- há 4 semanas
Hoje, vamos entender qual a diferença entre artrite e artrose, além de descobrir alguns tratamentos para as doenças, com a Dra. Guacyra Muzzi, especialista em dor, e Dra. Laiza Hombre, reumatologista. Não perca!
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00:08Olá, sejam bem-vindos ao Check-Up Saúde. Eu sou a Alice Sarsinelli e essa é a sua conexão com
00:13os
00:13maiores especialistas em saúde do Espírito Santo. Você já sentiu dor nas juntas? As famosas
00:21articulações? Existe uma doença que é a principal causa de dor na junta, a osteoartrite. E é sobre
00:27ela que vamos falar hoje com duas grandes especialistas. Temos hoje aqui com a gente
00:32doutora Guacira Muzi. Seja bem-vinda, doutora Guacira, anestesiologista e especialista em dor,
00:39uma especialidade que muita gente não conhece. Obrigada, Alice. Prazer enorme estar aqui com
00:43vocês, com a sua equipe, trazendo sempre informação de qualidade. Temos aqui também uma reumatologista,
00:49outra especialidade que a gente quer conhecer um pouquinho mais. Seja bem-vinda, doutora Laysa
00:54Laysa. Obrigada, Alice. Vamos ter um bate-papo hoje bem legal e tentar tirar todas as dúvidas.
01:01Doutora, eu acho que a gente tinha que começar explicando a diferença, né? Porque eu mesma
01:06aqui pra apresentar pra vocês, falo em dor na junta, em osteoartrite. A gente já ouviu falar em
01:13artrite, em artrose. Qual que é a diferença? É tudo a mesma coisa? É só o nome que muda? É
01:18dor na junta
01:19mesmo. Explica pra gente, doutora Laysa. Bom, as duas, o principal local realmente são as
01:26articulações de dor, né? A grande diferença é que na artrite há um processo inflamatório. As juntas
01:32ficam inchadas, quentes, muito doloridas, né? E na artrose, que é o nosso principal tema hoje, há na
01:40verdade um desgaste. E toda a dor, ela se concentra e começa dentro da articulação, naquela cartilagem
01:49que reveste a articulação, aquilo ali tem um desgaste. E aí os ossos se aproximam, tem um atrito
01:55maior e quando o paciente vai fazer o movimento, ele sente a dor, né? E esse atrito, ele gera uma
02:02instabilidade. O joelho, por exemplo, ele já não tem aquele líquido que lubrifica, não tem aquela
02:08cartilagem que ajuda a absorver o impacto. Então, todos os ligamentos, tendões, musculaturas
02:14que estão ali ao redor, tentam dar uma estabilidade maior para a articulação e acabam
02:20inflamando, gerando as famosas tendinites, bursites, né? As lesões ligamentares, que também
02:28são grandes responsáveis pela dor nesse caso. Isso é muito comum mesmo, doutora? Ter a osteoartrite
02:35é comum? É muito comum, né? Com o avançar da idade, a gente sabe que a incidência aumenta, né? Tem
02:43uns
02:43casos que realmente a osteoartrite, ela não incide, não acontece só na terceira idade, pode acontecer na
02:50pessoa mais jovem também. Por exemplo, a osteoartrite de mãos, que é pouco falada, ela tem uma
02:58característica genética importantíssima. Então, se você quer saber, de repente, o risco de você ter
03:03uma artrite, uma artrose de mãos, olha para a mão da sua mãe, da sua tia, da sua avó, e
03:10se houver
03:10comprometimento, a chance de você ter uma artrose de mãos, por exemplo, é maior. Mas a grande incidência
03:17realmente é na terceira idade. E essa característica física que a gente olharia é o quê? Aqueles dedos
03:23engarra, aquela mão torta, ela tem a ver com essa doença? Tem tudo a ver, né? Uma das principais
03:30características clínicas que a gente consegue identificar no paciente que chega no consultório
03:35são os alargamentos das articulações. Principalmente essa aqui pertinho da unha, né? Qualquer
03:43articulação pode ser comprometida, mas essa próximo da unha, essa aqui do meio, então fica mais gordinho,
03:49mais alargado, pode reduzir a mobilidade ou não, nem sempre. Tem períodos de maior
03:55inflamação, então ela vai realmente reclamar o dia que, principalmente a pessoa que manipula,
04:01a gente está falando das mãos, faz pequenos movimentos, uma artesã, uma cozinheira, então
04:06depois daquele dia que ela passou ali no almoço de domingo, picando aquele monte de coisa,
04:11à tarde, provavelmente ela vai ter uma rigidez na mão, um incômodo maior.
04:15Dói. Dói ao mexer.
04:19Exatamente. Tem os períodos de maior dor, inflamação e muitas vezes fica só depois
04:25uma sequela, uma cicatriz articular que a gente fala, uma deformidade, que quanto mais
04:31velha, às vezes depois dos 80, 90 anos, você olha, está lá aquela senhorinha com os
04:36dedinhos todos tortinhos, mas ela faz de tudo. Faz o crochê, faz a comida dela, é independente,
04:42porque já houve uma certa adaptação. Esse período de dor, normalmente, né, claro que
04:47há as exceções, mas é mais no começo, quando está ali se iniciando aquele processo
04:53inflamatório, realmente.
04:54E nos pés, doutor, isso tem a ver com o famoso joanete também, que a gente olha aquele
04:58pé tortinho e a gente fala, meu Deus, será que eu estou indo por esse caminho? A gente
05:03acha que é por causa do uso do sapato, então teria um componente genético?
05:07Tem, um componente genético. É claro que assim, a gente pode, é uma forma de classificação,
05:13é o local da osteoartrite, né? Então a gente tem a osteoartrite de joelhos, que é muito
05:18comum na população, às vezes mais idosa. A gente tem a osteoartrite de quadril, que nós
05:24mulheres somos praticamente mais acometidas em quase todas as doenças reumatológicas.
05:30A de quadril é uma das poucas exceções onde os homens são um pouco mais acometidos
05:36do que nós, né? É dor no quadril.
05:38Dor no quadril e muitas vezes com limitação, movimentação. Sabe aquela pessoa que faz
05:44aquela viagem? Às vezes de poucos 30 minutos, uma hora dentro do carro e aí na hora que
05:49precisa sair do carro, tem que ajudar, tem que vir filho, dar a mão, porque está ali
05:55agarrada. Então aquela pessoa que ficou muito tempo sentada no local, aguardando alguma coisa,
06:00quando ela vai iniciar o movimento, ela tem uma dificuldade, né? Porque aquela articulação
06:05ficou parada ali um tempo, gerou um processo inflamatório, está tudo rígido, então ela
06:10precisa de um auxílio para iniciar aquele movimento. E aí pode ser na mão, no pé, no quadril,
06:17no joelho. O problema é que a gente se acostumou a sentir dor, né, doutora Guacir? A verdade
06:23é que ouvindo a doutora Laysa falar, é difícil a gente saber quando procurar um especialista,
06:28porque o limiar de dor, o jeito que cada pessoa sente dor é diferente e a gente sempre ouviu
06:34que um pouquinho de dor é normal. Sentir dor, um pouco, é normal?
06:39Alice, como especialista em dor, eu vou dizer que sentir dor não é normal, claro que não, né?
06:45A dor é um sinal de alarme para o nosso organismo, para que possamos buscar ajuda,
06:49buscar um tratamento. Especificamente no caso das osteoartrites, que é o que a gente está
06:53conversando hoje, eu acho interessante contar para o pessoal como que o médico, ele começa
06:58a fazer a pergunta para o paciente para tentar descobrir de onde é a origem daquela dor.
07:02Uma característica muito marcante da dor da osteoartrite é isso que a Laysa comentou
07:07inicialmente. A dor, ela piora muito com o movimento da articulação e ela alivia com
07:12o repouso. Então, o paciente, ele acorda travado, ele fala de manhã, eu não consigo
07:17me mexer. Para sair da cama, para dar os primeiros passos, para ir até o banheiro é muito
07:22difícil. Quando passa meia hora, 40 minutos, o famoso corpo vai esquentando, a dor articular
07:27melhora muito. Essa é uma característica que a gente médico usa para começar a distinguir
07:33qual o tipo de dor que aquele paciente tem. Então, essa rigidez matinal é muito característica
07:38da dor osteoarticular. Isso é importante dizer. E outra coisa que eu acho muito interessante
07:43é que a osteoartrite, ela é uma doença que afeta não só ali o interior da articulação,
07:50é uma doença que afeta todo o periarticular. Ou seja, ela acomete músculos, tendões, ligamentos.
07:56Antigamente, a gente achava que era uma doença restrita ao desgaste da articulação.
08:01E hoje em dia, já sabe-se que não é simplesmente isso. É uma doença inflamatória crônica, de
08:06baixo grau, porém inflamatória crônica. Então, começa a haver o desgaste da articulação.
08:12Esse desgaste ativa todo um processo inflamatório no local, porém não é tão exuberante como
08:18aquela artrite que a doutora Lays falou inicialmente, que aumenta o volume, dá aquele
08:23inchaço grande. A inflamação, ela é uma inflamação, mas vamos dizer assim, num grau
08:30menor. Vai acontecendo lentamente, vai havendo o desgaste dessa articulação.
08:35Esse processo inflamatório provoca o remodelamento ósseo. Então, o osso que está abaixo da
08:41articulação, ele começa a sofrer também. O osso que está abaixo da cartilagem, ele
08:45começa a sofrer também. E esse osso, Alice, ele tem muitos receptores de dor. É aí que
08:52vem muita, a origem muito dessa dor está ali. Ativação desses receptores que estão
08:57por baixo da cartilagem. Paralelamente, os músculos, tendões, que são responsáveis
09:02por estabilizar a articulação, eles também são acometidos. Então, é muito frequente
09:07o paciente com uma osteoartrite crônica, que tem, na verdade, uma tendinopatia, uma
09:14perda da estabilidade da articulação. E a gente tem muito recurso, hoje em dia, para
09:19tratar tudo isso. Isso que é o legal. É, eu fico pensando porque a gente realmente
09:23só procura quando a dor piora muito. E aí, eu queria que vocês explicassem um pouco
09:28para quem está nos ouvindo, como que a gente diferencia isso. Porque eu acho que
09:32todo mundo acorda com um pouquinho de dor no corpo, né, gente? É difícil acordar, assim,
09:37100% bem. Quando que essa dor deve preocupar? Quando que a gente deve procurar
09:42um especialista? Como é que a gente consegue diferenciar que a nossa dor pode ser um
09:47começo de um processo inflamatório, que é uma doença?
09:51Olha, eu costumo dizer que a dor é inerente da nossa vida. Vamos ter dor ao longo da
09:55vida, vários momentos. Quando é que a gente deve procurar ajuda? Quando aquilo
09:58começa a sair do normal. Está te atrapalhando o convívio social, está
10:04prejudicando o seu desempenho no trabalho, o seu relacionamento com a família, o seu
10:08humor. Você está mais recolhida em casa, não quer sair.
10:10Mais irritado. Mais irritada. Já deixou de ser normal. Já perdeu a função da dor de
10:15sinal de alerta. Ela está realmente prejudicando muito a sua qualidade de vida, a sua
10:20funcionalidade. Hoje, o médico, ele não olha simplesmente para o nível de dor do
10:24paciente. Ele olha para a funcionalidade. Porque uma coisa muito interessante das
10:29osteoartrites é que nem sempre a gente tem uma correlação radiológica e com sintoma.
10:35O que que é isso, Alice? Eu posso pegar uma radiografia, por exemplo, de um paciente
10:39de 50 anos. Nossa, tem uma osteoartrógea já, grau 2, 3, a gente classifica a osteoartrite
10:46em graus.
10:47Consegue-se ver isso no exame?
10:49Sim, nos exames de imagem a gente classifica. Mas você não sente dor? Não, eu faço meu
10:53esporte, eu faço minha vida, eu viajo. Outros pacientes você pega, às vezes, com o estágio
10:59mais inicial da osteoartrite e o paciente está com muita dor, muito comprometido, não
11:04consegue fazer nada. Então, não há uma correlação entre a imagem e a queixa do
11:09paciente. Isso é muito interessante. E a gente tem que tratar, então, é o paciente, não
11:13é a imagem que eu estou vendo. Ele é que vai me dizer qual o grau de comprometimento
11:17da funcionalidade que ele está tendo, o que que ele consegue fazer, o que que ele não
11:21consegue, para a gente buscar o melhor tratamento para cada caso.
11:25E falando em tratamento, então, a gente tem que unir essas duas especialidades, tratar
11:30a dor e tratar realmente o problema. Vamos falar um pouquinho sobre o tratamento do problema.
11:35Como que é, doutora? Tem que usar remédio? É remédio para o resto da vida? Teve esse
11:39diagnóstico? É uma sentença de que vai ter que tomar o que? Anti-inflamatório?
11:44É, né, Guacira? O tratamento da osteoartrite é muito desafiador. Porque na medicina a gente
11:50fala, quando a gente tem muitas opções, muitos remédios para tratar uma doença, é porque,
11:55na verdade, nenhum deles é tão eficaz assim, né? Então, esse é o caso do osteoartrite.
12:00Nós já tivemos vários estudos clínicos avaliando diferenças, diferentes medicações
12:05e, infelizmente, até hoje a gente não teve nenhum estudo realmente que mostrasse uma
12:11droga capaz de modificar o curso da doença. O que que seria isso? Seria basicamente pegar
12:18uma articulação e recompor aquela cartilagem, recompor aquele líquido saudável, recompor aquela
12:25estrutura periarticular e tirar a dor do paciente. A gente não tem essa fórmula mágica,
12:30quem dera, nós gostaríamos todos, sonhamos com isso. A medicina ainda avança nessa idade,
12:36nessa, nessa, nesse estágio, né? Nessa terapia, mas tem muitos estudos em andamento,
12:43inclusive a gente participou de um estudo multicêntrico internacional há pouco tempo e, infelizmente,
12:48o resultado não foi satisfatório. Mas a gente tem esperança que, em breve, a gente vai ter novidade por aí.
12:56Então, se a gente não tem grandes medicações, temos os sintomáticos, você mesmo disse,
13:02podemos usar um anti-inflamatório por um curto período de tempo para aliviar aquela dor,
13:07dependendo que aí a gente avalia, como o Guacira disse, um paciente como um todo.
13:11Então, muito cuidado se o paciente é hipertense, se ele é diabético, quais são as comorbidades, qual é a história
13:16de vida
13:16que ele tem e quais são as medicações seguras, por quanto tempo posso usar, quais as opções.
13:23Nós temos as opções de intervenção na medicina intervencionista, que são muito boas para resultados,
13:30principalmente em relação à dor, que o Guacira vai poder falar mais.
13:34Mas o que, de fato, os estudos mostram que impacta muito bem na vida do paciente,
13:40são as mudanças de hábitos de vida.
13:42Então, a perda de peso, combate à obesidade, atividade física, com fortalecimento periarticular,
13:50hábitos saudáveis, alimentação saudável, isso tem um impacto real, evidenciado por grandes estudos clínicos.
13:57Eu imagino que deve ser difícil, porque a pessoa imagina que com dor ela não deve se mexer.
14:02Então, não é para ficar parada.
14:04É o oposto, é o oposto, porque se a gente já explicou que o padrão de dor, quanto mais imóvel
14:10você fica,
14:10mais dificuldade você vai ter para começar o movimento, você vai ter uma rigidez.
14:14Então, você tem que ir contra, você tem que fortalecer a musculatura.
14:19É um ciclo vicioso.
14:20Eu tenho dor, então eu não me mexo, eu perco musculatura, eu fico com aquela articulação mais frouxa,
14:26eu tenho mais dor, eu me mexo menos ainda e aquilo se repete.
14:29E aí, enfim, né?
14:30Como remédio?
14:32Anti-inflamatório, que a gente sabe que não é seguro, principalmente nos mais idosos, por muitos, muitos períodos longos.
14:40Mas a gente tem uma gama aí de procedimentos que nos auxiliam, mas que de fato influencia,
14:47que se você realmente quer ter um impacto positivo no seu tratamento,
14:51seja aderente a uma boa alimentação, a uma atividade física.
14:54E aí, a gente olhou ali a mãozinha da nossa mãe, tem o dedinho em garra, tem o joanete,
15:01como que a gente previne para não ter?
15:03É com alimentação também, com exercício? O que eu faço?
15:06Você tocou em alguns aspectos, como eu disse, que são genéticos.
15:10Infelizmente, da genética, a gente ainda não tem como fugir.
15:13O que a gente tem, por exemplo, se eu já tenho uma deformidade em mãos,
15:17eu posso ir num terapeuta ocupacional, tentar uma órtese, que seriam ferramentas ali,
15:24que nos auxiliam a manter a mobilidade, manter a função daquela mão, né?
15:30E sempre de forma, a gente sempre combina com o paciente, realidades que a gente consiga alcançar.
15:39Eu nunca vou prometer um paciente, fica tranquilo que eu vou te dar um remedinho mágico aqui,
15:43e a sua mão vai voltar a ficar quietinha, lisinha e sem dor.
15:48Não. Se tem muita perda de função, há opções cirúrgicas, há opção de infiltração,
15:54mas realmente, na genética, a gente não mexe, porque a gente pode realmente fazer,
15:59ter hábitos saudáveis e torcer para dar tudo certo.
16:01E o tratamento da dor, doutora? Como é?
16:04Então, a medicina intervencionista em dor, especificamente nas osteoartrites,
16:08ali isso consegue ajudar muito, porque como a doutora Laísa disse,
16:11não existe um remédio igual a um amidalítico, que você toma um antibiótico e resolve.
16:15Aí, o que a gente faz? A educação do paciente é muito importante,
16:19e entra a medicina intervencionista em dor, tentando bloquear os sinais de dor,
16:24pelo menos momentaneamente, para que o paciente consiga se reabilitar.
16:27Isso é que é o legal.
16:28Então, o que a gente já tem disponível hoje em dia?
16:31Infiltrações com ácido hialurônico dentro das articulações, por exemplo,
16:34é muito utilizado em joelho, quadril, ombro.
16:37O ácido hialurônico, hoje em dia, a gente já sabe que ele tem uma função muito mais do que lubrificante.
16:44Ele também tem propriedades anti-inflamatórias, que reduz os sinais inflamatórios que estão ocorrendo ali dentro,
16:51além, claro, de lubrificar e modular aquele processo inflamatório que está ocorrendo ali.
16:57Então, é uma boa opção, é um procedimento seguro, rápido, pode ser feito em consultório,
17:01não precisa de internação, não precisa de anestesia, é uma agulha muito fina,
17:05que a gente vai guiado através da imagem do ultrassom, na articulação e injeta o medicamento.
17:11Isso daí já dá um grande alívio para o paciente conseguir sair daquela inércia.
17:16Conseguir fazer um exercício, levantar.
17:19Exato, eu não consigo fazer uma atividade física, então, calma aí.
17:22Vamos aliviar esse processo de dor e aí sim você vai reabilitar.
17:27Quando isso não é bem sucedido, não é suficiente, a gente tem um passo acima,
17:33que seria bloquear os nervos sensitivos daquela articulação.
17:37A gente bloqueia somente os nervos da dor, não bloqueia os nervos dos músculos, do movimento.
17:44Vai seletivamente nesses nervos sensitivos.
17:47Isso é muito legal também para acalmar o processo de dor, para que o paciente possa se reabilitar.
17:53E não tem como fugir, Alice, daquela máxima.
17:57Uma boa noite de sono, uma alimentação balanceada, evitar alimentos muito inflamatórios,
18:03como os carboidratos simples, as gorduras saturadas.
18:07Pão.
18:08Pão, famoso pão, né?
18:10Que é bom, mas não pode sempre, não pode muito.
18:13Mourinho, condimentos, cachorro quente.
18:14Eu acho que...
18:16Você me chamou a atenção para uma coisa.
18:17É muito interessante que eu vivenciei essa semana, inclusive.
18:20Como eu trabalho num hospital oncológico, a gente está sempre ali com a vida próxima, na Berlinda, né?
18:26E um paciente me chamou a atenção para uma coisa.
18:28Doutora, agora eu estou me preparando para uma cirurgia oncológica,
18:31eu não posso mais comer as coisas que eu gostava.
18:34Antes eu vivia de regime, eu podia, mas eu vivia de regime.
18:37E aí, quando a gente vai fazer uma revisão, igual a gente estuda para falar aqui para vocês, Alice,
18:41a gente sempre cai na mesma coisa.
18:43É o quê?
18:44É boa noite de sono, é alimentação saudável.
18:46Toda semana a gente fala sobre isso.
18:49É exercício físico.
18:50E é tão difícil, né?
18:52Não tem como fugir.
18:52Não é?
18:52Não é?
18:53E aí, esse paciente me chamou a atenção para uma coisa.
18:56Sabe o que eu acho?
18:57Isso a gente não encontra em livro, Alice.
18:59É o equilíbrio.
19:00A gente tem que ter um equilíbrio na vida.
19:02Você vai viver de regime?
19:04Não vai.
19:05Tem uma festa, tem uma data comemorativa, tem as suas férias no ano.
19:10Ali você vai se esbaldar um pouquinho.
19:12Mas depois o importante é voltar, volta no dia a dia, de segunda a sábado.
19:17Faz aquela coisa mais...
19:19Vamos fazer boas escolhas.
19:19Arroz, feijão, legume, uma caminhada.
19:22Exato.
19:23Escolher coisas menos inflamatórias, evitar o pão.
19:25Se for comer, come os integrais.
19:28E fazer sua atividade física.
19:30Dois dias da semana não vale, porque ficam cinco dias da semana contra dois de atividade física, né?
19:36Descansa cinco, faz dois.
19:37Então, assim, uma atividade física mais regular, uma boa noite de sono, o equilíbrio.
19:43Eu acho que é o grande segredo pra tudo, pra quase todas as doenças que a gente senta aqui pra
19:47conversar.
19:48Aqui a sua participação é muito importante.
19:51Vamos então pra dúvida de um ouvinte.
19:55Meu nome é Iago, eu tenho 20 anos e eu tenho casos de artrite e artrose na família.
20:00Devo me preocupar?
20:01A partir de quando eu devo fazer acompanhamento médico?
20:06Iago, eu também tô preocupada como você.
20:08Eu tenho gente ali que eu já vi que tem a mãozinha torta na minha família, que tem dor no
20:12quadril.
20:12E aí, doutoras?
20:14Eu tenho 41, mas ele que é um jovem, já deveria se preocupar?
20:18Ele falou que ele tem casos de artrite e artrose, né?
20:22As duas têm componente genético.
20:24Inclusive, a artrite, existe a artrite idiopática juvenil, que pode acometer crianças.
20:29Crianças também?
20:31Crianças.
20:32Com dor nas articulações.
20:34Inflamações, possibilidade de deformidade, distúrbios de crescimento.
20:38Tudo pela genética.
20:40Tudo pela genética.
20:41Na verdade, as doenças reumáticas, elas são uma associação da genética com algum fator ambiental que desencadeou e iniciou todo
20:49o processo inflamatório.
20:51Então, a gente sempre fala que tem esses dois pontos, né?
20:54Não basta só querer e nem ter o contato.
20:57Tem que ter a genética e algum fator ambiental pra predispor e iniciar a doença.
21:03Mas, Iago, no seu caso, realmente eu indicaria se você tiver dor articular, principalmente associada aos sinais de inflamação,
21:12que são os sinais fulogísticos que a gente conhece,
21:14que é a junta com volume aumentado, aquela junta quente, aquela junta vermelha, impactando na sua rotina, né?
21:24Atrapalhando o seu trabalho, os seus estudos, a sua vida diária, tá na hora de você procurar um especialista.
21:30Então, a dor é o primeiro sinal.
21:32E aqui a gente também tem um compromisso com a saúde pública, com o nosso SUS.
21:36A gente tá falando de duas diferentes especialidades, a reumatologia e a anestesiologia voltada pra dor mesmo.
21:44O paciente tem acesso no SUS a esse tipo de tratamento, ao diagnóstico, a um reumato?
21:50É, em relação ao tratamento, o SUS, ele prioriza realmente a disponibilidade daquelas medicações que têm uma comprovação.
21:59Então, como eu disse, né, a gente infelizmente não tem nenhuma medicação específica para a osteoartrite.
22:05Para a artrite reumatoide, para os outros tipos de artrite, artrite psoriástica, sim.
22:11E o SUS hoje, ele é, assim, a termos de mundo, o Brasil, ele é referência.
22:17Ele oferece as principais e melhores medicações para o tratamento das artrites.
22:22De maneira gratuita pra esse tipo.
22:24Nem sempre é o mundo ideal, às vezes há uma dificuldade, né?
22:28Mas, comparado com outros países, o Brasil, sim, é uma referência.
22:33Agora, infelizmente, para a osteoartrite, não temos, não porque não há disponibilidade pelo SUS,
22:39mas porque, de fato, não há nenhuma medicação com comprovação.
22:44Algumas prefeituras, elas têm a opção de alguns fitoterápicos, né?
22:48Que são medicamentos que a gente pode tentar e, se o paciente responder bem, é uma opção.
22:54E pra dor, doutora?
22:55Pra dor, Alice, no SUS, não há, hoje, aqui no Espírito Santo, o especialista em dor de porta aberta, que
23:01a gente chama.
23:02Pra que o médico da unidade de saúde encaminhe para o especialista em dor, como ele pode encaminhar pro reumatologista.
23:08Infelizmente, não.
23:09Hoje, a assistência que eu presto aos meus pacientes são dentro do hospital oncológico,
23:13restrito àqueles pacientes com dor oncológica.
23:16E aí, claro, quando eles desenvolvem outros tipos de dor, no caso, uma osteoartrite,
23:21eu vou tratar prontamente, não vou me restringir a tratar somente a dor oncológica.
23:25Mas quem tem acesso a esse tratamento hoje são os pacientes que estão em tratamento oncológico, infelizmente.
23:32O sonho é que um dia, essa especialidade, que é uma especialidade relativamente nova na medicina,
23:38ela possa estar mais abrangente, mais acessível pra população, né?
23:42Gente, fica a dica, então, dessas duas grandes especialistas.
23:47Mande suas dúvidas.
23:49Pode me procurar lá no Instagram, arroba a doutora Alice Sarcinelli.
23:53Estamos chegando ao fim desse Check-Up Saúde de hoje.
23:56Eu quero agradecer a vocês.
23:57Obrigada, doutora Laysa.
23:59Obrigada, doutora Guacira.
24:00Até o próximo Check-Up Saúde.
24:04Tchau, tchau.
24:04Tchau, tchau.
24:05Tchau, tchau.
24:05Tchau, tchau.
24:06Tchau, tchau.
24:06Tchau, tchau.
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24:08Tchau, tchau.
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24:08Tchau, tchau, tchau.
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