00:00De janeiro a junho desse ano, segundo os dados da Secretaria de Segurança Pública,
00:0511 crianças e adolescentes com idades entre 4 e 14 anos foram assassinados aqui no Estado.
00:13E o que mais chama atenção, gente, é que a maioria desses casos não aconteceu na Grande Vitória.
00:19O caso do menino Vitor, de 14 anos, morto em São Gabriel da Palha,
00:25que inclusive a gente até mostrou ontem aqui pra vocês no Fale Espírito Santo,
00:29ainda nem entrou nessa triste estatística.
00:32A polícia acredita que Vitor foi morto por traficantes e por engano,
00:38e isso aconteceu no começo dessa semana.
00:40E detalhe, com tiros de escopeta, a família está despedaçada e com razão, né?
00:47Então, ao converso agora com a mãe dele pela internet, a gente vai entrar ao vivo com a Dona Rosa.
00:54Deixa eu aguardar aqui, ela está com a gente.
00:55Dona Rosa, primeiramente, muito obrigada por participar com a gente aqui no Fale Espírito Santo.
01:03Eu também sou mãe e imagino, consigo sentir um pedacinho da dor que a senhora está sentindo.
01:10Primeiramente, meu forte abraço.
01:12A gente se solidarize muito com a senhora, viu?
01:17Obrigado, meu bem.
01:18Obrigado pelo carinho aí.
01:21Mas está sendo difícil.
01:24Como é que está sendo enfrentado, Dona Rosa, esses dias, sem a presença do seu filho, Vitor?
01:34A palavra que eu tenho que te dizer é que foi um pedaço de mim, né?
01:38Foi um pedaço que arrancaram de mim, tiraram o meu bebezinho, que não fazia mal a ninguém,
01:47era um menino dócil, era um menino que todo mundo amava.
01:52Então, não tem nem explicação a dor que eu estou sentindo.
01:57Não tem, ela não tem explicação.
02:00Como que foi a criação do Vitor, Dona Rosa?
02:05O Vitor, ele foi uma criança, ele sempre foi uma criança muito dócil, né?
02:11Teve a rotina como toda criança, né?
02:14Eu trabalhando, ficando em creche, né?
02:18Mas cresceu com 14 anos, se formou, deu para chegar aos 14 anos, porque tiraram os sonhos dele.
02:28Mas ele foi uma criança sempre alegre, uma criança sempre companheira.
02:36Agora, na fase de adolescência dele, como eu me apeguei a cuidar da minha mãe, né?
02:41Que é idosa, é o Zai, minha irmã, que é deficiente.
02:46E ele era o meu parceiro.
02:50A gente consegue imaginar, vendo essas fotos, a dor que a senhora está sentindo.
02:55Não é fácil lidar com esse sentimento da perda, quem dirá, de um filho.
02:59Agora, a gente sabe, Dona Rosa, que geralmente as pessoas, quando buscam o interior, né?
03:04A senhora morava no interior de São Gabriel da Palha.
03:08As pessoas, quando buscam morar nessas regiões, é justamente em busca de tranquilidade.
03:13Aí a senhora foi para a cidade aí mesmo, né?
03:15O centro aí de São Gabriel da Palha.
03:18E imagino eu que a senhora jamais imaginava ser vítima de uma violência, ainda mais se tratando de uma cidade
03:26pacata, né?
03:28Sim, porque, assim, a gente morou aqui, depois eu fui para a roça.
03:34Aí, a partir do momento que eu tive que cuidar da minha mãe, devido para ficar mais fácil, eu falei,
03:39é, vamos para a rua, né?
03:41E ele não queria, porque ele era um menino que ele amava.
03:44A vida dele era viver em cima de um cavalo.
03:47A alegria dele, o brinquedo dele era viver em cima de um cavalo.
03:52Mas como eu precisava dele para me ajudar, que o meu esposo ficava na roça e eu ficava aqui na
03:58cidade.
03:58Eu precisava dele me ajudar.
04:02E ele foi o meu companheiro, desde fevereiro que eu mudei para cá, para São Gabriel, né?
04:07Que é o bairro Cachoeira da Onça.
04:09E ele cresceu aqui, né?
04:12Praticamente.
04:13Só que eu não sabia que tinha virado esse pesadelo.
04:16Um bairro que era tão tranquilo, virou um terror.
04:21E tem sido assim desde quanto tempo?
04:24Não.
04:26Isso vem atingindo a violência nesse bairro, na São Gabriel, em peso.
04:31Essas disputas de droga têm se tornado de uns três anos para cá que vem formando essa violência total que
04:39está aí.
04:40Só que eu nunca imaginaria que a casa onde o meu filho nasceu, cresceu, né?
04:45Que é o bairro aqui.
04:47Estaria tão perigoso também, que o meu filho foi morto simplesmente por ir a 100 metros da casa dele para
04:53ir numa quadra.
04:55Ver o coleguinha jogar bola.
05:00Dona Rosa, vamos fazer o seguinte agora?
05:02Vamos rever o que o delegado, o doutor Rafael Calimã, tem a dizer sobre o caso que ainda está sendo
05:08investigado.
05:09Olha só.
05:11Já dá para descartar que não foi um tiro acidental em relação ao garoto.
05:16Todavia, considerando que não tem nenhuma passagem com o menino de boa índole, que veio do interior da cidade há
05:21pouco tempo com a família,
05:23a gente nos descarta também que ele foi confundido por traficantes ou por um sintizado de que alguma amizade com
05:31algum desses envolvidos com o mundo do crime,
05:34ele pode ter servido de mate.
05:37E a gente verificou que em 2020 chegaram em uma motocicleta e com uma submetrodurada retornaram vários disparos.
05:46Pelo menos 15 cápsulas foram recolhidas no local.
05:49Além da vítima que faleceu praticamente instantaneamente, uma senhora que estava dentro de uma casa acabou sendo atingida no braço.
05:57A gente pega ajuda da população porque é criminoso que usa esse tipo de arma e tem amor pela família
06:03de ninguém.
06:06Dona Rosa, então o seu filho não tinha envolvimento nenhum com traficante, com tráfico de drogas, não tinha amizade nenhuma
06:14com pessoas envolvidas nesse ambiente criminoso?
06:19Não, não.
06:21O meu filho, a rotina dele era da escola para casa.
06:25Às três horas da tarde ele ia na associação que tem aqui para jogar a bola dele.
06:31Ao retorno ele passava na casa das amiguinhas dele, que era da igreja, que a gente é da Assembleia de
06:35Deus.
06:37E ele ficava em casa para poder tomar conta da minha mãe.
06:41E eu não era de deixar, ele nunca foi de ficar na rua.
06:45E nesse dia, por ele querer ir lá ver o amiguinho dele, eu acabei deixando ele ir, que era umas
06:50oito e dez, oito e meia da noite.
06:53Porque é sem método da minha casa.
06:55Aí eu falei, vai meu filho.
06:57Aí ele falou, não vou demorar mãe.
06:59Mas aí no que ele saiu, não deu cinco minutos, eu escutei os estrondo.
07:05Eu falei, aí eu lembrei que dois meses atrás aconteceu quase um homicídio aqui nessa mesma rua.
07:14E aí eu lembrei, eu falei, meu pai, isso é arma.
07:17Na hora que eu falei, meu filho está na rua.
07:19Na hora que eu falei, eles já começaram a me gritar.
07:22Rosa, Rosa, Rosa.
07:24Aí eu falei, fala para mim que não é meu menino.
07:26Aí ele falou, é, atingiram o vírgito.
07:29E aonde que ele foi atingido era muito escuro.
07:32É à frente da casa que a lâmpada estava desligada.
07:35E na hora que eu vi, o meu filho estava caído.
07:38Caído uma criança de 14 anos, foi todo furado, baleado.
07:43Ele tentou pedir socorro na frente da casa da vizinha, eu acho.
07:46Eu acho que é o que eu penso.
07:48Como a porta estava fechada, ele não pôde entrar.
07:51Eles conseguiram pegar ele.
07:52Mas como era no escuro, eles nem viram.
07:55Eu não sei, a gente não sabe.
07:57Porque esse povo, eu não sei o que eles pensam.
08:01Mas aí acabou atingindo a minha vizinha.
08:04E aí, quando eu fui ver, meu filho estava morto.
08:07Morto, inocente.
08:08E ele nunca, nunca mexeu com nada errado.
08:12Não, nunca, nunca.
08:13E quem aqui em São Gabriel, em peso, conhece o meu filho.
08:16E ele teve um velório maior.
08:20Os amigos possíveis que pôde acompanhar.
08:23E o que não pôde, acompanhou a gente dando os apoios em rede social.
08:28Então, eu peço justiça.
08:31Justiça porque foi o meu filho.
08:33Hoje foi o meu filho.
08:34Amanhã pode ser outro.
08:36E isso não pode acontecer.
08:38Porque é uma cidade muito pequena para ficar nessa violência que está.
08:42Eu não aceito isso, não.
08:44Eu imploro por justiça.
08:46E quem souber de alguma coisa, me ajuda.
08:49Eu estou pedindo.
08:49É uma mãe desesperada.
08:51Eu sei que não vai trazer ele de novo.
08:52Mas eu quero saber por que esse homem tirou a vida do meu filho, que era apenas uma criança, que
08:59tinha sonhos.
09:00A alegria dele era estar dentro de um curral.
09:03A alegria dele, a brincadeira dele, quando era um curral, era uma bola.
09:07Então, por que fizeram isso com o meu filho?
09:10Eu quero resposta, pelo amor de Deus.
09:13Pois é, dona Rosa.
09:15Assim como o delegado já falou, infelizmente houve o engano.
09:21E ele está aí pedindo também que as pessoas possam denunciar.
09:26A pessoa pode fazer uma denúncia anônima.
09:28A gente também deixa aqui o nosso apelo.
09:30A gente está, nesse momento, me sinto assim, abraçando a senhora.
09:34Gostaria muito de te dar um abraço e faço junto com você esse apelo aos moradores, a quem mora aí
09:40na região de São Gabriel da Palha, que conhece, ajude a denunciar.
09:45Como disse a dona Rosa, hoje foi, dessa vez foi o filho dela, infelizmente.
09:49E a gente precisa dar um basta nessa violência, que o tráfico de drogas está aí dizimando centenas, milhares de
09:57famílias e até famílias inocentes.
10:00Então, a senhora tem acompanhado, a senhora está acompanhando a investigação?
10:04Da polícia?
10:06Sim, sim.
10:08Eu estou me informando que o meu esposo está acompanhando.
10:14Porque eu não estou tendo estrutura nem para acompanhar essas coisas.
10:17Porque agora a minha vida é viver só de lembrança das coisas do meu filho, do meu menino.
10:23Que o sonho foi destruído por causa de um irresponsável, um indelinquente.
10:29Está doendo muito.
10:31Eu creio, eu peço novamente, gente, quem souber, me ajuda, me ajuda para a gente resolver o caso do meu
10:39filho, o Vito, o meu Vitinho, conhecido como Canelinha.
10:43Que era o apelido dele com carinho em todo mundo, porque ele fazia todo mundo rir, todo mundo sorrir.
10:49E agora ele me deixou.
10:51E eu estou aqui a chorar.
10:53Então, eu suplico, pelo amor de Deus, quem souber de alguma coisa.
10:58Liga, liga para a polícia.
11:01Ajuda a gente a descobrir quem fez essa covardia com o meu filho.
11:05É o que eu estou pedindo nesse momento.
11:07E agradeço vocês pelo carinho.
11:11Dona Rosa, sinta-se abraçada por mim, por toda a equipe aqui da TV Vitória.
11:15A gente está realmente também com um coração despedaçado junto com toda a sua família.
11:21E a gente deixa aí esse apelo, mais uma vez, o Disque Denúncia está aqui na tela, gente.
11:27181.
11:28Denuncie, se você conhece o autor desse crime, o suspeito, denuncie.
11:33Vamos ajudar a encontrar para que justiça seja feita.
11:38Obrigada, Dona Rosa.
11:39Que toda essa dor passe logo, viu?
11:43Que toda essa dor se transforme em uma saudade.
11:46Obrigada pela sua participação aqui no Fala Espírito Santo.
11:49Eu que agradeço, eu que agradeço por vocês estarem me dando esse espaço
11:54para me pedir esse socorro, uma mãe gritando por socorro.
11:58Eu que agradeço.
12:00Tá certo.
12:01Obrigada.
12:01E tendo novidades, a gente tem aqui portas abertas para a senhora, viu?
12:06Um abraço para você.