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  • há 6 dias
Uma mãe entrou em desespero ao ver o filho de 15 anos assassinado na rua

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Transcrição
00:00Nenhuma mãe nesse mundo deveria passar por isso, né?
00:04Ver o filho tão novo ali, morto.
00:08A dor que essa mulher tá sentindo, só outra mãe que passou por isso entende.
00:13E esse vai ser o assunto de agora, aqui no nosso programa.
00:16Participa com a gente, vem cá.
00:17Aqui no nosso estúdio eu recebo o psicólogo, Alexandre Brito.
00:21Mais uma vez, obrigada, Alexandre, pela sua participação.
00:23O Edilson Almeida, que ele é psicopedagogo, já atuou durante muito tempo
00:29no Conselho Tutelar.
00:31Obrigada também pela sua participação.
00:33Edilson, quantas cenas você já viu acontecer naquele estilo ali, né?
00:40Naquele sentimento da mãe, naquele desespero de uma mãe chorando pela morte do filho.
00:46Logo alguém que a gente pensa que desde quando a gente coloca um filho no mundo,
00:50a gente já pensa logo no futuro, já quer fazer todo o planejamento.
00:54Mas, infelizmente, não é isso que acontece, né?
00:57Boa tarde.
01:01Uma tristeza muito grande a gente ver uma situação dessa, porque isso é uma situação
01:07que acontece nos lares de centenas de milhares de famílias e todos os dias, né?
01:13Às vezes eu fico me perguntando, Roberta, por que as crianças e os adolescentes
01:18chegam numa situação dessa?
01:20É claro que a gente não sabe, né?
01:22Se teve algum envolvimento com tráfico de droga ou qualquer situação assim.
01:25Mas, se eu recentemente, lendo o artigo, eu vi o quantitativo lógico de crianças e
01:33adolescentes, um número absurdo que são envolvidas com tráfico de drogas.
01:39Eu percebi que a vulnerabilidade social dessas famílias e a pobreza extrema está ligado a
01:47essa aceitação dessas crianças e adolescentes que aceitam esse convite para se envolver com algumas situações
01:56dessas que a gente sabe que destrói a família.
02:00Realmente é lamentável ver uma mãe numa situação dessa chorando, né?
02:05Eu fico imaginando, porque eu já atendi muitos casos, né?
02:09De mães que passaram pela mesma coisa, que muitas das vezes já orientaram os filhos em relação
02:16a amizades, a situação que colocavam eles em risco, mas mesmo assim o envolvimento foi inevitável.
02:24E mães que fizeram de tudo, que já buscaram o conselho tutelar, que já foram até mesmo
02:30na delegacia tentar entregar o próprio filho.
02:33A gente não está falando necessariamente desse caso, porque a polícia ainda está investigando,
02:37é claro, mas quantos outros relatos a gente já mostrou aqui no Fala Espírito Santo,
02:41no jornalismo da TV Vitória e a gente sabe que só tem dois caminhos, né, Alexandre?
02:46Infelizmente.
02:47A gente vai percebendo como ele trouxe, né, a questão da vulnerabilidade, o quanto
02:51que isso faz com que esses jovens acabam se expondo, ficando expostos ao risco e também
02:57podem expor muitas outras pessoas a esse mesmo risco, né, infelizmente.
03:03E quando você vê esse desespero dessa mãe, o desespero de qualquer mãe, essa dor da perda,
03:09porque é como se ela, como não, ela perdeu uma parte dela, agora ela vai ter que tentar
03:14simbolizar esse pedaço dela que se foi também, né, aliás, é muito comum a gente escutar
03:20dos relatos de mãe o seguinte, elas ouvem muitas vezes diante dessas situações que
03:26elas são fortes ou guerreiras, na verdade elas não são nem fortes nem guerreiras,
03:31elas não tiveram outra opção.
03:33Essa que é a grande questão.
03:35Por quê?
03:35Porque muitas vezes elas acabam trilhando, Roberta, esse caminho de modo solitário.
03:40Às vezes não tem aquele homem, aquele pai presente, não tem, muitas vezes, uma assistência
03:45que precisaria governar mental.
03:47Às vezes não tem mesmo, às vezes, o apoio da própria comunidade, sofrendo até mesmo
03:52alguns estigmas e preconceitos em relação à situação familiar.
03:56Outros familiares podem se afastar.
03:58E veja bem, ainda coloca toda essa responsabilidade, muitas vezes, em cima dessa mãe, que é justamente
04:04que a que mais sofre, tanto com a vida nessa situação ou com essa mãe que a gente não
04:11sabe muito bem o que se passou, mas a gente sabe muito bem, que o sofrimento dela se dá
04:16nessa ordem, um pedaço dela que se foi.
04:19Quando você fala assim, Alexandre, um pedaço que se foi, eu liguei para várias mães que
04:26já passaram, que vivem, né, porque não é passado.
04:29Isso na vida de uma mãe, isso é constante.
04:33Aconteceu há dois anos, por exemplo, né, eu liguei para uma mãe e ela me relatou, ela
04:37falou assim, mas Roberto, eu vivo isso todos os dias.
04:41Então, eu concluí que morre um filho, morre uma mãe, porque essa mãe, ela tenta a cada
04:48dia renascer e aí se depara com essa realidade.
04:53Qual é o peso, qual é o peso do pedido dessa mãe para esse filho, para esse adolescente
05:00que está inserido no mundo das drogas?
05:02Qual é o peso?
05:02De que forma que esse adolescente enxerga a mãe clamando, meu filho, larga essa vida?
05:08Isso tem peso para esse jovem?
05:10Eu acho muito interessante, Roberto, essa fala sua, porque a gente percebe que muitas
05:15vezes o grito da mãe, o desespero por conhecer a situação e a consequência da escolha do filho,
05:22faz com que ela grite, chore, clame, que é a realidade que a gente vê diuturnamente.
05:29Mas é interessante também a gente pensar o que levou esse adolescente ou uma criança
05:36a se envolver com isso.
05:38É claro que a gente não está falando especificamente desse caso, até porque a gente não tem muita
05:43informação.
05:43Mas a realidade de muitas crianças e adolescentes que se envolvem com isso, o que tem trazido,
05:49o que tem chamado a atenção delas?
05:51O que essa família presenciou ou o que faltou para que esse adolescente, essa criança pudesse
06:00enxergar na criminalidade uma oportunidade de mudança de vida?
06:05Em outro momento, eu tive a oportunidade de falar aqui mesmo, de um adolescente que eu
06:09ouvi dizer assim, na minha frente, você está falando que o que eu fiz é errado?
06:14A primeira vez que eu comprei um pão para dentro da minha casa foi quando eu trafiquei,
06:17quando eu vendi, o que eu vou falar para um menino desse?
06:20Tem muita coisa a poder falar.
06:23A gente tem que falar que as escolhas que nós fazemos, elas geram consequências irreversíveis.
06:30Eu preciso olhar também para essa família e dar condições a essa família de se manter
06:36de alguma forma, através de políticas públicas, através de assistências voltadas à saúde,
06:43assistência, a própria assistência, à educação, à segurança.
06:47Então, assim, é muito importante, quando a gente ouve um caso desse,
06:51a gente está direcionando também os nossos olhares às lideranças políticas,
06:56porque nós estamos perdendo as nossas crianças, os nossos adolescentes,
07:00porque eles não têm outra oportunidade.
07:03E uma vez que você não oferece uma oportunidade, o crime está aí para poder chamar a atenção
07:08dessas crianças, desses adolescentes, e dar o que muitas vezes as políticas públicas
07:15não têm sido o suficiente para garantir.
07:17E não era nem para essa criança estar preocupada com a comida que está em casa,
07:22era para ela estar na escola.
07:23Não era para essa criança estar preocupada, mas só que a fome fala mais alto.
07:26Só que aí também tem um outro problema, que eu já conversando com várias pessoas em relação a isso,
07:31depois vai vindo um glamour também pela vida do crime,
07:35porque começa para solucionar um problema em casa, que é o problema da comida,
07:40e daqui a pouco também eles vão crescendo, vai havendo essa vida falsa, essa ilusão.
07:47Tanto é que quando são apreendidos futuramente,
07:52não está nessa época, já não está tanto mais relacionado a matar fome,
07:55já está com ostentação.
07:57Você percebe essa palavra ilusão, ela é excelente, assim, para demonstrar o quanto que isso...
08:03É o famoso o que vem rápido, sai rápido, o que você ganha de modo muito imediato,
08:09você perde na mesma velocidade.
08:12Então, a gente vai vendo o quanto que esses pontos são importantes da gente falar.
08:17E não sei se quem está em casa sabe, tem noção disso,
08:21mas crianças e adolescentes, eles têm prioridade na questão dos direitos,
08:27prioridade em relação a qualquer outra pessoa, categoria, mulheres, idosos, etc.
08:33Então, a nossa atenção enquanto proteção para crianças e adolescentes
08:38é fundamental para que não acabe tendo situações como essa, que teve um fim trágico.
08:45mesmo que ele não estivesse envolvido com um tráfico ou com um crime,
08:50a gente percebe que ali foi cometido um crime, ali tinha as armas, enfim, toda essa dimensão.
08:58Por quê?
08:59É importante a gente perceber que se uma criança está com drogas,
09:03se uma criança está com uma arma, porque um adulto colocou na mão dela.
09:06Então, se uma criança tem um jovem, ele porta uma arma, ele porta uma droga,
09:10ele porta uma bebida alcoólica, ele porta, seja o que for, pode ter certeza,
09:15que aquilo que aquela criança, aquele jovem está carregando, transportando ou fazendo uso,
09:21de alguma forma ele teve algum acesso.
09:23E quem ofereceu esse acesso está violando um direito,
09:27violando a proteção às crianças e adolescentes.
09:30Então, acaba tendo essa série de violações que muitas vezes, Roberta,
09:34parecem bobas, sabe, coisas muito simples,
09:38que a criança vai sendo envolvida aos poucos,
09:41ganha algum doce, ganha alguma coisa,
09:44algum pedido que alguém do crime faz para ela,
09:47como a gente já deu esse exemplo aqui, né?
09:49Olha, vigia, se tiver alguém chegando, você chama a gente,
09:53corre, grita, solta fogos, enfim.
09:55Então, esse envolvimento aos poucos vai fazendo com que essa criança
10:00vá entrando em vulnerabilidade e ela nem sabe,
10:04porque naquele momento em que ela começa a entrar em situação de vulnerabilidade,
10:08ela já está nessa situação, ela não se percebe assim,
10:12porque não necessariamente tem dor, tem sofrimento, tem ameaça,
10:16mas quando vê, já tem um envolvimento tão grande que é difícil sair.
10:21Então, de alguma forma, os jovens acabam se envolvendo,
10:24pois não estão tendo essa questão da proteção.
10:27Olha só, vou convidar para o nosso bate-papo agora,
10:29ela vai participar com a gente pela internet, a Tânia.
10:31Ela perdeu o filho assassinado há oito anos.
10:35O crime, gente, foi tão cruel para essa mãe que isso aconteceu no dia das mães.
10:40Ela tentou de tudo, fez de tudo para salvar o filho,
10:45para que ele não pudesse se envolver no mundo do crime.
10:47Boa tarde, Tânia, obrigada pela sua participação mais uma vez com a gente.
10:51Nosso abraço até você, que você receba o nosso abraço.
10:54Conta para a gente, o que você chegou a fazer
10:56para tentar tirar seu filho do mundo das drogas?
11:00Boa tarde, Roberto, obrigado pela sua oportunidade outra vez.
11:05Então, como mãe, eu fiz todas as situações cabíveis como a mãe faz por um filho,
11:12porque mãe nenhuma gera um filho, como eu já falei,
11:15nem coloca um filho no mundo para que ele venha entrar no mundo do tráfico,
11:19procurar caminhos errados, até mesmo enterrar um filho.
11:23Eu, como mãe, eu dei de tudo para o meu filho, fiz tudo, carinho, amor,
11:29mas as escolhas sempre são deles.
11:34Quando aconteceu dele entrar, ele entrou nessa vida errada com 15 anos de idade,
11:39eu fui várias vezes nas bocas buscá-lo,
11:44até mesmo falar, não vou sair daqui enquanto ele não aparecer.
11:48E ele fugia, muitas vezes ele voltava para casa, outras vezes ele não voltava.
11:54Então, como mãe, eu fiz tudo e nunca abandonei o meu filho.
11:58Porque, no fundo, no fundo, no coração da gente,
12:02a gente sabe que essa vida tem dois caminhos, né?
12:05Que é caixão ou cadeia.
12:08E por mais que isso venha a acontecer,
12:12nós mães nunca vamos esperar e nem vamos acreditar que isso possa acontecer.
12:17Só acontece, né?
12:19Depois que acontece, que a ficha vai cair, como a minha até hoje.
12:22Ontem mesmo eu estava comentando sobre isso.
12:25Oito anos se passou e a saudade ainda aumenta.
12:31Parece que é mentira, parece que ele só foi ali e já está voltando.
12:36Então, oito anos, para mim, como se fosse ontem.
12:40Isso que eu ia te perguntar, Tânia.
12:41Qual é o seu sentimento quando você vê novos casos acontecendo, né?
12:47De meninos, de crianças, de adolescentes, tendo a vida ali interrompida dessa forma.
12:53Qual é o seu sentimento como mãe?
12:55Como é que tem sido a sua vida de oito anos para cá?
13:00Então, Roberta, até me emociona esse lado.
13:03Mais uma mãe, né?
13:05Que está deslacerada, que está destruída.
13:10Eu sempre faço, quando eu vejo, eu peço a Deus, Senhor, vai me encontrar essa mãe e conforta o coração
13:17dela e da família.
13:18Porque quem fica morto, como a fala que você falou, quando morre um filho, a gente morre também.
13:25É enterrado a mãe junto.
13:26A gente luta todos os dias, é matando um gigante para sobreviver.
13:30É com a falta, com a ausência, com a saudade.
13:34Então, você pode ter dez filhos, mas você não quer perder nenhum.
13:38E faz muita falta.
13:41Porque eu dei tudo que eu podia dar para o meu filho.
13:44Amor, carinho, correção.
13:48Mas, infelizmente, tem dois lados da moeda.
13:52No meu caso, eu sempre trabalhei para não deixar faltar nada.
13:56Talvez eu fiz com excesso.
13:58Dei excesso demais em tudo, de não deixar.
14:01Tem outras famílias que, por não ter, como o amigo aí falou, acabam procurando essa vida.
14:09Mas, também, tem outro lado, que eu conheço até várias pessoas que foram criados até mesmo no lar.
14:18Em tudo, com famílias, servidores públicos, militares.
14:22E o próprio filho único acabou escolhendo essa vida e acabou morrendo.
14:28E essa mãe também, por não ter aguentado a perda do filho, ficou doente e acabou morrendo também.
14:36Então, eu tenho vários relatos de muitas amigas conhecidas que passaram e passam pela mesma coisa que eu.
14:43Mas, essa mãe não vai parar por aí.
14:47Infelizmente, como o amigo falou, nós precisamos, né, outras mães de ajuda pública, política.
14:55E hoje, você não tem isso, você não vê isso.
14:58É como se ela estivesse enxugando gelo.
15:01Ela está sozinha, desesperada, né?
15:08Procurando uma fonte de força, de ajuda de alguém e você ver o seu filho ali e não poder fazer
15:14nada.
15:14Tem várias mães aqui desabafando no nosso Facebook.
15:18Continua com a gente, que já já vou voltar a falar com você.
15:22Olha só, tem um depoimento aqui da Sheila.
15:24Sheila, obrigada pela sua participação.
15:27Conversei um pouquinho com você no telefone.
15:28Ela falou que você está acompanhando com o coração na mão, revivendo todos os momentos difíceis que passou com o
15:34filho.
15:34E hoje só resta a saudade e o questionamento.
15:38Onde errei?
15:40Quantas e quantas mães, né?
15:42Quantas mães absorvem essa pergunta?
15:45Onde foi que eu errei?
15:47São mães que, desde o início, às vezes o pai não aguenta até o final, às vezes a família não
15:53consegue.
15:54Tem irmãos que tentam ajudar até determinado ponto, mas a mãe está ali.
15:58Até o final.
16:00E aí a gente vê muitas mães se questionando isso, dessa forma.
16:05Você ouvia muito essa pergunta, Ed Wilson?
16:08É muito comum, né, Roberta?
16:10Eu fico até pensando na visão que as pessoas têm quando a gente se posiciona aqui para poder falar
16:17sobre a aceitação de crianças e adolescentes nesse mundo do tráfico, do envolvimento com drogas,
16:25porque eles gostam dessa questão de ostentação, riqueza, trazer recursos e etc.
16:32É muito importante a gente olhar por esse ângulo da aceitação, mas a gente também não julga você,
16:40mãe, pai, que muitas das vezes já deu tudo o que você tinha, toda a condição que você teve,
16:48toda a educação para poder direcionar o seu filho, né?
16:52A Tânia falando ali, dizendo que ela fez de tudo, direcionou, encaminhou, mas foi inevitável, né,
17:00que o filho dela pudesse se direcionar por outros caminhos.
17:05Eu gosto muito de pensar, Roberta, na importância que tem a família, é muito importante.
17:11A família, ela tem um papel muito grande na questão estrutural do relacionamento afetivo
17:19e no desenvolvimento natural de toda criança e todo adolescente.
17:23É sempre bom quando o seu filho, a sua filha, olhar para o seu relacionamento,
17:30ele sentir confiança, ele sentir a segurança em todo o processo de desenvolvimento dele.
17:38Por mais que você não tenha tudo dentro da casa como uma alimentação de primeira classe, digamos assim,
17:46ele tem que entender que tem o suficiente e que você está buscando o suficiente para dar para ele.
17:52Porque se em um momento eu deixar o meu filho entender que o que ele tem não é o melhor
17:59que eu poderia dar,
18:00talvez ele encontre outra oportunidade lá fora.
18:02E aí eu vou transmitir isso para o meu filho e eu vou criar nele sempre um vazio,
18:09como, nossa, o meu pai tem tentado, não tem conseguido, e aí eu vou resolver o problema dele.
18:16Eu sei, Roberto, porque no momento da minha vida, minha mãe sempre foi muito trabalhadora, né,
18:22mas separou do meu pai, teve algumas situações, alguns problemas de família,
18:26e eu me lembro de um momento em que eu fui para a feira para poder trabalhar,
18:30para poder ajudar a minha mãe em casa.
18:31E assim que ela ficou sabendo, ela chegou para mim e falou,
18:34filho, olha, a mamãe está fazendo de tudo para que você apenas estude
18:40e deixe essa parte, essa responsabilidade comigo dentro desse processo.
18:44E aí, quando ela me mostrou isso, eu senti um pouco mais de confiança,
18:49porque ela estava dando o que ela podia para mim, e ali eu consegui me satisfazer com isso.
18:55Então, imagina só a situação de uma criança, um adolescente,
18:59que ela percebe que a mãe, o pai não está dando o suficiente, ou melhor, não está conseguindo.
19:05Talvez ela escolha um outro caminho, talvez ela chegue em um ambiente,
19:09encontre algum amigo com alguma facilidade, e talvez esse seja o momento em que a mãe e o pai
19:16acabem perdendo isso.
19:18Talvez a psicologia pode falar um pouco melhor para a gente sobre isso, né?
19:22E eu queria que você também falasse, Alexandre, para essas mães que se perguntam a todo instante,
19:28aonde foi que eu errei?
19:31Olha, sabe por que muitas vezes as mães acham que elas estão errando?
19:36Porque elas, é claro que, em primeiro lugar, a mãe sempre coloca a vida do filho
19:41sob sua total responsabilidade.
19:43É claro que isso tem que acontecer, mas isso tem limite também.
19:48O que uma mãe, Roberta, dá para o seu filho?
19:50Ela dá até o que não tem.
19:52Então, o psicanalista, Lacan, ele diz que amor é dar o que não tem.
19:56Você dá o que tem e o que não tem.
19:58Então, você dá a sua falta, você oferece para o outro a necessidade de estar junto, enfim.
20:05Então, acaba que com essa responsabilidade, querendo oferecer o mundo,
20:10oferecendo aquilo que você pode e que você não pode dar muitas vezes,
20:14você sente essa culpa.
20:15Essa culpa é uma culpa, mais ou menos, infelizmente, montada socialmente.
20:20Não é uma culpa real.
20:21É uma culpa que...
20:23Eu acredito que é uma culpa até covarde em relação às mães,
20:26com essa sobrecarga em cima delas em relação a ser responsável por tudo o que acontece
20:32em casa, com os filhos, com o próprio sucesso pessoal em ser mulher,
20:38cuidar do lar, trabalhar, cuidar do almoço, da janta, etc.
20:42Então, vai tendo essa sobrecarga muito grande e ainda se sente, além de tudo,
20:48e ainda se sente culpado.
20:50Será, então, que com essa reflexão, pessoal, olha só,
20:53a mulher, a mãe, também não está sendo, de alguma forma, violada,
20:58no sentido de não estar tendo o mínimo para conseguir garantir para ela e para os próprios filhos,
21:04essa dificuldade de conseguir um emprego, essa dificuldade de conseguir se manter no emprego.
21:08Veja bem, essa mãe, quando, por exemplo, engravida,
21:11ela tem dificuldade de manter alguns empregos que também têm esse preconceito com isso.
21:16Enfim, o machismo está aí e é uma dificuldade.
21:18Então, você se sentir culpada é uma inversão completa dos valores.
21:24Na verdade, você tem a sua responsabilidade.
21:26Provavelmente, você fez tudo o que você poderia.
21:29E, como eu falei sobre o amor, fez o que você poderia.
21:31E o que não poderia, eu não conseguiria fazer.
21:35Então, de fato, é mais fácil você se sentir responsabilizada,
21:40parte do processo, mas culpada, aí já é uma outra história.
21:43E olha só, gente, nós buscamos no site da Secretaria de Segurança Pública
21:47o número de crianças e adolescentes com mais de 10 anos
21:50que foram mortos esse ano aqui no nosso estado.
21:53E o número, o número, gente, é muito triste.
21:5784 mortes violentas nessa faixa etária.
22:01E nós mostramos vários desses casos.
22:03Um deles foi do adolescente de 15 anos, o João Vitor Rodrigues,
22:07assassinado com vários tiros em Serra Sede.
22:10Ele estava com a namorada, que também foi atingida,
22:13mas a namorada sobreviveu.
22:14E aí, segundo a polícia, tinha envolvimento com o tráfico de drogas
22:17e esse teria sido o motivo do crime, gente.
22:21Agora, eu também queria perguntar, Ed Wilson,
22:23porque muitas mães conseguem tirar o filho dessa vida,
22:29com muito esforço, que a gente sabe que não é fácil.
22:32Às vezes, o próprio adolescente também quer sair.
22:34Mas o Alexandre trocou num ponto importante.
22:37Às vezes, já é tarde.
22:39Às vezes, ele está totalmente envolvido.
22:41Existe algum programa que protege esse adolescente?
22:44Eu estou me recordando agora do PPK,
22:48do Programa de Proteção à Criança e Adolescente Ameaçado de Morte.
22:54Esse programa é ativo aqui dentro do nosso estado.
22:58Eu não vou entrar muito em detalhes,
23:01mas eu vou orientar a qualquer mãe, pai ou responsável
23:05que tem o seu filho ou a sua filha,
23:08que já se envolveu, mas que saiu, decidiu sair dessa vida,
23:14procure o Conselho Tutelar, procure a DPCA,
23:18Delegacia da Criança e do Adolescente,
23:20e lá você vai ser encaminhado a esse órgão competente,
23:24a essa equipe, que vai lhe dar todo o suporte suficiente,
23:28tanto para a criança, para o adolescente,
23:31quanto para a família também.
23:33Olha só o comentário da Alda Santos.
23:35Ela fala, Roberta, boa tarde.
23:38Para o meu não morrer, ela está falando aqui do filho dela,
23:42entreguei meu filho para a polícia.
23:45Falei com Deus e aí Deus ouviu o meu clamor.
23:49Hoje tem oito meses de internação,
23:51mas eu posso ver o meu filho todo domingo.
23:55Isso é desespero de uma mãe, gente.
23:58Deixa eu voltar a falar com a Tânia,
23:59que participa com a gente por ligação de vídeo.
24:02Tânia, em algum momento o seu filho tentou sair dessa vida?
24:06Ele teve aquela iniciativa, força de vontade?
24:11Então, Roberta, ele sim, ele tentou.
24:15Logo nos finais, logo quando ele saiu até mesmo da cadeia,
24:21ele fez vários currículos, né?
24:22Ele estava até trabalhando no Boaz.
24:26Foi um momento muito feliz da minha vida,
24:28poder ver ele chegar todo dia branquinho,
24:30com aquele uniforme, aderir no sujo de trigo.
24:32E mesmo logo depois, ele acabou, por amizade,
24:38largando o trabalho e voltando para aquela vida que levou ele à morte.
24:44Então, eu também me culpei muito, né?
24:47Eu procurei saber quando aconteceu.
24:49Meu Deus, onde foi que eu errei como mãe?
24:52Porque eu fiz tudo, né?
24:55Todo papel de mãe que eu poderia ter feito,
24:57eu fiz.
24:58E onde que eu errei?
24:59Então, eu me cobrei muito isso.
25:01Eu não perdi só ele.
25:03Quando aconteceu esse fato, há oito anos atrás,
25:05a moça sobreviveu aí,
25:08eu perdi tanto ele como meia-nora.
25:10Morreu foi os dois.
25:12Ele tomou 20 tiros e ela tomou 10.
25:14Ela estava com ele na hora errada,
25:16no momento errado,
25:17e acabou ela também,
25:18eu perdendo até ela.
25:19E sobre mãe que consegue tirar o filho,
25:23eu, como eu sempre falo,
25:25eu não tapo o sol com a peneira.
25:27O outro, meu filho, adolescente,
25:29hoje ele se encontra com 20 anos,
25:31ele, depois do irmão, né?
25:33Ele saiu, ele se...
25:35Foi uma prática de revolta também,
25:37mas também,
25:37acho que ele quis experimentar dessa vida,
25:40e ele entrou nessa vida.
25:42Eu sofri muito,
25:44porque eu pensei,
25:44poxa, vai acontecer tudo de novo, né?
25:47Mais um filho, vou enterrar mais um filho,
25:49meu Deus, eu não vou suportar,
25:51eu não vou aguentar.
25:53Então, trabalhei muito a mente dele,
25:55sempre aconselhando,
25:56falei, ó, seu irmão,
25:57onde ele foi, onde ele está?
25:59Você vê o meu sofrimento?
26:00Por favor, você...
26:01Foi um filho que falou
26:02que nunca ia me dar desgosto,
26:04nunca ia me fazer sofrer.
26:06Então, assim,
26:07para a honra e glória de Deus,
26:08hoje, meu filho está com 20 anos.
26:09Aos 18, ele saiu dessa vida.
26:12Ele já trabalhou em duas empresas,
26:14está para voltar a trabalhar agora de novo.
26:16Ele saiu dessa vida.
26:18Então, assim,
26:19foi com muito, primeiramente, Deus,
26:21muito conselho,
26:22porque eu ia aguentar, né?
26:23Eu já estava sofrendo
26:24de ter outro filho
26:25naquela mesma situação do irmão, né?
26:28E esperando que acontecesse
26:30até uma notícia ruim,
26:31como aconteceu do outro.
26:33Mas, graças a Deus,
26:34eu consegui trabalhar isso nele.
26:36E hoje,
26:37é um filho que também me dá muita alegria, né?
26:41Hoje tem a família dele,
26:43não mexe mais com nada errado.
26:45E não foi preciso,
26:47graças a Deus,
26:48passar por nada,
26:49ajuda,
26:50porque nesse momento,
26:50você não tem.
26:51A ajuda que eu tive
26:53e tenho é sempre a de Deus, né?
26:55Ele que me fortalece,
26:56ele que tem me dado sabedoria
26:57para lidar com isso.
26:58Mas eu tive outro filho também
27:00que entrou nessa situação
27:02e, graças a Deus,
27:03ele não se encontra mais.
27:05Amém!
27:06Tem muitas mães, né, Roberta?
27:08Como essa daí, agora,
27:10vai acontecer.
27:10É triste falar,
27:12mas todos os dias
27:13a gente vê muito isso
27:14e muitas vezes as pessoas
27:16só sabem culpar a família, né?
27:18Mas quer culpar a família pobre
27:20da periferia,
27:21da favela,
27:22mas não é só ali
27:24que tem esses casos.
27:25Existem outros casos também,
27:27né,
27:28de famílias de classe média alta
27:30que também, né,
27:32passa por isso,
27:33sofre por isso,
27:34mas é sempre o que...
27:36É uma coisa assim
27:37que é tapada, né?
27:40E só fala do preto,
27:41do negro,
27:42da favela,
27:44mas não é só ir
27:45nesse lugar
27:46que tem essas pessoas.
27:47Então, as mães hoje...
27:49Eu fui mãe e pai
27:50dos meus filhos.
27:52Eu lutei sozinha,
27:53eu trabalhava
27:54e tinha que ter aquela confiança
27:56de deixar ele sozinho em casa,
27:58né,
27:58mas sem saber que
28:00na minha ausência
28:01ele estava sendo...
28:04Como é que eu vou falar?
28:07Tendo...
28:08Talvez preenchendo alguma coisa
28:09que eu até mesmo
28:10como mãe
28:11não consegui preencher,
28:12porque muitas vezes
28:14eles vão por falta, né,
28:17de...
28:17O vazio
28:18e até mesmo por ostentação,
28:20para ostentar ali uma arma,
28:22para estar junto
28:23com as amizades,
28:24para dizer que...
28:26Que ele também pode,
28:27que ele também é assim,
28:28mas não sabendo que
28:29o final é muito triste.
28:31Igual eu sempre falo,
28:32meu filho se foi
28:34oito anos,
28:35mas eu fiquei.
28:36Fiquei com a dor
28:37enquanto as mães estão aí.
28:39Muitas não conseguem superar,
28:41morrem junto.
28:43Eu luto todos os dias,
28:44é um gigante que eu mato,
28:45como eu sempre falo,
28:46todos os dias,
28:47da saudade, da falta.
28:49Então, não vai preencher
28:50e é só Deus mesmo
28:52que a gente tem que se apegar,
28:53porque tem um papel também
28:54muito importante,
28:56que eu sempre falo,
28:58tanto dos governantes,
28:59mas também a escola.
29:01A escola tem um papel
29:02muito importante
29:02na vida dos nossos filhos.
29:04Até mesmo nos comportamentos,
29:06eles podem também
29:07estar nos ajudando
29:08também nessa área.
29:11Não é só cobrar,
29:13porque eu sempre falo,
29:14a mãe e os pais
29:15é para educar
29:16e a escola para ensinar,
29:19Tony,
29:19para ensinar também.
29:21Então, assim,
29:22é um conjunto
29:23de muitas coisas.
29:23Tem uma frase, Tânia,
29:25que diz que é preciso
29:26uma vila inteira
29:27para educar,
29:29para criar os nossos filhos.
29:30Não é só a mãe,
29:32não é só o pai e a mãe.
29:33Não.
29:33É uma vila inteira.
29:35Tânia, eu agradeço imensamente
29:37a sua participação,
29:38o seu relato,
29:38foi muito forte,
29:40que você continue
29:41a cada dia
29:43superando essa dor
29:44que a gente não consegue.
29:45Como eu disse
29:46no início do programa,
29:47só quem passou por isso,
29:50que consegue mensurar
29:52a dor que você sente.
29:54Porque só de imaginar
29:55um pinguinho
29:56já dói
29:57e já dilacera o meu coração.
29:59Obrigada pela sua participação
30:01aqui com a gente, viu?
30:02Eu vou deixar mais uma...
30:02Eu vou deixar um recadinho aqui
30:04só para as mães,
30:06para que elas nunca desistem
30:07dos seus filhos, né?
30:09Que tenham fé,
30:11confiem em Deus.
30:12Mães de joelhos,
30:13filhos de pé,
30:14porque eu creio que
30:16uma mãe quando clama ao Senhor,
30:18venha a resposta sim,
30:20que seja qual for,
30:21mas tudo é na direção de Deus.
30:23Mas não desista dos seus filhos.
30:25Por favor,
30:26nunca desista.
30:27Eles precisam sim
30:28de nós.
30:30Eles só tem nós.
30:31Fique com Deus, Roberta.
30:32Um beijo,
30:33o nosso abraço
30:34de toda a equipe
30:35aqui do Fale Espírito Santo
30:36para você, viu, Tânia?
30:37Obrigada pela sua participação.
30:40Obrigada também, Alexandre,
30:41obrigada pelas suas palavras,
30:43levando essa força
30:44para muitas mães
30:45que estão agora
30:46acompanhando o programa
30:47e você também é de Wilson.
30:49Se a gente pudesse,
30:50se a gente mudar a vida
30:52de uma mãe,
30:53de uma família,
30:54de um adolescente,
30:55para a gente já é muito.
30:57Obrigada pela participação
30:58de vocês, tá?
30:59Obrigada.

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