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O Exame Infra recebe Felipe Borim, superintendente do BNDES, para explicar como o banco mudou a forma de financiar a infraestrutura brasileira. Desde 2023, foram mais de R$ 300 bilhões em aprovações para o setor, cerca de 80% sem subsídio, com uso crescente de debêntures incentivadas e project finance non-recourse.

Na conversa com André Martins e Maurício Malanconi, Borim fala sobre o salto no financiamento de rodovias, o modelo em análise no TCU para viabilizar a Ferrogrão e outros corredores ferroviários que somam R$ 160 bilhões, e os mecanismos criados para que concessionárias sigam investindo com juros altos.

01:22 - Investimento recorde e R$ 300 bi do BNDES em infraestrutura
04:25 - Fim do subsídio e debêntures incentivadas
06:12 - Project finance non-recourse
11:37 - Juros altos e a estratégia de realavancagem
14:51 - Rodovias: de R$ 3 bi para R$ 25 bi por ano
19:46 - Ferrovias, Ferrogrão e o novo modelo com outorgas
24:30 - Fundo Clima para trens e vagões
25:49 - Saneamento e universalização
30:07 - Meta de 4% do PIB e fundos de previdência
38:11 - Mobilidade urbana e ônibus elétrico
41:43 - Falta de engenheiros e gargalos de execução
44:14 - BR-163 e a repactuação de contratos
48:03 - O BNDES e a infraestrutura daqui a 10 anos

#ExameInfra #BNDES #Infraestrutura

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Transcrição
00:06Olá, seja bem-vindo a mais um Exame Infra, seu programa que discute o presente e o futuro da
00:12infraestrutura brasileira. Eu sou André Martins, repórter de Brasil e economia aqui na Exame,
00:17e ao meu lado Maurício Malancone, senhor da Suporte. Tudo bem, Maurício?
00:20Olá, André. Eu sou Maurício Malancone, fundador da Suporte, e é sempre um prazer estar aqui contigo,
00:25André. E recebemos hoje Felipe Borim, superintendente do BNDES, para falar um pouco do momento do banco
00:31e do papel dele, principalmente no financiamento da infraestrutura brasileira. Importante destacar
00:37que o nosso programa está sendo gravado na sexta-feira, antes do segundo turno das eleições
00:42presidenciais, exatamente para colocar a nossa audiência no espaço-tempo. Felipe, agradeço a
00:48sua participação e vamos conversar sobre infraestrutura. Olá, André. Agradeço o convite,
00:53um prazer participar aqui com vocês. Estamos à disposição. Prazer falar sobre esses assuntos.
00:58E Felipe, a gente já teve a oportunidade de conversar com a Luciana Costa no nosso programa,
01:06também outras oportunidades aqui na Exame, ela também já esteve em outros momentos. E eu queria
01:10que você falasse sobre o papel do BNDES nesse momento para o financiamento da infraestrutura.
01:16A gente sabe que a diretoria da qual você faz parte olha muito para essa questão do financiamento.
01:22O que vocês estão mais olhando? Quais montantes você já foi financiado até esse momento,
01:30até outubro de 2026, pegando esse ciclo agora de quatro anos?
01:35Muito legal, André. A gente está num momento fantástico no BNDES em relação à infraestrutura,
01:40acho que no país como um todo. Os investimentos estão batendo recorde, ano após ano. O ano passado,
01:472025, fechou em 280 bilhões em investimentos em infraestrutura, né? Esse ano as estimativas são
01:52que passam de 300 bilhões, então são números recordes, muita coisa acontecendo em todos os setores, né?
02:00E um pipeline de projetos muito grande, diversos leilões, muitos players novos entrando,
02:06muita demanda para a indústria de construção pesada, né? Então acho que é um momento fantástico.
02:10E o BNDES acho que tem um papel relevante nesse momento, né? Porque o banco sempre foi o principal
02:19financiador de infraestrutura no país, né? Foi inclusive criado... O primeiro projeto aprovado
02:24pelo BNDES foi um projeto de ferrovia, né? Foi a central do Brasil, então é um negócio que está na
02:28origem do BNDES. E nesses últimos anos o mercado vem evoluindo muito, o BNDES vem evoluindo muito
02:36a maneira como financia a infraestrutura também e vem mantendo o papel relevante para apoiar os
02:41grandes projetos, mas vem fazendo isso de novas maneiras e junto com o mercado, né?
02:47Então o banco, desde 2023, dá para dizer que a gente vai fechar esse ciclo agora com mais de 300
02:57bilhões em aprovações para infraestrutura, que é um valor muito relevante, né? 300 bilhões de
03:02financiamento. E 80% aproximadamente desses recursos são sem subsídio nenhum. Então isso é muito
03:10interessante porque até o final de 2022 ainda existia um subsídio remanescente da TJLP, né?
03:18Da mudança, que era um alfa-redutor. Então houve a mudança de TJLP para TLP em 2017 e foi criado
03:25um alfa-redutor
03:25que foi convergindo para a taxa de mercado. E começou a ser taxa de mercado em 2023. Agora o BNDES
03:32tem
03:32alguns funds muito específicos, subsidiados como o Fundo Clima ou alguns fundos para inovação, mas o grosso
03:38é sem subsídio. Então o banco vem batendo recordes aí de financiamento, vai chegar nesses 300 bilhões com
03:45praticamente 80%, um pouco mais, sem subsídio para infraestrutura, né? Então o BNDES vem participando de uma
03:51maneira muito ativa e muito sólida no financiamento da infraestrutura.
03:56Ô Felipe, você comentou que o banco teve algumas mudanças nos últimos anos, né? Quais são os
04:01principais pontos estruturantes que você entende que trouxeram o BNDES ao estado atual?
04:07E aí eu acho que só antes de você responder essa do Maurício, uma coisa está ligada à outra,
04:12mas até por que que essa mudança, esse ponto que você trouxe do subsídio ou não, ele é tão relevante?
04:20Ótima pergunta, né? E ajuda a amarrar com o que o Maurício colocou.
04:23Exatamente. Justamente, quando você opera com subsídio, de certa maneira você tem uma... é mais fácil
04:32operar, né? Então você consegue... você pode ficar meio que na sua e falar, ó, minhas condições para operar
04:38são essas, você vem aqui, se quiser o recurso você vem, a empresa vem, pega o recurso, tem que seguir
04:43as
04:43regras ali que você coloca, né? Você está numa posição mais confortável, né?
04:48Com o fim do subsídio, meio que você mata essa zona de conforto. E o que a gente buscou fazer
04:54desde 2023 foi justamente manter a relevância do banco através de novas maneiras de financiar.
05:01A gente foi obrigado a meio que trazer a inovação para as estruturas de financiamento.
05:06E aí o que mudou, de fato, né? Eu acho que dá para falar algumas coisas que foram mudanças
05:11estruturantes na maneira que o BNDES opera para a infraestrutura. Então, primeiro, a gente começou
05:17a usar muito o mercado de capitais, então a maior parte das aprovações para a infraestrutura
05:22são com debêntures, de debêntures incentivadas. E isso é muito importante porque, além de ser
05:29um instrumento que permite que o BNDES recicle o balanço, né? Que a gente pode vender as debêntures
05:34no mercado secundário, ajudar a criar mercado, também ajuda a trazer o mercado junto para
05:39os projetos. Então, até dando uma resposta àquela crítica que tinha antigamente que
05:43o BNDES fazia o crowding out, né? Ocupava o espaço do mercado. Agora, com essa atuação
05:48via debêntures, o banco consegue trazer o mercado. Então, a gente faz operações muito
05:52relevantes, muito grandes e traz o mercado junto. Os bancos, até os investidores de pessoa
05:57física, tudo. Então, a gente consegue, com esse instrumento de debênture, trazer o mercado
06:04e cofinanciar os projetos, né? Fazer o crowding in. E, além disso, as estruturas de financiamento
06:09evoluíram muito nos últimos anos. Então, e aí falando especificamente de project finance,
06:14né? Que é o coração aí do financiamento da infraestrutura. Sempre se demandou do BNDES que
06:20avançasse no project finance no recourse, etc. E, atualmente, a gente avançou muito de...
06:26A gente fez essas contas entre 2023 e 2025. O banco tinha aprovado aproximadamente 90 bilhões
06:34em project finance com debêntures nesses três anos. 45% foram no recourse. Então, é super
06:42significativo, né? Porque você nunca vai conseguir fazer 100% no recourse, né? Que é um no recourse.
06:48Aliás, acho que vale a pena explicar o que é o no recourse, né? O project finance no recourse
06:52é quando você financia o projeto e pega como garantia o projeto. Você não exige garantias
06:57externas. Então, como se fazia... Como era o mais comum antigamente? Você financiava o
07:02projeto, mas pedia uma fiança bancária, por exemplo. Ou uma garantia corporativa da empresa.
07:07Então, no no recourse, você financia o projeto e só pega as garantias de projeto. Isso é muito
07:13importante para a infraestrutura no mundo, porque permite que as empresas se alavanquem para
07:17fazer os grandes projetos, os grandes investimentos, né? Então... Então, voltando, como a garantia
07:24é o projeto, você não consegue financiar todos os projetos assim. Você consegue financiar
07:27os projetos que estão muito redondos, muito sólidos e que a empresa também, o concessionário
07:32que está fazendo o projeto, conseguiu mitigar adequadamente todos os riscos. O contrato é
07:37sólido, a agência reguladora é sólida. Então, a gente praticamente não fazia no recourse.
07:43De três anos para cá, a gente está fazendo aí 45%, 50% non-recourse. Acho que isso é muito
07:49relevante em termos de como avançou o BNDES e também como avançou o setor de infraestrutura
07:55como um todo, né? A governança das empresas de infraestrutura, os contratos, as agências
08:00reguladoras. Acho que é todo um ambiente de investimento que melhorou, né? Que avançou muito
08:05nos últimos anos. E quando a gente olha para esse ambiente, né? A gente está com muitos projetos
08:10na rua. Agora, nesse momento de eleição, a gente não está tendo leilão, mas existe
08:15uma expectativa que a partir de novembro eles voltem. Rodovias, ferrovia, saneamento, enfim,
08:22muitos leilões previstos aí para os próximos meses. Você vê que a gente talvez já passou
08:28de um momento que a gente consiga estruturar bons projetos, mas a gente ainda, apesar do avanço
08:34que você colocou, né? Do próprio papel do BNDES. Aí eu acho que eu quero uma visão mais ampla
08:38a sua. Você acha que o Brasil, ele está dando condições para as empresas que vencem,
08:43que bidam os leilões de conseguir contratar esse investimento, esse financiamento?
08:49Sim, eu acho que em meio, praticamente todas as frentes relacionadas ao ambiente de negócio
08:56para infraestrutura, acho que o país avançou muito. Então, acho que os contratos avançaram
09:03muito. Acho que a gente agora tem, né? Pode afirmar que infraestrutura é uma agenda
09:10de Estado, né? Vem crescendo o número de leilões, os leilões estão acontecendo.
09:15Você teve agora o governo do presidente Lula, que está se encerrando, foi o governo que
09:22mais fez concessões, né? Mais fez leilões de concessão. Teve uma matéria da Folha,
09:26se eu não me engano, no início do ano. Que é muito interessante, porque é um governo
09:30de esquerda, mas que está fazendo, né? Que chega fazendo, trazendo investimento privado
09:34para a infraestrutura, né? Acho que isso é uma amostra de como, de fato, a infraestrutura
09:38é uma agenda de Estado. E além disso, no financiamento, né? Que é a minha praia aqui,
09:47mudou muito, de uma maneira muito positiva, na última década, nos últimos 15, 20 anos,
09:52talvez. Porque se você fosse financiar um projeto em 2010, 2011, praticamente só tinha
09:58o BNDES para financiar. Então, o que acontecia? Como que se financiava? Você chamava um banco
10:05privado, ou dois, mais o BNDES. E aí fechava o financiamento com isso, né? Vamos supor,
10:10um banco privado e o BNDES. Só que o banco privado, o recurso que ele passava para o projeto,
10:15era do BNDES. Ele só tomava o risco de crédito. Então, você só estava compartilhando o risco.
10:20Mas a origem do funding era inteira do BNDES. Então, nessa época, 80%, 90% do financiamento
10:26para a infraestrutura dependia do BNDES. E agora isso mudou, né? Até pelos números
10:31que eu falei, fechando esse ciclo aqui com 300 bilhões de financiamento para a infraestrutura
10:35no BNDES, o investimento vai fechar em 1 trilhão, mais ou menos, um pouco mais, 1 trilhão
10:40e 100. Isso mostra um pouco o que a gente estima que o BNDES está financiando, que é coisa
10:46de 30% dos investimentos em infraestrutura, né? E por quê? Porque agora você tem o mercado
10:52de capitais entrando também. Então, você tem uma outra origem de recurso para a infraestrutura.
10:58Então, justamente isso. O investidor vem, ele tem a opção do BNDES, muitas vezes ele conta
11:03com o BNDES, mas ele tem o mercado também. Então, alguns projetos, ele consegue 100% no
11:09mercado, não precisa do BNDES. E alguns projetos, quando é mais arriscado, quando precisa prazo
11:13mais longo, ele pega o BNDES, pega um pedaço de BNDES, um pedaço de mercado. Então, acho
11:19que evoluiu muito e é um ambiente muito positivo para investimentos e para atração de investidores,
11:26né? Acho que é por isso também que os leilões estão sendo bem-sucedidos, estão atraindo
11:29interessados, né?
11:30Ô, Felipe, depois de um período aí tão prolongado, né? De juros altos, o que você tem sentido
11:36do mercado? Há um risco das concessionárias com contratos ativos segurar um pouco os investimentos
11:42altos ou não, porque realmente a gente vem vivendo, né? Bicos de leilões com juros altos, né? Mas existe
11:48de fato do mercado uma expectativa desses juros cair. Você sente a preocupação, às vezes, se essa curva
11:56prolongada do juros se manter, de ter uma retração de investimento em infraestrutura?
12:02Essa é uma preocupação relevante, né? Pra infraestrutura, porque você fazer projeto de 20, 30 anos com juros
12:09nesse nível é muito desafiador, né? Eu acho que esse problema dá pra dividir ele em duas,
12:15em dois grupos. Os projetos que estão começando agora, que são leiloados com essa taxa, a taxa
12:22meio que já tá incorporada, né? Então, eles meio que seguem. O que é mais problemático
12:30são as concessões anteriores, né? Que foram feitas com uma taxa de juros menor, com uma expectativa
12:34de retorno um pouco menor, aí o cara vai se financiar e ele tem que lidar com uma taxa muito
12:38mais alta, né? E aí, realmente, é um desafio. E aí, eu acho que o BNDES tem tido um papel
12:45relevante nesse mercado, porque no ano passado, o banco desenvolveu, justamente quando as taxas
12:52começaram a se estabilizar nesse patamar mais elevado, a gente começou a ter essa preocupação
12:57conversando com as empresas, conversando com as associações das empresas de infraestrutura,
13:02e a gente desenvolveu uns mecanismos de financiamento que, justamente, permitem enfrentar esse problema
13:08dos juros altos. E que estão meio que nesse pacote de inovações que o BNDES vem fazendo
13:12no financiamento da infraestrutura. Então, são diversos instrumentos, mas basicamente
13:17todos têm mais ou menos a mesma lógica, que é você fecha o funding do projeto inteiro
13:22agora e você permite janelas para a empresa se relavancar.
13:28Então, vou dar um exemplo. O primeiro projeto que a gente fez foi o de Congonhas, aqui, né?
13:33O bloco dos aeroportos da AENA. Foi um financiamento super inovador. Um projeto de 5,7 bilhões.
13:40A gente fechou o funding do projeto inteiro, fez uma emissão de debêntures, junto com o Santander.
13:45O Santander ficou com um terço da emissão.
13:50E, nesse projeto, 60% a 70% do recurso, a AENA vai ter a possibilidade de relavancar
13:58entre 2030 e 2032.
14:00Ou seja, você tirou o risco de funding, porque ele fechou o funding do projeto como um todo,
14:05então ele faz o projeto, ele vai fazer o projeto.
14:09Mas você, justamente, tira um pouco esse risco da taxa de juros
14:15e do desincentivo dele investir agora, né?
14:17Você cria um incentivo para ele investir e aí,
14:20depois ele se relavancar e conseguir pegar esse, né?
14:23Voltar um pouco para a taxa de retorno anterior ao aumento de juros, né?
14:27Então, tem vários instrumentos nesse sentido.
14:31E aí, a gente já fez vários projetos depois desse, né?
14:35E tem sido muito importante para as empresas fecharem o funding
14:37e seguirem os investimentos com segurança nesse cenário de juros altos.
14:41Felipe, olhando agora para setores, né?
14:43Queria começar por rodovias, que eu acho que é um dos setores mais maduros
14:47quando a gente olha infraestrutura hoje no Brasil.
14:51A Luciana até comentou na participação que ela fez com a gente na Bienal das Rodovias
14:55sobre como a média de financiamento saltou de 3 para próximo de 27 bi, né?
15:01O que aconteceu nesse processo, né?
15:04Para a gente conseguir mais projeto,
15:06ou é realmente o BNDES trazendo soluções diferentes?
15:10E o que, sim, a gente sabe que a gente, como eu já falei,
15:15a gente está num período ali de eleições, né?
15:18A gente não sabe como será a partir de 27,
15:21mas o que já tem previsto hoje para o próximo ano
15:25de conversas para financiamento olhando para o setor de rodovias?
15:29É, acho que tem bastante coisa, né?
15:32Acho que esse é um setor que está na crista da onda, né?
15:38E aí, acho que isso tudo se constrói a várias mãos, né?
15:40O BNDES tem o seu papel, certamente.
15:43Foi um salto, como você falou, né, André?
15:45Saltou de aproximadamente uma média de 3 bilhões por ano aí para 25,
15:49foi 25 em 2024, ano passado acho que foi 22 bilhões.
15:54Esse ano a gente quer bater essa...
15:56Espera bater esse número ainda.
16:02E eu acho que juntaram vários movimentos
16:05e aí vários movimentos que convergiram
16:07para viabilizar esse movimento, né?
16:09Esse resultado.
16:11Então, primeiro, teve um amadurecimento regulatório muito importante.
16:16Então, você tinha um estoque de projetos,
16:19vamos dizer, com problemas ali, né?
16:22Projetos problemáticos que estavam sem investimento,
16:26com tarifa de pedágio baixa demais, que não viabilizava investimento,
16:29reequilíbrios há anos em discussão com a NTT.
16:31Isso foi sendo resolvido e aí, até seu consenso,
16:34tem um papel muito relevante para essa solução.
16:38Então, com isso você tirou uma incerteza regulatória,
16:41você teve um avanço muito grande nas estruturações,
16:45na matriz de riscos.
16:47Então, quando você reviu a matriz de riscos
16:49e deixou os riscos mais bem compartilhados,
16:52principalmente o risco de demanda, né?
16:54Em rodovias que nunca foram pedageadas,
16:57que você tem uma incerteza maior,
16:59tem um compartilhamento relevante.
17:01Então, você teve uma melhoria da estruturação
17:03e um foco muito grande na estruturação de projetos, né?
17:08Então, acho que a gente pode dizer que tem bons projetos, né?
17:11Podemos dizer que temos bons projetos para rodovias,
17:14que é algo que talvez há 10, 15 anos atrás não tivéssemos.
17:18Então, você juntou um melhor ambiente regulatório,
17:21bons projetos, um ótimo trabalho aí do Ministério dos Transportes,
17:23da NTT, que dá essa segurança regulatória
17:27e nessa parte dos contratos.
17:29E na parte do financiamento,
17:31você tem um ambiente que você tem um mercado de capitais
17:34e o BNDES fez o seu papel colocando ali,
17:38se colocando à disposição para financiar os leilões, né?
17:41Então, a gente até publicou algumas cartas
17:44justamente para dar essa segurança para os investidores,
17:46que teria financiamento.
17:48Se ele não conseguir no mercado,
17:49o BNDES está à disposição para financiar.
17:51A gente colocou ali as condições gerais, né?
17:54E, então, acho que foi se criando um ciclo virtuoso, né?
18:00Os projetos começaram a sair.
18:02No início, tinha muita incerteza sobre players entrarem.
18:06Então, aí foi muito importante o BNDES
18:08colocar essa questão do financiamento e tal.
18:10Os players começaram a entrar.
18:12Daí começaram a sair os primeiros financiamentos grandes,
18:15com estruturas sofisticadas de project finance.
18:18E aí, eu acho que teve um grande divisor de águas
18:20que foi o financiamento da Rio São Paulo, da Dutra,
18:22que foi um financiamento de 10,7 bilhões que o BNDES fez.
18:26É a maior emissão de debêntures da história no Brasil.
18:30E que eu acho que ali virou uma chave no setor
18:32de que dá para seguir.
18:34Teremos financiamento,
18:35a gente vai conseguir mercado de capitais,
18:37a gente vai conseguir boas estruturas de project finance
18:39e vai conseguir financiar.
18:41E aí, eu acho que meio que começou uma onda, né?
18:45E com isso, acho que o ciclo virtuoso continua.
18:49Tem um estoque de projetos para serem leiloados.
18:52Acho que independente do resultado,
18:54você tem um estoque de projetos
18:55que vai interessar para qualquer governo
18:57colocar eles na rua,
18:57porque é investimento para a população.
19:00Então, se eu não me engano, foram anunciados aí...
19:02Esse ano ainda tem mais quatro de rodovias, né?
19:04Com leilão marcado.
19:05Acho que tem 11 para o ano que vem, possíveis.
19:07Então, esse ciclo, imagino que ele continue.
19:09É, o Ministério do Transporte, você falou que dependente
19:13de uma eventual reeleição ou vitória do adversário, né?
19:17Eles já vão deixar mapeados mais de 50 projetos
19:20para os próximos quatro anos.
19:21É isso.
19:22É uma onda de investimentos mesmo.
19:24E fazendo esse paralelo, né?
19:25Então, o setor rodoviário já está consolidado, né?
19:28Já tem um modelo, maturidade do setor é claro, né?
19:33Todo mundo consegue observar que,
19:35até pelos players, né?
19:36Quantidade de players no setor.
19:38E já existe aí um grande pipeline também
19:42pensando no setor ferroviário, não rodoviário.
19:46E aí eu queria ver contigo, Felipe,
19:47assim, se você pode explicar aqui para os nossos ouvintes, né?
19:52Qual que é a diferença, né?
19:53E o que vocês já estruturaram
19:56para que essa onda também venha, né?
20:00A ocorrer no setor ferroviário.
20:03Esse é um grande desafio, né?
20:04O setor ferroviário.
20:05E ferroviário é um negócio que mexe com a gente, né?
20:08Porque tem aquela coisa de usar o trem como transporte, né?
20:12Mexe um pouco com as memórias, assim, né?
20:13É um negócio muito bacana.
20:17E...
20:19Mas é um setor que o desafio é muito grande
20:21porque o CAPEX é muito intensivo, né?
20:23CAPEX é muito intensivo.
20:25E os projetos...
20:27Quando você vai fazer uma ferrovia nova,
20:29você fica ali alguns anos com investimento muito pesado
20:32sem gerar nenhuma receita, né?
20:33Então, o desafio é muito grande.
20:35O que que tem acontecido?
20:37O setor ferroviário está investindo bastante.
20:41Então, os investimentos anuais praticamente dobraram aí
20:45nos últimos anos.
20:46Então, estão rodando aí na casa de 15 bilhões por ano.
20:49Mas você vê, são cifras menores, né?
20:51Do que em rodovias, por exemplo.
20:53E precisa de muito mais, né?
20:55Em ferrovia.
20:56Principalmente precisa de ferrovias novas, né?
20:59E...
21:00O que que tem avançado?
21:03Existe um pipeline de projetos estruturados, né?
21:08Sete ou oito projetos que são grandes corredores,
21:10como a Ferrogrão, a Fico Fiol, né?
21:14São grandes projetos que estão estruturados.
21:18E você tem o desafio de fechar
21:20a parte econômico-financeira desses projetos.
21:24E por quê?
21:25Justamente por causa dessa necessidade de CAPEX
21:28nos primeiros anos, né?
21:30Então, se você vai olhar no mundo,
21:31não existe muito
21:34o privado fazendo uma ferrovia sozinho, né?
21:37Uma grande ferrovia sozinho.
21:38Sempre você tem o público entrando,
21:40as ferrovias são feitas ou com investimento público,
21:42algum tipo de subsídio muito grande,
21:44ou com aporte público.
21:47Justamente por quê?
21:49Imagina que você é um investidor privado
21:50e vai investir na Ferrogrão.
21:53Ferrogrão, estimativa ali,
21:54é de uns 10 anos para construção.
21:56CAPEX na casa de 30 bi.
21:58Imagina você colocar 30 bi
21:59e ficar 10 anos sem ter nenhuma receita, né?
22:02É um negócio que exige um...
22:04Não tem como parar de pé, né?
22:06Então, você precisa que o governo
22:08apoie de alguma maneira.
22:09Então, acho que o que avançou muito,
22:11que a gente está muito próximo
22:12de encontrar uma solução, né?
22:14Você tem uma carteira de projetos estruturados
22:18e vem sendo desenvolvido pelo governo
22:20um modelo para viabilizar esse aporte público,
22:24que é muito desafiador
22:26na situação do Brasil de restrição fiscal.
22:28Então, o que o governo tem feito?
22:30Isso está em análise pelo TCU,
22:32deve ser cancelado,
22:33esperamos aí em algum momento
22:35nos próximos semanas ou meses.
22:40Você vai fazer um projeto novo,
22:41vamos dizer, Ferrogrão.
22:42Aí você tem um outro projeto
22:44de uma outra ferrovia
22:45que está pagando uma outorga.
22:46você separa um pedaço dessa outorga
22:48e deixa depositado em contas reservas
22:51para pagar a Ferrogrão.
22:54Então, vamos supor,
22:55você tem um CAPEX de 30 bilhões,
22:57vamos supor que você consegue segregar
22:59aí 20 bilhões ao longo dos anos
23:00dessas outras outorgas
23:02para compor o CAPEX da Ferrogrão.
23:04Aí, com isso, você consegue
23:06chegar no meio termo e viabilizar.
23:08Você traz o funding do governo,
23:10junta com o funding privado
23:11e consegue fazer um projeto
23:13desse tamanho, parar de perna.
23:15Acho que a gente está
23:16numa reta final
23:16de fechar esse modelo
23:18e conseguir encontrar uma solução,
23:21uma inovação que pode viabilizar
23:23o setor ferroviário,
23:25novas ferrovias,
23:26novos corredores.
23:27E tem uma estimativa
23:29de o quanto essa solução
23:33pode destravar?
23:34Você cita esses oito projetos
23:35que já estão até a expectativa
23:37de ir para leilão.
23:39Mas o quanto pode se destravar
23:41se a gente conseguir avançar
23:42nessa questão de como parar
23:44o projeto de pé,
23:45como pagar a conta no fim do dia?
23:48Os valores são imensos.
23:50Esses sete, oito projetos
23:51são da casa de 160 bilhões.
23:54Então, é muito CAPEX.
23:57E o BNDES tem uma participação
23:59relevante aí também.
24:00Então, a gente anunciou recentemente
24:02uma ampliação do prazo
24:03para 40 anos
24:04para os financiamentos
24:06para ferrovias especificamente,
24:07para tentar ajudar a fechar
24:09essa conta, né?
24:11E daí, acho que tendo um modelo,
24:14tendo o financiamento, né?
24:16E tendo essa segurança
24:17de que esse modelo funciona,
24:18de que vai ter recursos,
24:19acho que tem, assim,
24:20são várias possibilidades, né?
24:21Acho que é um momento interessante
24:24para o setor ferroviário
24:25aí de início de onda, né?
24:27E aí, você citou essa questão do prazo.
24:30Que outros mecanismos
24:31que você pode falar para a gente
24:32que estão sendo estudados
24:34nessa solução?
24:36A gente tem buscado
24:37encontrar diversos mecanismos
24:39do setor ferroviário, André.
24:40Legal você ter perguntado,
24:41porque a gente está...
24:43Esse ano teve uma novidade
24:44que foi muito bem-vinda
24:46para o setor ferroviário,
24:47que foi o enquadramento
24:49no fundo do clima
24:50de material rodante, né?
24:52De vagão e de trens, né?
24:53Da fabricação de trens,
24:54aquisição de trens
24:55pelas empresas
24:57de transporte ferroviário.
24:58Isso está valendo
24:59desde o início do ano,
25:00foi festejado pelo setor,
25:02era uma coisa
25:02que estava sendo demandada, né?
25:03E é bom tanto
25:05para as empresas
25:05que transportam,
25:06e aí é bom
25:07para o meio ambiente,
25:08porque ferrovia
25:09você descarboniza, né?
25:11Você tira caminhão
25:11das rodovias.
25:12E é bom para a indústria
25:13nacional também,
25:14que fabrica esses trens, né?
25:16Etc.
25:17E agora,
25:18o BNDES acabou de aprovar
25:19um aumento do limite
25:20para esses financiamentos.
25:22Tinha um limite
25:23de 500 milhões
25:24por grupo econômico,
25:26por ano,
25:27e frente à demanda
25:28que a gente está vendo
25:29das empresas,
25:30e a gente aumentou
25:32para um bilhão.
25:33Acabou de ser aprovado
25:34isso faz cerca
25:35de 15 dias
25:36e vai viabilizar,
25:38a gente espera fazer aí
25:40financiamentos relevantes
25:41ainda esse ano
25:42com esse recurso
25:44e com isso ajudar, né?
25:47A trazer mais investimento
25:48para o setor, né?
25:48E aí,
25:49material rodando,
25:49só para explicar
25:50para quem está nos assistindo,
25:52é vagão, né?
25:53O trem.
25:54Vagão, trem,
25:55locomotiva,
25:55tudo isso.
25:57E Felipe,
25:57indo para outro setor agora, né?
25:59O saneamento, né?
26:00Nós temos aí
26:01o marco legal do saneamento,
26:03que sempre foi um desafio, né?
26:05Para o Brasil,
26:05aí a questão
26:07da universalização.
26:09O quanto o banco,
26:10em termos de números,
26:12contribuiu
26:12para essa busca
26:13da universalização?
26:14E quais desafios
26:15você entende
26:16que ainda existam
26:18para que o Brasil
26:19realmente conquiste
26:20a universalização?
26:22A universalização
26:23é um assunto
26:26que é muito caro
26:27para a gente
26:27lá no BNDES,
26:28porque o banco
26:29teve uma participação
26:30muito próxima
26:31desde o início, né?
26:32Então, começou
26:33pela estruturação
26:35dos projetos,
26:35os primeiros projetos
26:36antes mesmo do marco
26:37começaram no BNDES,
26:39o Rio de Janeiro
26:40e Alagoas,
26:40que foram os dois primeiros.
26:42Começaram,
26:42se eu não me engano,
26:43a estruturação em 2017,
26:45as concessões.
26:48E aí,
26:50de lá para cá,
26:51o BNDES participou
26:52de praticamente
26:52todos os grandes projetos, né?
26:55Os projetos
26:56relacionados pelo BNDES,
26:57se eu não me engano,
26:57chegavam a 80,
26:5990 bilhões de CAPEX
27:01já leiloado, né?
27:02De estruturação
27:02de projeto.
27:03E daí,
27:04do lado do financiamento,
27:05o BNDES também entrou
27:06justamente financiando
27:07e compondo com o mercado
27:08o financiamento
27:09para esses projetos.
27:10Então,
27:11a gente está
27:11unha e carne aí
27:12com o setor.
27:15E tem funcionado
27:16bastante, né?
27:18O investimento
27:19em saneamento
27:20aumentou muito.
27:21Saiu da casa
27:22de 15 bilhões
27:23para 44 bilhões
27:24no ano passado.
27:25Esse ano deve
27:26aumentar,
27:27deve chegar a 50 bilhões,
27:28coisas assim.
27:30E com isso,
27:33vai avançando
27:34na agenda, né?
27:35Que o Brasil
27:36estava muito
27:37para trás, né?
27:38Então,
27:39acho que
27:40a gente está
27:41mais ou menos
27:41no meio do caminho
27:42aí dessa
27:44universalização.
27:46E agora
27:47tem um desafio
27:48muito grande
27:48de como fazer
27:49essa segunda metade, né?
27:51que são projetos
27:52mais difíceis,
27:52você chega em áreas rurais
27:54e vai precisar
27:55de novos
27:57novos
27:58novos jeitos
27:58de pensar os projetos
27:59para viabilizar, né?
28:01Acho que vai ser
28:01um desafio grande
28:03e que
28:05o BNDES
28:06está à disposição
28:06para participar
28:07e está ajudando
28:08a pensar
28:08como enfrentar, né?
28:10E Felipe,
28:11a gente citou aqui
28:12três setores, né?
28:13Que o BNDES
28:14tem participação
28:15relevante.
28:16Eu sei que
28:17é uma pergunta
28:18talvez um pouco
28:19difícil de responder
28:20porque é uma questão
28:21que não está
28:22no seu controle,
28:23mas dentro
28:24do ambiente
28:24que você vê
28:25tanto de outras,
28:27a gente sempre recebe
28:29aqui lideranças
28:31do setor de infraestrutura,
28:32eles valorizam
28:33o papel do BNDES.
28:34Você vê
28:35que dependente
28:36dos resultados
28:36que a gente tenha
28:37nas urnas,
28:38o momento
28:39da infraestrutura
28:40ele vai manter
28:41todas essas questões
28:43que o BNDES
28:43está trabalhando, né?
28:45Você até citou isso, né?
28:46Que a gente vê
28:47com um papel
28:47mais de Estado
28:48e menos de governo.
28:49você talvez
28:50só espera
28:51ou você acha
28:52que a gente
28:52deve ter algo
28:53disso para os próximos anos
28:55do BNDES
28:56continuar com esse papel
28:57dependente de quem
28:58esteja na cadeira?
28:59Sim, eu torço muito
29:01e espero, né?
29:02E realmente espero
29:03que isso aconteça
29:04porque
29:06os investimentos
29:07em infraestrutura
29:07vão continuar.
29:08Acho que isso virou
29:09uma agenda de Estado
29:09mesmo,
29:10não sei que tem
29:10algum imprevisto
29:11muito grande, né?
29:12Mas esperamos
29:13que continuem
29:13tendo projetos
29:15e o BNDES
29:16tem um papel relevante
29:17e que está sendo feito
29:18de uma maneira
29:19que respondeu
29:20as críticas
29:22do mercado
29:23um pouco, né?
29:24E está atuando
29:24junto com o mercado.
29:25Então,
29:26encontrou um papel
29:27ali para o BNDES
29:28que é apoiar
29:28os grandes projetos
29:30e fazer isso
29:31junto com o mercado,
29:31trazendo o mercado,
29:33tendo uma atuação
29:33anticíclica.
29:34Então,
29:35esse ano,
29:35por exemplo,
29:36agora o mercado
29:36de capitais
29:37fechou um pouco
29:38desde metade
29:39do primeiro semestre.
29:40Então,
29:40o BNDES
29:41está sendo muito demandado.
29:43Então,
29:43o BNDES
29:44tem um papel
29:44agora que acho
29:45que está
29:46mais,
29:47como que a gente
29:48pode dizer,
29:49está mais
29:51unânime
29:51entre todas as
29:52frentes,
29:52assim,
29:53ideológicas,
29:54digamos.
29:54Acho que tem
29:55uma aceitação
29:55do papel do BNDES
29:56em infraestrutura
29:58que tem que continuar
30:00e que é importante
30:01para o desenvolvimento.
30:02Então,
30:02eu espero
30:02e confio
30:04que continuaram
30:04tendo um papel
30:05bastante relevante
30:06na infraestrutura.
30:07Felipe,
30:07a gente sempre fala
30:08do número mágico
30:09aqui de investimento
30:10em infraestrutura,
30:114%
30:12dentro do PIB.
30:13A gente vê
30:14um crescimento
30:14significativo
30:15de investimento
30:16com esses modelos,
30:17principalmente
30:18esses investimentos
30:19privados,
30:20mas um decréscimo
30:22do investimento
30:23público
30:23pelas restrições
30:24fiscais.
30:25Na sua visão,
30:27o que a gente
30:28precisa estimular
30:29dentro do país
30:30em termos
30:31de políticas públicas
30:32para que a gente
30:33consiga chegar
30:34nesse patamar
30:34de 4%?
30:35O nosso país
30:36carece de infraestrutura
30:37e a gente melhorou
30:39muito o investimento
30:40privado
30:41e como maximizar
30:42para que a gente
30:43chegue
30:43nesses 4%?
30:45A gente está
30:46no caminho,
30:47eu diria.
30:49Acho mesmo
30:50que a gente está
30:50no caminho,
30:51o país está
30:52amadurecendo
30:52muito nos setores.
30:54O que eu acho
30:55que falta
30:57para a gente
30:57avançar mais?
31:00A questão
31:01do financiamento
31:02não está
31:02totalmente resolvida.
31:04Então,
31:05como eu falei,
31:05acho que avançou muito.
31:06Hoje você tem
31:06o BNDES
31:07participando com 30%,
31:09o mercado
31:09com 60%,
31:11mas a gente
31:12não conseguiu
31:12ainda chegar
31:12no investidor
31:13institucional,
31:14nos fundos
31:14de previdência,
31:15que são os principais
31:16financiadores
31:17no mundo
31:17de infraestrutura.
31:20Então,
31:20acho que esse passo
31:21é muito importante
31:22e a gente
31:23está trabalhando
31:24para isso
31:25no BNDES.
31:26Então,
31:26até interessante
31:27mencionar,
31:28a gente está
31:28anunciando essa semana
31:30a primeira debênture
31:31de infraestrutura
31:32da Lei 14801
31:33para rodovias.
31:34É a segunda
31:35do país.
31:35A primeira foi
31:36a gente que estruturou
31:37também para a Ferrovia,
31:38foi justamente
31:39para a Ferrovia,
31:40o shortline
31:40da Eldorado.
31:42E agora,
31:43essa semana,
31:43a gente está
31:43anunciando a primeira
31:45debênture de infraestrutura
31:47para a rodovia.
31:48E a debênture de infraestrutura
31:49foi criada
31:50com o objetivo
31:51de atrair
31:52o investidor
31:52de fundo
31:53de previdência.
31:55Como ainda está
31:56engatinhando o mercado,
31:58isso ainda não está acontecendo,
31:59mas esperamos
32:00que isso comece a acontecer,
32:01os juros caindo,
32:01isso deve começar
32:02a acontecer.
32:04Então,
32:04eu acho que
32:05ter um ambiente,
32:07terminar essa evolução
32:08do mercado de capitais
32:09e do financiamento
32:11da infraestrutura
32:11é muito importante.
32:14Acho que
32:15o avanço
32:16na regulação
32:17é muito importante também,
32:19então já avançou muito,
32:20mas ainda falta
32:21muita coisa,
32:22falta completar
32:22esse modelo ferroviário
32:23para ter uma solução
32:25para construir
32:25novas ferrovias,
32:27falta avançar
32:27no saneamento,
32:28na regulação estadual
32:30ali ou municipal,
32:31ter isso mais
32:31bem amarrado.
32:34mas acho
32:35que a gente
32:35já enfrentou
32:37vários problemas
32:38que pareciam
32:39insolúveis.
32:40Então, por exemplo,
32:4115 anos atrás
32:42você olhava
32:42para projetos,
32:44você não tinha projetos,
32:45você tinha um problema
32:45no Brasil
32:45de não ter projetos,
32:46era meio que
32:47toda hora saindo jornal
32:48o Brasil não tem projeto.
32:50Isso, de certa maneira,
32:52enfrentamos.
32:53Atualmente,
32:54você consegue
32:54fazer bons projetos
32:55no Brasil.
32:56Talvez agora
32:57o desafio seja
32:57fazer em grande escala,
32:58está precisando
32:59de muito projeto
33:00e falta engenheiro
33:01para fazer projeto,
33:03mas a gente já tem
33:04uma prateleira
33:05de projetos,
33:06então tem o pipeline
33:07de rodovias,
33:07você tem uma ideia
33:08que vai ter aí
33:09mais 50 rodovias
33:10que estão em estruturação,
33:11como o André colocou.
33:13Então, essa questão
33:14dos projetos
33:14estamos enfrentando.
33:16Mas é isso,
33:18acho que a gente
33:18tem um copo
33:19meio cheio
33:19de vários avanços
33:21e tem grandes desafios
33:22ainda para
33:24dobrar o investimento
33:25quase ainda,
33:26que é necessário.
33:27Inclusive,
33:27teve o lançamento
33:28recente do Plano
33:29Nacional de Logística
33:31que faz esse grande
33:31mapeamento
33:32desses projetos.
33:34Eu queria destacar
33:35um ponto que você trouxe
33:37dos fundos
33:38de previdência
33:40no mundo,
33:40eles serem
33:41grandes financiadores
33:42de infraestrutura.
33:44Eu queria que você
33:44me explicasse muito
33:45por que esse modelo
33:46não é executado
33:47no Brasil,
33:48talvez como é
33:49fora do país.
33:51Vocês trouxeram,
33:52você falou que trouxe,
33:53o BNDES trouxe
33:54essa solução
33:54para tentar atrair
33:55esse fundo,
33:56mas o que falta
33:57além disso,
33:58que outros mecanismos
33:59o setor como um todo
34:01tem que fazer
34:02para atrair
34:03esses fundos
34:04de previdência
34:05para ajudar
34:05no financiamento
34:06de infraestrutura.
34:08Essa acho que é
34:09uma das principais
34:09perguntas
34:10que a gente
34:12pensa muito
34:13e conversa muito
34:14com os atores,
34:15até com as associações
34:16de fundos de previdência.
34:18Acho que tem um pouco
34:19da história econômica
34:20do país também.
34:21Se você pegar
34:22da década de 90,
34:24você tinha
34:24um overnight ali,
34:26taxas de juros
34:26muito altas,
34:27de 30%,
34:2840%
34:28depois do plano real,
34:30o investimento
34:31e a poupança privada
34:33ia toda
34:33para títulos públicos,
34:35principalmente
34:36para o overnight.
34:37Depois que foi
34:38amadurecendo,
34:39a taxa de juros
34:40foi caindo,
34:40a inflação também,
34:42você continuou
34:42tendo muito
34:43esse investimento,
34:44mas aí começaram
34:45a aparecer
34:45outras classes
34:45de ativo
34:46que começou
34:47a se alocar,
34:48tipo ações,
34:50etc.
34:52mas a taxa
34:53de juros
34:53ficou sempre
34:54em um patamar
34:55elevado no Brasil.
34:56Então,
34:58boa parte
34:59da poupança
34:59ainda vai
34:59para título
35:00do governo
35:01e principalmente
35:01para os fundos
35:02de previdência
35:03é muito confortável
35:04você investir
35:05em título
35:05do governo
35:05porque
35:06você tem
35:07uma meta
35:07atuarial ali
35:08que normalmente
35:09os juros
35:09de longo prazo
35:10do governo
35:10cobre essa meta.
35:11Então,
35:12para o gestor
35:12do fundo
35:13é muito confortável
35:13investir ali
35:14e estar resolvido.
35:16Então,
35:17acho que
35:17nesse ambiente
35:19essa é a importância
35:20da debêntura
35:21incentivada
35:21que acho que
35:23tem uma discussão
35:24de tirar o incentivo
35:25e tal
35:25mas que
35:26não está se olhando
35:27muito para esse lado.
35:28A poupança privada
35:29sempre foi para título
35:30do governo
35:31ou para o overnight
35:32para fundo de DI
35:33para a LFT.
35:35Com a debêntura
35:36incentivada
35:36foi a primeira vez
35:37que você conseguiu
35:38canalizar
35:39poupança privada
35:40para investimento
35:41de longo prazo.
35:43É o único.
35:44É o único caso
35:45praticamente.
35:46Ações também,
35:47mas assim
35:48para renda fixa
35:49a longo prazo
35:50para investimento
35:51acho que
35:51debêntura incentivada
35:52é o único caso
35:53no Brasil.
35:54E isso está acontecendo.
35:56E aí você conseguiu
35:57trazer a pessoa física.
35:59Demorou para trazer.
36:00A lei foi criada
36:01em 2012
36:02e isso cresceu
36:04mesmo a partir
36:04de 2022,
36:052023
36:06o mercado
36:07de debênturas
36:07incentivadas.
36:09Para a Previdência
36:10eu acho que é isso.
36:12É um movimento
36:12parecido.
36:13Você tem que começar
36:14a criar outras classes
36:15de ativo
36:15que sejam atrativas
36:16para eles
36:17e tem que começar
36:17a fazer sentido
36:18para os fundos também.
36:20Então,
36:21começando a se desenvolver
36:23a debênture
36:23de infraestrutura
36:25que qual que é a lógica
36:27só para explicar também
36:28que são coisas
36:29muito técnicas
36:29muito específicas.
36:31A debênture incentivada
36:32você zera o imposto
36:33de renda
36:33para quem comprou
36:35o título.
36:35Então,
36:35para nós,
36:37por exemplo,
36:37pessoa física
36:38vale muito a pena
36:39comprar uma debênture
36:40incentivada
36:40porque você paga
36:41imposto de renda zero.
36:42E aí que criou o mercado
36:43que você alocou
36:44a poupança privada
36:45aí faz sentido
36:46para a gente comprar.
36:47Então,
36:48vem o BTG,
36:48o XP,
36:49oferecem para a gente
36:50debênture incentivada,
36:51a gente compra,
36:52é um bom investimento.
36:55Só que para os fundos
36:56de previdência
36:56isso não funciona
36:57porque eles não pagam
36:58imposto de renda
36:59nos títulos.
36:59Então,
37:00o incentivo
37:01não funciona.
37:02Aí a debênture
37:03de infraestrutura
37:04colocou um incentivo
37:05na empresa
37:05que emite.
37:07Então,
37:07na prática,
37:08você emite
37:08com uma taxa
37:09mais alta.
37:10Então,
37:11uma debênture incentivada
37:12que é 7%
37:13mais IPCA,
37:15se você for fazer
37:15debênture de infraestrutura
37:16ela vai virar,
37:17sei lá,
37:1810% mais IPCA.
37:19E aí começa
37:20a fazer sentido
37:21para o fundo
37:21de previdência
37:22comprar.
37:23Esse é o conceito.
37:25Aí eu acho
37:26que tem duas coisas
37:27que não aconteceram ainda.
37:28Primeiro,
37:28você tem um mercado
37:29de títulos.
37:30Então,
37:31acho que você tem duas,
37:33talvez,
37:33acho que tem três emissões,
37:34tem duas do BNDES,
37:35tem uma que o BNDES
37:36não participou de debênture
37:37de infraestrutura.
37:38Então,
37:38está muito engatinhando
37:39ainda o mercado.
37:41Então,
37:42esse mercado
37:42vai acontecer,
37:43a gente tem mais
37:44uma meia dúzia
37:44de emissões
37:45para sair esse ano
37:45de debênture
37:47de infraestrutura
37:48e aí você começa
37:49a ter o mercado.
37:50E pelo outro lado,
37:52você precisa
37:52que faça sentido
37:53para os fundos
37:54e aí para isso
37:54precisa começar
37:55a cair a taxa
37:56de juros longa.
37:57Perfeito.
37:57Quando isso acontecer,
37:58acho que aí você fecha
37:59as duas pontas
37:59e começa a trazer
38:00esses caras
38:01para o investimento.
38:04Ótimo.
38:04Felipe,
38:06trazendo para um outro
38:07desafio de infraestrutura,
38:09o desafio de infraestrutura
38:10urbana,
38:11você citou
38:11quando foi falar
38:12de ferrovias
38:13o transporte
38:14de passageiros
38:15em linhas ferroviárias.
38:17O quanto o banco
38:18hoje tem contribuído
38:19para esses investimentos
38:21de mobilidade urbana?
38:23Trens,
38:23metrôs,
38:24quais projetos
38:25você pode citar
38:25para a gente
38:26para resolver
38:27a vida
38:28da população
38:29que mora
38:30nesses grandes centros?
38:31Isso é muito legal.
38:32Vou falar
38:33de ônibus elétrico
38:35aqui,
38:35porque
38:35daí falo
38:36do resistente,
38:37porque ônibus elétrico
38:38é uma agenda
38:38que a gente tem
38:38muito orgulho lá,
38:40que é muito recente
38:42no BNDES,
38:43é uma tecnologia nova,
38:45mas o banco
38:46não financiava
38:47ônibus elétrico,
38:48começou em 2023
38:50e nesse período
38:51virou o maior financiador
38:52da América Latina
38:53de ônibus elétrico.
38:54Muito bacana,
38:55que é uma coisa
38:56para a população
38:57é muito bom,
38:58para o meio ambiente
38:58é muito bom,
38:59para a indústria nacional
39:00é muito bom,
39:01é muito bom
39:01para todo mundo.
39:03Então,
39:03você anda em São Paulo,
39:04a gente finançou
39:051.300 ônibus
39:07aqui em São Paulo,
39:07tem um monte
39:08de ônibus elétrico
39:09em São Paulo
39:09e vários outros municípios.
39:11Inclusive,
39:11fez um projeto
39:12de project finance
39:14non-recourse
39:14para ônibus elétrico
39:15em São José dos Campos
39:16para a eletrificação
39:17de 100% da frota,
39:19que junta as duas coisas.
39:23E a gente tem
39:24uma preocupação grande
39:25de buscar incentivar
39:26os projetos
39:27de mobilidade.
39:28Então,
39:29no financiamento,
39:30a gente fez vários
39:31financiamentos muito relevantes
39:33nos últimos anos,
39:33então,
39:34para além dos ônibus
39:34elétricos,
39:35a gente finançou
39:36o TIC aqui em São Paulo,
39:37o trem Intercidades,
39:39que vai até Campinas,
39:41finançou a linha 2
39:42do metrô,
39:43diversos financiamentos
39:44de mobilidade mesmo,
39:49mas principalmente,
39:52acho que a grande
39:53contribuição agora
39:54mais recente
39:55é o Estudo Nacional
39:56de Mobilidade,
39:57que acho que vocês
39:57já conversaram aqui
39:58com o Nelson Barbosa,
39:59o diretor lá do BNDES,
40:02que traz uma carteira
40:04de 168 projetos
40:05de mobilidade
40:07estruturantes
40:07em 21 regiões metropolitanas.
40:10E é muito interessante
40:11de onde veio
40:12esse estudo,
40:13que veio
40:14do seguinte diagnóstico,
40:15em 2020,
40:162021,
40:17o BNDES começou
40:18a tentar estruturar
40:19projetos de mobilidade
40:20e quando ia conversar
40:21com as regiões metropolitanas,
40:23não tinha projeto,
40:24o cara não sabia
40:24qual era o projeto
40:25que precisava fazer.
40:27então teve que dar
40:28um passo atrás
40:29e aí o banco
40:30decidiu fazer
40:31esse estudo nacional
40:32para mapear
40:33nessas regiões
40:34quais são os projetos
40:35estruturantes.
40:36Então acho que
40:37é um momento
40:38bem interessante
40:38de também,
40:40esse eu imagino
40:41que seja
40:41uma próxima onda
40:43de investimento
40:44em mobilidade,
40:45porque aí é média
40:46e alta capacidade,
40:47aí não é ônibus,
40:48é trem,
40:50trem entrou,
40:51metrô e BRT,
40:53então acho que
40:54é um início de ciclo
40:55e possivelmente
40:56tomara.
40:57Sem puxar muito
40:59minha sardinha,
41:00que foi inclusive
41:02a história
41:02de uma das empresas
41:03que está investindo
41:05em mobilidade
41:06que é a Motiva,
41:07junto também
41:07com esse estudo,
41:09foi a história
41:09da edição
41:11que eu assinei
41:12a capa,
41:12falando muito
41:13sobre a necessidade
41:14que o Brasil tem
41:15de se investir
41:16em mobilidade urbana,
41:18porque a gente olha
41:18aqui em São Paulo,
41:19onde fica a redação
41:20da Exame,
41:21a gente tem linhas
41:22de metrô relevantes,
41:23de trem,
41:24mas ainda aquém
41:25do que São Paulo
41:26precisa.
41:27Quando a gente vai
41:27para outras capitais,
41:28tem capitais
41:29que nem o pouco
41:31que São Paulo tem
41:32consegue replicar,
41:33então é uma coisa
41:34bem importante mesmo.
41:36Um ponto
41:37que eu queria trazer
41:38também de uma fala
41:39sua sobre
41:42hoje desafios,
41:42né,
41:43também,
41:43olhando para a execução,
41:45que não tem muito
41:46a ver com o BNDES,
41:47mas também eu queria
41:48entender como vocês
41:49observam,
41:50porque a gente vê
41:51que a gente está
41:51num pico de CAPEX,
41:53você citou aí
41:54a falta de engenheiro,
41:55né,
41:56todo o programa
41:57a gente ouve
41:59dos diretores
42:01das empresas
42:01que é uma dificuldade,
42:03eles estão tendo
42:03que formar
42:03dentro de casa,
42:05como que você vê
42:05que o BNDES
42:06senta na mesa,
42:07às vezes não
42:07para dar uma solução,
42:08mas para ouvir
42:09e também direcionar
42:11para entender
42:12como se pode
42:16suprir
42:16esses buracos,
42:17esses gargalos
42:18que vão existir
42:19no meio do caminho,
42:20porque é muito investimento,
42:21saneamento é um ótimo
42:22exemplo, né,
42:23Sabesp é que está
42:24investindo como nunca
42:25investiu,
42:26a gente sabe que,
42:26por exemplo,
42:27em Minas,
42:27Copasa também terá
42:28que fazer muito
42:29investimento,
42:30então os fornecedores
42:31no limite
42:32são os mesmos, né,
42:34então como que
42:34o setor você acha
42:36que vai se organizar
42:37ou é algo que
42:38talvez os governos,
42:40tanto estaduais
42:41quanto federal
42:41e aí com atores
42:43parceiros
42:43como o próprio BNDES
42:44vai conseguir ajudar
42:45a resolver essa questão?
42:47Isso conversa muito
42:48com o planejamento,
42:49eu acho,
42:50que até você mencionou
42:51do PNL,
42:52de ter esse pipeline
42:53de projetos,
42:55é um problema
42:56difícil de endereçar,
42:57de formação
42:58de uma hora para outra
42:58quando você está
42:59num ciclo que está
42:59crescendo muito,
43:00é difícil você formar
43:01a tempo
43:02e eu acho que você
43:03ter essa visibilidade
43:04que atualmente
43:05a gente tem no Brasil,
43:07de projetos
43:08para os próximos anos,
43:09ajuda muito
43:10todo o setor
43:13a se organizar,
43:15então desde as empresas
43:16de engenharia
43:16a começarem
43:18a se organizar,
43:18as empresas
43:19das concessionárias
43:20a buscarem soluções,
43:21então conversando
43:22com as concessionárias
43:23rodoviárias,
43:24por exemplo,
43:25que pegam extensões
43:26grandes espalhadas
43:27pelo país,
43:29elas vêm procurando,
43:30por exemplo,
43:31contratar empresas locais,
43:32que é algo
43:32que não se fazia antes,
43:33antes contratavam
43:34grandes grupos
43:35de engenharia
43:36e agora estão
43:37contratando grupos locais
43:38e estão inclusive
43:39incentivando os grupos locais,
43:40financiando os grupos locais
43:42para se consolidarem,
43:44para ficarem mais
43:45parrudos
43:45para fazer frente
43:46aos projetos
43:47e aí com essa visão
43:49de longo prazo
43:50eu acho que a gente consegue
43:51dar o tempo,
43:53que não tem muito tempo,
43:54mas permitir
43:56que se organizem,
43:57as empresas se organizem
43:58para correr atrás,
43:59que é realmente um desafio,
44:00um ciclo de crescimento
44:01é um desafio muito grande.
44:03Felipe,
44:04você citou um pouco
44:05quando falou
44:06do setor rodoviário,
44:07da maturidade
44:08do setor
44:09nas repartuações,
44:11nos contratos
44:12estressados,
44:13na solução,
44:13o banco participou
44:15ativamente
44:16de uma dessas
44:17contratos
44:18que não estavam
44:19performando,
44:20que era o contrato
44:21da 163
44:22do Mato Grosso,
44:23do Mato Grosso.
44:25Como foi construída
44:27essa estrutura
44:28de capitais
44:29para conseguir
44:30o aporte
44:31que estava precisando
44:33para o estado
44:34do Mato Grosso
44:34destravar
44:35essa rodovia
44:36tão importante?
44:37Essa rodovia
44:38é muito bacana
44:39porque foi o primeiro
44:40caso do TCU Consenso,
44:42na verdade,
44:42mais do que isso,
44:43ele foi o caso
44:44que meio que
44:44originou
44:45o TCU Consenso,
44:47e justamente
44:48era uma concessão
44:49estressada,
44:50que estava
44:50totalmente parada,
44:53que era da OTP,
44:55e teve todos os problemas,
44:57a OTP ficou
44:57sem condições
44:58de tocar o projeto.
45:00É um corredor
45:00muito importante,
45:01passa 20%
45:02dos grãos
45:03do país
45:03passam nessa rodovia,
45:05e ela não tinha
45:06nenhuma,
45:06era uma rodovia
45:07da morte,
45:08não tinha condição
45:09de traficabilidade
45:10nenhuma.
45:11então você teve
45:12uma iniciativa ali
45:13do estado
45:13do Mato Grosso,
45:14de tentar comprar
45:16a concessão,
45:17e acabou conseguindo,
45:18agora é um sucesso,
45:20e
45:23se deparou ali
45:24o BNDES,
45:25naquele momento
45:26não tinha financiamento
45:27na concessão,
45:28então
45:29a gente participou
45:30mais ajudando
45:31como um consultor,
45:32quase,
45:32participando das discussões
45:33para ajudar a pensar
45:34as soluções e tal,
45:36mas foi muito
45:38nesse espaço
45:40de projetos
45:40estressados,
45:41que você tinha ali
45:42uns 15 projetos
45:44que estavam
45:44nessas condições,
45:45condições parecidas,
45:48e ele representa
45:49uma mudança
45:50um pouco de chave,
45:51uma virada de chave
45:52na compreensão
45:53da institucionalidade
45:54brasileira,
45:55que é a seguinte,
45:56um contrato de concessão
45:58de 30 anos,
45:59você não pode imaginar
45:59que aquele contrato
46:00que você assinou
46:01no início
46:02vai ter que ficar
46:03sempre igual
46:04com as mesmas obrigações,
46:06esse contrato
46:07ele precisa
46:08de um grau
46:08de flexibilidade
46:09para ele ir se adaptando
46:10às condições
46:10da realidade mesmo
46:12ao longo
46:12desses 30 anos,
46:14isso é assim
46:14no mundo inteiro,
46:15você não pode imaginar
46:16que vai ser estanque
46:17um contrato de concessão
46:18de longuíssimo prazo,
46:21e esse era o entendimento
46:25antes desse projeto,
46:28que os contratos
46:29eram estanques
46:29e aí virava um problema,
46:30reequilíbrio,
46:32as agências tinham
46:33questão de apagão
46:34de canetas,
46:34de muita insegurança
46:35em relação
46:36a mexer no contrato,
46:38fazer essas coisas,
46:40e aí com esse projeto
46:43essa página
46:44meio que foi virada,
46:45se entendeu
46:45que você tem
46:46que olhar
46:46aquele contrato,
46:48entender o que aconteceu
46:49e adaptar
46:51aquele contrato
46:51para a realidade,
46:53que foi isso,
46:54nesse caso foi
46:56o Estado do Mato Grosso,
46:57uma empresa estatal
46:58comprou a concessão,
47:01montou uma empresa
47:02ali pública
47:02para tocar essa concessão,
47:05e o contrato
47:06foi repactuado
47:07com novas metas,
47:08com revisão
47:09do pedágio,
47:10associando aumentos
47:11de pedágio
47:11à entrega
47:12dos investimentos,
47:14e redesenho
47:15das obrigações,
47:16modernização das obrigações
47:17do contrato,
47:18tudo isso.
47:19Então,
47:20foi super positivo,
47:22né?
47:23e agora
47:25o BNDES
47:25depois financiou,
47:27não recorce,
47:27inclusive também,
47:285 bilhões,
47:29a obra está a todo vapor,
47:31deve concluir
47:32a duplicação inteira
47:32da rodovia
47:33850 quilômetros
47:34até 2029,
47:37e depois disso
47:38virou essa chave,
47:39então você começou
47:40a ter essa repactuação,
47:42né?
47:42Com concordância mútua
47:44do poder concedente
47:45e da empresa privada,
47:46que é muito bom
47:46para a população,
47:47né?
47:47Porque você resolve
47:48projetos que estavam
47:50parados
47:51num limbo jurídico,
47:53digamos,
47:53e traz o investimento
47:54e o serviço
47:55e a infraestrutura
47:55para a população.
47:57Felipe,
47:58caminhando para o fim
47:58da nossa conversa,
48:00tenho duas perguntas
48:01em uma, né?
48:02Muito como você vê,
48:05como você gostaria
48:06que tanto a infraestrutura,
48:09tanto que o próprio BNDES
48:10tivessem daqui 6,
48:1210 anos, né?
48:14Pensando num Brasil
48:15desenvolvido,
48:16e também qual que,
48:18eu acho que muito
48:20da nossa conversa,
48:21espero que já vai revelar
48:22um pouco da sua resposta,
48:25né?
48:25Mas quais desses setores,
48:26principalmente que a gente citou,
48:28você acha que a gente
48:29realmente precisa começar
48:30a avançar agora
48:31para não se arrepender
48:32em 6, 7, 8, 10 anos?
48:37Legal pensar nisso, né?
48:38Em como seria o futuro
48:41ideal, né?
48:42Eu acho que
48:45no setor de infraestrutura,
48:48seria bacana a gente ver
48:50esses setores que a gente
48:51conversou aqui,
48:52que são desafiadores,
48:54conseguirem dar esses passos,
48:55né?
48:55Então, principalmente
48:56ferrovias,
48:58mobilidade,
48:59saneamento,
48:59conseguirem dar esses próximos
49:00passos de investimento,
49:02dos projetos acontecerem,
49:03né?
49:06E os setores que estão dando certo
49:08continuar, né?
49:09Rodovias, etc.
49:10E o BNDES,
49:13eu gostaria de ver cada vez
49:15mais sólido
49:15no sentido um pouco
49:17do que já vem fazendo.
49:19Então,
49:21entrando nos projetos
49:22mais difíceis,
49:23nos projetos mais desafiadores,
49:25trazendo o mercado,
49:26conseguindo trazer os fundos
49:27de pensão,
49:28meio que completando, né?
49:29Acho que
49:29dá para a gente pensar
49:31que a gente está meio que
49:31numa revolução
49:32no setor de infraestrutura,
49:33está mudando muito,
49:34o investimento crescendo muito,
49:35o financiamento mudando muito.
49:37Eu acho que daqui a cinco anos,
49:38se a gente conseguir
49:40completar essa mudança,
49:42vai ter sido um sucesso total, né?
49:44Você tem um mercado desenvolvido,
49:45com o BNDES atuando
49:46nos projetos que precisam
49:47do BNDES,
49:48e com esse investimento
49:51espalhado pelos setores,
49:52fechando o gap aí
49:53de investimento, né?
49:54Que é da casa chegando
49:55a 4, 5% ao ano.
49:57Ótimo.
49:57Queria agradecer
49:58o Maurício
49:59por mais uma entrevista
50:01conduzida.
50:02Maurício, obrigado.
50:03Eu que agradeço, André,
50:04agradecer ao Felipe
50:05pela ótima conversa.
50:06É, se agradecer, Felipe,
50:07as portas da Exame
50:08estão sempre abertas
50:10para próximas conversas, Felipe.
50:12Obrigado, foi um prazer.
50:13E agradecer você
50:14que nos acompanhou
50:15até aqui,
50:16curta, compartilhe esse vídeo,
50:18siga a Exame
50:19nas redes sociais,
50:20e também acesse
50:21o nosso site
50:22para acompanhar
50:23todas as notícias
50:24sobre o setor
50:24de infraestrutura,
50:26sobre os leilões
50:26e também sobre as novidades.
50:28Aguardo você
50:29no próximo programa.
50:30Até lá.
50:30E aí
50:31E aí
50:33E aí
50:36E aí
50:37Obrigado.

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