tarde
28:58de 8 de junho
28:59Werner estava
29:00na loja
29:00junto com
29:01Vai
29:01e a filha
29:02de 14 anos
29:03Eva.
29:04A filha
29:04de 16 anos
29:05Laura
29:05estava fora
29:06da cidade.
29:08Alô?
29:09Vai,
29:10é pra você.
29:11Tá.
29:12Oi,
29:12é o Werner.
29:13Acho que ela
29:14queria se separar
29:15tanto quanto ele.
29:16A Debra
29:17queria as coisas
29:17materiais
29:18e ia conseguir.
29:20Com certeza,
29:20é,
29:20podemos nos encontrar.
29:21Werner concordou
29:22em se encontrar
29:23com Debra
29:24mais tarde
29:24naquela noite
29:25antes de se encontrar
29:26com Eva
29:27e vai para jantar.
29:28Ele ia discutir
29:29algumas coisas
29:29e com sorte
29:31finalizar a separação.
29:33Ele estava
29:33muito ansioso,
29:35muito ansioso.
29:36Tá,
29:36tchau.
29:38Pouco tempo depois,
29:39Werner saiu da loja
29:40para se encontrar
29:41com Debra.
29:42Eu dei,
29:43dei um beijo nele
29:44e disse até mais.
29:47Ele saiu,
29:48ficamos só
29:48a minha mãe e eu,
29:50fechamos a loja
29:50e fomos
29:51para o restaurante.
29:54Quando Werner
29:55chegou em casa,
29:56encontrou Debra
29:57esperando por ele.
29:58Ela estava
29:59surpreendentemente calma
30:00e concordou
30:01de bom grado
30:01com os termos
30:02do divórcio
30:03propostos por Werner.
30:04Eu só quero que esse divórcio
30:05seja o mais simples
30:05possível.
30:07Aliviado,
30:08Werner começou
30:08a se arrumar
30:09para o planejado
30:10jantar em família.
30:11Então,
30:11com relação a isso,
30:12tem grandes planos
30:13para hoje à noite?
30:14Vou me encontrar
30:16com as garotas
30:16naquele restaurante.
30:17Tá,
30:17advirta-se.
30:19Lá,
30:20pelas nove da noite,
30:21Eva e Vai
30:22ficaram chocadas
30:23quando viram Debra
30:24e não Werner
30:25entrar no restaurante.
30:26Oi, gente.
30:27O que ela está fazendo aqui?
30:28Eu não podia acreditar.
30:30Eu disse,
30:30ah, meu Deus.
30:31Eu resolvi jantar com vocês.
30:33Minha mãe e eu
30:33dissemos,
30:34por quê?
30:34O que é que você
30:35está fazendo aqui?
30:35E ela disse,
30:37ah, o seu pai
30:37quis tomar uma chuveirada.
30:40O tempo passou
30:41e Werner não chegou.
30:44É,
30:44ele foi só tomar um banho.
30:45Debra parecia
30:46não dar importância,
30:47mas Eva e Vai
30:48começaram a se preocupar.
30:50Então,
30:51eu disse,
30:51bom,
30:51eu vou telefonar.
30:52Mas toda vez
30:53que eu tentava
30:54ir ao telefone,
30:54eu dizia,
30:55meu Deus,
30:55por que o Werner
30:56está demorando tanto?
30:57Ela me desencorajava
30:59de ir até
30:59um telefone público.
31:00Deixa,
31:00vamos pedir uma garrafa
31:01de vinho.
31:03Como sempre,
31:04Debra usou
31:05todo o seu charme.
31:07Em pouco tempo,
31:08ela as convenceu
31:09de que Werner
31:10havia se atrasado
31:11e que elas deviam
31:12continuar sem ele.
31:13Eu tenho uma ideia.
31:15Debra sugeriu
31:16que elas fossem
31:16a uma boate.
31:18Vamos dançar.
31:19Chegamos a um lugar
31:23e eu continuei
31:25ligando para o meu pai.
31:26Eu disse,
31:26é tão estranho.
31:27Meu pai não atende.
31:29Ela disse,
31:29bom,
31:29talvez ele tenha
31:30pegado no sono.
31:32Minha preocupação
31:33era,
31:33por que ele não apareceu?
31:34E depois de curtir
31:36e dançar,
31:37eu acabei
31:38deixando para lá.
31:41Sabe,
31:41é como uma ilusão.
31:42Você se pega
31:43pensando,
31:44isso é tão divertido.
31:45Talvez as coisas
31:46que aconteceram
31:47entre ela
31:47e o meu pai
31:48não sejam
31:49tão reais.
31:50Você começa
31:51a se questionar
31:52e ela com certeza
31:53se aproveitou disso.
31:56Obrigada,
31:56mas eu vou embora.
31:57Depois de várias horas,
31:59Vai resolveu
32:00ir embora
32:00e relutante
32:01deixou Eva
32:02com Debra.
32:07Ficamos lá
32:07até as quatro,
32:09três ou quatro
32:10da manhã
32:10e aí eu fui
32:12para casa
32:13com a Debra.
32:14Quando Debra
32:15parou para deixar
32:16a enteada
32:17na casa do pai,
32:18Eva notou
32:18uma coisa estranha.
32:20O que o carro
32:20do meu pai
32:21está fazendo aqui?
32:22O Rolls Royce
32:22do meu pai
32:23estava estacionado
32:24na entrada dos carros
32:25e ele sempre
32:25guardava na garagem,
32:27então achei estranho.
32:28Quando Eva
32:28e Debra
32:29entraram na casa,
32:30as coisas
32:30ficaram ainda
32:31mais estranhas.
32:33Entramos em casa
32:34e a música
32:36estava muito alta,
32:37atordoante.
32:39E eu pensei,
32:39que estranho,
32:40por que a música
32:41está tão alta?
32:42Pai, você está aí?
32:43A música vinha
32:44do quarto de Werner.
32:46Pai!
32:47Continuamos subindo
32:49e a Debra
32:50puxou o meu braço.
32:51Pai!
32:54Fiquei parada ali.
32:56Ele tinha
32:57perfurações
32:58de bala
32:58no peito,
32:59entre os olhos,
33:01na cabeça
33:01e havia uma
33:02poça imensa
33:04de sangue.
33:05Havia
33:05perfurações
33:06de bala
33:07por toda a parte,
33:09como se ele
33:09tivesse sido
33:10atingido
33:10por uma
33:11metralhadora.
33:13Eu me lembro
33:14de ficar
33:15olhando para ele
33:16e ter
33:18gritado
33:19temos que
33:21chamar a polícia,
33:23precisamos
33:23chamar
33:24uma ambulância.
33:26Temos que
33:26sair daqui
33:27agora.
33:27E ela disse,
33:28não,
33:29vamos correr,
33:29a delegacia
33:30é logo ali.
33:31Me agarrou
33:32e me fez
33:32descer a escada.
33:34Eu não queria
33:34deixá-lo,
33:35queria ficar ali
33:36até o socorro
33:37chegar.
33:38Vem,
33:38vem!
33:38A Debra
33:41pegou a Eva,
33:42foi para a delegacia
33:43e disse ao policial
33:44de plantão,
33:46meu marido
33:47cometeu suicídio.
33:50Levamos a Debra
33:52para a sala
33:52de interrogatórios.
33:56Fizemos
33:57algumas perguntas.
33:58Pode deixar.
33:58E mandamos um policial
34:00até a casa
34:00para checar tudo.
34:04Quando os policiais
34:06chegaram ao local,
34:07encontraram o corpo
34:08de Werner Hartmann
34:09de 38 anos
34:10perfurado
34:11por 14 balas.
34:14A arma
34:14que matou
34:14Werner Hartmann
34:15era uma
34:16calibre 380.
34:18A cena
34:19deixou claro
34:20que não havia
34:20sido suicídio.
34:26De manhã
34:27eu recebi
34:27uma ligação
34:28da polícia
34:28dizendo que
34:29Werner
34:29tinha sido
34:30assassinado.
34:30Eu não acreditei.
34:32Minha maior
34:32preocupação
34:33era a Eva,
34:34porque a Eva
34:35estava lá.
34:35A polícia
34:36pegou Vai
34:36e a levou
34:37até a delegacia.
34:39A Debra
34:39já estava lá
34:40e quando
34:41eu passei
34:42por ela,
34:42ela fez
34:43uma cara
34:43de
34:44por que
34:44eu estou
34:45aqui?
34:45O que houve?
34:46Nós saímos
34:46para jantar
34:47ontem à noite,
34:48fomos dançar.
34:50O que pode
34:50ter acontecido?
34:52Conversando
34:53com pessoas
34:53próximas a Werner,
34:55os investigadores
34:56descobriram que
34:56Werner tinha
34:57um seguro
34:58de vida.
34:58Ela era
34:59a beneficiária.
35:01E que Debra
35:01era a beneficiária.
35:03A Debra
35:04Eles também
35:06ficaram sabendo
35:07do caso dela
35:07com John Korabick.
35:09A Debra
35:10estava morando
35:10com o John.
35:11Não era difícil
35:12supor que
35:13talvez ele
35:14estivesse envolvido.
35:16Os detetives
35:17ficaram ainda
35:17mais desconfiados
35:18quando Eva
35:19contou uma coisa
35:20que ela havia
35:20achado muito estranha.
35:21Pelo canto
35:22dos olhos
35:23eu vi uma figura
35:23indistinta.
35:25Quando descemos
35:26a escada
35:26eu vi passar
35:27uma sombra
35:28que lembrava
35:29o namorado dela,
35:30o John.
35:31e pensei
35:32Ah, meu Deus
35:34é o John?
35:36Os investigadores
35:37levaram John
35:38para ser interrogado.
35:40Eu fui à casa
35:40de um amigo.
35:41O John
35:42tinha alguns amigos
35:43em Bensonville
35:44e disse que
35:45foi jantar
35:46na casa deles.
35:48John Korabick
35:49era suspeito
35:50e Debra Hartman
35:51era suspeita.
35:53Mas estávamos
35:54tendo dificuldade
35:55para conseguir
35:55as provas
35:56de que precisávamos
35:57para iniciar
35:58uma investigação
35:58de homicídio.
35:59Fiquei muito chocada.
36:02Acho que nós todos
36:03ficamos muito chateados
36:04e arrasados
36:07já que a Debra
36:07e o namorado
36:08não foram acusados
36:10de homicídio
36:10porque estava
36:11muito claro
36:12era um caso fácil
36:13simplesmente
36:14tudo apontava
36:15para eles.
36:18Dois anos
36:19se passaram
36:19e os investigadores
36:21não estavam nem perto
36:22de prender alguém
36:23pelo assassinato
36:23de Werner Hartman.
36:24com todo aquele histórico
36:26como é que alguém
36:26se safa
36:27de um homicídio?
36:28É muito decepcionante.
36:36Durante dois anos
36:37as filhas
36:38de Werner Hartman
36:38lutaram
36:39para superar
36:40o assassinato
36:40não esclarecido
36:41do pai
36:42quando os investigadores
36:43descobriram
36:44uma conexão bizarra.
36:47Alô?
36:47recebemos o telefonema
36:49de um policial
36:50e ele falou
36:51sobre um roubo
36:52de carros
36:53que estava investigando
36:54envolviam um ladrão
36:56de carros
36:56de Illinois.
36:58Ele me deu
36:58o nome do ladrão
36:59e me perguntou
37:00se eu já tinha ouvido
37:00falar dele
37:01e eu disse que não.
37:03O nome do ladrão
37:04era Ken Kano.
37:06Nós iniciamos
37:07uma investigação
37:08sobre Kano.
37:10Uma das primeiras
37:10coisas que fizemos
37:12foi checar
37:12um carro roubado
37:13que encontramos
37:14em Chicago.
37:16Quando fomos
37:17ao endereço
37:17o carteiro
37:18nos disse
37:19que essa era
37:20a casa
37:20de John Korabick.
37:23Foi então
37:24que descobrimos
37:25que havia
37:25uma ligação
37:26entre John Korabick
37:27e Kano.
37:29E quando os investigadores
37:31levaram Kano
37:32para ser interrogado
37:33ele logo contou
37:34tudo o que sabia
37:35à polícia.
37:36Não, vocês têm
37:36que me ajudar.
37:37O que tem
37:38para nos contar?
37:39Ele ficava
37:39dizendo assim
37:40posso ajudar
37:41vocês em muitos casos
37:43se vocês
37:44me derem
37:44uma mãozinha.
37:46Posso entregar
37:47um ladrão
37:47de caminhões.
37:48Ladrões de carros
37:49verdadeiros
37:50profissionais.
37:52E eu disse
37:52não era exatamente
37:53o que a gente
37:54queria, Kenny.
37:55O que eu posso fazer?
37:57Ele disse
37:57olha
37:58o que vocês querem?
37:59E eu disse
38:00me conta
38:01como Werner Hartman
38:02morreu.
38:04E aí
38:05o queixo dele
38:06caiu.
38:07Fala pra gente
38:08sobre o seu amigo
38:09o John.
38:10Ele disse
38:11que era
38:11o melhor amigo
38:12de John Korabick.
38:14Podem perguntar
38:15o que vocês
38:15querem saber?
38:17O detetive
38:17Hamm
38:18perguntou
38:18sobre a paixão
38:19de Kenel
38:19por armas
38:20o que lhe deu
38:21uma importante
38:22pista
38:22sobre o caso.
38:23Eu não tive
38:23nada a ver
38:24com isso.
38:24E durante o interrogatório
38:25Kenel se gabou
38:27de possuir
38:28uma pistola
38:28automática
38:29calibre 380
38:30o mesmo calibre
38:31da arma
38:32com que Werner Hartman
38:33tinha sido morto.
38:36Conseguimos
38:37um mandato
38:37de busca
38:38para a casa
38:38de Kenel.
38:41Enviamos as balas
38:42para o laboratório
38:43de balística.
38:46Eles fizeram
38:46um relatório
38:47afirmando
38:48que
38:48aquelas balas
38:50haviam saído
38:50da mesma arma
38:51que tinha matado
38:52Werner Hartman.
38:53A evidência
38:57era suficiente
38:58para uma prisão
38:59mas Ken Kenel
39:00jurou inocência.
39:01Opa, opa, opa
39:03eu não tive
39:03nada a ver com isso.
39:05Ele insistiu
39:05que havia vendido
39:06a arma
39:07ao melhor amigo
39:07John Corbick.
39:09Não fiz isso
39:10eu vendi
39:10essa arma
39:11para o John.
39:12A polícia
39:13suspeitava
39:14que John e Deborah
39:15estivessem por trás
39:16do assassinato
39:16de Werner
39:17mas ambos
39:18tinham álibis.
39:19Então
39:19o detetive Hamm
39:20voltou a sua atenção
39:21para a pólice
39:22de seguro.
39:23Um informante
39:24nos falou
39:25sobre um corretor
39:26de seguros
39:27corrupto
39:28que Deborah Hartman
39:30tinha induzido
39:31a manter o seu nome
39:32como beneficiária
39:33e a não colocar
39:35os nomes
39:36das filhas
39:36de Hartman.
39:38A conclusão
39:40foi de que
39:40ela tinha usado
39:41dinheiro e sexo
39:42para convencê-lo.
39:45Quando os investigadores
39:46levaram o corretor
39:47de seguros
39:48Harvey Lockton
39:49ele desabou
39:50rapidamente
39:50e admitiu
39:51ter colaborado
39:52com o plano
39:52de Deborah
39:53para que ela
39:53recebesse o dinheiro
39:54do seguro.
39:55Não havia dúvida
39:56de que John
39:57Korabick
39:57e Deborah Hartman
39:58estavam em
39:59conluio
39:59e estavam
40:00naquilo juntos.
40:03Logo
40:03o álibi
40:04de John Korabick
40:04para a noite
40:05do crime
40:05começou a
40:06desmoronar.
40:08Descobrimos
40:08depois que os
40:09amigos do John
40:10tinham mentido
40:10para nós
40:11desde o começo.
40:14As peças
40:15continuavam a se encaixar
40:17mas ainda não
40:17era o suficiente
40:18para acusar
40:19Deborah
40:19de homicídio.
40:21Em vez disso
40:21os investigadores
40:23tentaram
40:23uma ação federal.
40:25Com o envolvimento
40:26do corretor
40:27de seguros corrupto
40:28e como a arma
40:29envolvida
40:30era ilegal
40:31uma arma
40:31totalmente automática
40:33podíamos acusá-los
40:34por porte ilegal
40:35de armas
40:36e fraude
40:36contra o seguro.
40:40Sete anos
40:46depois do
40:47assassinato
40:48de Werner
40:48Deborah Hartman
40:49e John Korabick
40:50foram presos
40:51e acusados
40:51de crime
40:52do colarinho branco
40:53e conspiração
40:54para o assassinato
40:55de Werner Hartman.
40:57Eu tive certeza
40:58de que essas pessoas
40:59iam ser levadas
41:00à justiça
41:01e de que também
41:02iam ser presas.
41:05Em dezembro
41:06de 1989
41:07Deborah
41:08e John
41:08foram a julgamento.
41:09a Deborah achava
41:10que aquilo
41:10era um estúdio
41:11de cinema
41:11e que ela era
41:12uma estrela
41:12de Hollywood.
41:14Casacos de pele
41:15e acenos
41:15ela achava
41:17que estava no palco
41:19e que no final
41:19iria embora
41:20livre como um pássaro.
41:22Acho que ela nunca
41:23imaginou
41:24que seria condenada
41:25mas
41:26é a personalidade dela
41:28ela achava
41:29que podia controlar
41:30tudo e todos.
41:32No dia 13 de dezembro
41:34um júri federal
41:36decidiu que Deborah Hartman
41:37e John Korabick
41:38eram culpados
41:39de todas as acusações.
41:41Por sua participação
41:42no crime
41:42John foi sentenciado
41:44a 16 anos
41:45numa prisão federal
41:46enquanto Deborah
41:46foi sentenciada
41:47a 22 anos.
41:49Alguém que consegue
41:50chegar e destruir
41:51a sua família
41:52tirar tudo
41:53pelo que seu pai
41:54sempre trabalhou
41:55arrancar de você
41:56além de matar
41:57o nosso pai
41:58ela tirou cada tostão
42:00que a gente tinha
42:00pelo qual ele
42:01trabalhou pra nós
42:02que ele deixou pra nós
42:03não pra ela
42:04eu diria
42:05que ela
42:06é a encarnação
42:07do mal.
42:09Os vereditos
42:10chegaram tarde demais
42:11para impedir
42:11que Deborah
42:12recebesse o seguro
42:13de vida
42:13de 500 mil dólares.
42:17A asseguradora
42:18não encontrou
42:19documentação
42:19que provasse
42:20que Werner
42:21pretendia deixar
42:21o dinheiro
42:22para as filhas.
42:23são muitas lembranças
42:29boas e ruins
42:29como em todos
42:30os relacionamentos
42:31mas
42:32mas ele era
42:33um cara
42:34muito especial
42:35ele era
42:37era uma pessoa
42:39incrível
42:40eu fico maravilhada
42:43quando estou
42:43com as minhas
42:44duas filhas
42:46e quando estou
42:47com os cinco netos
42:49lindos e maravilhosos
42:50a Deborah
42:53fez uma garota
42:54de 14 anos
42:55ver o pai
42:56assassinado
42:57só por dinheiro
42:58é
43:00horrível
43:02mas ela foi
43:05pra cadeia
43:06então existe
43:08uma luz
43:08no fim do túnel
43:09e aí
43:19Tchau, tchau.
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